ENTREVISTA

Seguindo a pista de nossos abdutores

Por Equipe UFO | Edição 118 | Janeiro de 2006

Quando começou a se envolver com este tema, após a observação pessoal que fez de um disco voador, Budd Hopkins não imaginava o que viria pela frente. Artista plástico consagrado nos Estados Unidos e celebrado em Manhattan, Hopkins era uma “pessoa normal” até então, como ele próprio se define. Mas depois do primeiro contato, sua vida foi gradativamente mudando e ele foi vislumbrando uma realidade imensamente maior do que tudo que imaginara. Iniciou então uma pesquisa séria, madura e coerente das inúmeras ocorrências que lhe chegavam às mãos. Uma pesquisa que se tornou referência mundial no meio ufológico. Pouca gente, em todo o mundo, sabe mais sobre abduções do que este senhor.

“Havia casos que me fascinavam. Outros eram simplesmente aterradores”, admite hoje o veterano ufólogo. Suas atividades neste setor foram crescendo e Hopkins, ainda um tanto inocente, sabia que havia algo bem mais profundo e derradeiro por trás dos milhões de casos de UFOs que eram noticiados naquela época. Mas o quê? Como descobrir o que significava tanta atividade extraterrestre em nosso planeta? Foi em meio a estas indagações que Hopkins passou a analisar as abduções – aquelas situações em que gente de carne e osso é levada para bordo de UFOs, muitas vezes à força. Hoje, três décadas depois, tornou-se um dos autores mais lidos sobre o assunto em todo o mundo, com várias obras publicadas. Ao todo, trabalhou com mais de 2 mil abduzidos – um número espantoso –, e é o pioneiro que praticamente erigiu a estrutura de informações que temos sobre o assunto na atualidade. É literalmente impossível se abordar o tema dos seqüestros por alienígenas sem citar Budd Hopkins.

O ufólogo é hoje um conferencista requisitado mundialmente – só ao Brasil já veio quatro vezes. Uma de suas obras, Intrusos [1991], serviu de base para a criação de um longa metragem de mesmo nome, surgido em 1992 e sucesso inquestionável. Na obra, Hopkins mostra como mulheres têm sido seqüestradas por ETs para terem seus óvulos recolhidos e inseminados, e depois devolvidos aos seus úteros, num processo de engenharia genética para criação de uma raça híbrida. Recentemente, durante o 1º Simpósio Internacional de Exobiologia e Ufologia, na Calábria, Itália [Veja UFO 116], Budd Hopkins foi convidado e aceitou atuar como consultor da Revista UFO, dando à publicação enorme orgulho por tê-lo em seus quadros.

Quando comecei a investigar as abduções, havia casos que me fascinavam. Outros eram simplesmente aterradores

Como foi a sua iniciação na pesquisa ufológica e o que faz você crer na realidade dos UFOs? Eu avistei um UFO de dia em Cape Cod, durante cerca de 3 minutos. O objeto flutuava no céu e depois disparou em alta velocidade. Pensei que poderia ser algum tipo de balão ou algo assim, mas descobri que isso seria impossível. Quando alguém vê algo como aquilo, você sabe que não é da Terra. Eu estava com outras pessoas e pulamos para fora do carro para ver o objeto desaparecer. É aí que você percebe que existe algo nesse mundo que você não conhecia, que não imaginava que existia...

Muita gente ainda acha difícil acreditar nas abduções. Como você descobriu estes fatos e de que forma encara tal fenômeno? Enquanto eu pesquisava casos de avistamentos, muitos anos depois de ter tido o meu, comecei a olhar para dentro da questão, sua causa e razões. Eu estava curioso em saber por que os ETs estavam aqui. Neste ponto, os casos de abdução eram extremamente raros. A primeira vez que ouvi um relato desses foi em 1966, dois anos após o meu primeiro avistamento. No início, não pude aceitar as abduções, pois não podia acreditar nelas. Ora, eu tinha que ter uma razão lógica para crer nestes fatos! Saber que existem objetos voando pelo céu não me dava a razão necessária para crer que existissem ocupantes dentro deles. Eu sei que hoje é ridículo pensar assim, mas na época era como tratávamos o assunto. David Jacobs [Autor de A Vida Secreta, Editora Rosa dos Tempos, 2002] fez um interessante comentário sobre isso. Ele disse que mesmo após as investigações sobre os UFOs passarem a ser tratadas com seriedade, ainda demorou 20 anos para que a idéia de que tais objetos pudessem ter tripulantes fosse aceita pelos ufólogos.

Os primeiros casos de abdução que você conheceu mudaram a forma como conhecíamos a Ufologia até então? Sim. Agora que eu conheço o fenômeno da abdução, após ter pesquisado isso por 20 anos, finalmente compreendi que na época anterior à aceitação da idéia dos ocupantes estávamos apenas engatinhando no entendimento do Fenômeno UFO. Não aceitávamos a idéia das abduções e nos contentávamos somente em estudar os objetos em si. Era como se estivéssemos tentando ter um carro sem carteira de motorista… E com a análise das abduções se pôde enxergar mais longe. Os casos que caíam em minhas mãos continham pessoas relatando avistamentos múltiplos, algumas delas com a clássica sensação do lapso de memória – algumas horas que haviam “desaparecido” de sua mente, num período de tempo durante a observação em que não se lembravam de nada. Os casos eram assombrosos.

Qual você considera o melhor instrumento para se investigar as abduções? Bem, você tem que aceitar que alguma coisa traumática aconteceu a muitas dessas pessoas. Mas como descobrir o que era? Como investigar estes fatos? Foi aí que passei a pedir ajuda a amigos meus, psiquiatras, psicólogos e outros tipos de profissionais que pudessem me ajudar com regressões hipnóticas e coisas do gênero. A hipnose era fundamental para estudar experiências que as pessoas não podiam se lembrar com detalhes. E uma das coisas mais interessantes nisso tudo é que as pessoas que me ajudaram neste trabalho eram todas céticas quanto aos UFOs. Algumas acabaram por aceitar os fatos, outras ainda não, mas todas se transformaram. E na medida em que esse tipo de evidência sobre as abduções se materializava, caso após caso, e sendo tais experiências relatadas por pessoas totalmente confiáveis, você tem que aceitar os fatos. Foi o que aconteceu comigo.

crédito: top studio
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Curiosamente, as abduções têm um componente que se repete na maioria dos casos: os abduzidos são submetidos à análises muito semelhantes a exames médicos ou odontológicos. Não raro, têm material genético recolhido

Qual é, na sua opinião, o real significado das abduções para nós? Olhe, eu não tenho dúvidas de que as abduções sejam reais. E seu significado é imenso. No mínimo, indicam que nós não estamos mais no topo do mundo, no topo da cadeia alimentar. Nós estamos num nível mais profundo, cercados de outras formas de vida, muitas delas imensamente mais avançadas que nós. As inteligências que nos visitam têm algum tipo de controle sobre a gente: podem olhar dentro de nossa mente, falar conosco telepaticamente e fazer-nos realizar o que desejam. As abduções, portanto, demonstram o fim total de nossa privacidade. O significado de tais atos dos alienígenas é incomensurável. O que eles estão buscando nos seres humanos é algo que lhes interessa muito: material genético e, até certo ponto, material emocional.

Quais você considera as principais evidências do fenômeno das abduções, aquelas que realmente nos mostram uma realidade fantástica? Eu acho que o mais dramático são as marcas físicas deixadas nos corpos dos abduzidos depois das experiências. Elas são de vários tipos, mas a mais comum é a que chamamos de “marca de concha”, semelhante à de vacina. Este sinal é uma pequena depressão arredondada do tamanho da unha de um polegar ou um pouco menor, causada provavelmente pela retirada de uma quantidade de tecido da vítima por alguma espécie de ferramenta ou aparelho. É comum uma pessoa acordar de noite com algum sonho estranho e levantar pela manhã com uma dessas marcas, mesmo sem ter sangrado. O interessante é que estes sinais podem acontecer várias vezes. Outro tipo de marca comum nos abduzidos é parecido com um corte cirúrgico feito com bisturi. Ele pode surgir em qualquer lugar do corpo e ter de 2 a 4 cm de comprimento, no máximo. É muito raro haver qualquer tipo de sangramento nestes locais. Outros sinais que encontramos podem ser maiores, como ferimentos, principalmente na parte interior das coxas, como se algum tipo de aparelho ginecológico tivesse sido usado. E também nesse caso isso acontece à noite: a pessoa vai para a cama em perfeito estado e acorda com tais cortes ou algo parecido.

Pessoas que passam pelas abduções chegam de fato a se traumatizar? Algumas destas vítimas se tornam realmente traumatizadas. Quando a pessoa acha tais marcas estranhas demais, e ainda sem saber de sua condição de abduzida, vai ao médico e tem um choque. Houve o caso de uma mulher que foi a um consultório médico após ter notado uma dessas marcas em suas costas depois de um estranho sonho, que se confirmou ser uma abdução. Seu médico insistiu para que fizesse uma cirurgia no local, porque havia pequenos intervalos de distensões pela pele. A mulher discordou e ainda argumentou com o profissional que aquilo tinha surgido da noite para o dia e que esperava que desaparecesse da mesma forma.

Qual você imagina ser o propósito dos extraterrestres ao nos seqüestrarem? Tentar especular sobre isso é inevitável. Certas coisas parecem bem claras para mim e acho que sabemos o que eles estão fazendo conosco. Mas o por quê deles estarem fazendo o que fazem é que é especulação! Para mim, parece que os seres extraterrestres estão realizando algo que serve a interesses exclusivamente deles, e não nossos. Algumas pessoas, de tendências religiosas ou místicas, querem que pensemos que os ETs estão aqui para nos ajudar. É realmente bom pensar assim, mas não creio que esse seja o caso. Também não acredito que estejam aqui para nos explorar ou levar-nos a outros mundos sem retorno, como quer outro grupo de pessoas. Isso é paranóia! É certo que eles estão aqui para desenvolver um programa que interessa a eles próprios. Eles podem chegar, entrar em nossas vidas, em nossos corpos, e pegar o que precisam. Em especial, parecem se interessar por nosso material genético – DNA –, pois com isso podem criar híbridos que os ajudam a resolver algum tipo de problema evolucionário pelo qual estejam passando. Quem sabe? Eles poderiam simplesmente ir embora e nos deixar em paz, quando acabarem de fazer o que desejam. No entanto, confesso não ter informações suficientes para dizer qual é seu objetivo. Mas garanto que não estão aqui para nos ajudar a resolver o problema na camada de ozônio ou para nos salvar de qualquer cataclismo ou coisa assim.

Os céticos dizem que as histórias de abduções são muito parecidas por não serem reais, mas baseadas em imagens culturais dos UFOs e dos alienígenas, comuns a todos nós. Como o senhor responde a isso? Uma das coisas mais importantes sobre a abdução é que elas acontecem de forma idêntica ao redor de todo o mundo, até entre as pessoas mais humildes. Em lugares tão longínquos como o Zimbábue e a Nova Guiné, extremamente pobres, ou a Arábia Saudita e o Nepal, significativamente religiosos, as abduções existem e são relatadas da mesma forma pelas pessoas. Todos os casos são parecidos, mesmo em locais diferentes. Não existe a possibilidade deles serem fraudes. Você pode fazer um simples teste a respeito. Pergunte a uma pessoa nas ruas o que ela acha e peça para explicar o que é uma abdução. Talvez ela possa dizer algo a respeito, mas a maioria das pessoas não terá a mínima idéia do que são tais fenômenos e como ocorrem.

O que você diria a quem acha que os abduzidos são loucos? Bem, se os abduzidos são malucos, então há milhões deles em todo o mundo com maluquices exatamente idênticas e igualmente traumatizantes. No entanto, quem imagina que pode-se descartar tal fenômeno tão facilmente está enganado. Estamos falando de milhares de pessoas que podem ser psicologicamente testadas – como, aliás, elas têm sido. E não se encontra nada de anormal nelas! Nós realizamos uma série de testes psicológicos com um grupo de abduzidos há muitos anos atrás, sem informar aos psicólogos que nos assessoravam sobre a natureza do nosso exame. O resultado que obtivemos, e que foi confirmado pelos psicólogos, é de que não foi constatada qualquer psicopatologia nos abduzidos. Portanto, loucos é que não são! E se não são loucos, devem estar falando a verdade.

crédito: james neff
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Os instrumentos usados pelos seres extraterrestres em suas experiências com humanos são quase sempre dolorosos e deixam marcas perenes, isso quando não são chips, implantes inseridos em nossos corpos

Seu novo livro, Sight Unseen [Avistamento Não Visto, Atria Books, 2005], acaba de ser lançado e já é um grande sucesso. O que você trata nele? Bem, neste último trabalho que desenvolvi eu vou além das abduções e faço uma análise mais geral dos fatos, sem, é claro, desviar-me de minha área de especialidade. Por exemplo, no livro eu abordo em detalhes 16 novos casos de seqüestros alienígenas que investiguei em várias partes do mundo.

O que eles têm de tão especial assim e no que se diferem dos casos de Witnessed, Intruders e Missing Time? Estas são obras que lancei há um bom tempo e estão relativamente desatualizadas ou não contêm os dados mais recentes que temos descoberto. Veja, Intruders, por exemplo [Lançado no Brasil com o nome Intrusos, pela Editora Record, 1991], já tem uma década e meia. Seu conteúdo ainda é válido, claro. Mas nas obras mais recentes temos mostrado muitos fatos novos e, principalmente, formas novas de encará-los. Sight Unseen tem ferramentas muito importantes não somente para a pesquisa das abduções, mas também para sua interpretação.

Que ferramentas são essas e como aplicá-las nos casos de abdução que temos? Primeiro, é importante que se diga que estudar os seqüestros alienígenas é uma coisa, mas compreendê-los e integrar esta compreensão ao contexto da Ufologia, é outra bem diferente. As ferramentas que eu forneço são intuitivas, para que se “sinta” o abduzido durante todo o processo de sua narrativa. Em especial, para que se entenda quando ele está narrando fatos que ocorreram de outros que podem ter sido criados por sua mente, sua imaginação. Pode-se dizer que tais instrumentos consistem de uma complexa combinação de filtros que, usados sozinhos ou em conjunto, podem nos revelar grandes surpresas sobre nossos abdutores

Novos padrões de abdução despertam a curiosidade humana

Budd Hopkins, um dos mais respeitados e aclamados ufólogos norte-americanos, autor dos livros Witnessed, Intruders e Missing Time, volta ao cenário editorial com mais uma obra que retrata com detalhes espetaculares diversas experiências de abdução, fato cada vez mais presente em nossas vidas. Em Sight Unseen [Visão Não Vista, Atria Books, 2005], Hopkins e Carol Rainey, co-autora, mostram como as recentes descobertas da ciência moderna apóiam a plausibilidade do Fenômeno do UFO.

No livro são apresentados 16 casos de seqüestros alienígenas, provas mais do que convincentes de fazemos parte de experiências cósmicas. A obra aborda ainda padrões de abdução recentemente descobertos, tais como a utilização da invisibilidade para a captura de humanos e a existência de seres geneticamente modificados interagindo conosco. Os casos de invisibilidade são detalhadamente explicados por Hopkins e inclui fatos que ocorreram em áreas urbanas em plena luz do dia, como o ataque a dois soldados perto de uma base militar e a uma família australiana. Neste último, as crianças e a mãe foram levadas por um UFO, enquanto o pai ficou paralisado e filmou tudo. Além disso, os autores mostram misteriosos casos de abduzidos que começaram a adquirir poderes paranormais após terem contato com extraterrestres.

Juntamente com vários casos bizarros, Hopkins e Carol exploram os avanços de nossas atuais tecnologias científicas. Revelam como o padrão nas ações dos ETs pode ter reflexo nos conceitos empregados pela ciência atual, incluindo os mecanismos das novas aeronaves, os procedimentos para controle da mente e a teleportação de objetos, já alegadamente obtida através de pesquisas realizadas em laboratórios. Talvez, como acreditam os autores, o argumento mais autêntico para apoiar as hipóteses apresentadas em Sight Unseen encontra-se nos estudos contemporâneos e na controvérsia da clonagem e dos transgênicos, que utilizam técnicas avançadas de engenharia genética para recriar indivíduos, alimentos e – por que não? – seres alienígenas com características humanas? Pelo menos, já temos informações de que “eles” estão fazendo experiências neste sentido, há milênios.

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