ENTREVISTA

Agroglifos são mensagens de paz e esperança para a humanidade

Por Gary King | Edição 253 | Dezembro de 2017

Embora estranhas figuras em campos de cultivo tenham sido relatadas desde o século XVII, foi apenas no século XX que os hoje famosos círculos nas plantações ou agroglifos ganharam número e notoriedade. Mas desde as mais formas simples já registradas, como um único anel em uma plantação de trigo, até as figuras de grande complexidade que passaram a surgir dos anos 90 em diante, as imagens nunca foram realmente explicadas de forma satisfatória.

Ao longo dos anos, várias pessoas se apresentaram como autoras das figuras e ficaram conhecidas como circlemakers [Fazedores de círculos]. A questão é que, quando comparamos as figuras criadas por elas com aqueles que surgem inexplicavelmente em poucas horas, há disparidades gritantes em suas características — há variações biológicas e bioquímicas, alterações eletromagnéticas, diferenças na forma como as plantas são curvadas dentro e fora da figura, na acidez do solo, no posterior crescimento da vegetação e, como mostrou recentemente a pesquisa feita pela Revista UFO em um agroglifo brasileiro, há até a completa esterilização do ambiente interno da figura.

Os autores e o método empregado para criar os agroglifos nos campos ainda são um completo mistério e muitos pesquisadores acreditam que o assunto nada tenha a ver com UFOs e seres extraterrestres, mas com meteorologia ou física. A verdade, porém, é que é difícil, quando vemos as figuras, aceitar que não houve ali o envolvimento de uma avançada inteligência e que as formas escolhidas para cada figura não foram propositais. E temos ainda que compreender por que os agroglifos existem. Seriam um sinal, uma mensagem ou um alerta vindo de outro lugar?

Formas e fórmulas

O entrevistado desta edição é alguém que há décadas pesquisa, estuda e disseca a geometria, a matemática e a esquematização existente por trás dos agroglifos em seu país. Ele visitou seu primeiro agroglifo em 1990 e, depois do que observou em uma plantação de trigo, nunca mais deixou a região de Wiltshire, no interior da Inglaterra, onde reside até hoje — o local é o maior hot spot do mundo do fenômeno. Arquiteto, inventor e professor, Michael Glickman levou para o universo dos agroglifos a riqueza da experiência prática de se projetar e manipular matéria sólida.

Em seus quase 30 anos de envolvimento com as figuras, ele também fez da desconstrução das figuras das plantações uma verdadeira forma de arte. Glickman explica que desmontar os agroglifos em seus elementos ajuda a melhor compreender seu simbolismo e suas propriedades geométricas. Ninguém adotou esta linha de pesquisa como ele. Como resultado, seu trabalho sobre a geometria dos círculos é respeitado por pesquisadores do mundo inteiro, o que lhe valeu o título de “geômetra dos agroglifos”. Glickman, entretanto, refuta o título e afirma categórico: “Sou apenas um percebedor”.

Crédito: CIRCLEMAKERS

Os chamados circlemakers até conseguem reproduzir os agroglifos, mas sem os efeitos insusitados que estes apresentam

O pesquisador é pessoa muito querida e influente no mundo dos agroglifos, especialmente na Inglaterra. Frequentemente franco e às vezes polêmico, mas sempre com uma inteligência aguda, é reconhecido por suas inspiradoras conferências e artigos, e ocupa há muito tempo um espaço central na pesquisa sobre o fenômeno. Atualmente, em razão de sua frágil saúde, nosso entrevistado tem procurado se deslocar menos, mas continua visitando todas as formações que lhe são possíveis.

Além de ter escrito muitos artigos sobre os agroglifos, incluindo algumas importantes contribuições para a excelente revista The Cereologist, ele também é autor de sucesso. Seu primeiro livro, Crop Circles [Agroglifos. Wooden Books, 1996], já está em sua terceira edição. Ele também é autor de Cornography [Milhografia. Squeeze Press, 2007] e, mais recentemente, de Crop Circles: The Bones of God [Agroglifos: Os Ossos de Deus. Frog Books, 2009]. Seus artigos em publicações e sites são incontáveis.

Dono de um conhecimento acima da média sobre design, geometria, matemática e planejamento de estruturas, Michael Glickman ofereceu à pesquisa dos agroglifos um olhar extremamente técnico, útil e rico ao longo dos últimos 27 anos. Hoje, porém, ele julga “insuficiente” a análise que sempre fez do fenômeno — sua visão em relação às formações não apenas mudou, mas se transformou por completo. “Para mim, o que antes era algo técnico e exato, hoje assemelha-se mais a uma contemplação meditativa”, diz.

Transformação interior

Muitas das figuras que surgiram nas plantações durante as últimas três décadas eram mandalas, e mandalas, como sabemos, têm um profundo efeito no espírito humano, induzindo-nos a um estado de espírito mais calmo e pleno. Com o passar dos anos, seu efeito, dizem os budistas, é o de transformar consciências, fazendo com que percebamos o mundo de forma diferente. E foi exatamente isso que aconteceu com o pesquisador que hoje nos concede esta entrevista exclusiva.

É claro que não podemos dizer que a mudança em seu entendimento dos agroglifos tenha ocorrido por influência destes, mas também não podemos descartar essa possibilidade. “Tudo o que se relaciona com as figuras nas plantações é misterioso e tem um ar de encantamento”, afirma Glickman. Para ele, isso se deve não apenas às formas desenhadas nos campos, mas também à intenção de seus autores. “Creio que haja um elemento inspirador embutido nas figuras”.

Penso que tudo o que estudei e fiz em minha vida foi uma preparação para agroglifos, pois eu uso neles todo o meu conhecimento. E preciso dizer que continuo tão maravilhado quanto fiquei 27 anos atrás, quando pisei em uma formação pela primeira vez.

Interessado desde criança por tudo o que fosse insólito, misterioso e inexplicado, Michael Glickman lia um pouco sobre tudo, mas sem se aprofundar em nada. Ele via seus interesses apenas como uma distração. “Hoje, muitas vezes penso que tudo o que estudei e fiz em minha vida foi uma preparação para agroglifos, pois eu uso neles todo o meu conhecimento como pessoa. E preciso dizer que continuo tão maravilhado quanto fiquei 27 anos atrás, quando pisei em uma formação pela primeira vez”.

Na entrevista a seguir conheceremos mais sobre este dedicado e querido pesquisador, cujo entendimento filosófico das formações vai muito além do que se costuma ler e conhecer sobre o assunto. Firme, porém gentil, Glickman nos mostra o tamanho e a profundidade do mistério que envolve as figuras nas plantações e o quanto podemos aprender e nos desenvolver espiritualmente se nos permitirmos perder o medo e sentir aquilo que as imagens nos dizem.

Quando o senhor começou a se interessar pelos agroglifos?

Sou arquiteto por formação e sempre me interessei em saber como as coisas são feitas. Sempre gostei, e ainda gosto, de fazer coisas, de montar coisas. Eu também fiz muitos projetos de engenharia e de desenvolvimento de produtos, coisa que me interessa bastante. Tive sempre muita curiosidade quanto à produção de filmes e sobre o cinema em geral. Meus três filhos trabalham com isso e sempre estive de alguma forma próximo de estúdios de efeitos especiais e truques cinematográficos. Minha formação me aproximou das formas, dos números e da geometria, e, como ser humano, sempre gostei do insólito, do diferente e do misterioso.

Incluindo os agroglifos?

Sim. Na verdade, eu acompanhava o aparecimento das formações pelos jornais e revistas, até que em julho de 1990 vi a fotografia de um agroglifo no jornal e comentei com meu filho mais novo que iria até Wiltshire para ver o desenho pessoalmente, e ele também se interessou. Naquela época eu me orgulhava em saber como as coisas eram feitas, mas era prepotente a ponto de acreditar que podia explicar qualquer processo de produção. Porém, quando entrei naquele agroglifo, fui inundado por uma sensação de espanto e encantamento que nunca havia sentido — não fazia ideia de como aquela figura fora feita, por quem e nem qual era seu propósito. Eu estava totalmente maravilhado e continuo sentindo isso até hoje. É algo além das palavras.

O senhor comentou que às vezes pensa que tudo o que fez em sua vida profissional foi uma preparação para os agroglifos. Gostaria de explorar um pouco isso, porque, mesmo com toda a sua formação técnica, o senhor se deixou maravilhar. Isso é raro.

Na verdade, apesar de minha formação técnica, eu nunca tive uma formação acadêmica científica, que castra o espírito humano para uma série de fenômenos. Eu não sou contra a ciência de forma alguma, mas sou contra o cientificismo. Ele amputa a coragem e a imaginação das pessoas, mantendo-as trancadas por uma grossa e alta muralha de concreto, onde aquilo que não pode ser replicado e estudado em laboratório não existe. Para o cientificismo não existe o amor, não existe a arte e não existem muitas outras coisas, incluindo-se aí os agroglifos, os UFOs, os seres extraterrestres e uma série de fenômenos que são reais, mas inexplicados. O cientificismo é o pior tipo de fundamentalismo que existe, porque poda o espírito humano, dizendo a ele o que pode ou não ser feito, o que é real e o que não é. É realmente um desastre. Isso não é ciência, isso é limitação.

Crédito: CROP CIRCLE CONNECTOR

Alguns agroglifos imitam com sua forma elementos geométricos que conhecemos em nosso cotidiano, como uma mandala

O senhor tem alguma ideia da razão de os agroglifos terem começado na Inglaterra?

Bem, eu suponho que as coisas tenham que começar em algum lugar e, coincidentemente ou não, as figuras começaram no encantador vale de Wiltshire, na Inglaterra. Eu não acredito que seja importante o local onde o fenômeno começou a ocorrer, mas a forma como ele agregou pessoas de vários cantos do mundo. E hoje, como sabemos, os agroglifos surgem em muitos outros lugares e continentes.

Mas mesmo eles surgindo em vários locais diferentes, as pessoas não parecem ser afetadas. O que pensa sobre isso?

O que posso dizer sobre a teimosia de nossa espécie? Somos movidos quase que totalmente por nossa necessidade de sobrevivência — esse é o nosso dínamo, o que nos impulsiona. E boa parte desse dínamo implica em as coisas fundamentais permanecerem sempre iguais. Aqui falo sobre religião, sociedade, governo etc. Isso é uma tarefa impossível, mas nós tentamos empreendê-la porque a mudança nos apavora. A quantidade de terror que existe na ideia de uma mudança é tão grande que chega a ser paralisante. E por isso resistimos.

O que está dizendo é que os agroglifos são um agente de mudança?

Não os agroglifos, mas o que está por trás deles. São as implicações desses imensos desenhos que surgem nas plantações que apavoram as pessoas, em cujo inconsciente está a ideia de que, se eles realmente forem verdadeiros, foram obrigatoriamente criados por inteligências não humanas. Assim, a ideia de mundo acaba mudando, uma vez que se está diante da possibilidade de que outros seres também atuam em nosso ambiente.

Então os agroglifos seriam um desafio ao nosso medo, à nossa falsa impressão de segurança?

Não creio que eles sejam feitos com esse objetivo, mas são vistos assim, embora ninguém diga isso abertamente. Repetindo: se os agroglifos não são feitos por mãos humanas, quem os faz? Essa resposta destruiria ou ao menos abalaria muito fortemente a ciência, as religiões, a filosofia, a história, a psicologia etc — e as pessoas não querem isso. Embora não na mesma proporção, já houve situações parecidas e nós reagimos às mudanças enquanto pudemos.

Para o cientificismo não existe o amor, não existe a arte e não existem muitas outras coisas, incluindo-se aí os agroglifos, os UFOs, os extraterrestres e uma série de fenômenos reais, mas inexplicados. É o pior tipo de fundamentalismo que existe.

Pode nos dar um exemplo?

Claro. Vou citar um fato histórico sobre como as pessoas temem as mudanças. Alguns anos depois de os irmãos Wright voarem pela primeira vez, o presidente da Sociedade Aérea Britânica, que na época agregava pessoas que voavam com balões de ar quente, enviou uma carta a seus associados para tranquilizá-los. Ela dizia que “todos vão ouvir notícias vindas dos Estados Unidos sobre pessoas que estariam voando em aparelhos mais pesados do que o ar. Por favor, não acreditem nisso. O que eles afirmam é impossível de ser feito”. As pessoas tiveram uma reação de alívio e agradeceram ao presidente da Sociedade por lhes assegurar que nada seria mudado em seu mundo e em suas vidas. Mas o mundo mudou, e mudou drasticamente, como sabemos.

E o mesmo acontece em relação aos agroglifos?

Sem dúvida. Você acha que as pessoas querem pensar nas implicações que trariam a maior mudança cultural e social de todos os tempos para a humanidade? É claro que não! É muito mais fácil dizer que tudo não passa de fraudes e invencionices e continuar vivendo a vida de todos os dias, seguindo uma rotina aparentemente segura.

Falando em fraudes, qual é sua opinião sobre elas no fenômeno dos agroglifos?

Eu não gosto de falar sobre esse assunto pois o considero uma enorme perda de tempo. Mas posso lhe afirmar com toda certeza que as únicas pessoas que alegam que as figuras nas plantações são fraude são justamente aquelas que não sabem absolutamente nada sobre o assunto. Quem pensa assim nunca leu um livro sobre os agroglifos, nunca foi a uma palestra a respeito ou mesmo nunca assistiu a um documentário sobre o assunto. Estas pessoas não sabem de nada!

Mas nós sabemos que há figuras feitas por humanos.

Claro que há. Há até campanhas publicitárias feitas nas plantações imitando os agroglifos, que utilizam o impacto que estes provocam na sociedade para promoverem marcas, produtos ou datas comemorativas. Mas quando você estuda tais figuras e o modo como foram feitas, e compara os resultados com aqueles encontrados na produção de agroglifos verdadeiros, descobre que os resultados são muito diferentes.

Crédito: MARCELO FRANSOZI

Os agroglifos apresentam um conjunto de detalhes que não podem ser reproduzidos por humanos, o que os torna um enigma

Ainda em relação às fraudes, há alguns anos o senhor emitiu uma declaração muito interessante — a de que, “quanto maior a luz, maior a sombra que ela forma”. Poderia explicar essa declaração para nossos leitores?

Sim, eu me lembro disso. Foi em uma entrevista que ocorreu em um ano no qual surgiram muitos agroglifos falsos, mas que eram extremamente bem-feitos. Aquilo me chocou muito, mas não porque alguém tivesse feito tais desenhos com tanto capricho, e sim pela motivação que havia por trás de uma produção tão sofisticada. Eu me perguntava por que alguém faria desenhos para confundir as pessoas, para desacreditar o trabalho de tantos pesquisadores sérios e dedicados? Eu me lembro que comparei os circlemakers aos piratas da internet que espalham vírus e aos adolescentes que riscam a pintura de carros novos apenas para destruir algo belo. Não são pessoas boas. Quanto à frase que disse, eu comparei os agroglifos verdadeiros à luz e esses falsificares às sombras.

O senhor acredita que o fato de os circlemakers fazerem as figuras com tanta perícia ajudou a desacreditar o fenômeno?

Não vejo o fenômeno dos agroglifos como desacreditado. O que acontece é que, em razão de existirem os falsificadores, muitas pessoas que nunca quiseram realmente entender o que estava acontecendo arrumaram uma boa desculpa para descartarem o fenômeno. Isso é muito típico do ser humano, ou seja, usar a racionalização para protegê-lo do que não conhece. Eu já disse e repito: as únicas pessoas que alegam que as figuras nas plantações são uma fraude são aquelas que não sabem absolutamente nada sobre o assunto.

O senhor disse que os agroglifos ou aquilo que eles representam perturbam muita gente porque representam uma grande mudança. Exatamente de que mudança estamos falando?

Bem, essa é uma pergunta que implica em discutirmos outros conceitos antes. Mas, de forma geral, trata-se de uma mudança radical, de uma maior abertura em nosso entendimento do cosmos e da vida — uma mudança que nos permitirá não apenas contatar, mas conviver com outras espécies cósmicas de forma civilizada. O que é essa nova dimensão de realidade, não faço ideia. Talvez uma dimensão temporal ou uma nova postura mental. Eu realmente não sei, mas sei que caminhamos para isso. Na verdade, estamos em plena jornada e não fazemos ideia de que isso está acontecendo.

Quais são os outros conceitos que precisamos discutir?

Veja, a evolução é o caminho natural do universo. Tudo evolui, tudo se transforma. Nós estamos estacionados há muito tempo porque somos uma espécie difícil e teimosa. Temos um grande apego à violência e à morte, e nos julgamos melhores do que os outros. Não respeitamos o planeta, não respeitamos os animais e não respeitamos uns aos outros. Esse modo de ser nos colocou em um tipo de “quarentena evolutiva”, o que nos fez começar a questionar nosso comportamento. Hoje, dizem alguns estudiosos, nossa quarentena foi suspensa e nós retomamos nossa jornada.

Vamos ser claros: se os agroglifos não são feitos por mãos humanas, quem os faz? Essa resposta destruiria ou ao menos abalaria muito fortemente a ciência, as religiões, a filosofia, a história, a psicologia etc. As pessoas não querem nada disso.

Os autores dos agroglifos tentam nos ajudar de alguma forma?

Sim, eles estão fazendo o que podem. As figuras nas plantações não são uma conversa e nem uma mensagem, mas um comunicado, uma informação ou um gesto, digamos assim. A pesquisadora Patrícia Murray certa vez comparou os agroglifos com cartas de amor passadas por debaixo da porta, o que é uma imagem muito bonita e delicada. Para mim, eles confirmam a velha frase: “Os senhores não estão sozinhos”. Mais enfaticamente, eles parecem dizer: “Estamos aqui. Nós nos preocupamos e estamos assistindo os senhores”.

O senhor acredita que existam “camadas” de informações nos agroglifos, como parece ser a opinião de outros pesquisadores?

Bem, quando eu comecei a estudar as figuras, usei aquilo que eu conhecia de minha formação profissional, ou seja, arquitetura, matemática, geometria e design. Eu desconstruía as imagens para tentar entender como elas eram feitas, que tipo de planejamento e projeto havia nelas e que cálculos haviam sido aplicados às formações antes de elas se tornarem realidade. Mas, conforme o tempo foi passando, comecei a perceber que havia muito mais nos agroglifos do que apenas a geometria envolvida neles — e não estou me referindo a mensagens ou coisas assim, mas ao tamanho e à profundidade da execução dos desenhos e à imensa inteligência e habilidade de seus autores. Se um químico estudar as formações, encontrará informações químicas nelas. Já um engenheiro encontrará informações de engenharia, um agrônomo informações de agronomia, e assim por diante. Nesse sentido, creio que podemos dizer que há várias “camadas” de informações contidas nas figuras, para usar esta mesma expressão.

Como assim? Pode explicar melhor?

Hoje eu entendo que as figuras nas plantações não são apenas sinais, emblemas ou marcas que esperamos decodificar — cada círculo que descobrimos é, de fato, um ideograma denso. São símbolos profundos, com multicamadas nas quais seus autores podem manifestar instantaneamente uma infinidade de ideias interligadas. Por enquanto, para nós, os agroglifos são incompreensíveis, embora ao longo dos anos tenhamos intuído algumas pistas a perseguir. Mas imagino que nossa lentidão em entender e assimilar o fenômeno seja uma decepção para nossos “amigos” lá em cima.

Eu gostaria de explorar mais sua ideia quanto a entender as figuras. O senhor disse que há mais do que apenas geometria nelas. O que há, então?

De fato, tudo é questão de termos olhos para ver. Eu não via e muitas outras pessoas também não veem o que está por trás dos agroglifos, o que reforça que somos uma espécie teimosa e difícil, mesmo tendo em nós o divino, as artes, a filosofia. Nossa visão é curta e tendemos a olhar a árvore, não a floresta. O que estou querendo dizer é que, hoje, quando olho para um agroglifo, eu incluo em meu olhar o local onde ele está, a paisagem em torno dele, a forma como ele foi inserido naquela paisagem e o que isso nos mostra sobre seus autores. Quando percebi tudo isso, um novo mundo surgiu para mim. Agora sou mais um “percebedor” do que um pesquisador — eu simplesmente deixo que o agroglifo “fale” comigo e ouço o que ele diz.

Isso é bem filosófico...

Não, na verdade é algo muito prático. Você só precisa deixar os pensamentos de lado e “sentir” a figura, o ambiente onde ela está e a forma como foi colocada naquele espaço, sem ideias preconcebidas. Quando se faz isso, começamos a perceber que as formações não apenas surgem, mas são encaixadas naquele lugar e têm características que combinam com a paisagem ao redor — é uma questão de olhar e ver o que está ali. Olhar as fotografias, os filmes, e perceber como tudo se ajusta harmoniosamente, de uma forma tão perfeita que não seria possível ser feito por seres humanos.

Crédito: LUCY PRINGLE

Formação perto do Radiotelecópio de Chilbolton, entendida como uma resposta a uma mensagem enviadas por nós em Arecibo

Em uma entrevista recente o senhor falou dos agroglifos como sendo “portais da hospitalidade”. Pode explicar isso para nossos leitores?

Isso tem a ver com o que disse antes, sobre perceber as formações mais do que analisá-las geometricamente. Em 1994, por exemplo, surgiu em Wiltshire um agroglifo totalmente baseado em geometria, que ficou conhecido como “Flor da Vida”. Coincidentemente, eu estava naquela região quando a formação surgiu e, claro, fui até lá para vê-la. Ao entrar naquela figura, fui invadido por uma avassaladora sensação de boas-vindas — naquele momento percebi que a formação tinha algo diferente de todas as outras que eu visitara anteriormente. Algo me atraía, me puxava para dentro do desenho e eu me senti muito intrigado com aquilo.

O senhor descobriu o que havia de especial naquele agroglifo?

Ah, sim. Quando comecei a analisar a geometria da figura eu percebi algo extraordinário: o agroglifo havia sido feito de forma a permitir que entrássemos e caminhássemos por ele sem precisar danificar a plantação em volta. Havia pequenas aberturas nas junções dos arcos da formação, que funcionavam como verdadeiras passagens. Por isso eu as chamei de “portais da hospitalidade”. Você imagina o quão incrível, habilidoso e difícil é realizar algo assim? E em uma escala enorme, porque a figura era muito grande. Até hoje fico abismado com a delicadeza e o carinho dos autores em nos fornecerem uma passagem segura, sem danificar as plantas, para conhecermos sua obra. Um humano teria toda essa consideração?

O senhor encontrou esses portais da hospitalidade em outras figuras que investigou? Onde?

Sim, em muitas. Mas tudo é uma questão de perceber. Quando abrimos os olhos, vemos o que sempre esteve lá. Isso é interessante porque em um outro agroglifo, este de 2008, tivemos uma lição diferente. A Flor da Vida de 1994 nos convidava a entrar, a caminhar por ela, mas a formação que surgiu em julho de 2008, em West Woods, nos mantinha fora de seu centro, que estava todo fechado por uma barreira de pés de trigo com quatro metros de altura. Aquele espaço claramente não fora feito para nós, mas sim, acredito, para outras formas de energia. O círculo central do agroglifo, que era belíssimo, era composto por quatro braços ondulados, justamente para permanecer fora de nosso alcance — era quase que um espaço sagrado, um santuário, algo que não devíamos “contaminar”.

E o que houve?

Você pode imaginar o que houve, conhecendo o ser humano como conhece. Simplesmente, um homem que estava ali visitando a formação viu aquilo como um desafio à sua vaidade e quis mostrar que era melhor do que os criadores da figura, dizendo que conseguiria entrar no círculo. E entrou! Mas, ao entrar, rompeu algo que não devia ser rompido, e sim preservado. Há uma grande lição filosófica em tudo isso e nós ainda somos muito pequenos em relação ao tamanho das lições que recebemos. Particularmente, penso que aquele agroglifo foi um teste para que seus autores pudessem avaliar nosso desenvolvimento. E nós falhamos.

O senhor acredita que os autores sabiam de antemão que nós não passaríamos pelo teste?

Eu acredito que sim, porque, se são gentis a ponto de nos comunicarem que estão aqui e se importarem conosco — apesar de conhecerem o doloroso processo pelo qual passamos —, devem saber muito bem quais são nossas fraquezas.

Afirmo com toda certeza que as únicas pessoas que alegam que as figuras nas plantações são fraude são justamente aquelas que não sabem absolutamente nada sobre o assunto. Quem pensa assim nunca leu um livro sobre os agroglifos.

O senhor falou em um processo doloroso. Isso é parte de nossa transformação?

Ah, sim. Embora eu acredite que estejamos indo em direção a uma existência melhor e mais pacífica, isso não significa que a travessia seja fácil e indolor. Eu realmente espero que todo esse sofrimento que vemos diariamente ocorrer em nosso planeta seja um sinal de que estamos perto do ponto de virada.

Voltando àqueles agroglifos, há mais alguma coisa que o senhor gostaria de comentar?

Sim. Ainda na mesma linha a qual me referia antes, sobre “perceber” os agroglifos desde suas nuances mais sutis, gostaria de ressaltar o surgimento de uma figura em agosto de 1999 em West Kennett, que eu chamo de “Rei Cardo”. Ela era composta por pirâmides e pontos maiores e menores. Quando fomos explorar a formação, encontramos no meio de um dos pontos menores um pé de cardo florido [Planta típica inglesa, também conhecida como cardo mariano]. A impressão que tenho é a de que os autores da figura estavam prontos para executar o “projeto” e então viram o pé de cardo e decidiram que seria bom encaixá-lo na formação. Ou seja, eles deram um jeito de criar o agroglifo de forma a preservar aquele lindo cardo florido. Uma vez que conseguiram isso, apertaram o “botão” da “impressora”, ou seja lá o que for que usam para criar as figuras. É realmente fantástico.

Realmente é. Chega a ser poética esta visão.

Sim, porque neste ponto de entendimento dos agroglifos você já não está mais envolvido com aquela coisa de geometria, de matemática e de conseguir decifrar o mistério — você simplesmente deixa o mistério agir sobre si e ele se revela. É maravilhoso. Não que toda a parte matemática, geométrica e analítica não seja importante. Mas não é mais a maneira como eu vejo as formações. Hoje vejo que passei a maior parte da minha vida lidando com os agroglifos de uma maneira mecânica, como um menino com um novo carro de brinquedo, que pega a chave de fenda e o desmonta para ver como funciona. Eu usava minha antiga caixa de ferramentas para entender o fenômeno, equipada com geometria, números, formas e desenhos. Desmontava as formações e descobria um significado ou uma mensagem racional ali. Mas não é essa a intenção dos criadores dos agroglifos.

Várias vezes ao longo desta entrevista o senhor falou sobre as intenções dos autores das imagens. Mas o que pode nos falar sobre eles? Quem eles são?

Não sei quem são. Gosto de pensar neles como nossos “primos mais velhos”, que nos veem como crianças em desenvolvimento e nutrem por nós uma espécie de carinho ou cuidado. Se são extraterrestres, ultradimensionais ou alguma outra coisa, não tenho como saber. Mas gosto de tentar explorar suas intenções, aquilo que se passou por suas mentes ao criarem uma imagem e o que essa imagem diz sobre seus autores.

E o senhor consegue fazer isso?

Até certo ponto, sim. Eu fui professor de arquitetura, desenho e geometria durante boa parte de minha vida e sempre soube do vínculo sutil, subjacente e geralmente não declarado que existe entre a natureza ou a alma de um estudante e aquilo que ele desenha ou faz. E depois de trabalhar por tanto tempo e tão de perto com os agroglifos, percebo ter alcançado alguma compreensão sobre o caráter de seus autores. Mas gentilmente e sem estardalhaço. É algo íntimo.

E o que pode nos dizer sobre o que compreendeu a respeito do fenômeno?

O que penso ter apreendido sobre o modo de ser de nossos “primos mais velhos” eu já coloquei ao longo desta entrevista, ou seja, que são indivíduos mais adiantados e que provavelmente já passaram pelo mesmo estágio de evolução que estamos passando agora. E por serem preocupados conosco, quiseram nos comunicar que não estamos sozinhos, vivendo as agruras e crueldades de nossa sociedade em vão, desenhando os agroglifos em nossas plantações. Eles são seres amorosos e também possuidores de uma tecnologia altamente sofisticada, ainda distante de nossa realidade. São generosos, criativos e atenciosos. Não sei se se manifestam sobre as plantações ou se “imprimem” as figuras a partir de suas naves ou planetas. Eu não tenho como saber...

O senhor pensa serem esses seres os únicos que interagem conosco?

Creio que há várias espécies por aí afora e que algumas nos acompanham desde os primórdios de nossa história. Outras chegaram depois e estão aqui por motivos diversos. Talvez a raça que cria os agroglifos seja aquela que nos acompanha há mais tempo. É até possível que tenhamos algo em comum, que realmente sejamos parentes. Quando penso nisso, me vem à mente uma figura magnífica, surgida em agosto 2001 nas proximidades do Radiotelescópio de Chilbolton, mostrando um maravilhoso rosto feito com uma técnica muito especial. Ao tirarmos os pontos da figura, vemos um rosto claro e sincero, que nos olha de forma franca e direta, como que dizendo: “Veja, este sou eu”.

O senhor está se referindo às formações que muitos alegam ser uma resposta à mensagem enviada anos antes ao espaço a partir do Radiotelescópio de Arecibo? Acredita que tais imagens realmente foram uma resposta?

Bem, nós enviamos uma mensagem ao espaço com informações sobre nosso DNA, sobre nossa sociedade, nossa localização no espaço e nossa cultura. É natural que esperássemos uma resposta. Aí, quando a resposta chegou, ficamos duvidando e dizendo que não era real, que foi feita por humanos. Acho que os cientistas esperam que os extraterrestres se comportem como nós, que se comuniquem como nós e que mandem respostas do jeito que eles, cientistas, esperam que elas devam ser. O que mais se pode dizer sobre a teimosia e prepotência humanas?

O senhor crê que nossa civilização está pronta para um contato com outras inteligências cósmicas?

Não acredito em nada que dependa de nós como civilização. Veja como está o mundo hoje e me diga se há como confiar na espécie humana. O que penso é que esse contato irá ocorrer em algum momento no futuro e dependerá do quanto nós conseguirmos transformar nossa consciência em relação à vida e ao cosmos. Mas não acredito que essa transformação se dê como um movimento coletivo único — a transformação é individual e vai ocorrendo aos poucos. As consciências vão se abrindo e as pessoas irão mudar o mundo devagar. Nesse sentido, os agroglifos são de grande ajuda, uma vez que nos convidam à percepção e à contemplação. Nossos “primos mais velhos” esperam por nós e acredito que muitas espécies aguardam e torcem por nós, na expectativa de que consigamos dar um jeito de acelerar nosso amadurecimento cósmico. Sempre penso que eles devem se irritar muito com nossa demora.

Mas se eles estão nos esperando, por que não nos ajudam nesse processo de forma mais efetiva?

Por duas razões. A primeira é uma questão ética, ligada a não interferência nos assuntos de civilizações menos avançadas. Algo muito parecido com a primeira diretriz da série Jornada nas Estrelas [1966]. O diretor Gene Roddenberry estava muito inspirado quando escreveu essa diretriz. Eu, pelo menos, realmente acredito que as coisas funcionam assim para as civilizações que viajam pelo cosmos. Elas não interferem. Ao contrário do que nós historicamente temos feito, nossos visitantes não querem destruir nossa cultura para nos impor a deles. Tudo deve ocorrer de forma pacífica e respeitosa.

E a segunda razão?

A segunda razão está ligada à praticidade de um contato desse porte ocorrer no atual estágio de nossa civilização. Eu acredito que estes visitantes nos conhecem melhor do que nós mesmos nos conhecemos. Assim, imagine uma nave pousando no gramado da Casa Branca. Isso é o mesmo que pousar um helicóptero no pátio de um hospício, no qual todos os loucos estão armados. Eles jamais farão algo assim. Eles sabem que nós tentaríamos bombardeá-los com armas atômicas e que trariam o caos social para dentro de nosso frágil arranjo civilizatório. E mesmo que eles sejam avançados a ponto de conseguirem neutralizar todas as nossas armas, imagine o que aconteceria no mundo. Não estamos prontos e eles sabem disso. O que as pessoas parecem não entender é que o contato não depende deles, mas de nós. Quando nós estivermos preparados, ele ocorrerá.

Voltando ao começo de nossa conversa, o senhor disse que os agroglifos não são em si agentes de mudança. Mas, de alguma forma, eles mudaram nossa cultura.

O que eu quis dizer é que estamos em plena jornada rumo a uma enorme mudança, que nos levará a uma nova dimensão de realidade. Os agroglifos, por si só, não promovem esta mudança, já que ela acontece há tempos e faz parte do processo evolutivo universal. Porém, o fato de as figuras existirem e de ninguém conseguir explicá-las ou a sua origem de forma definitiva e inquestionável vem promovendo uma série de alterações em nossa percepção da realidade. As formações abriram espaço para que se discutissem assuntos como Ufologia, Geometria Sagrada e outros de forma mais aberta. Então, sim, neste sentido, os agroglifos promoveram mudanças e ampliaram paradigmas.

O senhor diria que eles são um presente para nossa espécie?

Sim, porque, acima de tudo, as formações nas plantações representam um lindo mistério que permanece por mais de 40 anos implacavelmente resistente a qualquer explicação. Muita gente simplesmente os ignora ou descarta usando as racionalizações de sempre, mas outros, como eu e, penso, meus leitores, tiveram a imaginação ampliada significativamente por esse encantador fenômeno. A simples inexplicabilidade das ocorrências, aliada à sua implacável inventividade, a sua beleza e à grande escala desses eventos, que ocorrem em mais de 60 países, ampliou a consciência de milhares de pessoas.

O que o senhor diria para uma pessoa que está vendo um agroglifo pela primeira vez?

Abra seu coração, abra seu coração e abra seu coração. Só isso! Ignore o que o mundo diz e deixe a racionalização de lado. Deixe-se maravilhar e permita que a formação “converse” com você. A sensação de encantamento é tão grande e tão profunda que ela nunca mais deixará a pessoa sozinha. É simplesmente fantástico o que pode advir deste tipo de percepção.

Para terminarmos esta interessante entrevista, o senhor gostaria de deixar alguma mensagem para nossos leitores?

Sim. Gostaria de dizer que nós todos precisamos encontrar uma nova maneira de nos alinharmos com esta dimensão da realidade. Estou convencido de que os agroglifos estão aqui especificamente para nos ensinar a fazer isso, embora não tenha nenhuma pista sobre como podemos começar este alinhamento. Mas, mesmo correndo o risco de ser acusado de me comportar como um guru da Nova Era, sugiro que não visitemos mais as formações como pesquisadores ou jornalistas, mas como expectadores. Acredito que chegou a hora de nos aproximarmos dos agroglifos ou de estudarmos suas imagens por foto e vídeo com humildade e abertura. Enfim, vamos ouvir o que eles têm a nos ensinar.


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