CAPA

O encontro dos mistérios

Revista UFO | Edição 73 | 01 de Agosto de 2013

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EDITORIAL

Onde os Leitores da UFO se Manifestam

Certa vez, em uma de minhas várias viagens ao Arquipélago de Anavilhanas, um majestoso cenário de ilhas minimamente habitadas que se alcança quando se sobe o Rio Negro, a partir de uns 100 km de Manaus, entrevistei um casal que me afirmou categoricamente nunca ter visto aquilo que eu lhes descrevia como sendo um disco voador. “Não, senhor, a gente nunca viu isso aqui não”, respondeu o convicto agricultor Firmino dos Santos, afastando a hipótese. Mas ele completou: “O que a gente vê sempre aqui são castelos na água, que uma hora estão ali no meio do rio e depois somem”. Quando lhe pedi para narrar como são os tais castelos, ele me disse que são coisas arredondadas e muito iluminadas, que têm superfície metálica e lisa, como a de uma panela de alumínio, e que às vezes emitem um som muito fino e estridente. “E tem mais, moço: estas coisas saem do rio, começam a subir alto no céu e a gente pode ver elas [sic] desaparecerem de vista”.

A meu pedido, conduzindo uma de tantas investigações de campo na região, procedi a um interrogatório com Santos, pois aquela era apenas mais uma de dezenas de histórias que eu já ouvira lá e em outros pontos da Amazônia, e que certamente remetem à fenomenologia ufológica. Firmino dos Santos não fala em discos voadores ou objetos voadores não identificados, muito menos em naves alienígenas ou veículos interplanetários, claro. Com sua limitação, dá aos fenômenos que vê nomes folclóricos diversos, que ora são incorporados de histórias já contatadas antes, ora passam a ser repetidos por vizinhos e demais moradores do vilarejo, quando veem algo semelhante. “O que eu vi foi o mesmo castelo na água que o Firmino”, disse-me Eduardo Ribeiro, um pescador, quando relatou uma ocorrência.

Janelas na lateral

Ainda em seu depoimento, Santos disse que o tal castelo tinha uns 30 m de diâmetro e que se parecia com uma bacia de cabeça para baixo. Tinha luzes ao redor e o que lhe pareceram ser janelas na lateral, razão pela qual ele comparou o que viu com um castelo. Em sua parte inferior, mais escura, também havia luzes diversas “que pareciam girar sem parar”, disse-me. E eis que o ribeirinho deu uma perfeita descrição de um avistamento ufológico, que, claro, entendeu e explica como pode. Ele mora a 120 km de Manaus, a cidade mais perto e para onde vai umas duas vezes por ano, não tem TV e se diverte apenas com um radinho de pilhas que capta poucas estações. A pureza de seu relato é pungente, pois narra uma história descontaminada dos vícios que habitualmente encontramos em testemunhas urbanas.

Esse também é o caso de outro casal que encontrei na Baía de Acajatuba, formada por um braço do Rio Negro, uma espécie de afluente que na Amazônia recebe o nome de “paraná”. O marido, Raimundo Nonato, também disse que nunca viu nada de estranho por ali, mas logo no começo da conversa foi lembrado pela esposa, Maria Eugênia: “Mas você não se recorda daquela procissão que vimos no céu, bem ali sobre a água, naquele mês de março?” Ele então se lembrou do que ela dizia, mas afirmou que aquilo não tinha nada a ver com o que eu perguntava — para Nonato, o que ambos viram era tão somente um sinal religioso. Mas eu insisti e perguntei detalhes da tal procissão.

Luzes enfileiradas

Para meu espanto, ambos descreveram com grande riqueza de detalhes um artefato fusiforme e metálico, um tanto escuro, com inúmeras luzes alinhadas em sua fuselagem. O conjunto voava lentamente em um anoitecer, sobrevoando o local em linha reta e sem emitir barulho. Mas de onde vem a explicação da procissão? É aí que precisamos conhecer os hábitos e a forma de falar dos locais, convivendo com eles para entendermos o que dizem, se quisermos fazer boa Ufologia. Para eles, uma procissão é um cortejo fúnebre, quando parentes e amigos de um falecido carregam o caixão, que é um objeto comprido e geralmente escuro, portando em suas mãos velas para iluminar o caminho ou por motivos religiosos. E está aí a origem das luzes enfileiradas vistas ao longo do objeto.


Enfim, estes são apenas alguns dos muitos “causos” que se pode ouvir na Amazônia, em qualquer lugar dela, referindo-se a objetos misteriosos e luminosos que são vistos o tempo todo. Esta série tem abordado várias ocorrências e dá continuidade a elas agora.



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