ARTIGO

Uma porta aberta para as estrelas

Por Silvia Helena Penhalbel | Edição 36 | 01 de Setembro de 2005

Stargate é, como o nome sugere, uma porta aberta para o universo, para todas as dimensões nele existentes e desconhecidas. Uma ficção brilhante e ao mesmo tempo emocionante
Créditos: SciFi

Uma porta aberta para as estrelas

Uma grande idéia. Esse é o primeiro pensamento que vem à mente do espectador quando ele assiste a um episódio de Stargate SG-1 [1997], o seriado que se originou a partir do longa metragem estrelado por Kurt Russell e James Spader. Um portal estelar capaz de viabilizar viagens espaciais através dos famosos “buracos de minhoca” [Wormholes] seria o sonho de qualquer explorador. Um sonho que se torna realidade quando cientistas e militares norte-americanos finalmente conseguem descobrir a utilidade de um artefato alienígena encontrado no Egito, em 1928, enterrado próximo as pirâmides de Gizé, que é ativado através de sete símbolos pré-determinados – os chamados endereços estelares. Em 1945, cientistas buscando uma aplicação prática para o dispositivo conseguiram estabelecer momentaneamente um wormhole estável. Mas apenas nos anos 90, quando foi convocado o doutor Daniel Jackson, é que Stargate pôde finalmente ser utilizado.

Cada combinação dos sete símbolos leva a um planeta diferente com diferentes espécies, muitas delas descendentes dos terráqueos, levados da Terra há milhares de anos pelos implacáveis Senhores dos Sistemas [System Lords], que dominavam toda a galáxia, escravizando seres humanos para usá-los como hospedeiros de sua espécie, os goa’uld, uma raça muito poderosa, mas que só é capaz de sobreviver parasitando o corpo humano. O longa-metragem originou uma bem-sucedida série de televisão que, em 2005, se encontra em sua nona temporada, igualando o recorde que Arquivo-X alcançou na década de 90, como a série de ficção há mais tempo no ar. O Comando Stargate, situado nas profundezas da Montanha Cheyenne, nos Estados Unidos, envia regularmente seu pessoal para os inúmeros planetas que possuem portais estelares na busca de novas tecnologias e também de novos aliados na luta contra a dominação goa’uld, que tem como intento escravizar todos os planetas habitados.

A idéia explorada pela Ficção Científica – de existirem humanos, antepassados dos terrestres vivendo em outros planetas – é ao mesmo tempo assustadora e fascinante. Graças a ela, o sonho do homem de conquistar as estrelas tornou-se possível sem a necessidade de naves espaciais e viagens intermináveis. A teoria dos buracos de minhoca, que seriam como atalhos para tais viagens, foi muito bem aproveitada, tornando as possibilidades de aventuras praticamente infinitas. A série conquistou o público justamente por esta gama imensa de tramas que puderam se originar do conceito primário do Portal Estelar desenvolvido no longa-metragem. Os inúmeros endereços de portais levaram os membros do SG-1, a primeira e obviamente a mais importante das equipes do Comando Stargate, a encontrar inúmeros aliados e a conquistar inimigos poderosos entre os goa’uld.

Conquista da fidelidade — Durante as nove temporadas da série, inimigos foram vencidos, aliados foram ganhos e perdidos, desilusões foram sofridas e incríveis descobertas foram realizadas. Mas, talvez, o sucesso de Stargate SG-1 não se deva somente ao grande fascínio do público pelo tema das viagens espaciais, e sim, em grande parte, ao carisma que o elenco principal da série possui, que acabou conquistando definitivamente a fidelidade dos espectadores. Richard Dean Anderson interpreta com maestria e muito bom humor o sarcástico líder do SG-1. Antes de encarnar o coronel O’Neil, Anderson era conhecido do público brasileiro por interpretar MacGyver, do seriado Profissão Perigo [1988]. Jack O’Neil tem um passado repleto de traumas e problemas pessoais que, aos poucos é substituído por seu trabalho ao qual se dedica de corpo e alma. Ele comanda o primeiro e mais importante grupo de reconhecimento do Stargate e seu primeiro pensamento é sempre voltado à segurança de sua equipe, pessoas que ele considera seus amigos e pelos quais é capaz de qualquer coisa, até mesmo arriscar sua própria vida. O’Neil conquistou a simpatia de uma raça poderosa que se tornou aliada dos terráqueos, os asgard.

Em Stargate SG-1, esses são os nossos famosos homenzinhos verdes, que na verdade são cinza. Os asgard possuem uma tecnologia impressionante e auxiliou os terráqueos a construírem uma nave associando tecnologia da Terra, dos asgard e goa’uld. Amanda Tapping é a major Samantha Carter, especialista em astrofísica e excelente militar. Sam é um dos mais competentes membros do Comando Stargate e conhece como ninguém o funcionamento dos portais estelares. A major Carter nutre um sentimento mais forte pelo coronel O’Neil, algo que ela esconde da melhor maneira possível, dados os riscos de expulsão da Força Aérea que ambos correm se alguma coisa deste tipo transpirar. Durante estes nove anos no SG-1, Sam já foi infectada por um goa’uld rebelde e um tok’ra – ser que acredita que os simbiontes e os hospedeiros podem conviver pacificamente, sem que o último perca sua liberdade. Os tok’ra se aliaram aos humanos para combaterem juntos os Senhores dos Sistemas e o pai de Samantha, Jacob Carter, foi o primeiro terráqueo a aceitar um simbionte tok’ra, o que o salvou de uma doença terminal.

crédito: SciFi
Os exploradores das dimensões espaço-temporais que o Stargate pode alcançar, tendo à frente Richard Dean Anderson, o conhecido MacGyver em séries anteriores
Os exploradores das dimensões espaço-temporais que o Stargate pode alcançar, tendo à frente Richard Dean Anderson, o conhecido MacGyver em séries anteriores

O talento de Michael Shanks substituiu com perfeição James Spader e conseguiu transformar o arqueólogo, chato e sem graça, em um personagem adorado pelos fãs da série. Daniel Jackson foi o responsável por colocar o Stargate em funcionamento, descobrindo o sétimo código para a abertura do portal estelar da Terra, que levou o grupo liderado por Jack O’Neil ao planeta Abydos. Na série, o arqueólogo se une novamente a O’Neil com o intuito de encontrar sua esposa Sha’re, seqüestrada pelo goa’uld Apophis, que a torna hospedeira de sua rainha Amonet. Depois da morte de Sha’re, ele passa a se dedicar a encontrar uma forma de acabar definitivamente com a ameaça goa’uld ao universo. Como lingüista, Jackson é de grande importância para o time, pois é capaz de decifrar praticamente todos os símbolos e escritos encontrados nos planetas visitados pelo SG-1. Também é capaz de se comunicar em quase todas as línguas primitivas e mortas, o que facilita o contato com culturas que foram retiradas da Terra e levadas para os outros planetas há centenas de anos.

A Cidade Perdida dos Antigos — O personagem de Shanks deixou a série no final da quinta temporada, mas retornou na sétima a pedido dos fãs que não aceitaram bem a saída de Jackson da trama. A saída dele criou uma nova e interessante trama na mitologia da série. Ao salvar a vida de um jovem, ele recebe a honra de ascender a um plano superior, o que possibilitou que o Dr. Jackson continuasse a acompanhar seus amigos e entes queridos, mas sem poder interferir em nada. O arqueólogo, ansioso por impedir que Anubis, um dos mais poderosos goa’uld, encontrasse uma fonte de poder inesgotável, acaba sendo punido pelos outros seres que habitam o plano superior e retorna à vida e, eventualmente, ao SG-1, voltando ao seu trabalho ao lado de seus amigos.

Sua experiência com a ascensão foi muito útil para ajudar a descoberta da Cidade Perdida dos Antigos, a raça que construiu os portais estelares. Ao ator Christopher Judge coube a difícil missão de interpretar o único alienígena do Stargate, Teal’C, um fiel servidor de Apophis que se rebela e passa a ajudar o SG-1 e os humanos em sua luta contra os falsos deuses goa’uld. Teal’C é um jaffa, escravo dos goa’uld, humanos de diversos planetas da galáxia que são obrigados a carregar em seus corpos as larvas goa’uld, até que sejam transferidas para seus hospedeiros definitivos. Os jaffa são geneticamente modificados de modo que seus corpos são incapazes de sobreviver mais do que algumas horas sem a presença de um simbionte dentro deles. Após uma emboscada que o deixa entre a vida e a morte, Teal’C se torna um dos primeiros de sua raça a conseguir sobreviver sem seu simbionte graças a uma droga sintética desenvolvida pelos tok’ra.

A presença de Teal’C no SG-1 é inestimável e sua fidelidade a seus amigos humanos é digna de inveja. Ele também lidera um grupo cada vez maior de jaffa rebeldes, que sonham em um dia se libertar do jugo dos goa’uld. Don S. Davis interpreta o general George Hammond, o comandante do SGC. O carisma do ator foi completamente transferido para o personagem que em muitas ocasiões se assemelha muito mais a um pai compreensivo do que a um austero general do exército. Sua atuação no Comando Stargate é de coordenar todas as missões de todas equipes SGC. Hammond é responsável pela primeira linha de defesa da Terra contra invasões alienígenas. Além da defesa, suas ordens são as de adquirir novas tecnologias e desenvolver relações diplomáticas amistosas com as culturas extraterrestres. Antes de atuar em Stargate SG-1, Davis era conhecido do público por seu papel como capitão Scully, o pai de Dana Scully em Arquivo-X.

No final da sétima temporada, o general é afastado do SGC e substituído pela doutora Elizabeth Weir, graças às intrigas de um antigo inimigo do SGC, o senador Kinsey, atual vice-presidente da República. Mas seu afastamento acaba colocando-o no comando da nave Prometheus, construída na Terra com a utilização de tecnologia alienígena, enviada para defender o planeta do ataque de Anubis.

Ufologia e ficção beneficiadas — Com toda essa trama, Stargate revela-se de importância fundamental dentro do universo da Ficção Científica e, sem dúvida, também para a Ufologia. O tema dos antigos deuses que vieram do espaço, trazendo avançados conhecimentos para os habitantes da Terra, segue sendo um dos mais atraentes na pesquisa ufológica. Em inúmeros episódios o seriado tratou do assunto, abordando até mesmo o tema dos crânios de cristal, aliens como os mentores da humanidade, engenharia reversa de tecnologias extraterrestres, e inúmeros outros, comprovando a criatividade dos produtores, sempre com roteiros que poderiam estar em livros como os de Zecharia Sitchin ou Graham Hancock [Veja obra O Mistério de Marte, código LT-21 da seção Shopping UFO desta edição].

Seguidas vezes, a série traz o tema do absoluto segredo com que são realizadas as operações do SGC. No episódio Disclosure, da sexta temporada, o general Hammond revela a embaixadores das maiores potências – China, Grã-Bretanha e França – suas atividades secretas, das quais os russos começavam a participar. A questão do programa se manter secreto segue sendo abordada dentro da mitologia da série.

Com a saída de Michael Shanks do seriado, um substituto para Daniel Jackson foi colocado em seu lugar. Corin Nemec acabou ficando com a difícil tarefa de substituir um personagem extremamente carismático. Não foi fácil, mas Jonas Quinn conseguiu agradar os exigentes fãs de Jackson, ainda que não tenha conseguido manter seu personagem em cena por mais do que uma temporada. Quinn é o jovem alienígena que foi salvo da morte por Jackson e, proibido de voltar a seu planeta de origem, ele encontra abrigo no SGC. Com sua incrível capacidade de memorização, ele passa a decorar todas as anotações de Jackson com o intuito de contribuir com o SG-1 e ajudar na luta contra os goa’uld, caso consiga evidentemente, convencer O’Neil de sua confiabilidade. Depois de ser de inestimável ajuda em uma crise, Jack aceita Quinn na equipe, ainda que com reservas, e ele se mostra realmente de grande ajuda, embora lhe falte muita experiência em campo, o que acarreta muitos problemas para o grupo em suas missões.

Depois da volta de Daniel Jackson ao SG-1, Quinn consegue se redimir perante seu povo e retorna a seu planeta, para ajudar a mediar os problemas sociais que envolvem as três diferentes raças que vivem em constante guerra. À parte deste fantástico elenco, muitos personagens entraram e saíram de cena durante as nove temporadas da série. O sucesso só aumentou e Stargate SG-1 já começa a quebrar recordes de episódios e temporadas no ar, conseguindo números que somente seriados de não-ficção alcançaram. É mais uma vitória para a ficção que, a cada dia consegue galgar mais e mais degraus rumo ao reconhecimento de crítica e público. É mais uma vitória dos fãs de Ficção Científica que prestigiam e divulgam com carinho as séries que, como Stargate SG-1, ensinam a todos a sonhar com as estrelas.

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Sobre o Autor

Silvia Helena Penhalbel

É colunista da revista Scifi News.

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