ENTREVISTA

O mistério dos foguetes voadores permanece até hoje na Suécia

Por Thiago Luiz Ticchetti | Edição 258 | Junho de 2018

Oficialmente, a Ufologia começou em 1947, com o avistamento de nove UFOs por um piloto comercial chamado Kenneth Arnold, sobre o Monte Rainier, nos Estados Unidos. Naquela ocasião, embora não correspondesse àquilo que Arnold descrevera aos repórteres, o termo “disco voador” foi cunhado, criando no imaginário das pessoas um elo entre UFOs e formas arredondadas e ovaladas que perdurou durante muito tempo.

Hoje, 70 anos depois, sabemos que os UFOs têm uma enorme variedade de formas, tamanhos, cores e comportamentos, conhecemos melhor seus padrões de voo e acumulamos uma infinidade de dados, testemunhos, informações de marcas de pouso, fotos, vídeos e relatos que não deixam dúvida sobre a existência do fenômeno, embora pouco expliquem sobre sua intenção, procedência, razões de ser e tecnologia.

Todas essas informações formam um corpo de conhecimento fundamental para os pesquisadores, uma vez que fornecem dados para comparação de ocorrências, levantamento estatístico com base em uma série imensa de variáveis e, claro, uma base de leitura que é necessária a quem se aventura a pesquisar o universo da fenomenologia ufológica. Mas como ter acesso a todo esse material?

Experiência e pesquisa

Nosso entrevistado desta edição conhece bem o problema e está firmemente empenhado em solucionar a questão do acesso à informação ufológica. Nascido em 12 de abril de 1958 na cidade sueca de Mariestad, Clas Svahn ingressou na Ufologia no início dos anos 70 e logo fundou seu primeiro grupo de pesquisa, aos 16 anos de idade. “Mas aos 11 anos eu já era um ávido astrônomo amador. Isso me levou a querer saber mais sobre os casos que envolviam os UFOs”, explica ele.

Hoje, passados mais de 40 anos, Svahn é vice-presidente do grupo UFO Sweden, que além de ser uma das organizações ufológicas mais ativas da atualidade, conta com o maior acervo bibliográfico do mundo sobre o assunto. Ufólogo muito respeitado em todo o planeta, nosso entrevistado é jornalista do periódico Dagens Nyheter [Notícias de Hoje], bem popular em seu país. Desde 1980 faz parte do projeto Archives for the Unexplained [Arquivos para o Inexplicado, AFU], uma biblioteca que reúne livros e arquivos digitais, além de fotos, vídeos e mais inúmeros itens, todos relacionados à Ufologia. Em 2017, tornou-se seu presidente.

Autor de 26 livros sobre o Fenômeno UFO, Svahn prepara agora uma publicação na qual relatará seus mais de 40 anos de pesquisa. Ele costuma passar horas a fio olhando para o céu escuro à procura de anomalias, e embora já tenha visto coisas que não soube explicar, foi somente em 1995, quando ele e sua esposa estavam voltando da casa de amigos, que teve sua primeira experiência ufológica.

Conta Clas Svahn: “Por volta da 01h00, estávamos chegando em casa quando vimos duas pessoas em um ponto de ônibus apontando para o céu. Assim que paramos o carro, começamos a olhar em volta à procura do que aquelas pessoas poderiam estar vendo. Para a nossa surpresa, havia três objetos brilhantes no firmamento”. Os UFOs tinham o formato de cruz e passaram sobre o casal sem emitir barulho algum. “Pensamos que poderiam ser pássaros refletindo as luzes da cidade. Corri para trás de nossa casa e os vi indo embora”, contou ele, animado.

Biblioteca ufológica

Hoje presidente da AFU, Svahn vem há anos coletando material ufológico de todo tipo. “Só de livros temos mais de 32 mil títulos em várias línguas”, esclarece nosso entrevistado, que regularmente viaja pela Europa em busca de acervos de ufólogos já falecidos ou que queiram doar seu material para a biblioteca. “Estamos digitalizando todo o material para que as pessoas tenham acesso gratuito a ele”.

Clas Svahn se mostra muito preocupado com o atual caminho que a Ufologia está tomando. “Estamos cada vez mais distantes da investigação de campo. Hoje damos mais importância a vídeos no YouTube do que ao testemunho de uma pessoa que viu um UFO”, diz. Desde a década de 70, o grupo UFO Sweden organiza cursos para treinamento de investigadores de campo e há anos aulas desse curso são ministradas por militares da Defesa sueca. “Além de contribuírem com seus conhecimentos e com exemplos de casos que eles investigaram, alguns militares fizeram o curso”.

Sem dúvida, os casos envolvendo os “foguetes fantasmas” são os mais conhecidos da casuística ufológica da Suécia. Para o pesquisador, a explicação de que aqueles objetos eram foguetes alemães não é plausível. “Afirmar que artefatos que voavam, paravam, voltavam a acelerar e mergulhavam em lagos sem causar nenhuma explosão eram bombas V é no mínimo ingenuidade ou desconhecimento do fato”.

Mas quais seriam as explicações para os objetos que simplesmente surgiam no céu e depois desapareciam nas águas de vários lagos suecos? Para Svahn, não se pode descartar nada, inclusive portais interdimensionais. “Em 1946, quando houve uma grande onda de avistamentos de foguetes fantasmas, os militares investigaram seriamente os relatos. Usaram mergulhadores e até sonares para tentar achar algum dos artefatos, mas nada foi encontrado. Talvez exista ali algum tipo de portal”. Talvez. Vamos à entrevista.

A UFO Sweden é hoje uma das organizações ufológicas mais ativas do mundo. Como foi criada e quais são seus objetivos?
A UFO Sweden surgiu em 1969 para abrigar vários pequenos grupos ufológicos espalhados pelo país. Desde seu início, a organização buscava a explicação extraterrestre para os avistamentos incomuns e apoiava firmemente alguns contatados suecos. Esse posicionamento fez com que vários dos grupos voltados para a pesquisa científica do fenômeno saíssem ou nem entrassem na organização. Nos primeiros anos, o objetivo era informar ao público sobre a presença de ETs em nosso planeta, e para tanto muitas investigações foram realizadas. Mas somente as que podiam ser interpretadas como visitas alienígenas foram publicadas. Os arquivos que tinham uma explicação comum eram arquivados. Não surpreendentemente, essa maneira de lidar com a informação começou a ser dura e crescentemente criticada pelos ufólogos de meu país.

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