ENTREVISTA

Há mais abduções do que todos os avistamentos de UFOs somados

Por Maurizio Baiata | Edição 267 | Abril de 2019

O campo ufológico é composto por vários outros fenômenos cuja complexidade muitas vezes engana quem vê a Ufologia como algo simples de se compreender. E dentro do emaranhado de acontecimentos anômalos que se unem para formar o que hoje chamamos de Fenômeno UFO, nenhum é tão complexo, misterioso e assustador quanto o fenômeno das abduções. Entre a negativa peremptória — abduções não existem e pronto! — e a aceitação plena e sem critérios, há uma tal quantidade de dados e de nuances, que muitos pesquisadores agora dividem o fenômeno entre físico e psicológico, entendendo que, muitas vezes, a abdução se dá de maneira psíquica, com a vítima sendo levada por aliens, digamos, em espírito, sem que seu corpo se mova um milímetro sequer. E o mesmo parece se dar com casos de avistamentos e contatos.

Embora o fenômeno não seja novo, não faz muito tempo que se passou a olhar para as abduções com seriedade. Até o início dos anos 80, sabia-se da existência delas, mas imaginava-se que eram raras e que só aconteciam em ocasiões muito especiais, embora ninguém soubesse dizer exatamente que ocasiões eram essas. Mas, então, um artista plástico e escultor norte-americano, membro da Academia Nacional de Desenho dos Estados Unidos, se interessou pelo assunto e decidiu pesquisá-lo, mudando completamente aquilo que se sabia sobre abduções.

Uma pessoa normal

Pintor consagrado nos Estados Unidos, celebrado em Manhattan e profundo conhecedor de arte, Elliot Budd Hopkins, nosso entrevistado desta edição, recebeu diversos prêmios, teve suas obras expostas em importantes galerias de seu país e suas peças foram adquiridas por museus de importância internacional, como o Museu de Arte Moderna de São Francisco e o Museu Britânico, apenas para citar alguns. Embora muito conhecido e admirado entre seus pares, Hopkins só se tornou conhecido do grande público quando publicou o livro Intrusos [Record, 1991], expondo experiências de abdução por todos os Estados Unidos.

Ainda que Intrusos não tenha sido o seu primeiro livro sobre o assunto, foi aquele que popularizou o fenômeno das abduções para sempre. Na obra, Hopkins mostra como mulheres estavam sendo sequestradas por alienígenas para terem seus óvulos recolhidos e inseminados, e depois devolvidos aos seus úteros, em um processo de engenharia genética para criação de uma raça híbrida. O filme de mesmo nome, lançado no ano seguinte, não agradou muito ao pesquisador, mas também se tornou um sucesso retumbante. Hopkins disse que não gostou porque “os produtores mudaram a história que estava em meu livro”, e também porque “em vez de eu ser um pintor, fui transformado em psiquiatra no filme. Eles mudaram outros personagens também”.

Porém, ele admitiu que “eles mantiveram essencialmente a verdade sobre a experiência de abdução de uma maneira muito precisa. A emoção que as pessoas sentiram e estavam experimentando foi muito precisamente retratada. E, portanto, o verdadeiro centro do fenômeno de abdução ficou claro para as pessoas”. Talvez por isso o filme tenha feito um tremendo sucesso e até hoje é referência para muitos abduzidos. Foi a partir do trabalho de Budd Hopkins que se teve ideia da proporção dos casos de sequestro por alienígenas, seus efeitos e o quanto o governo escondia sobre o assunto.

Hopkins deu às abduções uma dimensão completamente nova ao investigá-las com obstinação e criatividade e praticamente inventou o método para se perscrutar o fenômeno — que, com o tempo, foi adotado por centenas de pesquisadores espalhados por todo o planeta. Quando começou a se envolver com esse tema, após o avistamento de um disco voador em 1964, o artista e pesquisador não imaginava o que viria pela frente. “Até então eu era uma pessoa normal”, dizia ele.

Porém, depois de seu primeiro contato, sua vida foi gradativamente mudando e ele passou a vislumbrar uma realidade tremendamente maior do que tudo que pudesse ter imaginado. Hopkins iniciou, então, uma pesquisa séria, madura e coerente sobre as inúmeras ocorrências que lhe chegavam às mãos — um trabalho que se tornou referência mundial no meio ufológico. Pouca gente, em todo o planeta, soube mais sobre abduções do que esse senhor, que nos deixou em agosto de 2011.

Pioneirismo inegável

Suas atividades nesse setor foram crescendo e o pesquisador, ainda um tanto inocente, sabia que havia algo bem mais profundo e derradeiro por trás dos milhões de casos de UFOs que eram noticiados naquela época. Mas o quê? “Havia casos que me fascinavam. Outros eram simplesmente aterradores”, admitia o veterano ufólogo. Como descobrir o que significava tanta atividade extraterrestre em nosso planeta?
Foi em meio a essas indagações que ele passou a analisar mais a fundo as abduções. Três décadas depois, Hopkins tornou-se um dos autores mais lidos sobre o assunto, com várias obras publicadas. Trabalhou com mais de 2.000 abduzidos — um número espantoso —, e foi o pioneiro que praticamente erigiu a estrutura de informações que temos sobre o assunto na atualidade. É literalmente impossível abordar as abduções alienígenas sem citar Budd Hopkins.

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