ENTREVISTA

ETs em Portugal, muito além de Fátima

Por Fernando A. Ramalho | Edição 164 | Abril de 2010

Certas regiões do globo terrestre apresentam maior número de registros de avistamentos de UFOs e contatos com seus tripulantes, geralmente proporcionais à sua densidade populacional, condição que se reflete no número de testemunhas do fenômeno. Se tomarmos a média casuística mundial, com algumas exceções, veremos que os relatos estão mais ou menos bem distribuídos geograficamente — e eles chegam de todas as partes do globo. Contudo, são esses curiosos desvios de regra — as referidas exceções — que mais chamam a atenção dos ufólogos por suas particularidades, que vão desde diferenças territoriais de ordem física — como características geomorfológicas ou geológicas —, até fatores histórico-sociais, dentre os quais podemos incluir os de natureza religiosa.

Apesar de ter um território relativamente pequeno em relação a outros países, Portugal é uma nação que se destaca como prodigiosa nas referidas exceções, pois é rica num tipo específico de fenômeno, identificado religiosamente como “aparições marianas”, em referência ao ícone cristão Maria, mãe de Jesus. Tais manifestações, cujos relatos em todo o mundo hoje ultrapassaram a casa das centenas, com casos inclusive no Brasil, não eram objeto de estudo da Ufologia até a década de 80. Contudo, passaram a sê-lo quando ufólogos portugueses notaram que em alguns casos recentes, assim como em outros mais antigos, havia efeitos e vestígios claros da presença de UFOs nos cenários das aparições, que efetivamente não tinham nada de religiosas. Tais fatos são incontestáveis e estão até mesmo descritos em documentos, inclusive com relatos dando conta de que havia o que passou a se chamar de “dança do Sol” ou “milagre do Sol” no firmamento.

Outros países também merecem destaque nesta fenomenologia, tais como a França, com ocorrências em Tilly-sur-Seuilles (1901), Espis (1946) e Kerezinen (1953), a Bélgica (1933) e Itália (1944), com casos em Acquaviva Platani (1950), San Damiano (1965), Tre Fontane (1982) e Borrelo (1988). Até na Bósnia Herzegovina, ex-Iugoslávia, temos importantes casos, como os de Medjugorje (1981 e 1982), assim como em Ruanda, na localidade de Kibeho (1983). Enfim, as chamadas aparições marianas estão por todo o mundo, sendo vistas como um fenômeno religioso quando têm, na verdade, sólidos componentes ufológicos.

Estudo ecumênico e sociedades secretas

Portugal se destaca neste contexto por ter dois dos casos mais documentados de aparições marianas da história, que são os de Fátima, em 1917, e de São Miguel dos Açores, em 1998. Na visão mais cuidadosa de estudiosos desta fenomenologia, há uma diferença fundamental específica nos casos que envolvem os “milagres do Sol” e suas mensagens. Segundo tais pesquisadores, via de regra radicados em terras lusitanas e livres da típica visão religiosa predominantemente católica de seu país, as manifestações, em sua grande maioria, não passam de demonstrações cabais da existência de uma ação inteligente, direcionada, cuja tecnologia, muito superior à que se conhece em nosso planeta, por algum motivo particular usa a religiosidade do povo para divulgar sua ação.

Tanto é assim que seus efeitos podem ser notados de diversas formas através da história, como a construção de templos de adoração e verdadeiros palácios nos locais onde ocorreram os avistamentos e contatos. Outro foco de influência dessa fenomenologia pode ser sentida na adoção de dogmas e regras comportamentais, principalmente aquelas inseridas em encíclicas [Cartas circulares pontifícias] impostas a partir do Vaticano, que as determina seguindo a interpretação da Cúria sobre as aparições marianas. O fato de essa disseminação ser notada no mundo inteiro, muito além dos locais das ocorrências, é outra questão a ser levantada — e tal disseminação chega até onde as fronteiras da influência cristã se fazem presentes.

Embora a apoiemos integralmente, não somos nós, da Ufologia Brasileira, que afirmamos a teoria da ação exógena inteligente nesses casos, mas sim pessoas como o professor de física, música e línguas Paulo Cosmelli, experiente pesquisador português das aparições marianas. A exemplo de outro ilustre ufólogo lusitano e expert no assunto, o doutor Joaquim Fernandes, por nós entrevistado na edição UFO 157, Cosmelli será desta vez questionado sobre temas mais atrelados aos desdobramentos da Ufologia no seio do Cristianismo, assim como quais sãos os elos que definitivamente ligam a presença alienígena na Terra às questões marianas.

Autor de inúmeros artigos em conceituadas revistas e jornais europeus, Cosmelli pode ser considerado um pesquisador holista por força de suas experiências. “Tenho formação católica e sou cristão na prática, mas não sigo só uma via. Persigo a mensagem e não o mensageiro, exceto Cristo”, afirma o entrevistado desta edição. Além de profundo conhecedor do Cristianismo, o professor Cosmelli aprofundou-se também no Budismo, no Hinduísmo e principalmente no Islamismo, quando lecionou idiomas no Qatar, país da Península Arábica. Ele dedica-se também à investigação científica da Ufologia de forma interdisciplinar, “tentando analisar as ocorrências juntando várias áreas do saber acadêmico e espiritual”, como prefere definir sua linha de estudo, amplamente reconhecida.

Cosmelli tem ainda um viés muito especial para um ufólogo — em nossa opinião essencial para entendimento da Ufologia holística: ele estuda particularidades das sociedades iniciáticas secretas há mais de 18 anos, como os Templários e a Maçonaria, em cuja senda milita com o grau máximo, o 33. Foi nessa empreitada que descobriu, em relatos de documentos milenares, por exemplo, que, o tarô, hoje apenas conhecido como um jogo de cartas voltado para adivinhação, teve sua origem em povos da Antigüidade que “vieram das estrelas”. Talvez por isso Cosmelli tenha se dedicado a conhecer esta arte tão bem, a ponto de ser hoje considerado um dos mais completos e perfeccionistas tarólogos da Europa. Esta certamente é uma interessante faceta de seu vasto currículo. Vamos à entrevista.


Se com toda a tecnologia demonstrada pelos ETs seu objetivo fosse de nos fazer mal, já o teriam feito. Desta forma, o que podemos constatar é que, se estamos realmente sendo visitados, eles estão tratando nosso planeta como quem trata de um jardim, observando seu crescimento sem intervir em nosso livre arbítrio, ou somente em casos extremos. Nenhum jardineiro quer ver o seu jardim destruído


Como foi a sua primeira experiência com o insólito e como ela o fez adentrar na pesquisa ufológica? Ocorreu no final dos anos 70, quando assisti a um dos grandes avistamentos de UFOs — se não o maior — em território português. Penso ter sido em 18 de outubro de 1977, tendo a notícia sido publicada em 24 e 25 do mesmo mês, no jornal A Capital, um dos mais lidos em Portugal naquela época. Eu estava no local chamado de Nossa Senhora do Monte, em Leiria, acompanhado por um casal e seus três filhos, duas moças e um garoto de três anos. Aquele é um ponto do qual se observa a cidade de Leiria e seus arredores de forma espetacular. O nome do monte está ligado a um culto católico-cristão quinhentista, e lá há uma capela feita em honra de Nossa Senhora do Monte pelas suas manifestações e milagres. Éramos seis pessoas e fomos num Volkswagen Fusca. Chegamos ao local por volta das 21h00 com a esperança de vermos algum fenômeno ufológico, pois já fazia algumas semanas que daquela cidade, especificamente do bairro da Guimarota, se observavam objetos luminosos com alguma regularidade sobre o monte. Por volta das 22h00 vimos três bolas de luz pequenas que fizeram várias passagens sobre nós e algumas evoluções sobre Leiria, deixando-a às escuras em cada passagem mais baixa que faziam. Esta primeira parte do avistamento ufológico demorou mais de cinco minutos.

Interessante. Aconteceu mais alguma coisa relacionada a este avistamento que tenha chamado sua atenção? O quê? Sim, mais tarde, por volta da 00h30, observamos um objeto grande vindo da direção de Fátima. Este UFO tinha aproximadamente 200 m de comprimento e forma de charuto, e passou por cima de nós a baixíssima altitude. Dava a sensação de que podíamos tocá-lo, pois era enorme e estava muito próximo de nós. Víamos todos os pormenores do artefato, até as pequenas ranhuras em sua superfície — portanto, não era totalmente liso. O único ruído que ouvimos era um zumbido semelhante ao de abelhas. O objeto tinha sete grandes janelas retangulares que emanavam cores diferentes: vermelho, laranja, amarelo, verde, anil e violeta. Curiosamente, as cores tinham a seqüência correta das presentes do arco-íris. O UFO passou bem devagar sobre nós e continuou seu curso sem alterar a velocidade. Ao sobrevoar Leiria, a cidade ficou novamente às escuras.

Diante de tal fenômeno e suas dimensões, certamente houve muitas testemunhas. Milhares de pessoas viram aquilo, pois, apesar de ser terça-feira, ao faltar eletricidade, a população dirigiu-se para as janelas para verificar se o problema era geral ou não, como sempre se faz em Portugal, e muita gente viu aquilo. Ademais, como a única luz existente vinha do céu, ela começou a chamar a atenção de multidões, que iam chamando os que estavam dormindo para também verem o fenômeno. O avistamento durou pelo menos 35 minutos, mas nossas câmeras fotográficas não funcionaram. Houve fotos, porém a mais espetacular foi tirada e publicada pelo A Capital, por um fotógrafo do jornal. Como o UFO foi em direção à costa e seguiu para o sul, passando por Lisboa, foi de uma das sete colinas da cidade — local onde morava o fotógrafo, perto do Castelo de São Jorge — que tal foto foi obtida. O artefato continuou a ser observado em muitos locais costeiros, até o Algarve. Também foi visto do mar por pescadores e, pelos horários dos demais relatos recebidos, com certeza acelerou sua velocidade.

Onde foi parar essa imagem feita pelo fotógrafo do A Capital, depois de divulgada? Passei muito tempo em busca da foto e a consegui, o que não foi fácil, visto que o jornal fechou nos anos 90. Mas infelizmente eu a perdi numa mudança. A primeira edição do A Capital foi impressa em 21 de fevereiro de 1968 e a última em 30 de julho de 2005. Com 37 anos a serviço da nação, era dos poucos diários em que podíamos encontrar notícias de UFOs vistos em Portugal e no exterior.

Qual foi o efeito que tal experiência causou em sua vida? Obviamente, a partir de tal data, minha vida mudou. Estou até hoje em busca de respostas para o que vimos, coisa que acontece a quase todos aqueles que tiveram avistamentos de curta distância. Devido a este caso, em particular, dediquei minha vida à procura de respostas para a fenomenologia ufológica. Primeiro, através da ciência. Mas como apenas esta via não basta, continuei minha cruzada tentando fazer um entrosamento das várias áreas científicas, cruzando-as com disciplinas do campo espiritual, que é bastante vasto. Também procurei englobar conhecimentos obtidos a partir da literatura e de rituais de sociedades secretas, que também têm estado em busca das mesmas respostas.

Mais alguém de sua família teve alguma experiência do gênero? Sim, meu pai, José Manuel Cosmelli, que foi comandante na Marinha Mercante, teve um grande avistamento em 1952, no célebre Triângulo das Bermudas. Seu navio entrou em rota de colisão com uma luz submersa à frente da popa da embarcação. Era um objeto submarino não identificado que surgiu subitamente, mas foi registrado inclusive no diário de bordo da embarcação. Toda a tripulação e passageiros — exceto o engenheiro de máquinas — viram o artefato iluminado, pois o alarme do navio soou devido à impossibilidade de se conseguir desviar a rota em tempo de evitar a colisão. O OSNI por fim emergiu e ficou pairando a bombordo durante uns minutos. O acontecimento durou mais de meia hora e, tal como no meu caso, a partir daí meu pai passou a buscar explicações para o que viu. Ele partiu fisicamente em 1999, levando consigo muitos segredos. Sei que tentou saber mais sobre o Fenômeno UFO e realmente soube, só que nunca comentou. Sei também que ele fazia muitas pesquisas sobre civilizações antigas, ordens iniciáticas e possíveis mundos internos. Mas sabia guardar segredos, tal como os Templários e praticantes de outras ordens iniciáticas portuguesas souberam.

crédito: Rodrigo Queiróz Bezerra
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A vasta costa de Portugal, banhada pelo Oceano Atlântico, é rica em avistamentos ufológicos de todos os tipos — em especial de artefatos que emergem das águas ou manobram submersos

Você acredita que o Fenômeno UFO tenha uma natureza inteligente e que interferiu na história do ser humano, bem como seu objetivo na Terra? Esta resposta é extremamente delicada, dado que um UFO, por definição, é algo que não está identificado. Há fenômenos que já foram explicados pela ciência, enquanto outros estão claramente ligados a algo inteligente que os guia e move. O que hoje chamamos de naves espaciais há pouco mais de 100 anos eram vistas como manifestações divinas ou diabólicas. Existem centenas e até milhares de fatos inegáveis, nos quais se pode verificar a intervenção de uma inteligência superior, tanto de forma material como espiritual. E esta intervenção alterou a história humana, provavelmente desde seus primórdios. Veja que já na pré-história os contatos e avistamentos ufológicos aconteciam regularmente, como atestam inúmeras gravuras pictóricas espalhadas por diversas grutas e paredões em todo o mundo, além de pegadas humanas com 500 milhões de anos. Perto de London, no Texas, foi descoberto um martelo com 140 milhões de anos, cuja composição é de 96% de ferro, 2,4% de cloro e 0,74% de enxofre. Uma ferramenta com esta constituição tem uma qualidade excelente, mas quem a construiu? No museu de paleontologia de Moscou há o crânio de um bisonte [Ou bisão, mamífero da família dos bovinos] com 8.000 anos e apresentando perfuração feita por uma bala de alta velocidade. E o que dizer da Pilha de Bagdá, um instrumento com 6.000 anos de existência que provou sua capacidade de produzir energia elétrica.

As evidências são inúmeras... Sim, incontáveis. Só não as vê quem não quer. Por exemplo, no caso da Pilha de Bagdá não há explicação coerente para sua construção e funcionamento, pois ainda levaria milênios para que os habitantes daquela época viessem a conhecer a eletricidade. Trata-se de um gerador eletroquímico feito em cerâmica e com dois eletrodos de cobre. E os mistérios de Nazca, no Peru, onde foram descobertos pictogramas gigantes, só vistos a partir de uma altitude de 300 m, sendo compostos por formas geométricas e figuras de animais que nos conduzem em direção a retângulos gigantescos, perfeitamente planos, como se fossem pistas de pouso? Tudo isso se estende ao longo de 50 km. Foram feitas há mais de 2.000 anos e descobertas nos anos 20 do século passado, após sobrevôo de pilotos peruanos que tiveram a atenção atraída para tais enigmáticas figuras.

Vejo que você é um profundo estudioso dos vestígios da ação de outras espécies cósmicas em nosso planeta. O que mais teria a nos contar sobre suas interferências na Terra e quem as documentou? São muitos. Por exemplo, Marco Túlio Cícero, que nasceu em 106 a.C. e foi cônsul romano, filósofo, escritor, advogado e político. Ele nos diz em seu manuscrito A Adivinhação que em determinado ano foram vistos no céu dois sóis: “Um deles reluzia durante a noite, produzia muito ruído no céu e parecia que ia explodir”. Caio Plínio Segundo, conhecido como Plínio, o Velho, foi um nobre romano, cientista e historiador, considerado o maior naturalista da Antigüidade, além de almirante da frota de Miseno. Ele viveu na Roma antiga e descreveu, em sua obra História Natural, o surgimento de um sol noturno que pôs o céu tão claro como se fosse dia, “sendo observado outras vezes, do consulado de Cecaelius e de Papirus”. E não podemos deixar de falar dos mapas de Piri Reis, utilizados por Colombo para alcançar a América. Eles contêm descritos, com precisão matemática, os vários continentes de todo o globo, registrando desde cabos até enseadas e ilhas [Veja edição UFO 075]. Estudos realizados pelos engenheiros Arlington H. Marley e I. Walters, da Agência Hidrográfica dos Estados Unidos, permitiram concluir o rigor e a surpreendente exatidão dos mapas de Piri Reis, que mostram inclusive como havia sido a costa de todos os continentes e o seus perfis, entre 7 e 10 mil anos antes.

E os escritores de ficção científica dos séculos XV a XIX, que parecem ter sido intuídos por algo extraordinário para produzirem suas obras?
Perfeitamente! Há semelhanças espantosas entre as descrições de Júlio Verne, em obras escritas na segunda metade do século XIX, com a atual realidade dos projetos de exploração do espaço, como os problemas de propulsão, do calor gerado pelo atrito, da velocidade necessária para um foguete escapar da atração da gravidade terrestre etc. Verne estava realmente muito bem informado sobre as técnicas que hoje em dia nos levam a explorar o espaço exterior. Já Jonathan Swift, autor das célebres Viagens de Gulliver, descreve através do seu personagem que, numa de tais excursões, avistou “um corpo móvel muito grande e opaco que parecia flutuar”. E continua: “Pude descobrir com meu telescópio um grande número de pessoas que governavam aquela ilha voadora”. Swift conta-nos também que os tripulantes lhe comunicaram que Marte tem “dois pequenos satélites, dos quais o mais próximo ao planeta dista exatamente o triplo do seu diâmetro, ao passo que o mais afastado encontra-se à distância de um quíntuplo”.


Chegamos à verdade até sobre Cristóvão Colombo. Nos documentos sobre ele já obtido encontramos o nome Cristoval Colon. Cristoval pode vir de cristovam, e kolon é uma palavra grega que significa membro. A interpretação aceita é a de que Cristoval Colon ou Cristóvão Colombo significa \'membro daqueles que vão por Cristo\'. É óbvio que este foi o nome iniciático escolhido por Colombo


Espantoso. É como se estes autores, na verdade, tivessem desde aquela época experiências como hoje conhecemos como as abduções e os contatos com seres extraterrestres. Pois é. Veja que As Viagens de Gulliver foram escritas em 1727, e os satélites de Marte foram descobertos pela ciência oficial em 1877. Phobos e Deimos, luas do Planeta Vermelho, giram sobre o plano equatorial com uma precisão rigorosamente matemática e descrevem órbitas circulares e não elípticas, como as dos astros que conhecemos. O professor Iosif Shklovsky, diretor da Estação de Radioastronomia do Instituto de Astronomia de Sternberg, na Alemanha, concluiu, após apurados estudos de cálculo sobre as irregularidades orbitais de Phobos, que este é um satélite oco e artificial, algo que Jonathan Swift já sabia um século e meio antes da sua descoberta. Como é possível?

E no século XX, quando teve início a Era Moderna dos Discos Voadores, o que você encontrou em suas pesquisas históricas e cronológicas? Centenas de casos, alguns muito interessantes. Nos anos 20, Balthasar van der Pol, cientista holandês, e Carl Stormer, técnico norueguês, tentaram enviar sinais de rádio em ondas curtas para o espaço. Refletidos pela ionosfera, foram reenviados para a superfície terrestre, regressando nesta um sétimo de segundo depois da sua emissão. Mas van der Pol e Stormer descobriram ecos que regressavam à Terra entre três e 30 segundos a partir da emissão. Algo parecido com o que o projeto Search for Extraterrestrial Intelligence [Busca por Inteligência Extraterrestre, SETI] faz — só que, neste caso, ocorreu um fenômeno inexplicável. Eles abandonaram o programa de investigação, que acabou tendo continuidade em 1972 com Ducan Lunan, que teve a idéia de transcrever para um papel milimétrico o resultado obtido. Foi surpreendente: cada série de ecos reproduzia no papel uma constelação muito nítida, facilmente identificável. Alguns sinais se referiam à Constelação de Boieiro, no hemisfério boreal. A estrela proeminente daquela constelação é Épsilon do Boieiro, também conhecida por Izar.

Há também as experiências de David Todd com Marte... Sim. Em 22 e 23 de agosto de 1924, o professor Todd, então astrônomo do Amherst College, dos Estados Unidos, tentou captar eventuais sinais oriundos de Marte, aproveitando a sua excepcional proximidade relativa ao nosso planeta. No momento da mais curta distância entre a Terra e Marte, o aparelho funcionou durante 30 horas. O resultado foi publicado no dia 27 de agosto daquele ano: de um lado da película observa-se, em preto e branco, uma disposição regular de pontos e riscos. Mas, no outro lado, com intervalos de meia hora, surgiu um grupo de sinais que formavam uma configuração, embora tosca, de um rosto humano. Seria um mero reflexo, como os cientistas explicam todos os sinais insólitos recebidos até hoje? Mas em 1924?

Pelo que vemos, os exemplos não param aí. Mas o que mais poderia nos falar a respeito? Muita coisa. Por exemplo, no dia 07 de junho de 1947, R. B. McLaughlin, comandante-chefe do campo de provas da Marinha dos Estados Unidos em White Sands, no Novo México, ordenou o lançamento de um foguete V-2 até as regiões superiores da atmosfera. Disparado o míssil, surgiram de imediato dois objetos discóides, um de cada lado do projétil. Instantes depois, um dos artefatos juntou-se ao outro, que permaneceu em vôo acompanhando o V-2. Apesar disso, a expressão “disco voador” foi usada pela primeira vez, por Kenneth Arnold, apenas mais de duas semanas depois, em 24 de junho de 1947. Como se sabe, naquela data Arnold descreveu nove objetos que viu no céu. E em seguida houve a queda de um UFO na fazenda de MacBrazel, em Roswell, também no Novo México. Isso ocorreu no dia 02 de julho de 1947 e foi acompanhado por mais de 150 pessoas, mas só após 30 anos o major Jesse Marcel quebrou o silêncio [Veja seção Diálogo Aberto da edição UFO 162]. A partir de então, os pesquisadores retomaram o que se conhece hoje como o caso mais significativo da Ufologia Mundial.

Parece que toda esta incidência teve origem com os experimentos atômicos norte-americanos, que eram concentrados durante o pós-guerra nos desertos do sul dos Estados Unidos, como no Novo México. Sim, tudo estava ligado ao poder reinante. Veja que a Casa Branca, em Washington, foi sobrevoada pela primeira vez por UFOs em 11 de janeiro de 1965. Em 09 de novembro do mesmo ano, em Nova York e em outros oito estados norte-americanos, houve um blecaute energético inexplicável, mas hoje sabidamente ligado a discos voadores. No total, uma área de 187.000 km quadrados, com mais de 30 milhões de habitantes, ficou sem luz elétrica, paralisada e em silêncio. O piloto Weldon Ross comunicou por rádio que viu uma esfera luminosa com mais de 30 m de diâmetro suspensa sobre a rede de alta-tensão que provinha das Cataratas do Niágara.

crédito: Gilbert Vanicci
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As fantásticas linhas de Nazca, no Peru, que só podem ser vistas do alto

Você também tem conhecimento de casos de astronautas ou cosmonautas que tiveram experiências com objetos voadores não identificados no espaço? Há diversos acontecimentos. As missões Apollo XI XVII, entre outras, foram acompanhadas por UFOs, havendo imagens filmadas dos artefatos. O cosmonauta Alexander Balandine [Que esteve no Brasil para o I Fórum Mundial de Ufologia, em 1997] afirmou que discos voadores se aproximaram da Mir, a terceira geração de estações espaciais russas, afundada no Oceano Pacífico em março de 2001, e do Cosmódromo de Baikonur. Ele declarou que há dados suficientes para levar a cabo um estudo científico do Fenômeno UFO. “Na Rússia temos provas claras da existência dos UFOs, cabendo aos governos reconhecerem-nas oficialmente”, disse. O cosmonauta Musa Manarov também relatou um objeto brilhante e cilíndrico próximo da Mir. Os casos são inúmeros [Veja detalhes no livro UFOs na Rússia, código LIV-023 da coleção Biblioteca UFO. Confira na seção Shopping UFO desta edição e no Portal UFO: ufo.com.br].

No espaço e também no solo, na então União Soviética... Sim, como ocorreu em 05 de fevereiro de 1997, a 200 km de Moscou, na Academia de Defesa Antiaérea do Exército Russo, já nos tempos recentes. Na ocasião, o governo do país declarou oficialmente: “Os UFOs existem e tem havido uma ingerência de sua parte na vida militar e civil russa”. Esta afirmação foi acompanhada pela liberação de fotos e filmagens de UFOs capturadas no espaço e dentro da atmosfera. Junto de instalações de armas nucleares russas também foram fotografados e filmados vários desses objetos. O mesmo já ocorreu no Ocidente, levando o presidente Jimmy Carter, em 01 de julho de 1976, a declarar ao jornal Eva Express: “Quando eu for presidente, darei a conhecer ao mundo a existência dos UFOs. Há toneladas de material guardado secretamente nos Arquivos Nacionais e o público deve conhecer”.

Falando sobre casos ufológicos norte-americanos, o que você teria a nos dizer sobre a famosa Área 51? Bem, sabemos que em 28 de setembro de 1996 Bill Clinton finalmente reconheceu a existência da Área 51, fazendo-a responder exclusivamente do presidente dos Estados Unidos através da Ordem Executiva nº 96/54, Determinação 6961-A. Mas isso não acabou o sigilo sobre aquela instalação militar, pois até seu lixo é classificado como “sigiloso” pelo período de um ano. Tudo isso passou quase despercebido, pois foi feito para coincidir “por acaso” com a estréia do filme Independence Day [1996], que aborda a existência da Área 51. Já em 25 de janeiro de 2004, em Ephraim, no Utah, o candidato presidencial independente Sterling D. Allan, em seu comunicado à imprensa, pediu abertamente para ser revelado o grau de interação entre o governo norte-americano e os visitantes extraterrestres, já afirmando haver um, assim como prometeu pôr fim ao ocultamento de informações. “Qualquer pessoa com um mínimo de inteligência pode ver que o governo oculta o grau de conhecimento que tem sobre as visitas de entidades extraterrestres ao nosso planeta e seu envolvimento com eles”.

Esta foi mesmo uma afirmação bombástica, ainda que partindo de um candidato com pouquíssimas chances. Sim, mas Allan foi mais duro e continuou: “A Área 51 é possivelmente o segredo mais conhecido do planeta. A quem o governo quer enganar quando diz que dita instalação não existe? É como se o presidente do Egito afirmasse que as pirâmides não existem. Se o que estão fazendo nesse lugar, e em outros, vai além dos limites da ética humana, então é algo para se acabar”. Mais contundente, impossível.

E o Vaticano, onde entra nesta história de acobertamento ufológico mundial? O caso do Vaticano é mais profundo. Todos aqueles que estão atentos à história sabem que, apesar de ter o menor território independente e soberano do mundo, o Vaticano tem demonstrado um enorme poder ao longo do tempo — principalmente até há pouco mais de um século. Todo império, reinado, principado ou ducado que não fosse reconhecido pelo Vaticano tinha, até então, graves problemas internacionais. Sem sua chancela, não seria respeitado. Durante séculos, se os próprios reis queriam alcançar poder e reconhecimento, além das suas decisões militares, políticas e estratégicas, inclusive de expansão, tinham de ter o reconhecimento do Vaticano. E sabemos que tais concordâncias e reconhecimentos estavam aliados a pagamentos de valores em dinheiro e concessões de terras, tudo de acordo com o tempo e a mentalidade reinante nas várias épocas em que isso se praticou. A partir de certa altura, no entanto, o Vaticano começou a perder seu poder e influência. Como é sabido por todos hoje, quem detém o conhecimento, tem o poder — e isso só é possível omitindo informações e guardando-as para serem utilizadas quando servirem para barganhas que garantam a sobrevivência da influência e do poder. Se juntarmos também à parte política, militar e científica da questão o conhecimento esotérico e iniciático de várias ordens, movimentos filosóficos e religiões, começamos a compreender minimamente o que devem conter os arquivos secretos do Vaticano. Para todo esse trabalho, é essencial a existência de dossiês individuais sobre elementos das várias organizações citadas, dos mais variados países. Isso sempre foi facilitado pela obtenção e transferência de informações provenientes das paróquias de todo o mundo até ao Vaticano, passando obviamente pelos bispados e episcopados. Noutras palavras, o Vaticano, presente em todo o mundo há séculos, tem se valido de sua estrutura para observar pessoas em posição de destaque a fim de usar tais informações para manter seu poder e influência.

Especificamente sobre a presença alienígena na Terra, o que você acha que o Vaticano sabe e não quer — ou não pode — dizer a seus fiéis? O conhecimento de que estamos sendo visitados por outras espécies cósmicas, mais avançadas do que nós, sempre foi algo que abalou o equilíbrio filosófico, religioso, político e militar de muitas nações, como ocorre até hoje. Imagine com o Vaticano! Como admitir ao povo a existência de algo que nem a própria Igreja explica? Como defender a população — que paga para ser defendida — de algo que nenhum rei ou presidente consegue explicar e nem as forças armadas conseguem controlar? Por isso, é louvável que o Vaticano já tenha começado certa abertura sobre a Ufologia, fazendo algumas declarações aqui e ali, coisa que muitos governos ainda não tiveram coragem de fazer. Não é por acaso que a Santa Sé possui um dos maiores observatórios astronômicos do mundo. E como estamos vendo, tem havido comentários cada vez mais ousados de vários de seus altos prelados sobre a possível existência de vida em outros planetas. A Igreja está preparando seus fiéis para a divulgação de certas verdades sobre a Ufologia, e tem feito isso da forma mais inteligente possível, contrariamente a outras potências.


Assim como ocorria na era dos descobrimentos, também a era espacial começou com um sonho daqueles que tiveram grandes idéias. Em ambas as situações foram necessárias vastos recursos e muita capacidade para implementá-la. Tanto os antigos argonautas de Portugal como os modernos astronautas dos Estados Unidos lutaram contra o desconhecido e as nações inimigas

Você conhece religiosos que tenham afirmado com todas as letras que estamos sendo visitados por outras espécies cósmicas? Em 1995 participei como convidado num programa de debates da rede de televisão RTP1, de Portugal, apresentado pelo jornalista José Rodrigues dos Santos, com o título Um Filme do Outro Mundo. No programa, além de mim e outros convidados, estava representando a Igreja Católica o padre jesuíta João Caniço, que afirmou: “Deus criou a vida na Terra e nos céus, ou seja, no firmamento. Só um mentecapto pensa que Deus é tão pequeno que tenha criado vida apenas aqui na Terra”. No decorrer do programa foi feita uma sondagem entre os telespectadores para saber se acreditavam no famoso filme da suposta autópsia extraterrestre de Roswell [Veja edição UFO 122]. O resultado deu que 68% acreditaram e 32%, não. Ficou bem explícito que, caso a votação fosse em relação à existência ou não de vida extraterrestre, 80% dos portugueses diriam sim — ou talvez 90%.

Onde você acha que isso irá nos levar? Acredita em uma revelação globalizada da realidade ufológica?
A humanidade irá, sim, saber a verdade sobre os UFOs. É questão de tempo. E o Vaticano, apesar de conhecer sempre mais do que imaginamos, está fazendo sua parte nesta preparação para a divulgação daquilo que ainda nos é omitido. Concordo que é necessário que esta revelação seja feita aos poucos, pois o pânico e medo poderiam transformar uma revelação milenar numa histeria perigosa e dificilmente controlável — além de explodir como reflexo negativo na economia mundial. Se o resto das potências seguir o exemplo do Vaticano em relação à Ufologia, então, por exemplo, a Equipe UFO não teria que gastar tanta energia na luta para a liberação governamental de documentos e todo o tipo de informação ufológica, como vem fazendo através da Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU), desde 2004. Muita luta está em andamento e continuará a ser feita também em outros países, incluindo Portugal. E poderemos um dia pedir ajuda a quem já deu um passo tão importante para a humanidade, quem sabe até uma colaboração direta do Vaticano, como governo e como ponte entre os mundos físico e espiritual.

Voltando às aparições marianas de Portugal, como você define essa “preferência”, digamos assim, delas por seu país?
Sobre as várias manifestações marianas em Portugal — palavra, por sinal, que vem de Porto de Paz ou Porto Graal —, devemos levar em conta a história desta nação. Pelos motivos que a seguir exponho, não concordo que Portugal seja privilegiado por estas aparições. Poderá haver de sua parte um “dever” de transmitir e infectar positivamente o resto do mundo com suas mensagens. Sentimentos de orgulho e nacionalismo não têm sentido, pois deverão dar lugar a um espírito de união planetária. Em todas as manifestações marianas de meu país, a mensagem é dada para o mundo, e não apenas para os portugueses. Desde 1300 que Portugal é palco de inúmeros fenômenos como esses, e as muitas ermidas com nomes de Nossa Senhora aqui são um denominador comum. Nossa Senhora da Luz, Nossa Senhora das Preces, Nossa Senhora das Candeias etc. No caso desta última, o nome foi dado devido às luzes que apareciam sobre o monte onde está instalada a capela. Que luzes eram? As aparições marianas em Portugal são a raiz de um povo habituado ao fenômeno. Montei numa tabelinha uma relação das aparições mais importantes.

crédito: Arquivo UFO
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Veja os locais onde foram registradas as aparições

São tantos casos que um assunto assim não pode ser desprezado. Sim, e como já dizia Fernando Pessoa, “em Portugal só se nasce por missão ou por castigo”. O povo português, ao longo da sua existência, sempre teve um espírito de missão. Até o Quinto Império, tão descrito por vários escritores e filósofos, temos a impressão de que poderia ter havido um projeto de unificação planetária. E para seu desenvolvimento, nenhum local seria melhor do que a Luxcitânia [Lux = luz, citânia = cidade]. A Lusitânia ou Portugal surgiu como uma província romana, derivando de uma reorganização administrativa e militar daquele império, feita por Augusto César em 29 a.C.. Pouco se sabe sobre os lusitanos e também são quase desconhecidos os profetas portugueses.

É verdade. Quem são esses profetas? Entre os mais marcantes destaca-se Gonçalo Anes, também chamado de Bandarra ou de “O Nostradamus Português”. Nasceu em 1500 e foi sapateiro em Trancoso. Bandarra foi o mais célebre profeta lusitano, chegando a ter o apreço do padre Antônio Vieira e de Fernando Pessoa. Foi também condenado pela Inquisição, mas o único que escapou à sentença de morte. Temos ainda Luis Dias, alfaiate de Setúbal condenado pela Inquisição em 1541, Afonso, “O Adivinhão”, igualmente sentenciado em 1582, e Pedro Afonso, condenado em 1584. E não podemos nos esquecer de João Lopes, “O Idiota”, que também foi condenado em 1638, como os demais, e Lúcia dos Santos, pastora na Cova Iria que presenciou os fenômenos de Fátima, tornou-se freira e viveu na clausura até a sua morte.

Como o povo português, extremamente religioso, trata hoje a questão das aparições marianas? Os fenômenos marianos e as profecias que aqui se manifestaram deixaram uma responsabilidade ao povo português que deve ser examinada, porque a mensagem que conteve é universal e sem fronteiras religiosas. Um estudo ufológico deste tipo de ocorrências já foi abordado pela Revista UFO, especialmente na edição 157, de setembro de 2009, em meu artigo intitulado Um Chamado à Verdade. Em Fátima a mensagem foi dirigida tanto para o Oriente quanto para o Ocidente, local de origem muçulmana que ficou ligado ao Cristianismo. Não por acaso, Portugal está nos planos secretos do Vaticano. Vejamos também a ligação destes planejamentos com a Ufologia, com relatos de avistamentos militares constantes no país. Há séculos está escrito em profecias e em outros livros — entre os quais o célebre Os Lusíadas — o que agora acaba de ser divulgado: a mudança do papa e seus planos para Portugal.

Como assim, mudança do papa? O Vaticano se transferirá para Portugal? Certamente. Na edição de 23 de abril de 2009 do jornal Correio da Manhã, o diário mais lido do país, há um artigo escrito por Secundino Cunha em que foi descrito o que já havia sido publicado um dia antes no jornal britânico Daily Telegraph: “Foi revelado que a Santa Sé esteve quase para se mudar para Portugal”. Ali é exposto que, no decorrer da Segunda Guerra Mundial, Hitler fez a promessa de raptar Sua Santidade, o então papa Pio XII. Mas, mesmo antes da ameaça, a Santa Sé já tinha planos para que a estrutura do Vaticano fosse transferida para Portugal, dado que era um país neutro naquela época, e fosse eleito um novo papa. Os documentos dessas maquinações estão nos arquivos secretos do Vaticano e foram parcialmente divulgados. Até aqui, não há nada de excepcional. Afinal, os prelados tratavam da segurança e de manter vivo o trono de Pedro Apóstolo. O curioso é que isso já se prevê há séculos. A primeira pessoa a estabelecer um paralelo entre Lisboa e Roma, com base nas sete colinas, foi frei Nicolau de Oliveira, em 1620. Sobre a translatio imperii [Translação do império], essa doutrina remonta ao século XV, descrita por Ricardo de Fornival. Ele escreveu que a sede da Igreja do Pai fora Jerusalém e a do Filho, Roma. Onde se situará então a Terra Santa vindoura, também chamada de a Terra do Espírito Santo? Os franciscanos identificam-na com Alenquer, localidade portuguesa no sopé da Serra de Montejunto, pois no modelo judáico-cristão-islâmico Alenquer representa a imagem da teofania [Revelação divina] da Cidade Santa como capital do V Império — um império espiritual que unificará as diferentes religiões e que se manifestará sucessivamente do Oriente para o Ocidente, sendo marcado por três fases ou idades: do Pai, do Filho e do Espírito Santo.

Interessante. Há muitos segredos ainda mantidos pela Igreja, mas vários têm sido decifrados nos últimos séculos e décadas por intelectuais e religiosos. Como você vê o futuro de tais revelações e onde elas nos levarão? Este é um tema fascinante. A profecia do V Império começou com um sonho de Nabucodonosor, que também é descrito no segundo capítulo do livro bíblico de Daniel. O padre Antônio Vieira, o abade Joaquim de Fiore, os já citados Bandarra e Fernando Pessoa, entre outros, também falaram desse império, sugerindo que traria paz, justiça e santidade por mil anos, como está descrito no livro do Apocalipse. Camões também tinha Lisboa como a nova Roma nos Lusíadas: Via todo o céu determinado / De fazer de Lisboa nova Roma / Não o podendo / Estorvar que destinado / Está de outro poder que tudo doma. Mergulhado neste espírito, e após vários encontros com um eremita que vivia numa gruta — onde, sobre a entrada da mesma, foi edificado o Altar da Basílica —, o rei dom João V mandou erguer o Real Convento de Mafra, em 1717, em que a cerimônia da primeira pedra foi puramente maçônica. Nesse palácio foram colocados dois carrilhões com 92 sinos, pesando cerca de 217 toneladas. Também está ali uma das mais importantes bibliotecas portuguesas, com mais de 40 mil livros. São franciscanos que administram o palácio, que também tem uma orientação muito especial, com sua entrada voltada para o Oriente. A certa distância, em linha reta, podemos encontrar uma formação circular megalítica secular. Há também um túnel que liga o palácio à Ericeira, de onde o rei dom Manuel II teria escapado para embarcar ao Brasil, então Terras de Vera Cruz.

Mas sua existência está mesmo confirmada? Sim. Este é o único edifício sagrado do mundo, criado para albergar o papa e toda a cúria romana. Seus cardeais têm lugar na basílica, que é a parte central, ladeada por duas torres. Só existem 12 cardeais patriarcas no mundo e Lisboa tem um deles, o único que tem os mesmos direitos que o papa de ser transportado numa cadeira levada nos braços.

Mas que relação tem estas revelações com a Ufologia? Mafra é parte da Serra de Sintra ou do Monte da Lua, muito próximo da Ericeira. Na minha última pesquisa, obtive o relato do avistamento de um UFO e de seres vindos do mar, além de visões de ondas gigantes. Como já falei, em Portugal há inúmeros avistamentos envolvendo objetos submarinos não identificados e estranhas criaturas. E não há dúvidas de que a região onde está Real Convento de Mafra é um dos mais significativos hotspots ufológicos de Portugal [Pontos quentes]. Já Alenquer, apontada como o presumível local da nova Cidade Santa ou capital do V Império, é onde temos os melhores, os mais interessantes e bem estudados avistamentos ufológicos.


Em meus estudos sobre a Maçonaria descobri que os mapas de Piri Reis foram roubados de uma caravela portuguesa. Antes, foram usados por Colombo para alcançar a América. A tecnologia utilizada pelos descobridores portugueses me leva a perguntar se teriam as sociedades iniciáticas sido contatadas por alguma civilização mais evoluída vinda do espaço?


Teria algum caso em especial, ali ocorrido, para nos narrar? Sim. Um bom exemplo é a célebre experiência do comandante Júlio Guerra, então tenente-aviador e instrutor da Força Aérea Portuguesa (FAP), que durante um vôo de treinamento, em 1982, viu um UFO de formato circular por mais de 20 minutos. O objeto subiu de repente para 1.500 m de altitude, altura em que se encontrava a aeronave de Guerra. “Tratava-se de um objeto que parecia uma grande bolha de mercúrio, constituída por dois hemisférios, sendo o inferior de cor avermelhada, metálica e brilhante”, conforme sua descrição. “Na junção das duas metades e no sentido equatorial havia uma espécie de protuberância com aproximadamente dois metros de diâmetro”, relatou. Houve evoluções e acelerações incríveis por parte do UFO e, feitos os cálculos, descobriu-se que o mesmo deslocou-se a uma velocidade média superior a 2.500 km/h.

Este é um clássico da Ufologia Portuguesa. Poderia nos dar mais detalhes? Foram testemunhas do fenômeno, também, os então tenentes Carlos Garçês e António Gomes, que ao ouvirem o relato de Guerra via rádio, dirigiram-se com seus aviões para o local e também observaram o UFO fazendo evoluções. Por incrível que pareça, o tenente apontou o nariz do seu avião em rota de colisão com o objeto para ver sua reação. Mas antes do inevitável choque o objeto desviou-se rapidamente, fazendo uma curva a grande velocidade para sudoeste e sumindo do campo de visão dos três pilotos. O incidente se passou em 02 de novembro de 1982, entre as 10h50 e as 11h15, e os aviões saíram da Base Aérea de Ota, em Alenquer.

Apesar de este ter sido semelhante a um caso que tivemos no Brasil, intitulado Noite Oficial dos UFOs, há outros tão importantes que justifiquem a fama da região onde foi construído o Castelo de Mafra? Sim, há muitos registros, especialmente de militares. Aliás, a região é onde se encontra uma das mais importantes instalações de radares para uso militar no país. Dentro e fora da Base Aérea de Ota ocorreram manifestações interessantíssimas, como as descritas por Heitor Morais, então operador de radar. Morais nos relatou desde um contato de terceiro grau nas proximidades da base até detecções pelos equipamentos, que ficaram na história, como o de uma esquadrilha de quatro caças em vôo noturno que vinha de Córdoba, na Espanha, para Ota, em 04 de setembro de 1957, comandada pelo então capitão Lemos Ferreira. A 8.500 m de altitude os pilotos viram uma esfera que reduziu de tamanho umas 20 ou 30 vezes, ficando apenas um ponto. Pouco depois, observaram uma forma semelhante a um dedo, na vertical e ligeiramente curvado. Tinha cor amarelo-avermelhada e passou à esquerda da esquadrilha. Depois, dois pontos luminosos destacaram-se do objeto em forma de dedo e a eles se juntaram mais dois, perfazendo quatro. Tinham todos a forma esférica e suas posições no céu variavam. Tudo isso durou entre 25 e 30 minutos. De repente, os objetos foram em direção aos aviões e apenas não colidiram por acaso. “Quando puxei o caça para cima e para a esquerda, já não vi mais nada”, recordou Ferreira.

Os pilotos tiveram permissão para relatar os fatos? Sim, ao chegarem, os quatro pilotos foram autorizados a escrever um relatório do sucedido e o capitão Ferreira fez questão de que fosse assinado por todos. Esse caso é acompanhado de uma descoberta posterior: dois oficiais que caçavam nas imediações da Base Aérea da Ota na mesma noite afirmam terem visto luzes estranhas na direção de Coruche, local onde se deu o incidente com os aviões, e o Instituto Geofísico de Coimbra registrou grandes alterações no campo magnético terrestre na hora da observação noturna. O capitão Ferreira chegou a general e foi chefe do Estado-Maior das Forças Armadas Portuguesas.

E o Vaticano sabia da elevada incidência sobre aquela região, a ponto de sentir-se atraído por ela? Sim, sabia muito antes da Segunda Guerra Mundial, uma vez que os relatos de avistamentos ufológicos se perdem na história da região — embora sempre encarados como aparições marianas. Para se estudar esta fenomenologia não devemos nos limitar aos incidentes mais recentes, tem de haver um estudo dos locais dos fatos, de sua história e circunstâncias etc. Não é por acaso que nestes locais existem templos pagãos, sobre os quais a Igreja construiu outros de sua denominação, como aconteceu em Sintra e Mafra. Tenho certeza de que o Vaticano tem as respostas para o Fenômeno UFO e a razão da alta incidência nestes hotspots. Pena que seus arquivos secretos, assim como os de outros governos europeus e do resto do mundo, ainda não estejam abertos como deveriam. Fátima, por exemplo, continua como um grande mistério. Até na planta arquitetônica do Mosteiro da Batalha, que é perto de Fátima — e outra construção puramente maçônica —, podemos ver o formato de uma chave, orientada para aquela cidade. O homem moderno se imagina mais avançado do que os “atrasados homens do passado”, mas esta é uma ilusão da nossa sabedoria, além de errônea, e serve para obscurecer os grandes feitos seculares. Será que foi fácil inventar a matemática e a álgebra? Não foi, mas elas existem há milênios. A fórmula para se encontrar a área de um triângulo já era conhecida 200 anos antes de Cristo. Qual de nós a conseguiria inventar hoje?

crédito: The photographer
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O Vaticano, com instalações seculares em praticamente todos os países do mundo, seria detentor de fantásticas informações sobre a presença alienígena na Terra

Considerando um incremento do Fenômeno UFO, especialmente depois da década de 40, qual é sua leitura das mensagens deixadas por seus tripulantes aos supostos contatados? Bem, segundo aqueles que se dizem contatados, pelo menos após as primeiras experiências com energia nuclear, que resultaram na fabricação da bomba atômica, a principal mensagem deixada por nossos visitantes versa sobre o uso e abuso deste poder, além de outras formas de poluição que podem colocar em risco não só a sobrevivência do nosso planeta, mas também a vida de seres em outros cantos do universo [Veja detalhes no livro Contatados, código LIV-018 da coleção Biblioteca UFO. Confira na seção Shopping UFO desta edição e no Portal UFO: ufo.com.br]. E o pior é que as potências nucleares sabem disso e omitem esta informação descaradamente. Por exemplo, o relatório da Contadoria Geral dos Estados Unidos, datado de 30 de julho de 1995 e relativo ao Caso Roswell, concluiu que desapareceu misteriosamente toda a correspondência trocada entre a Base Aérea de Roswell e o quartel-general da Força Aérea, em Washington, entre outubro de 1946 até dezembro de 1949. Isso significa que desde a década de 40 informações vêm sendo omitidas. Assim, a resposta sobre a interferência do Fenômeno UFO no ser humano é mais do que evidente. Caso esteja associado a seres que nos visitam, algumas vezes deixando sua mensagem de forma a nunca nos abandonarem, devemos mudar muito a forma de pensar nossa vida e destino. Se com toda a tecnologia já demonstrada por eles seu objetivo fosse de nos fazer mal, já o teriam feito. Desta forma, o que podemos constatar é que, se somos realmente visitados por extraterrestres, eles estão tratando nosso planeta como quem trata de um jardim, observando seu crescimento sem intervir em nosso livre arbítrio, ou somente em casos extremos. Nenhum jardineiro quer ver o seu jardim destruído e um verdadeiro profissional da área chega a falar com suas plantas, ajudando-as a crescer.

Mas para se chegar ao âmago do Fenômeno UFO é nec

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