ARTIGO

Relações Sexuais com Alienígenas

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga | Edição 260 | 29 de Agosto de 2018

Um estágio ainda mais à frente das abduções são os casos em que homens e mulheres são submetidos a relações sexuais com os alienígenas, a hibridização
Créditos: RAFAEL AMORIM, EXCLUSIVO PARA A REVISTA UFO

Relações Sexuais com Alienígenas

Ocorrências de encontros diretos entre seres humanos e visitantes extraterrestres são considerados os pontos mais importantes e complexos da Ufologia. Mas um passo adiante destes “simples” encontros cósmicos estão as chamadas abduções alienígenas, que geralmente ocorrem à força, quando homens e mulheres de todas as raças, credos, profissões, níveis de instrução etc, vivendo em praticamente todo o mundo, são levados para dentro de naves e lá passam por vários tipos de exames. Agora, um estágio ainda mais à frente das abduções são os casos em que, durante seu curso, tais homens e mulheres são submetidos a relações sexuais com os alienígenas, o que parece ser uma espécie de experiência de hibridização — definitivamente não se trata de pornografia ou perversão, uma vez que os procedimentos são feitos com certa lisura e geralmente com respeito às “vítimas”.

Onze anos depois do lançamento do livro Contatados, de minha autoria, que tratou ineditamente das impressionantes ocorrências ufológicas em que pessoas alegam estar em contato direto com entidades alienígenas — e não à força, mas movidas por um tipo inusitado de “amizade cósmica” —, este autor retorna ao cenário ufológico com outra grande novidade: uma obra que agora trata de abduções com envolvimento sexual entre abduzidos e abdutores, sejam as partes do sexo masculino ou feminino. A obra recebeu o sugestivo título de 50 Tons de Greys e, como subtítulo, Casos de Abduções Alienígenas com Relações Sexuais. A algumas pessoas podem soar exagerados tanto o título quanto o subtítulo, mas a obra trata disso mesmo, e em profundidade: das abduções com relações sexuais. Lançada pela Biblioteca UFO, recebeu o prefácio da terapeuta norte-americana Yvonne Smith, umas das mais atuantes pesquisadoras de abduções em seu país, e capa de Rafael Amorim.

Capturado por ETs à noite

O novo livro se origina de uma pesquisa de episódios de abduções com relações sexuais que já dura 16 anos, quando, no decorrer de 2002, pude localizar e entrevistar pessoalmente vários parentes e amigos de Antonio Villas Boas, o lavrador mineiro que na madrugada de 16 de outubro de 1957 foi capturado por ETs no momento em que arava a terra com o trator em sua fazenda em São Francisco de Sales (MG) e levado a uma nave, onde foi forçado a manter relações sexuais com uma estranha mulher.

Entre muitas outras informações sobre o espantoso caso, apurou-se que, ao contrário do que até então se propalava na Ufologia Brasileira e Mundial, a mulher alienígena não era propriamente uma beldade — longe disso, era bastante feia e até repulsiva, conforme retificaram todos os familiares de Antonio. Por exemplo, as maçãs de seu rosto eram muito sobressalentes, os olhos grandes e excessivamente puxados e o queixo bastante pontudo. A mulher que manteve intercurso sexual com Villas Boas foi invariavelmente retratada como beldade graças, em grande parte, à concepção artística dos franceses Jacques Lob e Robert Gigi, em seu livro de quadrinhos Les Apparitions OVNI [Marins Editions, 1975]. A descrição fiel de Villas Boas, no entanto, difere muito dessa característica, conforme vemos em retratos falados fiéis à sua descrição.

O título, 50 Tons de Greys, é, obviamente, um trocadilho atrevido feito com o célebre livro 50 Tons de Cinza, romance erótico da autora inglesa Erika Leonard James, publicado em 2011 e que se tornou best-seller e filme hollywoodiano. Mas por que um livro tão picante e erótico, beirando o pornográfico, sobre coitos e conúbios, abusos e violações sexuais a bordo ou não de discos voadores por parte de seres que não são deste planeta ou deste plano dimensional? A inspiração veio da genial escritora Hilda Hilst, a quem dediquei um capítulo em meu livro anterior, Contatados [Código LIV-018 da Biblioteca UFO], pois ela foi também uma contatada e, inconformada com a pífia vendagem de seus livros e em protesto contra as distorções do mercado editorial, tomou a decisão radical em 1990 de escrever livros erótico-pornográficos depois de ler nos jornais que a francesa Régine Deforges faturara mais de US$ 10 milhões com o açucarado A Bicicleta Azul [La Bicyclette Bleue], de 1981. Ela não teve dúvida: “Como é que eu, com uma cabeça esplendorosa, não consigo nem me sustentar?” Sim, Hilda vivia endividada e não tinha dinheiro nem para comprar ração para os mais de cem cães abandonados que acolhera em seu sítio.

Casos com nuances picantes

E escreveu O Caderno Rosa de Lori Lamby, um livro absolutamente pornográfico, feito de modo que “todo mundo compreendesse, colocando a problemática do sexo de maneira nova, chula”, em suas palavras. Mas nem se esforçando para ser ruim Hilda conseguiu deixar de compor uma pequena obra-prima que honra as mais nobres tradições da literatura erótica, na linha de autores como Marquês de Sade, Manuel Maria Barbosa, Pierre Louÿs e Henry Valentine Miller, para citar alguns. Mas a questão de 50 Tons de Greys vai muito, muito além, porque, apesar de muitas das ocorrências de relação sexual com ETs terem nuances picantes, que lembram obras dos autores acima, são fatos reais que modificaram muito da vida de seus protagonistas.

Antonio Villas Boas foi o primeiro abduzido da Era Moderna dos Discos Voadores, mas seu caso jamais teve este reconhecimento

Fonte: LUCA OLEASTRI

Em dezembro de 2007, a edição UFO 137 veiculou uma extensa matéria de minha autoria sobre o Caso Villas Boas, o qual ampliei com muito mais detalhes e revelações no novo livro, em que se abordam vários outros eventos de relações sexuais tanto por parte de homens e mulheres com seres de outros planos ou dimensões, entre eles os de Eugene Browne, Onílson Pátero, José Inácio Álvaro, Jocelino de Mattos, Antonio Carlos Ferreira, Elias Seixas, Antonio Nelson Tasca, Elizabeth Klarer, Cynthia Appleton, Marlene Trevers e Shane Kurz. Para quem ainda não teve a oportunidade de ler a matéria, fica a recomendação, bem como o convite para que todos leiam o novo livro, que transborda sexo, terror e mistério [O texto de UFO 137 está agora disponível na íntegra em www.ufo.com.br].

O clamor do sexo

As formas históricas e culturais assumidas pelos impulsos sexuais nos fornecem elementos cruciais para a compreensão dos acontecimentos mais relevantes do Fenômeno UFO, como as abduções seguidas de intercursos carnais entre humanos e ETs. A antropologia e a psicanálise, a história e a sociologia, a mitologia e o folclore, de maneira geral, não cessam de evocar questões semelhantes. A mitologia e o folclore de quase todos os povos, por exemplo, estão organizados ao redor desse tema central — seres sobrenaturais que vêm ao nosso mundo para roubar nossas colheitas, nossos produtos, nossos animais e inclusive para sequestrar pessoas. As lendas se referem insistentemente à visita de seres aéreos procedentes de um ou vários países lendários e remotos. Variam os nomes e as peculiaridades, mas a ideia central permanece. Chamam-se Magônia, Céu, Inferno, País das Fadas etc.

Todos esses “lugares” têm uma característica comum: nenhum ser humano pode neles penetrar, exceto em ocasiões excepcionais. Esse mito pode ser resumido como uma crença em uma fabulosa terra habitada por seres sobrenaturais que intervêm nos assuntos humanos. Eles podem levar homens e mulheres à sua terra como consortes, criados ou ainda para realizar tarefas especiais. Podem viver entre os homens por um tempo, mas, ao final, são chamados de volta à sua pátria. Eles podem ter interesse em assuntos individuais, familiares ou nacionais, seja para ajudar ou prejudicar.

Acima de tudo, são seres poderosos. Como são capazes de alterar a sua forma à vontade assumindo a que bem quiserem, os emissários desses lugares sobrenaturais chegam à Terra às vezes sob a forma de deidades e, em outras, sob a forma humana ou de monstros. Uma vez aqui, operam maravilhas. Servem aos homens ou os combatem. Alteram o curso da história das civilizações por meio de revelações místicas. Seduzem as mulheres, e os poucos heróis que se atrevem a tentar travar amizade com eles descobrem que as intenções dos seres do País das Fadas para com as donzelas não são de natureza puramente etérea, e sim carnal.

O mito da virgem divina

Um dos mitos mais pujantes do folclore mundial é o da virgem divina que seduz os homens e os leva a um país desconhecido, onde lhes transmitem mensagens de grande importância — a donzela é, simultaneamente, uma figura de sereia-nereida e uma deusa do Sol. Invariavelmente dissimulados, esquivos e fugidios em seu modus operandi, sempre procurando encobrir suas verdadeiras faces e intenções, e assim gerar mais dúvida e confusão, as entidades extraterrestres são igualmente capazes de assumir as mais diversas formas e criar suas próprias leis quando aparecem. São leis divergentes das daqueles que governam o nosso mundo.

As formas históricas e culturais assumidas pelos impulsos sexuais nos fornecem elementos cruciais para a compreensão dos acontecimentos mais relevantes do Fenômeno UFO, como as abduções seguidas de intercursos carnais entre humanos e ETs

À época em que o ufólogo franco-americano Jacques Vallée lançou essas ideias na obra pioneira Passaporte a Magônia [Plaza & James, 1975], a comunidade ufológica não estava preparada para aceitá-las, como tampouco está hoje. A reação foi de indiferença e rechaço, como o próprio Vallée mostraria depois em Confrontos [Best Seller, 1982]. O movimento new age e as correntes esotéricas as interpretaram como se referisse aos mundos das fadas ou dos sonhos, que não são físicos, e os ufólogos como se estivesse desprezando o aspecto físico como algo não relevante. Na verdade, Vallée propunha que encarássemos o Fenômeno UFO como algo ao mesmo tempo tecnológico e psíquico que possui a capacidade de manipular a mente humana.

De qualquer forma, a publicação de Passaporte para Magônia elevou a fenomenologia ufológica ao patamar dos estudos acadêmicos e fez com que passasse a ocupar um escopo muito mais amplo com profundas repercussões e implicações no imaginário e no campo social. A interpretação psicanalítica correlacionou a forma de gota dos UFOs a um símbolo feminino, e a de charuto a um masculino. Os substratos psíquicos arcaicos traduzem o desconhecido ou o incompleto por vias instintivas, o que levou Freud a propor que as formas redondas ou ocas são de cunho feminino, e as longitudinais, masculino.

Deuses fazem sexo, comem e bebem

Já o psicanalista suíço Carl Gustav Jung, por sua vez, chamou a atenção para os relatos de sonhos de seus pacientes, nos quais comumente aparecia a costumeira forma lenticular ou de charuto, que aludia à dos primeiros dirigíveis. As transposições não são motivadas somente pelo impulso sexual, mas também pela fome, ou seja, pelo instinto de alimentação, bem como pela sede. Os “deuses”, além de praticarem sexo, comem e bebem. Na linguagem popular, o homem gosta de uma mulher a ponto de querer ter relações com ela — o sentido específico consiste em despertar o instinto que lhe corresponde, tanto na escolha do símbolo quanto na sua interpretação, como observou o notável Jung em Um Mito Moderno sobre Coisas Vistas no Céu [Vozes, 1988].

Villas Boas foi praticamente arrastado por seus abdutores para dentro do disco voador, no qual adentrou por uma frágil escada feita de corda

Fonte: ROBERT GIGI

A homologação entre os rituais religiosos, os contatos imediatos com seres extraterrestres e a união sexual é congruente. Freud concebeu a sexualidade como uma expressão dos instintos da vida, que denominou de Eros. O psicólogo norte-americano James Hillman acrescentou que Eros também é responsável pela busca do homem pelo transcendente, busca essa que Jung relacionou ao instinto religioso. Para o falecido historiador romeno das religiões Mircea Eliade, os ritos decorridos no tempo mítico objetivam regenerar o universo e renovar a criação. Portanto, o cerimonial corresponde ao que a união sexual é na esfera microcósmica, isto é, uma experiência regeneradora: “Na China, os jovens casais saíam na primavera e uniam-se na grama de modo a estimular a ‘regeneração cósmica’ e a ‘germinação universal’. O mundo é regenerado toda vez que a hegemonia é imitada, isto é, sempre que se consuma a união matrimonial”, afirmou Eliade.

A cerimônia culminante — e mais secreta — da entronização de Akihito, 125º e atual imperador do Japão, foi celebrada na noite de 22 de novembro de 1990, quando ele, sozinho, executou um ritual religioso ancestral com conotações sexuais e significado polêmico. Os detalhes são zelosamente guardados a sete chaves pelos funcionários a serviço da corte. Apesar da “Cortina de Crisântemos” — como é conhecido no Japão o mistério que cerca os assuntos palacianos —, alguns aspectos do ritual passaram pelos muros do palácio imperial. A deusa Amaterasu, fundadora da dinastia imperial nipônica, reservara para ele um leito em palha de arroz. O imperador levara a efeito um ritual de fecundidade que simula um ato sexual com a deusa. Realizado há mais de dois mil anos, se encaixa perfeitamente nos preceitos de uma religião politeísta como a xintoísta (“Caminho dos Espíritos”), em que a fecundidade ocupa papel preponderante.

Invisíveis aos olhos mortais

Entre os nativos das Ilhas Trobriand, atóis coralinos que formam um arquipélago de aproximadamente 440 km2 ao longo da costa oriental da parte melanésica da Nova Guiné, no Oceano Pacífico, o antropólogo inglês de origem polonesa Bronislaw Kasper Malinowski observou a prevalência de crenças relativas a uma terra mítica ou paraíso erótico, vinculadas aos conceitos de vida futura. Os trobriandeses situam o mundo dos espíritos na pequena Ilha de Tuma, a noroeste, onde, invisíveis aos olhos mortais, sem serem afetados pelos problemas do mundo, os espíritos levam uma vida cotidiana que em muito se assemelha à dos trobriandeses, só que bem mais agradável. Malinowski reproduziu a descrição de um de seus melhores informantes, Tomwaya Lakwabulo, famoso vidente e médium espírita dotado de talento, imaginação e principalmente esperteza fora do comum, que alegava receber frequentes visitas procedentes do mundo dos espíritos: “Em Tuma, vivemos como se fôssemos chefes: temos magníficos terrenos cultivados e nenhum trabalho a fazer. E as mulheres se encarregam de tudo. Possuímos pilhas de ornamentos e muitas mulheres, todas lindas”.

No Ocidente, os cristãos igualmente esperam as consolações do Reino dos Céus, mas a maioria — à exceção de místicos e santos — não demonstra a mínima ansiedade em chegar lá, talvez pela ausência dos prazeres sexuais que há em Tuma, povoada de belas mulheres, felizes por trabalharem durante o dia e dançarem à noite. Os espíritos em Tuma deleitam-se em perpétuos bacanais, em meio a praças espaçosas ou praias de areia macia, repletas de bebidas à base de betel, planta trepadeira cujas folhas têm propriedades medicinais, e de coco verde, de folhas aromáticas e de enfeites mágicos, de riquezas e de insígnias honoríficas — os plebeus se tornam chefes e nenhum chefe se vê diminuído ou ofuscado pelos espíritos inferiores que ocupam seu lugar.

Quatro mil virgens

Essa utopia hedonista é semelhante ao Paraíso islâmico — para alguns, Gana, situado no Sétimo Céu, ou seja, no ponto mais alto do universo —, reservado exclusivamente aos homens combatentes de uma guerra santa, obviamente do lado muçulmano, mortos no campo de batalha. No Paraíso, todo fiel disporá de quatro mil virgens, oito mil mulheres legítimas e quinhentos houris, destinadas a satisfazer seus prazeres sexuais. Houris são mocinhas virgens depiladas, do colorido de pérolas, de pele suave e macia, de olhos grandes e negros, lábios de rubi e cheiro de musgo que após cada relação sexual restituem a virgindade e jamais envelhecem além dos 33 anos de idade. As mulheres que morrem em idade avançada na Terra serão recriadas virgens para o deleite dos homens. O intercurso será vigoroso e logo que o homem se separe dela, ela voltará a ser imaculada e virgem.

Os ‘deuses’, além de praticarem sexo, comem e bebem. Na linguagem popular, o homem gosta de uma mulher a ponto de querer ter relações com ela — despertar o instinto que lhe corresponde, tanto na escolha do símbolo quanto na sua interpretação

“Ao isolar o sexo em compartimentos estanques e tratá-lo como um valor oposto, o Cristianismo provocou uma ruptura ontológica, cujas trágicas consequências se fizeram sentir”, também disse Eliade. O filósofo alemão Friedrich Nietzsche designou-a de moral dos escravos, que, longe de ser uma revelação divina, não passaria de um sistema de valores. Os instintos, pervertidos, acabaram interiorizados. Em A Genealogia da Moral, de 1887, Nietzsche indaga se o Parsifal de Wagner não seria talvez “o produto de um ódio feroz contra a ciência, o espírito e a sensualidade, um anátema contra os sentidos e contra o espírito, uma apostasia ao ideal de um cristianismo enfermiço e obscurantista, uma negação de si mesmo, uma destruição da sua própria arte, que tendia para a espiritualização e sensualização suprema”.

Ainda de acordo com o sociólogo e filósofo alemão naturalizado norte-americano, Herbert Marcuse, igualmente falecido, a cultura e a sexualidade se antagonizam porque a última ameaça destruir a primeira, forçando-a a mobilizar todos os reforços contra ela. Comparada ao Período Vitoriano, a liberdade sexual aumentou indiscutivelmente, “ao mesmo tempo, porém, as relações sexuais passaram a ser assimiladas às relações sociais. A liberdade sexual harmonizou-se com o conformismo lucrativo. O antagonismo fundamental entre sexo e utilidade sexual — em si mesmo um reflexo do conflito entre o princípio de prazer e o princípio de realidade — é obnubilado pela progressiva incrustação do princípio de realidade no princípio de prazer”. Sob condições não repressivas, a sexualidade tende a tornar-se Eros, ou seja, a autosublimação em relações duradouras e expansivas que servem para intensificar e ampliar a gratificação instintiva.

O Caso Villas Boas

E eis que, como se não fosse algo significativo, o primeiro intercurso sexual entre um ser humano e uma suposta Entidade biológica extraterrestre (EBE) foi registrado justamente em um país onde a liberação das fantasias e a busca desenfreada de prazeres carnais sempre escapou ao controle da moralidade religiosa: o Brasil. O primeiro episódio de abdução da Era Moderna dos Discos Voadores, bem como o primeiro em que um ser humano teria mantido relações sexuais com uma suposta entidade alienígena, não por acaso ocorreu justamente em nosso país, de abundantes voluptuosidade, devassidão e fantasias libidinosas.

De todos os casos da Ufologia Mundial, a “saga sexual” vivida por Antonio Villas Boas, falecido em 1991, permanece sendo a que mais impressiona. Muitos ufólogos com os quais conversei também admitem o mesmo, e certamente não há nenhum deles, nem o mais isento de paixão e emotividade, que não tenha ficado de alguma forma impressionado ao tomar conhecimento, pela primeira vez, da inopinada história daquele jovem lavrador de 23 anos que, na madrugada de 16 de outubro de 1957, arava a terra com o trator quando foi surpreendido por uma nave em forma de ovo, bojuda na parte de trás e tendo na frente três hastes metálicas, feito esporões, que aterrissou a uns 15 m de distância — e dela saltaram pequenos seres vestindo máscaras e uniformes inteiriços que o agarraram e o fizeram subir por uma escada rudimentar para bordo da nave.

Uma abdução alienígena é uma ocorrência que muda os sentidos das coisas para quem a vive, ainda mais quando emvolve sexo

Fonte: ALEXANDRE JUBRAN

Depois de ter sido despido, um líquido oleoso, mas que não deixava a pele engordurada, foi passado em seu corpo com uma espécie de esponja. Em outra sala, dois seres se aproximaram com um tipo de cálice do qual saíam dois tubos flexíveis e colocaram a extremidade de um dos tubos no cálice e a outra ponta, que tinha um “biquinho” semelhante a uma ventosa, em um dos lados de seu queixo. Villas Boas não sentiu dor, apenas a sensação de que sua pele estava sendo sugada — seu sangue escorreu pelo tubo e se depositou no cálice, que encheu até a metade. O tubo foi retirado e substituído pelo que ainda não havia sido usado, sendo colocado do outro lado do queixo, de onde se coletou mais sangue, até completar o cálice. Sua pele ficou ardendo e coçando no lugar da sangria.

Deixado sozinho em uma sala que exalava uma fumaça de cheiro desagradável e sufocante, a qual provocou-lhe vômitos, esperou por um longo tempo até que surgiu uma mulher inteiramente nua com a qual acabou tendo relações sexuais. No fim, ela apontou para o próprio ventre e em seguida para o céu. Cumprida a missão, os seres se desinteressaram completamente por Villas Boas e o deixaram no mesmo local do rapto. Os humanoides, descreveu ele, mediam cerca de 1,6 m de altura, vestiam macacões cinzentos inteiriços e aderentes ao corpo, confeccionados com um tecido grosso, porém macio, com listinhas pretas aqui e ali.

Cintura fina e barriga pequena

A mulher era magra, media no máximo 1,3 m de altura, tinha os seios empinados e bem separados. Sua cintura fina, a barriga pequena, os quadris largos, as coxas grossas e os pés pequenos. Suas mãos eram compridas e finas, com dedos e unhas normais, e sua pele era branca e cheia de sardas nos braços. O cabelo era liso e abundante, quase branco, repartido ao meio — chegava até a metade do pescoço, sendo que as pontas se viravam para dentro. Os olhos da mulher eram azuis, grandes, oblíquos e excessivamente repuxados. Seu nariz, pequeno e reto, não era pontudo nem arrebitado. As maçãs do rosto eram pronunciadas, carnudas e macias ao toque. O rosto largo se estreitava na altura do queixo pontudo, conferindo uma feição triangular. Os lábios eram finos e a boca não passava de uma ranhura. Suas orelhas eram pequenas.

O que mais chamou a atenção de Villas Boas foram os pelos púbicos, de cor vermelha. “Ela não usava perfume, apenas exalava cheiro de mulher”, disse. A aparência desta fêmea extraterrestre também remete às antigas deusas ou entidades teogônicas, as quais figuram em várias mitologias, inclusive do Velho Mundo, e está relacionada com o culto lunar matriarcal da Grande Mãe Terra, entidade protetora e criadora de onde provinha tudo e, ao mesmo tempo, era — e ainda é, para muitos povos e culturas do planeta — o símbolo de fecundidade máximo.

Cortina de silêncio

Quem descobriu o Caso Villas Boas foi ninguém menos do que o repórter João Martins, da então popular revista semanal de informações O Cruzeiro, dos anos 50 e 60. Ele, que já havia inaugurado o interesse pelos UFOs no país ao fotografar, junto com seu amigo, o repórter fotográfico Ed Keffel, um disco voador — ou o que seria apenas uma maquete — sobrevoando a Barra da Tijuca, acrescentaria também um novo componente: o sexual. Porém, ao contrário do disco voador da Barra da Tijuca, que seria divulgado como um sensacional furo de reportagem com direito a suplemento extra na edição de 17 de maio de 1952 de O Cruzeiro, o Caso Villas Boas permaneceria em segredo por cinco anos, tanto que nesse ínterim foi desbancado pelo acontecimento do casal inter-racial norte-americano Betty e Barney Hill — eles foram raptados na noite de 19 de setembro de 1961 na Estrada de Indian Head por seres cinzentos que os submeteram a vários tipos de exames médicos, inclusive de natureza sexual —, que acabou entrando para a história como o primeiro caso moderno de abdução e desencadeando a febre de ocorrências semelhantes que começaram a tomar proporções de uma síndrome mundial, de caráter epidêmico, a partir dos anos 80.

O primeiro intercurso sexual entre um humano e uma alienígena foi registrado justamente em um país onde a liberação das fantasias e a busca desenfreada de prazeres carnais sempre escapou ao controle da moralidade religiosa: o Brasil

Se o Brasil deixou de tomar a dianteira e ocupar o posto de vanguarda no que tange às abduções, foi porque Martins e os demais pesquisadores, receando uma reação contrária e que o Caso Villas Boas não fosse aceito como verídico, tão fantásticos e inusitados eram os aspectos envolvidos, preferiram resguardar a si mesmos e o protagonista — até então conhecido apenas pelas iniciais A. V. B. —, contentando-se em apenas redigir relatórios. Em fins de 1957, Martins publicava em O Cruzeiro uma série de reportagens especiais sobre discos voadores em que convidava os leitores a lhe enviarem cartas contando experiências que porventura tivessem vivido. Entre as centenas delas, a de um jovem agricultor que morava com os pais e os irmãos em uma fazenda do distrito de São Francisco de Sales, emancipado e elevado à condição de município em 1962, no Triângulo Mineiro, chamou-lhe tanto a atenção que resolveu custear sua viagem até o Rio de Janeiro, onde exporia pessoalmente o ocorrido.

Equilíbrio, honestidade, ambição

Na tarde de 22 de fevereiro de 1958, no consultório do médico gastroenterologista e ufólogo Olavo Fontes, pioneiro da Ufologia Brasileira, na presença deste, do jornalista João Martins e do médico e ufólogo alemão naturalizado brasileiro Walter Karl Bühler, idem, Antonio Villas Boas prestou um longo e detalhado depoimento que só foi tomado depois de um interrogatório minucioso e friamente elaborado, que durou nada menos do que quatro horas, durante o qual se pôs à prova seu equilíbrio, sua honestidade, sua ambição, sua coerência de atitudes e de intenções. Apesar de não terem encontrado nenhum indício de fraude mesmo após submeterem-no a hábeis interrogatórios, métodos psicológicos intimidatórios, de insinuar-lhe a possibilidade de ver seu retrato nos jornais e de ganhar dinheiro com sua história, de submetê-lo a exames médicos e psiquiátricos e de interrogá-lo novamente depois de decorridas várias semanas, Fontes e Martins decidiram arquivar o caso “para esperar o aparecimento de um caso de características semelhantes em outro lugar que o validasse”, disse Martins. Mas apesar dos cuidados, parte do relato vazou e chegou a ser parcialmente comentado. Bühler, que naquele mesmo ano de 1957 havia fundado no Rio de Janeiro a Sociedade Brasileira de Estudos sobre Discos Voadores (SBEDV), publicaria suas primeiras ponderações sobre o Caso Villas Boas no Boletim da SBEDV número 26, de abril de 1962.

O artigo, integralmente em inglês — idioma que Bühler preferia em se tratando de casos importantes que prioritariamente demandavam divulgação no exterior —, sairia na edição de janeiro de 1965 da prestigiosa revista Flying Saucer Review, editada pelo ufólogo e embaixador Gordon Creighton — ex-cônsul inglês em Recife —, o que contribuiu em muito para projetar a Ufologia Brasileira no cenário internacional. Uma versão em português do artigo só seria publicada por Bühler no Brasil em 1975, em uma edição especial do Boletim da SBEDV que trazia uma seleção dos 40 melhores casos de contatos imediatos com ufonautas ocorridos até então, entre eles, logicamente, o de Villas Boas, enquadrado no “subgrupo A-F”, que incluía os de “aproximação forçada”.

Estudante por correspondência

Já a reportagem integral de João Martins sobre o Caso Villas Boas — publicada sob o pseudônimo de Heitor Durville —, foi acompanhada dos resultados dos testes clínicos realizados pelo médico e ufólogo Olavo Fontes e só sairia em 1968 com a publicação da série dividida em seis partes intitulada Detras de la Cortina de Silencio. E ainda assim, os que tiveram acesso imediato a ela foram apenas os leitores em língua espanhola, já que foi publicada somente nas Ediciones El Cruzeiro, de Buenos Aires. Por ela se ficou sabendo que A. V. B. era Antonio Villas Boas, um agricultor de 23 anos que estudava por correspondência. Cabe ressalvar que não há parentesco próximo com os já falecidos irmãos indigenistas e sertanistas Leonardo, Cláudio e Orlando Villas Boas.

Em 1971, Martins achou que não havia mais razão para ocultar o ocorrido e publicou um resumo no suplemento carioca da revista semanal Domingo Ilustrado, números 3 a 10, de 10 de outubro: “A. V. B. foi submetido por nós aos mais sofisticados métodos de interrogatório, sem que tenha caído em qualquer contradição. Escapou de todas as armadilhas que fizemos para testar se ele estava em busca de fama ou dinheiro. Acurados exames médicos revelaram um estado de total equilíbrio físico e mental. Sua reputação na região onde vivia era a de um homem trabalhador, sério e honesto”. E ponderou: “É muito provável que em algum lugar do universo haja uma estranha criança que talvez esteja sendo preparada para voltar aqui”.

Rompendo a cortina de silêncio

A versão de Martins, Fontes e Bühler sobre o Caso Villas Boas, nas últimas décadas repetida à exaustão como uma espécie de cânone por todos os jornalistas, pesquisadores e ufólogos que se seguiram, sem que se lançassem a novas investigações ou se preocupassem em fazer certos questionamentos, consagrou-se em termos absolutos e penetrou fundo no imaginário coletivo, no qual permanecerá incólume a revisões ou correções de qualquer tipo, por mais embasadas que sejam, e sempre manterá uma influência residual, quase hipnótica. Se lamento isso, em primeiro lugar, é porque, sobretudo, de todos os episódios da casuística ufológica, este talvez seja o mais rico e multilateral, o mais digno de nota pela originalidade e pioneirismo e pelas facetas poliédricas que do ponto de vista da expressão sóciocultural, deva ser colocado, sem hesitação, entre os melhores da história da Ufologia Mundial em todos os tempos.

Mas é principalmente como historiador que lastimo que algo cuja importância nenhum ser humano consciente deveria ignorar — o que significa que, se muitos o ignoram, é porque estão menos conscientes do que se imaginam, eivado de vários erros e omissões. O limite da descrição produz o efeito de fazer com que ela seja renovada indefinidamente, e seus muitos hiatos e lacunas sejam preenchidos a esmo, em dispêndios de esforços inúteis, ainda que nenhum resultado válido se obtenha do ponto de vista científico, a não ser do ponto de vista editorial e mercadológico, pois acaba se tornando, no fim das contas, um produto rentável. Nada impede ainda, é claro, que por “clarividência” ou “iluminação divina”, algumas pessoas cheguem à compreensão integral de tudo sem antes se darem ao trabalho de uma leitura medianamente abstrusa.

Devo admitir, antes que me engajasse pessoalmente nessa empreitada, aceitava plácida e resignadamente a versão consagrada, sem maiores objeções, dominado que estava menos pelo influxo complacente do que pelas limitações e viseiras que eram impostas até às mais etéreas construções do pensamento abstrato. Para sair desse círculo vicioso, de nada adiantaria combater o caso, negando-o pura e simplesmente, como procederiam os céticos, apontando, antes de tudo, falácias e incongruências — no esforço de ajuntar elementos em contrário, tudo o que se consegue é apenas um novo conjunto similar de falácias e incongruências o qual inicialmente se pretendeu combater. É óbvio que esse tipo de procedimento pode ser facilmente absorvido e integrado ao dos próprios ufólogos, muito dialeticamente.

Forçado a ter relações sexuais

Pelo que se saiba, pouquíssimos ufólogos, até então, haviam se aventurado nessa direção. E, dentre os que o fizeram, todos, por compromisso de classe ou obediência residual, acabaram voltando à repetição da versão consagrada, quando não acrescentaram elementos díspares ou redutíveis. Um deles foi o falecido parapsicólogo Álvaro Fernandes, estudioso de fenômenos paranormais e recursos da mente desde 1950 e fundador e presidente do Instituto de Estudos e Aplicação Parapsicológica de São José do Rio Preto (SP), que, cabe reconhecer, teve a sorte e o mérito de ter sido o primeiro pesquisador a visitar a fazenda de Villas Boas em São Francisco de Sales, isso em 28 de outubro de 1957, isto é, apenas 12 dias depois do incidente.

Em seu opúsculo Casos de Contatos Sexuais com Ufonautas [Edição do Autor, 1988], escrito em parceria com a também parapsicóloga Sônia Trigo Alves e publicado em edição artesanal e limitada, Fernandes narra que a oportunidade surgiu bem no dia de seu aniversário, quando se encontrava em companhia de alguns amigos e médicos recém-formados em um rancho de pescaria em Fronteira, às margens do Rio Grande. Entre tantos “causos” contados por pescadores, um deles chamou particularmente sua atenção, pois se referia a um rapaz que estava arando a terra à noite e fora forçado a manter relações sexuais com uma mulher de outro planeta. Fernandes, que deveria retornar a São José do Rio Preto naquela noite, em vez disso, na companhia de amigos, pegou sua caminhonete foi até a fazenda de Villas Boas. Recebidos por sua mãe e parentes, foram informados de que o rapaz estava muito abalado e passava todo o tempo trancado em seu quarto, preferindo se isolar e não tocar no assunto.

Em seguida, Fernandes e grupo foram até o vilarejo e procuraram o farmacêutico que atendeu Villas Boas — era um senhor respeitável, educado e experiente, que disse que Antonio temia ter contraído doença venérea, já que a relação com a tal mulher o deixara com os órgãos sexuais doloridos e o corpo todo coberto de manchas — o profissional lhe garantiu que não era doença venérea, mas, de qualquer forma, o aconselhou a procurar um médico ou alguém que pudesse orientá-lo melhor.

A segunda visita de Fernandes a São Francisco de Sales, desta vez acompanhado do ufólogo Guilherme Willi Wirz, outro pioneiro da Ufologia Brasileira, que na ocasião ministrava um curso de Ufologia em São José do Rio Preto, Izildinha, repórter do jornal Diário da Região, também de Rio Preto, e do doutor Ernesto Zeferino Dias, se deu em 27 de agosto de 1977, ou seja, quase 20 anos depois. Também desta feita, Fernandes não logrou encontrar-se pessoalmente com Villas Boas, uma vez que este se encontrava em Formosa (GO), concluindo o último ano do curso de direito. Em compensação, o grupo conversou com seu sobrinho, o proprietário rural João Batista de Queiroz (vulgo João Neto), que os levou até o local onde pousara o disco voador. Naquela época a área estava abandonada, coberta de taboa. Segundo Fernandes, “no local da descida do disco não mais cresceu vegetação, ficando uma marca escura no solo”.

De volta a São Francisco de Sales

Desde então, por incrível que pareça, em uma mostra do quanto a Ufologia carece em matéria de pesquisas, nenhum outro pesquisador retornou a São Francisco de Sales, que assim permaneceu praticamente esquecido, até que em 2002 resolvi voltar a percorrer os velhos caminhos, embora de maneira independente e sem contar com qualquer tipo de apoio, subsídios e recursos, é verdade, mas com tremenda teimosia e obstinação, imbuído que estava em devassar tudo que ainda se mantinha oculto ou reduzido a pressupostos vagos e contraditórios.

No decorrer daquele ano, logrei localizar o paradeiro de vários parentes de Antonio Villas Boas, entre eles o de sua irmã Odércia Villas Boas, de seu irmão José Villas Boas e de seu sobrinho José Batista de Queiroz, o João Neto. Havendo eles se prontificado a me receber, após longas conversas interurbanas por telefone, em novembro daquele ano, acompanhado do jornalista, ufólogo e explorador espanhol Pablo Villarrubia Mauso, viajei rumo a São Francisco de Sales. Inúmeros são os detalhes a serem corrigidos e acrescentados na história. Um dos principais refere-se à mulher que manteve intercurso sexual com Antonio. Ao contrário do que até hoje se propala, ela não era uma beldade, mas bastante feia e até repulsiva.

Os familiares e amigos de Villas Boas confirmaram ainda terem visto as marcas de pouso deixadas pela nave no solo da fazenda e confirmaram o fato do abduzido ter sido levado pela Agência Espacial Norte-Americana (NASA) ou alguma outra agência de espionagem a uma base secreta (Área 51?) nos Estados Unidos, “repleta de discos voadores acidentados ou construídos pelos cientistas terrenos aproveitando a tecnologia destes”, como declarou.

Sem o vigor de antes

Além disso, acrescentaram uma série de informações, como a da irrupção de fenômenos parapsicológicos e a do assoberbamento de fenômenos fantasmagóricos e luminosos na fazenda antes e depois do episódio. Bem como detalharam com minúcias as sequelas sofridas por Villas Boas nas semanas seguintes ao rapto — náuseas, vômitos, perda de apetite, dores de cabeça na região das têmporas, ardência nos olhos, insônia e depois sonolência excessiva, nervosismo, depressão, feridas nos antebraços e nas pernas, manchas amareladas no rosto etc. Ainda que tenha se casado, concebido filhos e se formado em direito, exercendo por muitos anos a profissão de advogado, a verdade é que Antonio Villas Boas jamais readquiriu o mesmo vigor de antes, tampouco se livrou dos traumas advindos do contato, tanto que faleceu relativamente jovem, em 17 de janeiro de 1991, com apenas 56 anos. O atestado de óbito emitido pelo Cartório de Registro Civil de Uberaba, cidade onde vivia, aponta como causa mortis “hemorragia subaracnoidea, aneurisma da artéria basilar e hipertensão arterial”.

No Cemitério Municipal São Judas Tadeu, também em Uberaba, localizei o túmulo de Antonio Villas Boas, que fica próximo do mausoléu do célebre médium espírita Chico Xavier. Como não há nenhuma placa indicativa, os desavisados que passam defronte nem sequer desconfiam que ali jaz o primeiro abduzido da Era Moderna dos Discos Voadores. Eis uma tremenda negligência e um triste anonimato para alguém que teria sido vítima de estranhas manipulações genéticas por parte de seres de outro planeta. Silenciosamente ali de pé, diante daquele túmulo despido de qualquer ornato, epígrafes ou epitáfios a invocar a memória de tão ilustre figura, não pude deixar de perguntar: quantos outros Villas Boas, quantas outras histórias tão fantásticas — e verídicas — ainda estarão ocultas e esquecidas por trás da cortina de silêncio que foi estendida por vários interesses de diferentes ordens, sobre o fascinante enigma dos UFOs? Quantos Villas Boas já não estarão enterrados e a essa altura completamente esquecidos, até mesmo por seus familiares?

Na verdade, são muitos, como pode se ver em 50 Tons de Greys. Neste artigo eu enfatizo o caso ufológico brasileiro mais importante de todos os tempos, mas semelhantes a ele a incontáveis ocorrências ufológicas de abduções relações sexuais a bordo de discos voadores em muitos países do mundo. Só para que se tenha uma pálida ideia de quantos e quão estranhos são, temos em 50 Tons de Greys o caso de Eugene Browne, que praticamente reviveu o Caso Villas Boas 10 anos depois. Os eventos envolvendo os brasileiros Onílson Pátero, um vendedor que deu carona a ETs e foi clonado, e José Inácio Álvaro, que foi abduzido e “cumpriu a tarefa com a mulher prateada que lhe apresentaram”, estão entre os muitos casos da obra.

“Mulher normal como as nossas”

Particularmente interessantes são também as abduções alienígenas do paranaense Jocelino de Mattos e do paulista Antonio Carlos Ferreira. O primeiro caso, de 1979, foi pesquisado pelo próprio editor A. J. Gevaerd quando este tinha 17 anos. Tratou-se de um sequestro duplo, no qual Jocelino, então com 19 anos e eletricista, foi levado a bordo de um disco voador com seu irmão de 13 anos, Roberto Carlos. O irmão mais velho foi submetido a uma experiência sexual com uma “mulher normal como as nossas, mas com o quadril um pouco mais elevado”, conforme disse. Tanto seu caso quanto o de Carlos Ferreira tiveram inúmeros intercursos, ou seja, sequestros repetidos ao longo de suas vidas — Ferreira gerou, desde a primeira abdução, um filho com alien ruiva-súcubo.

Encontraremos também em detalhes em 50 Tons de Greys os famosos casos ufológicos de Elias Seixas, o caminhoneiro que ficou impotente após relacionar-se com uma mulher extraterrestre, e de Antonio Nelso Tasca Cabalá, que se encontrou e amou Cabalá, do mundo de Agali. Querem mais? Então temos na obra o romance espacial de Elizabeth Klarer, a gravidez de Cynthia Appleton, o filho híbrido de Marlene Trevers, o estupro espacial de Shane Kurz e, entre tantos outros, os desejos sexuais de Meagan Quezet etc. O livro não apresenta apenas casos, mas sim uma análise deles, como os capítulos que tratam da síndrome das abduções, dos tabus, ritos e rituais ligados à Ufologia e um ensaio que desafia o leitor: seriam vampiros os alienígenas? Boa leitura.


Uma obra que faltava à Ufologia sobre um de seus temas mais importantes

Fonte: ARQUIVO UFO

Existe vida inteligente na Ufologia Brasileira? Mais uma vez o controvertido pesquisador Cláudio Suenaga [Foto] demonstra que sim com este novo livro de sua autoria 50 Tons de Greys. Nesta obra instigante, Suenaga faz uma releitura de alguns casos clássicos de abdução e levanta novas hipóteses que podem lançar luzes — ou mais sombras? — sobre eles. Através de exaustiva pesquisa, estabelece uma relação entre a presença de divindades e criaturas sobrenaturais que sequestram e seduzem seres humanos para manter intercursos sexuais com eles e os chamados ufonautas modernos. E levanta a tese de que estes encontros, ao contrário do que muitos pensam, são uma constante ao longo da história — a religião, a mitologia e o folclore de todos os povos em todas as épocas são abundantes de relatos do fenômeno, que não só nunca deixou de ocorrer como continua a se repetir nos dias atuais.

Mas não espere o leitor encontrar nele afirmações sectárias ou dogmáticas, nem a adesão fanática a esta “nova religião” denominada Ufologia, que atrai tantos embusteiros e aproveitadores da boa-fé pública, assim como almas ingênuas sempre ávidas por revelações fantásticas e delirantes. O universo da pesquisa ufológica comporta uma vasta galeria de tipos nem sempre interessados na busca da verdade, mas apenas na construção de mitos — para não dizer mentiras — que possam seduzir adeptos e render a eles dividendos, seja através da venda de livros sensacionalistas, ganhando dinheiro através de palestras e conferências, ou ainda aparecendo em programas de televisão, rádio e até em documentários. Neste universo, Suenaga é uma avis rara, pois sempre colocou a busca da verdade acima de tudo em suas pesquisas ufológicas.

Esta honestidade intelectual já lhe rendeu muitos aborrecimentos e a hostilidade de parte da comunidade ufológica. Pesquisador arguto e minucioso, Suenaga mergulha fundo na investigação dos casos que se propõe a examinar. Dotado de acurado senso crítico, uma qualidade que parece ausente na maioria dos ufólogos, tem a seu favor também uma vasta bagagem de conhecimento, como atesta a bibliografia de que lança mão em todos os seus trabalhos. Como historiador, sempre que possível, vai atrás das fontes primárias, entrevista testemunhas oculares in locu e o protagonista principal do evento investigado. Não se esperaria coisa diferente de um historiador sério e honesto, e por isso muitas vezes suas conclusões podem desagradar os espíritos crédulos.

Outra qualidade do autor é a clareza na exposição das histórias relatadas, sem omitir detalhes que possam nos dar uma visão diferente daquela que os ufólogos fanáticos tentam nos vender. Só para citar um exemplo, a respeito do rumoroso Caso Villas Boas, Suenaga faz a seguinte indagação: “Quantas outras histórias tão fantásticas — e verídicas — estarão ainda ocultas e esquecidas por trás da cortina de silêncio que foi estendida por vários interesses de diferentes ordens sobre o enigma dos UFOs?” Sem dúvida, trata-se de um livro indicado para todos os aficionados pela temática ufológica — e até mesmo para os céticos.

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Sobre o Autor

Cláudio Tsuyoshi Suenaga

Nascido na capital paulista, em 26 de abril de 1971, desde cedo Cláudio Suenaga se sentiu atraído por tudo o que se relacionasse à ciência, ao oculto, insólito, paranormal e ao sobrenatural. Acabou sendo apresentado, ainda na adolescência, às primeiras revistas de Ufologia, despertando para o assunto em que foi se aprofundando na mesma medida de outros interesses, tais como a história, arqueologia, sociologia, antropologia, mitologia, folclore, filosofia, psicologia, literatura e cinema. Aos 18 anos de idade já publicava seus primeiros artigos em jornais e ingressava na Faculdade de História, formando-se aos 21 anos com um projeto delineado em mente: trazer a questão ufológica ao âmbito acadêmico. Enfrentando todo tipo de preconceitos, logrou a proeza de convencer um grupo de professores da viabilidade de seus propósitos e da seriedade de suas intenções e, em 1994, ingressou no curso de pós-graduação de História da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Em 1996, tornou-se consultor e membro do Conselho Editorial da Revista UFO, produzida pelo Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV), passando a escrever regularmente para a publicação. Contra a opinião dos bem-pensantes, antecipou, em meados da década de 90, o crescimento exponencial dessas seitas ufológicas e espiritualistas. Entre os inúmeros trabalhos que lançou, um dos que mais geraram celeuma resgata o caso do lavrador João Prestes Filho, que em um fatídico dia de Carnaval de 1946 morreu queimado com as carnes se soltando do corpo depois de ter sido atingido por uma luz misteriosa que veio do céu na cidade de Araçariguama, interior de São Paulo. Casos como este indicam que, ao contrário do que apregoam os adeptos das correntes angelicais, a humanidade não vem sendo protegida e assistida por garbosos comandantes intergalácticos.

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