ARTIGO

Os koldasianos e sua saudação ao planeta Terra

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga | Edição 76 | 01 de Fevereiro de 2014

Na história recente da humanidade, são milhares as pessoas que afirmam estar aguardando o derradeiro momento de se encontrarem com seres de outras civilizações cósmicas mais avançadas
Créditos: EDITORIA DE ARTE

Os koldasianos e sua saudação ao planeta Terra

O caso de alegado contatismo a seguir, repleto de alegações inverossímeis, constitui uma das mais bem sucedidas tentativas de manipulação da Comunidade Ufológica Mundial. A falecida ufóloga sul-africana Cynthia Hind o acompanhou de perto, dedicando-lhe dois capítulos de seu livro UFOs: Contatos Africanos [Francisco Alves Editora, 1987] e fazendo-o tema de sua conferência apresentada em 30 de agosto de 1988 durante o 1º Congresso Internacional de Ufologia do Rio de Janeiro. Tudo começou em abril de 1976, quando o ufólogo Carl van Vlierden comunicou a Hind que estava deixando o grupo Mutual UFO Network (MUFON), onde atuava como investigador de campo.

O motivo se devia ao envolvimento com um homem chamado Edwin W. — o sobrenome nunca foi revelado —, que estaria recebendo mensagens de rádio vindas do espaço. Vlierden ficara impressionado com o conteúdo das mensagens e planejava reuni-las em um livro, tarefa que preencheria grande parte de seu tempo, “não desejando gastá-lo com investigações ufológicas clássicas”, como disse. Posteriormente ele seria lançado com o título de UFO Contact from Planet Koldas [UFO Photo Archives, 1986], escrito em parceria com o ufólogo norte-americano Wendelle C. Stevens, também já falecido. Os pequenos detalhes deste episódio são necessários para que se conheça a trama em profundidade.

Hind reagiu inicialmente com descrença à descrição que Vlierden dera das supostas experiências de Edwin — para ela, tratava-se de uma fraude muito bem urdida. A honestidade de Vlierden não fora posta em dúvida por ele ter se associado ao caso e a Edwin, pois realmente acreditava de boa fé no que defendia, mesmo que visse que o suposto contatado tinha a tendência de manobrar pessoas simples e ingênuas. Posteriormente, Hind conheceu Edwin pessoalmente e ficou sabendo que vários grupos espalhados pelo mundo recebiam mensagens parecidas, ainda que não por meio do rádio — a maioria por vias telepáticas ou mediúnicas. Assim, inicialmente, a ufóloga considerou tremendamente difícil que a motivação por trás delas fosse meramente a aferição de vantagens econômicas ou pessoais. Atenhamo-nos aos exemplos por ela citados.

Sinal em código morse

Por volta das 03h00 de uma madrugada de 1953, Wes Cairnduff, residente em Barramata, Colúmbia Britânica, Canadá, monitorava o power pack do seu aparelho de rádio prefixo VE7 AEN, cuidando para que não ficasse quente demais, quando um sinal em código morse entrou na sua frequência, identificando-se como “CQ”. Cairnduff achou aquilo muito estranho — o som soava como se fosse produzido por uma máquina, pois era puro e perfeito, ao passo que nessa época as transmissões oscilavam e tremulavam. Ele respondeu a chamada e levou tanto tempo para obter um retorno — quase dois minutos — que quase desistiu de esperar. Mais uma vez Cairnduff respondeu e novamente amargou a demora. Perguntou então qual a razão desse hiato e soube que era porque a fonte — uma nave-mãe — encontrava-se muito distante, mais exatamente em Andrômeda. Ele não fazia ideia onde ficava Andrômeda e só depois ficou sabendo tratar-se de Nébula B, a galáxia M-31.

crédito: CLAUDEIR COVO
A ufóloga sul-africana Cynthia Hind, já falecida, que pesquisou o curioso caso de Edwin, nos anos 80
A ufóloga sul-africana Cynthia Hind, já falecida, que pesquisou o curioso caso de Edwin, nos anos 80

O interlocutor transmitia a mensagem em inglês porque, segundo explicou, haviam captado, estudado e decodificado o idioma. Em código morse, seu nome era Mue. Wes Cairnduff continuou conversando com Meu, embora desconfiasse de que fosse um de seus vizinhos fazendo uma brincadeira e ainda concordou continuarem conversando na noite seguinte, no mesmo horário. Desta vez Mue disse estar em uma nave pequena, mais ou menos sete quilômetros acima da casa de Cairnduff, sugerindo-lhe que saísse e procurasse por uma estrela brilhante se movimentando. Ele pôde visualizá-la, bem como os círculos que descrevia no sentido anti-horário. A visão convenceu-o de que Mue era um extraterrestre e a partir de então prosseguiu as conversações com redobrado entusiasmo.

O ET Mue descreveu os tipos de máquinas que possuíam, mas como na época não havia componentes equivalentes na Terra, Cairnduff nada compreendeu. Não teria ele, porém, dificuldades em aprender as instruções transmitidas por Mue para a montagem de uma antena. Assim que ele a instalou, seus vizinhos pensaram que fosse uma armadilha para pássaros. Composta de três camadas, a estrutura, amarrada com fios presos às cordas, media aproximadamente 13 m2. A fonte de alimentação era ligada a um fio de 72 Ohm. A antena permitiu a Cairnduff captar estações que ele nunca ouvira antes. Até quando desligada, a antena zumbia continuamente em uma frequência de 400 ciclos. Ao final de três meses, Mue alegou que tinha outra missão a cumprir e por isso encerraria os contatos. Wes Cairnduff nunca mais captou sua voz. Sempre que contava aos amigos o que vinha lhe acontecendo, estes o ridicularizavam, tomando-o como vítima de uma brincadeira qualquer.

“Sobra pouco tempo”

Em outra instância do intrincado acontecimento, a programação normal de 26 de novembro de 1977 da Rede de Televisão BBC foi abruptamente interrompida. Houve inicialmente uma série de blips, seguida por uma mensagem que durou dois minutos: “Esta é a voz de Asteron. Tenho uma mensagem para o planeta Terra. Nós estamos começando a entrar na Era de Aquário e existem muitas correções a serem feitas pelos povos da Terra. Todas as vossas armas do mal devem ser destruídas. Sobra pouco tempo para vocês continuarem a viver em paz. Vocês deverão morar juntos em paz ou deixar a galáxia”. Asteron disse ainda ser representante autorizado de uma tal Missão Intergaláctica. Mais tarde, a BBC emitiu uma declaração em que explicava que os efeitos haviam sido perpetrados por um grupo de estudantes equipados com transmissores piratas sofisticados e caros. Para Hind, no entanto, a interferência na programação da BBC constituía-se um tremendo mistério que se ligava de alguma forma com o caso de Edwin.


Vlierden conhecera Edwin por intermédio de Philip Human, o primeiro a divulgar os contatos ainda nos anos 60. Com a morte de Human, Vlierden assumiu a “guarda” de Edwin. As transmissões haviam iniciado em 1962 e continuavam ocorrendo por ocasião da visita de Hind. Edwin era alto, com quase dois metros de altura, ombros largos, cabelo castanho ondulado, rosto fino, boca larga e olhos escuros. Cursara eletrônica em 1960, e aos 18 anos trabalhava como mecânico de rádio em uma fábrica de grande porte no sul de Durban. Uma vaga para superintendente foi aberta no setor da fábrica onde Edwin trabalhava, e um homem chamado George foi contratado para o posto. Edwin e George simpatizaram-se imediatamente um com o outro. George morava sozinho em um hotel de Durban, e Edwin passava todos os dias ali para dar-lhe carona.


Edwin era solteiro e nos fins de semana costumava levar George para pescar. O local preferido ficava em Patterson Groyne, em Durban. A amizade cresceu rapidamente. Para Edwin, George procedia de Johannesburgo, pois demonstrava conhecer bem aquela cidade, palco de sangrentos conflitos políticos e raciais. George, entretanto, falava pouco de seu passado. Certa noite, durante uma das pescarias, viram uma luz cruzando o céu. “Será que é o Sputnik ou um disco voador?”, comentou Edwin. “O que é que você sabe a respeito de discos voadores?”, perguntou George. Edwin respondeu que nunca se aprofundara no assunto, mas tinha certeza de que havia “algo lá fora”. Desde então, o assunto tornou-se motivo de conversas frequentes. George insistia em fazer perguntas do tipo “Você acredita em vida fora da Terra?”, até que um dia prometeu-lhe: “Eu vou lhe dar uma prova definitiva de que nem todas as luzes no céu são Sputniks. Aí você vai ficar convencido de que os discos voadores existem realmente”.

Linguagem desconhecida

A essa altura, já entulhado de apologias, Edwin estava mais do que propenso a acreditar. Naquele mesmo dia, marcaram uma pescaria para sábado à tarde. Quando Edwin foi buscar George, notou que ele levava consigo uma mala de couro preto. Aquela noite de verão natalino em Patterson Groyne estava quente e agradável. Edwin e George atravessaram a madrugada pescando. Quando os demais pescadores já tinham ido embora, George anunciou que gostaria de mostrar algo. Abriu a mala e expôs à luz da lanterna de Edwin uma espécie de aparelho de rádio. George puxou uma antena telescópica, duas varas verticais unidas por uma peça horizontal, formando um H, com cerca de 1,50 m de altura.

Esta é a voz de Asteron. Tenho uma mensagem para o planeta Terra. Nós estamos começando a entrar na Era de Aquário e existem muitas correções a serem feitas pelos povos da Terra. Todas as vossas armas do mal devem ser destruídas

Daí a pouco se ouvia uma linguagem desconhecida e 15 minutos depois aparecia um estranho ponto de luz branco-azulado no céu. Claramente delineado, não pulsava. Desta vez, para espanto de Edwin, as palavras saídas do aparelho eram ditas em inglês. A voz se identificou como sendo Wy-Ora, comandante da nave avistada. Ele e seus companheiros eram procedentes do planeta Koldas, um dos que integravam uma tal de Confederação dos Planetas. Wy-Ora revelou que George, cujo verdadeiro nome era Valdar, havia sido enviado à Terra com a missão de incumbir alguém de organizar um grupo voltado à disseminação de informações a respeito dos extraterrestres. “Se é de seu interesse, gostaríamos que você formasse esse grupo para nós”, convidou Wy-Ora com uma voz harmoniosa e melodiosa.


Demonstrando suas capacidades, Valdar instruiu Wy-Ora em língua alienígena e a luz se moveu de leste a oeste e de norte a sul antes de partir a uma incrível velocidade. Fascinado e estupefato com tudo aquilo, Edwin aceitou o convite, mas ressalvou que se achava muito jovem e inexperiente para assumir tamanhas responsabilidades. George, porém, destacou suas qualidades e o encorajou a servi-los. A par do verdadeiro nome de George, Edwin passou a chamá-lo de Valdar quando estavam a sós. A amizade de Edwin e Valdar se fortaleceu com o passar dos meses. Valdar era um homem alto, de boa constituição física, de cabelos e olhos pretos, aparentando uns 35 anos. A sua bondade e bom humor comoviam Edwin. Uma das expressões preferidas de Valdar era: “Nunca se aborreça”. Certa vez, Edwin encontrava-se de plantão na hora do almoço quando viu Valdar movendo “no braço” uma máquina pesada.

Confederação dos Doze Planetas

Pouco antes, esta tinha sido transportada para o interior da fábrica por um guindaste e empurrada por cinco homens até a plataforma. Os líderes do planeta Koldas, segundo Valdar, gostariam que a Terra se tornasse o 13º membro da Confederação dos Doze Planetas. Até a sua partida, Valdar passava grande parte do tempo na biblioteca, lendo e estudando. “Ele se interessava particularmente pelas diversas religiões da Terra. Participava de serviços religiosos em igrejas, como observador sem preconceitos”. A violência, a desorganização, o abuso de drogas e o alcoolismo entristeciam o quase sempre alegre Valdar. Ele explicou a Edwin que a Confederação não tencionava interferir no desenvolvimento da humanidade, mas andava preocupada com o uso de artefatos nucleares. Centenas de seres espaciais feitos Valdar viviam disfarçadamente na Terra por períodos que variavam entre um e cinco anos cumprindo missões de estudo da sociedade humana.


Chegou afinal o dia da partida de Valdar, um mês após ter se demitido do emprego. Sábado de manhã, pediu a Edwin para levá-lo à praia em Richard’s Bay, naquela época praticamente deserta. Pescaram e conversaram até às 22h00, horário em que a maré baixara e descortinara uma ampla faixa de areia branca. Valdar despiu sua roupa de uso cotidiano e vestiu um macacão de uma só peça com zíper. Em seguida, recomendou a Edwin que se escondesse atrás de uma duna de areia: “Você não está treinado como eu para suportar os efeitos da nave espacial”.

crédito: Alexandre Jubran
Em nove a cada 10 casos de alegado contatismo com seres superiores, os interlocutores terrestres recebem alertas quanto ao futuro do nosso planeta e a possibilidade de extinção
Em nove a cada 10 casos de alegado contatismo com seres superiores, os interlocutores terrestres recebem alertas quanto ao futuro do nosso planeta e a possibilidade de extinção

Edwin relutou em aceitar que seu bom e confidente amigo dos últimos 24 meses estivesse partindo para sempre. Como manteriam contato se ficariam separados por anos-luz de distância? Valdar apertou a mão de Edwin e entregou-lhe uma pequena caixa-preta. “Isto é para você”, disse ele, afastando-se rapidamente. Atrás da duna, Edwin observou a chegada de um disco voador de aproximadamente 50 m de diâmetro encimado por uma cúpula. O disco aterrissou emitindo um barulho surdo, áspero, e estendendo uma coluna que o susteve a uns dois metros da areia. Na base da coluna, uma porta deslizante se abriu, dando acesso a um elevador que conduziu Valdar para dentro do disco. Em poucos segundos, este era apenas um ponto de luz no céu. Naquela noite, ao retornar à sua modesta casa nos canaviais ao norte de Durban, compartilhada com a irmã casada e alguns membros da família, Edwin ficou meditando sobre os estranhos eventos dos últimos dois anos.

Civilização bondosa

Certa noite, tempos depois, Edwin ouvia uma estação de rádio comercial quando a música foi subitamente interrompida pela voz de Valdar. Seu velho amigo mandou que ligasse, em horário específico, o aparelho com o qual lhe presenteara. Edwin ainda morava com sua irmã, por isso se embrenhava nos canaviais carregando o aparelho momentos antes das chamadas de Valdar. As transmissões, em frequência quase que mensal, eram feitas em inglês. Por meio delas, Edwin ficou sabendo que os koldasianos compunham uma civilização bondosa e avançada. Suas naves seriam capazes de viajar tão depressa que o tempo se tornava irrelevante. Valiam-se dos campos magnéticos que fluiriam como correntezas por todo o universo, ligando os pontos mais distantes.


Nos limites extremos desses campos a velocidade excederia à da luz, embora no centro não houvesse o mínimo movimento. O Sol forneceria energia para os motores magnéticos das naves que mudariam de direção simplesmente virando os lemes na direção da corrente magnética desejada. O voo magnético provocaria a desmaterialização e a rematerialização das naves, e consequentemente os viajantes em seus interiores teriam os seus corpos fluidificados durante a viagem. Passados alguns meses, Edwin já tinha conseguido arrebanhar um pequeno grupo de seguidores. Concebera uma doutrina, fundamentada na asserção de que “grupos perversos na Terra andavam espalhando falsas mensagens no intuito de debilitar e confundir, semeando o joio no meio do trigo”.


Tais grupos, controlados por uma “raça maligna do espaço”, visavam impedir os esforços dos koldasianos em salvar a Terra. Era preciso, portanto, engajarem-se nessa guerra espacial contra os grupos inimigos que haviam penetrado em todos os níveis da sociedade e em todos os governos do mundo. Em 27 de junho de 1977, Vlierden levou Hind à residência de Edwin, localizado no coração de Pinetown, a 20 km de Durban. Edwin apresentou a esposa e os dois filhos, um dos quais com o mesmo nome do comandante do espaço. Antes de adentrar na casa, Hind notou o que parecia ser uma antena standard FM no telhado. Vlierden esclareceu que a tinha modificado para que captasse sinais emitidos por uma nave pairando 530 km acima. Edwin mostrou a Hind o rádio que ganhara de Valdar permitindo-lhe que o examinasse à vontade. Tratava-se, aparentemente, de um aparelho industrial, como qualquer outro fabricado na Terra. Hind, sem nenhum conhecimento de eletrônica, nada pôde depreender. Vlierden, que por coincidência — ou não — era radioamador, explicou que os sinais recebidos diferiam das ondas normais de rádio.

Pulsações eletromagnéticas

Sabemos que a comunicação entre pontos distantes é realizada por meio de ondas eletromagnéticas irradiadas através do espaço, utilizando energia disseminada em vez de energia conduzida. As ondas eletromagnéticas irradiadas são empregadas de várias maneiras. Elas podem ser moduladas de forma que transportem o equivalente elétrico das ondas sonoras. No receptor se reproduz o som original, vocálico ou musical. Este é o caso da radiotelefonia, a mais generalizada de todas as aplicações de rádio. Por meio das ondas, podem ser transmitidas pulsações eletromagnéticas que reconstituem no receptor, uma cena irradiada pelo transmissor. Tal é o caso da televisão.


O rádio transforma as correntes de radiofrequência captadas por uma antena em correntes de frequência audível. Os circuitos oscilantes formam a base da transmissão e recepção. As oscilações eletromagnéticas se propagam pelo espaço à velocidade da luz e atravessam todos os corpos não condutores de eletricidade. Entre essa velocidade, o número de oscilações e o comprimento da onda há uma relação fixa. O poder de propagação das mesmas depende de vários fatores, entre os quais sobressaem o comprimento da onda, o fading e a reflexão da chamada capa de heaveside, a ionização atmosférica causada pela ação solar etc.

O voo magnético, como o que se imagina para viagens espaciais, provocaria a desmaterialização e a rematerialização das naves, e consequentemente seus tripulantes teriam os seus corpos fluidificados durante o trajeto

Esquematicamente, a transmissão ou emissão consiste no seguinte: o transmissor entrega ao circuito oscilante final, cujo elemento principal é a antena, a energia radiofrequente. Esta é obtida em uma das partes de que se compõe o transmissor — a osciladora só, ou associada à amplificadora final. Outra parte importante de um transmissor é também aquela em que se processa o preparo da energia elétrica para as várias partes do transmissor, como redução ou elevação da tensão, retificação, filtragem etc. O sistema de recepção, em suma, funciona da seguinte maneira: as ondas de rádio, captadas pela antena do aparelho receptor, são transformadas em corrente elétrica que é levada até o circuito de entrada do aparelho. Esta corrente oscilante, por ser muito fraca, é amplificada.

Comunicações inusitadas

As estações de ondas curtas transmitem os programas em amplitude modulada RF carrier, enquanto os koldasianos dirigiam uma energia de 12 volts à antena de Edwin. A antena se ligava ao suprimento de energia na parte traseira do receptor, e não ao estágio RF. Essa simples modificação evitava que os vizinhos captassem as transmissões. Não havia necessidade de ligar o gravador separadamente, pois logo que a energia entrava pela antena, acionava automaticamente tanto o receptor como o gravador. No entanto, ao contrário do que disse Hind, isso não é algo assim tão incomum. Um dos polos da tomada, de preferência o neutro, serve de antena para alguns tipos de rádio, sendo que ele é ligado à bobina e ao capacitor variável, por intermédio de um capacitor cerâmico.


À espera de uma transmissão, ficaram a conversar na sala. O clima em Durban é subtropical, típico da costa leste. Naquela época do ano o inverno estava no auge. O frio aumentava com a aproximação da noite. Pouco antes das 20h00, Hind notou que Edwin e Vlierden observavam ansiosamente seus relógios de pulso e trocavam cochichos. De repente, o alto-falante emitiu um zunido, ecoando com grande estrondo, tão grande que Edwin teve de abaixar o volume. Segue a transcrição parcial da mensagem, corrigida e adaptada por Hind:

crédito: Dart Ogden
Koldas seria um planeta com harmonia e equilíbrio entre tecnologia e espiritualidade, tudo aquilo que os humanos sonham, em vão, que ocorra na Terra
Koldas seria um planeta com harmonia e equilíbrio entre tecnologia e espiritualidade, tudo aquilo que os humanos sonham, em vão, que ocorra na Terra

“Aqui é Epicot. Eu sou o comandante Herrenoah, da Divisão Astrael de Epicot, chamando a Base da Confederação no planeta Terra. Minhas saudações para todos os presentes nesta noite. Saudações minhas e de toda a minha equipe nesta nave. Saudações também dos Altos Superiores, que enviam seus melhores votos de felicidade a vocês e seu povo do planeta Terra. Eu sou seu locutor de hoje, pairando a 530 km acima de sua sede. Sei que hoje há visitas e uma, em especial, está na sua base esta noite [Referindo-se a Hind]. Gostaria de estender minhas saudações à sua visita e expressar nosso agradecimento ao trabalho que ela andou fazendo junto a Carl na elaboração desse livro”.


“Gostaria de dizer que a Confederação e Epicot a apreciam muitíssimo, mais do que as palavras podem expressar no presente momento. Realmente, estamos muito gratos e felizes por ela estar conosco esta noite, podendo falar diretamente com ela por intermédio desta transmissão. Esperamos poder retribuir no futuro o trabalho despendido na ajuda que deu ao Carl. Claro, você bem pode entender, só podemos recompensá-la de modo costumeiro à Confederação dos Doze Planetas. Isto significa trazer tranquilidade e um novo modo de vida aos povos do planeta Terra”.

“Não comemos carne, só peixe”

Herrenoah prossegue transmitindo um relatório sobre Epicot: “Como vocês sabem, Epicot é um planeta recentemente descoberto em seu universo. Foi descoberto pela Confederação dos Doze Planetas e situa-se na Via-Láctea. Mas é um planeta que ainda se encontra nos estágios iniciais de vida. Quando a Confederação se separou deste universo, Epicot teve que manter-se sozinho e resguardar-se a si próprio. Nós não possuíamos os equipamentos, nem as máquinas necessárias, apesar de a Confederação já ter construído o que estava ao seu alcance neste planeta, antes do início das turbulências e da separação dos universos ter ocorrido. Ela nos deixou mal preparadas para podermos enfrentar as difíceis condições que prevaleceram durante as estações invernais”.


Continua a inusitada transmissão: “Assim mesmo, tivemos que nos satisfazer com o que dispúnhamos, e muito aprendemos com isso. Também tivemos muita sorte em receber visitas do Terceiro Universo. Essa gente maravilhosa nos passou muitas informações vitais e nos ensinou como melhorar nossa tecnologia em muitos detalhes. Não nos alimentamos de carne de animais, mas comemos peixe. Temos muita sorte aqui, porque em Epicot possuímos grandes mares de água doce, onde o peixe é abundante. Existem grandes frotas de barcos pesqueiros que zarpam diariamente para o mar. Nossos veículos terrestres flutuam a uns 45 cm do solo. São impulsionados por motores magnéticos. Não há poluição. As nossas cidades possuem edifícios magníficos. As pessoas não precisam caminhar, pois existem esteiras rolantes que nos conduzem de um lugar a outro.

As oscilações eletromagnéticas se propagam pelo espaço à velocidade da luz e atravessam todos os corpos não condutores de eletricidade. Entre essa velocidade, o número de oscilações e o comprimento da onda há uma relação fixa

Assim que as transmissões começaram, Edwin buscava desesperadamente convencer outras pessoas de sua autenticidade. Ridicularizado, passou a somente dizer: “Se você quiser acreditar que isso é verdade, tudo bem. Mas se você não acreditar é problema seu”. A vida de Edwin mudou bastante ao longo dos anos. Obteve promoções no trabalho, comprou uma bonita e espaçosa casa e superou muitos dos problemas que o afligiam. Não obstante, nem mesmo os koldasianos puderam ajudá-lo quando, devido a uma recessão econômica que atingiu a África do Sul, passou vários meses desempregado. Nesse período, Vlierden também enfrentou sérias dificuldades financeiras. As investigações atestaram que George realmente existiu — seu nome aparece registrado nas folhas de marcação de ponto relativas aos 24 meses em que trabalhou na fábrica.

“Um instrumento deles”

Se por um lado Hind se posicionou com reservas, por outro não escondeu sua simpatia pelo caso: “Existem maníacos no mundo, pessoas que fariam qualquer coisa para impressionar um público crédulo. Mas não posso acreditar que Edwin ou Vlierden pertençam a esse grupo, ou que Edwin tenha conseguido ludibriar Vlierden, pois ele é, afinal, um engenheiro e um estudante de ciência”. Para ela, algumas das mensagens são repetitivas, ingênuas e de pouco impacto. “Talvez esteja mesmo acontecendo algo de muito sério, que nem Edwin nem Vlierden percebem”. Edwin confessou a Hind, em uma visita que esta lhe fez em 1988, que se sentia “um instrumento deles”, mas não se importava, pois tinha certeza de seus bons propósitos.


Para nós, é perfeitamente possível que grupos místicos e religiosos estivessem fazendo uso de equipamentos sofisticados para transmitir mensagens de rádio de modo a espalhar doutrinas esdrúxulas e cooptar inocentes úteis e adeptos, afinal, trata-se de um poderoso e eficiente meio de comunicação que vem sendo usado desde o seu advento, na década de 20, para informar, influenciar, guiar e controlar as massas. Retrospectivamente, as transmissões recebidas por Edwin, que por coincidência era técnico em eletrônica, assim como Vlierden era radioamador — eis uma dupla perfeita —, configuram um credo religioso com todos os seus componentes. A chamada transcomunicação espírita se vale, da mesma forma, de aparelhos receptores de rádio e televisão no intuito de provar, com resultados pra lá de duvidosos, a continuidade da vida além-túmulo. A única diferença é que Edwin e Vlierden intentam provar, com linguagem de filmes de ficção científica, a existência de vida extraterrestre.


O seriado Jornada nas Estrelas forneceu inúmeros elementos para contatados e abduzidos estruturarem suas narrativas. E este caso apresenta uma profusão deles, como as referências à pretensa existência de uma Confederação de Planetas, igualmente reivindicada pelos adeptos de Ashtar Sheran, e a uma guerra fria interplanetária de cunho maniqueísta, remetendo à rivalidade entre a Federação de Planetas e o Império dos Klingons. A alegação de que a novela de Edwin começou no final da década de 50, uma antes, portanto, da estreia de Jornada nas Estrelas na tevê, não serve e é irrelevante, já que só foi divulgada, como a conhecemos hoje, na década de 70.

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Sobre o Autor

Cláudio Tsuyoshi Suenaga

Nascido na capital paulista, em 26 de abril de 1971, desde cedo Cláudio Suenaga se sentiu atraído por tudo o que se relacionasse à ciência, ao oculto, insólito, paranormal e ao sobrenatural. Acabou sendo apresentado, ainda na adolescência, às primeiras revistas de Ufologia, despertando para o assunto em que foi se aprofundando na mesma medida de outros interesses, tais como a história, arqueologia, sociologia, antropologia, mitologia, folclore, filosofia, psicologia, literatura e cinema. Aos 18 anos de idade já publicava seus primeiros artigos em jornais e ingressava na Faculdade de História, formando-se aos 21 anos com um projeto delineado em mente: trazer a questão ufológica ao âmbito acadêmico. Enfrentando todo tipo de preconceitos, logrou a proeza de convencer um grupo de professores da viabilidade de seus propósitos e da seriedade de suas intenções e, em 1994, ingressou no curso de pós-graduação de História da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Em 1996, tornou-se consultor e membro do Conselho Editorial da Revista UFO, produzida pelo Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV), passando a escrever regularmente para a publicação. Contra a opinião dos bem-pensantes, antecipou, em meados da década de 90, o crescimento exponencial dessas seitas ufológicas e espiritualistas. Entre os inúmeros trabalhos que lançou, um dos que mais geraram celeuma resgata o caso do lavrador João Prestes Filho, que em um fatídico dia de Carnaval de 1946 morreu queimado com as carnes se soltando do corpo depois de ter sido atingido por uma luz misteriosa que veio do céu na cidade de Araçariguama, interior de São Paulo. Casos como este indicam que, ao contrário do que apregoam os adeptos das correntes angelicais, a humanidade não vem sendo protegida e assistida por garbosos comandantes intergalácticos.

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