ENTREVISTA

Não podemos ignorar o valor das provas e das testemunhas dos UFOs

Por Gavin William Esler | Edição 269 | Junho de 2019

Embora parte da Ufologia torça o nariz quando o assunto é ciência e se revolte quando algum cientista declara que os UFOs são frutos de má interpretação de objetos e fenômenos terrestres, ou de algum tipo de alucinação por parte das testemunhas, o fato é que todos nós dependemos das descobertas científicas humanas para conseguirmos entender a altamente avançada tecnologia utilizada pelos UFOs.

O Fenômeno UFO, em sua rica complexidade, muitas vezes se parece mais com uma história de ficção científica do que com algo concreto e real, o que não significa que ele não seja verdadeiro, mas sim que as formas de o estudar, sem dúvida, passam pela física e pelas possibilidades que ela nos dá para entendermos que o universo, em sua mais íntima constituição. Sendo assim, é muito mais misterioso do que imaginamos.

Atualmente, vemos cada vez mais cientistas que olham para o Fenômeno UFO como forma de inspiração e fonte de estudos e, como ficou claro pelas declarações do ex-agente do Pentágono Luis Elisondo, em dezembro de 2017 [Veja UFO 255, agora disponível na íntegra em www.ufo.com.br], os objetos voadores têm sido constantemente estudados pelo governo e por grandes corporações de astronáutica, incluindo-se aí a Agência Espacial Norte-Americana (NASA).

A ciência e os UFOs

Claro que muitos cientistas, embora levem o assunto a sério, não se arriscam a tornar públicas suas opiniões por medo de que isso prejudique suas carreiras — lentamente, entretanto, parece haver uma certa abertura em relação ao assunto, principalmente porque há cada vez mais pessoas cuja credibilidade está acima de questionamentos, afirmando que foram testemunhas de avistamentos e contatos.

E quando cientistas sérios e competentes olham para o fenômeno com olhos isentos de preconceito, algo interessante acontece: eles começam a buscar, dentro daquilo que conhecemos sobre as leis da física e das teorias de ponta, uma forma de explicar como seria possível a uma civilização avançada criar naves capazes de viajar pelo cosmos, chegarem até nosso planeta e a manipularem a matéria, o espaço e o tempo de forma que para nós parece mágica.

Nosso entrevistado desta edição é um dos cientistas mais conhecidos da atualidade e um incansável divulgador da ciência, para quem parece lógico que existam grandes e avançadas civilizações inteligentes, embora ele pense que “talvez eles nos ignorem por nos acharem irrelevantes”. Estamos falando de Michio Kaku, físico teórico, futurista, comunicador científico e professor de física na Universidade de Nova York.

Kaku é autor de uma série de livros sobre física quântica e cosmologia e de vários best-sellers, sendo o mais recente deles The Future os Humanity [O Futuro da Humanidade. Allen Lane, 2018], ainda não lançado no Brasil. Além disso, como cientista e comunicador, o físico é figura sempre presente em documentários sobre ciência, em shows de rádio, programas de TV, congressos e simpósios ao redor de todo o mundo.

Antimatéria

Filho de imigrantes japoneses que chegaram aos Estados Unidos no final do século XIX, o cientista nasceu em janeiro de 1947, o ano que viu também nascer a Ufologia e o Caso Roswell. Seu pai, após a Segunda Grande Guerra, se tornou jardineiro e queria que o filho seguisse pelo mesmo caminho, mas Kaku tinha outros planos. Fascinado por Albert Einstein, que falecera quando nosso entrevistado estava com apenas oito anos, Kaku percebeu que seu caminho seria outro.

Mais tarde, quando cursava a escola secundária em Palo Alto, na Califórnia, o cientista montou um acelerador de partículas para uma feira de ciências, porque “queria criar antimatéria a partir de um feixe de raios gama”. Para isso, montou o equipamento na garagem de sua casa com a ajuda de alguns professores, que, segundo ele, “não faziam a menor ideia do que eu estava construindo”.

Mais tarde, quando levou seu projeto para a Feira Nacional de Ciências, na cidade de Albuquerque, no Novo México, o rapaz chamou a atenção do famoso físico teórico conhecido como o “pai da bomba atômica” Edward Teller, que escolheu Kaku como seu protegido. Segundo nosso entrevistado, “eu fiquei fascinado, porque ele foi a primeira pessoa na feira de ciências para quem não precisei explicar nada — ele sabia exatamente o que eu havia construído e por quê. Eu fiquei maravilhado com aquilo”.

Teller concedeu a Kaku uma bolsa de estudos e o cientista se formou pela Universidade de Harvard, em 1968, com summa cum laude, ou seja, todas as honras. Em 1972, o cientista se doutorou pela Universidade de Berkeley, na Califórnia e, embora Teller tenha lhe aberto todas as portas de todos os laboratórios das universidades norte-americanas para que ele seguisse trabalhando no desenvolvimento de ogivas, o jovem tinha outros planos.

“Para Teller, desenvolver ogivas era proteger o governo, o país, a liberdade e o modo de vida dos Estados Unidos. E eu entendo isso, porque era uma questão de geração e visão de mundo. Mas eu queria outra coisa, eu queria terminar a teoria de Einstein, eu queria a Teoria do Tudo”, declarou o cientista em recente entrevista. E ele fez isso. Tendo Einstein como norte, Michio Kaku se elencou em uma cruzada para entender, afinal, como o universo funciona, o que forma a matéria, de onde viemos e para onde vamos.

Cordas e UFOs

Um tanto físico, um tanto filósofo, nosso entrevistado não tem medo de perguntas embaraçosas, sejam elas religiosas, ufológicas, científicas ou existenciais. Essa característica foi o que o tornou tão popular em entrevistas de TV e em shows de rádio — Kaku não tem medo de pisar nos calos de educadores, políticos, cientistas e formadores de opinião, embora o faça sempre com elegância e muita competência.

Sua proposição, a Teoria das Cordas, se comprovada, se tornará aquilo que Kaku tanto almejava, a Teoria do Tudo, aquela que explicará todas as coisas, desde o mais íntimo elemento da matéria até os movimentos de formação dos universos. Sim, você leu certo, universos, no plural. Segundo nosso entrevistado eles são muitos, há um verdadeiro mar deles no qual nosso próprio universo navega.

Segundo sua teoria, a matéria é formada em sua mais profunda essência por pequenos filamentos — chamados de cordas — que vibram em diferentes frequências e cujo tamanho seria o chamado Modelo de Planck, ou seja, 10-35, tão minúsculas que jamais poderíamos vê-las. E como são a base de tudo, inclusive dos átomos e das subpartículas, as cordas formam tudo que existe. E tudo depende delas e de sua vibração.

Assim como as cordas de um violão, que produzem diferentes sons dependendo de como são tocadas, todas as propriedades da matéria dependem da vibração das cordas de Kaku. Quando os cientistas se dedicaram a transformar essa ideia em equações, ou seja, foram verificar se seria matematicamente possível e se haveria como equacionar a questão, eles descobriram mais do que procuravam. A matemática da teoria apontou que um universo formado por cordas não tem apenas quatro dimensões — altura, largura, profundidade e tempo — mas 11 dimensões. Ou 26, a depender da corrente teórica que se analise.

Na entrevista que veremos abaixo, Michio Kaku aborda todos esses assuntos de forma tão leve e clara que todos, ao terminarmos de lê-la, entenderemos muito mais do que entendíamos antes. Muitas das respostas, embora estejam focadas apenas em ciência, parecem responder muitas questões relacionadas aos UFOs, extraterrestres, deuses do passado e perspectivas de futuro. Vamos a ela.

O senhor é um cientista e um comunicador, coisa rara de se encontrar. Além disso, é um dos poucos cientistas conhecidos que não se embaraça e nem tem qualquer problema quando a palavra Deus aparece na entrevista. Eu gostaria de começar falando sobre isso.
Bem, nós, físicos, lidamos com questões cósmicas, com a existência e o significado de tudo, então não temos como escapar, em algum momento, de responder perguntas que incluam a palavra Deus em sua formulação. Thomas Huxley, um grande biólogo do século XIX, disse que a questão de todas as questões, tanto em ciência quanto em religião, é determinar o nosso verdadeiro papel e o nosso verdadeiro lugar no universo. Isso vale tanto para a religião quanto para a ciência, mas, entretanto, nas últimas seis ou 7 décadas, houve um divórcio entre a ciência e os humanistas. E eu acho muito triste que nós não falemos mais a mesma língua. Eu não tenho qualquer problema com a palavra Deus.

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