ENTREVISTA

O mistério dos foguetes voadores permanece até hoje na Suécia

Por Thiago Luiz Ticchetti | Edição 258 | Junho de 2018

Oficialmente, a Ufologia começou em 1947, com o avistamento de nove UFOs por um piloto comercial chamado Kenneth Arnold, sobre o Monte Rainier, nos Estados Unidos. Naquela ocasião, embora não correspondesse àquilo que Arnold descrevera aos repórteres, o termo “disco voador” foi cunhado, criando no imaginário das pessoas um elo entre UFOs e formas arredondadas e ovaladas que perdurou durante muito tempo.

Hoje, 70 anos depois, sabemos que os UFOs têm uma enorme variedade de formas, tamanhos, cores e comportamentos, conhecemos melhor seus padrões de voo e acumulamos uma infinidade de dados, testemunhos, informações de marcas de pouso, fotos, vídeos e relatos que não deixam dúvida sobre a existência do fenômeno, embora pouco expliquem sobre sua intenção, procedência, razões de ser e tecnologia.

Todas essas informações formam um corpo de conhecimento fundamental para os pesquisadores, uma vez que fornecem dados para comparação de ocorrências, levantamento estatístico com base em uma série imensa de variáveis e, claro, uma base de leitura que é necessária a quem se aventura a pesquisar o universo da fenomenologia ufológica. Mas como ter acesso a todo esse material?

Experiência e pesquisa

Nosso entrevistado desta edição conhece bem o problema e está firmemente empenhado em solucionar a questão do acesso à informação ufológica. Nascido em 12 de abril de 1958 na cidade sueca de Mariestad, Clas Svahn ingressou na Ufologia no início dos anos 70 e logo fundou seu primeiro grupo de pesquisa, aos 16 anos de idade. “Mas aos 11 anos eu já era um ávido astrônomo amador. Isso me levou a querer saber mais sobre os casos que envolviam os UFOs”, explica ele.

Hoje, passados mais de 40 anos, Svahn é vice-presidente do grupo UFO Sweden, que além de ser uma das organizações ufológicas mais ativas da atualidade, conta com o maior acervo bibliográfico do mundo sobre o assunto. Ufólogo muito respeitado em todo o planeta, nosso entrevistado é jornalista do periódico Dagens Nyheter [Notícias de Hoje], bem popular em seu país. Desde 1980 faz parte do projeto Archives for the Unexplained [Arquivos para o Inexplicado, AFU], uma biblioteca que reúne livros e arquivos digitais, além de fotos, vídeos e mais inúmeros itens, todos relacionados à Ufologia. Em 2017, tornou-se seu presidente.

FONTE: WAR MUSEUM

Os “foguetes fantasmas” observados até hoje na Escandinávia se assemelham às bombas V2 usadas pelos nazistas na Segunda Guerra



Autor de 26 livros sobre o Fenômeno UFO, Svahn prepara agora uma publicação na qual relatará seus mais de 40 anos de pesquisa. Ele costuma passar horas a fio olhando para o céu escuro à procura de anomalias, e embora já tenha visto coisas que não soube explicar, foi somente em 1995, quando ele e sua esposa estavam voltando da casa de amigos, que teve sua primeira experiência ufológica.

Conta Clas Svahn: “Por volta da 01h00, estávamos chegando em casa quando vimos duas pessoas em um ponto de ônibus apontando para o céu. Assim que paramos o carro, começamos a olhar em volta à procura do que aquelas pessoas poderiam estar vendo. Para a nossa surpresa, havia três objetos brilhantes no firmamento”. Os UFOs tinham o formato de cruz e passaram sobre o casal sem emitir barulho algum. “Pensamos que poderiam ser pássaros refletindo as luzes da cidade. Corri para trás de nossa casa e os vi indo embora”, contou ele, animado.

Biblioteca ufológica

Hoje presidente da AFU, Svahn vem há anos coletando material ufológico de todo tipo. “Só de livros temos mais de 32 mil títulos em várias línguas”, esclarece nosso entrevistado, que regularmente viaja pela Europa em busca de acervos de ufólogos já falecidos ou que queiram doar seu material para a biblioteca. “Estamos digitalizando todo o material para que as pessoas tenham acesso gratuito a ele”.

Clas Svahn se mostra muito preocupado com o atual caminho que a Ufologia está tomando. “Estamos cada vez mais distantes da investigação de campo. Hoje damos mais importância a vídeos no YouTube do que ao testemunho de uma pessoa que viu um UFO”, diz. Desde a década de 70, o grupo UFO Sweden organiza cursos para treinamento de investigadores de campo e há anos aulas desse curso são ministradas por militares da Defesa sueca. “Além de contribuírem com seus conhecimentos e com exemplos de casos que eles investigaram, alguns militares fizeram o curso”.

Sem dúvida, os casos envolvendo os “foguetes fantasmas” são os mais conhecidos da casuística ufológica da Suécia. Para o pesquisador, a explicação de que aqueles objetos eram foguetes alemães não é plausível. “Afirmar que artefatos que voavam, paravam, voltavam a acelerar e mergulhavam em lagos sem causar nenhuma explosão eram bombas V é no mínimo ingenuidade ou desconhecimento do fato”.

Mas quais seriam as explicações para os objetos que simplesmente surgiam no céu e depois desapareciam nas águas de vários lagos suecos? Para Svahn, não se pode descartar nada, inclusive portais interdimensionais. “Em 1946, quando houve uma grande onda de avistamentos de foguetes fantasmas, os militares investigaram seriamente os relatos. Usaram mergulhadores e até sonares para tentar achar algum dos artefatos, mas nada foi encontrado. Talvez exista ali algum tipo de portal”. Talvez. Vamos à entrevista.

A UFO Sweden é hoje uma das organizações ufológicas mais ativas do mundo. Como foi criada e quais são seus objetivos?
A UFO Sweden surgiu em 1969 para abrigar vários pequenos grupos ufológicos espalhados pelo país. Desde seu início, a organização buscava a explicação extraterrestre para os avistamentos incomuns e apoiava firmemente alguns contatados suecos. Esse posicionamento fez com que vários dos grupos voltados para a pesquisa científica do fenômeno saíssem ou nem entrassem na organização. Nos primeiros anos, o objetivo era informar ao público sobre a presença de ETs em nosso planeta, e para tanto muitas investigações foram realizadas. Mas somente as que podiam ser interpretadas como visitas alienígenas foram publicadas. Os arquivos que tinham uma explicação comum eram arquivados. Não surpreendentemente, essa maneira de lidar com a informação começou a ser dura e crescentemente criticada pelos ufólogos de meu país.

Estamos cada vez mais distantes da investigação de campo. Hoje damos mais importância a vídeos no YouTube do que ao testemunho de uma pessoa que viu um disco voador. Temos que fazer cursos para treinamento de novos investigadores e estudiosos.

E o que houve?
Na década de 70 ocorreu uma ruptura. A UFO Sweden foi dividida em duas organizações, a UFO Information [Informação Ufológica], voltada para os mesmos princípios da organização original, e a UFO Sweden, que passou a ter uma nova liderança, uma nova publicação e uma nova agenda — investigava-se qualquer relato sem discriminação ou distinção quanto à sua explicação. O resultado foi que, enquanto a UFO Information está desativada há décadas, a nova UFO Sweden é quem vem investigando cientificamente o Fenômeno UFO pelos últimos 29 anos na Suécia.

Vamos falar sobre a impressionante biblioteca da UFO Sweden. São cerca de 32 mil livros e revistas, correto?
Não. Na verdade, são 32 mil livros, fora outras publicações. Nós temos uma área com 500 m2, onde além dos livros há centenas de milhares de revistas, notícias de jornais e arquivos em áudio e vídeo. Nós temos tudo o que você possa imaginar em relação à Ufologia, com exceção de uma nave extraterrestre e um alienígena [Risos].

E como o senhor faz para coletar todo esse material?
Bem, muitas vezes eu viajo pela Europa atrás de livros usados e de acervo de outros ufólogos que querem doar seu material, mas também recebo muitos livros dos autores. Por exemplo, em Foz do Iguaçu, em 2016, durante VIII Fórum Mundial de Ufologia que a Revista UFO promoveu e para o qual me convidou, você me deu seus livros e eles estão lá para todos que os quiserem consultar. Recentemente, voltei da Holanda e da Bélgica e trouxe 500 livros e centenas de revistas. Em outubro irei para a Inglaterra buscar cerca de 100 caixas de material sobre Ufologia.

É impressionante! E qual é o livro mais valioso dessa coleção?
Nós temos dois livros datados de 1700 que são muito valiosos e caros, mas estão relacionados ao campo da parapsicologia, pois a Ufologia, como nós a conhecemos hoje, só começou a ser realmente divulgada no início da década de 40. Antes disso, o assunto fazia parte do campo da parapsicologia.

Como são financiadas as viagens e as compras de livros e de materiais. Há algum patrocínio?
Esse é um dos maiores problemas da pesquisa ufológica e tenho certeza de que no Brasil é a mesma coisa — nós pagamos para pesquisar. Nossa organização tem cerca de 50 pessoas que tiram dinheiro do próprio bolso para benefício de todos. Nos últimos dois anos tivemos ajuda da Agência Sueca de Desempregados, que colocou pessoas para trabalharem conosco, e recebemos pagamentos por causa disso.

Como quem não pode ir à Suécia tem acesso a todo esse material?
Bem, estamos digitalizando todas as revistas e recortes de jornais que temos. Vai levar tempo, mas é uma de nossas metas. Fazemos um pouco por dia e já temos digitalizadas cerca de 150 revistas e algumas centenas de milhares de notícias de jornais. Porém, em relação aos livros, isso se torna um pouco mais complicado, porque existem os direitos autorais. Além disso, para se digitalizar um livro com qualidade é preciso ter um scanner próprio para este fim e esse equipamento é muito caro. Nós ainda estamos levantando fundos para colocar todo esse material no site. Mas como eu disse, quem quiser vir até nossa cidade — e muitas pessoas do mundo todo vêm —, pode nos visitar, ler os nossos materiais e tirar cópias.

A Suécia ficou famosa no cenário ufológico mundial devido aos “foguetes fantasmas”. O senhor poderia nos falar um pouco sobre eles?
Claro. A história começou em 1946, logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Todos já conheciam as bombas V1 e V2 dos nazistas. Mas, de repente, no início daquele ano, artefatos com a forma das bombas V começaram a voar sobre a Suécia, Noruega e Finlândia. O estranho é que eles sempre caíam dentro de lagos, nunca em terra firme. Muitas pessoas os viram mergulhando nas águas ou ouviram seu barulho. Os militares enviaram equipes de investigação até os lagos para procurar as bombas, mas nada era encontrado. As evidências mostravam alguma coisa no fundo do lago, pois havia pedras que iam parar nas margens. Para se ter uma ideia, mais de 1.000 relatos foram analisados pelos militares somente em 1946, mas nenhuma solução foi encontrada. Ainda hoje é possível ver os foguetes, que continuam mergulhando nos lagos.

O senhor chegou a entrevistar alguma testemunha desses eventos algum dia?
Eu já entrevistei cerca de 100 pessoas sobre esse assunto. Comecei a procurar testemunhas dos eventos de 1946 no início dos anos 80, quando muitas ainda estavam vivas. Mas a história mais interessante que conheci ocorreu em 1948, quando um homem que estava sentado à beira de um pequeno lago ao sul de Estocolmo, em plena luz do dia, viu e ouviu um enorme foguete se aproximar e mergulhar no lago, levantando uma coluna de água de 20 m de altura. E, creia-me, aquele homem não era uma testemunha qualquer, mas o militar com a maior patente em todo o Exército do país, o comandante-chefe do Exército da Suécia.

FONTE: NORWEGIAN LIFE

O Lago Nammajaure, na Suécia, local em que repetidas vezes houve avistamentos de “foguetes fantasmas” e até uma queda de um deles

Como ele reagiu ao que viu?
Diante do que havia testemunhado, ele imediatamente começou uma investigação nos registros de radar em todo o país, além de enviar equipes para vasculhar as profundezas do pequeno lago. Eu li seu diário e posso afirmar que ele ficou muito intrigado com o incidente — na sua última página, como se fosse a cena de um filme, ele declarou que os mergulhadores encontraram algo e que iriam voltar no dia seguinte. E não escreveu mais nada depois disso...

Alguma das testemunhas que o senhor entrevistou falou sobre o som desses artefatos?
Sim, elas ouviram um som que, algumas vezes, se parecia com o de um avião. Em um dos registros, um piloto da Força Aérea Sueca (FAS) perseguiu um desses objetos. Então, pode ser que as testemunhas tenham ouvido o barulho do avião e não do UFO. Além disso, os aparelhos refletiam a luz do Sol, não tinham asas ou cabine.

Há registro de seres observados dentro desses objetos?
Não em 1946. Mas há sim relatos posteriores, e eles são bem interessantes.

O senhor chegou a fazer investigações de campo em algum desses lagos para buscar evidências?
Sim. Em 2012 e depois em 2014, minha equipe e eu fomos ao Lago Nammajaure na tentativa de localizar um objeto que teria caído ali. Segundo o relato, em 1980, dois cidadãos de Estocolmo estavam caminhando por aquela área quando, por volta das 11h00, ouviram um som vindo do céu. Ao olharem para cima, viram um aparelho alongado e com pequenas asas passar a 100 m de suas cabeças, fazer uma curva de 180º e voltar em sua direção. Veja que em 1980 ainda estávamos em meio à Guerra Fria e as testemunhas imaginaram que aquilo era alguma tecnologia russa.

E o que houve depois disso?
O UFO pousou sobre o lago e começou a afundar lentamente — esse é o objeto que nós procuramos. Segundo o relatório militar daquela época, os militares não conseguiram localizar a aeronave. Então, em 2012 fomos até o lago na companhia das testemunhas originais, que nos mostraram os locais exatos onde estavam e onde o objeto teria afundado. Utilizando um equipamento de sonar, tentamos encontrar o UFO, mas sem sucesso. Como eu disse antes, em 1948 o comandante em chefe do Exército sueco vasculhou quatro metros de lodo do fundo do lago. Com isso em mente, retornamos ao local em 2014 com um equipamento que tinha a capacidade de “ver” através do lodo, e posso lhe adiantar que algo bem estranho foi localizado pelo sonar. Então, com toda certeza, nós voltaremos ao Lago Nammajaure para uma investigação mais profunda, levando equipamentos melhores e mais modernos. Nossa intenção é ir no inverno, com o lago congelado, para podermos ficar em cima dos possíveis locais onde o artefato afundou.

Qual é a profundidade do lago?
É bem raso, cerca de quatro metros de profundidade. Mas o problema não é esse. O Nammajaure é um lago no meio do nada e se precisa de permissão para ir até lá. A pessoa não pode voar sobre ele se não tiver permissão. Nós temos todas essas permissões, mas não podemos levar nada de fora para dentro da área.

Um dos maiores problemas da pesquisa ufológica, e tenho certeza de que no Brasil é a mesma coisa, é que nós temos que pagar para pesquisar. Nossa organização tem cerca de 50 pessoas que tiram dinheiro do próprio bolso para benefício de todos.

Quais as hipóteses que o senhor e os demais estudiosos utilizam para explicar a origem dos foguetes fantasmas?
Essa é uma ótima pergunta. Eu investigo esse mistério desde a década de 80 e não faço a mínima ideia do que esses objetos possam ser ou de onde poderiam vir — os avistamentos são muitos e há inúmeras testemunhas. Há casos em que centenas de pessoas que estavam nas margens dos lagos viram os UFOs mergulharem, mas nada jamais foi encontrado. Para se ter uma ideia, em 1944 uma bomba V caiu no sul da Suécia e no local da queda foram encontradas duas toneladas de destroços. No caso dos foguetes fantasmas nada, nenhum vestígio. É realmente misterioso...

O fato de desaparecerem sem deixar vestígios, principalmente quando mergulham, não leva a pensar em algo dimensional? O que o senhor pensa sobre isso?
Não descarto a possibilidade. Os foguetes fantasmas realmente procuram os lagos para desaparecerem. Em 1946 os militares fizeram uma investigação para descobrir se eles seriam mísseis movidos à energia atômica, mas nada descobriram. Ninguém sabe o que são, apenas que eles existem e são reais.

Existe algum registro da queda ou entrada de algum desses artefatos na costa atlântica sueca?
Não, somente em lagos, e isso é que torna o evento ainda mais estranho. Há pessoas que viram esses UFOs desaparecerem por detrás de árvores, como se tivessem colidido com o solo. E adivinhe o que havia por trás dessas árvores? Lagos! Também não há registros de pousos e existe o relato de um piloto e de seu navegador que tentaram interceptar um desses UFOs, mas que não conseguiram se aproximar devido à alta velocidade da aeronave desconhecida.

E quanto aos registros de aparelhos de radar, há algum sobre os foguetes fantasmas?
Sim, temos alguns, mas de 1946 e os equipamentos não eram muito bons como os de hoje. Interessante é que a Inglaterra estava pronta para enviar equipamentos de radar bem mais modernos para a Suécia naquele ano, mas o primeiro-ministro do país rejeitou a doação.

O senhor disse que ainda hoje há relatos de avistamentos de foguetes fantasmas. Qual é o mais recente de que se tem notícia?
Há dois anos ocorreu um avistamento e, antes disso, soubemos de um em 2011. Mas o mais impressionante foi registrado em 1999, no centro do país, quando sete pessoas que estavam em pontos diferentes em torno de um lago viram um objeto em formato de cilindro mergulhar em suas águas. Os militares foram chamados e por semanas procuraram o objeto, sem sucesso — a operação, sigilosa, chamou-se Operation See and Find [Operação Ver e Procurar]. Nós conseguimos os nomes das testemunhas porque elas depuseram à polícia e os militares se esqueceram de avisar aos policiais que deviam manter essa informação em segredo.

Em outras entrevistas a outros veículos o senhor disse que o povo sueco não ridiculariza o Fenômeno UFO. Como vê isso?
Isso é algo importantíssimo para nós, ufólogos, mas nem sempre foi assim. Estou nesta área desde 1974 e naquela época não era tão fácil como é hoje. Éramos muito ridicularizados. Mas nos anos 80 começamos a mudar essa história. Quando me tornei presidente da UFO Sweden, meu maior objetivo era voltar a fazer com que a pesquisa ufológica fosse orientada pela ciência. Então, de lá para cá fomos ridicularizados somente em raríssimas oportunidades.

A que se deveu essa mudança?
Nós não especulamos. Nós contamos aos jornalistas e às pessoas o que fazemos, como fazemos e quais são os nossos resultados. “O que temos aqui é algo desconhecido, que estamos procurando identificar”, dizemos. Eu acredito que quando se parte direto para explicar um fenômeno utilizando a hipótese extraterrestre, você se torna um alvo muito fácil para os céticos e negadores. Acredito também que precisamos primeiro descartar todas as possibilidades ordinárias antes de começarmos a aventar uma possibilidade extraordinária. Em outras palavras, precisamos primeiro descobrir tudo o que aquilo não é, para só depois procurar pelo que ele pode ser. Em várias ocasiões fiz palestras para céticos e pedi a eles para que fizessem o mesmo que os ufólogos — os dois lados devem estudar o fenômeno com as ferramentas científicas que dispomos. Essa postura também contribuiu para que fossemos respeitados aqui na Suécia.

Quando o senhor fala em ferramentas científicas em prol da pesquisa ufológica, exatamente a que está se referindo?
A equipamentos como sonares e radares, por exemplo. Mas nós também utilizamos conhecimentos vindos da física, química, estatística etc. Recebemos entre 300 e 400 relatos anualmente. Só em 2002 entrevistamos mais de 1.500 pessoas em todo o país, perguntando se já haviam tido alguma experiência ufológica, e descobrimos que 10% dos pesquisados haviam visto algo estranho no céu. Desses 10%, menos da metade relatou sua experiência às autoridades ou a grupos ufológicos. Também descobrimos que as pessoas não haviam descrito suas vivências porque não sentiram vontade e por não saberem a quem recorrer sem serem tachadas de loucas. Isso significa que ainda temos muitos relatos para serem investigados e as ferramentas científicas nos ajudam na tarefa.

FONTE: EDITORIA DE ARTE

O entrevistado investigou casos de sondas ufológicas em seu país, associando os casos a fenômenos que acredita serem paranormais

Alguns ufólogos, incluindo Jacques Vallée, acreditam que podemos estar procurando as respostas no lugar errado. Como o senhor encara isso?
Eu concordo com ele. Não temos todas as respostas agora porque ainda não temos todas as ferramentas necessárias. Uma coisa que fazemos aqui na Suécia é acompanhar por alguns anos a vida das pessoas que tiveram alguma experiência insólita, pois acreditamos que nem tudo acontece no momento da experiência — muita coisa acontece na cabeça dessas pessoas.

Nesse contexto, como o senhor encara os fenômenos ditos paranormais na Ufologia?
Isso sempre me instigou devido à natureza estranha de muitos casos. Certa vez investiguei uma pessoa que em 1947, quando estava com 11 anos, voltava a pé para casa e se deparou com bolhas multicoloridas tocando o chão. Ela pensou que fossem bolhas de sabão, mas não estouraram em contato com o solo. Logo depois, ela viu dois seres voando sobre as bolhas e relatou que chegaram a conversar, mas que o som que emitiam parecia estar abafado. Pouco tempo depois, os seres desapareceram.

O que o senhor deduz desta ocorrência?
Bem, minha pergunta é: o que isso tem a ver com a Ufologia? O que aquele jovem viu foge aos casos comuns do Fenômeno UFO. Também investiguei um episódio no qual a testemunha me contou a experiência que sua mãe tivera no final dos anos 40. Ela estava no jardim de sua casa quando um objeto bem pequeno, de formato cilíndrico e com janelas ao longo de sua estrutura, surgiu. O UFO passou sobre ela e depois voltou. Quando passou em frente a seus olhos, a mulher viu pequenos seres muito feios parados nas janelas, olhando para ela. Depois disso o artefato simplesmente acelerou e desapareceu. O que dizer de um caso assim?

Em sua opinião, qual é a razão do acobertamento governamental sobre a natureza dos UFOs?
Bem, eu não posso responder por todos os governos, mas nesses meus 40 anos de pesquisas tenho mantido contato com diversos militares suecos e minha impressão é a de que eles sabem tanto quanto os ufólogos civis do meu país — tenho bons contatos no meio militar e acesso aos arquivos das Forças Armadas suecas e lhe garanto que nunca encontrei nenhuma evidência de que nossa Defesa possua alguma informação que possa desvendar o enigma ufológico. Por outro lado, surgiram alguns relatos interessantes, anteriormente sigilosos, vindos de arquivos militares. Falei com eles a respeito desses casos e me revelaram que eram difíceis de explicar...

O senhor pode nos contar algo sobre algum deles?
Sem dúvida, um dos casos mais emblemáticos foi o ocorrido em 16 de maio de 1988 sobre uma base militar em Blekinge. Por volta das 22h00, a segurança da Base Naval de Karlskrona foi alertada sobre um objeto que voava próximo à praia. Em seguida foram enviados para lá dois veículos com quatro militares em cada um. Ao chegarem ao local, os oito militares — dois capitães, um tenente, um sargento e quatro soldados — foram surpreendidos por um UFO discoide com mais de 30 m de comprimento.

O que aconteceu então?
De acordo com os testemunhos, o artefato pairou sobre o mar por alguns minutos e apresentava uma série de luzes coloridas no centro de sua estrutura, que piscavam de maneira independente. O capitão Y. Kubernun reportou que sentiu uma estática muito forte no ar, como se a área estivesse eletrificada. Imediatamente os militares relataram o ocorrido para o oficial da noite, o major Joss De Wolfen, que soou o alarme. Naquele momento o UFO começou a elevar-se e, de repente, disparou um raio sobre os veículos militares, que pareceram ficar transparentes diante dos olhos das testemunhas. Todos correram para se proteger.

Precisamos primeiro descartar todas as possibilidades ordinárias antes de começarmos a aventar uma extraordinária. Em outras palavras, precisamos primeiro descobrir tudo o que aquilo não é, para só depois procurar pelo que ele pode ser.

Algum dos militares tentou atirar contra o objeto?
Não. Conversei com dois deles, um soldado e o sargento, e ambos disseram ter entrado em pânico — eles confessaram que a última coisa que lhes passou pela cabeça foi atirar contra algo que possivelmente era de outro mundo. Quando os outros veículos estavam chegando, o objeto se apagou e disparou em direção do céu. Os oito militares foram levados para a enfermaria da base e depois interrogados por agentes do serviço secreto sueco — em nenhum momento lhes foi pedido que ficassem calados em relação ao incidente, mas nenhum deles quis vir a público contar a experiência.

Uma experiência realmente incrível. Mas mudando um pouco de assunto, soubemos que seu grupo trabalha em conjunto com o Instituto de Defesa da Suécia. O que pode nos falar sobre isso?
Sim, é verdade. E até onde eu sei, somos a única organização civil no mundo que tem esse tipo de relação. Deixe-me lhe dar um histórico disso. O Exército sueco durante anos considerou os UFOs como intrusos de nosso espaço aéreo, mas em 1965 os militares decidiram parar de investigar os relatos devido ao que disseram ser sua “falta de importância militar” e jogaram a responsabilidade para o Instituto de Pesquisa e Defesa (FOI), que até hoje mantém esse trabalho. O FOI coleta os relatos das pessoas, investiga alguns dos casos e tem um funcionário exclusivamente para atender ao público. Nós, da UFO Sweden, temos tido um ótimo relacionamento com os quatro últimos especialistas da entidade. Há pouco tempo, inclusive, estive com o novo diretor do Instituto, o senhor Per Söderberg. É importante esclarecer que o FOI não possui recursos para a pesquisa ufológica e que Söderberg usa seu tempo livre como geólogo marinho para investigar os poucos relatórios que chegam ao seu conhecimento.

E como se dá a cooperação entre vocês e este organismo?
Nossa relação consiste em reuniões regulares e contatos via telefone e internet. O mais importante, entretanto, é o compartilhamento da mesma base de dados. Todos os relatórios que chegam para o nosso grupo, e aqueles que foram recebidos pelo FOI, são enviados para o Archives for the Unexplained (AFU), onde são processados e arquivados. Isso nos dá uma ferramenta muito poderosa, pois podemos comparar os relatórios assim que eles são colocados no sistema. Essa base de dados foi criada por nós e é de nossa propriedade. Por razões de integridade pessoal, o nome e o endereço completo de uma pessoa que envia seu relato para a UFO Sweden são mantidos em sigilo, até mesmo para os pesquisadores do FOI.

E quantos relatos há hoje nessa base de dados?
Atualmente contamos com mais de 20.000 casos processados. Desses, conseguimos investigar algo em torno de 200. É pouco e a cada ano o número de registros tem um aumento entre 5% e 10%. Nós não temos tempo, pessoas e recursos suficientes para conseguir investigar tudo o que recebemos.

O senhor acredita que esse trabalho conjunto poderia servir como modelo para outros países?
Eu tenho certeza de que esse é o caminho. Muitos países, e aqui incluo o Brasil, têm grande incidência de avistamentos de UFOs, mas não há uma política oficial de investigação e muito menos recursos militares a serem destinados para esse fim. Imagine a Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU) firmando um acordo de cooperação com o Governo Brasileiro para processar, investigar e depois divulgar os casos para o público. O Brasil poderia ser um exemplo para todo o mundo com essa ação.

Em seus muitos anos de pesquisa, o senhor reexaminou vários casos clássicos da Ufologia sueca, dentre os quais os Casos Gösta Carlsson, Domsten e Erik Enmark. Poderia nos falar um pouco sobre ele?
Os três casos que você menciona eram considerados como “intocáveis” na Ufologia Sueca. E foi isso que atraiu a minha atenção. Eles foram devidamente investigados? Minha resposta é que não! Especialmente o caso Gösta Carlsson, ocorrido em 1946, no qual um homem de 28 anos afirmou ter visto em uma floresta na cidade de Ängelholm um artefato discoide pousado e várias entidades parecidas com seres humanos ao seu lado. No dia seguinte, Carlsson voltou ao local do avistamento e encontrou vários vestígios no chão onde o UFO estivera pousado. Ele também contou que tinha sonhos vívidos sobre como teria sido levado a bordo da espaçonave e conversado com seu capitão. Após oito anos de pesquisa e centenas de entrevistas, eu concluí que Carlsson não encontrou nenhum alienígena naquela clareira. Eu o conheci muito bem e mesmo sendo um empresário milionário tinha dificuldades para separar a realidade da fantasia.

FONTE: ARQUIVO DE CLAS SVAHN

O Caso Gösta Carlsson, ocorrido na década de 40, é considerado tão importante na Suécia que até um monumento se criou para ele

E sobre os outros dois, Casos Domsten e Erik Enmark?
Sobre eles eu creio que podem ter acontecido, mas não da forma que são divulgados até hoje. O Caso Domsten envolve dois amigos que voltavam de uma festa de madrugada, encontraram um UFO pousado e depois foram atacados por quatro ou 5 criaturas cuja descrição é muito diferente de tudo o que já ouvimos falar. Mas, desde aquela época, existem rumores que os dois jovens queriam, na verdade, apenas chamar a atenção. Já o Caso Erik Enmark foi pouquíssimo investigado porque a testemunha já tinha um grande descrédito em seu histórico.

Sua metodologia de pesquisa lhe rendeu a fama de ser um cético entre os ufólogos. O senhor realmente acredita que haja um fenômeno real por trás de tudo isso?
Eu me considero um pesquisador crítico e todas as perguntas, quando substanciadas, são boas perguntas. Para mim não há respostas fáceis quando o assunto é o Fenômeno UFO. Se alguém ficar com uma hipótese que seja favorável a alguns ufólogos, outros estarão contra e você será considerado um cético do mesmo jeito. Para mim, o fenômeno é usado para explicar muitos eventos desconhecidos e isso está errado. Eu não acho que haja uma resposta para tudo.

Por favor, nos dê um exemplo.
Lendo notícias sobre luzes estranhas, artefatos alienígenas e outras anomalias, não me resta dúvida de que a explicação extraterrestre não é a única. Quanto a ser um fenômeno real — ou seja, o objeto ter uma parte física, ser feito de algum material sólido — eu acredito que sim, o fenômeno é real. Esse mesmo pensamento vale para os alienígenas. Há vários tipos de seres que nos visitam. Há relatos para todos os gostos. Para mim são seres físicos, sem, obviamente, fechar minha mente para seres que possam ser feitos de outras matérias. Mas como disse, sou um pesquisador crítico, que lida com evidências físicas.

Alguns membros de seu grupo participaram do Projeto Hessdalen, na Noruega. Como está o projeto nos dias de hoje e a que conclusões vocês conseguiram chegar?
As luzes de Hessdalen são, realmente, um fenômeno muito interessante [Veja box]. Existem alguns novos fatos, mas nada que nos tenha dado respostas concretas. Hessdalen é algo exótico e estranho, mas relacionado à Ufologia, onde houve muitos erros de interpretação de eventos naturais. Ainda assim, há um pequeno percentual de imagens e relatos que não possuem explicação. Atualmente ainda ocorrem alguns registros lá, mas são raros.

O que o senhor pensa sobre a chamada Ufologia Mística? Ela deve ser tratada como parte da pesquisa?
Para ser bem sincero, eu não sei muito bem o que é a Ufologia Mística. O pouco que sei, pois realmente é um aspecto que não fez parte dos meus objetivos, é que seriam pessoas que teriam algum tipo de contato espiritual com seres não humanos, podendo ser extraterrestres ou até mesmo espíritos. E como se prova isso? Por outro lado, para ser científico, você tem que usar as ferramentas da ciência. Não se pode simplesmente se autoproclamar científico, é preciso mostrar que se é. Isso significa que alguém deve apresentar seu trabalho para outros pesquisadores — inclusive aqueles que tenham opiniões diferentes das suas. Aqueles que escolhem não usar métodos científicos estão propensos apenas a reforçarem suas crenças, em vez de encontrar novas evidências. Isso não é pesquisa.

Falando sobre evidências, a atividade ufológica está diminuindo?
Eu penso que nunca houve tantas fotos e filmagens de UFOs quanto há atualmente. A internet está cheia delas. Mas muita coisa é invenção, mentira e manipulação de imagens. Não dá para simplesmente aceitar tudo que está lá como sendo a evidência derradeira de que estamos sendo visitados por seres não humanos. Entretanto, imagens reais, ou seja, que foram investigadas por pessoas com conhecimento técnico adequado, são e sempre foram escassas. Isso não mudou. A atividade ufológica em si não está diminuindo. Nós temos relatos novos todos os dias. A UFO Sweden recebe mais de 20 relatos de avistamentos de UFOs todos os dias. Infelizmente, não temos como investigar todos, mas sabemos que uma pequena porção deles, algo em torno de 5%, não tem uma explicação conhecida.

Tenho bons contatos no meio militar e acesso aos arquivos das Forças Armadas suecas, e lhe garanto que nunca encontrei qualquer evidência de que nosso Departamento de Defesa possua alguma informação que possa desvendar o enigma UFO.

E como evitar que sejamos enganados por imagens falsas?
É fácil, basta pesquisar a fonte. Obviamente que nós já temos um olhar mais clínico e crítico e podemos separar melhor o que pode ser real do que é fraude. Também é importante lembrar que hoje em dia temos outros tipos de aeronaves, como os drones voando pelos céus. E temos aviões secretos, temos muita coisa que os governos devem estar testando nos ares sem que saibamos. Então, quando alguém vê algo assim no céu, realmente viu um objeto voador não identificado. Ou seja, a pessoa não está mentindo deliberadamente.

O senhor acredita que os UFOs, assim como nossos carros, evoluíram com o passar dos anos e podem ter alguma tecnologia que os deixe invisíveis aos nossos olhos?
Sim. Se analisarmos os tipos de UFOs que temos hoje em dia e compararmos com o que havia no milênio passado, vemos que há uma mudança em seus formatos. É claro que ainda temos os discos voadores clássicos, assim como temos pessoas não têm um carro do ano e ainda dirigem um modelo mais antigo. Mas o que me intriga é que a tecnologia deles mesmo que de anos atrás ainda é muito superior à nossa. Não conseguimos nem chegar ao que eles tinham há 70 anos...

Falando de passado e presente, o senhor acredita que estejamos preparados para o contato aberto com outras civilizações?
Eu não acredito que a nossa sociedade um dia estará preparada para isso, mas também não acredito que esse contato seja iminente, porque não penso que os alienígenas queiram ter um encontro aberto conosco. Basta ver o que acontece no mundo. Nós não conseguimos ainda nos entender em coisas básicas. Então, como iríamos lidar com uma outra civilização? Quando eu digo que esses seres vêm ao nosso planeta, fazem o que têm que fazer e vão embora, muitos colegas ficam irritados comigo. Mas estou mentindo? Alguém sabe de suas intenções? Teorias para explicá-las existem, mas onde estão as evidências?

O senhor poderia nos falar sobre seus planos atuais e para o futuro?
Bem, tenho trabalhado em diferentes coisas. Acabei de escrever um capítulo sobre os foguetes fantasmas para uma publicação que vai sair nos Estados Unidos. Tenho também feito a nossa revista UFO Aktuellt [Ufologia Atual] e estou escrevendo um novo livro sobre o Fenômeno UFO. Além disso, temos também o projeto de digitalização de todos os documentos, revistas e livros de nossa biblioteca. Para o futuro, estou em contato com uma equipe de TV sueca que quer fazer uma série sobre casos ufológicos na Europa, além de outros planos que ainda estão sendo desenvolvidos.

O senhor acredita que a Ufologia mudou com o decorrer dos anos?
Não. Ao olhar os recortes de jornais de 1974 e 1975, quando eu ainda era adolescente, e comparar com o que eu vejo hoje, percebo que é a mesma coisa. Eu não tenho uma resposta para o enigma do Fenômeno UFO e ainda estou aberto a muitas possíveis soluções. Ainda não estou convencido de que a explicação que diz que tudo é de origem extraterrestre seja a única. Os questionamentos continuam os mesmos e o acobertamento também. O que pode ter mudado é a percepção que temos sobre o fenômeno. Algumas pessoas têm interesse em saber as respostas, mas para a grande parte da sociedade tanto faz quanto tanto fez. O assunto está caindo na rotina, ou seja, as pessoas veem UFOs, fazem relatos, os jornais publicam e as autoridades negam. Para haver uma mudança grande e significativa, precisamos romper esse ciclo.

Para fecharmos essa entrevista, eu gostaria de saber o que, mesmo após 40 anos de pesquisa, mantém o seu interesse em Ufologia?
 Sou um jornalista e meu interesse é contar fatos desconhecidos para as pessoas. Como dizemos aqui na Suécia, adoro levantar uma pedra para ver o que tem embaixo. Para mim, os UFOs são apenas objetos voadores não identificados que aguardam uma resposta, e considero os relatos das testemunhas como o ponto de partida para minha investigação e não a resposta para o que foi realmente visto. Estou tão interessado nos aspectos psicológicos quanto nas próprias observações. Quando leio sobre um avistamento de UFO ou sobre um contato com um tripulante, busco encontrar uma explicação. Não me vejo como parte da criação de mitos, que é tão comum na pesquisa ufológica. Se eu tivesse que me rotular, seria um investigador crítico do desconhecido. Respondendo propriamente à sua pergunta, o que me mantém interessado na Ufologia mesmo após 40 anos é simples: curiosidade.

 


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