Edição 193

Velhos casos, novas perguntas

01 de Outubro de 2012

IMPRENSA UFOLÓGICA

O Que a Mídia Fala dos Discos Voadores

por Fábio Gomes

O Pensamento da Ufologia Brasileira (Partes 1 e 2)
A. J. Gevaerd, editor
Biblioteca UFO, 2006 e 2008

A série O Pensamento da Ufologia Brasileira mostra quem são nossos ufólogos
A série O Pensamento da Ufologia Brasileira mostra quem são nossos ufólogos

A série O Pensamento da Ufologia Brasileira, que já tem dois volumes, é uma compilação de entrevistas feitas pela UFO com ufólogos do país ao longo de sua história. Ela mostra as tendências, formas de pensamento e estilos desses pesquisadores quanto à Ufologia. A primeira parte exibe como pensam 12 deles: Ademar Eugênio de Mello, Antonio Faleiro, Carlos A. Machado, Luciano Stancka, Reginaldo de Athayde, Roberto A. Beck, Arismaris Baraldi Dias, Claudeir Covo, Marco A. Petit, Ricardo Varela Correa e Ubirajara F. Rodrigues e, com destaque, o general Alfredo Moacyr Uchôa. Destes, Machado e Beck têm como forte a investigação de campo — característica fundamental dos bons ufólogos —, enquanto Stancka é médico especializado no tratamento de pessoas que alegaram ter sofrido abduções.

Já Baraldi Dias fez o Código de Ética do Ufólogo, importante documento para a observância da boa prática ufológica, e Covo, falecido recentemente, dispensa apresentações — seu método de interpretação de imagens de supostos UFOs é paradigmático no Brasil. Também são destaques de O Pensamento da Ufologia Brasileira 1 as entrevistas com Petit, que estuda o tratamento dado pelos militares aos UFOs, com Varela, que utiliza sua experiência como cientista do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), e com Rodrigues, pesquisador do Caso Varginha, durante seu processo de mudança de opinião sobre o episódio. Capítulo à parte, naturalmente, é a entrevista com o general Uchôa, que deixou seu legado não apenas na Ufologia, mas também na parapsicologia.

Quando vemos o conteúdo do segundo volume, observamos que a lista de ufólogos continua cheia de ícones, tais como Irene Granchi, Wagner Borges, Húlvio Brant Aleixo, Fernando Ramalho, José Victor Soares, Wallacy Albino, Rafael Cury, Pedro de Campos, Fernando Cleto Pereira, Fernando Pugliese, Aldo Novak — até um astrônomo foi ouvido, Ronaldo de Freitas Mourão. Granchi é uma das pioneiras da Ufologia no Brasil, inspiradora de muitos pesquisadores da chamada segunda geração, enquanto Soares foi precursor da Ufologia gaúcha e Aleixo foi um dos mais importantes ufólogos mineiros. O projeciologista Borges é especializado na abordagem espiritualista do Fenômeno UFO, ao passo que Ramalho é atual coordenador da Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU) e Albino é habilidoso pesquisador de campo. Por fim, o renomado astrônomo Mourão tem visão cética quanto à Ufologia.

Enfim, as obras contribuem definitivamente para entendermos o que pensadores importantes acham do Fenômeno UFO. São leitura obrigatória para quem quer saber mais sobre os formadores de opinião deste intrigante assunto em nosso país.

OVNI, Relatório Hynek
Joseph Allen Hynek
Portugália, 1988

O astrônomo Joseph Allen Hynek é conhecido pela comunidade ufológica como o primeiro investigador a aplicar o método científico na temática dos discos voadores. Sua forma de atuar foi sistemática e inspiradora, tendo inclusive criado a expressão contatos imediatos para catalogar casos ufológicos — que, na sua classificação, são divididos em três graus. O que nem todos sabem é que o doutor Hynek, antes de investigar avistamentos de UFOs por conta própria, trabalhou para a Força Aérea Norte-Americana (USAF) estudando o fenômeno. No livro Ufologia: Uma Pesquisa Científica, já comentado neste espaço, ele detalhou um pouco desse trabalho de bastidores. Porém, na presente obra, faz o seu próprio relatório após observar como os registros oficiais eram de fato conduzidos — ele diz que o tom dado pelo governo dos Estados Unidos ao Fenômeno UFO sempre foi o de tentar desqualificá-lo, não importando a credibilidade das testemunhas nem a qualidade dos fatos.