ARTIGO

Os ETs vistos pelo Espiritismo

Por Ricardo Allysson Medeiros | Edição 253 | 01 de Dezembro de 2017

NÃO HÁ
Créditos: RAFAEL AMORIM, EXCLUSIVO PARA A REVISTA UFO

Os ETs vistos pelo Espiritismo

Bem antes de se pensar em UFOs ou de se cogitar que haveria uma linha de estudos chamada Ufologia, a discussão sobre a existência de vida em outros planetas já era algo presente no seio da humanidade. Na verdade, esse é um debate milenar, e mesmo que ele tenha ocasionalmente adormecido, jamais deixou de existir. Ainda que, vale lembrar, não houvesse qualquer comprovação científica que indicasse a existência de outros mundos habitados e seus habitantes se lançando ao espaço em máquinas voadoras.

A noção de que o universo está repleto de vida parece ser algo intrínseco ao espírito humano, uma verdade que conhecemos, mas que não sabemos explicar como, de forma que o assunto permeia a existência humana há milênios. Basta recordarmos que mesmo antes de desenvolvermos a escrita as pessoas já registravam os céus em desenhos e petróglifos. Mas por quê? Responder esta pergunta significa falarmos de um tema complexo, que sempre provoca resistências, pois estaremos discutindo como a Ufologia se relaciona com o Espiritismo e com a Espiritualidade.

Para fazê-lo, é imprescindível voltar no tempo e entender as obras de Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, já que foi ele quem trouxe, em seus trabalhos, inúmeros relatos originários de seres de outros pontos do universo, que hoje vemos como nossos visitantes extraterrestres. Mas antes de entrarmos no assunto em si, é necessário apresentar Allan Kardec aos leitores que porventura ainda não o conheçam ou que pouco saibam a seu respeito e de seu trabalho.

Estudioso e poliglota

Kardec, cujo nome original era Hippolyte Léon Denizard Rivail, nasceu em 03 de outubro de 1804 na cidade Lyon, França. Pertencente a uma antiga família católica cujos membros tradicionalmente seguiam carreiras na advocacia e magistratura, o jovem Hippolyte formou-se em ciência e letras aos 18 anos, quando então já dominava os idiomas alemão, italiano, espanhol, inglês, holandês, além, claro, do francês natal.

Após ter vários trabalhos publicados, o pesquisador retornou à França e se tornou membro de diversas sociedades acadêmicas, entre elas o Instituto Histórico de Paris e a Academia Real de Arras, essa última por meio de concurso no qual foi aprovado em 1831. Em 1854, começou a interessar-se pelo fenômeno das “mesas girantes”, que ganhara bastante notoriedade após os misteriosos eventos ocorridos na casa das irmãs Margaret e Kate Fox, em Hydesville, em Nova York. Mas foi apenas no ano seguinte, quando começou a frequentar as reuniões nas quais esses fenômenos se reproduziam, que o pesquisador realmente se decidiu a investigá-los a fundo.

Crédito: RAFAEL AMORIM

Os seres que vivem na Terra teriam uma conexão com os que vivem em outros pontos do nosso vasto universo?

Hippolyte ficou fascinado com as formas de codificação utilizadas pelos espíritos para comunicação com os humanos, que iam desde simples batidas nas mesas e cartas escritas pelas mãos dos médiuns até levitações de pesadas mesas de cedro e materialização e desmaterialização de objetos — os agentes que se comunicavam através do corpo dos médiuns diziam ser espíritos de pessoas que já haviam vivido naquela e em outras regiões.

Uma espécie de entrevista com várias perguntas foi feita com aquelas entidades, e como o fenômeno acontecia em todo o mundo, o pesquisador começou a trocar correspondências com investigadores de vários países, inclusive do Brasil. Nas cartas, ele enviava a todos as mesmas perguntas para que fossem feitas às entidades e recebia, posteriormente, as respostas. Após minuciosa avaliação, Hippolyte notou que em mais de 90% dos casos as respostas eram idênticas. Isso foi muito importante para atestar a veracidade das mensagens e também que realmente havia ali a presença de uma força inteligente se comunicando com as pessoas, invisível.

Em 1857, o pesquisador lançou na França sua primeira obra, intitulada Le Livre des Esprits [O Livro dos Espíritos. B. L. Garnier, 1875]. O livro continha os princípios da Doutrina Espírita sobre a imortalidade da alma, a natureza dos espíritos e suas relações com os homens. Também foram tratados nele temas como as leis morais, a vida presente e futura e o porvir da humanidade, tudo segundo os ensinamentos de “espíritos superiores”, que se comunicaram por meio de vários médiuns trabalhando de forma incansável sob suas rigorosas diretrizes. Já então com o nome de Allan Kardec, o pesquisador escreveu um total de oito obras que são consideradas a base fundamental para o estudo e entendimento do Espiritismo e seus fenômenos.

Outros mundos habitados

Agora apresentado aos leitores, vamos tratar das relações que o Espiritismo de Allan Kardec tem com o Fenômeno UFO e com os extraterrestres — elas estão em absolutamente todos os lugares, podem ser facilmente comprovadas e nada têm de místico ou religioso. Quando se começa a estudar a Codificação Espírita, usando um olhar imparcial, percebe-se que muitas das cartas que a fundamentam são assinadas por espíritos que relatam estar habitando outros planetas.

No terceiro capítulo do Livro dos Espíritos, Criação, um dos temas abordados diz respeito à pluralidade dos mundos habitados. Kardec pergunta aos espíritos se todos os orbes que existem no espaço são ocupados por seres, e recebe a seguinte resposta: “Sim, o homem terreno está bem longe de ser, como acredita, o primeiro em inteligência, bondade e perfeição. Há, entretanto, homens que se julgam espíritos fortes e imaginam que só este pequeno globo tem o privilégio de ser habitado por seres racionais”.

 

Disse a entidade: ‘Sim, o homem terreno está bem longe de ser o primeiro em inteligência, bondade e perfeição. Há, entretanto, homens que se julgam espíritos fortes e imaginam que só este pequeno globo tem o privilégio de ser habitado por seres racionais’

Kardec usava a técnica, já descrita, de fazer perguntas aos espíritos e aguardar suas respostas — várias delas buscavam esclarecer ao máximo as indagações sobre a vida no universo. Quando perguntou aos seus interlocutores espirituais sobre a aparência e constituição física dos habitantes de outros planetas, estes lhe asseguraram que são muitas e em muitos casos totalmente diferentes da nossa. Seguindo esse entendimento, podemos pensar que existam no cosmos milhares de componentes físicos e elementos químicos, em números que vão muito além do que registra nossa tabela periódica.

Em 1911, o físico neozelandês Nelson Ernest Rutherford descobriu que o átomo não é a menor partícula da matéria, como imaginou-se por milênios, e com os passar dos anos fomos informados de que ele é, na verdade, um microcosmos peculiar e plural, que desafia nossa inteligência. Isso significa que arranjos físicos, químicos e biológicos sobre os quais nada sabemos podem estar espalhados pelo universo. Os espíritos consultados a respeito reforçam, na questão 57 do mesmo capítulo Criação, que assim como existem peixes na água e pássaros no mar, em outros lugares fora do planeta também existe vida em abundância.

Eles também esclareceram que o Sol não é a única fonte de luz e calor que existe. A eletricidade, por exemplo, é uma energia invisível que sempre existiu e que permitiu ao homem realizar proezas. Com o tempo tomamos conhecimento também das ondas de rádio, que permitem comunicações a longas distâncias e cuja versão mais aprimorada são as ondas wi-fi, que permitem até conversas interplanetárias. Desde 2014 é possível manter-se uma conversa com uma hipotética pessoa que esteja na Lua por meio de comunicação wi-fi, e isso é apenas o começo. Não fazemos ideia do que ainda temos a descobrir sobre o magnetismo e sobre outras forças terrestres que nos possibilitarão dar um salto na evolução humana.

Se levarmos a sério as informações de O Livro dos Espíritos, é possível estabelecer uma série de teorias e questionamentos plausíveis sobre vida extraterrestre inteligente. A lógica associativa empregada pelas entidades espirituais e transmitida por canais constituídos por pessoas comuns — em muitos casos analfabetas e incapazes de pronunciar palavras que desconheciam — já indica que algo muito especial acontece. Tais pessoas psicografaram textos que respeitavam a concordância verbal e as normas gramaticais do idioma específico da mensagem, sem nunca terem tido qualquer conhecimento da língua em que escreviam. Isso nos dá a certeza de que uma força inteligente realmente se comunicou com aquelas pessoas e que essa força é capaz de se conectar com qualquer ser humano, utilizando de seu “aparelho psíquico”.

A evolução moral

Na segunda parte de O Livro dos Espíritos, no capítulo que trata sobre a pluralidade das existências e da encarnação em diferentes mundos, Kardec discorre sobre as diversas existências corporais, perguntando se ocorrem todas no planeta Terra. A resposta das entidades espirituais é óbvia: “Não. Nós as vivemos em diferentes mundos. As que aqui passamos não são as primeiras, nem as últimas. São, porém, dentre as materiais, as mais distantes da perfeição”.

Perceba o leitor que a inteligência que responde à pergunta também se inclui no contexto no qual nós, habitantes da Terra, estamos inseridos. Em uma única frase, o espírito fala que, antes mesmo da formação da Terra, humanos e outros seres já habitavam outros planetas — e no processo de evolução por meio da reencarnação, passaram pela Terra para adquirir as mesmas experiências que nós estamos adquirindo agora. Isso nos leva a considerar a hipótese de que nós, humanos reencarnados, também sejamos seres extraterrestres, uma vez que já habitávamos outros mundos antes do surgimento de nosso Sistema Solar, e que nesse processo nossas memórias foram arquivadas para posterior utilização.

Crédito: HUFFINGTON POST

Os postulantes da Doutrina Espírita acreditam haver vida em Marte, mas esta seria ainda mais atrasada física e moralmente que a da Terra

Essa observação é reforçada pela pergunta de número 173 de O Livro dos Espíritos, sobre a possibilidade de termos várias encarnações em um mesmo mundo. A isso a inteligência respondeu que um espírito “pode viver muitas vezes no mesmo globo se não se adiantou bastante para passar para um mundo superior”. Ressaltamos que o parâmetro para determinar uma existência em outro planeta será a evolução moral. O livro também cita que nesse mesmo processo de reencarnação espíritos mais evoluídos surgem na Terra a fim de darem sua contribuição na evolução dos seres aqui viventes.

Segundo as entidades: “À medida que o espírito se purifica, o corpo que o reveste se aproxima igualmente da natureza espírita. Sua matéria torna-se menos densa e este deixa de rastejar penosamente pela superfície do solo, pois menos grosseiras se lhe fazem as necessidades físicas, não mais sendo preciso que os seres se destruam mutuamente para se nutrirem. O espírito se acha mais livre e tem, das coisas longínquas, percepções que desconhecemos. Vê com os olhos do corpo o que só com o pensamento escrevemos”.

Vida por todos os lados

A ciência, é claro, não aceita nenhuma dessas informações, uma vez que no entendimento científico é preciso que se comprove de forma inequívoca aquilo que se afirma, ou seja, que existe vida inteligente em outros planetas. Porém, o Fenômeno UFO existe, é real e concreto o suficiente para deixar marcas no solo, ser filmado e fotografado. Além disso, ele acontece em todos os lugares, e por mais que os governos tentem camuflar as informações a seu respeito, não conseguem impedir que as inteligências por trás dos UFOs se comuniquem com qualquer ser humano que quiserem, utilizando-se do fenômeno da mediunidade — elas deixaram bem claro que a vida está por todos os lados.

Em nota, Kardec observou que, “segundo os espíritos, de todos os mundos que compõem o nosso sistema planetário, a Terra é o que tem habitantes menos adiantados, física e moralmente. O planeta Marte estaria ainda abaixo, sendo o planeta Júpiter muito superior à Terra em todos os aspectos”. Nessa citação, parece claro que estamos muito abaixo do mínimo necessário para mantermos uma conexão com seres mais adiantados. Mas ainda assim, do mesmo modo como os espíritos se comunicam com os humanos por meio da mediunidade, os extraterrestres também o podem fazer, utilizando exatamente o mesmo mecanismo. Contudo, o homem vive de forma tão egoísta e tão voltado para seus próprios interesses que não consegue captar as mensagens que estão vibrando na Terra há milênios.

Allan Kardec continua sua observação em O Livro dos Espíritos dizendo que “o Sol não seria um mundo habitado por seres corpóreos, mas simplesmente um lugar de reunião dos espíritos superiores, que de lá irradiam seus pensamentos para outros mundos que dirigem por intermédio de espíritos menos elevados. Considerando do ponto de vista da sua constituição física, o Sol seria um foco de eletricidade. Todos os astros estariam em situação análoga”.

Ufologia e Espiritualidade

A natureza sutil dos corpos e a forma de comunicação que empregam, uma espécie de “fluído universal”, seriam as formas mais objetivas e fáceis que os espíritos usaram para exemplificar o método de conexão que utilizam para se unirem e trocarem informações. Mas será que os humanos teriam essa habilidade? A resposta também está na mediunidade — a Filosofia Espírita há muito relata que a conexão depende apenas do aperfeiçoamento moral do homem e de seu interesse em buscar algo além do que a vida material na Terra oferece.

Nos parece claro que existe um plano de melhoria para nosso planeta, executado por uma parceria entre espíritos evoluídos e extraterrestres. O que nos falta é prestarmos atenção ao que acontece à nossa volta, deixando de lado preconceitos e dogmas religiosos. Isso dificulta a comunicação com seres superiores, uma vez que preconceitos e dogmas mantêm o espírito e a inteligência humana estacionados e blindados a qualquer modificação — é como se alguém nos entregasse uma carta e nós simplesmente a jogássemos no lixo, sem sequer abrirmos o envelope.

Segundo os espíritos, de todos os mundos que compõem o nosso sistema planetário, a Terra é o que tem habitantes menos adiantados, física e moralmente. Marte estaria ainda abaixo, sendo o planeta Júpiter muito superior à Terra em todos os aspectos

A relação entre Ufologia e Espiritualidade não é incomum e nada tem de subjetivo, místico ou religioso. Seus fenômenos podem se entrelaçar em diversas ocasiões, mas gerando incertezas quando se depende de uma análise de caráter exclusivamente material. Nem sempre a ciência dispõe de recursos suficientes para explicar todos os eventos associados ao Fenômeno UFO. Nesses casos, a Espiritualidade pode — por meio de antigos textos de natureza metafísica ou de atividades mediúnicas — ajudar na elucidação de aspectos que parecem obscuros. Em outros casos, a Ufologia complementa o aprendizado que o estudo da Espiritualidade pode nos fornecer por meio dos fenômenos físicos que apresenta.

A associação entre as duas áreas pode ser observada desde a própria origem da vida. Os espiritualistas nos relatam que a Força Criadora representada pela figura divina moldou os primeiros espíritos, que, ao longo do tempo, adquiriram a capacidade de moldar os primeiros corpos materiais, que conservaram o modelo dos espíritos que os geraram. Progressivamente, espíritos mais experientes deram seguimento à construção de novos mundos e de novas formas de vida, gerando sucessivamente a complexidade da forma orgânica que temos até hoje. E, assim, diversos mundos foram criados, nos quais seres distintos podem habitar.

A evolução do homem na Terra, entretanto, ainda permanece um enigma cheio de lacunas. Sabemos, pelo estudo da antropologia, que diversas formas hominídeas habitaram o planeta durante períodos mais ou menos prolongados — algumas raças foram contemporâneas de outras, algumas foram únicas. O passar dos milênios determinou quais delas iriam prevalecer. Muitas mudanças ocorreram ao longo do tempo, até que o homem moderno aparecesse sobre a crosta terrestre. Apesar das evidências de sua presença e de todos os vestígios inerentes às diversas raças existentes na Terra, não encontramos resquícios de figuras intermediárias que se situariam entre as espécies, os chamados “elos perdidos”.

Elemento externo

A evolução não dá saltos, mas segue um padrão persistente e coerente que resulta na permanência das espécies no ambiente. No caso do homem não foi diferente. Entretanto, como se deu a transição de uma fase para outra? A Teoria da Evolução forneceu a compreensão dos mecanismos que resultam na prevalência dos seres na Terra, mas não responde a algumas lacunas. Como planetas em ebulição, com climas e superfícies instáveis, poderiam abrigar delicadas formas iniciais de vida a partir do nada?

O naturalista Alfred Russel Wallace, também estudioso da Teoria da Evolução, acreditava que um elemento externo influenciara o desenvolvimento da vida. A ideia de que uma série de acasos resultou na delicada e complexa organização de nossos ecossistemas não lhe parecia suficiente. Em artigo na Revista UFO, o ufólogo e autor espírita Pedro de Campos concordou com Wallace sobre a origem da vida nos instáveis climas dos mundos incipientes. “Eu tenho o mesmo pensamento que ele, ainda porque tal postulado está de acordo com a metafísica da Doutrina Espírita”, declarou Campos [Veja edição UFO 237, agora disponível na íntegra em www.ufo.com.br]. Ou seja, ambos afirmaram que o desenvolvimento da vida na Terra é resultado de um planejamento coerente e bem orquestrado a partir da Força Criadora.

Crédito: LAURA SCHAEFER

São incontáveis os planetas existentes no cosmos e uma grande parte deles tem vida inteligente. O contato com tais espécies já se faz
via mecanismos estudados pelo Espiritismo

Ele ainda nos esclarece que o aprimoramento genético das espécies, como resultado de uma ação doadora externa, pode ser visto dentro de três aspectos: no campo espiritualista a partir de Deus, na crença espírita na atuação dos prepostos da Causa Primeira como responsáveis, e na Ufologia pelos extraterrestres. Quando analisamos os vestígios da presença no passado do planeta de algumas avançadas civilizações extraterrestres, em detrimento de outras, podemos especular que um elemento externo atuou na diferenciação das diversas culturas que aqui floresceram.

Conforme acreditam os defensores da Teoria dos Antigos Astronautas, a raça humana foi manipulada ao longo das eras por inteligências extraterrestres superiores, de forma a permitir seu desenvolvimento. Informes provenientes da literatura espírita também nos trazem a compreensão de que seres de elevado desenvolvimento colaboraram com a nossa evolução. Como afirma Campos, “chamá-los de extraterrestres, anjos, deuses, espíritos ou qualquer outro nome é indiferente. As evidências práticas de suas realizações são mais importantes do que a denominação”.

Imagem do Criador

A possibilidade de ter havido uma interferência extraterrestre na história da evolução humana nos leva a imaginar que espécies alienígenas poderiam realizar tal feito. As experiências da abdução alienígena que ocorrem no mundo inteiro, e que só muito recentemente começaram a ser consideradas como legítimas pela Ufologia, também podem nos ajudar, uma vez que os informes vindos dos abduzidos são uma ferramenta válida para tentarmos identificar as espécies mais comumente associadas ao fenômeno. Tendo em conta que grande parte deles não apresenta quadro de doença mental prévia — não sendo, portanto, predispostos a apresentarem sintomas de alucinação ou delírios —, seus relatos podem revelar importantes características dos seres envolvidos nos eventos.

Dentre as distintas espécies alienígenas relatadas por testemunhas do Fenômeno UFO em todo o planeta, merece destaque aquela conhecida como loiros altos ou nórdicos, descrita em vários casos de sequestros extraterrestres em todo o mundo. O brasileiro Rogério Bin, também em entrevista à UFO [Veja edição 233, idem], revelou detalhes sobre sua experiência, ocorrida entre os anos de 1979 e 1980, em São Paulo, e contou que ao ser levado para o interior de uma nave por uma luz alaranjada encontrou “dois seres muito bonitos e altos, com 2,5 a 3 m de altura”.

Seus raptores confirmaram ao rapaz outra abdução que o pai de Bin relatara anos antes, e acrescentaram que “extraíram o sêmen dele”. Ainda de acordo com o entrevistado, “comentaram também que esse procedimento é feito para a melhoria da espécie humana. Assim, muitos seres humanos são mudados geneticamente na Terra e no universo. Tudo para o avanço, tudo para se trabalhar pelo bem da família universal”. Quando questionado sobre quem seriam esses seres, Rogério Bin respondeu que “são eles quem ensinam e ajudam outras raças alienígenas a evoluírem no universo”.

A evolução não dá saltos, mas segue um padrão persistente e coerente que resulta na permanência das espécies no seu ambiente específico. No caso do homem terrestre não foi diferente. Entretanto, como se deu a transição de uma fase para outra?

Por sua vez, a canadense Miriam Delicado, em outra entrevista à UFO [Edição 220, idem], revelou que passou por uma experiência de abdução em 1988, quando estava com apenas 22 anos. Ao voltar de viagem de férias para Vancouver, Canadá, o carro em que se encontrava foi perseguido por luzes estranhas — quando elas se aproximaram do veículo, todos os amigos de Miriam adormeceram e a motorista levou o carro para o acostamento, antes de também dormir. A seguir, um pequeno UFO parou defronte ao veículo, cercado por névoa. De seu interior saíram pequenos seres de estatura em torno de 1,2 m, que vieram ao encontro da testemunha — eles a levaram para o interior de um segundo UFO, de grandes dimensões.

Lá Miriam foi recebida por outros de aspecto humanoide, altos, loiros e de olhos azuis. Os alienígenas lhe apresentaram a história da humanidade desde seu passado remoto e apontaram possíveis futuros caminhos para nossa espécie. A contatada também foi informada sobre sua influência em nosso passado. “Eles ajudaram a criar os corpos humanos nos quais vivemos hoje. O que entendo é que os nórdicos tiveram contato com seres humanos em nosso passado distante”, declarou Miriam.

Em seu livro Blue Star: Fulfilling the Prophecy [Estrela Azul: Cumprindo a Profecia. Trafford Publishing, 2007], Miriam Delicado relata com detalhes sua experiência e esclarece que seus abdutores não se consideram deuses. Essa informação é sempre reiterada em suas palestras, conforme se pôde verificar em recente apresentação da pesquisadora. Enfim, as revelações expostas nos exemplos acima nos sugerem que os nórdicos podem ser coparticipantes na criação de nossa estrutura física desde há muito. Raciocínio semelhante é demonstrado na literatura espírita, quando se fala na elaboração das diversas formas de vidas por entidades mais evoluídas. Fariam os nórdicos parte dos seres apontados para esse processo?

Capela e seus habitantes

A certa altura da entrevista à UFO, Miriam revela que, “antes de vir para cá, muitos de nós fomos um daqueles louros altos ou quiçá outra raça de extraterrestres”. A afirmação gera um questionamento acerca de nossa real origem. Fomos sempre seres terrestres ou procedemos de outros planetas? No célebre livro espírita Os Exilados da Capela [Editora Aliança, 1951], o escritor Edgard Armond descreve a trajetória de uma espécie alienígena, a qual chama de capelinos.

A obra nos informa que um dos planetas que giram em torno da estrela Capella, na Constelação de Auriga, alcançou a possibilidade de transitar para um estado de maior evolução. Os capelinos que à época não apresentavam um grau de evolução moral condizente com seu mundo, foram enviados para um mais primitivo, ainda em formação, a Terra, de forma a resgatarem, a partir das experiências vividas no novo orbe, o aprendizado moral necessário para evoluírem. O tema é abordado também no livro Colônia Capella: A Outra Face de Adão, [Lúmen Editorial, 2002], do já citado autor Pedro de Campos.

Nele, Campos nos informa como “entidades de elevada hierarquia prepararam os espíritos decaídos para encarnar na Terra e promover a transformação do símio em homem moderno”. E continua: “Há laboratórios no mundo invisível em que as propriedades da matéria são modificadas”. Considerando que as mudanças materiais podem ser feitas primariamente no campo espiritual, podemos entrever a razão de não encontrarmos evidências físicas da existência de espécies evolutivas intermediárias, tão buscadas pela ciência — elas podem estar no campo espiritual.

Mediunidade e Ufologia

Ainda na literatura espírita, o célebre livro Perispírito, de Zalmino Zimmermann [Editora Allan Kardec, 2000], descreve como o homem enquanto ser espiritual precisa de um revestimento material para seu desenvolvimento — o intercâmbio entre espírito e matéria seria amparado pelo perispírito, definido como um envoltório sutil e perene da alma, que possibilita sua interação com os meios espiritual e físico.

Por meio das propriedades inerentes ao seu perispírito, o espírito consegue interagir tanto com o mundo material, como com o mundo espiritual. Sua importância é verificada desde os primeiros momentos da encarnação, conforme atesta Allan Kardec no livro A Gênese, declarando que “o perispírito, que possui propriedades da matéria, se une, molécula a molécula, ao corpo em formação, donde pode dizer-se que o espírito, por intermédio de seu perispírito, se enraíza, de certa maneira, nesse gérmen, como uma planta na terra”.

Crédito: LUIZ VIEIRA DE MATOS

O médium e consagrado autor Chico  Xavier tinha em vida uma conexão robusta com seres do mundo espiritual, sobre o que escreveu 450 obras

Após ligar-se por completo ao molde material, o perispírito seguiria na participação de sua formação, determinando o desenvolvimento ontogênico do ser desde seus estágios iniciais até o fim. A aptidão pela qual o ser, enquanto encarnado, consegue interagir com o mundo espiritual é denominada de mediunidade — ela é verificada em todos os seres humanos e pode se manifestar de diferentes formas, seja por meio de efeitos físicos ou intelectuais. Dentre os efeitos físicos, podemos observar os motores, as aparições e manifestações etc. Como exemplos de efeitos intelectuais temos a vidência e a psicografia, entre outros.

Os fenômenos físicos observados dentro do campo da mediunidade, como as aparições, poderiam nos ajudar na busca por explicações para o Fenômenos UFO, como o aparecimento e desaparecimento de naves e seres observados por diversas testemunhas no mundo inteiro. Outro fenômeno registrado no campo espiritual que merece destaque é o apport, ou seja, o aparecimento ou deslocamento de um objeto material de um local para outro, sem que haja seu transporte por meios físicos. Esse fenômeno poderia nos fornecer colaborações na investigação das conhecidas “visitas de dormitório”, termo que descreve a ação de seres de origem extraterrestre no quarto de vítimas de abdução, sem que se tenham esclarecidos os mecanismos de sua entrada no local.

Sentido e propósito

O ufólogo e coeditor da Revista UFO Marco Antonio Petit, em seu livro UFOs, Espiritualidade e Reencarnação [Editora Conhecimento, 2004], relata experiências pessoais e casos ufológicos que entrelaçam a presença extraterrestre em nosso planeta e a evolução espiritual da humanidade. Em determinado momento, diz o autor: “Ao longo de minha vida, desde a infância, sempre senti que fazia parte de alguma coisa especial e que de alguma forma tinha algo a realizar”. Petit nega ter recebido qualquer tipo de manifestação pessoal, como vozes ou contato telepático, mas diz que “não foram poucos os momentos em que realmente sentia a presença de alguma coisa muito forte, ou mesmo de alguém”. Ao longo do texto ele descreve um caso pessoal bastante intrigante.

Em uma madrugada de outubro de 2003, ao voltar dirigindo para o Rio de Janeiro, vindo de uma conferência de lançamento de um de seus livros em Belo Horizonte, Petit diz que acordou dirigindo a cerca de 100 km por hora na contramão da rodovia BR 393. O autor afirma que normalmente não sente sono à noite, ainda mais após apresentar uma palestra. Ele saíra de Belo Horizonte por volta das 23h00 e o episódio se deu por volta das 04h00. Petit decidiu parar por alguns instantes em um posto de gasolina e depois continuou a viagem. A cerca de três quilômetros de sua residência, adormeceu profundamente e percorreu cerca de 50 m mesmo após subir o meio fio, sair da estrada e seguir em direção a um barranco. Apesar de todos riscos, ele não sofreu sequer um arranhão e nos dias seguintes acreditou que não estava sozinho naquela estrada.

A percepção de mudança em sua forma de ver a vida também foi relatada por Miriam Delicado. “Quase tudo que faço é guiado por caminhos espirituais que me vêm em diferentes modos”, explica a contatada. Rogério Bin também observou mudanças parecidas. “A experiência que tive com os seres de fora do nosso planeta me fez ver e pensar de modo diferente de tudo o que aprendi sobre a humanidade”, declara o abduzido. De forma semelhante, o escritor norte-americano Whitley Strieber contou em suas obras uma série de eventos, fenômenos, impressões e conclusões associados à sua experiência de abdução. A escolha do título do seu livro mais famoso é explicada como sendo o termo que melhor descreve toda a fenomenologia que viveu, Comunhão [Record, 1987].

A relação entre Ufologia e Espiritualidade não é incomum e nada tem de subjetivo, místico ou religioso. Seus fenômenos podem se entrelaçar em diversas ocasiões, mas gerando incertezas quando se depende de uma análise de caráter material

Na Doutrina Espírita busca-se a evolução espiritual por meio do exercício da fraternidade, do amor indistinto e do livre-arbítrio. As buscas que cada ser faz na Terra enquanto encarnado resultam de valores que se apreende ao longo de eras de ciclos reencarnatórios — essas ações serão individualizadas dos demais seres, dentro da lógica de aprendizado e capacidade de resolução de problemas que cada um possui. Com essa bagagem em mãos, o indivíduo pode produzir atitudes que variam do hediondo ao sublime, mas sempre recebendo do universo um resultado compatível com suas escolhas. O tipo de conhecimento que se absorve das situações vivenciadas tem grande amplitude, abrigando o conhecimento técnico, moral, filosófico, religioso etc.

Considerando-se que quanto maior o número de experiências e compreensão que se tiver acerca delas, tanto melhor será a capacidade de resolução de problemas, o autoconhecimento torna-se pedra fundamental para a evolução do espírito. Entender cada experiência pessoal, tentando seguir os exemplos e ensinamentos de entidades mais iluminadas, é o caminho para a evolução.

Data limite para a humanidade

Quando falamos em evolução e iluminação espiritual nos vêm à mente a figura do médium mineiro Francisco Candido Xavier, sem dúvidas um grande exemplo de evolução e de altruísmo. Dedicando todo o lucro da sua volumosa obra a entidades de caridade, sem nunca receber por suas publicações, o médium psicografou mais de 450 livros. Hoje representa grande expoente do Espiritismo e da filantropia.

No livro Cartas de uma Morta [Editora Lake, 1935], o espírito Maria João de Deus, mãe de Chico Xavier enquanto encarnada, ratifica a existência de vida inteligente em outros planetas — ela descreve o planeta Marte como mais evoluído, não pelos aspectos da sua crosta planetária, mas pela moralidade e espiritualidade de seus habitantes. Observa-se na obra que guerras e demais conflitos parecem impensáveis naquela atmosfera, onde a vibração que predomina é a da harmonia.

Chico Xavier tornou-se alvo de grande polêmica, como não poderia deixar de ser. Relatos de confidentes próximos a ele atestam que, ainda em vida, ele teria dito que após a chegada do homem à Lua, em 20 de julho de 1969, as “potências celestes”, como ele as chamava, se reuniram para determinar o destino da humanidade. Considerando o potencial bélico e destrutivo demonstrado pela detonação das bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, no final da Segunda Guerra Mundial, e a recente capacidade do homem de alcançar mundos além de suas fronteiras terrestres, o comitê se reuniu para analisar o padrão de evolução moral da sociedade planetária. Foi então estabelecido um prazo de 50 anos para que ela pudesse avançar moralmente, rumo a uma sociedade pacífica e sem estabelecer uma guerra nuclear. O prazo terminaria em 2019.

Caso o prazo seja cumprido em favor da paz, a humanidade estaria apta a ingressar na “comunidade interestelar” convivendo com outras inteligências cósmicas. A partir de então, raças alienígenas teriam permissão oficial para se apresentarem no planeta. A Terra passaria de um mundo de expiação e provas para um mundo de regeneração. Nesse caso, teríamos o avanço da humanidade em vários aspectos, com a extinção de doenças, notável desenvolvimento tecnológico e a resolução do problema da fome, entre outros.

Crédito: TEXAS MONTHLY

O abduzido e autor norte-americano Whitle Strieber teria sido levado para bordo de discos voadores

Porém, diante de vários conflitos ainda persistentes na Terra, bem como a ainda imatura evolução moral de parte da população, precisamos nos perguntar se o momento do contato poderia ser realmente verificado em 2019. Sobre o assunto, quando questionado, Pedro de Campos declarou que “a humanidade ainda não se capacitou para o contato. A condição pacífica para um encontro amigável com seres extraterrestres ainda não está satisfeita”.

Em um cenário que envolve tensão nos laços diplomáticos entre países como Estados Unidos e Coreia do Norte, possibilidade de conflitos nucleares, crise de refugiados e ataques terroristas frequentes, a ideia de encerramento do sofrimento humano em tão pouco tempo soa esperançosa, porém difícil. Podemos iniciar uma nova era de prosperidade e felicidade, mas para isso teremos que mudar nossas projeções acerca do que é realmente importante para nossa existência. As benevolentes e estimuladoras mensagens extraterrestres citadas por alguns abduzidos partem sempre do princípio de que a mudança não virá a partir de um agente externo, mas de nós mesmos.

O autoconhecimento, a prática da fraternidade e o amor irrestrito, sem dúvida, vão abrir caminho para que transformemos em realidade a ideia perseguida pela referida data limite. A lógica de todos esses estudos e comparações nos apresenta uma conclusão importantíssima: não podemos falar de Espiritualidade sem falar de Ufologia. As duas correntes estão ligadas em combinações harmônicas tão perfeitas como a mão direita e a esquerda em conjunto com o corpo humano.


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Ricardo Allysson Medeiros

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