CAPA

As respostas podem estar bem diante de nós

Revista UFO | Edição 179 | 01 de Julho de 2011

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MENSAGEM DO EDITOR

Por Dentro da Ufologia Globalizada

Uma viagem à Amazônia revela ocorrências ufológicas ricas e exóticas

No mês de maio visitei a Amazônia para apresentar conferência e percorrer algumas áreas do arquipélago fluvial de Anavilhanas, a cerca de 100 km de Manaus, para realizar novas investigações de casos ufológicos. Concentrei-me especialmente em um ponto chamado Acajatuba, um enorme lago formado pelo Rio Negro, onde vivem cerca de 40 famílias em um punhado de casas ribeirinhas e em duas pequenas vilas, São Tomé e Perpétuo Socorro. Por volta de 200 pessoas residem naquela vasta área em torno de afluentes e igarapés, centralizando suas atividades na pesca, um pouco de agricultura de subsistência e alguma coisa de artesanato.

Minha conferência em Manaus versou sobre a intensa atividade ufológica daquela região, que já tive oportunidade de conhecer antes. Ela foi feita na cerimônia de lançamento do livro Contatos Extraterrestres na Amazônia, da escritora amazonense Umaia Farid Ismail — que também me acompanhou em algumas pesquisas pela selva [Código LIT-059 do Shopping UFO: ufo.com.br]. Em Anavilhanas fui gentilmente recebido no hotel de selva Ariaú, onde estabeleci minha base de trabalho por estar perto da comunidade e dos locais que percorri. Seu proprietário, o desbravador amazônida Francisco Ritta Bernardino, além de aficcionado por Ufologia, é testemunha de vários avistamentos significativos. Bernardino solicitou-me que avaliasse novos acontecimentos na região.

crédito: arquivo ufo
A escritora amazonense Umaia Ismail
A escritora amazonense Umaia Ismail

O trabalho de investigação de campo foi um sucesso. Já tinha estado na mesma área há 10 anos, quando entrevistei dezenas de pessoas aleatoriamente em busca de relatos, encontrando, entre elas, inúmeras testemunhas de casos espantosos. A média, naquela época, foi de 7 testemunhas a cada 10 pessoas entrevistadas, o que se repetiu agora. O método empregado nesse trabalho é prosaico: saio bem cedo de barco e volto apenas no final da tarde, parando de casa em casa, de vila em vila e abordando outras embarcações pelo caminho. É um sistema muito cansativo, especialmente sob o calor escaldante e a umidade infernal da Amazônia, mas o resultado sempre é enriquecedor.

Depoimentos riquíssimos

Entre os casos recolhidos na minha primeira visita estavam excelentes exemplos de uma rica e exótica casuística, sem paralelo em lugar algum do planeta. Agora, retornar à região foi uma oportunidade de aprofundar a pesquisa e checar com as testemunhas entrevistadas na época se tiveram novas experiências. Tive a sorte de reencontrar várias delas, mas nada de muito significativo em seus relatos foi apurado. O interessante, desta vez, estava nos depoimentos de outros habitantes do local. Fiz mais de mil fotos e inúmeras horas de gravações em vídeo a partir do contato com cerca de duas dúzias de testemunhas, que prestaram depoimentos riquíssimos.

Entre os novos casos apurados, que serão futuramente apresentados aqui na UFO, destaque absoluto vai para o que os caboclos chamam de “fogo fátuo”: luzes que variam de cor, geralmente do azul ao amarelado, vistas próximas do solo, saindo dele e erguendo-se ao céu, ou então saindo dos rios e igarapés e repetindo a manobra, algumas vezes elevando-se alto no firmamento ou acompanhando as copas das árvores. Têm formatos que variam do difuso ao esférico, sendo em alguns casos cilíndricos ou discóides.

A alusão a fogo fátuo indica a verdadeira natureza de boa parte dos relatos. De fato, o que a maioria dos ribeirinhos vê e narra — normalmente com certa relutância, que deve ser vencida com técnicas de entrevista apropriadas — é apenas a ocorrência do fenômeno que resulta da putrefação de matéria orgânica no solo ou no fundo de lagos e rios. São formas feéricas de luz que se manifestam rente ao solo, de tamanho variado, mas reduzido, e que desaparecem silenciosamente em segundos. Nada de extraordinário. Mas os ribeirinhos tratam praticamente tudo o que vêem — o que não é pouco — como fogo fátuo, incluindo aí a ocorrência de fenômenos bem mais complexos e impossíveis de serem explicados nestes termos, pois é assim que os interpretam em sua simplicidade.


Não há nada mais fascinante do que o contato direto com aqueles que tiveram experiências marcantes com o Fenômeno UFO, ao que se dá o nome de investigação de campo, e sua prática se completa com a análise dos dados obtidos. É na Amazônia, com seus casos abundantes, que o ufólogo tem a chance de exercitar ambos.

Por exemplo, apurei casos de aparelhos luminosos de formato discóide que saem de rios, percorrerem vasta extensão da floresta e depois sobem ao céu — e às vezes acompanham as embarcações por muitos minutos. Isso, evidentemente, não é fogo fátuo, mas a manifestação clara e genuína do Fenômeno UFO. Os relatos se sucedem um mais impressionante do que o outro. Também localizei um foco muito claro da ação do fenômeno chupa-chupa na área, na mesma época em que ele se deu no Pará, no final dos anos 70. Porém, tanto as ações da Força Aérea Brasileira (FAB) para investigá-lo através da Operação Prato quanto da imprensa, que incansavelmente dava informações sobre os fatos, estavam voltadas para o que se passava no estado vizinho, e assim as ocorrências amazonenses tiveram pouca ou nenhuma repercussão. Nenhuma das testemunhas agora entrevistadas recebeu a visita de pesquisadores interessados em suas experiências na ocasião.

Mais avistamentos, menos ataques

Mas uma variação para os casos de chupa-chupa no Pará, no entanto, está na menor brutalidade com que o fenômeno se apresentou às vítimas. Na Amazônia, felizmente, foram muitos os casos de avistamentos de luzes e poucos os de ataques. Os depoimentos coletados são riquíssimos e indicam que o fenômeno também teve grande atividade naquela área da Amazônia. “Era um aparelho parecido com uma caixa de isopor com duas pessoas dentro. Elas paravam sobre o rio, soltavam uma mangueira nele e sugavam água”, declarou uma das testemunhas entrevistadas, repetindo o padrão que se vê lá, que é de os depoimentos conterem a descrição dos artefatos observados em termos conhecidos pelos ribeirinhos. Assim, por exemplo, UFOs vistos como bacias, fornos, caixões, canoas etc.

O trabalho de investigação de campo rendeu muito e agora vem sua fase mais exaustiva: analisar o material colhido e produzir textos detalhados dos casos ufológicos encontrados. Para um ufólogo, no entanto, não há nada mais fascinante do que o contato direto com aqueles que tiveram experiências marcantes com o Fenômeno UFO. A investigação de campo é e sempre será a alma da Ufologia, mas sua prática em si é estéril sem a respectiva análise dos dados obtidos. Assim, a conjunção da investigação de campo com o exame de seus resultados é o que pode ser considerado a verdadeira Ufologia.


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