ENTREVISTA

A pesquisa ufológica deve ser um procedimento sistemático e organizado

Por Thiago Luiz Ticchetti | Edição 272 | Setembro de 2019

Desde seu nascimento, em 1947, a Ufologia guarda um caráter social implícito, o que faz com que muitas vezes ela se desenvolva melhor quando estudada em conjunto. Principalmente durante as primeiras décadas de pesquisa, o surgimento de grupos ufológicos era algo normal, especialmente porque não havia, como hoje, a facilidade de comunicação que possibilita que pessoas com interesses comuns se “conheçam” e se falem via internet.

Durante os anos 50 começaram a surgir os grandes grupos de Ufologia e as pessoas passaram a se reunir para trocar experiências e estudos, sempre buscando entender mais o assunto. Com o passar do tempo, entretanto, os grupos foram se dissolvendo e a velocidade com que se formavam novos começou a diminuir. Hoje, eles ainda existem, mas em número menor e de forma muito diferente do que já foram.

Nosso entrevistado desta edição é alguém que entende muito sobre a dinâmica dos grupos ufológicos e sobre a melhor forma de mantê-los ativos. É, também, especialista em pesquisa e uma verdadeira enciclopédia quando o assunto são casos e testemunhos ufológicos. Sua atuação como pesquisador vem de longa data e tanto sua formação quanto sua vida profissional foram influenciadas pelos UFOs.

Avistamento próximo

Foram 37 anos de serviços prestados no setor de tecnologia da IBM, mas a Ufologia já corria nas veias de Jan Harzan muito antes de ele colocar o pé na companhia. Seu interesse pelo Fenômeno UFO começou aos oito anos de idade, quando leu um artigo de Donald Keyhoe, na revista Argosy. Ele e seu irmão, então, passaram dois anos lendo tudo o que podiam sobre os UFOs e decidiram que iriam construir um disco voador, acreditando que a propulsão eletromagnética era o segredo que permitia a essas aeronaves percorrer distâncias tão grandes.

Durante o processo, os dois avistaram um UFO verdadeiro a menos de nove metros de distância — a nave não apresentava sistema de propulsão visível, mas emitia um zumbido. Esse evento mudou profundamente a vida de ambos. Como resultado dessa experiência, Harzan procurou encontrar a resposta para a tecnologia que esses veículos demonstram, acreditando que um avanço revolucionaria o transporte e a energia em nosso planeta.

Como parte de sua motivação, Harzan cursou a Escola de Engenharia da Universidade da Califórnia e recebeu seu bacharelado em engenharia nuclear. Após a faculdade, foi contratado pela gigante IBM, imaginando que apenas uma empresa de tal porte teria estrutura e verbas para a pesquisa que lhe daria a resposta que procurava. Quanto ao seu irmão, o encontro com o UFO a levou por caminhos diferentes, como veremos durante a entrevista.

Engenharia reversa

Jan Harzan foi nomeado diretor-executivo do Mutual UFO Network (MUFON) em 01 de agosto de 2013 e como membro do Conselho de Negócios da entidade tem sido fundamental na liderança do planejamento estratégico, bem como na criação do Sistema de Gerenciamento de Casos (CMS) usado para relatórios e acompanhamento investigativo de UFOs. Nesta entrevista o pesquisador nos fala de tudo um pouco, desde casos incríveis até relatos de ex-presidentes que tiveram acesso a segredos ufológicos. “Temos mais de 100 mil casos nos arquivos da MUFON. E a grande parte deles, cerca de 70%, é de eventos verdadeiros de avistamentos de naves extraterrestres”, diz ele, cheio de entusiasmo.

Quando perguntado se a tecnologia do UFO de Roswell é utilizada em nossa tecnologia atual, Harzan responde que houve, sim, uma engenharia reversa que hoje está presente nos chips de computadores, fibra ótica e micro-ondas. “Seria uma das maiores prioridades das comunidades militar e de Inteligência colocar as mãos em um veículo voador de origem extraterrestre. Uma fonte que seus leitores podem verificar é o livro do coronel Phillip Corso. Em The Day After Roswell [O Dia Depois de Roswell. Pocket Books, 1997], ele nos fala sobre estar no comando da Divisão de Tecnologia Estrangeira no Pentágono e ser responsável por colocar a tecnologia das naves alienígenas acidentadas nas mãos dos melhores da indústria, para descobrir exatamente do que eram feitas e como funcionavam”.

Nosso entrevistado também cita outras pessoas sobre cujas informações vale a pena prestarmos atenção. Diz ele: “Outra fonte é Bob Lazar, que afirma ter trabalhado no S4 perto da Área 51, na engenharia reversa embarcada em artefatos extraterrestres capturados pelos militares. Sua história foi checada muitas vezes pelo repórter da emissora KLAS-TV George Knapp, e parece ser bem coerente”. Ainda com relação à Lazar, Harzan não fugiu da raia e declarou: “Antes do documentário que ele lançou a respeito da Área 51 eu tinha 70% de certeza de que ele falava a verdade, mas depois que o assisti estou 100% convicto do que ele diz. O que mais poderia fazer com que o FBI fosse à sua casa vasculhar tudo à procura do elemento 115, sobre o qual ele alega ter conhecimento?”

A MUFON também foi protagonista de uma famosa série de TV do canal por assinatura History, chamada Hangar 1 [2014], que impactou de forma positiva a sociedade a respeito do fenômeno UFO. “Passamos a ter muito mais pessoas relatando suas experiências. Havia uma grande resistência por parte da mídia, de boa parte da sociedade e, principalmente, das autoridades. Não quebramos todos os tabus, mas partimos alguns ao meio, ou pelo menos colocamos mais pessoas para pensar sobre o fenômeno. Os depoimentos de militares e pilotos, por exemplo, encorajaram outros a fazerem o mesmo sem medo de serem ridicularizados, criticados ou intimidados”.

Depoimentos famosos

Outro aspecto que Jan Harzan considera importante na pesquisa ufológica são os testemunhos de pessoas famosas. “Não há dúvidas de que quanto mais famosa a pessoa e mais importante for a sua posição na sociedade — claro, sem desmerecer ninguém —, mais atenção ela vai receber da mídia. E tendo alguém assim falando sobre Ufologia, o nosso trabalho é beneficiado”, explica ele. Entre os famosos, o diretor-executivo da MUFON cita dois de seus favoritos: o ex-presidente Jimmy Carter e o astronauta Gordon Cooper.

Carter teve seu avistamento enquanto era governador da Geórgia, em 1969, durante uma palestra no Lions Clube — ele e uma dúzia de outras pessoas testemunharam uma forte luz azul no céu que não tinha explicação. O então governador foi entrevistado por um ufólogo e seu relatório foi produzido com sua assinatura. Pode-se ver esse documento na internet pesquisando por “Jimmy Carter UFO”. Baseado em sua experiência pessoal no avistamento daquele UFO, Carter prometeu, em 1975, que se fosse eleito presidente faria com que todos os arquivos que o governo dos Estados Unidos tem sobre os UFOs fossem disponibilizados para o público. “Claro, sabemos que isso nunca aconteceu. Quem o parou? O presidente não é o homem mais poderoso do mundo?”

Já Gordon Cooper passou por dois avistamentos sobre a Europa enquanto era piloto de caça da Força Aérea Norte-Americana (USAF), em 1951, quando perseguiu um UFO. “Mas o encontro mais impressionante que o astronauta teve ocorreu quando ele era major na Base Aérea de Edwards, no final dos anos 50, ao comandar uma equipe encarregada de filmar uma nave em forma de disco. E ele fala sobre esse evento claramente no seu livro Leap of Faith [Salto de Fé. Harper, 2000]”, explica Harzan.

E falando em ex-presidentes dos Estados Unidos que se envolveram com UFOs e extraterrestres, nosso entrevistado cita dois casos emblemáticos. Diz ele: “Tanto Dwight Eisenhower quanto Richard Nixon viram naves e seus tripulantes. Nixon ainda levou um amigo para um local secreto e Eisenhower teria se encontrado com seres de outro planeta. Bill Clinton, quando presidente, quis saber tudo que seu governo tinha a respeito desse assunto. Reagan também teve suas próprias experiências”. A seguir vamos conhecer esse e outros assuntos interessantes e importantes dentro do Fenômeno UFO.

Quando foi que você começou a se interessar por Ufologia? Comecei a me interessar ainda muito jovem, entre seis e sete anos. Nos Estados Unidos, no final dos anos 50 e início dos anos 60, havia muita coisa sobre UFOs sendo publicada nos jornais, principalmente nas primeiras páginas — inclusive de jornais sérios como Washington Post e The New York Times. Atualmente é muito difícil encontrar uma simples publicação em algum grande jornal, ainda que o fenômeno ufológico seja algo constante. Após ler muito sobre o tema, eu e meu irmão mais novo concluímos que essas aeronaves usavam alguma forma de propulsão eletromagnética para voar e então projetamos uma nave com cerca de nove metros de diâmetro e planejamos montá-la em nosso quintal. Foi nessa época que tivemos o nosso avistamento. Um UFO ficou a no máximo 10 m de onde estávamos.

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