ARTIGO

Os ciclopes do bairro Sagrada Família, em Belo Horizonte

Por Cláudio Tsuyoshi Suenaga | Edição 274 | 15 de Novembro de 2019

O ser extraterrestre desceu do UFO por um sistema de bloqueio de gravidade causado pelas luzes em volta
Créditos: RAFAEL AMORIM

Os ciclopes do bairro Sagrada Família, em Belo Horizonte

As primeiras décadas da Ufologia foram ricas em registro de casuística, com todo o tipo de contato e de extraterrestres sendo descritos por pessoas que muitas vezes sequer sabiam o que era um disco voador. Em todo o mundo, o fenômeno seguiu em crescimento, com épocas de maior incidência de avistamentos e contatos, que ficaram conhecidas como ondas ufológicas. Os contatos aos quais nos referimos aqui são contatos diretos ou, como ficou eternizado pelo filme de Steven Spielberg, contatos imediatos.

Diferentemente do que vemos hoje, e de acordo com as testemunhas do início da Ufologia, os extraterrestres pareciam mais curiosos sobre nós do que nós sobre eles. Há muitos casos nos quais os visitantes se mostraram intrigados por bicicletas, isqueiros, rádios e outros objetos de nosso dia a dia. Além disso, o comportamento dos alienígenas em relação aos humanos não era agressivo nem messiânico — era apenas o de quem tenta se comunicar com seres estranhos.

O caso que conheceremos a seguir é um dos tantos que acabaram se perdendo com o passar do tempo, que mostra um interessante tipo de interação entre alienígenas e humanos, além de um tipo diferente de ser, cuja descrição, em sua totalidade, é única. As testemunhas, com o passar do tempo, mantiveram suas narrativas e os pesquisadores que se dedicaram ao caso parecem ter acreditado nelas.

A pesquisa do caso

Durante uma onda ufológica, em 1965, uma matéria surpreendente, sob o título Tripulante de Disco Voador Desceu em Belo Horizonte?, saiu publicada no jornal O Diário, conhecido por sua linha editorial rígida e conservadora, porta-voz oficioso que era da Cúria Metropolitana de Belo Horizonte. A matéria dizia que três crianças teriam observado, em 1963, um estranho objeto voador com vários tripulantes. Ainda segundo o jornal, a história só estava sendo publicada naquele momento graças a um vizinho, cuja esposa, dona Zita Ianni, vira recentemente um UFO de grandes dimensões, do tipo cilindro voador, com janelas retangulares e iluminadas, flutuando majestosamente sobre a Estação de Distribuição Elétrica da Central Elétrica de Minas Gerais (Cemig) do bairro Sagrada Família, na periferia de Belo Horizonte. Impressionado com a narrativa dos meninos, o citado vizinho os convenceu a relatar o caso ao repórter de O Diário.

Imediatamente à publicação da matéria, o ufólogo Alberto Francisco do Carmo, então associado do Centro de Investigação Civil de Objetos Aéreos Não Identificados (Cicoani), foi até o local para investigar o caso e conseguiu realizar a primeira entrevista com os meninos e seus familiares. O professor Húlvio Brand Aleixo, diretor do Cicoani, efetuaria subsequentemente mais de 15 contatos com eles, isoladamente e em conjunto. Cada detalhe foi repassado, em uma reconstituição minuciosa do caso no próprio local e à noite, com a participação de todos os envolvidos. Posteriormente, para completar o dossiê, foi feita a cobertura fotográfica, entrevistados alguns vizinhos e iniciada a aplicação de testes psicológicos que, infelizmente, por razões que fugiram ao controle do grupo, tiveram que ser interrompidos.

O relatório de Aleixo, com o título O Caso de Sagrada Família, foi publicado inicialmente em inglês no Boletim da Sociedade Brasileira de Estudos Sobre Discos Voadores (SBEDV) e posteriormente uma tradução em português saiu na mesma publicação, de maio de 1968. A remontagem do evento que fazemos a seguir, na qual procuramos inserir o máximo possível de detalhes, baseia-se na investigação de Aleixo e no relatório, ainda mais completo, elaborado por Carmo e concluído em 24 de janeiro de 2005, e em nossas próprias pesquisas in loco, realizadas em 25 e 26 de junho de 2005 quando então pudemos entrevistar uma das testemunhas principais, o senhor José Marcos Gomes Vidal.

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Sobre o Autor

Cláudio Tsuyoshi Suenaga

Nascido na capital paulista, em 26 de abril de 1971, desde cedo Cláudio Suenaga se sentiu atraído por tudo o que se relacionasse à ciência, ao oculto, insólito, paranormal e ao sobrenatural. Acabou sendo apresentado, ainda na adolescência, às primeiras revistas de Ufologia, despertando para o assunto em que foi se aprofundando na mesma medida de outros interesses, tais como a história, arqueologia, sociologia, antropologia, mitologia, folclore, filosofia, psicologia, literatura e cinema. Aos 18 anos de idade já publicava seus primeiros artigos em jornais e ingressava na Faculdade de História, formando-se aos 21 anos com um projeto delineado em mente: trazer a questão ufológica ao âmbito acadêmico. Enfrentando todo tipo de preconceitos, logrou a proeza de convencer um grupo de professores da viabilidade de seus propósitos e da seriedade de suas intenções e, em 1994, ingressou no curso de pós-graduação de História da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Em 1996, tornou-se consultor e membro do Conselho Editorial da Revista UFO, produzida pelo Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV), passando a escrever regularmente para a publicação. Contra a opinião dos bem-pensantes, antecipou, em meados da década de 90, o crescimento exponencial dessas seitas ufológicas e espiritualistas. Entre os inúmeros trabalhos que lançou, um dos que mais geraram celeuma resgata o caso do lavrador João Prestes Filho, que em um fatídico dia de Carnaval de 1946 morreu queimado com as carnes se soltando do corpo depois de ter sido atingido por uma luz misteriosa que veio do céu na cidade de Araçariguama, interior de São Paulo. Casos como este indicam que, ao contrário do que apregoam os adeptos das correntes angelicais, a humanidade não vem sendo protegida e assistida por garbosos comandantes intergalácticos.

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