Edição 135
DESTAQUE

Um UFO na noite de Guarulhos

Por
01 de Jul de 2007
Há ligação entre os fenômenos espíritas e a presença de alienígena na Terra?
Créditos: Arquivo UFO

A Ufologia estuda manifestações em nosso meio ambiente de objetos voadores não identificados (OVNIs), também conhecidos pela sigla UFO, do inglês unidentified flying objects. Trata de analisar as ocorrências e verificar a possibilidade de terem origem não terrestre. Ufologia não é religião nem filosofia, mas uma área de estudos práticos. Por isso, tenho me dedicado a mostrar o Fenômeno UFO como ele se apresenta, sem interpretações ou julgamentos. E assim, inicio este artigo relatando uma experiência pessoal que registrei em meu recente livro Um Vermelho Encarnado no Céu [Lúmen Editorial, 2006]. O fato aconteceu durante a noite, após um dia que transcorreu como outro qualquer.

Deitei-me por volta das 22h00 e tive um sono tranqüilo, até acordar subitamente escutando umas explosões fora de casa, que pensei tratar-se de alguém soltando fogos de artifício. Quando olhei no relógio, o digital de cabeceira marcava 02h12. Estávamos iniciando o dia 03 de fevereiro de 2006. Achei estranho, nas primeiras horas de uma sexta-feira comum, alguém fazer esse tipo de comemoração, pois a data nada tinha de especial, e àquela hora da madrugada, menos ainda. Não parecia coisa de criança, mas considerei a possibilidade. Mesmo assim, virei para o outro lado e tentei conciliar o sono. Cochilei um pouco, mas acordei novamente de súbito com um forte cheiro de queimado invadindo o quarto. Olhei de novo o relógio e havia passado cinco minutos das explosões, pois ele marcava agora 02h17 da manhã. Minha esposa logo identificou o odor de borracha queimada, que eu imaginei vir da rua, pressupondo que algum vizinho estivesse queimando pneus ou algo assim.

Mas quem poderia estar fazendo aquilo e àquela hora? Foi aí que levantei e fui ver se havia algo queimando. Afinal, a geladeira e outros eletrodomésticos ficam ligados a noite inteira. Ao passar pelo quarto de meu filho, notei que a TV estava ligada e exibia um chuvisco de instabilidade na tela, e logo imaginei que o cheiro poderia ser dela. Como era tempo de férias, Rafael ficara assistindo algum filme até tarde e, agora acordado, também havia identificado o odor estranho na casa. Porém, todos constatamos que não era nenhum de nossos eletrodomésticos. Então, prossegui e fui à cozinha, olhei tudo e nada encontrei. Abri o vidro da janela para ter mais ar, olhei os demais cômodos e vi que estava tudo normal, só o cheiro que continuava forte – e aumentou ainda mais quando voltei ao quarto, onde estava insuportável.

Achando que o odor de borracha queimada vinha de fora da casa, minha esposa sugeriu que eu fosse averiguar. Abri a porta da sala e saí no jardim, olhei para a casa vizinha, onde parecia mais provável estar ocorrendo a queima de um pneu, e não havia qualquer sinal de fumaça. Do outro lado também nada havia que indicasse a origem do cheiro. Então olhei para o poste da esquina, onde há um emaranhado de fios, apostando que alguns poderiam estar queimados, mas também não era isso. Nesse instante, notei que repentinamente o odor tinha desaparecido. Ainda estava no jardim, em meio às plantas e ao ar fresco, quando olhei para cima e vi algo que foi estarrecedor.

Fiquei perplexo. Numa altura considerável sobre uma árvore frondosa que há em frente à casa havia uma enorme bola avermelhada, quase do tamanho da Lua cheia. Sem fazer idéia do que era aquilo, comecei a refletir. Era algo incomum e me questionei se estava sonhando. Não estava. Estava acordado, absolutamente calmo e consciente. Olhei tudo em volta varrendo o céu, que estava completamente límpido e sem nuvens. As estrelas do Cruzeiro do Sul estavam magníficas e bem visíveis. Então voltei meus olhos e fixei aquela enorme bola vermelha. Era o que eu defini como “um vermelho encarnado no céu”, algo muito intenso, que usei como título de meu livro. Era notório que aquilo não poderia ser a Lua, nem uma estrela ou um planeta. Estava perto demais para ser um corpo celeste de qualquer espécie. Eu estava tentando entender o que poderia ser aquela esfera, totalmente estacionária e silenciosa no céu, mas não conseguia. Também não poderia ser um satélite nem um fenômeno da natureza, algo que me ocorreu.

Era uma grande esfera vermelha que emanava de seu interior uma luz encarnada (...) Tenho certeza de que se tratou de algo intencional e tivemos um contato imediato com um artefato nitidamente não terrestre, mas que não interferiu diretamente conosco nem com a natureza ao redor
- Pedro de Campos

Não era uma visão particular — Eu já estava olhando aquilo há mais de um minuto e não me parecia ser qualquer fenômeno atmosférico nem astronômico. Com toda certeza, também não tinha aparência nenhuma de qualquer tipo de avião. Seria um balão, pensei, mas logo excluí a possibilidade. Por mais que os baloeiros paulistas costumem colocar fogos de artifício nos artefatos que soltam, para que explodam lá em cima, minha experiência na área, reunida quando eu também era um apreciador de balões, me fez estimar que a possibilidade era nula. Já estava com os olhos presos naquilo há mais de dois minutos e tal esfera vermelha continuava lá em cima, parada. Foi então que me dei conta de não poder identificá-la, e assim concluí que deveria ser um UFO.

Entrei na casa, fui rapidamente ao quarto de meu filho e disse para ele pegar a câmera fotográfica e me acompanhar até o jardim, a fim de bater algumas fotos. Tive o cuidado de não revelar o que vira, para não influenciá-lo. O caso era insólito para mim, mas eu queria saber a opinião dele, sem nenhuma interferência de minha parte. Pensei em chamar também minha esposa, mas achei que ela poderia ficar impressionada e não queria deixá-la com medo. Então voltei ao jardim e lá continuava o UFO, bem em cima da árvore e no mesmo lugar de antes. Parecia que estava nos esperando...

Rafael chegou em seguida e teve uma enorme surpresa ao também constatar aquele artefato no céu. Nesse momento tive certeza de que não era uma visão particular, mas algo concreto que estava lá, para ser visto por quem passasse naquela hora por aquele local. Meu filho ficou tão agitado com o que via que chegou a colocar a pilha invertida na câmera, fazendo que ela não funcionasse. Procurei aliviar a tensão e acalmá-lo. “Faz algum tempo que aquilo está lá em cima, e não está com jeito de que vai embora logo. Arruma a máquina com calma e bate umas fotografias”, disse com tranqüilidade. A primeira delas, de um total de 17, foi tirada exatamente às 02h29, mas foi registrada no filme original à 01h29, em razão da câmera não estar ajustada para o horário de verão, que vigorava naquela data. Ela era o único equipamento que tínhamos à disposição no momento.

crédito: Fotos Pedro de Campos
Foto do objeto voador não identificado que o autor descreve como “um vermelho encarnado no céu”, sobre Guarulhos
Foto do objeto voador não identificado que o autor descreve como “um vermelho encarnado no céu”, sobre Guarulhos

Caso de contato imediato — Num dado instante, quando o UFO se distanciou um pouco, lembramos que estávamos na rota dos aviões que chegam e partem do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos, e uma aeronave se aproximava ao longe. No local em que estávamos, mesmo à noite, dá para ver bem a fuselagem dos aviões que passam. Rafael rapidamente alterou os controles da máquina e fez uma breve filmagem do objeto, de um minuto e oito segundos. No início do registro fica nítida a passagem de um avião de grande porte, com luzes e sons característicos, quase na linha vertical de nossa posição. Ele não se confunde com o UFO, que se encontrava mais distante e de tamanho menor. Na hora, calculamos que o avião passara a uns 500 m de altura. Mas depois, conversando com um major do Exército, soubemos que os aviões passam ali a uns 200 m, não mais do que isso. Confirmando a informação de que mesmo à noite a fuselagem dos aparelhos é visível, reconsideramos nossos cálculos.

Na passagem do avião, o UFO se distanciara para uns 600 m do solo, e parecia não se importar muito que ele se aproximava. Com certeza, os pilotos e parte da tripulação poderiam ter visto o objeto. Após distanciar-se, não voltou mais à posição original, ficando estacionário naquele local. Algum tempo depois, fez um movimento lento e seguiu para sudeste, como se fosse passar por baixo da ponta mais estendida do Cruzeiro do Sul. Então aumentou muito a velocidade e desapareceu de vista. Registramos a última foto às 02h41. Das explosões verificadas às 02h12 até o UFO sumir, às 02h41, foram 29 minutos, sendo 15 de avistamento real. Era uma grande esfera vermelha que emanava de seu interior uma luz encarnada, que de modo curioso não clareava o ambiente nem refletia um halo de luz para fora, como se verifica nas lâmpadas acesas quando a energia exala e expande ao redor. Ele parecia guardar dentro de si a própria força. Isso me deu a idéia de campo eletromagnético. Ao distanciar-se, até desaparecer de vista, apareceram quatro luzes verdes ao seu redor, como se fossem os pontos cardeais da esfera maior.

Ainda antes de desaparecer, no meio do grande círculo vermelho surgiu uma esfera verde, maior que as outras quatro ao redor. Ao distanciar-se, o objeto soltou fagulhas de luz amarela pelos lados. Foi totalmente silencioso e se deslocou muito mais rápido do que a passagem do barulhento avião que registramos no filme. Depois do acontecimento, não conseguimos mais dormir. Ficamos fazendo cálculos e mais cálculos, que nos levaram à conclusão que, para ficar perfeitamente sobre nós, o artefato teria de avançar uns 100 m à frente, ou menos, e que no início sua altura não era mais de 200 m do solo. Estimamos que a esfera tinha uns 15 m de diâmetro, mas não sabemos se o que vimos era o UFO inteiro, uma de suas luzes – talvez de seu sistema de propulsão –, um campo eletromagnético ou uma materialização de outra natureza. Apenas ficamos com a impressão de que aquilo não era terrestre e de que fomos impelidos para fora de casa com o som das explosões e o odor intenso de borracha queimada [Somente dentro de casa]. Tenho certeza de que se tratou de algo intencional e tivemos um contato imediato com um artefato nitidamente não terrestre, mas que não interferiu diretamente conosco nem com a natureza ao redor.

Como é de conhecimento público, sou um escritor especializado em Ufologia e espiritualidade. Meu trabalho está pautado na seriedade dos fatos e na lógica de raciocínio. Também não sou fácil de impressionar. Tenho condições de suportar coisas graves a sangue frio, dominando as emoções. Por isso, para mim, não há dúvida de que se tratava de uma nave alienígena. As fotos e filmes que fizemos mostram apenas um pouco do que vimos. Na verdade, o que realmente testemunhamos não ficou registrado, fora algo mais grandioso. A câmera não conseguiu captar o veículo como ele é, e tampouco seus detalhes.

crédito: Lúmen Editorial
Último livro do autor, que trata da ligação entre o mundo espiritual e os ETs, e aborda em detalhes a experiência em Guarulhos
Último livro do autor, que trata da ligação entre o mundo espiritual e os ETs, e aborda em detalhes a experiência em Guarulhos

Em busca de explicação — Depois disso, compreendi que fora mais fácil ver um UFO com os próprios olhos do que registrá-lo com as nossas técnicas atuais. Tenho antecedentes em minhas pesquisas ufológicas e no contato com pessoas abduzidas que me levaram, desde o início, a ter a sensação de saber porque fui privilegiado com aquela visão. Todavia, as provas materiais são escassas. Mas não estou interessado em convencer ninguém sobre o que vi, apenas mostrar os fatos. Cada um deve formar a sua opinião. Este relato não é obra de ficção nem coisa de lunático.

Depois daquela ocorrência, tenho buscado intensamente explicações científicas convincentes para entender o que vi junto de meu filho. Mas, na ausência delas, não me resta outra alternativa senão interpretar os fatos fazendo correlação com outros fenômenos raros, especialmente na área do Espiritismo científico, cuja ligação com a Ufologia é há tempo conhecida e objeto particular de meus estudos. Quando se observa os fenômenos espirituais e ufológicos comparativamente, notam-se coisas comuns entre eles. Percebe-se em ambos a ação de um agente oculto, de uma inteligência extraordinária produzindo fenômenos de natureza rara e inexplicável. Nos dois casos são comuns as aparições de bolas de luz que vagam livremente no ar, fazendo movimentos perfeitamente ordenados, como se fossem guiadas por uma mão oculta. Notam-se algumas névoas, como nuvens claras ou cinzentas que dão origem a seres e a objetos insólitos, num processo de materialização e desmaterialização já bem estudado no Espiritismo científico, que pode ser aplicado à manifestação ufológica.

Teletransporte — Também se constatam no Espiritismo os efeitos do teletransporte, que antigamente eram conhecidos como “apports” e supostamente realizados por fora do nosso espaço, através de uma dimensão invisível aos olhos do homem. Hoje a ciência teoriza que o teletransporte se dê através dos chamados buracos de minhoca [Wormholes], atalhos entre pontos distintos do universo, através dos quais coisas sólidas poderiam viajar por outras dimensões sem desmaterializarem ou excederem a velocidade da luz, limite imposto pela Teoria da Relatividade de Einstein. Na Ufologia, a exemplo do Espiritismo, verifica-se também a levitação de objetos e de seres vivos, aparentemente anulando-se o efeito da gravidade. São comuns também coisas relativas ao espírito ou alma, como por exemplo seu desprendimento do corpo físico – o que se chama de projeção astral –, assim como as recepções telepáticas que os médiuns conhecem bem, por praticá-las nas casas espíritas, as curas extraordinárias e outros fenômenos raros.

No Espiritismo, os relatos de curas extraordinárias são abundantes e seu registro está documentado através de filmes, exames especializados nos pacientes e testemunhos de valor incontestável. Sua manifestação desafia as idéias preconcebidas dos céticos, que não encontram respaldo nos fatos, uma vez que apontam para uma origem extracerebral, oculta e mais inteligente que o sensitivo operador. Contudo, algumas das curas ditas espirituais são ainda mais enigmáticas, pois os próprios espíritos indicam terem sido causadas por forças extraterrestres operando nos médiuns e nos pacientes. Como se sabe, na literatura ufológica não é raro encontrar curas médicas realizadas por ETs, às vezes voluntárias e noutras casuais, mas de todas as formas tão inexplicáveis quanto as espirituais. Por isso não é fácil diferenciá-las, já que em ambas está presente um fenômeno de origem imponderável. Conforme testemunhos, um mundo de aparência menos densa se manifesta de súbito quando são realizadas as curas, sem que possamos entender sua origem e seu modus operandi. Assim, o estudo comparativo dos fenômenos espirituais e ufológicos se revela muito oportuno e descortina ao estudioso novas possibilidades para decifração dos fatos.

crédito: Arquivo UFO
Uma cirurgia espiritual em que o médium utiliza um instrumento cortante para extirpar um tumor. Há casos de cirurgias sem intervenção física de qualquer natureza
Uma cirurgia espiritual em que o médium utiliza um instrumento cortante para extirpar um tumor. Há casos de cirurgias sem intervenção física de qualquer natureza

Espírito encarnado — A Ufologia Científica, com seus casos práticos de avistamentos, aterrissagem e contatos, tem sido bem sucedida em mostrar ao mundo cético a manifestação ufológica e apontar como sua origem a pluralidade dos mundos habitados, hipótese já amplamente aceita. Supostamente, desses mundos distantes viriam os seres que fazem aqui, de modo velado, os contatos imediatos, as abduções e os implantes. E a visão espírita desses fenômenos tem completado o senso prático da Ufologia, mostrando comparativamente as manifestações espirituais, suas teorias e seus postulados filosóficos, contribuindo assim para diferenciar um evento de outro, numa decifração mais integral e harmônica desses fenômenos. Isso não quer dizer que o espírito seja sinônimo de ET. Na verdade, são coisas diferentes: o espírito é uma entidade desencarnada, enquanto um ET é um espírito encarnado numa entidade biológica, embora possa ser de natureza rara.

Os espíritos codificadores que inspiraram Allan Kardec foram unânimes ao afirmar a existência de vida em outros mundos, seja em corpos materiais semelhantes aos do homem, seja em corpos menos materiais, em outro estado vibratório da matéria, algo diferente de tudo o que conhecemos. Convencionou-se chamar o primeiro grupo de extraterrestres (ETs), seres de aparência sólida, enquanto o segundo seria de ultraterrestres (UTs), de aspecto etéreo. Os seres deste último grupo, por estarem além da matéria, seriam parecidos com o espírito, com a diferença de que teriam um corpo de ciclo vital limitado. Eles nascem, crescem, se reproduzem, envelhecem e morrem. Enquanto os espíritos são entidades imortais que animam os seres vivos, sejam eles terrestres, ETs e UTs. Conforme eles mesmo informam, os UFOs são reais, procedentes tanto de mundos sólidos – e que vêm até aqui através de algum método de teleportação física desconhecido para nós –, quanto de orbes menos materiais [Veja detalhes na seção Diálogo Aberto de UFO 133 e na citada obra do autor, Um Vermelho Encarnado no Céu, na seção Shopping UFO desta edição].

Está chegando ao fim a infância da civilização terrestre

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Jul de 2007

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