Ufologia, Ciência e Ficção

Filme Apollo 18 trará mais teorias fantasiosas

Por A. J. Gevaerd | 25 de Fevereiro de 2011

Créditos: Lorem Ispun

Na semana que passou, chegou a rede o trailer do filme Apollo 18. Dirigido por Gonzalo Lopez-Gallego, a produção deve estrear nos Estados Unidos no próximo 22 de abril. Na trama, houve uma missão secreta após a Apollo 17 (que lançada em 7 de dezembro de 1972, regressou a Terra com os tripulantes Eugene Cernan, Ronald Evans e Harrison Schmitt em 19 de dezembro), a Apollo 18.

O filme é filmado como um documentário, mesmo estilo de outra produção que trouxe problemas a Ufologia, Contato de Quarto Grau, sem esquecer os UFOs do Haiti, o ET do Panamá e o ET de Passo Fundo, entre outros. O trailer pouco mostra além do óbvio, os astronautas descendo na Lua e deparando-se com um mistério potencialmente letal. O filme se propõe a explicar \"porque nunca voltamos a Lua\".

A produção pega carona em algumas teorias conspiratórias altamente duvidosas, de que teria existido ao menos uma missão Apollo secreta, após a Apollo 17. Tais teorias obviamente não levam em conta que, com a tecnologia atual, o único meio de uma missão tripulada chegar a Lua é com o imenso foguete Saturno 5. E basta que pesquisemos informações facilmente disponíveis para descobrirmos que é absolutamente impossível lançar um Saturno 5 em total segredo.

Esse prodígio de engenharia nasceu dos projetos de Werner Von Braun, cientista alemão responsável pelas terríveis bombas voadoras V-2 da Alemanha Nazista, o primeiro míssil balístico do mundo. Um projeto de engenharia notável, só superado quando os norte-americanos iniciaram o Projeto Manhattan para produzir a bomba atômica, a V-2 voou pela primeira vez em 1942 e causou devastação quando passou a ser usada rotineiramente para atacar a Inglaterra, a partir de 1944. Felizmente, seu uso foi demasiado tardio para afetar o curso da Segunda Guerra Mundial.

Pode-se dizer que a V-2 seja o ancestral de todos os modernos foguetes, e quando o presidente John Kennedy lançou o desafio de pousar na Lua antes do final da década de 1960, Von Braun (que havia se rendido aos americanos no final da guerra, passando a trabalhar com eles), ao lado de Arthur Rudolf, projetou o Saturno 5, cuja fabricação envolveu ainda as empresas Boeing, North American Aviation, Douglas Aircraft Company e a IBM.

Esse imenso foguete tinha 110 metros de altura (com a nave Apollo, composta pelos módulos de comando, serviço e lunar, no topo), tinha um diâmetro máximo no primeiro estágio de 10 metros, e pesava carregado de combustível 3.000 toneladas. O objetivo era acelerar a nave Apollo, que pesava no total 45 toneladas, a cerca de 11 km/s, a fim de escapar a gravidade da Terra e chegar a Lua.

O primeiro estágio, chamado S-IC e construído pela Boeing, era abastecido com querosene e oxigênio líquido, e pesava nessas condições 2.300 toneladas. É importante salientar que, ao contrário dos demais veículos, um foguete tem a maior parte de seu peso em combustivel, como vemos pelo primeiro estágio do Saturno 5, cujo peso vazio era de somente 131 toneladas. suas dimensões impressionantes podem ser comparadas nesta foto a seu próprio criador, Werner Von Braun.

O segundo estágio era o S-II, construído pela North American Aviation e seus cinco motores J-2 eram alimentados por hidrogênio e oxigênio líquidos. Já o terceiro estágio, S-IVB, manufaturado pela Douglas Aircraft Company, tinha um único motor J-2 idêntico ao do segundo, e permanecia acoplado a Apollo quando o conjunto entrava em órbita, a fim de serem realizadas as checagens finais antes do vôo para a Lua. O terceiro estágio também oferecia apoio ao módulo lunar (LM) quando a Apollo desacoplava e realizava uma manobra de reviravolta, a fim de atracar com o LM durante o trajeto até a Lua.

Toda essa máquina incrível era montada no Edifício de Montagem de Veículos, ou VAB, no Cabo Canaveral na Flórida, uma imensa construção cujas medidas são 160,3 m de altura, 218,2 m de extensão, e 157,9 m de largura. Dali até a rampa de lançamento os foguetes lunares eram transportados por um enorme veículo sobre lagartas. Duas unidades desses colossos, os maiores veículos terrrestres que existem (e pesando 2.700 toneladas cada), chamados Hans e Franz, foram construídos, e ainda hoje servem a NASA, transportando inclusive os ônibus espaciais.

Fiz questão de apresentar esta rápida mas minuciosa descrição para demonstrar como uma operação de lançamento de uma missão lunar da Apollo é complexa. Vejam que cada estágio era construído em um local diferente, e portanto deveria ser transportado até a Flórida por diversas rotas. Depois da montagem no VAB, cada foguete era levado no imenso veículo de transporte até a rampa de lançamento, em uma lenta viagem que levava cinco horas ou mais.

Faço então a pergunta: como alguém seriamente poderia considerar que tudo isso poderia ser feito em total segredo? Ainda há que considerar que o Saturno 5, com mais de 150 milhões de HP de potência na decolagem, podia ser ouvido a dezenas de quilômetros de distância.

Naturalmente, dados frios e conclusivos nunca são suficientes para os adeptos das mais malucas teorias de conspiração. O papel do ufólogo sério é expor a verdade tal como ela é sem mistificações, e combater essas mesmas mistificações. Tal como os exemplos  fornecidos no começo deste texto, seguramente o filme Apollo 18 irá alimentar as mais disparatadas versões e maluquices pela Internet.

Não poderia deixar de aproveitar, já que falamos na Lua e no Projeto Apollo, de falar de outras maluquices que se falam a respeito, que vem a ser as teorias de que o pouso lunar foi uma farsa. Antes de tudo, todos os pouso lunares? Esses indivíduos que escolhem a ignorância alegam que as Apollo 11, 12, 14, 15, 16 e 17 foram, todas elas, uma fraude? A Apollo 13, como devem saber, experimentou problemas técnicos graves no trajeto até a Lua, e sob grande risco os astronautas conseguiram regressar sãos e salvos a Terra.

As alegações absurdas desses indivíduos que professam a idéia de que nunca houve pouso lunar serviram inclusive para um dos melhores, se não o melhor, episódio da série do Discovery Channel, Os Caçadores de Mitos (Mythbusters). Eles testaram cada uma das teorias de conspiração divulgadas pelos defensores da fraude, e como se diz no programa, detonaram todas sem exceção!

Confiram:

Fotos onde o astronauta aparece iluminado na sombra, e sombras de diferentes comprimentos com uma só fonte de luz. Como sempre foi dito pelas pessoas que não são ignorantes, o solo lunar não é plano para que as sombras fiquem paralelas, e também é bastante reflexivo, razão pela qual mesmo na sombra do LM podemos ver o astronauta.

Os astronautas foram filmados na encenação andando na Lua graças a câmera lenta. Totalmente desmentido pelo experimento de Adam e Jamie.

Pegadas na Lua. Os conspiracionistas alegam que, sem humidade, as pegadas não se manteriam íntegras. Como escolhem sempre se manter ignorantes, ignoram a composição do solo lunar, que de fato permite que as pegadas fiquem bem claras e nítidas.

Bandeira tremulando. Essa foi a mais fácil de todas. A bandeira não poderia tremular no vácuo, obviamente, pois não existe ar. Os conspiracionistas alegam que a bandeira tremula, o que provaria que é tudo uma fraude. Mas verifiquem se isso ocorre quando ninguém está mexendo nela!

Finalmente, os retrorefletores deixados pelos astronautas podem ser focalizados por canhões laser acoplados a telescópios aqui na Terra, comprovando a presença de objetos na superfície lunar. Quem sabe agora os conspiracionistas passem a alegar que inclusive as missões das sondas aos planetas também são fraudes? Sem contar que existe a prova evidente das centenas de quilos de rochas lunares trazidas pelos astronautas, e também pelas sondas russas. Por sinal, a então União Soviética não teria denunciado a fraude americana, se este fosse mesmo o caso?

Para encerrar o caso, a NASA tem atualmente em órbita de nosso satélite a sonda LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter), lançada em 18 de junho de 2009, e que fotografou os locais de pouso das missões Apollo. Os rastros de pegadas dos astronautas, das rodas dos jipes lunares, e os estágios de descida dos módulos lunares estão claramente visíveis, pondo fim de uma vez por todas a idéia estúpida de que o ser humano nunca foi até a Lua.

Antes de encerrar, convido-os a visitar também meu blog Escritor com R. Portanto, como sempre tevemos exercer o máximo cuidado ao nos confrontarmos com alegações, especialmente aquelas mais fantásticas. Muitas vezes quem está por trás dela é um desses indivíduos que, ou escolhem se manter na ignorância (e pretendem infectar outras pessoas com ela), ou se tratam de espertalhões ansiando por seus 15 minutos de fama. Como dizemos desde sempre na Ufologia, um dos trabalhos mais fundamentais é separar o joio do trigo. E poder finalmente dizer, no caso de fraudes, enganos, erros, e especialmente no caso de falsas teorias apresentadas por espertalhões e ignorantes: mito detonado!

Sobre o Autor

A. J. Gevaerd

Ufologia e dois dos mais importantes aspectos a ela ligados, a Ciência e a Ficção.