ENTREVISTA

O Caso Varginha ainda precisa de explicações

Por Equipe UFO | Edição 108 | Março de 2005

O Caso Varginha só chegou ao conhecimento do público brasileiro e mundial graças a três fatores: sorte, coragem e competência. Sorte porque o incidente, em boa parte, ocorreu no Jardim Andere, bairro distante apenas uns poucos quilômetros da residência e escritório de um dos mais sérios ufólogos brasileiros. Coragem porque o referido ufólogo – o advogado e professor mineiro Ubirajara Rodrigues – não se intimidou ao descobrir, logo nos primeiros lances da investigação, que havia forte envolvimento de militares no processo de captura dos estranhos seres – e promoviam seu acobertamento. E competência porque o estudioso ministrou com sabedoria, no levantamento e nas análises do caso, praticamente todos os mais eficientes processos do método científico aplicáveis à Ufologia. Não fosse essa conjunção de fatores o Caso Varginha teria sua importância irremediavelmente minimizada, ou talvez sequer chegasse a ser conhecido. Rodrigues concedeu uma entrevista ao enviado especial Jayme Roitman, antes e depois do debate com Badan Palhares. Confira.

Entrevista antes do debate

Qual é a sua expectativa com relação ao debate que se inicia daqui a pouco? Particularmente, como pesquisador, o que mais espero é que o ouvinte possa ser informado claramente a respeito não só do Caso Varginha, mas também, e principalmente, da parte do incidente que envolve a cidade de Campinas (SP). O que ocorreu aqui, especialmente na Universidade de Campinas (Unicamp), é de grande importância e queremos saber quais foram as instituições e pessoas envolvidas. Esta é a minha maior expectativa, porque não espero, absolutamente, que o professor Badan Palhares confirme sua participação no episódio – se isso acontecer, para nós, da Ufologia, será histórico. Mas o que deve ocorrer é que ele não vai confirmar. O que também espero é que, na medida em que faremos questionamentos mútuos, o professor Palhares nos dê algumas explicações a respeito de certas coisas que testemunhas nos informaram, coisas que nos dão segurança para afirmarmos a participação dele no envolvimento na necrópsia de um material orgânico desconhecido vindo de Varginha, na época.

Quais os pontos mais importantes que você pretende esclarecer no debate, acerca do Caso Varginha? Entre outras coisas, como foi que esse material chegou aqui, em Campinas, em que data e qual foi o envolvimento das Forças Armadas na vinda desse material para cá. De que forma se deu o envolvimento da própria Unicamp – onde, na época, o professor Palhares era responsável pelo Departamento de Medicina Legal. E principalmente tentar ver se o público local nos oferece mais subsídios para juntarmos ao vasto conjunto de informações que já temos. Isso nos permitirá deduzir onde esse estranho material biológico se encontra hoje – já que, atualmente, não temos informação alguma sobre seu paradeiro.

Entrevista após o debate


Qual é a avaliação que você faz do debate que se encerrou? Acredito que tudo transcorreu em bom nível, com alegações de ambas as partes apresentadas com seriedade. Ainda que tenha negado tudo, meu ilustre interlocutor tratou do assunto diretamente, pela primeira vez, com um ufólogo. Isto é importante. Era mesmo necessário que ele mostrasse sua versão publicamente. Afinal, nos controvertidos casos de que a Ufologia toma conta, as pessoas precisam ouvir todas as partes envolvidas, dentro das possibilidades.

O doutor Palhares negou que tenha tido contato com os seres do Caso Varginha. Isso o faz alterar alguma de suas posições sobre o incidente? Alterar, não. Porém, as alegações e informações dele nos obrigam a rever uma série de aspectos dos fatos envolvendo Campinas, para que possamos trabalhar com alguns detalhes a mais – em termos de localizações, instalações etc. Enfim, tudo o que ele expôs. Nada temos a perder com este trabalho. No entanto, sua negativa não é nenhuma novidade para nós. Aliás, ela sempre ocorreu, desde 1996. Como ele mesmo destacou em suas intervenções durante o debate, sempre negou os fatos para aqueles que o abordaram querendo saber algo a respeito. Inclusive, sua negativa era de meu conhecimento e do próprio repórter que promoveu o debate. E havia consciência clara – dele, do repórter e de minha parte – de que o programa levado ao ar giraria exatamente em torno das duas posições antagônicas, o que a Ufologia vem divulgando e ele, negando.

Na sua opinião, faltou algo a ser abordado no debate? Faltou muita coisa, mas isto é natural em programas de rádio e TV, em que o tempo acaba sendo um fator contrário a um desenvolvimento mais completo de qualquer tema. Por outro lado, havia uma preocupação, de minha parte, em evitar qualquer colocação que pudesse ofender meu interlocutor. Por exemplo, não houve oportunidade, em virtude dos aspectos abordados, de eu apresentar assuntos interessantes – tais como a resposta que ele teria dado a um estudante de Direito, que lhe indagara sobre seu envolvimento com os seres capturados em Varginha [Editor: meses após o Caso Varginha, o legista Fortunato Badan Palhares fazia uma palestra sobre sua profissão a uma turma de Direito de uma universidade paulista quando um aluno o surpreendeu questionando se era verdade que ele tivera necropsiado os ETs de Varginha. Sua resposta foi impressionante. O médico respondeu ao rapaz: “Se você fizer esta pergunta dentro de alguns anos talvez eu possa respondê-la”].

Você acha que mais alguma coisa ficou faltando no debate? Sim, várias. Também não chegamos a tratar das razões que teriam determinado que vários funcionários de setores específicos do Hospital das Clínicas da Unicamp, nos dias em questão, se retirassem do local.

Na sua opinião, o debate foi esclarecedor para os ouvintes? Sim, muito. Nós, ufólogos, temos que estar cientes de que algumas pessoas acreditam em casos dessa natureza, outras não. Infelizmente, porque o ideal seria que ninguém acreditasse ou deixasse de acreditar, mas que as pessoas avaliassem com maior espírito crítico. Acho que muita gente, no entanto, age assim. Para os que aceitam a existência de um processo que impõe sigilo em torno desses eventos, o debate tem que ser avaliado com a maior atenção – no maior número possível de detalhes. Já aqueles que não aceitam tal hipótese, e que avaliam de forma mais objetiva a postura oficial de instituições e pessoas, podem ter encontrado no debate o convencimento de que não tenha mesmo ocorrido o que dizemos.

O que seria necessário para que fosse superado o impasse entre suas afirmações e as do doutor Badan Palhares? Somente o futuro das pesquisas em torno do Caso Varginha dirá. Prefiro não fazer previsões. Sempre evitei especular a respeito do que conseguiremos ou deixaremos de conseguir, sobre este ou qualquer outro caso ufológico. Mesmo porque, o sigilo mundial, que quase todos os ufólogos do planeta parecem aceitar como certo, não oferece sinais de que desaparecerá tão cedo – mesmo que, em alguns momentos, muito discretamente, pareça que os governos já andam liberando alguma coisa. Enquanto isto, caso a hipótese com que trabalhamos seja correta – e até agora tudo indica que sim –, o que virá do outro lado será um argumento convenientemente simples. Apenas dirão que, se tudo tivesse ocorrido como alegam os ufólogos, os fatos teriam sido registrados pelos órgãos competentes, em portarias, arquivos ou livros, que os dados a respeito estariam disponíveis etc. Enfim, alegariam que tudo ocorrera dentro dos trâmites burocráticos à disposição para consulta.

Um outro debate seria necessário? Não vejo porquê. O doutor Badan deixou bem clara a afirmação de que não participou de nada. Para ele isto basta, tal como se deduz do debate. Para mim, salvo melhor juízo, não há qualquer propósito em retornar a um debate em que nós expomos os resultados de nossas investigações, e ele os contesta. Isto já está feito. Se não podemos ainda expor de maneira clara quem são nossos informantes, testemunhas diretas e indiretas, para preservar suas identidades, devemos nos contentar em termos participado de uma contenda que era importante para demonstrar que a Ufologia não se furta à discussão, o que seria no mínimo um desrespeito.

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