ARTIGO

UFO fotografado em deserto norte-americano?

Por Philip Mantle | Edição 254 | 01 de Janeiro de 2018

EQUIPE UFO
Créditos: KEITH BRADSHAW

UFO fotografado em deserto norte-americano?

O Fenômeno UFO, por ser furtivo e difícil de ser registrado de forma clara, acabou se tornando terreno fértil para enganos, más interpretações e fraudes. Não foram poucos os pesquisadores que se viram envolvidos com evidências controversas ao longo desses 70 anos da Era Moderna dos Discos Voadores. Porém, se por um lado a busca por evidências verdadeiras continua, os erros cometidos nos ensinaram muito e ajudaram o estudo a se desenvolver.

O tempo passou e a tecnologia evoluiu vertiginosamente. Hoje temos muito mais pessoas gabaritadas para analisar fotografias e vídeos do que dispunham os pesquisadores de 40 ou 50 atrás. Porém, se aumentou o número de especialistas, o de fraudadores triplicou em relação a eles. Com o advento da internet e a infinidade de recursos disponíveis atualmente, muitas vezes se torna praticamente impossível apontar-se uma fraude — e em muitos casos, descobre-se a falsificação por outros caminhos que não exatamente a análise das imagens.

Infelizmente, em Ufologia, na maioria das vezes, quando as coisas parecem ser boas demais para ser verdade, é porque são uma fraude. Entretanto, sempre há exceções e são elas que fazem com que tantas pessoas ao redor do planeta se dediquem a estudar e a tentar desvendar o significado do Fenômeno UFO. Neste artigo falaremos sobre o recente e controverso caso de algumas fotos publicadas em uma rede social e conheceremos a verdade por trás destas imagens.

Um UFO no deserto

Em outubro de 2017 surgiu uma postagem curiosa na página no Facebook do programa de rádio Midnight in the Desert [Meia-Noite no Deserto], do comunicador Art Bell. A postagem mostrava, em uma foto tirada em plena luz do dia, um UFO e um helicóptero pairando sobre o solo do deserto. O texto que acompanhava a imagem dizia: “Venho mantendo esta foto comigo já há 10 anos e está na hora de mostrá-la para outras pessoas. Eu fiz esta fotografia em julho de 2007, no Deserto de Mojave e sempre quis mostrá-la para alguém. Então, aqui vai ela”. O local fica no sudoeste dos Estados Unidos.

Curioso sobre a imagem, este pesquisador deixou uma mensagem privada para o autor da postagem, a quem chamaremos de Keith Bradshaw, pedindo maiores detalhes. No dia seguinte, vimos que a fotografia havia sido removida da página, mas que o autor respondera à mensagem que enviáramos. Logo de saída, Bradshaw deixou claro que estava muito preocupado por ter mostrado a foto, uma vez que a obtivera de maneira ilegal, invadindo um campo de testes da Marinha Norte-Americana — ele alegou que se arrependera de tê-la postado no Facebook. Porém, revelou que a foto fora tirada no campo de testes da Base Naval de China Lake, no estado da Califórnia, às 11h30.

Disse o homem: ‘Eu bati algumas fotos pensando que, se fosse para ser preso, pelo menos teria algumas fotos como compensação. Eu também fiz um pequeno vídeo, mas depois, para economizar espaço na câmera, comecei a excluir imagens embaçadas’

Nos dias que se seguiram trocamos várias mensagens privadas por meio da rede social e ele eventualmente contou a história por trás da fotografia. Bradshaw também nos enviou mais cinco fotos. Eis seu relato: “Eu cresci em Ridgecrest, no Deserto da Califórnia, onde há uma base da Marinha. Quando era criança, era muito fácil entrar na base e todo mundo na cidade tinha passes que nos permitiam atravessar os portões para chegarmos à escola, às piscinas, ao cinema etc. Todo mundo conhecia alguém que estava trabalhando ou havia trabalhado na base, então todos sabiam onde ficavam as coisas lá dentro, o que funcionava em cada prédio”.

Segundo a testemunha, a base tinha um campo de testes para bombardeiros e também uma estação de radar. Em seu relato, ele conta que teve um amigo que, ao dar baixa na Marinha, voltou para Ridgecrest e arrumou um emprego no sistema de monitoramento de radar daquela unidade, o que, segundo ele, “era o trabalho mais chato do mundo”. De acordo com Bradshaw, o tal amigo lhe contou algumas coisas bem interessantes, entre elas o fato de os militares “terem jipes e tanques espalhados pelo deserto, que, quando se ligava uma chave, desapareciam completamente. E isso é exatamente o que a camuflagem com fibra ótica faz. As pessoas falavam sobre coisas inacreditáveis que no fim das contas eram verdadeiras”, relatou.

Sinais na tela do radar

Bradshaw afirmou ainda que “aviões vinham de todo o mundo para usar o teste de alcance de radar da base. Eu também tenho fotos disso, de aviões com símbolos de outros países”. Em 2007, o homem ficou desempregado e voltou para a cidade para visitar seus antigos conhecidos. Diz ele: “Enquanto eu estava na cidade, parei na casa deste amigo e, depois de algumas bebidas, ele começou a me contar como naquela semana ele estivera monitorando um disco voador. Quando lhe perguntei como sabia que era um disco voador, ele respondeu que, para começar, ele fazia o mesmo trabalho há anos, mas nunca tivera dois generais e três outros homens com nível máximo de segurança observando-o”.

Fonte: KEITH BRADSHAW

Uma das imagens que Keith Bradshaw fez, esta aparecendo o helicóptero HH-1K Iroquois, facilitando a análise da foto

Segundo seu amigo, foi tudo muito simples: havia dois sinais na tela do radar — o que estava em altitude mais baixa ia até certa altura e então desaparecia. Depois de alguns segundos, o sinal reaparecia na tela. “Quando isso aconteceu pela primeira vez, as pessoas que estavam na sala ficaram muito entusiasmadas. O objeto na tela diminuía sua altitude até que não fosse mais visível pelo radar, movia-se para uma posição diferente e repitia o mesmo processo várias vezes, em diferentes altitudes. Enquanto isso, o outro sinal na tela permanecia constante”.

O operador de radar, curioso com o que monitorava, começou a fazer perguntas para as pessoas que ele sabia que trabalhavam fisicamente com o equipamento de radarização e, portanto, viam o que estava lá fora. Elas lhe disseram que o sinal era de um disco voador. Bradshaw disse que eles o descreveram como sendo brilhante como um espelho e liso como vidro, tanto por dentro quanto por fora. Não tinha portas ou janelas, apenas um buraco cortado no topo. “Eu entendi que o buraco tinha bordas irregulares como se tivesse sido cortado com alguma ferramenta. Eles descreveram o interior como tendo apenas três pequenos assentos, rodeados por um ninho de cabos de fibra ótica. Os assentos aparentavam ter sido moldados junto com o piso em vez de serem presos ao chão. O artefato parecia uma peça única, sem costuras ou junções em qualquer lugar”.

Fim de uma amizade

Bradshaw reforçou que seu amigo não viu o objeto e que a descrição vinha de terceiros, mas que teria despertado sua curiosidade e que, no dia seguinte, decidiu ir até o campo de testes da base. “Não vou lhe dizer como fui, mas o processo envolveu uma longa caminhada. Quando cheguei mais perto, eu pude ouvir um helicóptero e então, sobre uma colina, vi um disco prateado. Havia algumas carretas e outros veículos militares no extremo norte do vale. O objeto parecia bambolear sobre chão. Não me pareceu que houvesse alguém dentro, mas tive a impressão de que o helicóptero o controlava remotamente”.

Segundo Bradshaw, o artefato parecia muito instável quando se movia perto do chão. Em seguida, ficava estático em determinada posição, subia até uma certa altura e novamente parava por alguns minutos, perfeitamente imóvel — não emitiu qualquer som que se pudesse ouvir sobre o som do helicóptero. Em seguida, ele descia e se inclinava, assumindo nova posição. “Parecia que quem quer que fosse que o estivesse controlando se divertia com a tarefa, pois às vezes fazia pequenos ‘truques’ com ele: erguia uma das extremidades em direção ao céu e depois fazia uma curva e erguia a outra extremidade”.

Bradshaw alegou ainda que logo no início ficou com medo de fazer as fotos, mas que, em determinado momento, o artefato chegou tão perto que ele não resistiu e fez algumas imagens. “Eu bati algumas fotos pensando que, se fosse para eu ser preso, pelo menos teria algumas fotos como compensação. Eu também fiz um pequeno vídeo, mas depois, para economizar espaço em minha câmera, comecei a excluir as imagens embaçadas. Ao todo, creio que passei 10 minutos observando o que acontecia. Então me virei e saí dali o mais rápido que pude, tirando minha camisa no caminho, pois imaginei que a cor da minha pele se misturaria melhor ao ambiente do que minha camisa branca. No meio do caminho, fiquei assustado e escondi a câmera no deserto”.

Fonte: US AIR FORCE

Helicóptero semelhante ao modelo HH-1K Iroquois que aparece na imagem de Keith Bradshaw. Só não se sabe se ele estava na cena ou foi inserido nela digitalmente

Naquela noite, Bradshaw voltou à casa de seu amigo. Quando lhe contou o que havia feito, ele riu com descrença até Bradshaw lhe falar exatamente o caminho que o objeto havia seguido, indo do noroeste para o sudeste do vale. Então ele percebeu que o homem estava falando sério e ficou muito irritado — jogou um copo de plástico em sua direção, o expulsou de sua casa e lhe disse que nunca fosse buscar as fotos. “Eu deixei a câmera no deserto por dois dias, mas depois fui pegá-la”.

E continua sua narrativa: “Quando olhei para as fotos, não havia nenhum vídeo e eu percebi que o que eu achava que era uma imagem embaçada era realmente um vídeo que eu excluí. Eu ainda me chateio quando penso nisso. Alguns anos depois, voltei para a cidade e encontrei meu amigo no supermercado, mas ele fingiu que não me conhecia. Estou falando de alguém que conheci a minha vida toda. Nós fomos juntos à escola e jogamos nas mesmas equipes de beisebol. Eu mantive as fotos comigo desde então e essa é toda a história. Desculpe, não é emocionante. Eu realmente não sei como você poderia escrever um artigo sobre isso”.

A análise de Jason Gleaves

Bem, a história é interessante e as fotos que Keith Bradshaw enviou também o são, embora não possamos confiar só na palavra do fotógrafo para acreditarmos que as fotos são o que ele diz serem. Com isso em mente, procurei uma série de pessoas que poderiam realizar análises qualificadas das fotografias. A primeira delas foi Jason Gleaves, ex-piloto da Força Aérea Real Britânica (RAF) e analista experiente de fotos e filmagens. Seu relatório completo veio acompanhado de cinco imagens ilustrativas, como veremos abaixo:

“A pedido do pesquisador Philip Mantle analisei cinco interessantes imagens de um objeto em forma de disco, com aparência metálica, que parecia estar perfeitamente estacionário a 15 ou 18 m acima de um ambiente desértico. A localização exata ainda era desconhecida. Em outra imagem há um helicóptero HH-1K Iroquois também em voo, acima e à direita do objeto, que por sua vez parece estar passando um pouco mais atrás, à velocidade desconhecida. À primeira vista, as imagens pareciam autênticas, mas com a tecnologia atual e o uso de softwares como, por exemplo, o Photoshop, não há como se confiar na autenticidade de uma imagem, não importa quão boa ela pareça ser”.

Considerando as ações ou atividades do objeto em questão, concluímos que não há evidências suficientes para provar que o artefato não era simplesmente um drone de forma incomum, operando sob controle de uma pessoa dentro do helicóptero

“As imagens ampliadas e aprimoradas parecem mostrar incidência de luz solar e reflexos consistentes sobre o corpo do objeto e, em uma delas, uma sombra oval escura é claramente vista exatamente abaixo do objeto, o que é consistente com a localização na qual uma sombra real estaria. Porém, sem vermos a posição do Sol em relação ao objeto, é sempre difícil dar uma localização mais precisa disso”.

“Eu também produzi uma sobreposição de imagem de camada dupla, utilizando duas imagens separadas, tiradas aparentemente na mesma posição, para ver se o artefato se movera de sua posição original. Fiz isso alinhando as duas imagens o melhor possível, utilizando como referência as montanhas ao fundo, a formação de nuvens e o horizonte. Ao terminar o aprimoramento da sobreposição, percebi que o objeto é claramente visto em duas posições diferentes tanto em altitude quanto em distância, embora as diferenças não sejam gritantes. Poucos dias depois do pedido de Mantle, surgiram um relatório mais detalhado e uma declaração da testemunha, dando o local de observação como sendo a Estação de Armas Aéreas da Marinha dos Estados Unidos, em China Lake, na Califórnia. Assim, há também consistência entre o helicóptero mostrado nas fotos e aqueles em operação naquela região”.

A análise de Bruce Maccabee

Outro especialista muito conhecido na análise de fotografias ufológicas a quem pedi um parecer foi o doutor Bruce Maccabee, dos Estados Unidos. Maccabee é graduado em física pelo Instituto Politécnico de Worcester e doutor em física pela Universidade Americana de Washington. Em 1972, o pesquisador iniciou sua carreira no Naval Ordnance Laboratory, em Silver Spring, no estado de Maryland, que mais tarde se tornaria a Divisão Dahlgren do Centro de Guerra de Superfície da Marinha. O pesquisador se aposentou do serviço governamental em 2008, onde trabalhou no processamento de dados ópticos, geração de som subaquático com lasers e vários aspectos da Iniciativa de Defesa Estratégica (SDI) e Defesa Mísseis Balísticos (BMD), usando lasers de alta potência.
Em seu relatório, Maccabee diz que sua impressão imediata foi a de que a orientação das lâminas do rotor principal e do rotor de cauda do helicóptero eram muito parecidas. “Qual seria a chance de obter a mesma orientação em duas fotos provavelmente separadas por vários segundos ou minutos?”, questionou. A seguir, transcrevemos sua detalhada análise das imagens.

“Vendo-se as imagens e usando a mudança da posição de referenciais distantes em terra, estimo que a direção da câmera girou para a direita em cerca de 9º, com base em uma largura de imagem angular suposta de 35°. O UFO também mudou para a direita cerca de 7º e o helicóptero movimentou-se cerca de 11º para a direita. A imagem do helicóptero em B é quase a mesma que em A, mas as imagens não são idênticas. O helicóptero está cerca de 10% mais longe da câmera na segunda foto e há uma rotação do corpo do helicóptero à esquerda de alguns graus, talvez 10 ou mais”.

“A falta de borrão nas lâminas do rotor principal mais a orientação quase idêntica de suas lâminas sugerem algum tipo de fraude em relação ao helicóptero. A posição quase idêntica das lâminas do rotor de cauda também sugere uma fraude, mas, por outro lado, o borrão nas lâminas argumenta contra isso, a menos que se tenha usado um modelo de helicóptero que tenha um rotor de cauda giratório. Observe-se que a largura da desfocagem das bordas do rotor aumenta ao passar do centro para fora, e isso é exatamente o que se poderia esperar de uma lâmina giratória e é o que parece estar faltando nas imagens das lâminas do rotor principal”.

“Um obturador rápido, com tempo de exposição muito curto, pode ‘parar’ um objeto em movimento, de modo que ele se mova muito pouco durante o tempo de exposição. Portanto, se alguém pudesse estabelecer que o tempo de exposição fosse curto o suficiente para efetivamente parar o movimento do rotor principal, ainda que não parasse o rotor de cauda, que é muito mais rápido, isso poderia explicar a situação. Mas quão rápido o obturador deveria ser? Isso depende da taxa e do raio do rotor, ou seja, da distância da extremidade do eixo. Fazendo um cálculo rápido, deduzimos que no caso em questão seria praticamente impossível de se conseguir esse efeito”.

“Assim, a análise levanta as seguintes questões: a quase idêntica imagem do helicóptero em duas fotos feitas em momentos diferentes sugere uma montagem, ou seja, uma fraude. A falta de mancha na imagem da lâmina sugere ou um obturador extremamente rápido ou uma fraude. O borrão no rotor de cauda sugere um evento real, uma vez que é difícil simular isso, já que ele aumenta com a distância do centro. Parece haver uma sombra leve e ligeiramente fraca sob o UFO na primeira imagem, que não se encontra na segunda imagem, o que seria de se esperar em uma situação real. Assim, considerando as ações ou atividades do objeto em questão, concluímos que não há evidências suficientes para provar que o artefato não era simplesmente um drone de forma incomum, operando sob controle de uma pessoa dentro do helicóptero”.

Análise de Tobias Lindgren

Membro da associação internacional Archives For The Unexplained (AFU) e do grupo UFO Sweden, Tobias Lindgren vive em Norrköping, na Suécia. O pesquisador coordenou investigações ufológicas em seu país durante décadas, distribuindo os casos recebidos entre os investigadores de campo locais. Atualmente, é responsável pelo site do grupo e é seu analista de imagens — experiente em artes digitais, combina seus interesses em engenharia e computação para ilustrar os casos de forma muito eficaz. Lindgren também estudou ciências da computação, matemática e física na Universidade de Linköping. Vejam sua análise das imagens e do caso abaixo:

“Essa é uma história estranha e interessante, e acredito que não temos todas as informações necessárias. Devemos nos perguntar o que assusta tanto uma pessoa a ponto de ela esconder essas imagens por 10 anos. Não acredito que as Forças Armadas seriam estúpidas a ponto de voarem com um disco voador em um espaço aberto, se quiserem mantê-lo em segredo. Na verdade, o caso aqui pode ser exatamente o contrário, ou seja, chamar a atenção, embora eu entenda que isso tudo soe muito conspiratório”.

Manter o sigilo da fonte muitas vezes nos auxilia a receber mais informações, pois forma-se um elo de confiança. Nossa esperança é que novos dados nos permitam determinar a autenticidade ou não das imagens. Por enquanto, não há um veredito

“Penso que há algo errado nessas fotos. O UFO está embaçado de uma maneira que o resto das imagens não estão, o que me diz que algo nas fotos não é o que parece ser e aponta para uma fraude. Também pode ser que o objeto estivesse tão próximo da câmera, que ficou fora de foco. Porém, se o artefato estivesse fora de foco por causa da proximidade, deveria estar meio transparente devido ao mormaço de profundidade atmosférica”.

“Não sei dizer o que era o objeto, mas poderia ser um brinquedo de rádio controle, conforme sugerido pela própria testemunha. Os militares, obviamente, sabem o que é porque não é coincidência que se pareça com um UFO. Isso se não forem imagens geradas por computador. Há alguns anos houve um caso semelhante na Suécia, com imagens geradas por computador, que se tornou viral. O caso, portanto, pede mais investigações”.

Análises dos brasileiros

Os integrantes da Revista UFO e especialistas em análise de imagens Toni Inajar Kurowski e Ricardo Varela, respectivamente coeditor e conselheiro especial da publicação, também foram consultados e emitiram suas opiniões sobre as fotografias de Keith Bradshaw. Varela é engenheiro eletrônico com mestrado e doutorado em computação aplicada, além de pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisa Espacial (INPE). Kurowski é médico veterinário, professor universitário, policial e perito criminal do Instituto de Criminalística do Paraná, com especialização em identificação de veículos e balística forense. Além disso é pós-graduado em metodologia científica e tem mestrado em gestão ambiental. Administrador de cursos específicos na área, tornou-se um especialista no exame de fotos e filmes de UFOs.

De acordo com a análise de Kurowski, “todas as fotos estão com baixa resolução, sem os metadados (EXIF) e foram editadas em um software de edição de imagens chamado Picasa”. EXIF ou arquivo de imagem intercambiável em português, é um conjunto de dados que registra informações como, por exemplo, o tipo de lente que foi usada na foto, a marca e modelo da câmera, a velocidade de exposição, a abertura da lente, data e hora e, se a máquina dispuser do dispositivo, os dados do GPS. O pesquisador analisou cuidadosamente as fotografias e suas conclusões seguem abaixo:

“A imagem que chamo de foto 1 é de tela de televisão ou de computador. Nela o helicóptero está com as pás das asas giratórias e do rotor exatamente na mesma posição das fotos 2 e 5, que, de acordo com as análises, são exatamente a mesma. A imagem em 2 e 3 mostra uma sombra excessiva. Em uma foto verdadeira, a sombra não seria tão marcante e, considerando-se a vegetação e a posição do fotógrafo, o objeto aparenta estar muito mais próximo da câmera do que a sombra. Vê-se nitidamente o helicóptero enquanto que o objeto aparece desfocado”.

“Em 4, o objeto aparenta estar mais desfocado do que o restante da imagem. Levando-se em conta que o foco está ‘no infinito’, isso não deveria ocorrer. Em 6 a resolução da foto é muito baixa. Considerando-se que o objeto se encontra em diferentes inclinações, o reflexo do Sol sobre ele deveria assumir diferentes posições. Entretanto, como mostram as imagens, os reflexos têm idêntica posição em todas elas. Minha conclusão é a de que as imagens foram editadas e houve inserção do UFO por sobreposição”.

A posição do Sol

Já Varela aponta para uma fraude com base na incidência das sombras e dos reflexos solares. Diz que ao analisarmos a vegetação no primeiro plano da foto é possível ver a sombra das plantas, indicando claramente que o Sol está à direita da imagem e praticamente à meia altitude no céu. Ele informa que o helicóptero apresenta sombra do lado em que é observado, indicando que a projeção do Sol estaria correta, porém, não se observa a sombra do helicóptero na mesma posição angular em que se observa as sombras da vegetação. “Embora isso seja uma preocupação nesta análise, não significa que o helicóptero tenha sido inserido no ambiente, já que a cor opaca da vegetação poderia mascarar sua sombra”. E finaliza o engenheiro:

“O suposto UFO reflete o Sol com dois focos luminosos, o mais intenso localizado abaixo de outro, de menor intensidade. A união dos dois centros fornece a direção da fonte luminosa que produziu os reflexos, neste caso o Sol. Essa posição conflita com as sombras observadas da vegetação em mais de 90°, o que indica claramente a inserção do objeto no ambiente. A posição do Sol pode ser estimada pela sombra na vegetação, tornando-se fator decisivo para indicar que se trata de uma fraude. A imagem do helicóptero não aparenta qualquer manipulação ou inserção e as características de movimentação das hélices e os borrões são consistentes com o que seria esperado”.

Fraude ou verdade?

Como vimos, na tentativa de chegar ao fundo da questão, as alegadas fotografias ufológicas foram analisadas por cinco especialistas de diferentes países. Jason Gleaves, do Reino Unido, é de opinião de que são genuínas. O doutor Bruce Maccabee, dos Estados Unidos não tem certeza se são falsas ou reais e o mesmo acontece com Tobias Lindgren, da Suécia. E por último, mas não menos importante, Ricardo Varela e Inajar Kurowski, do Brasil, deixaram claro que acreditam que as fotografias em questão são falsas.

É, portanto, nossa esperança e intenção ao publicar este artigo e as respectivas imagens que possamos saber mais sobre elas. Talvez outros especialistas adicionem seus comentários aos dos pesquisadores já citados. Talvez alguém se apresente como testemunha e possa nos contar o que sabe para apoiar a autenticidade das fotografias ou o oposto: nos mostre que elas foram, de fato, fraudadas. Precisamos aguardar para ver o que acontece.

 Até o momento do fechamento deste texto, o autor das fotografias ainda insiste que sua identidade seja mantida em sigilo para o público, embora particularmente conheçamos seu verdadeiro nome. Manter o sigilo da fonte muitas vezes nos auxilia a receber mais informações, pois forma-se um elo de confiança. Nossa esperança é que novos dados nos permitam determinar a autenticidade ou não das imagens. Por enquanto, não há um veredito. A verdade, como sempre, virá com o tempo.


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Sobre o Autor

Philip Mantle

O autor é considerado, junto com Paul Stonehill, os maiores especialistas em Ufologia Russa da atualidade. É inglês residente em West Yorkshire, sempre se interessou por assuntos paracientíficos, tendo abraçado a Ufologia ainda quando adolescente. Seu interesse pela presença alienígena na Terra teve início no fim da década de 70, quando entrou para a Yorkshire UFO Society. Ele organizou congressos e dirigiu investigações, o que lhe permitiu conhecer a fundo o Fenômeno UFO e realizar trabalhos de grande profundidade sobre observações de discos voadores e contatos com extraterrestres em várias regiões da Europa. É dele também Without Consent, em co-autoria com o também britânico Carl Nagaitis, e Beyond Roswell, com o alemão Michael Hesemann. Consultor da Revista UFO desde 2000, Philip Mantle também é autor de Alien Autopsy Inquest, em que trata da fraude perpetrada por Ray Santilli e seus associados, na década de 90.

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