Equipe UFO
Entrevista
Equipe UFO

Atualmente, um dos fatos mais relevantes da Ufologia é o problema das seitas e dos aproveitadores que, delinqüentemente, abusam da boa-fé alheia com pretensas histórias de contatos com ETs angelicais e promessas de salvação. Farsantes ávidos por ganhos fáceis, enganam pessoas interessadas pelo Fenômeno UFO, muitas vezes carentes, que se tornam ardorosos seguidores. Enganadores que tiram proveito da ingenuidade ou ignorância alheias existem há muito tempo, desde os primeiros cristãos, quando Simão, o mago, já desafiava os apóstolos com truques baratos para obter fama e riqueza. Já os enganadores ufológicos são mais recentes. Exemplos clássicos são a seita suicida Heaven’s Gate e o Movimento Raeliano, que alardeiam promessas mirabolantes segundo as quais ETs levarão pretensos escolhidos para outros mundos em suas grandes e maravilhosas naves espaciais, salvando-os de cataclismos terríveis que um dia acontecerão na Terra e devastarão a humanidade.

Felizmente, no entanto, temos na Ufologia pessoas atentas a esses movimentos e agindo energicamente no sentido de impedir que logrem sucesso às custas da carência e desinformação de terceiros. São verdadeiros luminares que se dedicam a expor os bastidores e as verdadeiras intenções destas seitas e dos indivíduos que as dominam, que se impõem como gurus. Uma dessas pessoas é norte-americano Royce J. Myers III, que tem agitado a Comunidade Ufológica Mundial com revelações explosivas sobre muitos aproveitadores. Myers é legista, expert em aplicação da lei e criminalística, e graduado em justiça criminal. Sua atividade inicial na Ufologia, até voltar-se contra os embusteiros, eram investigações de mutilações de gado e fenômenos relacionados aos círculos nas plantações, que realizou em conjunção com o Grupo de Pesquisa BLT. Myers fundou e mantém até hoje o site UFO Watchdog [www.ufowatchdog.com], que, literalmente, significa “cão de guarda ufológico”. A partir de sua casa no Oregon, administra o site e pilota um de seus mais procurados segmentos, o Muro da Vergonha Ufológico [UFO Hall of Shame], onde expõe a bibliografia dos farsantes da Ufologia. As últimas atualizações no Muro contam com as presenças da jornalista norte-americana Linda Moulton Howe e de Urandir Fernandes de Oliveira, um conhecido charlatão da Ufologia Brasileira apoiado pela primeira.

Myers recentemente sofreu um processo judicial nos EUA, movido por um de seus desafetos, Sean David Morton, cujo histórico de falácias ufológicas é semelhante ao do charlatão brasileiro, embora menos criativo. E venceu de maneira espetacular o embate, travado numa corte da Califórnia, em que Morton requeria pagamento de um milhão de dólares em indenizações por danos materiais e morais. Myers não somente ganhou a ação como mostrou, agora num tribunal, que Ufologia é coisa de gente séria. Ele faz questão de dizer que não recebe ajuda do governo norte-americano e o que faz é por legítimo dever de servir ao próximo. Um personagem tão ilustre da Ufologia não poderia deixar de figurar na Revista Ufo, que destacou seu consultor Pedro Luz Cunha Filho, de Brasília (DF), para entrevistá-lo. Eis o que Pedrinho colheu do cão de guarda.

Royce, você pode nos dar uma idéia sobre você e suas atividades? Claro. Tornei-me interessado em UFOs depois de um avistamento que tive em março de 1994, fato que muitas pessoas desconhecem. Também conduzi investigações de campo para o Grupo de Pesquisa BLT, aqui nos Estados Unidos, sobre o fenômeno dos círculos nas plantações e mutilação de gado. Tenho formação educacional e ocupacional em aplicação da lei e isso me favoreceu a aproveitar meu conhecimento e experiência em investigações relacionadas à Ufologia, tanto as legítimas quanto as fraudulentas. Já trabalhei em segurança, em medicina legal e como assistente de laboratório forense. Atualmente sou comissário de segurança pública em meu Estado.

Você se qualifica como um cético quanto ao Fenômeno UFO? Eu me considero um meio termo. Não sou cético, nem sou demasiadamente crente no assunto, porque eu acho que se cair em qualquer uma destas definições pode ser muito perigoso. Acho que é extremamente importante olhar os fatos como eles são, e não crenças. E quando você fala sobre ser “cético” ou “crente” neste campo, está se referindo ao que considero um sistema de crenças. O que importam não são elas, mas as informações. Eu tive alguns avistamentos de UFOs, mas isso não quer dizer que eu acredite em homenzinhos verdes. E expus várias fraudes no meio ufológico, o que também não quer dizer que eu seja um cético no sentido geral.

Como você encara a problemática dos UFOs e sua investigação? Eu sempre achei que o assunto merece investigação séria e científica. Existem fatos extraordinários acontecendo e ninguém demonstrou totalmente até agora qual é sua causa. Mesmo que o governo, aqui nos Estados Unidos, tenham negado a existência dos UFOs, as pessoas continuam a vê-los, filmá-los e fotografá-los pelo mundo afora. E enquanto grande maioria dos relatos de UFO pode ser explicada como observações de objetos comuns ou mesmo fraudes, existe uma alta porcentagem desses registros que não pode ser explicada de forma convencional. Algumas das filmagens de discos voadores que tenho visto são absolutamente incríveis e, em minha opinião, desafiam qualquer explicação. Além disso, muitas testemunhas têm elevada credibilidade, embora sejam pessoas comuns. Ninguém sai por aí dizendo “puxa, eu vou ver um UFO hoje e depois vou contar a todo mundo”. Descobri que a maioria das testemunhas de casos ufológicos são pessoas que simplesmente viram algo que não podem explicar, mas querem saber o que são. No entanto, algumas vezes, tais testemunhas se revelam de pouca credibilidade e sem as melhores intenções...

Myers, o que especificamente o levou a investigar fraudes ufológicas, como seitas e contatados, e expô-los em seu site? E como você teve a idéia de fundá-lo?
Um certo dia, observei que o assunto estava sendo distorcido por algumas pessoas sem credibilidade, que se valiam de programas de rádio que vão ao ar tarde da noite, através dos quais passavam aos ouvintes suas “verdades” ufológicas. Observei também que os mesmos personagens que apareciam nesses programas buscavam se apresentar em conferências sobre o tema, onde repetiam suas histórias infundadas. Quando você vai a esses eventos, vê esses indivíduos vendendo ao público fatos improváveis, fabricados, que geralmente não podem ser confirmados através de investigação séria. Alguns fazem isso por anos a fio. São pessoas que distribuem um verdadeiro lixo ufológico há anos. Tenho que confessar, no entanto, que fui um pouco ingênuo quando entrei pela neste campo, como muitas outras pessoas. Porque pode ser realmente confuso para alguém que acaba de se interessar pelo Fenômeno UFO ver esse amontoado de informações. Estive em algumas conferências e tive a chance de conversar com muitas das mais conhecidas personalidades da área, a quem fazia perguntas específicas para analisar suas respostas, que esperava que também fossem específicas.

Mas recebia normalmente respostas evasivas. Assim, percebi que isso era comum e que tais personalidades falavam o que queriam, pois ninguém estava averiguando o que afirmavam. Foi aí que vi a necessidade de investigar a fundo tais pessoas e suas histórias, e levar a público os resultados. Comecei a expor essas fraudes em pequena escala e me dei conta, de imediato, de que eu iria precisar de um site dedicado exclusivamente a isso, pois eu iria usar muito espaço na internet para meu trabalho. Com isso, lancei o UFO Watchdog, em fevereiro de 2001.

Falando de fraudes e seitas ufológicas, seu site mostra uma galeria chamada UFO Hall of Shame, o Muro da Vergonha Ufológica. Das histórias criadas pelas pessoas que estão lá, qual você considera a pior? Eu teria que citar imediatamente a de Sean David Morton. Ele entrou com uma ação judicial de indenização contra mim, por eu ter exposto sua fraude em meu site, e perdeu. Mas não só por isso, é claro. Oras, ele não somente não pôde provar suas mentirosas afirmações em uma corte norte-americana, quando me processou, como achou que me amedrontaria e me calaria com uma ação inócua. Mas, realisticamente, não existe no meu site uma única pessoa que seja a pior de todas. Acho que todas elas, de uma forma ou de outra, estão contribuindo para o declínio da Ufologia, e todas estão causando ao meio muitos danos.

Quais foram as bases de argumentação desse processo que o Morton moveu contra você e como transcorreu na Justiça?
Bem, ele alega que eu o difamei. Por isso, pediu uma indenização de um milhão de dólares. Mas a história é outra. Eu fiz uma profunda investigação sobre muitas das inúmeras afirmações de Morton, e minhas descobertas foram de que a vasta maioria delas era mentira. Ele tinha uma imaginação bastante fértil, até mesmo quando falava de sua escolaridade e das credenciais profissionais que alegava ter. Simplesmente, mentia sobre tudo, afirmando ser quem nunca foi. Em fevereiro de 2001, publiquei sua história fraudulenta num artigo chamado O Paranormal Sem Vergonha e Seu Repertório de Mentiras, contendo o resultado de minha investigação sobre Morton. Mas dei a ele a chance de me contradizer, convidando-o a comentar o artigo, coisa que ele nunca aceitou. Logo após isso, Melissa Ann Morton, editora de seu livro, enviou-me um e-mail tentando me difamar.

Eu confrontei a ambos e eles não conseguiram sustentar a pressão. Não tinham argumentos contra mim e eu tinha muitos contra eles. Dois anos mais tarde, Morton decidiu me processar com motivos infundados, numa óbvia tentativa de me silenciar e tirar meu site do ar. Chegou a afirmar no processo que não conhecia o site até seis meses antes de iniciar a ação, o que não é verdade, numa clara demonstração de sua falsidade ideológica. O disparate maior foi o pedido de um milhão de dólares. Minha advogada, Carol A. Sobel, é muito competente e bem conhecida em Los Angeles, e depois de uma audiência, conseguiu que o pedido fosse julgado improcedente e, o processo, extinto. Simplesmente, Morton não podia provar que suas afirmações de contatos com ETs e outras eram verdadeiras, e ficou claro que a ação teve apenas o intuito de me silenciar. Ele foi ordenado a pagar os honorários da minha advogada e, depois que o caso foi fechado, enviei mais uma vez a ele um convite para comentar sua história, publicada no referido artigo. Até agora ele não respondeu.

Você pode falar alguma coisa sobre outro notório forjador no meio ufológico, o Jonathan Reed? Posso dizer-lhe tudo sobre ele, até que seu nome não é Jonathan Reed, mas John Bradley Rutter. E posso garantir que toda sua história de contatos com aliens é uma das mais infames a manchar a Ufologia Moderna. Como você deve saber, Rutter vinha há anos fazendo afirmações extraordinárias sobre ter matado um alienígena que passeava em seu quintal, alegando que tinha colocado o cadáver num freezer e se apossado da avançada tecnologia de sua nave. Oras, o caso é uma piada, e vinha sendo promovido e apoiado com entusiasmo por vários ufológicos tidos até então como responsáveis, entre eles o mexicano Jaime Maussán e a jornalista norte-americana Linda Moulton Howe, a mesma que hoje apóia o brasileiro Urandir Fernandes de Oliveira nos EUA. Bem, após conduzir uma investigação sobre Rutter e começar a dizer que era uma fraude, aqueles que apoiavam o caso começaram a alegar que eu não passava de um cético buscando atenção e tentando difamar os contatados. Oras, essa é a reação dessas pessoas na maior parte das vezes. Então, desafiei publicamente Reed e seus seguidores a apresentar evidências de suas afirmações.

Obviamente, eles nunca mostraram nenhuma. Eu ainda nem sabia que seu verdadeiro nome era Rutter. Mas quando descobri e publiquei sua verdadeira identidade, o que deixou ainda mais claro que sua história era uma fraude, muita gente viu que estava sendo enganada por ele. Mesmo assim, as pessoas que o apoiavam, mesmo vendo as evidências, passaram a dizer que eu estava mentindo. Os investigadores Dan Iaria, o próprio Maussán e seu assistente, Daniel Muñoz, se esquivavam de mim completamente, onde quer que estivessem. Isso até que Rutter deixasse de conversar com eles e desaparecesse repentinamente do cenário, colocando-os no ostracismo.

Quer dizer que a história de Jonathan Reed, como a de Morton, era uma falsificação total? Sim, um embuste desde o início. E eu fiquei simplesmente abismado em ver as pessoas considerando-a real. Como as pessoas são crédulas! É impressionante. E por traz delas sempre tem “ufólogos” tentando tirar vantagem da situação. Uma fonte informou-me que Maussán chegou a planejar um encontro entre “seu” Jonathan Reed e o papa, para ter o objeto da suposta tecnologia extraterrestre em posse de Rutter declarado como um milagre pela igreja! Eu também soube que Rutter estava juntando um séquito de seguidores, que já assumia proporções de um culto ufológico, ainda em criação. É um espanto saber que existem pessoas por aí que ainda pensam que esse caso seja real.

A jornalista Linda Moulton Howe também está no seu Muro da Vergonha Ufológica, por causa do apoio que tem dado ao falso contatado brasileiro Urandir Fernandes de Oliveira. Linda publicou sua história como autêntica, inclusive com análises de laboratório dos fenômenos supostamente ocorridos a Urandir. O que você acha deste caso? Urandir foi recentemente adicionado à galeria de fraudadores em respeito ao trabalho dos ufólogos brasileiros, que investigaram suas falsas alegações. E também por uma questão de justiça, já que a promoção que a Linda faz dele aqui nos Estados Unidos é deprimente. Quanto às análises laboratoriais, embora eu não seja um cientista, o que não me desqualifica para tomar uma decisão quanto à autenticidade do caso, há muita polêmica e uma certeza: Linda as apresenta como conclusivas, mas elas estão muito longe disso. A própria química analítica que examinou algumas das amostras de um lençol queimado, sobre o qual Urandir alega estar deitado quando foi abduzido, desmentiu Linda.

A jornalista encomendou à química, a doutora Phyllis Budinger, algumas análises, que resultaram num relatório de 40 páginas. Mas quando entregou à Linda, esta manipulou as informações do documento de forma a parecer que havia evidências de que as amostras eram realmente espetaculares. A própria doutora Phyllis, muito autêntica, veio a público repudiar as ações da jornalista.

Outro problema que Linda enfrenta quanto ao improvável caso de Urandir é que ela também encomendou algumas análises a um cidadão chamado W. C. Levengood, que é citado nos relatórios da jornalista como “doutor” em sua especialidade, quando descobriu-se agora que não é. Nos Estados Unidos, mentir sobre sua qualificação profissional é algo muito sério. Levengood é um biofísico e não fez análises apropriadas das tais amostras, apenas um exame microscópico, sobre o qual baseou suas afirmações.

Mas por que tanta movimentação para se promover a história de um homem que, aqui no Brasil, sabemos que é totalmente fabricada? Por que Linda está fazendo isso, eu não sei. Mas ela está dando um enorme apoio a um caso totalmente perdido. Não somente os ufólogos brasileiros sabem disso, mas também os norte-americanos. O que ajudou nisso foi a análise da doutora Phyllis, contratada pela própria Linda. Ou seja, o tiro da jornalista saiu pela culatra. Phyllis e um técnico em pesquisa científica chamado Nicholas Reiter compilaram um profundo relatório sobre a suposta evidência alienígena nas amostras, e demonstraram claramente que não há nada de extraordinário nelas. Ainda assim, Linda pegou partes manipuláveis do relatório e apresentou-as fora de contexto, para que parecessem ser expressões que dessem sustentação à fraude. Lamentável. Ou seja, os enunciados supostamente científicos de Linda, que dão apoio às afirmações de Urandir, foram publicados totalmente fora do contexto.

Mas há também a questão das pedrinhas apresentadas por Urandir como tendo origem extraterrestre. O que você sabe sobre isso [Veja Ufo 84]? A Linda Howe cita em seu site Earthfiles [www.earthfiles.com], através do qual dá apoio ao brasileiro, a afirmação de um geólogo que consultou, que teria examinado algumas das pedrinhas que Urandir diz terem caído do céu no momento de sua improvável abdução, confirmando que são extraordinárias. Oras, eu mesmo entrei em contato com o tal geólogo, que me garantiu que o que disse a Linda foi somente que as pedras compunham um material geológico fora de sua especialidade e que nunca tinha visto outras como aquelas antes. O que Linda fez? Publicou que o cientista achava que as pedras eram desconhecidas na Terra. Bem, eram desconhecidas para ele, que tem outra área de especialização.

E ele é um geólogo norte-americano, não um brasileiro. Tenho certeza que um geólogo de seu país também iria achar muitas pedras daqui, dos Estados Unidos, fascinantes, se nunca as tivesse visto antes... Em suma, acredito que o caso é falso não somente pelas circunstâncias, mas também com base nos resultados do único relatório científico legítimo sobre o fato, da doutora Phyllis. O consenso da Comunidade Ufológica Brasileira sobre Urandir também deve ser levado em consideração. Veja, algumas pessoas odeiam ter que ouvir este velho ditado, mas o fato é que afirmações extraordinárias requerem provas extraordinárias. Nesse caso, não vimos qualquer prova extraordinária.

A jornalista afirma que existe muita evidência física para dar apoio à história de abdução de Urandir. O que você acha dessa afirmação? Acho extremamente tendenciosa, já que os próprios cientistas que analisaram as tais amostras do lençol descartaram sua legitimidade. Por que ela insiste nisso, eu não sei. As evidências que ela apresenta são falhas e não existe qualquer coisa consistente para apoiar o caso além de algumas pedrinhas terrestres, um lençol de cama queimado, algumas marcas num teto, umas poucas fotos e a história mirabolante que cheira a mais pura fabricação.

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Três Notórios integrantes da galeria de fraudadores da Ufologia Norte-Americana: [A partir da esquerda] Sean David Morton, Bob Lazar e Steven Greer

A Mutual UFO Network (MUFON) acaba de realizar seu tradicional simpósio anual, em Dearborn, Michigan. No evento, Linda apresentou palestra em que mostrou suas descobertas sobre o caso do Urandir. O que você acha desta atitude da entidade em permitir a palestra e como isso refletirá em seu futuro? Não me estranha nada. A MUFON também se mostrou pouco esforçada em esclarecer a fraude de Jonathan Reed, que também era apoiada pela Linda. Só depois de muito tempo após eu desmascarar o caso a jornalista e a entidade começaram a ver que erraram ao apoiar uma fraude, sem fazer exames mais minuciosos. A MUFON, você sabe, tem uma revista interna chamada Mufon UFO Journal, da qual Linda é uma das consultoras. Ao questionar a entidade sobre por que não publicar que Reed era Rutter e que o caso era uma farsa, foi-me dito que ela não o faria porque temia ser processada. Oras, que desculpa idiota é essa, se até seu nome verdadeiro o alegado contatado mentiu?

Segundo A. J. Gevaerd, editor de UFO, rumores que circulam pela Ufologia Norte-Americana dão conta de MUFON está alegando o mesmo agora, para evitar desmascarar Urandir e, conseqüentemente, arranhar a reputação de Linda Moulton Howe. A situação pode ser até mais grave, visto que a entidade recebeu uma cópia do relatório da doutora Phyllis e não pode, portanto, dizer que não sabe das coisas. Ano após ano é a mesma coisa, e a MUFON continua a ter conferencistas apresentando casos controversos ou falsos, talvez para ter publicidade e vender ingressos. Oras, qualquer pessoa com um pouco de bom senso não daria qualquer credibilidade a esse incidente.

Mudando de assunto, fale-nos um pouco sobre outros casos que investigou. O que você descobriu que chamou mais sua atenção? Como mencionei, além de expor fraudes, investiguei alguns bons casos, que acredito que tenham mérito. Principalmente nas áreas de mutilação de animais e do fenômeno dos círculos nas plantações associados com esses casos. Os primeiros, por exemplo, são extraordinários e ainda não encontrei respostas científicas consistentes para explicá-los, além de como foram efetuados, por quem ou para quê? Tanto as mutilações quanto os círculos merecem toda nossa dedicação, pois são fenômenos que, ao contrário, de boa parte da casuística ufológica, deixam evidências físicas que podem ser analisadas.

Qual é sua visão sobre a Ufologia no mundo, hoje e no futuro? Acho que se o meio ufológico não se tornar mais responsável, averiguando mais detidamente casos e pessoas, vai gradualmente se enfraquecer e se perder numa miríade de fatos fabricados e histórias falsas, como as que comentamos até aqui. E isso pode levar à sua total derrocada. Por muito tempo as pessoas têm apresentado histórias fantasiosas de alienígenas e seus supostos encontros com eles, mas sem prova alguma. Muitas delas escrevem livros, produzem vídeos e cobram por suas apresentações. Mas quando são questionadas ou investigadas a fundo, se descobre que tudo não passa de mentira e comércio. Claro que existem casos legítimos e interessantes de contatos com ETs, e alguns até sendo motivo de algum comércio. Mas os falsos estão em maior número e acabam por denegrir os verdadeiros.

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O campeão das falcatruas ufológicas nos EUA, Jonathan Reed, e o alien que ele diz que matou em seu quintal e guardou no freezer

Há muitas histórias sobre governos na Terra que derrubaram UFOs e têm ETs capturados. Você acredita nisso? Acredito firmemente que os UFOs existem. As pessoas filmam naves o tempo todo, relatam casos a todo instante. Mas algumas dessas histórias são demais. Não têm confirmação e é justamente por isso que estão por aí, a povoar o imaginário das pessoas. Quem as cria sabe que, se não podem ser confirmadas, também não podem ser desmentidas. Não tenho tanta convicção de que estamos sendo observados por alienígenas, como garantem ufólogos mais exaltados. Não sei se este é o caso e ainda estou para ver qualquer evidência física, real, conclusiva de que nosso planeta esteja sendo objeto de tamanho interesse por parte de inteligências extraterrestres. Mas, para ser justo, também não posso dizer que não somos observados.

O que você acha da idéia, muito disseminada, de que a humanidade fará contatos com extraterrestres no futuro? Acho que muitas pessoas têm esperança de que um evento de tal magnitude ocorra algum dia. O contato com uma outra inteligência alienígena, venha de onde vier, seria um dos mais incríveis eventos da história humana. Mas não podemos ter certeza de que vai ocorrer de fato, e acho que temos que esperar para ver.

O que os alienígenas realmente querem? Bem, considerando como certo que realmente existam inteligências extraterrestres interagindo com a Terra, poderemos explorar esta questão em profundidade. Mas com igual cautela, porque ainda estamos nos debatendo com tantas fraudes no meio ufológico que é desestimulante pensar em algo mais elevado. De qualquer forma, espero que as pessoas usem o bom senso quando estiverem diante de casos muito espetaculares de UFOs, ou quando lhes forem oferecidas histórias mirabolantes de contatos com ETs. Devem sempre demandar provas reais, e não simplesmente acreditar na palavra de alguém por conveniência ou porque histórias de pessoas que garantem conversar com alienígenas e recebendo mensagens secretas são muito bonitas e aparentemente de grande significado. Ao ufólogo é preciso ser muito responsável com o que se apresenta ao público, investigando a fundo qualquer caso antes de começar a fazer afirmações que podem, depois, se mostrar equivocadas. E, acima de tudo, sempre dizer a verdade, não interessa o quão impopular ou desinteressante ela possa ser.

Por que se frauda a Ufologia?

por A. J. Gevaerd

Um dos grandes problemas da Ufologia contemporânea são as fraudes que abundam na área, perpetradas pelas mais diversas pessoas, nas mais diversas condições. Elas remontam das décadas de 40 e 50, quando teve início a Era Moderna dos Discos Voadores. Desde então já surgiam histórias de “escolhidos por ETs”, pessoas que alegam ter um canal aberto de conversação com nossos visitantes espaciais. Daquela época até hoje o enredo das fraudes é mais ou menos o mesmo, mas alguns dos fraudadores criam detalhes aqui e ali em seus repertórios, tanto para diferenciá-los dos demais fraudadores como para tentar dar mais credibilidade às suas divagações. Nesse caso, erram por completo, pois quanto mais detalhes tiver uma mentira, mais fácil de seu dono cair em contradição.

Esse é o caso, por exemplo, de Urandir Fernandes de Oliveira, cuja criatividade vai além da média, permitindo-lhe a invenção de fatos com enredo complexo, mas de impossível averiguação. E é justamente nessa dificuldade que reside um dos grandes amparos aos perpetradores de farsas ufológicas. Suas histórias, em geral, contêm ingredientes que seus seguidores não podem checar e confirmar. Assim, não sendo possível constatar como verdade o que afirmam, também não é possível dizer que estão mentindo. Some-se a isso o fato de que tais farsantes difundem suas elucubrações normalmente entre pessoas já propensas a nelas acreditar, deixando suas histórias ainda mais longe de serem efetivamente examinadas.

Alguns casos são fraudes involuntárias, quase inofensivas, que contêm um forte fundo emocional, calcado em carências pessoais dos que as fabricam. Mas a maioria das fraudes é mesmo causada por espertalhões que buscam notoriedade, publicidade, aceitação, poder sobre seus seguidores e, principalmente, dinheiro fácil. Alguns fraudadores têm repertórios que beiram o absurdo, como Lee Shargel, dos EUA, que afirmou em conferência pública que os ETs e os golfinhos vêm juntos em certas naves extraterrestres. Shargel , para espanto da platéia, ainda afirmou ter condições de dialogar tanto com os primeiros quanto com os segundos, que, de acordo com o teriam lhe informado, estão preocupados em salvar a Terra de um futuro holocausto.

Por existir situações assim no meio ufológico, causando enormes estragos à credibilidade do Fenômeno UFO, o trabalho de pessoas como Royce Myers, entrevistado dessa edição, são imprescindíveis para a continuidade do assunto. Sem eles, os fraudadores teriam o mundo a seus pés.