A. J. Gevaerd
Entrevista
A. J. Gevaerd

A história da evolução humana é um mistério ainda a ser revelado e parte dos estudos já realizados parecem ter sido escritos na areia, movendo-se a todo tempo conforme são descobertas novas evidências que os modificam. De certo, sabemos que evoluímos, mas como ou porque isso aconteceu, ninguém realmente sabe. E como não sabemos, buscamos respostas, criamos teorias, hipóteses e histórias para preencher essas lacunas. O que ocorre, muitas vezes, é que ao buscar essas respostas nos deparamos com evidências que parecem contar uma outra história sobre quem somos e de onde viemos — uma história que remonta há muitos milênios, que serviu como base para todas as nossas religiões e que formou a alicerce de nosso sistema social, indicando-nos que as respostas estavam não na Terra, mas nas estrelas. Ela recebeu o nome de Teoria dos Antigos Astronautas.

Segundo uma das vertentes dessa teoria, nós vínhamos evoluindo normalmente até que, em certo ponto, passamos por uma intervenção genética que modificou nossa aparência e nossa capacidade mental para que pudéssemos servir como exploradores de ouro para uma espécie alienígena tecnologicamente muito superior a nós, os hoje tão celebrados anunnakis. Outras vertentes apontam o fato de que todas as cosmogonias antigas são praticamente idênticas e que todos os povos alegavam ter sido ensinados por deuses que desceram das estrelas.

Celebridade na internet

Esse não é um assunto novo. Na verdade, ele é bem conhecido do público e muito disso graças ao bestseller Eram os Deus Astronautas? [Melhoramentos, 1969] do suíço Erich von Däniken, que popularizou o tema. Mas o livro fez muito mais: ele influenciou um expressivo número de pessoas a seguirem os passos do autor e começarem a pesquisar por conta própria. A partir de Eram os Deuses Astronautas? começaram a surgir diversas obras tratando do mesmo assunto, sempre com muito sucesso.

Em 2010, justamente porque havia todo um time de pesquisadores dedicados à Teoria dos Antigos Astronautas, e Däniken se mantinha firme e forte na ativa, o canal History lançou a série Ancient Aliens [Alienígenas do Passado], que hoje está em sua 14ª temporada nos Estados Unidos e continua um grande sucesso de público. Não há dúvidas de que o assunto fascina a mente humana. A pergunta que importa é: por que isso acontece?

Para o entrevistado desta edição, um dos grandes astros da série do History, a resposta é óbvia: alienígenas. A espontaneidade, o sorriso e os cabelos marcantes transformaram o suíço naturalizado norte-americano e filho de pais gregos Giorgio Tsoukalos em celebridade da internet. Seus memes estão entre os mais famosos e compartilhados da rede, algo que o pesquisador comemora: “Acho divertido e se ajuda a divulgar minhas ideias, vamos em frente”, diz ele,
bem-humorado.

Tsoukalos, porém, é muito mais do que uma celebridade engraçada: ele é um pesquisador que já viajou cerca de 60 países, entrevistou dezenas e dezenas de especialistas de várias áreas e conhece muito inúmeros sítios arqueológicos, culturas, religiões e mitologias antigas. Nascido em Lucerna, o pesquisador se bacharelou em comunicações nos Estados Unidos, onde mora desde bem jovem. Em sua adolescência, foi assessor de Däniken e é um caso clássico em que a criatura se espelha no criador.

Professores das estrelas

Em 2008 ele começou a revista Legendary Times [Tempos Lendários], que hoje mantém apenas sua versão eletrônica e é a única publicação do mundo realmente voltada para mistérios ancestrais e para a Teoria dos Antigos Astronautas. Além disso, Tsoukalos faz palestras por todo o mundo, sempre divulgando seu trabalho com afinco e dedicação. Para o pesquisador, todos os deuses eram astronautas e foram mal interpretados por nossos antepassados — que não tinham informação tecnológica alguma para entender aqueles seres como o que eles realmente eram: viajantes espaciais.

E porque foram mal interpretados, os alienígenas se valeram de sua posição para ensinar e colocar regras sociais para uma população até certo ponto bárbara. Teriam ensinado não apenas agricultura, pecuária, matemática, física, engenharia e astronomia, mas também política, direito, comércio, contabilidade etc. Se nos basearmos no que diziam os sumérios, absolutamente tudo o que compõem as bases de nossa sociedade nos foi ensinado pelos “deuses”. A guerra, inclusive.
Para nosso entrevistado, os textos sagrados da Índia e as tábulas cuneiformes sumérios não deixam dúvidas de que em algum momento tais deuses se desentenderam quanto ao destino da Terra e guerrearam por seu domínio. Isso teria acontecido antes do que ficou conhecido como o Grande Dilúvio, que submergiu boa parte do mundo e varreu do mapa cidades e reinos que hoje poderiam conformar o que está relatado nos textos antigos. Até relatos de explosões nucleares há milhares de ano, como a que devastou Mohenjo Daro, Göbekli Tepe e as bíblicas Sodoma e Gomorra.

“Não temos uma data exata, mas sabemos que aconteceu antes do dilúvio e que não foi nenhuma vingança de Deus, mas um degelo rápido que subiu assustadoramente o nível dos oceanos”, explica Tsoukalos. E a própria história do Dilúvio já era contada pelos sumérios muito antes de a Bíblia ser escrita, em um conto conhecido como a Epopeia de Gilgamesh — segundo os sumérios, tudo teria acontecido muito tempo antes, então é uma história realmente muito antiga.

Deuses que nos visitaram

Na opinião de nosso entrevistado, é muito difícil datar fatos e monumentos e isso ajuda a criar uma grande incerteza sobre os acontecimentos. “Podem ter ocorrido há 10 mil ou 100 mil anos, que sabe? Mas também podem ser muito mais antigos, e nós realmente não sabemos. O que sabemos é que todos os povos contam a mesma história. Isso não é coincidência. Nossos antepassados não tinham capacidade tecnológica, mas sua aptidão mental era a mesma que a nossa, e portanto eles sabiam o que estavam dizendo. Algo aconteceu em nosso passado longínquo e deu origem a todas essas histórias”.

Seja como for, a verdade é que a arqueologia não consegue explicar satisfatoriamente como as pessoas da Antiguidade criaram e desenvolveram seus imensos projetos de engenharia utilizando rochas que pesam dezenas e até centenas de toneladas, têm tamanhos descomunais e foram trazidas de pedreiras a enorme distância do local da construção. Lógico que fazer obras é algo muito comum a todos os governos e antigamente, como hoje, é uma boa maneira de manter a população trabalhando e a economia funcionando. Além disso, quanto maior o feito, maior o governante. Porém isso não explica a escolha de materiais tão difíceis. A menos que nossos antepassados possuíssem técnicas que desconhecemos.

“Os alienígenas ensinaram às pessoas como fazer as coisas, e porque elas eram inteligentes, acabaram aprendendo com eles. Eu concordo que muitos monumentos foram erguidos para celebrar e honrar os deuses. Foram feitos como um marco de sua presença entre nós”. Eram muitos deuses e eles deviam ser parecidos ou usar algum tipo de equipamento que os deixava parecidos, pois Moisés chega a pedir a um deus que diga seu nome para que ele não o confundisse com outros.
“Talvez, com o passar dos séculos, os alienígenas tenham chegado à conclusão de que era hora de acabar com o politeísmo e começar a trazer a ideia de um único deus, de uma única força. De um contato realmente espiritual com a divindade — isso teria começado com o faraó Akhenaton, que empregou a adoração a Aton, cujo símbolo era o disco solar”, explica o entrevistado, que lembra que o faraó teve um encontro com um disco luminoso que o instruiu a segui-lo.

Esse raciocínio, é claro, implica no fato de que, embora tenham partido, os alienígenas do passado continuaram de olho em nosso desenvolvimento. Sobre isso, o pesquisador explica que “obviamente nem todos foram embora ou talvez alguns voltassem de tempos em tempos para fazer um acompanhamento de seu ‘projeto’, para ver como estávamos nos saindo”.

Verdade oculta, verdade revelada

Embora não acredite que haja uma conspiração mundial envolvendo governos para manter a verdade das visitas extraterrestres em nosso passado longínquo, Tsoukalos crê que o mesmo raciocínio não se aplica aos tempos modernos: “Eu acredito que em relação ao passado não há conspiração alguma — a ciência simplesmente não aceita a ideia de visitantes antigos porque ela não aceita a ideia de que se possa viajar pelo espaço em curtos espaços de tempo. É um raciocínio do tipo ‘nós não podemos, então ninguém pode’, algo que não faz o menor sentido. A verdade está revelada nas evidências”.

Quanto ao que vemos hoje, com mais de sete décadas de negativas oficiais sobre a presença alienígena, sua opinião é outra: “O governo norte-americano vem há tempos analisando milhares de casos envolvendo avistamentos de UFOs e contatos com seus tripulantes. Eu acredito que eles saibam muito mais do que estão divulgando. Estão ocultando a verdade da humanidade”. Essa atitude, porém, Tsoukalos pensa que não tem um caráter conspiratório, mas de segurança nacional, para preservar uma suposta ordem interna e evitar um imaginado caos generalizado.

Isso, entretanto, parece estar mudando, provavelmente porque nós mudamos como civilização e hoje temos um patamar de conhecimento tecnológico suficientemente satisfatório para entender que há vida em outros mundos e que não somos o ápice de nada — somos apenas mais uma espécie dentre tantas. A entrevista que veremos a seguir discute esses e muitos outros assuntos do universo ufológico, sempre na tentativa de se encontrar a verdade.

Começando com uma pergunta clássica, como você se envolveu com Ufoarqueologia e como definiria a Teoria dos Antigos Astronautas? Quando eu era criança, às vezes minha avó lia Atlântida. [Howard Baker, 1969], de Edgar Cayce, para mim como história para dormir, e foi ela quem me contou sobre a possibilidade de vida em outros planetas e extraterrestres que nos visitaram no passado. Minha avó, que uma católica devota, definitivamente plantou a primeira semente sobre o assunto em minha vida. Mais tarde, quando adolescente, descobri as obras de Erich von Däniken e a partir delas em entrei de vez no assunto. Então, em 1998, comecei a publicar a revista Legendary Times [Tempos Lendários], a única publicação no mundo exclusivamente sobre a Teoria dos Antigos Astronautas. Quanto à hipótese em si, ela tenta determinar se extraterrestres de carne e osso visitaram a Terra em um passado remoto. A evidência é coletada em todos os ramos da ciência, o que a torna mais interessante, porque não estamos restritos a apenas um ramo de pesquisa.

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