ENTREVISTA

A constante presença alienígena em nossos mares e oceanos

Por Laura Maria Elias | Edição 254 | Janeiro de 2018

No final da Segunda Guerra, o mundo, ainda em estado de choque diante das atrocidades praticadas, viu-se ameaçado por outro conflito: a Guerra Fria. As bombas atômicas lançadas sobre o Japão haviam deixado claro que qualquer conflito mundial que viesse daquele ponto em diante tinha o potencial de destruir o planeta. Esse medo da aniquilação total foi a tônica do momento.

A Guerra Fria, que foi a divisão econômica e político-ideológica do mundo entre comunismo e capitalismo, separou nações e deu início a uma feroz corrida armamentista. A polarização mundial tinha a ver, e muito, com quem guardava mais poder de destruição. Por ser um conflito surdo, uma guerra sempre pronta a explodir, ambas as partes passaram a desenvolver e a aperfeiçoar não apenas seus recursos bélicos, mas também de espionagem e propaganda.

Para vencer o inimigo valia de tudo, desde implantar espiões disfarçados de pessoas comuns nos países inimigos, até treinar e utilizar médiuns, sensitivos e pessoas com capacidades telepáticas para espionarem e implantarem ideias nas mentes do lado oposto. Na década de 50 o conflito literalmente alcançou o espaço, com o lançamento, em 1957, do satélite soviético Sputnik, o primeiro objeto fabricado por humanos a sair da Terra. Havia sido dada a largada para a corrida espacial e no ano seguinte os norte-americanos criariam sua agência espacial, a Agência Espacial Norte-Americana (NASA), para fazerem frente aos progressos soviéticos. Daí em diante o mundo passou a acompanhar com atenção as conquistas alcançadas por ambos os lados do conflito.

Quebrando o silêncio

Porém, havia também outros olhos interessados em nossos progressos — muito especialmente em nossas bombas, aviões e bases militares. Vindos de um lugar desconhecido, UFOs e OSNIs começaram a surgir nos céus e oceanos da Terra, com uma presença que desafiava políticas e governos. Rompendo divisas territoriais e pouco se importando com as disputas humanas, os extraterrestres vasculharam nosso planeta inteiro, preocupando as autoridades de vários países.

Embora seja prática comum entre os governos, principalmente aqueles de países altamente desenvolvidos, manter um véu de silêncio sobre as ocorrências envolvendo UFOs e OSNIs, nenhuma nação conseguiu alcançar o padrão de sigilo imposto pelos soviéticos. Até hoje, quase nada se sabe sobre o que acontecia nos altos escalões do bloco sobre as pesquisas desenvolvidas por seus cientistas e sobre o modo como tratavam os UFOs. A Ufologia era, obviamente, proibida na União Soviética. Lentamente, porém, o véu do silêncio começa a ser erguido e alguns casos são divulgados.

Fonte: SOVIET LIFE

Um dos prédios da antiga KGB, em Moscou, para onde eram enviados os registros de UFOs e OSNIs observados na Rússia

Nosso entrevistado dessa edição é alguém que trabalha há anos para que os segredos soviéticos em relação aos extraterrestres sejam conhecidos. Para tanto, utiliza sua extensa rede de contatos em toda a região da extinta União Soviética e também os relatos que recebe em seu grupo de estudos. Nascido em Kiev, na Ucrânia, Paul Stonehill tem a seu favor o domínio do idioma russo e a rede de amigos que construiu ao longo de sua carreira.

O pesquisador chegou aos Estados Unidos em 1973 como refugiado, com 14 anos de idade. Em sua juventude, ajudou muitas pessoas a saírem da Cortina de Ferro, socorreu dissidentes e conseguiu contrabandear literatura que havia sido banida na União Soviética. Mais tarde, graduou-se em ciências políticas pela Universidade da Califórnia, com uma tese sobre a invasão soviética ao Afeganistão. Stonehill também trabalhou como jornalista de guerra e como freelancer em coberturas sobre UFOs e fenômenos anômalos.

Pesquisador experiente

A partir de 1989 nosso entrevistado tornou-se consultor de emissoras de TV, de companhias cinematográficas e de entidades corporativas dos Estados Unidos. Suas especialidades são história russa, operações soviéticas de acobertamento, questões de segurança corporativa para trabalhadores expatriados, guerras soviéticas, treinamentos interculturais e fenômenos anômalos no Leste Europeu, Rússia, Ásia Central e China.

Em 1993 a revista Omni publicou uma matéria sobre Stonehill e o Russian Ufology Research Center [Centro Russo de Pesquisa Ufológica (RURC)], criado por ele em 1991. Após a queda do comunismo, seus artigos começaram a circular também na Rússia e na Ucrânia. Os assuntos sobre os quais escreve incluem a pesquisa russa e soviética sobre assuntos paranormais, fenômenos submarinos anômalos, mistérios do programa espacial soviético, mistérios na Antiguidade do Leste Europeu, Ásia Central, Império Mongol e Sibéria, experimentos russos de viagem no tempo, trens fantasmas na Eurásia, programas soviéticos de controle mental e a presença do Fenômeno UFO na Rússia, Ucrânia e países bálticos.

Paul Stonehill também contribui como articulista para o portal Openminds [Endereço: www.openminds.tv], é autor das obras UFOs na Rússia: Antes e Depois da Queda do Comunismo [Biblioteca UFO, 2009], Paranormal Mysteries of Eurasia [Galde Press, 2011], e coautor de diversas obras com Philip Mantle, incluindo o sensacional OSNIs: Segredo dos Russos [Biblioteca UFO, 2016]. O autor também integra a equipe do programa Alienígenas do Passado, do canal a cabo History Channel.

Seu livro OSNIs: Segredo dos Russos, nos mostra uma série de casos inéditos no Ocidente, desvendando alguns dos mistérios da Marinha Soviética, cujos arquivos são guardados a sete chaves. Ele também nos dá um panorama do que foram as longas décadas da Guerra Fria e sua consequência para o mundo — ecossistemas destruídos, tribos antigas dizimadas, conhecimento ancestral perdido para sempre. Na entrevista a seguir conheceremos mais sobre o pesquisador e sua obra.

Como nasceu seu interesse pela pesquisa dos discos voadores?

Eu comecei a me interessar pelo assunto ainda na infância, por volta de 8 ou 9 anos de idade. Quando eu ainda morava em Kiev, um de nossos vizinhos, que era militar, contava que havia encontrado um UFO sobre o Ártico enquanto fazia um voo de reconhecimento. Segundo ele, os soldados chegaram a atirar no objeto, mas não conseguiram acertá-lo. Essa história me fascinou muito, porque os militares não costumavam mentir sobre coisas desse tipo — eles são pessoas sérias. Ao menos era o que eu pensava na época. A história daquele homem pesou bastante em meu interesse por Ufologia, mas houve outros fatores também.

Na URSS, qualquer assunto que resvalasse o paranormal era considerado coisa de gente inculta e atrasada, e em parte porque contrariava os ditames do Partido Comunista. Mas as coisas aconteciam mesmo que o partido não quisesse, é claro.

Como, por exemplo?
Bem, havia uma revista soviética chamada Tekhnika Molodezhi [Tecnologia Moderna] que apresentava notícias e artigos sobre novas tecnologias, falava sobre novas publicações de ficção científica e, ocasionalmente, discutia temas considerados paranormais. Os editores precisavam ter cuidado, pois o partido comunista censurou a publicação e exigiu sua adesão à linha de pensamento oficial. Mas algumas coisas passavam pela filtragem comunista, incluindo lembranças dos cosmonautas sobre eventos ou avistamentos bastante incomuns. Eu amava a revista. E também passei a me interessar muito pelos enigmas da Antiguidade depois de encontrar pilhas de edições da década de 50 que falavam sobre o assunto.

Havia muitas pessoas interessadas em Ufologia em Kiev?
Sim, mas a maioria guardava seus interesses para si mesmas. Em parte, porque qualquer assunto que resvalasse o paranormal era considerado coisa de gente inculta e atrasada, e em parte porque contrariava os ditames do Partido Comunista. Mas as coisas aconteciam mesmo que o partido não quisesse, porque os UFOs e outros fenômenos não costumam obedecer às leis humanas, como sabemos. Havia pessoas inteligentes e esclarecidas que discutiam esses assuntos, mas tudo era feito com muita privacidade e cuidado. Porém, nos altos círculos, principalmente na Marinha Soviética, havia grande interesse pelo assunto. E mesmo com toda a censura e todas as proibições, algumas informações sempre vazavam e de alguma forma circulavam entre quem se interessava por elas.

Seu livro OSNIs: Os Incríveis Segredo dos Russos traz alguns casos realmente impressionantes, muitos deles ocorridos durante os anos de chumbo da União Soviética. Como você conseguiu ter acesso a essa informação?
Bem, mesmo refugiado nos Estados Unidos, eu mantive alguns contatos com investigadores de campo que me informavam sobre os desenvolvimentos de pesquisa ufológica na então URSS ao longo dos anos. E a partir de 1987 comecei a publicar meus artigos em russo, o que fez com que muitos pesquisadores e testemunhas se aproximassem e que nós pudéssemos trocar informações. Meu grande interesse, e por isso os livros, era saber como os soviéticos lidavam com a presença de UFOs e OSNIs, que tipo de estudos e pesquisas faziam etc. No livro eu e Philip Mantle exploramos muitos casos ocorridos em vários países do bloco comunista, em diferentes épocas.

Você disse que a Marinha Soviética sempre se interessou muito sobre o assunto. O que pode nos contar sobre isso?
Primeiro é importante ressaltarmos que os russos têm uma longa história de liderança na área de submersíveis — eles desenvolveram um submergível chamado POISK-6, com capacidade para três homens, que suportava mergulhos profundos para operações no fundo do mar. Não sabemos muito sobre ele aqui no Ocidente, mas sabemos que o veículo foi desenvolvido em Leningrado. Em 1985, antes de os japoneses e franceses desenvolverem seus submarinos, o POISK-6 já conseguia atingir a profundidade de 6.000 m. Portanto, é natural que a Marinha Soviética tenha recolhido mais dados sobre o que se passava no fundo dos oceanos do que outros países. Ela começou primeiro.

Mas eles investigavam casos de objetos submarinos não identificados?
A Marinha publicamente sempre negou de todas as maneiras possíveis a existência de objetos anômalos, mas internamente a visão era bem diferente. Segundo Vladimir Ajaja, um dos mais importantes ufólogos russos, a Marinha tinha um grande interesse pelos OSNIs, e não apenas pela questão da segurança, mas também pela questão tecnológica. O pesquisador, que também servira naquela Força, tornou-se amigo do vice-almirante Y. V. Ivanov, chefe da Diretoria de Inteligência Naval. Ivanov lhe garantiu, com todas as letras, que a Inteligência naval soviética há muito considerava os UFOs um assunto que demandava séria investigação. Mais tarde o próprio Ajaja foi chamado para dar palestras sobre o assunto. Naquelas ocasiões, os espectadores eram sempre de altíssima patente, cientistas e membros da Inteligência.

Fonte: SOVIET NAVY TIMES

Os submarinos russos, hoje soviétivos, sempre perseguiam objetos submarinos não identificados, ou eram perseguidos por eles

Isso contrariava totalmente as diretrizes do Partido Comunista, imagino.
Sim, mas na Marinha as questões de Defesa tinham precedência às questões políticas. E havia muitos incidentes e ocorrências sem explicação lógica narrados pelos tripulantes dos navios e submarinos, que colocavam em xeque a segurança dos marinheiros. Um deles era um fenômeno que ficou conhecido como kvakeri [Coaxar].

Por favor, nos conte sobre ele.
Isso ocorreu durante os anos 60, justamente na fase mais difícil e perigosa da Guerra Fria. Naquela época, os submarinos nucleares começaram a se deparar com sons estranhos que pareciam vir de objetos localizados em profundidades abissais. Os ruídos, captados pelas unidades de monitoramento hidroacústicos e pelos monitores soviéticos nas embarcações, lembravam muito o coaxar de rãs, e os marinheiros batizaram o fenômeno de kvakeri, termo que foi oficialmente adotado pela Marinha. Os indicadores de curso dos navios de apoio mostravam que objetos desconhecidos circularam e acompanharam os submarinos, muitas vezes alterando a frequência e o tom de seus sinais de rádio — era como se aqueles objetos desconhecidos estivessem convidando os submarinos a iniciarem algum tipo de conversação.

Alguém conseguiu iniciar uma conversação com os kvakeri?
Não que se saiba, mas foram feitas várias tentativas, conforme explicamos em nosso livro. A situação preocupou muito a Marinha, pois os comandantes dos submarinos e dos navios de guerra se sentiam ameaçados pelo fenômeno, que também abatia a moral dos tripulantes. A preocupação era tão grande que o ministro da Defesa, marechal Andrei Antonovich Grechko, ordenou a criação de uma equipe de investigação especial por parte da direção de Inteligência da Marinha Soviética para estudar o assunto. Mas mesmo a investigação correndo enquanto o fenômeno estava extremamente ativo, nunca se chegou a nenhuma conclusão e a pesquisa foi suspensa nos anos 80, sem qualquer explicação. As teorias foram muitas e iam desde tecnologia espiã norte-americana até acasalamento de baleias.

Houve algum incidente mais grave envolvendo o fenômeno? Algum submarino ou navio foi objetivamente ameaçado ou atacado?
Não, o fenômeno dos kvakeri, por mais ativo e intrigante que fosse, se mostrou pacífico. Eles nunca agiram de forma agressiva em suas interferências nos sistemas acústicos dos submarinos, apenas os acompanhavam até que o último deles deixasse a área onde estavam. Logo que as embarcações saíam daquele ponto específico, eles emitiam um último som e então o coaxar silenciava. No livro eu cito muitos casos e detalho bem como foram feitas as investigações. Foi um fenômeno realmente intrigante.

Os arquivos relativos a essa pesquisa foram tornados públicos?
De forma alguma. E nem serão tão cedo. Na Rússia, qualquer coisa que se relacione à Inteligência ou contrainteligência naval ainda demorará muito para ser desclassificada. E as razões são muito claras, uma vez que essas informações estão associadas às rotas usadas pelos submarinos, portanto também associadas a informações de segurança nacional. Nem mesmo sei se algum dia chegarão a ser liberadas.

Qual sua opinião sobre o fenômeno dos kvakeri?
Olhe, pessoalmente acredito que fosse algo ligado à conservação ambiental, algum tipo de alerta sobre a contaminação dos oceanos. Tenho essa visão porque os sons pareciam se concentrar em embarcações movidas a combustível nuclear e todos sabemos o perigo que ele representa e também o tamanho do desastre ambiental que já ocorre por conta disso.

A Inteligência naval soviética considerava os UFOs um assunto que demandava séria investigação. Mais tarde o próprio Vladimir Ajaja foi chamado para dar palestras sobre o assunto. Os espectadores eram sempre de altíssima patente e cientistas.

Você poderia nos explicar melhor o assunto? Muitos de nós não conhecemos bem a extensão dos danos ambientais causados pela Guerra Fria.
Esse é um assunto muito denso e longo, mas tratando-o de forma breve, vamos pensar que, de acordo com dados oficiais emitidos em 1989, havia 400 submarinos nucleares em atividade, e mais um bom número sendo construído. Pelo menos 300 desses vasos foram desmontados ou tirados de circulação devido aos programas de redução de armas. Hoje, os Estados Unidos, Rússia, Grã-Bretanha, França e a China possuem, juntos, 160 dessas embarcações e o Ártico acabou se tornando um grande cemitério para os temidos submarinos nucleares soviéticos. Imagine o tamanho do estrago ambiental que vai ocorrer quando os tanques de armazenamento de urânio e plutônio altamente enriquecido desses submarinos começarem a vazar nas águas polares. Talvez os kvakeri estivessem justamente nos alertando para o perigo que as embarcações representavam ou tentando investigar que tipo de combustível nós usávamos.

Em seu livro você conta vários casos ligados à presença de nadadores gigantescos testemunhados por soldados soviéticos. O que você pode nos dizer a respeito?
No livro há vários eventos envolvendo esses estranhos “nadadores”, que têm cerca de 3 m de altura e corpos largos e fortes. Também explicamos como eles podem estar conectados aos épicos indianos, o que indica que esses encontros vêm de longa data. Um dos casos que apresentamos foi narrado por um oficial soviético e teria ocorrido nas regiões militares da Ferrovia Trans-Baikal, no oeste da Sibéria. Lá, durante os exercícios de mergulho no Lago Baikal, os homens-rãs teriam encontrado misteriosos nadadores subaquáticos, de aparência muito semelhante à humana. Apesar da temperatura enregelante da água e dos 50 m de profundidade, eles vestiam apenas um traje prateado justo e não usavam qualquer tipo de escafandro ou equipamento de mergulho, nem mesmo respiradores ou globos de proteção. Seres assim, usando esse tipo de roupa prateada, foram vistos em rios e em grandes lagos soviéticos, em vários países. São narrativas muito interessantes porque remontam há muito tempo e vêm muitas vezes de pessoas simples.

Mas o caso foi levado a sério pelos militares ou pelas autoridades?
Muito, mesmo porque o encontro resultou na morte de vários homens-rãs durante uma tentativa de captura, feita pelos militares, de pelo menos um dos nadadores. Aparentemente, quando um dos homens-rãs tentou cobrir um dos misteriosos gigantes com uma rede, alguma poderosa força desconhecida atirou toda a equipe para fora do lago, de uma só vez, causando uma embolia por descompressão rápida. O único tratamento disponível consistia em confinar imediatamente os mergulhadores em uma câmara hiperbárica, mas de todas as que havia no acampamento, apenas uma funcionava bem. Ela, porém, era pequena, com capacidade para apenas duas pessoas. Sem escolha sobre o que fazer, o comandante forçou todos os homens a entrarem juntos na câmera de pressão. Como resultado, três deles morreram, incluindo o próprio comandante, e os outros ficaram inválidos.

Muito se fala sobre o Lago Baikal ser um polo de ocorrências ufológicas. O que pode nos contar sobre a região?
O Baikal é um dos maiores e mais magníficos lagos do mundo, e tem uma profundidade superior a 1.600 m. Além disso, ele contém o maior volume de água doce entre todos os lagos do planeta. Há muitas histórias que cercam toda a região. Por exemplo, uma lenda local diz que ele não tem fundo e está conectado a todos os oceanos, mares e rios da Terra. Diz-se também que em suas profundezas localiza-se o castelo de prata de Erlik Khan, o deus da morte e o governador dos destinos para o povo siberiano. Há muitas histórias e ocorrências ufológicas e paranormais em torno do Baikal — o lago tem uma aura mística muito forte.

Há algum caso ocorrido ali que você possa repartir conosco?
Há registros de avistamentos por lá desde o final do século XIX, ou seja, muito antes de existirem aviões e helicópteros. No livro OSNIs detalhamos vários casos, mas vou narrar resumidamente uma das ocorrências que nos chamaram muito a atenção. O caso se deu em 1964, em uma época politicamente muito sensível para o mundo. Naquele ano, uma unidade de mísseis antiaéreos localizada a 25 km da capital da Buriácia, uma república do tamanho da Alemanha que faz divisa com o lago, foi atacada na noite de 17 para 18 de maio.

Atacada por um UFO?
Sim. Um brilho subiu sobre o Lago Baikal e se espalhou por toda a região. Não era um fenômeno meteorológico e nem o pôr do Sol e os militares pensaram que a taiga estivesse em chamas. Mais tarde, a unidade perdeu todos os meios de comunicação — apenas uma forte interferência podia ser ouvida em seus equipamentos de telecomunicação. Sobre o horizonte, na direção do lago, havia uma esfera de fogo alaranjada que pulsava como se fosse um organismo vivo, emanando um forte brilho radiante. O objeto tinha o tamanho aproximado do Sol ao meio-dia, mas não era tão brilhante e podia ser visto a olho nu. A unidade militar soou o alarme e, conforme as horas passavam, todas as comunicações morreram. Apenas a linha regular de telefone podia ser usada para informar o oficial no comando.

Fonte: NATGEO

Estranhos nadadores de até três metros de altura, sem roupa de mergulho, eram registrados por tripulações soviéticas

E o que houve?
A esfera começou a se aproximar da unidade militar, e quanto mais perto chegava, mais seu brilho diminuía, como se ela estivesse perdendo energia. Quando o objeto começou a passar sobre a unidade militar, o comandante suspendeu todas as tentativas de descobrir o que era aquilo e ordenou que se trancasse o complexo, selando a instalação para o mundo exterior. Relatórios da ocorrência foram feitos para a KGB local, cujos agentes chegaram às instalações logo após o incidente. Apesar de o fenômeno ter sido observado por muitos militares e de a KGB ter se envolvido, nenhuma explicação satisfatória foi dada para os acontecimentos de maio de 1964 no Lago Baikal. E esse é apenas um pequeno exemplo do que ocorre na região.

Voltando aos OSNIs e suas interações com os submarinos, que outras manifestações você coletou além do fenômeno dos kvakeri?
São muitos casos, alguns ocorridos ainda na época de Stalin, no início dos anos 50, e eu acredito que haja incidentes ainda anteriores. Nós não tivemos acesso a nenhum relato ou documento que os registrasse, mas isso não significa que eles não existiram e que não haja documentação a respeito trancafiada em algum lugar da Rússia. Em nosso livro descrevemos uma série de incidentes, cobrindo várias décadas — alguns bem atuais, inclusive.

Esses incidentes foram registrados?
Alguns sim e outros vieram por meio do relato de oficiais da reserva que se sentiram livres para falar a respeito. Muitos até hoje temem contar o que sabem, ainda fiéis ao juramento de silêncio que foram obrigados a fazer. Como disse um oficial entrevistado pelo escritor Wayne Frey para seu livro Russian Submarines: Guardians of the Motherland [Infinity Publishing, 2006], “tudo o que fosse desconhecido era identificado como parte da vida marinha”. Ainda segundo a testemunha, aqueles “eram os tempos da União Soviética, era assim que as coisas eram feitas por lá e ninguém queria ter problemas com a KGB”. Muitos ex-militares ainda pensam assim.

Você poderia nos contar um deles?
Claro. Houve um caso muito interessante e chamativo ocorrido em 1965, quando um submarino nuclear soviético cruzava o Oceano Atlântico para se encontrar com um navio de guerra. Por uma série de razões, o submarino chegou 90 minutos antes da hora marcada, o que deu ao capitão e à tripulação a oportunidade para subir até o convés, esticar as pernas e tomar um pouco de ar fresco. Não havia navios na área e o céu estava limpo e estrelado. De repente, o vigia notou um objeto em forma de charuto se movendo silenciosamente pelo céu. Embora o submarino estivesse em águas internacionais, a tripulação assumiu que o objeto não identificado fosse norte-americano e, por isso, tentou submergir imediatamente. No entanto, como o radar de bordo não registrava nada, o capitão decidiu permanecer na superfície.

Seres assim, como estes estranhos nadadores, usando esse tipo de roupa prateada, foram vistos em rios e lagos soviéticos. São narrativas muito interessantes porque remontam há muito tempo e vêm muitas vezes de pessoas bastante simples.

E o que houve?
De repente, o UFO lançou três raios luminosos e isso permitiu que a tripulação observasse que o objeto se parecia com um dirigível, mas sem gôndolas ou lemes horizontais e verticais. Ele era muito grande, algo entre 200 a 250 m, e os soviéticos sabiam que os dirigíveis usados pela Força Aérea Norte-Americana (USAF) eram muito menores do que aquele objeto. Quando estava a uma distância de 800 m do submarino, o UFO desceu lentamente até a superfície do oceano e, com seus holofotes ainda ligados, submergiu. Quando isso aconteceu, o sonar de bordo registrou um som parecido com um assobio estranho e intenso que durou por alguns segundos — todos que tinham observado o UFO foram obrigados a relatar os detalhes e a fornecer desenhos para a Secretaria Especial, ou seja, para a Inteligência da Marinha.

É um caso e tanto, realmente.
Sim, esse caso é muito impressionante, principalmente pela qualidade das testemunhas, mas não é único. Em 1965 houve um evento envolvendo marinheiros soviéticos e árabes, obviamente em navios diferentes, no Mar Vermelho. Na ocasião, uma esfera de fogo saiu de dentro da água e pairou sobre as embarcações, iluminando tudo a seu redor. Em 1972, um UFO que mudava de forma foi observado por marinheiros a bordo de um navio científico russo, a 550 km das Bermudas. Em 1976, um navio soviético de pesquisa estava na Baía de Bengala quando os cientistas notaram um grande ponto de luz branca brilhante se movimentando à profundidade de 170 m, em um raio de 150 a 200 m. E assim por diante. São muitos casos, não teria como citar todos aqui.

Ou seja, os soviéticos tiveram encontros tanto em suas águas como em águas internacionais.
Sim. Como eu disse anteriormente, os UFOs não reconhecem nossas fronteiras — para eles há apenas o planeta Terra. Eles não dividem nosso mundo em territórios. Durante os anos da Guerra Fria, submarinos norte-americanos e soviéticos esquadrinharam o globo, ainda que muitas vezes de forma secreta, e eu acredito que os incidentes envolvendo OSNIs cheguem à casa das dezenas de milhares. Infelizmente, o sigilo impera e cada vez que tomamos conhecimento de um caso novo, ainda que ele tenha acontecido há 50 ou 60 anos, comemoramos.

É compreensível. Você falou em 50 ou 60 anos e isso faz pensar em casos bem mais antigos, ocorridos há vários séculos. Há algo assim que possa dividir conosco?
Houve um caso espetacular registrado em um manuscrito que descreve a Batalha de Chudskoye, ocorrida em 05 abril de 1242. Esse importante conflito regional, também conhecido como a Batalha do Lago Peipus, fez parte das Cruzadas do Norte e se estendeu por algum tempo. O manuscrito contém uma pequena pintura, cujo nome se perdeu no tempo, que mostra um UFO e o rosto de alguém que observa a batalha por uma de suas janelas ou escotilhas. Para acrescentar ainda mais interesse ao assunto, segundo o texto, muitas testemunhas, incluindo as tropas russas lideradas pelo grande príncipe Alexander Nevsky, viram algo que descreveram como “tropas celestiais”. E mais, tais tropas ajudaram os russos a derrotarem os cavaleiros teutônicos que haviam invadido a república de Novgorod.

Não seria a primeira vez que os UFOs tomam partido em uma disputa humana, há vários exemplos disso na história. Há mais algum outro caso?
Há muitos outros, como, por exemplo, um relato antigo sobre UFOs escrito pelo barão de Bie, embaixador holandês na corte do czar Pedro, o Grande, que está detalhado em um relatório mantido nos arquivos da Marinha Soviética. O relato conta um avistamento incomum que aconteceu durante a época da Páscoa. Na verdade, quando lemos o relato, o que o embaixador descreve é uma batalha aérea que foi presenciada próximo a São Petersburgo, às 21h00 de 09 de abril de 1716. Esse é um dos casos mais impressionantes que eu já tomei conhecimento. Primeiro porque vem de uma época em que voar ainda era algo muito distante — não havia aviões, helicópteros, dirigíveis ou qualquer outra coisa que pudesse confundir as testemunhas. Depois, pela qualidade e seriedade das pessoas que testemunharam os acontecimentos, todas elas acima de qualquer suspeita.

Você pode nos contar o que houve?
Segundo o relato de Bie, o céu estava claro e sem nuvens quando, de repente, uma densa e escura nuvem apareceu na direção nordeste. Sua parte superior era reta e a parte de baixo, mais larga. Ela atravessou o céu em grande velocidade. Ao mesmo tempo, outra nuvem semelhante apareceu ao norte e aproximou-se da primeira. Quando as duas estavam próximas, um tipo de pilar brilhante apareceu entre elas, perdurando por vários minutos. Depois disso, elas colidiram entre si com força extrema, aparentemente se quebrando com o impacto. Uma chama se formou no ponto da colisão, acompanhada por muita fumaça e raios de fogo que disparavam em todas as direções. Agora me diga: como é que uma nuvem se quebra? E ainda tem mais...

Fonte: RUSSIA TREKKERS

Cena do impressionante Lago Baikal, um hot spot de avistamentos ufológicos que chama a atenção dos ufólogos

Por favor, nos conte.
Numerosas nuvens menores se deslocaram a grande velocidade emitindo raios. Complementando a cena, muitos objetos descritos como “flechas de ferro” apareceram no céu, alcançando altitudes de 80° acima do horizonte. As testemunhas descreveram uma terrível e assustadora cena que lembrou batalhas terrestres e navais. O relatório também mencionava que, naquele mesmo momento, um “cometa” muito brilhante surgiu a noroeste, elevando-se a 12° acima do horizonte. Todo o fenômeno durou 15 minutos. Em nosso livro OSNIs descrevemos outros casos também, inclusive um muito interessante ocorrido no Mar Báltico, em 1845.

E o que você pode nos dizer sobre o avistamento de Robozero?
Eu acredito que o avistamento de Robozero, ocorrido em 1663, seja o mais famoso caso de UFOs na história antiga da Rússia — e nós só sabemos que ele existiu graças aos esforços da Comissão Arqueológica, que publicou uma coleção de seu Atos Históricos, em 1842. Entre os atos havia um documento autêntico do século XVII, falando sobre um trabalhador que narrara aos seus mestres um episódio incrível que ele havia presenciado a aproximadamente um quilômetro do Monastério de Loza. De acordo com o documento, “um grande barulho” ressoou sobre o então existente Lago Robozero, situado na região de Vologda. Vinda do Norte, surgiu no azul claro do céu uma enorme esfera flamejante, com não menos do que 40 m de diâmetro. Sua parte dianteira emitia dois raios de aproximadamente 40 m. De suas laterais saída uma fumaça azul. A imensa bola de fogo pairou sobre o lago.

Houve outras testemunhas?
Uma multidão, na verdade. Naquele dia comemorava-se a Anunciação e os moradores da região estavam quase todos na igreja que ficava em frente ao lago. O grande barulho ocorreu exatamente quando começavam as preces cantadas. As pessoas correram para fora, mas, segundo texto, ao se depararem com a visão assustadora, voltaram para a igreja e “oraram ao Senhor e à Virgem Maria, com lágrimas e choro” e, como resultado, “a grande chama e as duas menores desapareceram”. Entretanto, a chama de fogo logo reapareceu sobre o lago, um pouco mais para oeste, a 500 m de onde havia surgido inicialmente. Um pouco mais tarde o mesmo objeto, que aparentemente havia se tornado mais brilhante e mais aterrorizante, reapareceu a oeste e, deslocando-se na mesma direção, foi diminuindo até se perder de vista. A “chama” pairou sobre o Robozero por aproximadamente uma hora e meia.

Mudando um pouco de assunto, no livro OSNIs: Os Incríveis Segredos dos Russos vocês mencionam algo chamado Projeto Kodumaa. O que vem a ser ele?
Essa é uma história interessante envolvendo uma expedição russo-finlandesa com cientistas da Universidade de Jyväskylä, da Finlândia, e do Instituto Pedro, o Grande de Antropologia e Etnografia, da Rússia, que teria terminado em 1996. Os relatos dizem que o Governo Finlandês investiu 110 milhões de marcos no projeto, que recebeu o nome de Kodumaa, e que teria começado antes da desintegração da União Soviética. Infelizmente, não conseguimos encontrar qualquer confirmação de sua existência ou os nomes daqueles que dele teriam participado. Esse tipo de coisa é um pouco frustrante em relação à pesquisa sobre as ocorrências soviéticas — elas são muito difíceis de ser comprovadas.

Sobre o horizonte havia uma esfera de fogo alaranjada que pulsava como se fosse um organismo vivo, emanando um forte brilho radiante. O objeto tinha o tamanho do Sol ao meio-dia, mas não era tão brilhante e podia ser visto a olho nu.

Mas seria um projeto conjunto para fazer o quê?
Para se encontrar um UFO que teria se acidentado em nosso planeta antes da primeira Idade do Gelo na Europa. Em 1986, dois jovens cientistas de Leningrado, Vladimir Majdanov e Aleksey Knyazev, descobriram um fraco traço de radioatividade que percorria a Escandinávia a partir de Helsinki, atravessava Kronshtadt e terminava abruptamente na área de Volosovo, na União Soviética. Em 1990, cientistas da Finlândia e da Suécia afirmaram que aquele sinal, que era mais fraco na região soviética, se tornava bem mais forte nas montanhas da Escandinávia. Os cientistas soviéticos, por uma razão que não sabemos qual foi, chegaram à conclusão de que aquele sinal era o rastro de um UFO acidentado.

E o que eles fizeram?
Bem, eles tinham um monte de perguntas, e para tentar encontrar as respostas, cientistas estrangeiros se juntaram à pesquisa e um satélite sueco realizou medições do rastro radioativo no Oceano Ártico. A conclusão a qual chegaram foi a de que muito provavelmente um desastre acontecera antes de primeira Idade do Gelo, na Europa — e talvez até a tenha causado —, quando uma espaçonave alienígena tentou pousar nas montanhas escandinavas. A nave teria batido nas montanhas e apenas sua célula de escape atingiu Volosovo.

E eles conseguiram encontrar algo de concreto na pesquisa?
Eles não tinham dinheiro para continuar as buscas, mas acabaram encontrando algum tipo de confirmação em uma escavação arqueológica feita pelo pintor e professor russo Nikolai Roerich, falecido em 1947. Roerich havia encontrado, e depois desenhado, um cemitério considerado sagrado pela população local. A área escavada está próxima a São Petersburgo e ao Mar Báltico. Knyazev e Majdanov conseguiram pesquisar os documentos da expedição e obtiveram a descrição e as medidas exatas do antigo cemitério — de acordo com os dois, elas combinam com as da cápsula de emergência ou célula de escape ou das missões Apollo.

Eles chegaram a alguma conclusão a respeito disso? Qual?
Os cientistas acreditam que aqueles que sobreviveram ao acidente tenham enterrado os alienígenas mortos e depois tentado recuperar os fragmentos da nave. A Idade do Gelo, entretanto, logo forçou a população a se retirar para a área das montanhas de Pamir, na Ásia Central. Um glacier gigantesco teria empurrado os fragmentos da nave para o Oceano Ártico, encobrindo-os. Talvez Nikolai Roerich tenha imaginado o mesmo. Muitos cientistas e médicos observaram que os povos de Volosovo têm características antropológicas diferentes dos povos da Estônia, Finlândia e mesmo da Rússia.

Você tem uma longa experiência em pesquisa, conhece muito da literatura ufológica e é amigo de muitos pesquisadores. Para você, o que são os UFOs?
Essa é uma pergunta difícil de responder. Muitas vezes eles se comportam como objetos sólidos, físicos, deixam marcas, emitem luzes, fazem barulho. Em outras eles parecem algo saído de um sonho, realizando manobras e pulando de um lugar para o outro instantaneamente. Eu gostaria muito de poder afirmar que eles são isso ou aquilo, mas não posso. Tudo o que eu posso fazer é afirmar que eles existem, que o fenômeno é real e muito, muito antigo.

Agora que estamos chegando ao final desta entrevista, há algo que você gostaria de acrescentar?
Sim. Eu entendo que muitas pessoas não conhecem os casos ocorridos na União Soviética e por isso eu quis muito publicar o livro sobre OSNIs, pois ele é também um alerta para o tamanho da devastação ambiental causada pela Guerra Fria. Além disso, apresenta um pouco das regiões árticas, quase totalmente desconhecidas da maioria das pessoas. Eu sinceramente espero que a obra lance luzes sobre assuntos pouco debatidos e desperte o interesse do público sobre eles.

Para encerrarmos, você gostaria de deixar alguma mensagem para nossos leitores?
Eu gostaria de dizer a todos que pesquisem e tenham cuidado com dados que são divulgados, principalmente em sites sensacionalistas. Há muitas pessoas mal-intencionadas e também muitas pessoas mal informadas divulgando coisas por aí. Quando falamos sobre OSNIs, estamos basicamente falando sobre os mistérios dos oceanos, que são muitos e sobre os quais pouco sabemos. Assim, há que se tomar cuidado com quem afirma saber a verdade e com quem fecha a questão em um único ponto. Nós não sabemos que descobertas ainda serão feitas, mas é bem possível que elas nos mostrem que tudo o que achávamos que sabíamos estava errado.

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