ENTREVISTA

\'Os discos voadores me preocupam demais\'

Por A. J. Gevaerd | Edição 170 | Outubro de 2010

As entrevistas da Revista UFO têm características e objetivos muito especiais e bem definidos. Entre as primeiras, a mais importante é que sejam detalhadas, aprofundadas e consistentes, e por isso são tão longas, para que se conheça o entrevistado e sua obra muito além do básico. E entre seus objetivos, naturalmente, está o de cumprir a ousada vocação da publicação de apresentar aos seus leitores as idéias dos homens e mulheres mais geniais que se dedicam à fascinante questão dos discos voadores, sejam eles ufólogos ou não. Ao longo de sua trajetória, aliás, a UFO entrevistou pessoas que ninguém suspeitaria serem grandes “pensadores” da Ufologia, mas que foram assim revelados em nossas páginas, podendo dar à Comunidade Ufológica Brasileira sua inestimável e imprescindível contribuição.

É nesta condição que oferecemos hoje uma entrevista com um dos mais celebrados músicos e compositores brasileiros, Zé Ramalho, um homem que, quem diria, é um grande apaixonado pela pesquisa da presença alienígena na Terra. “Essa gente pequenina, em viagem intergaláctica, vem trazer nova gramática ou mudar nossa doutrina, beber nossa gasolina, que já é pouca demais, desmantelar nossos cais, engrenar novos motores. Esses discos voadores me preocupam demais”, é um trecho de uma das mais belas canções que interpreta.

Da Jovem Guarda a Bob Dylan

Zé Ramalho não poderia estar mais distante do simples perfil de músico, como vemos no cenário atual. Definitivamente, muito poucos tiveram, como ele, tantas e tão variadas influências, que vão desde a Jovem Guarda de Roberto e Erasmo Carlos a Pink Floyd, passando por Raul Seixas, The Beatles, Rolling Stones e até Bob Dylan. Adicione a esta receita a particularíssima cultura nordestina de cantadores e repentistas, assimilada por Zé Ramalho de forma única, e teremos uma obra nada menos do que magnífica, continuamente ampliada por um dos mais inventivos, talentosos e originais artistas do país.

Mas nosso entrevistado vai bem além e mostra que sua vasta cultura não se restringe à música. Nesta entrevista, gravada em Curitiba, Zé Ramalho mostra que tem elevado conhecimento de Ufologia, o que talvez não fosse de estranhar, considerando ser assinante da Revista UFO há quase 20 anos. Filmes clássicos e obrigatórios a todo ufólogo, como o original de O Dia Em Que a Terra Parou [1951], o pânico resultante da adaptação radiofônica de A Guerra dos Mundos [1938], e livros igualmente históricos, como Admirável Mundo Novo [1932], de Aldous Huxley, são obras de sua cabeceira.

Um ufólogo nato e informado

Zé Ramalho passou a maior parte da infância em Campina Grande, na Paraíba, tendo sido criado pelo avô, após o falecimento do pai, quando tinha dois anos. A forte relação com o avô rendeu uma homenagem marcante e singela, quando escreveu a canção Avôhai. A família a seguir mudou-se para João Pessoa, e todos esperavam que ele se formasse médico. “Mas não passei do segundo ano, quando decidi sair da faculdade e me dedicar exclusivamente à música”, disse. Foi nesta época que teve uma experiência com o Fenômeno UFO, enquanto realizava uma pesquisa sobre cogumelos alucinógenos numa fazenda da região. Felizmente, o Brasil perdeu mais um médico, mas ganhou um músico como poucos e um ufólogo nato.

Foi na capital paraibana que Zé Ramalho esteve em alguns shows com a Jovem Guarda, antes de participar da trilha sonora do filme Nordeste: Cordel, Repente e Canção, em 1975. Seu primeiro álbum foi gravado pouco depois, Paêbirú, hoje raridade de colecionador. O primeiro disco veio em 1977, com o título Zé Ramalho, e os trabalhos seguintes foram plenos de sua criatividade, em constante mutação pelas influências já descritas, mas seguindo uma linha que revelaria o cantor e compositor como dono de uma das vozes mais conhecidas do Brasil. Zé Ramalho, inquieto e buscador, foi formando em sua música matizes que iam do forró ao rock and roll — é difícil dizer onde acaba um gênero e começa o outro, e mais ainda definir quantos estão entre ambos.

crédito: Acervo Zé Ramalho
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Zé Ramalho tem dezenas de discos lançados, em que exercita um raro ecletismo musical envolvendo muitos estilos e sons

Suas canções estiveram em diversas novelas de sucesso, como Mistérios da Meia Noite em Roque Santeiro [1985], da Rede Globo. Este é também um típico exemplo do misticismo que permeia a obra de Zé Ramalho, bem dosado com uma busca racional pelo insólito, como fica claro na entrevista a seguir. Foi até mesmo indicado ao Grammy Latino, com o álbum Nação Nordestina, que um dia mandou autografado a este editor que o entrevistou — até então, aquele José Ramalho Neto no cadastro da UFO era apenas um assinante. Hoje é um amigo. Em 2007, repetiu o feito com Parcerias dos Viajantes. Além de se apresentar ao lado de grandes artistas, como a prima Elba Ramalho e Alceu Valença, também prestou homenagens a seus ídolos Raul Seixas e Dylan, este último no álbum Zé Ramalho Canta Bob Dylan: Tá Tudo Mudado. Até um livro foi lançado em sua homenagem, Zé Ramalho: Um Visionário do Século XX, da escritora Luciane Alves [Nova Era, 1997].

Filmes de UFOs na Amazônia

Essa carreira movimentada e riquíssima, a estafante rotina de viagens, gravações e shows não são obstáculo para Zé Ramalho manter-se informado quando o assunto são os UFOs. Exibe um impressionante conhecimento sobre a matéria, acompanhando até mesmo os mais recentes desdobramentos da campanha UFOs: Liberdade de Informação Já, a abertura ufológica governamental de vários países e principalmente a brasileira, que considera uma vitória da Ufologia. “Quero ver as 16 horas de filmes de discos voadores sobre a Amazônia, feitos pelo pessoal da Operação Prato e que a Força Aérea Brasileira (FAB) está retendo”, disse, referindo à declaração do coronel Uyrangê Hollanda apurada pela revista [Veja UFO 114 a 117, agora disponíveis na íntegra em ufo.com.br].

Para Zé Ramalho, a humanidade tem sido colocada à parte de uma incrível realidade, que pode mudar substancialmente a maneira como vemos a nós mesmos, o nosso mundo e o universo que nos cerca. “Creio que existam raças interessadas em nosso desenvolvimento, assim como outras apenas curiosas com a forma como realizamos as coisas aqui”, acredita. Ele também defende que a mentalidade de manutenção do segredo quanto à existência de outras espécies cósmicas precisa terminar, ao mesmo tempo em que a sociedade precisa ser educada para deixar de lado a violência, o preconceito e tantas outras mazelas. Desta forma, pensa, estaremos finalmente preparados para o contato final com nossos visitantes, cujos primeiros sinais já podem ser percebidos. Vamos à entrevista.

Muitas de suas músicas falam de assuntos transcendentais, e algumas até tratam de discos voadores. Você sempre teve interesse pelo assunto, sempre teve essa veia mística? Sim. Acho que descobri isso mais ou menos quando tinha uns 20 anos. Sempre gostei muito de falar sobre discos voadores e extraterrestres. Quando eu era garoto, nas décadas de 50 e 60, morei em Campina Grande, na Paraíba — onde acontece o forró mais gostoso do mundo —, e no Nordeste, na época, havia uma inclinação para estes temas. Eu era muito ligado em filmes de ficção científica, como O Dia Em Que a Terra Parou [1951] e A Guerra dos Mundos [1953], por exemplo, que tratavam da questão dos UFOs. Eu os assisti várias vezes, pois era muito impressionado com o tema. Já no final dos anos 60 começou uma explosão de notícias sobre Ufologia em todo o mundo e só se falava nos discos voadores, que apareciam aqui e ali. Foi quando começaram a surgir, também, muitos livros interessantes sobre o assunto, como Planeta das Possibilidades Impossíveis, de Louis Pauwels e Jacques Bergier [Melhoramentos, 1972], que me despertaram ainda mais, apesar de ser difícil conseguir boa literatura sobre Ufologia onde eu morava.

Durante o processo em que você passou a se interessar por Ufologia, que influências recebeu para ter esta inclinação pelo místico? Eu era muito curioso, inquieto. Li muitos livros que ativaram este lado em mim, entre eles alguns de Carlos Castañeda, como A Erva do Diabo [Nova Era, 1989]. Mas principalmente os livros de Aldous Huxley, como Admirável Mundo Novo [Globo, 1932], que inspirou uma de minhas músicas mais famosas, Admirável Gado Novo. Sua visão futurística me impressionou muito, assim como o livro As Portas da Percepção: O Céu e o Inferno, também de Huxley [Globo, 1979].

A que você atribui esta renitente aversão ao assunto? Acha que há possibilidade deste cenário mudar um dia? Há. Hoje existe grande dificuldade em se compreender a presença alienígena na Terra devido, entre outros fatores, à explosão demográfica do mundo. A população do planeta cresceu e ainda cresce assustadoramente. Assim, pessoas como nós, que estão ligadas a este tema, são um grupo cada vez menor na multidão. Informações sobre a existência de outras espécies cósmicas, que deveriam ter sido passadas à humanidade através dos tempos, não o foram e essa é hoje a principal causa que impede as pessoas de se aproximarem mais do tema e de aceitarem que estamos sendo visitados. A cultura, no entanto, deve ser disseminada. O saber deve ser compartilhado. Já tivemos várias tentativas de fazer isso, desde os tempos medievais. Veja, por exemplo, o caso da Biblioteca de Alexandria. Na ocasião, Alexandre, O Grande, era uma figura tão especial que, em vez de saquear as riquezas dos navios, saqueava livros e pergaminhos, e conseguiu reunir na biblioteca todos os manuscritos que obteve, contendo ensinamentos ligados à medicina, as artes, à ciência. Riqueza, para ele, era a cultura. Na visão de Alexandre, O Grande, não havia bem maior do que você reunir a cultura de todos os países aos quais ele teve acesso, saqueando ou não.

Com tamanha clareza em seu raciocínio sobre a existência de vida inteligente extraterrestre, como você explica que a humanidade ainda esteja inerte quanto a esta realidade?
Veja, se tratar dos conceitos de nossa humanidade é algo complicado, o que dirá então tratar dos de outras humanidades, existentes em outros mundos, enfim, de outras linhagens de vida? Nós temos aqui na Terra nossas idéias do que é certo e do que é errado, do que é bom e do que é ruim. Esses conceitos de comportamento vêm desde os gregos, e achamos que valem para todo o mundo. Mas lá fora pode ser diferente, ainda que hoje a aceitação da existência de vida extraterrestre por nossa espécie seja algo muito reprimido. Talvez por estas possibilidades é que haja esta rejeição tão grande ao assunto.

Você acha que as religiões têm alguma participação neste processo de rejeição generalizada da humanidade quanto à questão ufológica? Sim, com certeza. Haja vista a Guerra Santa, que destruiu muitas culturas européias em nome de Cristo. Quem recusasse aceitar as idéias religiosas vigentes era dizimado ou queimado, com os inquisidores tendo a Bíblia na mão. Veja também o caso dos conquistadores espanhóis. Quando aqui chegaram, eles também trataram dos povos da América Latina com a Bíblia na mão e invocando a palavra de Deus. Exterminaram tudo o que encontraram pela frente em busca de ouro, o metal que fascina a humanidade desde sempre. A ordem era aniquilar todos em nome do Senhor. E desde estas épocas, a meu ver, o medo foi estabelecido, fazendo a repressão se acumular durante séculos. Veja que o que estamos tratando aqui, nesta entrevista, jamais seria possível abordar há 300, 400 ou 500 anos, quando no Brasil recebia os primeiros navios portugueses. Os pilares da Igreja e de muitas religiões são calcados em conceitos muito fechados, como se o nosso planeta fosse o único habitado no universo. Por isso é tão grande a rejeição quando debatemos assuntos relacionados a formas de vidas existentes em outros mundos.

Como você vê a recente abertura que o Vaticano tem demonstrado quanto à questão ufológica, admitindo cada vez mais que há outras formas de vida no cosmos? Como as declarações do jesuíta José Gabriel Funes, astrônomo oficial da Santa Sé, que há pouco afirmou que os extraterrestres existem e são nossos irmãos [Veja UFO 143, agora disponível na íntegra em ufo.com.br]?
Vejo com bons olhos, pois já é tempo disso acontecer. É hora de despertar e a verdade não pode mais ficar contida e afastada da humanidade. Talvez o Vaticano esteja se adiantando pela necessidade de se adaptar à nova informação, que chega cada vez mais claramente para todos os que estão atentos. É aquilo que os próprios católicos dizem: “Somos todos filhos de Deus”. E isso, algo aparentemente simples, abrange muita coisa. Acho que deveria ser realizada uma reunião com autoridades mundiais para se tratar do Fenômeno UFO, e um emissário do Vaticano — talvez o Funes — deveria estar nela, junto com os grandes pensadores no assunto, como vocês, ufólogos. A Santa Sé teria ainda que explicar a mudança que fez sobre o assunto, que era rejeitado por ela até alguns séculos atrás. É uma mudança realmente radical diante das coisas que a Igreja praticou durante muitos anos.

Você é católico ou pratica alguma religião? Já fui católico, mas hoje sou agnóstico e procuro não me associar a nenhuma crença. No entanto, respeito todas elas, desde que façam o bem às pessoas, desde que produzam uma sensação de conforto, de segurança. Eu cresci seguindo a religião católica, e até meus 20 anos sabia ler a liturgia da missa em latim, pois ajudava o padre, lá em João Pessoa, na Paraíba.

crédito: Allan Gutierrez
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O entrevistado lembra o programa A Guerra dos Mundos, de Orson Wells, que simulava a invasão da Terra por marcianos

Acho que ainda teremos novidades no posicionamento atual do Vaticano quanto aos UFOs. Mas, e sobre a forma como os governos e, em especial, os militares tratam do tema, o que pensa? Acredita que seja coincidência que gradualmente as nações venham admitindo a presença alienígena na Terra, como está ocorrendo no Brasil? Isso é impressionante, como pude constatar nas correspondências que a Revista UFO me mandou sobre a abertura ufológica no país. É fácil perceber que não só no Brasil, mas em todo o mundo, a questão ufológica está ligada aos militares, às forças armadas de cada país e à sua defesa. Quando vêem que estão diante do que chamamos de alienígenas, de formas de vida extraterrestre inteligente, já pensam logo em invasão, o que não é o caso. O próprio ex-presidente norte-americano Ronald Reagan pensava que era possível uma invasão alienígena e chegou a afirmar isso durante uma sessão da ONU. Há até uma declaração dele, claríssima, em que afirma que deveria ser criado um departamento para pesquisa do assunto dentro do órgão.

Sim, e em seguida Reagan sugeriu a implantação de um projeto que, a princípio, se pensou que fosse para proteger os Estados Unidos da extinta União Soviética, mas depois se descobriu que serviria para defender ambas as nações e o resto do mundo de uma aludida invasão extraterrestre. Era o Projeto Guerra nas Estrelas, que foi parcialmente implantado. É verdade, e isso partiu de uma cabeça como a dele, do presidente dos Estados Unidos. E olhe que ninguém riu quando ele falou aquilo. Pelo contrário, muitas autoridades tiveram uma atitude bem clara diante de sua declaração. Agora, quanto à abertura, acho que, por mais que os governos liberem alguns arquivos, as informações mais impactantes e estrondosas serão retidas pelos militares. Veja que entregaram muitos papéis da Operação Prato, mas os filmes de UFOs feitos sobre a Amazônia não foram liberados.

Ou seja, até agora os militares entregaram apenas a ponta do iceberg, só o que não vai fazer muita diferença, concorda? Penso que sim. São 16 horas de filmes de discos voadores sobre a Amazônia, segundo a UFO apurou a partir das declarações do coronel Uyrangê Hollanda, comandante da Operação Prato. Gostaria de vê-los.

Você está bem informado de tudo o que ocorre na Ufologia Brasileira, considerando sua estressante rotina de shows e novas gravações. Sabia também que entre estas 16 horas de filmes há até naves-mãe fazendo impressionantes acrobacias sobre a área onde se desenvolveu a Operação Prato? Tudo foi documentado pelos militares sob comando do Hollanda, e ficou durante anos guardado no I Comando Aéreo Regional (COMAR), em Belém. Soube que os militares do Comando não liberaram essas coisas, por isso imagino que devem ser seríssimas. Acho que aqui podemos pensar na possibilidade de que estejam retendo informações porque acreditam que podem ser perigosas para a população. Nunca se sabe que tipo de reação a grande massa teria, haja vista que em qualquer aglomeração de pessoas o pânico se estabelece. Não podemos nos esquecer daquilo que Orson Wells fez em seu programa de rádio A Guerra dos Mundos, na década de 30. Milhares de ouvintes acharam que era verdade o que ele dizia, sobre estarmos sendo invadidos por marcianos, e foram para o meio da rua em pânico. Veja o que um simples rádio provoca...

Você, que lida com a massa e tem tantos fãs no Brasil inteiro, acredita que ainda haveria pânico se a verdade sobre os UFOs viesse à tona? Afinal, tratando do assunto, você tem modificado o pensamento das pessoas sobre o tema, levando-o a uma maior aceitação, tal como também fazem outros músicos e artistas. Pode ser que sim, Gevaerd. Aliás, seria muito bom se fosse assim. Mas acho que a reação das grandes massas é instintiva, e medo e pânico são conseqüências do instinto que o ser humano tem dentro de si. Assim, uma revelação global pode realmente provocar uma comoção, e se não for uma correria, pelo menos será uma grande inquietação. Com certeza as pessoas deverão refletir e repensar um monte de coisas. E diante de algo tão grande, muitos dogmas religiosos cairiam, pois as idéias relativas à criação seriam questionadas.

Sobre a rejeição quanto aos UFOs, a que você atribui que, ainda hoje, grande parte dos cientistas se negue a aceitar que estamos sendo visitados? Como o falecido astrofísico norte-americano Carl Sagan, por exemplo, que, apesar de ser uma pessoa tão bem informada sobre tudo, tinha grandes reservas quanto ao assunto? É que algo assim, como os discos voadores, é um paradoxo na cabeça de muitos cientistas, como deve ter sido para Sagan. Eu acompanhei a série Cosmos [1980], que ele apresentou, e li alguns de seus livros. Sagan de fato tinha muita informação sobre o universo, mas seu posicionamento quanto à existência de discos voadores me desapontou muito, e acho que também aborreceu muita gente. Ele devia ter, com todo seu conhecimento, informação suficiente para se posicionar ao contrário. Como ele pôde dar uma declaração daquelas, de que os discos voadores não existiam? A meu ver, era uma pessoa muito ligada ao seu governo, o que pode explicar sua atitude [Veja UFO 133, agora disponível na íntegra em ufo.com.br].

Você acredita que um contato direto com outras espécies seria um momento derradeiro para a raça humana? Sim, creio. As grandes perguntas da humanidade poderiam finalmente ser respondidas: de onde viemos, por que estamos aqui e para onde vamos? São essas perguntas que resumem tudo e não há nada mais condensado do que elas. Mas ainda não temos idéia do que um cenário desses, de revelação global da presença alienígena na Terra, acarretaria para os governos, para a sociedade, para as religiões, para a ordem pública estabelecida há séculos. Nosso comportamento e leis precisarão ser reformulados, e a mídia teria papel decisivo neste processo, assim como escolher o local ou que nações estariam representadas num cenário de contato oficial com outras espécies. E, apesar de todo o planejamento, tal situação provocaria uma série de acontecimentos incontroláveis.

Sim, Sagan trabalhou com J. A. Hynek, pioneiro da Ufologia Mundial, que me declarou pessoalmente que ele sabia muito sobre discos voadores. Hoje é de conhecimento geral dos ufólogos que Sagan também tinha o papel, perante a Força Aérea Norte-Americana (USAF), de desacreditar a questão ufológica. Acredito. Talvez ele até estivesse instruído pelo próprio governo dos Estados Unidos. Mas a sua era uma posição política muito forte, estabelecida pelo sistema de poder instalado em nosso planeta. Sagan deveria receber muita pressão por ser cientista, e sua opinião a respeito de discos voadores receberia destaque demasiado se ele a admitisse publicamente. E faleceu tão jovem, ainda teria muito a oferecer...

Mudando um pouco de assunto, gostaria de saber se você já teve algum contato com uma nave alienígena ou com um tripulante. Veja bem, minha experiência na área está ligada a outras, em outros campos. Certa vez tive uma vivência com o fenômeno, enquanto cursava o segundo ano de medicina em João Pessoa. Foi quando decidi sair da faculdade e me dedicar exclusivamente à música. Mas enquanto isso não ocorria, mantinha minhas atividades normais como estudante e, junto com alguns colegas, realizei uma pesquisa sobre cogumelos alucinógenos numa fazenda da região. Minha incumbência era fazer uma espécie de documentário sobre eles, baseado em pesquisas anteriores feitas na literatura a respeito. Eu trato disso na minha música Avôhai, onde há um verso que diz: “Amanita matutina que transparente cortina ao meu redor”. Sabe o que significa? Amanita é a qualidade de certos cogumelos alucinógenos.

Conheço a música e a letra, obrigado. E o que aconteceu na ocasião? Estávamos numa fazenda realizando a pesquisa, que era de um dos colegas. Tínhamos todos cerca de 22 anos de idade, éramos muito jovens, mas já estávamos atrás de revelações, quando encontramos os cogumelos naquele local e resolvemos fazer uma experiência com um deles. Ingerimos uma porção daquilo para ver o que ocorria. Eram umas 15h00, mais ou menos, e o Sol estava imenso no céu, refletindo luz sobre um pasto muito verde. Daí, o princípio ativo desses cogumelos, chamado psilocibina, que atua em um local do cérebro muito pouco visitado, que ilumina umas áreas de nossa mente que raramente acessamos, passou a fazer efeito. Vimos então “cortinas” transparentes no céu, como as de que eu falo na letra da música, que se parecem com a aurora boreal. Só que este é um estado que mais se aproxima de uma espécie de transe mediúnico. Foi nesse momento em que olhei para as nuvens havia uma sombra gigantesca e bem clara de uma nave-mãe.

Era um disco voador de formato clássico? Sim, era enorme e dava até para ver o contorno das escotilhas. Aquilo ali era algo muito forte e cheguei a engasgar. Estávamos em quatro pessoas, sendo que duas delas olhavam para outras direções. Mas um dos meus colegas também teve a mesma visão, que nos causou um impacto muito forte. Em meio à sensação que estávamos sentindo, não tivemos pânico e nem medo. Mas, diante de uma coisa assim, você fica meio paralisado, claro. Era um objeto bem grande que estava parado e sem emitir qualquer ruído, nada. Parecia uma sombra, como se vê nestes casos de naves que usam algum tipo de tecnologia para produzir nuvens e se camuflarem, enquanto navegam na invisibilidade. Foi incrível! Esta imagem aparece muito em meus sonhos, pois desde então eu sonho freqüentemente com a experiência.

crédito: Jorge Tambor
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A estátua de Padre Cícero em Juazeiro do Norte (CE), local onde o entrevistado teve uma experiência paranormal

E de lá para cá, teve mais alguma experiência semelhante que queria nos contar? Recentemente eu tive outro sonho que me fez acordar de madrugada, tamanho foi seu impacto. Tive a visão de várias naves portando essa tecnologia invisível e circulando normalmente no céu, como se tivessem uma atividade constante, tal como ocorre com aviões em nosso tráfego aéreo.

Durante o episódio de avistamento coletivo naquela fazenda, como eram os efeitos da ingestão dos cogumelos sobre a sua consciência? Você permanecia alerta, tinha a sensação das coisas ao redor? Sim, bem alerta. A ingestão é uma experiência natural em que um agente, como a psilocibina, faz a ligação entre várias coisas. Ele serve como um fio condutor entre diferentes sensações e você passa a ter uma percepção muito aguçada dos fatos ao seu redor, como um amplificador da realidade. Nesse estado, você sente de maneira muito clara e forte a presença das coisas que estão por perto. A natureza se mostrava assim para nós, mais viva do que nunca. Os troncos das árvores estavam cheios de olhos bem vivos olhando para nós. Isso durou umas duas ou três horas, que nunca mais esqueci.

Quando você fala em presença ao redor, também se refere à nave que viu e a possíveis seres? À nave sim, mas não a seres, porque não os vi. No entanto, eu os sentia. Parecia que havia uma presença alienígena naquela hora. E isso me impactou tanto que fiz várias músicas depois, inspiradas naquela experiência. Uma delas é Kriptônia, que fala daquele contato, daquele transe mediúnico. Sei que existem várias formas de você fazer contato. Existem os avistamentos muito claros, que ocorrem a qualquer hora do dia ou da noite, e aqueles em que pessoas têm a sensação de estarem em contato sem verem naves.

De fato, os contatos podem ocorrer das mais variadas formas e nos mais diversos ambientes, alguns bem inusitados. Dá a impressão que sim. Há um ufólogo francês com quem conversei, chamado Henri Koliver, que estudou as religiões afrobrasileiras e diz que todas as atividades mediúnicas que ocorrem em terreiros de umbanda, envolvendo orixás africanos, são manifestações extraterrestres. Acredito que a própria espiritualidade é uma manifestação provocada por seres espaciais [Veja UFO Especial 055 e 056, agora disponíveis na íntegra em ufo.com.br]. Venho conversando sobre esse assunto com várias pessoas. Mas, novamente, voltando ao fio condutor ao qual me referi, ele pode servir para você se conectar com outra dimensão ou com outra faixa energética.

Você teve outra experiência em sua vida em que sentiu novamente a presença deste interessante fio condutor? Sim. No ano passado [2008] fiz um show em Juazeiro do Norte, no Ceará, terra de Padre Cícero, e algo aconteceu. Há lá uma enorme estátua do Padre Cícero, que é visitada por muitos devotos, pessoas pobres e simples, doentes e aleijados. Elas sobem de joelhos e colocam a mão na bengala da estátua, às vezes em romaria. Aquele ponto da bengala onde encostam a mão está todo ensebado, sujo, cheio de impressões digitais de milhares de pessoas. Mas a fé que depositam ali, quando tocam a estátua, é descomunal. Pedem sempre alguma coisa, como saúde para si ou para algum parente, força espiritual etc. O que os romeiros colocam ali, independente da religião que tenham, é muito forte e depende da cabeça de cada um deles. Aquele ponto da bengala é muito especial.

Você teve alguma experiência mística lá? Tive. Um dia, bem cedinho, fui visitar a estátua com minha equipe e alguns músicos com a intenção de me concentrar olhando para ela, para tentar sentir a energia daquele povo simples que esteve ali antes. E durante um minuto ou dois, quando estava ali em silêncio, tentando notar alguma coisa, surgiu novamente o tal fio condutor. Ajudaram para isso os sons emitidos por uma igreja próxima, uma espécie de cantiga do sertão, a incelência, entoada pelas pessoas quando alguém morre. Era uma melodia triste. No meio destes sons comecei a ouvir a voz de uma mulher lá na igreja, cantando algo baixinho. Pois, no momento em que a voz apareceu, surgiu uma energia tão poderosa que me causou um arrepio muito grande, tanto que eu sentia quase tudo ali tremendo.

O que houve? Senti uma vontade de chorar muito grande, talvez por ter absorvido a intensa sensação de sofrimento daquelas pessoas que ali vão colocar a mão na estátua. E isso só aconteceu quando surgiu aquela voz linda, límpida e muito clara cantando. É a tal coisa do fio condutor. Existem experiências profundas que dependem muito de nossas cabeças, da busca de cada um de nós.

Você acredita que a raça humana tenha sido implantada na Terra por extraterrestres, que estariam voltando para nos visitar? Não tenho dúvida disso, e eles são muitos. Tenho a impressão de que pode ter havido experiências envolvendo formas de vida extraterrestres semelhantes a nós e outras nem tanto. Há entre eles criaturas incompreensíveis para nós, enquanto outras são muito semelhantes. Algumas delas, ou várias, podem ter decidido implantar vida aqui, juntando características diversas e mantendo alguma semelhança com os criadores, os que fizeram a implantação. É interessante que, quando nos abduzem, até hoje, os extraterrestres fazem experimentos genéticos retirando sêmen e óvulos humanos. Para quê? O que querem com este material?

Como você aplica este conceito de busca da verdade à questão ufológica? Eu acredito muito nesta realidade, mesmo tendo visto tão pouco. Mas minha convicção na existência de discos voadores e civilizações superiores à nossa vai muito além da fé. Eu sinto essa existência de maneira muito forte, e aceito plenamente a possibilidade de a raça humana ter sido uma experiência genética, realizada aqui em nosso planeta por espécies muito avançadas. Há coisas que as religiões tentam explicar e outras que a ciência defende, como a teoria do Big Bang, mas muitas ainda fogem ao seu entendimento. Acredito sem hesitação que a humanidade pode ter sido implantada na Terra. Até porque, a ciência não explica os saltos evolutivos da espécie humana e nem certas descobertas fósseis que indicam algo diferente de uma evolução como a defendida por ela. Por exemplo, teria sido impossível para homens primitivos sobreviverem no mesmo planeta em que proliferavam tantos predadores carnívoros. Seria impossível haver uma organização humana aqui. Assim, creio, o protótipo do ser humano que foi colocado aqui já estava num estado mais avançado, que lhe permitiu sobreviver.

Como você colocaria dentro de sua visão de colonização da Terra alguns grandes mestres, como Jesus, Buda, Krishnamurti? Creio que eram pessoas especiais, não necessariamente portadoras de superpoderes, mas dotadas de uma inteligência muito grande, muito avançada. Certamente, tinham ligação com os seres que implantaram a vida aqui.

Você acredita que estamos sendo visitados por diferentes civilizações, e que elas estariam interessadas em nossa espécie? Sim, sem dúvidas. Isso me faz lembrar 2001: Uma Odisséia no Espaço [1968], de Stanley Kubrick, uma obra-prima. Na abertura do filme, macacos descobrem a violência quebrando ossos e passando a usá-los como armas. E no meio de toda aquela coisa primitiva surge uma pedra lisa, perfeita, um monólito lindo. O filme é um tratado filosófico daquele grande diretor. Ele criou essa premissa, já naquela época, de que a presença alienígena provocou a evolução da humanidade.

Você acredita que quem implantou nossa raça teria deixado alguma pista para que pudéssemos descobrir no futuro? Acho que sim. Mas, se existe uma ordem superior, tal espécie — ou espécies — não pode interferir em nosso destino. Se esses seres que vêm aqui o tempo todo trouxessem, por exemplo, a cura para o câncer, isso iria alterar totalmente o futuro da humanidade. Somos nós que temos que resolver isso, mesmo com nossos limites e nossas fraquezas. Veja que já temos recursos para tentar, como a nanotecnologia, que produz chips cada vez menores e mais inteligentes, criados para a pesquisa médica. Essas coisas permitem colocar uma câmera dentro do seu corpo e ver tudo, coisa que antes só era possível em filmes de ficção científica.

Certo. E dentro desse processo de conscientização da espécie humana, vê a possibilidade de artistas como você serem instrumentos de avanço, seja através da música ou através do cinema e ainda de outras artes? Isso é uma coisa automática. Procuro passar para minhas músicas as experiências que eu vivo, e acho que isso ocorre com muitos outros artistas também, na medida em que a inspiração vem. Coloco a questão de maneira muito delicada, procurando dar um pouco de fantasia para as pessoas que me escutam. Por exemplo, há uma música que captei de um cantador lá de Pernambuco, chamado Oliveira de Panelas, que diz assim: “Essa gente pequenina, de viagem intergaláctica, vem trazer nova gramática ou mudar nossa doutrina, beber nossa gasolina, que já é pouca demais, desmantelar nossos cais, engrenar novos motores. Esses discos voadores me preocupam demais”.

crédito: Romero Mendonça
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Elba Ramalho, prima do entrevistado, também teve experiências ufológicas e acredita ter sido “chipada” por eles

Em suas músicas quase sempre se vê um componente político, algum manifesto quanto às condições do povo brasileiro. E nesta canção? Bem, nela eu engrenei alguma coisa de política sim, e mandei assim: “Da esfera marciana, descem discos toda hora, fazem pequena demora no meio da raça humana. Talvez queiram ver a grana das multinacionais, que estão botando para trás os nossos trabalhadores. Esses discos voadores me preocupam demais”. Eu passei a cantar isso em meus shows. Até hoje me comunico muito com o Oliveira de Panelas, que é um médium danado e recebe umas coisas impressionantes.

Falando em artistas, uma pergunta que queria fazer desde o início se refere à Elba Ramalho, sua prima. Ela teve muita coragem de afirmar publicamente, inclusive em congressos de Ufologia, que teve contatos com extraterrestres e que teria recebido um implante. Como você avalia a atitude e a experiência dela? Ela disse que foi “chipada” e lamentavelmente sofreu muita gozação, tendo que entrar com uma ação de reparação de danos contra uma revista brasileira, acabando por perder a contenda. Mas ela deveria ter falado isso só para vocês, ufólogos, e não para a tal revista ou qualquer outro veículo que pudesse adulterar suas afirmações, pois fatalmente ela acabaria virando piada. Veja, não há como ter uma postura de seriedade diante de repórteres que não estão interessados em nada absolutamente do que a gente está falando, que buscam apenas o sensacionalismo. O repórter coloca lá “Elba Ramalho foi chipada”, e as pessoas vão comprar a revista para saber que história é aquela. Isso é uma tristeza e mostra como o jornalismo é feito em nosso país.

Voltando ao comportamento dos extraterrestres, qual você acredita que seja seu propósito? Por que vêm à Terra há tanto tempo e continuam vindo? São muitas as possibilidades. Creio que existam raças interessadas em nosso desenvolvimento, assim como outras apenas curiosas com a forma como realizamos as coisas aqui. E por aí vai. Nós não fomos à Lua e a Marte, assim como temos enviado nossas sondas para outros corpos do Sistema Solar? Então, eles fazem o mesmo. Há muita vida lá fora e a própria NASA vem admitindo gradativamente certas possibilidades aqui perto da Terra. Primeiro começou a dizer que as condições de Marte não são tão inóspitas quanto pensávamos. Depois que há água em estado sólido lá, gelo. E agora que também está presente em estado líquido. Ou seja, vai aumentando as possibilidades de finalmente admitir a existência de vida. Já estão falando até de prováveis microrganismos...

E olhe que a Agência Espacial Norte-Americana nem cogitou ainda de mencionar a existência de construções já fotografadas na superfície da Lua e de Marte, como a UFO publicou várias vezes [Veja UFO140 e 145, agora disponíveis na íntegra em ufo.com.br], ou que muitos astronautas tiveram contatos diretos com discos voadores no espaço. Aí sim seria uma grande polêmica.
Certamente. Vi em artigos da UFO até um rastro deixado por artefatos artificiais na Lua, dois objetos que estão nitidamente se arrastando, como se fossem carretéis sobre a poeira lunar. Estão lá, na superfície, assim como há pirâmides em Marte. Agora, acho que será uma novidade muito grande a próxima ida à Lua, planejada para daqui mais uns anos. Isso vai causar muito interesse nesta geração que está crescendo voltada para as coisas do espaço, o que certamente ajudará a aumentar o interesse também para a questão dos discos voadores. E desta vez a nova missão não vai ser em preto e branco, em imagens pobres, não. Vai ser em alta definição, em HD mesmo! Não vai dar pra NASA esconder nada da gente.

Você fala bastante de Roswell, onde se sabe que houve e queda de um UFO, em 1947. Há também a queda de outro artefato em Varginha (MG), em janeiro de 1996, que teria resultado na captura de pelo menos duas criaturas extraterrestres por militares do Exército, além da trágica morte de um policial militar de Minas Gerais, Marco Eli Chereze. Você acredita nisso? Totalmente. Varginha é um caso maior do que Roswell. O legista [Fortunato] Badan Palhares sabe tudo, pois fez autópsia em uma das criaturas — pelo menos é isso que eu li na Revista UFO [Veja também UFO Especial 034, agora disponível na íntegra em ufo.com.br]. Ele nega, mas membros da sua equipe confirmaram alguns fatos. Olhe, se eu fosse do cinema, teria feito uma superprodução nacional em cima do caso, com efeitos especiais de última geração e tudo o mais. O cinema nacional precisa ter essas ousadias, especialmente com um caso tão contundente, tão brasileiro. Ele seria uma ferramenta de peso para mostrar o Caso Varginha para todo o mundo, que, até então, ficará sempre no âmbito da Ufologia. E ainda há quem não acredite no caso...

Há correntes de estudiosos na Ufologia Mundial que alegam que certas tecnologias avançadas foram transferidas a nós por seres extraterrestres. O que você acha disso? Acho possível que isso tenha ocorrido, ou seja, que seres extraterrestres tenham nos dado estas tais tecnologias. Li sobre supostos acordos que teriam sido feitos entre militares dos Estados Unidos e alienígenas para troca de informações tecnológicas. Dizem que as microondas são uma dessas tecnologias, como o raio laser etc. Quando comecei a ler sobre isso, fiquei preocupadíssimo, porque eles também são passíveis de erros, podem ter acidentes, como em Roswell, e a sua tecnologia pode também ter falhas. Os discos voadores são mais avançados do que nossas máquinas, mas também pifam.

É verdade, infelizmente. Como muitos não acreditam na extraordinária casuística ufológica brasileira, onde temos cidades em que as observações são constantes. Sim, de tempos em tempos, não sabemos por que, uma onda de avistamentos ocorre em algum lugar, como no interior da Paraíba, na cidade chamada de Itabaiana — os caboclos de lá sabem muito sobre UFOs. Outra cidade paraibana recordista em avistamentos é Guarabira, que já foi chamada de “capital mundial dos discos voadores”. Lá, até tempos atrás, não tinha hora para eles aparecerem e há centenas de horas de filmagens disso aí na internet. Em Campina Grande também.

É curioso que você mencione estas localidades do Nordeste, porque é nesta região do país, habitada majoritariamente por um povo tão sofrido, onde temos os casos brasileiros mais marcantes de contatos com UFOs e tripulantes, geralmente perigosos para as testemunhas, que em muitos casos se tornam vítimas. Essa agressividade parece que é atribuída a uma raça de seres, os grays ou cinzentos, que dizem ser os mais hostis. Mas aqui entram os conceitos de que falamos no início de nossa conversa, do bem e do mal, de certo e de errado. Será que estes conceitos existem no universo inteiro, ou só aqui? Será que eles, os ETs, entendem que sua atitude é uma agressão contra nós, naqueles casos nordestinos? E mais: sua agressividade é gratuita ou tem uma razão específica, e se tem, qual é ela? Vemos a ação deles como uma coisa negativa, como a própria abdução, entendida como uma violência, uma intrusão. Mas será que o propósito final de uma abdução não pode ser algo positivo para nós? Por exemplo, para consertarem problemas da nossa espécie com a manipulação genética? Não sabemos, até porque os abduzidos que são devolvidos retornam sem memória de suas experiências, e podem ficar assim para o resto da vida.

crédito: Fred William de Brito e Movie Maker
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Zé Ramalho busca inspiração em vários exemplos, como nas letras do repentista Oliveira de Panelas [A], e nos filmes de Stanley Kubrick

Sem contar a rejeição que sofrem por parte de familiares, amigos e da sociedade... Sim, nas próprias comunidades onde vivem passam a ser chamados de loucos. São pessoas que permanecem em estado de estresse muito grande devido à solidão depois das experiências que tiveram. Veja o caso do norte-americano Travis Walton, que me impressionou muito. Ele foi transformado pelo resto da vida. Era um cara falante, alegre, e hoje é uma pessoa muito quieta. Ele foi realmente marcado. Enfim, justamente por não se saber qual é o propósito dessas experiências de abdução é que não se pode afirmar a priori que tais seres são todos ruins, como não se pode dizer que são todos bons.

É aquela coisa dos conceitos arraigados de que estávamos falando, certo? Dá a impressão de que a Terra é o planeta dos sentimentos. Nós, seres humanos, choramos, rimos, amamos, odiamos. Parece que nossos visitantes não têm os mesmos sentimentos, essa coisa humana que sai do coração ou da cabeça. Amor, paixão, rejeição são coisas de sentimento humano que, talvez, para eles, sejam estranhas, incompreensíveis.

Perfeito. Você naturalmente conhece os resultados da campanha UFOs: Liberdade de Informação Já, implementada pela Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU) através da Revista UFO. Mas tem idéia de que já temos mais de cinco mil páginas de documentos ufológicos antes secretos e que já foram liberados pela Aeronáutica? Sim, sei que há muitos arquivos, mas não que eram tantos. Acho extraordinário o que vocês estão fazendo e penso que devem continuar. A seriedade com que vocês encaram esse assunto e o romantismo que têm em tratar de um tema tão sério e importante como este é notável. No Brasil só existe vocês e, então, essas conexões que estabeleceram com as Forças Armadas e a Aeronáutica, principalmente, são fundamentais para se formar a opinião pública sobre os discos voadores. A validade dos documentos já liberados é indiscutível, embora fique aquela sensação de que apenas uma parte tenha sido aberta.

E o que você acha que ainda falta os ufólogos brasileiros fazerem? Bem, agora temos que ir atrás do resto, como as filmagens da Operação Prato que o coronel Uyrangê Hollanda fez. Aliás, sua entrevista foi uma das coisas que mais me inquietou. Pena foi ele falecer logo depois daquelas revelações. Parece que, quando começou a falar, tiraram ele do ar...

Sim, o Hollanda era um homem muito triste e depressivo, por isso tirou sua própria vida. Mas ainda sobre o movimento UFOs: Liberdade de Informação Já, você gostaria de participar dele mais ativamente, além de todo o apoio que você já deu e ainda dá através da Revista UFO?
Sim, terei o maior prazer de participar e agradeço muito. Os acontecimentos ufológicos brasileiros, como a Noite Oficial dos UFOs no Brasil, o Caso Varginha e a própria Operação Prato, precisam vir à tona. Isso tudo ocorreu mesmo e é bem real. Tenho a impressão de que o Brasil pode se projetar entre as grandes nações do mundo, em um futuro próximo, como o país onde as revelações foram feitas antes.

[Intervenção de Rafael Cury, presente à entrevista] Temos um plano para também levarmos o tema ufológico para novas discussões na ONU, como já ocorreu antes. Você também aceitaria participar desta iniciativa? Sim, certamente. Terei muito orgulho disso. Contem comigo.

Você acredita que um contato oficial entre humanos e ETs possa acontecer algum dia? Acha que talvez esse seja o propósito de nossos visitantes? Gostaria muito que isso acontecesse e já pensei muito nisso. Mas teria que ser em um local neutro, para onde as redes de TVs, as autoridades, os representantes das grandes nações, os ufólogos etc seriam convidados. O contato teria que ser franco e com todos, aberto e sem intermediários, e certamente não como no filme O Dia Em Que a Terra Parou [1951], em que um ET sai da nave, faz sinais de paz com as mãos e toma um tiro. Talvez este esperado contato nem ocorra num único local determinado, mas em todo o mundo, com naves chegando e se espalhando pelo planeta inteiro.

Você acha que isso daria as provas que a humanidade busca? Sim. A incredulidade da raça humana diante deste assunto ainda persiste devido à falta de provas. Por mais que você mostre fotos e filmes de discos voadores, por mais que você descreva os contatos, ainda falta algo material para se apalpar. Há uma desconfiança muito grande da população quanto ao Fenômeno UFO e muitas vezes o assunto se transforma em piada. Veja o exemplo da esposa do novo primeiro-ministro do Japão, Yukio Hatoyama, a senhora Miyuki, que teve a coragem de dizer que teve contato com seres de Vênus e até foi até lá [Veja UFO 159, agora disponível na íntegra em ufo.com.br]. Ela é uma mulher corajosa e chegou a dar entrevista a uma estação de TV, e o marido só observava ela contar sua experiência. O caso foi publicado em jornais do mundo inteiro e a senhora Miyuki publicou até um livro com suas experiências.

Qual você imagina ser o cenário ideal para ocorrer um contato oficial entre humanos e seres extraterrestres? Acho que deveria ser uma área neutra do planeta, onde pessoas mais esclarecidas tenham possibilidade de estabelecer contato direto com outras espécies cósmicas e de maneira não reprimida, mas aberta. Não seria um simples avistamento, mas contato franco com as criaturas que nos visitam. Mais ou menos como fez Steven Spielberg em Contatos Imediatos do Terceiro Grau [1977], quando idealizou aquele encontro em um lugar onde se reuniram cientistas e autoridades. Só que no caso real isso não poderia ser escondido. A descrição de Spielberg do momento do contato é fantasioso, mas pode estar baseado em alguma verdade. Enfim, a proposta é muito boa porque foi mediada pelos militares e cientistas, pessoas esclarecidas. Pena que foi algo para uma elite.

O que você acha que resultaria de um contato oficial e definitivo com extraterrestres? Acho que esse contato, essa interação, seria um avanço muito grande para nós. Acho até que teria início uma nova era no planeta. Mas penso que isso é algo muito difícil de ocorrer, digamos, nos próximos 20 ou 30 anos. Será muito além disso, e certamente não é uma coisa impossível, uma ficção, mas algo bem real. Porém, acho que tem que haver muito preparo por parte da população e também das autoridades de todos os países. Mas o interessante é o que virá depois deste contato, quando começará outro tempo para nós. Nunca mais a Terra será a mesma coisa.



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