ARTIGO

Viagem à terra dos Inkas

Por Alcione Giacomitti | Edição 96 | 01 de Fevereiro de 2004

Arco de Pedra esculpido pelo tempo na ilha Taquile, em meio ao majestoso Lago Titicaca, roteiro de peregrinação e palco de estranhas observações ufológicas
Créditos: kevin schafer

Viagem à terra dos Inkas

O ser humano caminha rapidamente rumo ao futuro, evoluindo de maneira espantosa e como nunca se viu antes em sua história pregressa. Avanços que antes eram atingidos em um ano hoje o são em alguns meses – e logo serão alcançados em questão de dias. Tal progresso da humanidade também se reflete na Ufologia, que é capaz de dar respostas consistentes e definitivas para as indagações que temos, individuais e coletivas, sobre nossas origens. No entanto, a presença de alienígenas em nossas vidas não está apenas no futuro, mas também no passado, uma vez que esses seres já andaram por aqui há tempos e deixaram marcas significativas de suas passagens. Entre elas estão importantes contribuições dadas à humanidade espontaneamente, ou por ela naturalmente absorvidas, através de nossas tradições e religiões.

Uma das coisas mais importantes a ser alcançada pelo ser humano nos próximos anos é o reencontro com o verdadeiro conteúdo das antigas tradições, que muitos chamam de sagradas. Com o tempo, as religiões perderam grande parte de sua capacidade de conectar o ser humano à verdadeira essência da espiritualidade. Num mundo dominado pelo capitalismo, onde a ciência tem sido usada mais para propósitos comerciais do que em benefício do ser humano, as pessoas estão descobrindo em antigas tradições indígenas respostas às suas buscas espirituais, além de uma profunda sabedoria. E nesses conhecimentos naturais encontram também a presença de seres não terrestres, que parecem ter tido com nossos antepassados muito mais intimidade do que preferem ter conosco, hoje. Seus ensinamentos vão desde o respeito à mãe Terra e tudo que nela reside, até estar constantemente em sintonia com o plano invisível.

Liberdade Religiosa — Durante muito tempo os povos indígenas de nosso planeta foram abandonados ao esquecimento, chegando-se ao absurdo de serem proibidos de realizar seus próprios cultos. Assim, seu antigo relacionamento com seres espirituais e do espaço em grande parte se perdeu. Nos Estados Unidos, por exemplo, foi apenas em 1978 que o então presidente Jimmy Carter assinou a Lei de Liberdade Religiosa para os índios daquele país, permitindo que pudessem exercer suas crenças livremente. Após isto, algumas lideranças indígenas começaram a transmitir seus ensinamentos fora das reservas, fazendo com que os “homens brancos” também tivessem acesso aos seus conhecimentos. Antes disto, o que chamamos hoje de xamanismo despertava somente o interesse de alguns poucos pesquisadores e antropólogos. E foi justamente os escritos de um destes pesquisadores que abririam de vez o universo misterioso dos xamãs à toda a cultura ocidental.

No início dos anos 70, Carlos Castañeda, então estudante de pós-graduação do curso de antropologia da Universidade da Califórnia, iniciou uma série de viagens até a região do Deserto de Sonora, na fronteira dos EUA com México, com o objetivo de realizar estudos e pesquisas sobre plantas consideradas sagradas pelos índios da região. Ali, Castañeda conheceu um índio yaque chamado Don Juan de Matus, já com mais de 70 anos de idade, que com o tempo iria lhe revelar uma série de conhecimentos. Aqueles que possuíam tal sabedoria eram conhecidos como “homens-médicos”, bruxos, xamãs, pajés ou feiticeiros. Eram uma espécie de intermediários entre o nosso mundo físico, material, e os mundos espirituais e invisíveis – neles incluídos os de nossos visitantes espaciais. Após anos de aprendizado, Castañeda transformou os conhecimentos que recebeu numa série de livros que viraram um dos maiores fenômenos editoriais de todos os tempos – entre eles Jornada a Ixtlan [Nova Era, 1973].

De todos os lugares da Terra onde encontramos nossos grandes mistérios, é na Cordilheira dos Andes onde eles estão mais concentrados e são mais desafiadores
- Zecharia Sitchin

O antropólogo, que jamais se deixou fotografar e nem mesmo ser filmado, por recomendações de Don Juan, foi matéria de capa da revista Time e manchete de alguns dos mais importantes veículos de comunicação de todo o mundo. A partir deste momento, o mundo dos xamãs começaria a ser desvendado pela civilização moderna, como se antes ele fosse algo remoto e inatingível. Castañeda então aprendeu que os conceitos de realidade de nossa civilização precisavam ser revistos e que as pessoas deveriam ter entre seus objetivos ampliar e reformular seus conhecimentos – e não apenas aceitar as verdades impostas pelo sistema. Segundo Don Juan, muito além do que nossa limitada visão pode alcançar, existe um universo desconhecido para a maioria de nós, mas que precisa ser desvendado. Conhecedores dos segredos da natureza, do universo e das ervas sagradas – que curam corpo, mente e alma –, os xamãs têm, entre outras, a capacidade de comunicar-se com as plantas, chamadas por eles de “instrutoras”.

Em rituais específicos, como na cerimônia com ayahuasca – o “vinho das almas” –, podem alterar sua consciência e romper as fronteiras da percepção humana, adentrando assim nos mundos supradimensionais. Eles foram os primeiros homens de conhecimento de nosso mundo, os primeiros médicos, os primeiros sacerdotes etc. E através de um novo paradigma que está rompendo com as velhas idéias pré-concebidas de um passado científico cartesiano, começamos a compreender sua linguagem e rituais – e a acessar verdades de grande significado para a humanidade, inclusive sobre nossos visitantes extraterrestres. Nisto, os livros de Castañeda – que era brasileiro e nasceu em São Paulo, numa região chamada por ele de Juquiri – contribuíram de forma fundamental.

Império de Gigantes — Dentre todas as culturas nativas de nossa história, os inkas edificaram um dos maiores impérios do Novo Mundo, que se estendia por todo o oeste da América do Sul, em mais de 4.000 km de área e com uma população superior a 12 milhões de pessoas. O centro administrativo de seu império era a cidade de Cuzco ou Qosqo, que significa “umbigo do mundo”. Contam as tradições perdidas no tempo que, há mais de 25.000 anos, Manco Ccapac e Mama Ocllo – respectivamente chamados de Filho do Sol e Filha da Lua – saíram das profundezas do Lago Titicaca para fundar seu império.

Tinham a missão que o supremo criador Wiracocha lhes atribuiu, dando-lhes um bastão mágico e pedindo que andassem pelas montanhas dos Andes, até que este lhes indicasse o local onde deveriam fundar a primeira cidade. E foi em Qosqo que isto ocorreu. Sobre o vasto império, chamado de Tawantinsuyo, se estabeleceram os inkas. Ele compreendia as culturas Aymaras, Huari, Tiawanaco, Chavin, Paracas e outras. Embora a literatura em geral os trate de incas, seus descendentes preferem ser chamados de inkas. Inka quer dizer “filho do Sol” ou rei, e muitos poucos no império foram considerados assim. O povo em geral era governado pelo rei ou por inka, visto como filho de um deus maior, a quem se devia obediência. Assim, poderíamos dizer que a nobreza era considerada como inka, mas o povo, não. Ao lado do rei, a figura do xamã tinha um papel fundamental na edificação de todo o império, recoberto por templos cerimoniais.

Não há quem deixe de admirar a exuberância das construções e a forma geométrica perfeita dos blocos de rochas do que sobrou do império dos inkas. Pesando dezenas de toneladas e encaixando-se perfeitamente uns sobre os outros, os blocos criam uma harmonia conjunta que mesmo em cidades modernas é difícil encontrar. Até as teorias mais apuradas ainda não conseguem explicar de forma satisfatória onde os inkas adquiriram o conhecimento necessário para edificar um dos maiores impérios da Antigüidade. Neste enigma entram os xamãs, que estavam constantemente conectados com mundos espirituais e deuses que lhes transmitiam a sabedoria necessária para tais feitos, devidamente repassada ao rei. E aí está a chave para explicar parte da origem destes conhecimentos.

crédito: Alejandro Balaguer
El Candelabro, um geoglifo de 120 metros de altura localizado na lateral de um morro próximo da Baía de Paracas e próximo das enigmáticas linhas de Nazca
El Candelabro, um geoglifo de 120 metros de altura localizado na lateral de um morro próximo da Baía de Paracas e próximo das enigmáticas linhas de Nazca

Há mais de três décadas, o pesquisador suíço Erich von Däniken faria através do título de seu livro uma pergunta que até hoje nos fascina: Eram os Deuses Astronautas? [Editora Melhoramentos, 1969]. Milhares de respostas vieram após isto e mesmo que alguns argumentos apresentados por Däniken em sua obra tenham se mostrado ultrapassados com o tempo, uma coisa é certa: todas as antigas culturas da Terra receberam a visita de seres espaciais, chamados por eles de deuses, que lhes transmitiram diversos tipos de conhecimentos e lhes permitiram erigir grandes impérios. Tentar classificar estas aparições como angelicais, divinas, extraterrestres, dimensionais ou ultraterrestres etc é o item menos importante de nossa análise, em comparação com o legado por eles transmitido. Talvez seja este o fascínio que faz com que cada vez mais pessoas se dirijam a estes santuários sagrados e descubram a magia ali presente.


A Arte da Peregrinação — Uma das atividades mais antigas realizadas pelo ser humano é a arte de peregrinar. Caminhar sobre a Terra tem sido uma das coisas mais fascinantes que fizemos em nosso mundo. Ousando ir em direção ao desconhecido, nossa humanidade descobriu continentes, atravessou mares jamais navegados e rompeu as barreiras do próprio Sistema Solar. Mas um tipo de caminhada, em especial, tem sido responsável por conduzir o ser humano ao encontro de si mesmo, fazendo-o descobrir universos inexplorados ainda maiores que os até então descobertos: a peregrinação. Se pudéssemos numa única palavra descrever os resultados que as pessoas que a praticam encontram ao final de suas jornadas, sem dúvida, ela seria transformação. Estas caminhadas e os lugares a que nos levam têm transformado vidas e feito com que pessoas de todo o mundo voltem para seus lares com mais força e determinação para continuar suas vidas.

Experiência, conhecimentos novos e muita reflexão são resultados diretos desse exercício. Mas, para isto, o peregrino deve aprender a estar sintonizado com o momento presente e consciente de que, muito além da sabedoria transmitida pelos guias a que segue, deve se conectar com a energia presente nos lugares que visitar. A contemplação passa a ser então um dos fatores mais importantes, como já fazia Castañeda e outros antes e depois dele. Deve-se permitir que o conhecimento dos lugares nos penetre e, junto deles, que possamos reencontrar o verdadeiro conteúdo das antigas tradições – o que inclui fatos sobre a presença alienígena na Terra, em todos os tempos. O escritor Paulo Coelho, peregrino por excelência, menciona que ao longo de suas andanças por lugares sagrados aprendeu que se deve sempre estar atento ao momento presente e aberto ao inesperado – “Porque ele sempre se manifesta, testando assim nossa própria vontade de fazer esta jornada sagrada”, declara.

crédito: Ciência e Futuro
A estátua de uma divindade inka num templo de Tiawanaco seria a representação de um alienígena?
A estátua de uma divindade inka num templo de Tiawanaco seria a representação de um alienígena?

Entre os pontos mais palpitantes para se praticar a peregrinação está a Cordilheira dos Andes, citada em muitas antigas profecias como uma região onde a luz renascerá sobre a Terra. Nos Andes também está localizado o templo da mestra Nada, considerado o mais importante vórtice de irradiação de energia feminina da Terra. De fato, pelo menos para a Ufologia está comprovado que toda a área tem grande importância, dada a elevadíssima incidência de observações e ocorrências lá registradas. Tradições tibetanas descobertas antes da invasão chinesa falam da existência de grandes túneis subterrâneos que sairiam do Palácio da Potala em direção aos Himalaias e, cruzando oceanos, terminariam num ponto central da América do Sul. O local seria um misterioso santuário secreto escondido nos Andes, regido por Meru e Nada situado justamente no Lago Titicaca. Em volta do lago, comunidades nativas acostumaram a observar com regularidade objetos voadores não identificados nos céus e sobrevoando a água, bem como, muitas vezes, entrando e saindo dela.

É notável encontrarmos nestas tradições tibetanas, escritas do outro lado do mundo, informações sobre a presença de seres espaciais – ou especiais – habitando os Andes. Elas nos trazem à mente recordações das lendas inkas que falam do Filho do Sol e da Filha da Lua, que emergiram das águas sagradas do Titicaca para fundar o grande império. A existência de templos no local é mencionada ainda noutras tradições, assim como também é interessante notar que em diversas cidades ou templos edificados pelos inkas existem relatos sobre grandes túneis que iriam de um lado ao outro do Peru e atingiriam até a Amazônia, no Brasil. Alguns destes túneis foram descobertos porarqueólogos e fechados por motivos de segurança. Um deles, encontrado há alguns anos, vai do Templo Sagrado de Saqsayhuaman até o Templo de Coricancha, no centro da cidade de Cuzco, ainda no Peru.

Sete Maravilhas —
Saqsayhuaman é o mais importante templo dos inkas e considerado a primeira dentre as sete maravilhas da atualidade, juntamente com a cidade de Cuzco. Possui ao longo de suas enormes estruturas, em forma de uma grande serpente escalonada, blocos com mais de 100 toneladas. Algumas destas pedras encerram um grande mistério, pois são de rochas caliças e sedimentares, que têm algo de quartzo misturado com o sedimento. Sabendo-se que tal sedimento foi formado ao longo de milhões de anos no fundo do oceano, pergunta-se como podemos ter tal material presente neste lugar, a 3.600 m acima do nível do mar? E como blocos de 100 toneladas puderam ser manipuladas de forma a fazer parte das estruturas do templo?

Mais incríveis ainda são as histórias contadas por indígenas que residem nas montanhas dos Andes, que mencionam a cidade perdida dos inkas, Paititi, situada quase na fronteira entre a Amazônia peruana e a brasileira, onde o legado daquele povo estaria oculto, juntamente com descendentes diretos do Filho do Sol e da Filha da Lua. Após muitas viagens a estas terras, passei a compreender e a crer nestas tradições. Com o tempo, adquiri a confiança dos moradores, que começaram a relatar interessantes “lendas”. Recentemente, um grupo de arqueólogos descobriu uma grande cidade perdida, a cerca de 32 km de Machu Pichu, na direção de Wilcabamba. O mais incrível é que eu já havia ouvido relatos sobre a existência desta cidade, antes dela ser achada – e como esta, muitas outras histórias nos são contadas. Mas é proibido por lei que moradores façam pesquisas em busca de relíquias perdidas. Assim, quando alguém faz uma descoberta do gênero, quase ninguém fica sabendo com medo de represálias.

crédito: Alcione Giacomitti
Os Templos Inkas, em geral, são alcançados após a travessia de imensas portas de pedra como essas, em Tiawanaco
Os Templos Inkas, em geral, são alcançados após a travessia de imensas portas de pedra como essas, em Tiawanaco

Viajando de Saqsayhuaman em direção ao majestoso vale sagrado dos inkas, encontramos o Templo de Ollantaytambo, também chamado de “templo dos ventos” e considerado uma espécie de portal interdimensional pelos descendentes dos inkas. Neste lugar é possível ter um vislumbre da engenharia de construção deste povo, que chegou a esculpir montanhas para transformá-las em templos cerimoniais. Abaixo do conjunto de templos existe um pequeno povoado, todo circundado por montanhas. Escalando-se uma escadaria que se eleva até o topo de uma destas montanhas iremos encontrar outro templo, com seis grandes blocos em forma de gigantescas portas, situadas umas ao lado das outras. Neste local, no passado, ocorria um ritual fascinante, segundo alguns registros. Para se chegar a estes blocos tem que se passar por um portal em pedra onde os guardiões, no passado, permitiam somente a entrada de sacerdotes.

Em ocasiões especiais, segundo as tradições, a população que ficava abaixo da montanha se reunia em coro, juntamente com dezenas de sacerdotes situados no alto do templo, e entoava sons mântricos que tinham o poder de promover uma abertura dimensional para outros mundos – justamente onde se situam estas seis portas de pedra. Fato curioso é a menção de que muitos sacerdotes e parte da nobreza da época conseguiram escapar dos conquistadores espanhóis utilizando este portal como rota de fuga. Verdade ou mito, até hoje se desconhece o destino da grande maioria dos inkas, que simplesmente desapareceram sem deixar pistas. É interessante notar também que, ao longo das edificações do complexo de Ollantaytambo, a maioria das construções está alinhada geometricamente com estrelas e auroras ocorridas em épocas especiais do ano, como os solstícios.

A Força das Tradições —
Dediquei-me a explorar algumas partes da Cordilheira dos Andes e a cada nova viagem que para lá empreendi fui percebendo a força destas tradições, mantidas vivas por séculos. Histórias sobre a presença de seres espaciais nos Andes ou mesmo de luzes que saem de dentro de lagos, como o Titicaca, são comuns e pode-se ouvi-las em todas as partes da região. Pude conhecer estas mesmas narrativas partindo dos guardas que cuidam do santuário sagrado da cidade de Machu Pichu, à noite. Segundo eles, enormes bolas de luz saem de dentro das montanhas e cruzam os céus da cidade, desaparecendo em direção a outras montanhas. Próximo de Puno, no complexo de Sillustani, existe uma montanha rodeada pelo Lago Umayo, onde os moradores de uma comunidade relatam ver com freqüência enormes esferas luminosas saindo de dentro do lago para sobrevoar os céus da belíssima região.

Também são comuns os relatos de fenômenos estranhos por sobre toda esta extensão da Cordilheira dos Andes. Chegando à milenar cidade de Tiawanaco, próximo a La Paz, na Bolívia, encontramos o Templo de Kalassassaya, noutra região de grande incidência ufológica. Em forma de uma grande piscina abaixo da terra, pode-se ver rostos de pessoas esculpidos em todas as paredes ao longo do templo. As figuras impressionam por ser representações de diversos tipos de raças, incluindo algumas com as quais a cultura Tiawanaco jamais teve contato ou que nós mesmos, hoje em dia, não podemos reconhecer. Um conhecimento ancestral daquele povo registra que há muitos séculos houve no lugar uma reunião de semideuses, e que os rostos ali representados seriam destas divindades. À frente de Kalassassaya temos o templo onde se encontra a Mística Porta do Sol, maravilha da Antigüidade pesando cerca de 10 toneladas. No ponto-alto da escultura está representada a figura do deus Wiracocha, demonstrando que a tradição é remotíssima. Até hoje é desconhecida a idade certa de Tiawanaco, mas suas lendas nos contam que há tempos a deusa Orjana, vinda das estrelas, ali chegou para ser a primeira mãe da Terra. Ela teria gerado dezenas de filhos e retornado aos céus em seguida.

crédito: stewart cohen
Um dos Maiores Desafios em qualquer peregrinação aos Andes é a escalada até a cidade sagrada de Machu Pichu, que requer a travessia de longas escadarias, labirintos e corredores. Mas alcançar o topo compensa, pela vista maravilhosa do Império dos Inkas
Um dos Maiores Desafios em qualquer peregrinação aos Andes é a escalada até a cidade sagrada de Machu Pichu, que requer a travessia de longas escadarias, labirintos e corredores. Mas alcançar o topo compensa, pela vista maravilhosa do Império dos Inkas

O Mais Sagrado Entre o Sagrado — Nada representa de forma melhor este povo que o templo de Saqsayhuaman, “o mais sagrado dentre o sagrado” ou “o lugar onde homens e mulheres adquirem o conhecimento”, segundo a história. Saqsayhuaman quer dizer literalmente “satisfação da mente”, ou seja, o lugar onde se satisfaz a mente com o conhecimento ali presente. Somente sacerdotes e grandes mestres podiam entrar neste templo. Seu conjunto tem o aspecto de uma gigantesca serpente e as pedras que dão formato a ele estão dispostas umas sobre as outras, com uma configuração progressiva – as maiores ficando abaixo das menores, até se chegar a pedras muito pequenas, minúsculos cristais. Desta forma, do alto, pode-se ver uma serpente de três corpos toda iluminada pelo Sol.

A tradição nos conta que dos céus, quando eram realizados rituais com plantas sagradas, os deuses e os espíritos dos xamãs podiam contemplar a gigantesca serpente. Os inkas tinham o hábito de ver tudo ao seu redor como sendo sagrado. Isto gerou interpretações errôneas sobre suas crenças, quando se afirma que eram politeístas. Prestando mais atenção em sua história, percebemos que quando se referem aos deuses existentes, indicam que estes seriam divindades menores – não um Deus onipotente. Porém, além destes, existia para eles o Grande Criador, aquele que a tudo gerou, inclusive os deuses menores. Mesmo antes de o imperador Pachacútec substituir o culto ao deus Sol Inti pelo culto ao deus e criador Wiracocha, os inkas acreditavam em um único Criador. Porém, consideravam todas as coisas como sagradas e as chamavam de apu, que não necessariamente significava um Deus supremo. Assim, temos Apu Unu (deus das águas), Apu Nina (deus do fogo), Apu Wayra (deus do ar) e Apu Pacha Mama (deus da terra ou mãe Terra). É o equivalente a dizer que na tradição católica existem diversos santos, mas um único Deus.

Os inkas também dedicavam uma especial atenção ao momento do nascimento de seus filhos, pois uma nova alma estava chegando. Assim como a morte de seus entes, por representarem o momento da partida da alma em direção aos mundos espirituais. Por acreditarem na continuidade da vida após a morte, enterravam seus falecidos em posição fetal, como sementes dispostas a germinar novamente. Ao longo dos templos e edificações de todo seu império, iremos encontrar a chamada cruz inka, cujo significado tem importância fundamental e representa o conjunto de estrelas do Cruzeiro do Sul. Como eles sabiam detalhes destes astros, senão pelo contato direto com seres não terrestres e mais avançados tecnologicamente, que os visitavam e com eles conviviam?

crédito: alcione giacomitti
O Xamã Inka Mário “El Puma”, que conserva as tradições de seu povo e as repassa a visitantes especiais
O Xamã Inka Mário “El Puma”, que conserva as tradições de seu povo e as repassa a visitantes especiais

Foi somente em 1911 que o arqueólogo norte-americano Hiram Bingham viria descobrir, a cerca de 2.400 m de altura, o que seria a maior preciosidade deste povo. Os nativos a chamavam de Machu Pichu – que quer dizer “lugar onde os homens velhos mascam folhas de coca”. Envolto entre montanhas e uma densa floresta nativa, o local é naturalmente protegido e impediu durante décadas que os próprios espanhóis o descobrissem. As tradições sagradas situam Machu Pichu como uma cidade cerimonial de grande importância religiosa e onde as plantas sagradas, como a ayahuasca, eram cultivadas. Acredita-se que foi o imperador Pachacútec a idealizar sua construção, e somente a nobreza e os sacerdotes tinham permissão para visitá-la.

Cidade da Paz Celestial —
Em minhas andanças pelo Peru, conheci parte de uma história que poderia ser a verdadeira forma como fora descoberta a chamada Cidade da Paz Celestial. Segundo um xamã que reside em Cuzco e que teve acesso ao diário pessoal de Bingham, este havia atingido a encosta da montanha em que se encontra Machu Pichu já desanimado por estar há muito tempo a sua procura, sem sucesso. Cansado, teria começado a falar consigo mesmo, em voz alta, sobre como vinha sendo enganado pelos índios, que lhe forneciam informações erradas sobre a localização exata da cidade.

Então, Bingham teria ouvido a voz de um menino de aproximadamente 13 anos de idade, que o chamava alguns metros acima de onde estava. Este dizia poder mostrar-lhe a localização exata que buscava mediante o pagamento de um Solo, a moeda peruana. O arqueólogo não gostou e acabou se irritando ainda mais porque achava se tratar de outro nativo querendo enganá-lo em troca de dinheiro. Mas o jovem índio insistiu tanto que Bingham resolveu segui-lo. Alguns metros acima, chegou a um ponto de onde pôde contemplar uma das maiores descobertas do seu século, e para lá se dirigiu. Aos poucos, foi percebendo que em meio à densa vegetação existiam muros e edificações em pedra. Chamou o restante do grupo, que se situava mais abaixo, e após algum tempo de euforia percebeu que o jovem índio havia desaparecido. Bingham jamais voltou a encontrar o menino que, contam as lendas, seria o guardião espiritual de Machu Pichu. São impressionantes também as lendas e registros históricos a respeito do “grande deus branco” Wiracocha, que prometeu num futuro breve retornar à Terra.

Profecias inkas que tratam dessa figura também advertem sobre catástrofes a que a humanidade será submetida por desrespeitar o planeta e a mãe natureza. Neste momento, os deuses da água, do fogo e do ar mostrariam sua força e a Terra seria então purificada dos males cometidos pelo homem civilizado. Este mesmo presságio está presente em praticamente todas as culturas nativas de nossa história, notadamente nas americanas. Após tais cataclismos, o Filho do Sol e a Filha da Lua retornariam à Terra para resgatar parte de seu povo.

Civilizações Evoluídas — Para muitos estudiosos, esse retorno coincide com a prometida volta de Wiracocha e com o de outros seres espaciais, que estiveram sobre a face deste planeta. Durante muito tempo suspiramos diante da possibilidade de nossa raça ter um contato com civilizações mais evoluídas – e muitos ainda aguardam este encontro. Agora, após inúmeras viagens aos locais descritos, depois de respirar o conhecimento ancestral que impregna templos e construções dos Andes, e de ver com que detalhes a presença de seres espaciais é narrada pelos descendentes dos inkas, descobri que este contato sempre ocorreu, o tempo todo. Sim, há vida fora da Terra em níveis que sequer possamos imaginar – não somente material, mas energética e espiritualmente. E isso os inkas já sabiam há séculos. Mas, talvez, antes de passarmos os próximos anos tentando contatar tais formas de vida inteligente, devêssemos buscar aqui na Terra o seu legado, através da compreensão dos povos que os conheceram. Como um peregrino, aprendi que criamos nossa própria realidade, que pode ser de lindos sonhos ou horríveis pesadelos, para continuar a maior de todas as jornadas sagradas: a da própria vida.

Uma fascinante peregrinação à sagrada terra dos inkas

por Alcione Giacomitti

Ainda hoje questiono como teve início o trabalho de conduzir peregrinos até a Cordilheira dos Andes, numa jornada de interiorização por esse que é um dos mais fascinantes impérios de toda a Antigüidade. Creio que foi mesmo Machu Pichu quem me chamou para realizar este trabalho. Após terminar meu livro, Os Pilares da Sabedoria de Um Novo Mundo [Editora Elevação, 2002], resolvi dedicar-me a algo mais prático, que fugisse da teoria e permitisse estar mais tempo com as pessoas. Foi assim que decidi ouvir o chamado e centralizei minhas peregrinações em Machu Pichu. Quem vai até lá não empreende uma simples viagem, mas realiza um sonho e vive uma experiência transcendente. Até no momento de organizar a expedição e coordenar os grupos há algo de especial. As pessoas que deles participam parecem ter afinidade entre si e estão “prontas”, apenas esperando a viagem acontecer.

Até hoje, foram centenas os peregrinos que tive a oportunidade de conduzir pelo Império dos Inkas, sempre em grupos coesos e estruturados com poucas pessoas, para melhor aproveitamento. A programação da viagem inclui visitas aos principais templos e ruínas existentes ao longo da Cordilheira dos Andes, entre o Peru e a Bolívia. Saindo em vôo do Brasil até a cidade de La Paz, e seguindo em ônibus fretado dali para diante, tem início a aventura que passa pelo extenso altiplano boliviano, a milenar cidade de Tiawanaco e sua enigmática Porta do Sol. Cruzando-se a fronteira com o Peru, chegamos a Puno, onde o grupo faz sua incursão no Lago Titicaca e conhece o complexo arqueológico de Sillustani, que deixa todos encantados. O programa ainda inclui paradas noturnas em piscinas de águas quentes sulfurosas, visitas aos principais templos da cidade de Cuzco, ao majestoso Vale Sagrado dos Inkas e aos grandiosos templos de Ollantaytambo e Pisac. A partir desse ponto é feito o embarque em trem até a encantadora cidade de Águas Calientes e, finalmente, como um grande prêmio, chegamos a Machu Pichu.

Muitos outros lugares ainda fazem parte dessa jornada, que conta com uma exclusiva estrutura de apoio, bem como acompanhamento de lideranças indígenas que realizam atividades para melhoria física, mental e espiritual dos peregrinos. Momentos de laser e descontração também fazem parte do roteiro diário e as visitas são acessíveis a todos, sem grandes esforços. Mesmo crianças e pessoas de mais idade podem dela participar. Em comum, todos levam na bagagem a essência mais importante da viagem: a realização de seus sonhos, compartilhando o interesse em compreender os antigos povos dos Andes e suas fantásticas histórias. E, claro, o privilégio de pisar o solo em que seres espaciais, vindos de outros orbes do universo, estiveram.

O universo do xamanismo

por Alcione Giacomitti

Em sua obra Admirável Mundo Novo [1932], o escritor contracultural Aldous Huxley nos mostra um tempo futuro em que a civilização planetária imagina ter conseguido criar o mundo perfeito, mas adverte que ela estaria vivendo uma grande ilusão. Todas as tradições nativas de nossa história falam exatamente isto. O xamanismo representa a mais antiga forma de religião, arte e ciência de nossa civilização, que ao longo do tempo também evoluiu. Pinturas rupestres em cavernas espalhadas pelos cinco continentes, com milhares de anos de idade, são um vislumbre do mundo em que viviam os xamãs. Muito da tomada de consciência de nossa civilização, hoje, já era descrita nestas tradições como fundamentais para a edificação de uma sociedade em equilíbrio e a preservação da própria vida na Terra.

O xamanismo nos mostra a ligação entre o nosso mundo físico e outros planos de existência, como as dimensões espirituais, somente agora sendo perscrutadas por nossa ciência. Figura chave para compreensão dessa filosofia, o xamã representa o elo entre realidades díspares. Como uma espécie de sacerdote que utiliza a natureza e a Mãe-Terra como seu templo religioso, ele é o responsável pela proteção espiritual de seu povo e a cura de todas as doenças. Para isto, necessita conhecer todos os tipos de ervas, plantas e animais existentes nas florestas, e aprende a respeitar cada um deles. Vivendo grande parte do tempo só e em constante contato com a natureza, os sentidos de um xamã são extremamente apurados e despertos para realidades que não fazem parte da vida da maioria das pessoas.

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Sobre o Autor

Alcione Giacomitti

É autora do livro Os Pilares da Sabedoria de um Novo Mundo.

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