ARTIGO

Uma análise do atual estágio da pesquisa dos discos voadores

Por Vanderlei D\'Agostinho | Edição 186 | 01 de Março de 2012

Não temos ideia de quantos e como são os outros planetas, mas uma coisa é certa: essa informação será conhecida em breve
Créditos: Kees Veenenbos

Uma análise do atual estágio da pesquisa dos discos voadores

Luzes e objetos voadores não identificados têm cruzado os céus de nosso planeta desde tempos imemoriais, fazendo com que as testemunhas se perguntem do que se tratam, visto que não se ajustam a fenômenos conhecidos da natureza ou passíveis de serem reproduzidos pelo cidadão comum. Esse questionamento levou o homem a se perguntar, sob uma nova perspectiva, sobre a possibilidade de não sermos os únicos seres inteligentes no vasto universo que nos cerca. Certamente há vários fenômenos atmosféricos, astronômicos, eletromagnéticos, telúricos etc que poderiam facilmente explicar tais aparições. No entanto, dentro das centenas de milhares de aparições de UFOs das últimas décadas, uma significativa porcentagem ainda permanece um mistério. E como já foi dito, um mistério nada mais é do que aquilo que ainda não compreendemos.

Essa pequena porcentagem, e estatisticamente falando, já é o bastante para que cada vez mais pessoas em todo o globo se dediquem a estudar o Fenômeno UFO, uma sigla que, em si, não diz muita coisa. UFO é abreviação em inglês de objeto voador não identificado, pura e simplesmente. Mas ela se tornou conhecida, erroneamente, como sinônimo de naves comandadas por seres de origem não terrestre. Ora, se são não identificados, como podemos afirmar que sejam naves, e ainda mais de origem extraterrestre? Ainda assim, desde o início da chamada Era Moderna da Ufologia, diversos nomes foram dados a esses objetos, sempre associando-os a pratos ou discos. Isso devido ao fato de que, quando vistos de dia, têm essa aparência. De noite, são apenas luzes não identificadas.

Sabemos que a Ufologia Moderna tem sua data de início marcada por uma aparição em especial, em 24 de junho de 1947, quando Kenneth Arnold fez sua famosa observação. Apesar de hoje muitos pesquisadores colocarem em dúvida a veracidade desse avistamento, tal data é ainda considerada como o aniversário da disciplina, devido ao estardalhaço feito à época pela imprensa. Mas tudo teria começado em 1947? Certamente, não. Objetos voadores não identificados e fenômenos afins têm sido observados há muito mais tempo. Voltando alguns séculos na história, encontraremos não só relatos como também registros de imagens de UFOs em várias partes do planeta.

Fenômeno recente ou antigo?

Quadros pintados desde a Idade Média têm, normalmente em segundo plano, a imagem de discos voadores sobrevoando a paisagem em questão. Apesar de alguns terem sido pintados com uma aparência que pode dar margem à dúvida quanto à intenção do pintor, há inúmeros casos em que os UFOs retratados são idênticos aos objetos diurnos vistos na atualidade.

Tal fato põe de lado qualquer questionamento quanto a serem um fenômeno recente ou não. E indo além dos avistamentos, há também relatos de interação destes objetos com o ambiente, além dos registros de abduções e mutilações de animais no século 19, feitos possivelmente por tripulantes dessas naves. Em todas essas circunstâncias, é importante ressaltar a semelhança com acontecimentos recentes. Levando-se em conta que àquela época os meios de comunicação não tinham a força que têm hoje para, eventualmente, induzir a testemunha a erros de interpretação — é necessário tomar tais relatos como altamente confiáveis.

Os UFOs novamente se fizeram presentes no século 20, e em grande número durante a Primeira Guerra Mundial. Mas foi durante o segundo conflito (1939-1945) que começaram a se mostrar mais próximos de nós, terráqueos. Próximos até demais, segundo os militares em ação na época, especialmente os aviadores. É curioso notar que a casuística mostra sempre haver um grande aumento na atividade ufológica em zonas e tempos de guerra. Trata-se aqui daquilo que ficou conhecido como foo fighters. Tais objetos são hoje comumente chamados de sondas e teriam, segundo relatos, seguido aviões de guerra por inúmeras vezes. Chegou-se a relatar, inclusive, que tais sondas — de formato esférico e do diâmetro aproximado de uma bola de futebol — atravessavam a fuselagem de aviões em pleno voo, flutuavam dentro dos mesmos e saíam da mesma forma que entraram, sem deixar marca alguma na estrutura da nave. Mas muito antes dessas proezas já tínhamos veículos misteriosos voando sobre nosso planeta, inclusive nos primórdios da humanidade.

Incontáveis pinturas rupestres

O termo Ufoarqueologia designa uma área de estudos dentro da Ufologia que considera a possibilidade de ter havido visitas extraterrestres na mais remota Antiguidade, interagindo com habitantes de então. Embora não seja o criador de tal hipótese, foi o suíço Erich von Däniken que a tornou popular com o lançamento de seus primeiros livros, ao final da década de 60. Mesmo ainda na ativa como pesquisador, outros estudiosos acrescentam a cada dia à tese mais amplas e profundas conclusões, fazendo com que a ideia original se torne hoje quase uma unanimidade na Comunidade Ufológica Mundial. E no que se baseia esse conceito? Antes de qualquer coisa, temos que levar em consideração que cada sociedade, em diferentes épocas, via de forma diversa e adequada as suas limitações de conhecimento e entendimento dos objetos voadores não identificados. Não é de se estranhar, então, que antigos povos vissem fenômenos perfeitamente comuns, como o raio e o trovão, como manifestações divinas.

crédito: Arquivo UFO
O lenhador Travis Walton, um dos primeiros a voltar com alguma memória de um encontro com seres extraterrestres
O lenhador Travis Walton, um dos primeiros a voltar com alguma memória de um encontro com seres extraterrestres

No entanto, registros escritos de muitos povos, pictóricos e de tradição oral, levam a crer que inúmeros fenômenos vistos não se encaixavam naquilo que poderíamos chamar de naturais. Entre os pictóricos, encontramos várias pinturas rupestres nos cinco continentes, que em muito se assemelham aos modernos UFOs. Essas figuras têm idades que variam de poucos milhares a dezenas de milhares de anos. Mais que isso, muitas delas mostram o que parecem ser tripulantes das naves — chamados ufonautas — interagindo com humanos. A despeito de controvérsias surgidas nos últimos anos, um dos casos de tradição oral que mais chama a atenção dos pesquisadores é, sem dúvida, o da tribo africana dos dogons. Segundo os remanescentes desse antigo povo, seus ancestrais teriam recebido a visita de deuses em passado remoto, que teriam interagido com os nativos, ensinando-lhes técnicas de agricultura, comportamento social e outras coisas básicas para autossustentação.

Monumentos pré-colombianos

Essa história passaria como mais uma lenda, não fossem as informações deixadas por tais deuses. A tradição dos dogons registra que esses seres teriam vindo do sistema binário Sírius, formado por duas estrelas que giram uma em torno da outra. Os deuses dos dogons também teriam passado informações detalhadas sobre esse sistema. Mas o incrível é que tais dados foram descobertos pelos astrônomos, com seus potentes telescópios, somente no século 20. E destaque-se o fato de Sírius, um sistema binário, não poder ser observado a olho nu. Como os dogons sabiam tanto sobre ele? Mas, talvez, os relatos mais impressionantes sobre UFOs na Antiguidade são escritos, vistos como sagrados — tanto no Oriente quanto no Ocidente. A partir do momento em que o homem desenvolveu a escrita, obviamente ficou mais fácil registrar fatos para a posteridade, com mais detalhes. Como exemplo, podemos citar a Bíblia judaico-cristã e os antigos textos sagrados da Índia.

No primeiro caso, temos uma infinidade de relatos de contatos com naves alienígenas e seus ocupantes, desde o Pentateuco [Os cinco primeiros livros da Bíblia, atribuídos a Moisés] até o Novo Testamento. Como noutras religiões, as antigas manifestações divinas em muito se assemelham à moderna casuística ufológica. As visões de Moisés, especialmente durante o êxodo, do profeta Ezequiel e de Saulo (Paulo), já no Novo Testamento, são casos clássicos dentro dessa área de estudo. Quanto aos livros hindus, temos os relatos frequentes de naves divinas na antiga Índia, chamadas de Vimanas. Elas eram temidas e descritas como armas de guerra que muito lembram nossos modernos instrumentos de destruição em massa, além de pontos em comum com outras tradições, no que se refere à aparência dos UFOs e seus ocupantes, comportamento e objetivos.

Em sua quase totalidade, os textos mencionados e nos de outras antigas culturas há importantes pontos em comum. Os deuses teriam vindo ao nosso planeta e, ao se depararem com uma raça promissora, em termos de desenvolvimento, teriam de alguma forma influenciado em sua evolução, fazendo-a mais rápida através do que conhecemos como “intervenção divina”. Teria sido criada uma raça mais inteligente e desenvolvida e os criadores, após a intervenção, tendo ensinado novas normas sociais e religiosas, foram embora deixando a promessa de um dia voltar. Mas nenhum comentário sobre UFOs na Antiguidade estaria completo sem que citássemos os antigos monumentos pré-colombianos, egípcios, europeus e asiáticos, deixados por civilizações que já não mais existem. No entanto, as construções ainda estão lá — e com referências astronômicas, matemáticas, químicas e biológicas que intrigam aqueles que se debruçam sobre elas.

É fácil perceber que, embora a Ufologia como um todo seja muito instigante, a Ufoarqueologia é um ponto por demais polêmico, visto que destrona vários dogmas religiosos, culturais e científicos. Mas antes de afirmar que os UFOs são veículos comandados por inteligências extraterrestres, temos que analisar as reais probabilidades de que as mesmas existam. Oficialmente, a Terra é o único planeta em que se sabe haver vida, em especial vida inteligente. Conhecimentos básicos de astronomia, no entanto, deixam no mínimo dúvidas sobre tal afirmação. Levemos em conta que nosso planeta, ao lado de outros oito, gira em torno de uma estrela cuja idade não ultrapassa cinco bilhões de anos. O Sol faz parte de uma galáxia — a Via Láctea — cujas estimativas menos otimistas dizem ser formada por 100 bilhões de outras estrelas, mais ou menos novas que o Sol. E há cálculos que elevam esse número para até 400 bilhões de estrelas.

Substâncias necessárias à vida

Além disso, estudos recentes indicam o espantoso número de 100 bilhões de outras galáxias espalhadas pelo nosso universo — e esses números crescem em relação direta ao avanço técnico dos equipamentos para observações astronômicas. Estatisticamente falando, esses dados já seriam mais que suficientes para fazer os astrônomos pensarem que realmente deve haver estrelas com planetas ao seu redor, que abriguem vida inteligente. Porém, mais que simples cifras, descobertas atuais têm feito até os mais céticos reverem suas posições. Ao ser redigido esse texto, por exemplo, a existência de mais de 100 planetas já foi confirmada pelos observatórios de superfície ou em órbita terrestre. E nos referimos aqui a orbes circundando outras estrelas a dezenas de anos-luz de distância, ou seja, num raio de análise muito pequeno se comparado com o diâmetro de nossa galáxia, que é de 100.000 anos-luz.

crédito: Vesperian society
O meteorito ALH84001, uma rocha originária de Marte que foi encontrada encravada da Antártida, causando grande agitação nos meios científicos

O que dizer, então, de descobertas mais objetivas? O mundo parou de respirar por alguns instantes quando, em 1996, um grupo de cientistas norte-americanos revelou ter descoberto micro-organismos fossilizados em uma rocha originária do planeta Marte, encravada da Antártida. Ainda que muitos coloquem em dúvida tal afirmação, por questões técnicas que não cabem nesse resumo, o fato é que houve uma enorme mobilização do governo dos Estados Unidos no sentido de se averiguar mais de perto o assunto, aumentando vertiginosamente o orçamento para os estudos do Planeta Vermelho e outros orbes do Sistema Solar. Bem mais longe que Marte, os astrofísicos incrementam a cada dia o número de informações sobre estrelas distantes que instigam ainda mais nossa imaginação. São dados que se referem, entre outras coisas, à presença de substâncias básicas necessárias para o surgimento de vida como a conhecemos.

Se bactérias não constroem naves espaciais e viajam a outros sistemas estelares, qual a importância desses dados para os ufólogos? Se levarmos em conta que a idade estimada de nosso planeta é de 4,5 bilhões de anos e que o Homo sapiens sapiens — o homem atual — surgiu há apenas algumas dezenas de milhares de anos, teremos algo realmente interessante para pensar. E mais ainda se levarmos em conta que o universo conhecido existe há aproximadamente 14 bilhões de anos. Quantas civilizações com alto grau de inteligência não teriam aparecido e, talvez, até desaparecido nesse tempo todo? Já que não temos resposta para essa pergunta em nossos registros históricos, talvez a encontremos nesses misteriosos objetos que cruzam nossos céus todos os dias.

Ato sexual com um alienígena

Na fenomenologia ufológica, um dos aspectos mais controversos é a casuística que envolve abduções e contatos pacíficos com extraterrestres. Controverso porque, ao contrário dos avistamentos com milhares de fotos e vídeos que certamente não são fraudes, os contatos diretos com os supostos aliens carecem até hoje de uma prova considerada definitiva por boa parte dos pesquisadores. Onde estaria tal prova? Muitos cientistas afirmam que o testemunho das vítimas de sequestro e dos contatados não passam de falsas memórias dos mesmos, levados por psicopatologias ou induções geradas pela mídia. Cabe aqui relembrar alguns casos clássicos para ver se tal afirmação procede. Entre eles, o de Antonio Villas-Boas que, numa noite de 1957, enquanto arava as terras da fazenda de sua família em Minas Gerais, viu que uma nave teria se aproximado e seus ocupantes, dela saindo, o teriam levado à força para o interior.

Este foi um dos primeiros casos de abdução profundamente estudado pela Ufologia Moderna. Segundo Villas-Boas, já falecido, o fato mais marcante foi a relação sexual que manteve com uma ocupante da nave, por iniciativa da mesma e aceito por ele. Não havendo comunicação verbal entre as partes, a tripulante teria, após o ato sexual, apontado para seu próprio ventre e em seguida para cima — um ato bastante sugestivo. Seria um entre tantos relatos posteriores, não fosse o fato de Villas-Boas ter sido estudado pelo governo norte-americano, viajando várias vezes para os Estados Unidos.

Caso espetacular é, claro, o de Betty e Barney Hill. No ano de 1961, o casal teve seu carro abordado por uma nave e levado para seu interior. Dentro da mesma, sendo separados um do outro, Betty passou por uma bateria de exames médicos similares aos nossos, indo desde coleta de sangue até exame ginecológico. Antes de serem devolvidos, algumas horas mais tarde, ela conseguiu manter um diálogo com os ocupantes da nave e perguntou-lhes sua origem. Foi-lhe mostrado um mapa estelar com supostas rotas entre a estrela de origem desses ETs e outros sistemas. Esse caso é extremamente importante dentro da casuística ufológica, pois, tempos depois, sob hipnose, Betty reproduziu tal mapa. Nada demais, não fosse o fato de que somente anos mais tarde algumas das estrelas que Betty desenhou seriam descobertas pela astronomia.

crédito: JPL
O meteorito ALH84001, uma rocha originária de Marte que foi encontrada encravada da Antártida, causando grande agitação nos meios científicos
O meteorito ALH84001, uma rocha originária de Marte que foi encontrada encravada da Antártida, causando grande agitação nos meios científicos

Uma abdução igualmente inquestionável é a de Travis Walton, cuja importância reside principalmente no fato de que, a princípio, ele fora dado como assassinado por seus próprios amigos, que teriam ocultado seu cadáver. Essa foi a explicação que a polícia do Arizona conseguiu para explicar o desaparecimento de Walton por vários dias, período em que ficou a bordo de um UFO. Todos os recursos foram usados para se averiguar a veracidade dos depoimentos dos supostos assassinos, que insistiam em afirmar que viram o colega ser levado por uma nave, inclusive detectores de mentira ou polígrafos — e todas as investigações apontaram que seus depoimentos eram verdadeiros.

Paradeiro conhecido

A abdução de Walton é clássica e conhecida. Ao final de um dia de trabalho, em 1975, um grupo de lenhadores viu uma estranha luminosidade à beira da estrada. Walton, movido pela curiosidade, aproximou-se do objeto que emitia a luz e foi atingido no peito por uma espécie de raio. Caindo desacordado, seus colegas fugiram amedrontados. Em meio à confusão mental que seria natural numa situação dessas, resolveram dar meia-volta e socorrer seu colega. Para surpresa de todos, Walton, assim como a nave, havia desaparecido. Por seis dias o lenhador ficou sem paradeiro conhecido, reaparecendo depois, vivo e atordoado — lembraria mais tarde que fora sequestrado e tinha passado por vários exames nas mãos de seres extraterrestres.

Na linha de encontros não amistosos com alienígenas, vale lembrar a onda ufológica de meados dos anos 70 na Amazônia, em especial nos Estados do Maranhão e Pará. Várias pessoas foram vítimas de UFOs que emitiam uma espécie de raio, fazendo-as desenvolver desde manchas não explicadas no corpo até anemia. Por isso, a onda foi chamada de Chupa-Chupa, gerando livros de pesquisadores de renome internacional e até mesmo uma operação secreta da Força Aérea Brasileira (FAB) com o intuito de averiguar o que lá acontecia, em 1977 [Veja edições 56 e 57, agora disponíveis na íntegra em ufo.com.br]. Mas tão ou mais polêmicos quanto esses ataques são os contatos pacíficos com os supostos extraterrestres. Nessa categoria, de forma generalizada, podemos identificar duas situações. A primeira seriam aqueles casos dos chamados “contatados”, que, segundo alegam, manteriam contatos regulares com seres de outros planetas e dimensões.

crédito: UFO Photo Archives
A suposta nave alienígena que o suíço Eduard “Billy” Meier afirmava que descia em sua fazenda, e com cujos tripulantes fez amizade
A suposta nave alienígena que o suíço Eduard “Billy” Meier afirmava que descia em sua fazenda, e com cujos tripulantes fez amizade

Alguns acontecimentos clássicos são os do norte-americano George Adamski e o do suíço Eduard “Billy” Meier. O primeiro afirmava, já na década de 50, manter contato com seres provenientes de Vênus. Tornou-se uma celebridade no meio ufológico na época, pois foi um dos primeiros a alegar tais contatos. O segundo ficou mais conhecido pelas inúmeras fotos e filmes que teria feito de naves provenientes das Plêiades. Ainda hoje, muito se discute sobre Meier, pois embora várias fotos e filmes não resistam a um exame mais apurado, há ainda um certo número deles que ninguém conseguiu provar definitivamente serem fraudes.

Contatos não físicos com ETs

Outra forma de contato com seres extraterrestres não seria física, mas através de mensagens enviadas por processo aparentemente telepático àqueles que ficaram conhecidos como “canalizadores”. Esse sistema, ainda que não o mesmo, em muito lembra a psicografia, praticada pelos kardecistas. O que é mais questionado pelos pesquisadores a esse respeito é o conteúdo das mensagens recebidas tanto pelos contatados, quanto pelos canais. De modo geral, são mensagens de fundo filosófico, ecológico e de elevação espiritual — por isso, alegam os estudiosos que nada prova serem de origem extraterrestre. Algumas eventuais informações técnicas passadas aos contatados ainda não são passíveis de averiguação, permanecendo, então, a dúvida.

Em Ufologia, a pergunta que mais se faz se refere ao porquê de estarmos sendo visitados de forma sorrateira por seres extraterrestres e quais seriam os objetivos de suas visitas. Várias hipóteses têm sido aventadas nesse sentido. Uma delas é a da simples observação. Muitos pesquisadores creem que, assim como nós, num futuro distante, várias raças já teriam alcançado capacidade tecnológica para viajar pelas estrelas. Em alcançando planetas com formas de vida em maior ou menor estágio de desenvolvimento, esses seres fariam uma espécie de acompanhamento de sua estrutura biológica e social. A título de pesquisa científica, fariam incursões em nosso planeta, podendo inclusive coletar amostras não somente de minerais e vegetais — como também de animais e de pessoas.

Nessa linha de raciocínio não está inclusa a ideia de qualquer forma de intervenção ou interação definitiva em larga escala em nosso planeta. Outro objetivo de nossos visitantes está, por sua vez, ligado diretamente a uma ideia de intervenção. Nessa hipótese aplicamos o conceito de que raças muito mais avançadas que a nossa, em termos tecnológicos e espirituais, têm acompanhado nossos passos detidamente. Agindo como uma espécie de “tutores” do ser humano, teriam feito no passado — e farão no futuro, se necessário — intervenções diretas em nosso destino, evitando catástrofes que poderiam de alguma forma eliminar a humanidade terrestre. Esses desastres poderiam ser naturais, como o choque com outros corpos estelares, ou causados por nós mesmos. Essa teoria ganhou força entre os pesquisadores, especialmente à época da Guerra Fria, quando por vezes estivemos à beira de uma guerra nuclear global.

Grande projeto interestelar

Uma conjectura alternativa que se manifesta na Ufologia vê os alienígenas como uma espécie de “pais cósmicos”, e foi esculpida com base em antigos relatos estudados pela Ufoarqueologia, aliados a afirmações de contatados. A tese é de que seres provenientes de outros sistemas estelares teriam interferido no desenvolvimento do ser humano desde a aurora dos tempos. Através de alterações genéticas, os ETs teriam feito com que os antigos hominídeos dessem saltos evolutivos até chegarem ao que hoje conhecemos como Homo sapiens sapiens. Está inserido nessa visão o conceito de que, na verdade, somos o resultado de cruzamento com seres de outros planetas, num lento processo de desenvolvimento dentro de um grande projeto interestelar. Afirmam os partidários dessa proposição que estaria aí o motivo de várias civilizações nos visitarem, e seus enviados serem idênticos aos seres humanos.

Afirma-se, ainda, que esse processo continua em andamento, sendo um dos motivos das abduções com aparentes exames biológicos. O objetivo final desse programa seria a integração total da raça humana terrestre com esses nossos pais ou irmãos estelares, quando atingíssemos um nível biológico e de conscientização cósmica necessários para um contato em larga escala. Mas não se pode deixar de mencionar também a tese dos piratas espaciais como forma de entender senão todo, pelo menos parte das razões que têm nossos visitantes ao agirem na Terra. Como retratado em muitos filmes — ou talvez derivados deles — há quem afirme que várias raças alienígenas estariam aqui com o claro intuito de retirar amostras minerais e orgânicas — incluindo humanas — necessárias à sua sobrevivência. Uma vertente mais radical dessa hipótese alimenta que o planeta Terra seria vítima, no futuro, de uma verdadeira invasão extraterrestre, que faria de nós “escravos” dos invasores.

Paralelamente a essa visão mais contundente, diz-se que essa invasão ainda não teria acontecido porque outras raças, integrantes de um tipo de “consórcio interestelar”, estariam nos protegendo dos malfeitores. Haveria em curso, portanto, uma verdadeira guerra nas estrelas sem que saibamos. E há, por fim, a teoria conspiracionista. Trazido à tona na década de 1970, após 30 anos de silêncio, o Caso Roswell seria o ponto focal dessa proposição. Em resumo, tal caso se refere a uma suposta nave extraterrestre que teria se acidentado na cidade de Roswell (EUA), em julho de 1947. Com um de seus ocupantes ainda vivo, a nave teria sido resgatada pelo governo norte-americano, o que resultou no início de um programa secreto de estudo e intercâmbio entre aquele e os ETs. Tal esquema envolveria o fornecimento de tecnologia por parte dos visitantes em troca de um programa de acobertamento de suas atividades na Terra — entre elas as abduções, que seriam permitidas pelos norte-americanos.

Casos explicáveis pela ciência

A despeito de declarações controversas — muitas vezes até alarmistas —, essa ideia tem ganhado cada vez mais adeptos, pois já se conta as centenas os ex-agentes e funcionários de vários órgãos governamentais dos Estados Unidos que corroboram tal hipótese. Chega então o momento dos enganos e das fraudes. É sabido que uma pequena porcentagem dos avistamentos de UFOs em nossos céus — cerca de 5% — não são explicáveis pela ciência atual. Isso é o que nos faz pensar em uma inteligência não terrestre comandando tais fenômenos. Com o intuito de termos um contraponto para melhor análise, é imprescindível saber do que se tratam os outros 95% de aparições. Há uma imensa gama de fenômenos naturais não conhecidos do público em geral que muitas vezes enganam as testemunhas. Levemos em consideração que nosso planeta é como um ser vivo, envolvido por uma camada chamada atmosfera.

crédito: Cypress Media
Um tipo de viagem espacial imaginado usaria o princípio das múltiplas dimensões paralelas, uma teoria hoje defendida por muitos cientistas
Um tipo de viagem espacial imaginado usaria o princípio das múltiplas dimensões paralelas, uma teoria hoje defendida por muitos cientistas

Interações químicas e eletromagnéticas entre o solo, subsolo e atmosfera produzem efeitos visuais extremamente curiosos e impressionantes. São nuvens lenticulares, raios globulares, auroras boreais etc. Estudos mais recentes levantam também a hipótese de que movimentos tectônicos que precedem a terremotos geram gases que, em contato com a atmosfera, também produzem efeitos visuais interessantes. Todos esses fenômenos são naturais. Mas o que dizer dos que não são naturais, nem têm origem extraterrestre? Infelizmente existe um bom número de observações de UFOs que são resultado de fraudes engendradas por seres bem terrestres. E o que os motivaria a tais atitudes? Essa é mais uma área bastante delicada da Ufologia, que deve ser estudada com cuidado.

Entre os vários motivos para se montar uma fraude existem alguns bem claros e definidos. Há pessoas que, por simples diversão, se dão ao trabalho de montar aparatos, dos mais simples aos mais complexos, com o intuito de enganar os incautos que os avistarem — uma verdadeira brincadeira de mau gosto. Mas há também aqueles que, via de regra céticos em relação ao Fenômeno UFO, são mais minuciosos em suas fraudes. Têm normalmente por objetivo desacreditar os reais avistamentos, vindo a público posteriormente e mostrar como é fácil enganar ou iludir pessoas menos preparadas — e tentar desmoralizar a Ufologia. Embora seja muito constrangedor para as pessoas que testemunhem ter visto um UFO nessas ocasiões, esses fraudadores acabam exercendo uma função interessante, agindo como fomentadores dos verdadeiros pesquisadores ufológicos, criando uma saudável discussão.

Desbaratamento das fraudes

Já um aspecto mais delicado dessa questão se refere às muitas fraudes organizadas por pessoas com determinado nível intelectual, movidas por algo que está no limiar entre um duvidoso senso de humor e uma psicopatologia. São pessoas que encontram nessa diversão um prazer em serem postas em evidência após o desbaratamento da fraude. Sem um propósito científico para tais atitudes, poderíamos dizer que são carentes de atenção, fazendo dessa atividade uma forma de compensar seus problemas pessoais, chamando para si a atenção de terceiros. Deixemos a palavra para os psicólogos de plantão.

Em todo caso, paralelamente a esses casos encontramos algo parecido, porém perigoso. Falamos aqui daqueles reconhecidamente portadores de graves transtornos de personalidade, que podem levar eles mesmos e outros por caminhos arriscados. Tais pessoas não só acreditam na existência de vida extraterrestre como veem a si mesmos como “intermediários” entre essas civilizações e os seres humanos. O lado extremo desses casos leva ao fanatismo e à criação das chamadas seitas ufológicas, cujos potenciais resultados nos remetem ao suicídio coletivo dos integrantes da Heaven’s Gate, em 1997, nos EUA. Nada muito diferente, em essência e forma, ao doentio fanatismo cristão que levou à morte centenas de seguidores de Jim Jones, na década de 1970, nas Guianas.

Finalmente, mas não menos importante, existem os casos daquelas pessoas que abusam da boa vontade e credulidade alheia para o próprio enriquecimento de forma ilícita. Como em outras áreas da sociedade humana, aproveitadores utilizam fraudes e outros artifícios para convencer pessoas menos avisadas que poderão ter contatos programados ou experiências místicas através de supostos encontros físicos ou não com naves extraterrestres e seus ocupantes. Ainda que sejam uma interessante fonte de pesquisa antropológica, esses casos são, antes de tudo, de polícia. Por tudo isso, e apesar das inúmeras evidências da materialidade do Fenômeno UFO, há ainda um forte movimento de ceticismo contra o tema. O que mais leva os céticos a manterem suas posições contra a possibilidade de estarmos sendo visitados por seres de outros planetas está, fundamentalmente, nas enormes distâncias estelares.

Ainda que seja um fato a ser levado em conta, aumenta a cada dia o número de cientistas — em especial os físicos — que acham ser possível quebrar a barreira da distância e do tempo necessário para cruzá-la. Várias teorias surgiram nas duas últimas décadas do século 20 que viriam abrir possibilidades nunca antes aventadas de forma tão objetiva. Baseados em complexos cálculos matemáticos, muitos estudiosos julgam serem possíveis as viagens interestelares através de meios que tornam o velho sistema de propulsão por foguetes totalmente ultrapassado. Falamos aqui, de forma resumida, sobre a possibilidade de túneis interdimensionais através dos quais um corpo poderia ser transportado de um ponto a outro no espaço, sem percorrer a distância entre eles. Esse túnel se formaria através de uma “dobra” no espaço, que os aproximaria, e uma possível entrada para eles seriam os comentados buracos negros.

Modelos teóricos e matemáticos

Outro tipo de viagem usaria o princípio das múltiplas dimensões paralelas, teoria hoje defendida por muitos cientistas. Somente os modelos teóricos e matemáticos desses estudiosos de vanguarda já seriam um tremendo progresso quanto à nossa visão do universo. No entanto, fatos ainda mais objetivos têm ocorrido nos laboratórios do mundo todo, fazendo com que o fantástico se torne realidade. Várias experiências em pequena escala na área da física quântica moderna começam a derrubar antigos dogmas científicos. O teletransporte — na verdade, uma espécie de clonagem — de fótons e reações subatômicas com velocidade superior à da luz são alguns exemplos. É importante ressaltar que cada vez mais os especialistas têm se voltado para o micro para entender e abrir novas possibilidades para o macrocosmo.

Mas o que teria isso a ver com a Ufologia? Tudo, é claro! A casuística sempre mostrou certos comportamentos dos UFOs e seus tripulantes que vêm ao encontro dessas recentes descobertas e modelos teóricos. Naves que aparecem e desaparecem do nada, criação de campos antigravitacionais ao redor dos veículos, seres que parecem mais uma projeção holográfica etc, são alguns exemplos dessas possibilidades que começamos a criar em nossas universidades mais avançadas. Como foi dito, tais experiências ainda se encontram em pequeníssima escala, mas a partir do momento em que certos princípios puderem ser comprovados, será apenas uma questão de tempo para que se expandam e se tornem parte do nosso dia a dia. E, quem sabe, nós mesmos nos tornaremos alienígenas em planetas longínquos num futuro talvez não tão distante.

Discos voadores: catalisadores de uma nova consciência?

por Vanderlei D’Agostino

A partir do começo do século XX, as possibilidades de existência de vida extraterrestre inteligente no universo têm sido retratadas das mais diferentes formas pelo cinema e literatura, principalmente como ficção. Seria isso consequência das descobertas científicas ou um ato inconsciente de tentarmos registrar algo que nosso íntimo procura comprovar? E se assim for, por que a necessidade de tal comprovação? Analisemos o desenvolvimento da visão do ser humano em relação ao Fenômeno UFO nas últimas cinco décadas. A princípio, logo após o final da Segunda Grande Guerra, havia um clamor pela paz mundial por parte da população em oposição à Guerra Fria. Foi quando começaram a surgir mensagens de paz e eventual salvação através dos contatados da época — que diziam que nossos visitantes extraterrestres eram portadores de uma visão pacifista que nós também deveríamos adotar.

Já entre os anos 60 e 80, em boa parte devido à casuística que incluía abduções, mutilações de animais e teorias conspiracionistas, essa visão tomou outra forma. Já não existiam apenas ETs “bonzinhos”, mas várias raças atuando na Terra — algumas até com interesses escusos. Em especial na década passada, uma visão mais abrangente se instalou na Ufologia. Embora não faltem os céticos radicais, um número crescente de pessoas vê como admissível a visita de alienígenas ao nosso planeta. E mais que isso, colocando como meio para transporte e finalidade das visitas todo um conjunto de conceitos científicos e filosóficos altamente evoluídos.

Excessos à parte, cada dia mais pessoas abandonam o posicionamento simplista de tratar os UFOs como matéria de crença, o tal existe ou não existe. Elas têm questionado de forma salutar não apenas o fenômeno em si, mas todo um conjunto de pontos que vão desde a origem do homem no planeta até seu próprio destino, passando pelo nosso atual modo de interagir com o universo que nos cerca. Seriam esses questionamentos naturais? Certamente, sim.

Sozinhos no cosmos?

Desde sempre o homem se fez tais perguntas. O Fenômeno UFO hoje faz com que muitos se direcionem de forma diferente e mais abrangente ao encontro de respostas. O fato de não estarmos sozinhos no cosmos, aliado a novos conceitos, vêm corroborar antigas tradições e filosofias e tem feito com que o ser humano atinja um novo patamar em sua evolução.

E que patamar seria esse? Analisando imparcialmente a questão, veremos que esse novo patamar nada mais é do que uma condensação de todo o conhecimento humano. Talvez resida aí o segredo de tudo que foi colocado nesse resumo. Ou seja, termos em mente os UFOs não apenas como um fato isolado, mas como catalisador do potencial humano, trabalhando para que realmente cheguemos a uma era não de perfeição, mas de habilidades essenciais desenvolvidas. E que objetivo mais nobre teria o ser humano de boa índole senão esse desenvolvimento individual e coletivo?

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Sobre o Autor

Vanderlei D\'Agostinho

É professor de inglês e Tai Chi Chuan.

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