ENTREVISTA

Abduções: cuidados a serem tomados

Por Paulo R. Poian | Edição 159 | Novembro de 2009

Luciano Stancka e Silva está entre os pioneiros e mais conceituados ufólogos do Brasil, considerado um dos maiores especialistas em abduções alienígenas no país. Colaborador e consultor da Revista UFO desde o surgimento da publicação, nos anos 80, quando ainda tinha o formato da série Ufologia Nacional e Internacional, sempre pesquisou o Fenômeno UFO de maneira científica e prática, com investigações de campo, vigílias e análises criteriosas de casos. Aos 22 anos de idade já era representante em São Paulo, onde reside até hoje, do Centro de Investigações sobre a Natureza dos Extraterrestres (CISNE), grupo da eterna matriarca da Ufologia Brasileira, a ufóloga carioca Irene Granchi.

Médico graduado pela Universidade Estadual Paulista (Unesp), em Botucatu, psicanalista e psicoterapeuta formado pela Faculdade de Ciências Biopsíquicas e Sociais de São Paulo, Stancka é ainda membro da Associação Paulista de Homeopatia, além de acupunturista com prática clínica de mais de 30 anos. O ufólogo atua como professor e conferencista nas áreas de parapsicologia, hipnose, controle mental e neurolingüística, e ainda participa continuamente de congressos nacionais e internacionais. Já foi diretor técnico da Sociedade Pestalozzi de São Paulo, diretor da Clínica Hiperbárica do Brasil, coordenador médico da Associação Beneficente Cristã e presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Santa Cecília, também em São Paulo.

Investigação rígida e imparcial

Ufólogo dos mais sérios e rigorosamente científico, Luciano Stancka e Silva possui longo e vasto currículo, entre palestras, trabalhos e casos pesquisados. É coordenador da área médica no Instituto Nacional de Investigação de Fenômenos Aeroespaciais (INFA), entidade presidida pelo co-editor da Revista UFO Claudeir Covo. Sua especialidade e dedicação, obviamente, são os aspectos psicológicos e psiquiátricos da manifestação ufológica, tendo investigado dezenas de ocorrências e tratado de vítimas de abduções alienígenas. Seu trabalho na área é reconhecido e respeitado, assim como seus inúmeros artigos em diferentes publicações e a constante presença em programas de TV.

Recentemente, Stancka concedeu entrevistas à revista Galileu e ao Programa do Jô. Neste último, destacou que na maioria das vezes os abduzidos são pessoas humildes e que não seriam capazes de inventar histórias que envolvem até contato sexual com alienígenas. O apresentador – velho conhecido dos ufólogos, geralmente por ironizar o tema – desta vez foi respeitoso e tratou seriamente do assunto. Ao longo das últimas décadas, o estudioso tornou-se um dos principais profissionais procurados pela imprensa nesta área tão pantanosa, difícil e complexa, que são as abduções e toda fenomenologia envolvida com seus protagonistas. Seu aprofundamento nestas pesquisas específicas fez o entrevistado adotar linhas investigativas rígidas mesmo sob emprego da hipnose regressiva – uma das técnicas utilizadas,
mas somente em casos extremos.

A psiquiatria desempenha papel de fundamental e crescente importância, não somente ajudando na determinação de padrões de ocorrências ufológicas – especialmente as abduções –, mas também no tratamento de eventuais traumas adquiridos pelas testemunhas e abduzidos após seus encontros com aliens. Para Stancka, em nosso país, o emprego da psicologia e da psiquiatria na investigação ufológica ainda é embrionário, ao contrário dos Estados Unidos, onde já ocorre há décadas. “A psiquiatria tem boas ferramentas para lidar com a casuística ufológica, mas seu uso deve ser responsável. Especialmente no caso de tratamento com pessoas traumatizadas após experiências marcantes”. Como se verá, condições e aspectos até então pouco conhecidos dos enigmas da mente humana estão prestes a ser revelados ao leitores, numa linguagem simples e acessível, porém de forma raramente abordada antes, com riqueza de detalhes e teor estritamente científico.

O que há de novo em uma de suas principais áreas de atuação, as neurociências? O cérebro humano é certamente a última fronteira que um dia vamos conhecer. Temos aprendido o quanto as emoções afetam a nossa saúde e qualidade de vida, como atua o poder da fé sobre a recuperação de doenças, quais as áreas cerebrais responsáveis pela religiosidade etc. Igualmente, estudamos e comprovamos como o mundo moderno influi no equilíbrio emocional do indivíduo, num aumento galopante das patologias relacionadas com o estresse. E percebemos como as pessoas buscam desesperadamente saídas para manterem seu controle, com drogas, práticas religiosas ou emergindo em um tipo de filosofia própria. Outras tantas, fazendo uma verdadeira “salada mística”, pulam de crença em crença, de tempos em tempos – e a Ufologia também é um dos alvos delas. Mas equipamentos de última geração conseguem mapear o cérebro praticamente completo e analisar cada tipo de ação e reação, além de novas descobertas, sempre em pauta de estudos. As pesquisas científicas provam que a mente pode produzir falsas memórias e o quanto ela pode ser levada ao engano, dependendo das condições de estresse e de ansiedade por que um indivíduo está passando. Isso pode ser muito útil também na avaliação de casos ufológicos.

Como estes avanços nas neurociências podem ajudar a pesquisa ufológica?
A conexão que vejo das neurociências com a Ufologia está nos critérios para a investigação e o questionamento das ocorrências ufológicas, que se tornaram mais elaborados devido ao conhecimento atual das múltiplas facetas do psiquismo humano. Hoje temos aparelhos que podem esquadrinhar cada centímetro do corpo, mas o grande problema persiste: o alto custo dos exames para uma avaliação de alto nível, que também poderiam trazer provas concretas para área ufológica dentro da medicina.

Situações mentais incomuns

A descoberta e a investigação de regiões encefálicas específicas podem levar à determinação do ponto neurológico exato em que se alojam sinais de uma abdução alienígena na mente de um indivíduo, separando tal experiência de outras situações imaginativas que conhecemos? O encéfalo ainda é uma grande incógnita, mas já temos pesquisas demonstrando que o conhecimento no cérebro atua de uma forma holográfica. Sabemos que certos distúrbios elétricos e tumores podem causar alucinações visuais e auditivas, e já foi investigado que campos magnéticos podem afetar a cognição e criar falsas sensações de memórias. Pesquisas com pacientes acidentados que chegam a perder massa encefálica mostram que, em alguns casos, eles apresentaram recuperações espantosas, com a preservação da memória, coisa que seria anatomicamente impossível. Mas ainda temos muitas variáveis desconhecidas, o que dificulta determinar a prova de que uma experiência de abdução possa estar impregnada na mente do abduzido.

As pesquisas científicas atuais provam que a mente pode produzir falsas memórias e o quanto ela pode ser levada ao engano, dependendo das condições de estresse e de ansiedade por que um indivíduo está passando. Isso pode ser muito útil também na avaliação de casos ufológicos

Você percebeu algum aumento recente no número de profissionais da saúde com interesse pela pesquisa ufológica? Sim. Médicos, psicólogos e biólogos, como também grande parte da população esclarecida, têm sua atenção atraída cada vez mais para o assunto. Ficam atentos às notícias sobre UFOs e às possíveis explicações para o fenômeno. Por exemplo, tivemos na internet uma enorme polêmica causada por aquele vídeo de supostos UFOs montado no Haiti [Uma fabricação feita como o propósito de servir de teste para a produção de um filme de ficção científica. Veja edição UFO 136], que chamou a atenção de milhares de pessoas, que perguntavam se era verdade ou fraude. Fui inquirido a respeito por muitos colegas, com interesse real e não como uma brincadeira. O vídeo, apesar de falso, foi um termômetro para medirmos o crescente interesse de muita gente pela Ufologia.

Essa atitude demonstra alguma mudança de postura em determinados segmentos da sociedade, ou seria apenas manifestação de curiosidade, inerente ao ser humano? Em nossa genética, a característica exploratória e a busca pelo desconhecido são normais. Temos histórias fantásticas que sempre chamaram a atenção das pessoas, desde os monstros mitológicos, as bruxas e fantasmas, fadas e duendes, vampiros e lobisomens, e, lógico, os ETs. O fantástico, o inusitado, atrai a curiosidade do ser humano, e a mídia explora o assunto, assim como, no cinema, com efeitos especiais cada vez mais realísticos, que criam “verdades hollywoodianas” que se incorporam ao inconsciente coletivo. Infelizmente, para muitos, as fantasias se confundem com a própria realidade. Criamos medos que nos acompanham a vida inteira, como o do monstro no armário do quarto, da mão que sai debaixo da cama etc. São as fobias do escuro, que atormentam indivíduos até em sua vida adulta.

Você acredita que atividades de esclarecimento público, como palestras e cursos de extensão em Ufologia, poderiam ajudar a atrair mais profissionais da saúde e de outras áreas para a pesquisa ufológica? Palestras e cursos tanto podem esclarecer como confundir ainda mais, pois, independentemente da formação profissional e da cultura do palestrante, ainda temos besteiras homéricas sendo divulgadas. Acho que é interessante ouvir os dois lados do tema e cada um tirar as suas conclusões. Para uns, por exemplo, Ashtar Sheran é um comandante de uma gigantesca frota estelar que nos protege, mas pode ser somente um personagem de ficção criado e aceito como verdade, dependendo do indivíduo. A própria Revista UFO, noutro exemplo, é protagonista de dois casos que geraram grande polêmica, como a veiculação de uma entrevista em que se fez o anúncio da vinda de uma frota interestelar comandada por Jesus Cristo, cuja informação teria sido canalizada pelo escritor Jan Val Ellam [Veja edições UFO 126, 128 e 129], e a existência de Nibiru, um suposto enorme planeta que acabaria com a humanidade [Veja edições UFO 148 e 151]. Os dois casos geraram intensos debates a favor e contrários a estes temas, discussões realmente calorosas, deixando bem clara a forma caótica como o comportamento humano trabalha. A revista somente fez seu papel jornalístico imparcial, consciente e democrático, nada além ou aquém do que deveria se esperar de uma publicação especializada em Ufologia e única no país.

E quanto à hipnose, ela continua com sua eficácia desacreditada, em especial seu emprego na pesquisa ufológica? Quanto mais conhecemos a mente humana, mas percebemos o quanto a desconhecemos. A hipnose é um estado de sugestionabilidade em que a pessoa se permite entrar e a imaginação rege, de acordo com o conteúdo, suas crenças, grau ficcional, anseios e expectativas. É um estado alterado da consciência. “A hipnose é um atalho para a verdade, do modo como ela é sentida e entendida pelo observador, podendo estar ou não de acordo com a verdade final”, declarou o doutor Benjamim Simon, médico que hipnotizou o casal Betty e Barney Hill, abduzido nos Estados Unidos em 1961, e um dos pioneiros em usar a hipnose nesses casos. O Fenômeno UFO é complexo e não teríamos parâmetros objetivos para confirmar as informações reveladas sob hipnose, pois muitas vezes o tempo decorrido desde um evento modifica as lembranças das supostas vítimas. Quando elas se submetem à hipnose, suas histórias já estão recheadas de novos detalhes de fatos que leram e ouviram, e assim modificam seus relatos, deixando-os mais críveis e confiáveis para o interlocutor, comprometendo o que realmente aconteceu.

crédito: Luca Oleastri
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As testemunhas descrevem ter passado momentos que vão de fascínio ao de total terror a bordo de UFOs. Nestes últimos casos, mais freqüentes, dizem que foram examinadas por “médicos alienígenas”

Então, continuamos sem segurança para aceitar a prática da hipnose nos casos de abduções alienígenas? Nestes casos, confiar somente na hipnose é extremamente discutível como prova de verdade, e isso é unanimidade entre os ufólogos que são profissionais com formação científica e prática clínica na área. Os estados de relaxamento podem melhorar as lembranças, como mostra uma experiência da polícia israelense com testemunhas de crimes que tinham dificuldade para lembrar detalhes dos fatos. Em minha opinião, a hipnose pode e deve ser usada, mas com critério e como uma ferramenta a mais para a investigação de um caso, e não para se chegar a uma conclusão definitiva sobre uma abdução alienígena, sua veracidade ou não.

Métodos de tratamento de abduzidos

E quanto aos hipnoterapeutas que se dedicam a tratar abduzidos, seus métodos seriam confiáveis? Bem, temos vários tipos de hipnoterapeutas, como os leigos, os leigos e crédulos, os que têm formação na área médica mas não têm prática clínica, e os com formação na área médica e que praticam e atuam clinicamente em seu dia-a-dia. Aqueles com formação na área médica e crédulos são os mais perigosos, pois usam suas credenciais para fazerem afirmações que corroboram suas próprias crenças e opiniões.

Quais, então, seriam os conselhos que você daria a uma pessoa que esteja nos lendo agora, que tenha passado por uma experiência que imagine ser uma abdução alienígena e pense em buscar ajuda neste sentido? Em quem confiar? Eu sugiro a esta pessoa procurar a ajuda de um grupo ufológico conhecido e reconhecido como idôneo, como os dos membros da Equipe UFO, por exemplo. De preferência, que faça isso com acompanhamento médico e psicológico, através do qual possa fornecer o máximo de informações acerca do que acha que lhe aconteceu. Vale ressaltar que, na maioria das vezes, estes casos permanecem inconclusivos, devido às grandes variantes que já discutimos anteriormente [Veja detalhes no livro Seqüestros Alienígenas, código LIV-007 da coleção Biblioteca UFO. Confira na seção Shopping UFO desta edição e no Portal UFO: ufo.com.br].

Apesar de problemas nos métodos de pesquisa, que você apontou, há algum avanço no estudo das abduções? Hoje temos mais conhecimento dos mecanismos cerebrais humanos e do complexo mundo dos sonhos, o que nos permite a identificação das várias formas de parassonias, como a paralisia do sono, os terrores noturnos e apnéias, que levam ao cérebro baixa taxa de oxigênio. Muitas vezes, a pessoa que passa por uma situação assim acorda assustada, com uma intensa sensação de sufocamento, que pode ser interpretada pela consciência de forma errônea. Exames de polissonografia demonstraram uma série de sintomas que eram considerados até místicos em casos como estes, tais como saída do corpo nas chamadas viagens astrais e abduções, e se mostraram como sofrimento cerebral por anóxia [Falta de oxigênio]. O grande avanço está na constatação de que tudo é ainda mais complexo do que achávamos, pois é preciso eliminar muitos fatores que antigamente desconhecíamos até chegarmos a declarar uma abdução alienígena como certa.

Como se chegou à determinação de que a parassonia poderia causar sensação de abdução? Até 1994 o assunto era pouco conhecido, mas a partir daí os estudos do sono passaram a mostrar sua importância para o equilíbrio psicoendócrino e imunoemocional do organismo. Ele regula o comportamento, o sistema imunológico, o equilíbrio glandular, a memória, a concentração e também a criatividade. Descobriu-se que a pessoa que ronca, por exemplo, além de atormentar quem dorme ao seu lado, pode gerar uma série de complicações psicorgânicas. Os exames de polissonografia passaram a fazer parte da investigação dos roncadores e se descortinou uma série de distúrbios até então desconhecidos. O cérebro com hipóxia crônica [Baixa taxa de oxigênio em regiões do organismo] pode apresentar sérias desordens que comprometem em demasia a qualidade de vida. Estas descobertas são todas informações novas, que devem ser pesadas quando se analisa casos de supostas abduções alienígenas durante o sono.

Um indivíduo pode autoflagelar-se durante uma anomalia do sono, vindo a apresentar marcas que possam ser confundidas com aquelas geralmente produzidas em situações de abdução?
Sim. Quando dormimos, nosso corpo apresenta um quadro de paralisia que, em estados normais, nos protege de nos machucarmos. As alterações chamadas de parassonias perturbam esse mecanismo natural de proteção e a pessoa pode sofrer lesões que, por estar inconsciente, não lembra e não sente. Sua mente racional quer então associar o ferimento a algo conhecido, e também gerar fantasias e distorções. Cria uma falsa memória e passa a acreditar nela com grande intensidade, chegando a convencer pela veemência de suas convicções.

Queimaduras e cicatrizes geométricas ou circulares merecem maior atenção? Quanto mais complexa e difícil de ser feita a marca, mais chama a atenção. Todavia, mesmo assim, é mais uma evidência que vai se somar aos outros detalhes do caso.


O Fenômeno UFO é complexo e não temos parâmetros objetivos para confirmar as informações reveladas sob hipnose, pois muitas vezes o tempo decorrido desde um evento modifica as lembranças das supostas vítimas. Quando elas se submetem à hipnose, suas histórias já estão recheadas de novos detalhes de fatos que leram e ouviram

Como separar as abduções de casos de distúrbio ou traumas sexuais? Este é um grande problema. Antes de afirmarmos a hipótese mais improvável, temos que investigar a fundo a mais provável. Em casos de vítimas que se diziam abduzidas e tinham plena certeza dessa situação, pesquisados pelo FBI, nos EUA, quando houve o inquérito pormenorizado de toda a família, o quadro variou. Somente depois de muito tempo algum parente fornecia detalhes mais esclarecedores, pois as vítimas já apresentavam o que chamamos de negação patológica. Há também casos em que se alega que fetos de abduzidas foram seqüestrados, retirados de seus corpos pelos abdutores, mas nunca se comprovou isso com um exame de ultrassom. Ora, um simples exame poderia comprovar o alegado sumiço. Tal situação mais parece uma versão moderna e distorcida pelo inconsciente do clássico quadro de gravidez psicológica, além do detalhe de que até três meses de gestação está grande parcela dos abortos naturais, sem intenção, devido a variadas complicações físicas.

Algumas destas síndromes poderiam ser oriundas de experiências alienígenas? Na literatura psiquiátrica existem casos e mais casos incríveis, que muitas vezes não são do conhecimento popular, mas que chamam muito a atenção e geram desdobramentos. Temos os mentirosos patológicos ou mitomaníacos, que contam histórias com um grau de seriedade e certeza que convencem qualquer um, assim como distúrbios de dupla personalidade e personalidade múltipla e a síndrome de automutilação, mais conhecida pelas pessoas que enfiam agulhas e pregos no próprio corpo e negam que o fizeram. Além destes casos, temos ainda a síndrome da despersonalização, quando a pessoa começa a acreditar que a sua mão, braço ou perna não é sua e chega ao ponto de querer produzir uma amputação, e os distúrbios histéricos, em que o paciente fica cego e não consegue, segundo ele, enxergar. Há até a paralisação das pupilas, que deixam de reagir aos estímulos luminosos. Ou aquela situação quando a pessoa diz que não consegue mais andar, e às vezes nem se mexer, e não reage a estímulos dolorosos por uma ação psicopatológica de sua mente. Mas, dentre tantos aspectos já estudados e muitos com causas ainda desconhecidas, graças à complexidade da mente humana, existe um situação que é uma variação da já existente Síndrome de Copenhagen, quando o seqüestrado se apaixona e até defende seu seqüestrador – a chamada Síndrome do Contatado. Lembrando que síndrome significa agrupamento ou conjunção de diversas patologias, e, assim, não se trata de uma simples doença, mas de um acúmulo e mistura de diversas.

Vamos falar de contatados e abduzidos. Como você vê as diferenças entre os dois grupos? O abduzido é aquele indivíduo normal que, levando sua vida, de repente sofre um seqüestro por algo desconhecido, inusitado, passando a não entender nada do que realmente está acontecendo. Quando as coisas voltam ao normal, ele fica confuso, apavorado e sem compreender por qual tipo de situação passou. Esta pessoa apresenta recordações conscientes confusas e, às vezes, marcas no corpo, tais como manchas em áreas doloridas. Noutras, tem distúrbios no sistema nervoso autônomo nos dias subseqüentes, como enjôo, tonturas, vômitos, diarréias, dificuldade para dormir, sonhos estranhos e agitados, terrores noturnos, inapetência [Falta de apetite] e um nível de estresse acentuado. Eu acredito mais nestes casos, pois as vivências de aludidos contatados...

Você não acredita nelas? Bem, contatado é aquele indivíduo que afirma, como diz a palavra, estar em contato com seres ou entidades não terrenas, das quais alega receber instruções e comunicações, e pelas quais diz que é monitorado e rastreado – às vezes através de implantes que teriam sido introduzidos em seus corpos. Mas nada provam. Muitos se apresentam dando mensagens extremamente óbvias, que supostamente lhes foram passadas pelas entidades que os contatariam, como manifestando preocupação com o meio ambiente, com o descontrole no uso da energia nuclear, aconselhando que não façamos mais guerras etc. Infelizmente, jamais tivemos desses contatados uma única mensagem que fosse realmente útil, que pudesse de fato melhorar a qualidade de vida dos terrestres, como uma vacina, uma forma de purificar a água, um material que pudéssemos usar na indústria ou um motor mais eficiente do que os meros humanos constroem. Alguns deles escrevem livros impressionantes com tais mensagens, verdadeiros calhamaços, alegando que seu conteúdo é “canalizado” ou “recebido” das entidades com quem estariam em contato. Mas nunca, pelo menos até hoje, surgiu algo útil e prático nestas obras.

Compreendo, mas, pelo quadro que você descreve, crê que um abduzido pode se tornar um contatado com o tempo? Sim, a maioria dos abduzidos vira um contatado com o tempo. É o fenômeno que conhecemos como Síndrome do Contatado, já mencionada. Um indivíduo comum, levando uma vida simples, de repente tem uma experiência inusitada e de um momento para o outro é assediado pela imprensa, por ufólogos, por celebridades etc, e vira sua cabeça. São, na maioria das vezes, pessoas comuns que querem conhecer sua história, o que lhes aconteceu, mas que têm sua vida totalmente mudada. Elas próprias viram celebridades, dão entrevistas, vão a programas de TV e ganham uma notoriedade que nunca tiveram. Entretanto, o tempo apaga as coisas, e elas voltam à sua vidinha simples, retornando ao patamar de uma pessoa normal, o que é muito sem graça para elas, compreende? É quando acaba o glamour que a tal experiência lhes proporcionou. Daí, é muito comum, neste momento, que passem a criar novos contatos, novas abduções e até produzam marcas em seus corpos ou em lugares que freqüentam, tudo na esperança de voltarem ao auge, que tenham um retorno ao sucesso de antes, quando a atenção que recebiam deixou suas vidas mais interessantes. Isso é o que chamamos de Síndrome do Contatado.

crédito: Flávio Alvarez
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A hipnose regressiva pode e deve ser usada na investigação de abduções alienígenas, mas não como a única ferramenta, e sim como mais uma


Há alguma situação mais grave que passa a ocorrer com estas pessoas? Sim, no afã de voltarem ao centro das atenções, chegam até mesmo a alegar que falam e recebem mensagens de extraterrestres – que, a esta altura, já chamam de “meus amigos”. Mas, como eu disse, tais mensagens nunca possuem conteúdo novo e relevante, infelizmente. Porém, freqüentemente tais contatados são estimulados por indivíduos e grupos que têm a necessidade de neles acreditarem e chegam até a criar grupos e seitas ao seu redor, nas quais ouvem atentamente suas alegadas mensagens. Os seguidores podem mudar seus hábitos, parar de comer carne e usar metais no corpo, além de outros comportamentos, a fim de não “perturbarem suas vibrações” e receberem as “energias” enviadas pelos “irmãos maiores”, como chamam os seres supostamente contatantes de seus “mestres”.

Sobre contatados e abduzidos

Então, trata-se de algo mais complicado e preocupante do que se imagina? Sim, até porque entram aí as necessidades mais básicas do ser humano, de ser reconhecido, notado e enaltecido. Muitas vezes, chega-se até mesmo ao fanatismo e à segregação. Só são aceitas em tais grupos pessoas que “vibrem na mesma sintonia”, que chegam a se distanciar e depois até abandonam a família e antigos amigos, e se envolvem tanto neste novo estilo de vida que não raramente sofrem grandes perdas financeiras – tudo em busca de uma redenção, que obviamente nunca alcançam nesta vida.

Como proceder nos casos em que a pessoa aceita que tem a síndrome e quer ser tratada? Bem, na maioria das vezes ela não quer ser tratada, e a família, desesperada, tenta de tudo para retirá-la das seitas, como vimos em inúmeros casos clássicos, tais como o de Jim Jones, o do reverendo Moon, da seita Heaven’s Gate etc [Veja edições UFO Especial 049 e 050]. Temos ainda muitos casos ocorrendo aqui no Brasil, que prefiro nem mencionar...

Pelo visto, muitos dos tais contatados que não buscam ou sequer sabem que necessitam de auxílio profissional se acham escolhidos? Exato, e o escolhido é um fanático, está tão envolto em seu mundo ficcional que não sai dele. Estas pessoas são extremamente críticas e se segregam, criam novos valores sociais em torno de suas crenças, esperam o arrebatamento e, em alguns casos paranóicos, chegam a produzir suicídios coletivos.

Você já tratou de algum contatado sob tais circunstâncias? Teve sucesso no tratamento?
Cuidei profissionalmente de vários casos de supostos abduzidos, tratando sintomas como pânico, terror noturno, diarréia, gastralgia [Dor de estômago], inapetência, insônia, dores musculares, queda de cabelo, manchas e marcas na pele. Eram casos de pessoas simples, trabalhadores vivendo suas vidas que, repentinamente, passam por algo inusitado que os retiram de seu curso normal. Se sentem apavoradas, doentes, com uma história de que elas mesmo têm dúvidas, além de lacunas em suas memórias. E o pior é que não conseguem entender o que realmente lhes aconteceu. Vi de perto o intenso assédio que sofrem de repórteres, ufólogos, programas sensacionalistas de TV etc, além de receberem a promessa de cachês e outros ganhos, que nunca acontecem. Algumas pessoas se aproveitam desta situação e assumem a postura de típica dos escolhidos, mudando sua história para se aproveitar da fama e da ânsia de pesquisadores e de pessoas comuns, que querem acreditar nelas.

Alguma situação em especial lhe causou mais perplexidade? Fico chocado quando vejo como estas pessoas vão se sentindo cada dia mais seguras para inventar detalhes em suas histórias, já completamente mudadas da versão inicial, e são ovacionadas em simpósios e congressos como verdadeiros contatados. Esse tipo de postura incentiva e estimula a invenção de mais e mais mensagens, e alguns protagonistas criam suas próprias doutrinas. Passam a dar palestras e cursos e a vender produtos, e sempre acham crédulos para os seguirem. Viram celebridades e causam êxtase em muita gente, que querem tocá-los, estarem ao seu lado, ouvir suas mensagens. A postura de contatado é cômoda e não há interesse de sair dela.

Segundo algumas afirmações, fora do campo científico, o número de supostas abduções alienígenas teria diminuído drasticamente nos últimos anos. Percebe-se isso no seu consultório? Não posso dizer que as abduções diminuíram ou, pior, que não sejam verdadeiras, como fazem alguns estudiosos. Eu acredito que são um fenômeno real, possível e raro, que vem se mantendo estável no decorrer dos anos. Com filmes e a divulgação dos casos clássicos, como os de Betty e Barney Hill, de Antonio Villas-Boas [Veja edição UFO 137] e de Travis Walton, para citar somente alguns, as pessoas encontraram referências para preencherem suas lacunas emocionais e também se sentem abduzidos. Sempre foi assim, continua sendo e prosseguirá da mesma forma.


Há também casos em que se alega que fetos de abduzidas foram seqüestrados, retirados de seus corpos pelos abdutores, mas nunca se comprovou isso com um exame de ultrassom. Ora, um simples exame poderia comprovar o sumiço. Tal situação parece uma versão moderna e distorcida pelo inconsciente do quadro de gravidez psicológica

Vamos falar de abduções durante o sono. Seriam artimanhas dos alienígenas ou devaneio dos humanos? Como já disse anteriormente, as parassonias, cada vez mais pesquisadas, explicam muitas coisas que antes pareciam abduções, e que hoje, analisadas sob uma ótica mais moderna, encontram respaldo em situações mais possíveis.

Na questão dos supostos implantes alienígenas, você já teve êxito em confirmar algum? Esse era um assunto que me interessava muitos anos atrás e pesquisei vários casos. Junto com outros colegas, conseguimos até mesmo que a Rede Globo pagasse a tomografia computadorizada de uma suposta abduzida, que afirmava possuir um implante, mas o exame comprovou que não havia nada em seu corpo. Estive com o ufólogo norte-americano e pesquisador de implantes Derrel Sims, e tive oportunidade de examinar todos os supostos chips que ele apresenta em suas palestras, inclusive umas que fez no Brasil, além de documentários para a TV, e foi extremamente decepcionante. Num display que ele carregava com dezenas de possíveis objetos retirados de abduzidos, nada, mas nada mesmo do que estava ali poderia nos dar a tão almejada prova incontestável de sua existência.

Na possibilidade de haverem implantes alienígenas verdadeiros, que precauções devem ser tomadas? Há situações em que os corpos das supostas vítimas de abduções e implantes nem deveriam ser tocados, pelo estrago que poderia ser feito para a remoção dos alegados artefatos, muitas vezes encontrados por acaso em radiografias. Isso poderia produzir seqüelas desnecessárias. E, claro, a partir daí segue-se toda uma história para esclarecer os supostos implantes, sua procedência, natureza etc. Nestes acontecimentos, temos que tomar muito cuidado com a hipnose, pois a pessoa está extremamente susceptível a encontrar uma explicação para suas experiências, e ela é criada de acordo com a necessidade psicológica conjunta do pesquisador e do hipotético implantado. É neste ponto que as coisas se complicam, gerando muitas distorções que são perpetuadas como verdadeiras, que confundem ainda mais o complexo mundo da Ufologia.

Nestas décadas de dedicação à Ufologia, você percebeu algum padrão ou característica comum em abduções reais, como biotipo, fisiologia e condição psicológica ou física da vítima, algo que possa atrair os ETs para seqüestrar um tipo específico de pessoa? Não. Parece que o fenômeno é aleatório e, volto a insistir, raro. Não acredito nestas histórias fantásticas apregoadas por alguns autores, de que milhões de pessoas já foram abduzidas e somos monitorados como cobaias pelos grays [Cinzas].

Na sua opinião, qual motivo estaria por trás das abduções? Nos casos reais, com grandes possibilidades de terem ocorrido de fato, nitidamente parece que o abduzido é pego para um estudo mais apurado de seus órgãos internos, secreções e suas atitudes comportamentais. A maioria dos casos, no entanto, mostra um distanciamento entre o abdutor e o abduzido, como nós fazemos com relação aos nossos animais de experimentação. São tratados por eles de uma forma seca e sem emoções. Somos levados, invadidos e devolvidos [Veja detalhes no DVD Levados, código DVD-031 da coleção Videoteca UFO. Confira na seção Shopping UFO desta edição e no Portal UFO: ufo.com.br].

Há possibilidade de estarmos lidando também com alguma forma de intervenção humana, além da extraterrestre?
As atrocidades cometidas pelo homem são inimagináveis pelas pessoas comuns, como as experiências feitas com pessoas vivas pelos nazistas e fascistas, e as pesquisas chinesas com prisioneiros de guerra, também vivos, para testarem os limites do ser humano. Os exemplos não são poucos e cito também as experiências norte-americanas com negros portadores de sífilis, que não recebiam tratamento para ver até onde suas lesões chegavam, ou os casos de tráfico de órgãos humanos e as pesquisas farmacêuticas inescrupulosas etc. Como dica, sugiro aos leitores assistirem ao filme O Jardineiro Fiel [2005], que mostra as barbaridades que certos humanos são capazes de cometer contra sua própria espécie.

Você acha que algum dia haverá possibilidade de se incluir supostos abduzidos em programas de atendimento gratuito pelo SUS, para realização de tomografias e ressonâncias de alta tecnologia? Um abduzido, como já descrevi, apresenta uma série de sintomas que necessitam de tratamento e orientação, como qualquer pessoa que tenha sido atingida por algum distúrbio. A priori, o abduzido é um paciente que pode ter sofrido uma convulsão, um surto psicótico, uma intoxicação por drogas ou um tumor, causando uma compressão de uma área cerebral etc. Uma pessoa que passe por isso deveria sempre ser atendida com seriedade e respeito pelo sistema de saúde pública. Eu sempre atendi pessoas assim, tanto no serviço público como no privado, com o profissionalismo e o interesse que elas merecem. Mas o grande problema, no Brasil, é o alto custo dos exames na rede privada e o tempo de espera por resultados no setor público. Saúde, em nosso país, é relegada a um décimo plano, como vemos todos os dias relatos feitos pela imprensa.

Infelizmente. Contudo, se houvesse ajuda profissional e pública à disposição, isso ajudaria na busca das provas físicas das abduções alienígenas. Sim. Toda investigação séria e criteriosa traz substratos para novas pesquisas. Meus próprios critérios foram sendo depurados no decurso dos 35 anos em que me dedico à Ufologia, período em que aprendi muito e aprendo todos os dias. A vivência ufológica é fundamental para a melhoria dos critérios investigativos, como constatamos na evolução da análise de imagens ufológicas, por exemplo, que demonstram muitos erros de interpretação em fotos e filmes, que eram antes considerados discos voadores.

crédito: James Neff
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Muitos dos casos clássicos de abduções alienígenas ocorreram durante viagens, em estradas desertas e no meio da noite. Este seria um cenário mais do que propício para a ação de seres extraterrestres em nosso planeta

No III Fórum Mundial de Ufologia, realizado em Curitiba em junho passado, militares presentes manifestaram a necessidade e a importância da implantação de um novo Sistema de Investigação de Objetos Aéreos Não Identificados (Sioani), unindo pesquisas civis e oficiais. Com sua experiência, como vê esta possibilidade? Temos amigos militares que gostam de Ufologia e até freqüentam nossos congressos, reuniões e palestras. Eles são de todas as patentes e vão desde controladores de vôo até generais, mas sempre preferiram manter uma postura discreta, embora, muitas vezes, contribuam com nosso trabalho com informações valiosas. Esta parceria velada sempre foi produtiva, e o surgimento de uma iniciativa oficial de pesquisa ufológica certamente seria ainda melhor. No entanto, conhecendo bem as implicações que isso envolve, tenho certeza de que o sigilo imposto ao Fenômeno UFO pelos altos cargos da hierarquia no setor de informações prevalecerá. Ou seja, documentos sobre discos voadores classificados como secretos e ultra secretos, além da implicação social que a admissão de sua existência pode gerar, sempre determinarão a contínua manutenção do segredo.

Você não acredita numa liberação global de informações sobre a presença alienígena na Terra? Não acredito que qualquer governo no mundo, de forma isolada, dê informações sobre os UFOs que possam afetar a ordem social, religiosa e econômica global. Já temos conflitos homéricos suficientes aqui na Terra para termos que lidar com o que seria causado pela admissão da existência de outras espécies, ainda mais extraterrestres! Veja as guerras inter-raciais, os conflitos armados, a intolerância religiosa, o racismo e até as brigas entre torcidas de times de futebol.

Não há nenhuma exceção à vista? Acho que determinadas revelações podem até ser gradualmente liberadas para certos grupos, como uma espécie de experimento laboratorial para análise das reações das pessoas envolvidas neste processo. Mas, para o grande público, não creio. Tais revelações poderiam gerar pânico, levar a suicídios, a atentados etc, como já ocorreu com o programa de rádio A Guerra dos Mundos, de H. G. Wells, em 1938, que inventou uma invasão da Terra por marcianos. O tópico psicologia de massas é extremamente complexo, um verdadeiro terreno pantanoso. Tenho certeza de que os militares conhecem esta questão muito bem, e têm extremas salvaguardas para tratar desses assuntos.

Já finalizando, podemos aguardar para breve alguma obra literária sua na área da Ufologia? Você tem algum projeto em andamento? Tenho o projeto de um livro, que já estou escrevendo, no qual faço uma ponderação entre o lado místico exacerbado de alguns segmentos da Ufologia com as explicações simplistas e superficiais de cientistas sem informação ou conhecimento de Ufologia. Acho que será um verdadeiro “caminho do meio”, um espécie de yin yang da Ufologia. Está ainda em seu estágio embrionário, mas gestando.


Nos casos reais de abdução alienígena, com grandes possibilidades de terem ocorrido de fato, nitidamente parece que o abduzido é pego para um estudo mais apurado de seus órgãos internos, secreções e suas atitudes e comportamentos

Para completar, por favor, deixe uma mensagem aos leitores da Revista UFO, principalmente aos novatos que se interessem por nossa área. Gostaria de dizer que algumas atividades são muito importantes na Ufologia, e entre elas eu citaria o estudo de casos antigos, a realização de vigílias e investigações de campo in loco, além da análise de erros e acertos cometidos nestes processos, com suas possíveis múltiplas explicações. A análise simplista de uma observação ufológica, com conclusões apressadas, pode criar lendas como vemos hoje, tais como supostos UFOs que nada mais são do que reflexos, balões, pássaros e até fenômenos naturais pouco conhecidos. Muitas vezes, a mente humana “vê” coisas desconhecidas e as interpreta como quer, como é o caso da demonstração de letras desconexas que o cérebro consegue “ler”, ou de borrões que viram imagens bíblicas e até ETs. Mas são somente projeções do próprio encéfalo. Devemos ter critérios e muito discernimento em nossas pesquisas, pois assim contribuímos para uma Ufologia séria, em busca dos reais fenômenos que ainda não conseguimos explicar.

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