ARTIGO

Uma visão detalhada dos primeiros agroglífos brasileiros revela estranhezas

Por A. J. Gevaerd | Edição 149 | 01 de Janeiro de 2009

A forma como as plantas foram dobradas e compostas geometricamente denuncia uma ação inteligente e premeditada
Créditos: ARQUIVO UFO

Uma visão detalhada dos primeiros agroglífos brasileiros revela estranhezas

Ufologia se faz indo aos locais dos fatos, examinando suas circunstâncias e interagindo diretamente com as testemunhas ou envolvidos. Estes são passos importantes para confirmar a veracidade ou não de casos ufológicos, embora não únicos. Assim, uma viagem a Ipuaçu foi necessária para a adequada investigação dos primeiros agroglífos brasileiros, e ela ocorreu em 11 de novembro, apenas dois dias depois de descobertas as marcas nas plantações dos senhores Inézio Trentin e Nilson Biazzotto, na área rural daquele município, em 09 de novembro.

Quando observados in locu, os círculos apresentam distintas peculiaridades. O que primeiro se nota é que não se tratam de obras humanas e muito menos da natureza, como efeitos meteorológicos ou atmosféricos. Tais conclusões foram corroboradas por agrônomos, engenheiros, jornalistas, professores de várias disciplinas e, principalmente, pelos humildes e experientes agricultores da região, que, tal como os outros citados, ficaram completamente perplexos diante dos fatos. E a análise das referidas peculiaridades, quando comparadas às de manifestações do fenômeno em outros países, como na Inglaterra, atestam que estamos diante da ação de inteligências determinadas a se fazerem mostrar, que não têm origem humana e terrestre. Inicialmente, não foram encontrados, ao redor de ambos os círculos de Ipuaçu, quaisquer sinais ou vestígios de fraude. Não havia marcas de pegadas humanas ou de animais, nem de pneus de carros e máquinas agrícolas, nada, conforme constataram os primeiros a verem os fenômenos, logo na manhã e tarde de domingo, dia 09 de novembro.

Os círculos foram formados, presumidamente, entre 22h00 de sábado, e 02h00 da madrugada de domingo, mas por enquanto não se pode precisar este intervalo com exatidão. Até que ocorresse a visita da Equipe UFO ao local, em 11 de novembro, muita chuva caiu sobre as figuras, que permaneceram razoavelmente intactas a elas. Mas elas receberam a visita de multidões, resultando em depredação média, no primeiro círculo, e leve, no segundo – o que não impediu as análises preliminares de serem feitas.

APARÊNCIA Os círculos encontrados em Ipuaçu são idênticos entre si até nos detalhes, o que também afasta a hipótese da ação humana. O primeiro, mais próximo da cidade, foi feito em cultura de triticale, uma variedade mais rústica de trigo. O segundo, cerca de cinco quilômetros do primeiro, em uma lavoura de trigo. Ambos têm diâmetro de 19,6 a 19,8 m e raio de 9,8 a 9,9 m. Têm também centro visível e são circundados por um anel de plantas intocadas, de 1,5 a 1,6 m de espessura, e ainda por outro anel de plantas igualmente amassadas, mais externo ainda, de 2,1 a 2,2 m de largura. Depois vem a plantação normal, sobre a qual nenhum vestígio foi encontrado que denunciasse a ação humana.

ROTAÇÃO E PRECISÃO Todas as plantas no interior do círculo central foram dobradas em sentido horário, assim como as do anel externo, restando uma “parede” de plantas intocadas entre ambas as áreas. Os pés afetados estão inclinados individualmente alguns graus à direita e formam um conjunto espiralado praticamente perfeito, se visto de cima. Um detalhe importante e característica marcante do fenômeno dos círculos nas lavouras é que as plantas dobradas estão separadas das não dobradas de maneira precisa, ou seja, na área de contato entre ambas não existem plantas parcialmente dobradas ou afetadas de alguma forma, e nem mesmo com sinais de terem sido tocadas. Isto é padrão nos casos já confirmados de círculos em todo o mundo: a “inteligência” que produz estas marcas tem uma precisão “cirúrgica”.

DOBRADURAS As plantas, tanto as do círculo central como as do anel em volta, foram dobradas uma única vez, a cerca de dois a três centímetros do solo. E em toda a extensão dos caules – que podem chegar a 80 cm, no caso do triticale, mais encorpado, e 60 cm, no caso do trigo – não há vestígios de outras dobras ou quebraduras. Ou seja, a “inteligência” que dobrou todas as plantas o fez num único ponto e não as tocou mais. Se os círculos fossem o resultado da passagem de tratores, por exemplo, as plantas estariam dobradas ou quebradas em múltiplos pontos, o que não ocorreu em Ipuaçu. Se pudessem ser desdobradas no ponto indicado, talvez permanecessem em pé, porque não sofreram outros danos. No entanto, a dobradura é irreversível.

UNIFORMIDADE No caso do círculo na plantação de triticale de Nilson Biazzotto, o terreno em que foi encontrado apresenta um declínio leve, de uns quatro a cinco graus no sentido oeste-leste. Já na plantação de trigo de Inézio Trentin, o declive é um pouco mais acentuado, de uns seis a sete graus, no mesmo sentido. Apesar disto, foi possível constatar claramente que a pressão, ou qualquer que tenha sido a “força” exercida para dobrar as plantas, foi de igual intensidade tanto na extremidade mais alta dos agroglífos quanto nas mais baixas. Não se encontrou variações de qualquer espécie. Ambos os círculos estavam no alto de pequenas colinas e próximos a cemitérios. O mais perto da cidade, na plantação de Biazzotto, a menos de um quilômetro de um deles, e o segundo, a cerca de dois quilômetros de outro. Mas trata-se apenas de coincidência, pois existem cemitérios pequenos nas áreas rurais da região.

SELETIVIDADE Algo significativo e que merece destaque foi que o círculo da plantação de trigo de Trentin foi produzido exatamente no limite de sua propriedade, bem na divisa com a próxima, a oeste. Na área onde foi produzido o agroglífo ainda havia trigo a ser colhido, e ali o desenho ficaria mais evidente. Se ele fosse feito alguns metros para o oeste, já adentrando na propriedade vizinha, não seria visto com tanta clareza, já que nela a plantação é de pastagem e estava colhida. Um agroglífo ali talvez passasse despercebido, até pela diferença da massa das plantas e de sua coloração – o material já está quase morto, seco e escurecido, enquanto que o trigo da plantação ao lado estava dourado, vistoso e encorpado.

CENÁRIO O cenário da região rural de Ipuaçu, onde os círculos foram descobertos, se alterna entre pequenos morros e baixas colinas, algumas áreas com matas preservadas concentradas e muitas lavouras, em geral de trigo, triticale, milho e pastagens. As tonalidades e o aspecto geral das lavouras, especialmente nesta época de colheita, têm cor dourada claro para intenso, lembrando em muito o cenário inglês onde os círculos se concentram, a cerca de 100 km a sudoeste de Londres. Ambas as paisagens são muito parecidas, nas cores e suas variações, assim como no terreno e na concentração de mata nativa. Exceto pelo fato de que, na Inglaterra, os morros e colinas são ainda mais baixos.

As lavouras onde os círculos surgiram foram colhidas antes que este autor pudesse chegar ao local, tendo os proprietários e operadores das colheitadeiras decidido preservar as figuras com uma área em seu entorno de plantas sem colher. Muitos visitantes do local confundiram este detalhe como sendo parte dos círculos. A título de curiosidade, foram obtidos depoimentos de pessoas, que estão entre as primeiras a visitarem os círculos, sobre se tinham sentido ou percebido alguma coisa incomum. Várias alegaram ter tido estranhas sensações nas proximidades ou dentro das figuras. Informações semelhantes foram colhidas de testemunhas de círculos em outros países, com resultados comparáveis.

FENÔMENOS Sondas ufológicas brancas, amarelas e vermelhas, em forma de esfera, foram vistas nos locais atingidos e áreas próximas, desde a noite de quarta-feira, dia 05 de novembro, até na segunda-feira após o surgimento dos círculos, dia 10. “Pareciam que elas estavam procurando algo lá”, declarou uma testemunha. São muitos os moradores da pequena Ipuaçu que tiveram avistamentos. Alguns a menos de um quilômetro do local onde surgiram as imagens, outros na cidade. Apesar de terem sido colhidas amostras de dentro e de fora dos círculos, para exames, não foram feitas medições de eletricidade, magnetismo, radioatividade e de nenhuma outra espécie, por falta dos instrumentos apropriados. Apenas bússolas e celulares foram usados, informalmente, para se medir interferências. As primeiras demonstraram comportamento normal, apontando para o norte. Já os celulares, que não apresentavam sinal das operadoras fora dos círculos, tinham sinal intenso quando colocados em seu interior. Os estudos continuam, mas será preciso muita rapidez e eficiência por parte dos ufólogos brasileiros para acompanharem as manifestações, cada vez mais numerosas.

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Sobre o Autor

A. J. Gevaerd

A. J. Gevaerd nasceu em Maringá (PR), em 1962, e foi professor de química até 1986, quando abandonou a profissão para se dedicar exclusivamente à Ufologia. Em 1983, fundou o Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV), a maior entidade do gênero em todo o mundo, com mais de 3.000 associados. Em 1985, Gevaerd fundou a Revista UFO, única publicação sobre Ufologia no país, com 25 anos de existência, e a mais antiga em circulação em todo o mundo. O editor interessou-se por Ufologia ainda muito jovem, com 11 anos, ouvindo histórias de observação de naves e contatos com seres extraterrestres, e começou suas atividades na Ufologia imediatamente, fazendo suas primeiras investigações e vigílias. Fez sua primeira palestra sobre UFOs no colégio em que estudava, aos 15 anos, e de lá para cá realizou mais de 2.000 em todo o Brasil. A partir de 1989, começou a se apresentar também no exterior, tendo realizado pesquisas e mais de 600 palestras em 54 países. É diretor no país, desde 1986, da Mutual UFO Network (MUFON), e, desde 1991, do Annual International UFO Congress, um dos eventos de Ufologia mais concorridos da atualidade. Foi um dos idealizadores da campanha pioneira UFOs: Liberdade de Informação Já, lançada em 2004 pela Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU), da qual é coordenador. O pesquisador tem participação ativa em praticamente todos os círculos mundiais onde o Fenômeno UFO é tratado com seriedade, participando de eventos, debates, programas, campanhas etc.

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