ARTIGO

Perigo no céu: Boeing 737 quase colide com um UFO na Europa

Por Philip Mantle | Edição 266 | 15 de Março de 2019

Todos os dias, em algum lugar da Terra, um avião comercial tem um encontro surpreendente e arriscado com um disco voador
Créditos: EDITORIA DE ARTE

Perigo no céu: Boeing 737 quase colide com um UFO na Europa

Devido à natureza do Fenômeno UFO, que muitas vezes se manifesta em locais desertos e de uma maneira um tanto insólita, as testemunhas dos eventos ocupam um lugar de destaque dentro da pesquisa ufológica. E embora todas elas sejam importantes, investigadores do fenômeno dão preferência àquelas com formação mais técnicas e menos dadas a fantasias ou a enganos, como é o caso de militares, pilotos e cientistas.

Na verdade, muita atenção é dada aos avistamentos testemunhados por pilotos militares, mas devemos nos lembrar de que eles são superados, em número, pelos civis, havendo hoje cerca de 320 mil trabalhando regularmente em todo o mundo. Simplesmente, há muito mais aeronaves comerciais cruzando os céus do que jatos militares. Os episódios relatados por pilotos civis têm a mesma precisão e objetividade daqueles — poucos, é verdade — relatados por pilotos militares.

O caso e a divulgação

Neste artigo, vamos conhecer um incidente testemunhado por pilotos civis que foi apoiado por uma investigação governamental oficial. Todos sabemos que muitos pilotos não registram seus avistamentos de objetos voadores não identificados para evitar complicações profissionais e aborrecimentos — e ainda que o façam, na grande maioria das vezes não há investigação ou comunicação do incidente às autoridades superiores. O evento que veremos a seguir é uma exceção.

O famoso tabloide inglês The Sun, muito mais conhecido por suas modelos de topless do que por seu olhar sério para as notícias nacionais e internacionais, normalmente não é o tipo de publicação que ufólogos levem a sério quando veem alguma notícia sobre UFOs. No entanto, uma dessas manchetes, estampada na capa do jornal para deleite dos leitores, chamou a atenção de todos quando foi publicada, em 28 de janeiro de 1995.

Controladores de tráfego aéreo de aeroportos de todo o mundo têm que ficar ligados na ocorrência de avistamentos ufológicos por pilotos

Na matéria, a jornalista do Carline Reid informava sobre como os pilotos de um jato da companhia aérea British Airways — uma das maiores e mais seguras do mundo — tinham literalmente se esquivado de um acidente, quando a aeronave estava em rota de colisão direta com um estranho objeto voador não identificado a grande altitude. De acordo com o jornal, os pilotos Roger Wills e Mark Stuart se abaixaram dentro da cabine na hora em que uma nave misteriosa e bem iluminada apareceu a pouca distância do avião, a 3.700 m acima dos Montes Apeninos, na Europa.

Enquanto se preparavam para o impacto, os pilotos viram, como que em um flash de memória, um gigantesco UFO triangular do lado direito do Boeing 737 British Airways. Em seguida o objeto simplesmente desapareceu. O capitão Wills e o primeiro oficial Stuart checaram imediatamente o controle de tráfego aéreo. Seu voo, que seguia de Milão, na Itália, para Manchester, no Reino Unido, estava a apenas 17 minutos do desembarque quando ocorreu o inesperado e assustador encontro. O Boeing 737 pousou em segurança com seus 60 passageiros, que ignoravam o ocorrido.

Medo do ridículo

No início dos fatos, os dois pilotos nada disseram aos colegas de aviação e de empresa por medo de serem ridicularizados ou desacreditados. No entanto, os dirigentes da British foram informados e enviaram um relato detalhado da ocorrência ao Air Miss Working Group [Grupo de Trabalho de Quase Colisões Aéreas], que faz parte da Autoridade de Aviação Civil [Civilian Aviation Authority] inglesa. Um inquérito foi aberto sobre o incidente, que havia ocorrido em 06 de janeiro de 1995, três semanas antes de ser conhecido do público.

Enquanto se preparavam para o impacto com o objeto voador não identificado, os pilotos viram, como que em um flash de memória, um gigantesco UFO triangular do lado direito do Boeing 737 British Airways. Em seguida o objeto simplesmente desapareceu

Um porta-voz da Autoridade de Aviação Civil informou ao The Sun que seus técnicos não conseguiram rastrear as outras “aeronaves” envolvidas na quase colisão. De acordo com o jornal, havia muitas teorias sobre o que os dois pilotos haviam encontrado no ar, e uma delas era a de que tinham visto algum tipo de aeronave militar experimental. Mas um jornalista da publicação especializada em defesa e aviação Jane’s Defence Weekly disse imediatamente a resposta: “Não sabemos de nada sendo desenvolvido que possa explicar esse avistamento”.

Mais cobertura de mídia

Outros jornais ingleses, nacionais e regionais também cobriram a história. No sábado, 03 de fevereiro de 1996, um ano após o incidente, uma página inteira do Daily Mail publicou a manchete Um UFO? Na Verdade, Eram Apenas Nossos Amigos Alienígenas no Norte”. Este autor foi amplamente citado no artigo, detalhando outros relatos de UFOs de formato triangular — a matéria foi feita em resposta a um relatório oficial sobre o incidente recentemente disponibilizado.

No total, temos 35 notícias que apresentaram o evento mais ou menos de forma completa à população inglesa. Como resultado, acho justo dizer que essa história de UFOs realmente abalou a sociedade inglesa. Não seria, portanto, surpreendente descobrir que os jornais estavam procurando entrevistar os dois pilotos em questão, mas o boato era de que eles não queriam aparecer em nenhuma publicação. Mas, em março de 1996, o jornal Manchester Evening News finalmente publicou uma entrevista com os dois pilotos.

O primeiro-oficial Mark Stewart declarou que havia algo não identificado em frente da aeronave, que em seguida, em uma fração de segundo, passou pelo lado direito e desapareceu. “Minha reação foi chegar aos controles, mas então o objeto desapareceu. Eu disse ao capitão ‘Você viu isso?’. E ele respondeu: ‘Sim’. Era cinza muito escuro e em forma de cunha, com uma faixa ainda mais escura. Não havia janelas visíveis. Tentamos deixar o incidente de lado, mas ligamos para uma aeromoça para perguntar se houve algum comentário dos passageiros e ela nos disse que ninguém havia visto nada”.
Seguiu o primeiro-
oficial Stewart no Manchester Evening News: “Por causa da velocidade do aparelho voador, era muito difícil julgar seu tamanho relativo e a distância exata de nós. No entanto, não estava muito longe da ponta da asa de estibordo. As pessoas me disseram que deve ter sido uma pipa ou um balão, mas não há absolutamente nenhuma chance. Era um objeto cinza sólido, possivelmente com uma faixa preta”.

O relatório

Após 13 meses de uma longa espera, um relatório oficial do grupo de trabalho da Autoridade da Aviação Civil inglesa foi divulgado publicamente. O grupo entrevistou o capitão Wills e o primeiro-oficial Stewart, estudou suas anotações e fez o relatório, o qual incluiu uma transcrição da conversa com o pessoal de controle de tráfego aéreo, que publicamos a seguir.

Capitão: Acabamos de ver algo não identificado descer pelo lado direito de nossa aeronave, logo acima de nós, muito rápido.
Torre de controle: Bem, não há nada registrado no radar. Foi uma aeronave que passou por vocês?

Capitão: Sim, uma aeronave. Tinha luzes e, desceu muito rapidamente do lado de estibordo.
Torre de controle: E acima de você, havia alguma coisa?

Capitão: Isso, estava apenas um pouco acima de nós.
Torre de controle: Fique atento. Não consigo ver nada no radar, então deve ter sido algo muito rápido ou algo que deve ter caído muito rápido depois que passou por você. Tambem estaremos atentos aqui no controle de terra.

Os investigadores da Autoridade da Aviação Civil pronunciaram também em seu relatório que havia uma possibilidade remota de o objeto voador não identificado ser um avião militar desconhecido e que havia sido feito contato com a Força Aérea Real Britânica (RAF) e a Força Aérea Norte-Americana (USAF) para verificação. Em resumo, o relatório afirmava o seguinte:

“Há, é claro, algumas aparições que desafiam a explicação e, assim, alimentam a imaginação daqueles que estão convencidos de que há algo acontecendo lá fora. Normalmente, a atividade deste tipo é acompanhada por uma erupção de avistamentos no solo. Neste caso não houve outros relatórios. Os militares disseram que não tinham aviões na área e a possibilidade de que fosse um modelo secreto foi descartada. Nenhuma microlite ou asa delta poderia operar no escuro ou em vento tão forte. Tendo debatido várias hipóteses longamente, este grupo concluiu que, na ausência de qualquer evidência firme que pudesse identificar ou explicar o objeto, não foi possível avaliar a causa ou o risco por qualquer um dos critérios normais aplicáveis ??aos relatórios de falhas aéreas. O incidente, portanto, permanece sem solução”.

Investigação não oficial

O primeiro-oficial da British Airways Mark Stewart, no final do artigo, declara: “Tudo bem. Acho que tive meus 15 minutos. Considero que o objeto era apenas algo no lugar errado na hora errada”. Em uma tentativa de conduzir nossa própria investigação civil sobre esse importante incidente, contatamos o Ministério da Defesa (MoD) do Reino Unido. Demorou um certo tempo, mas recebemos duas cartas como resposta. As autoridades do ministério confirmaram, no entanto, que não haviam recebido nenhum outro relato sobre UFOs na mesma época dos acontecimentos com o Boeing 737.

Em seguida, contatamos a própria British Airways. Nosso pedido de entrevista com os dois pilotos em questão foi recebido, mas nada mais foi dito. A companhia, no entanto, forneceu uma cópia do relatório feito pelos pilotos. Também entramos em contato com a Seção Joint Air Miss [Junta de Quase Colisão] da Autoridade de Aviação Civil, e por fim recebemos uma cópia de seu relatório oficial, que é o Air Miss Report nº 02/95. O documento é interessante e em uma parte específica elogia os pilotos e diz esperar que aquele episódio ajude outros pilotos a se apresentarem para reportar quaisquer incidentes semelhantes. O relatório, depois de avaliar todas as possibilidades do que os dois tripulantes da British poderiam ter encontrado, permaneceu inacessível, ou seja, fora do olhar do público.

O primeiro-oficial Stewart em foto publicada em jornal logo após o incidente com o objeto não identificado

Não é fácil chegarmos a uma conclusão a respeito deste evento, especialmente quando não se conseguiu falar com as duas testemunhas em questão. Tentamos várias vezes obter uma entrevista, mas não fomos os únicos a recebermos uma negativa devido à publicidade que o avistamento obteve. Quando lemos o relatório oficial, parece que os técnicos da Autoridade de Aviação Civil debateram todas as possibilidades. Sabemos que à época houve uma discussão dizendo que os dois pilotos podem ter sido testemunhas de um meteoro ou talvez até de um pedaço de detritos espaciais, mas isso jamais poderia ter ocorrido.

No entanto, ambos os pilotos estavam convencidos de que o que viram não era nada convencional e que chegou tão perto de sua aeronave que eles instintivamente se abaixaram quando pensaram que o objeto iria colidir com o avião. Assim, quando olhamos para todas as evidências, acreditamos que esse incidente deva permanecer como não identificado ou “não resolvido”, como diz o relatório oficial. Como foi dito acima, o documento elogiava os dois pilotos e dizia esperar que isso encorajasse outros a se apresentarem. Gostaríamos de saber se isso chegou a acontecer.

 

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Sobre o Autor

Philip Mantle

O autor é considerado, junto com Paul Stonehill, os maiores especialistas em Ufologia Russa da atualidade. É inglês residente em West Yorkshire, sempre se interessou por assuntos paracientíficos, tendo abraçado a Ufologia ainda quando adolescente. Seu interesse pela presença alienígena na Terra teve início no fim da década de 70, quando entrou para a Yorkshire UFO Society. Ele organizou congressos e dirigiu investigações, o que lhe permitiu conhecer a fundo o Fenômeno UFO e realizar trabalhos de grande profundidade sobre observações de discos voadores e contatos com extraterrestres em várias regiões da Europa. É dele também Without Consent, em co-autoria com o também britânico Carl Nagaitis, e Beyond Roswell, com o alemão Michael Hesemann. Consultor da Revista UFO desde 2000, Philip Mantle também é autor de Alien Autopsy Inquest, em que trata da fraude perpetrada por Ray Santilli e seus associados, na década de 90.

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