Edição 74
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Rapto por aliens é mistério em Goiás

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01 de Oct de 2000
Ivani de Freitas Roque, esposa do desaparecido, não se conforma com a falta de notícias. Mas José Marcório, tio da vítima, garante que o sumiço tem explicação. De qualquer forma, ainda há o que apurar
Créditos: willy silva

Há mais de 30 anos aconteceu em Goiás o primeiro caso de um humano raptado por naves ou criaturas extraterrestres, que até hoje é uma incógnita no mundo ufológico. A surpreendente história do lavrador Adelino Roque, 25 anos – residente em Itauçu, cerca de 60 km de Goiânia (GO), – foi manchete dos principais periódicos goianos e nacionais da época, além de ter envolvido delegados de polícia, moradores da zona rural e até o 4º Comando Aéreo de São Paulo (COMAR). O surpreendente caso também deixou em alerta a opinião pública mundial quando a revista espanhola Enigmas, em sua edição de outubro de 1999, repercutiu o desconcertante episódio vivido pelo contatado, que suicidou-se logo após sua experiência. O fato ocorreu na tarde do dia 20 de abril de 1969, quando o rapaz voltava do armazém de seu tio, José Marcório, indo em direção à Fazenda Serradinho.

Logo após ter sido atingido por um raio, Adelino conta que foi arrebatado para dentro do que descreve como um tambor voador. Segundo sua esposa, a dona de casa Ivani de Freitas Roque, ele sentiu ser tirado de cima de seu cavalo, que amanheceu arreado na Fazenda Quilombo, de Zeca Pacheco. “Um foco de luz o atingiu no peito e então não viu mais nada. Só se lembra que acordou em Itumbiara no dia seguinte”, declarou Ivani. De acordo com ela, que atualmente reside na cidade de Inhumas (GO), Adelino sentiu como se estivesse viajando a uma velocidade fora do comum, dentro de um tambor totalmente escuro e incomunicável. “Ele disse não ter visto nem ouvido ninguém. Só recuperou os sentidos na madrugada do dia 22. Quando acordou, estava deitado numa pedra à margem do Rio Paranaíba, divisa entre o Estado de Goiás e o Triângulo Mineiro.” A única pessoa que estava no local e o socorreu foi um leiteiro de Itumbiara, que embora não tenha acreditado em nada relatado por Adelino, o ajudou a voltar para casa.

José Marcório afirma que seu sobrinho dizia morar em Itauçu e não sabia como havia chegado naquele lugar. “O leiteiro achou engraçado, pois naquela época não havia condução que levasse uma pessoa de nossa cidade para Itumbiara num dia e voltasse no outro”. Após perceber que se encontrava longe de casa, Adelino precisou fazer duas viagens de ônibus e cavalgar mais 12 km até a Fazenda Quilombo. A esposa, parentes e amigos estavam ansiosos aguardando sua chegada. “Reunimos uma turma para procurá-lo, pois pensamos que tivesse caído num buraco ou coisa parecida. Do jeito que ele foi, voltou. Até o sapato ainda estava engraxado. Só notei que havia um sinal roxo nas suas costelas, causado pelo revólver que ficava apertado na cintura”, explicou Ivani. “Era normal andar armado naquele tempo”.

Hábitos Estranhos —
Depois de ser supostamente abduzido, Adelino nunca mais foi o mesmo. Começou a negligenciar o trabalho rural e passou a desenvolver hábitos estranhos, como beber quase um litro de pinga por dia e ficar namorando a sobrinha C.A.Q., de 17 anos. Pouco mais de um mês após seu regresso, o rapaz novamente desapareceu. Dessa vez em companhia da mencionada sobrinha, que ajudava Ivani a tomar conta da casa. De acordo com testemunhas, o casal partiu para um local indeterminado, somente com a roupa do corpo, onde permaneceram cerca de 22 dias. No dia 12 de junho de 1969 foram encontrados mortos. Acredita-se que eles tenham ingerido um veneno chamado Aldrin, de uso comum na zona rural. “Ele deixou uma carta pedindo que eu abençoasse as crianças e pagasse suas contas. E quando morresse, era para ser enterrada junto a ele”, lembra Ivani, comovida. Visando solicitar uma investigação mais apurada da história, o COMAR enviou uma carta ao delegado de Itauçu, mas o caso foi abafado. Somente 30 anos após a ocorrência surgiu um novo depoimento que poderia desvendar o mistério.

O técnico em telecomunicações Valdir Marcório, sobrinho do falecido Adelino, afirmou que o ocorrido com o tio era invenção para encobrir um caso amoroso. “Aquilo não aconteceu, foi uma desculpa para se ver livre da família. Ele tinha várias amantes e era considerado sistemático pelos moradores do município”. Alguns depoimentos contradisseram essas afirmações, como o de dona Ivani e o de José Marcório, que depôs a favor de Adelino quando entrevistado pelos periódicos da época. Ele afirma que o sobrinho foi perseguido por uma estranha luz a caminho de sua fazenda. “Ao cavalgar mais uns 100 m, Adelino se sentiu hipnotizado por uma corrente fria de luz que lhe havia tocado as costas. Ele ficou apenas um dia fora de casa”. Na segunda vez que Adelino desapareceu com sua sobrinha, Marcório afirmou que o casal havia sumido por 17 dias, e não 22 como se pensava. Ele defende até hoje a veracidade da história. “Adelino saiu de casa desorientado, deixando o arroz e o feijão para colher. Não tinha ‘caso’ com sua sobrinha. Bebia pouco, somente um gole de pinga por dia”. Esta é sem dúvida uma das histórias mais curiosas da rica e somente agora divulgada casuística goiana.

Os círculos continuam desafiando a Ciência

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Oct de 2000

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