ARTIGO

Onda ufológica no litoral paulista

Por Wallacy Albino | Edição 151 | 01 de Março de 2009

A marca do suposto pouso de um UFO em agosto de 2008, em Peruíbe
Créditos: FOTOS GEUBS

Onda ufológica no litoral paulista

O ano de 2008 tornou-se atípico – de maneira positiva – para a Ufologia Brasileira. Depois de períodos de certa estagnação, casos ufológicos parecem ter voltado com força total, apresentando-se de maneira assustadora devido à quantidade de acontecimentos significantes apurados em várias partes do país. E o litoral paulista, região onde atua o Grupo de Estudos Ufológicos da Baixada Santista (GEUBS), atravessou uma avalanche de manifestações ufológicas no último semestre do ano passado como nunca houve igual.

Em julho de 2008, os estudiosos da entidade começaram a receber depoimentos de pessoas que testemunharam UFOs sobrevoando a região, algo que a princípio parecia ser passageiro, mas que depois se mostrou como o início de uma onda avassaladora de importantes manifestações ufológicas. O primeiro fato a chamar a atenção e indicar que algo extraordinário estava acontecendo ocorreu madrugada de 17 para 18 de agosto, quando um objeto voador não identificado teria pousado na zona rural de Peruíbe, tornando-se matéria de capa da edição UFO 147 [Possível Pouso de UFO em Peruíbe].

Enquanto esta investigação estava em andamento, já no começo de setembro, o GEUBS teve conhecimento de outro fato. Algo ainda mais estranho estava acontecendo em Peruíbe e também em Ana Dias, município da Baixada Santista. Alguns animais apareceram mortos de maneira completamente bizarra. A Defesa Civil, veterinários e a Polícia Florestal não conseguiram identificar o que causou as mortes. A proprietária do Sítio Nossa Senhora da Aparecida, localizado na zona rural de Peruíbe, entrou em contato com os pesquisadores da entidade e, bastante assustada, relatou que quatro de seus cachorros apareceram mortos no dia 02 de setembro. Disse também que uma nova agressão a outro animal ocorreu no dia 08 do mesmo mês.

Cortes precisos e artificiais

Este autor, juntamente com Jamil Vila Nova, consultor artístico da Revista UFO, acompanhado por Maria Lúcia de Oliveira e o professor de comunicação Silvio Ênio Bergamini, estiveram no local para investigar o caso. Os cães foram congelados em um freezer pelo tratador de animais José Tadeu Ferreira Gomes, que trabalha na propriedade há mais de dois anos e nunca viu nada parecido. Os cães se encontravam com o mesmo tipo de ferimento – dois orifícios profundos na região do pescoço, um de cada lado, medindo em torno de 2,5 cm, e dois ferimentos precisos e de forma oval na região da virilha, por onde foram retirados os testículos dos animais. Visualmente, a área atingida tem os cortes bastante exatos, dando a impressão de que foram produzidos de forma artificial com o uso de objeto cortante, e não através de mordida de algum predador ou ataque com uma garra animal. Não houve destruição dos tecidos, que têm contornos ovalados. Dentro do animal os músculos estavam intactos, sem sinais de mordida, nem arrebentados ou arranhados.

Chalana Machado, a proprietária do sítio, relatou ainda que primeiro encontrou três dos seus cães mortos, logo ao amanhecer. Em seguida, por volta das 07h00, seus empregados viram quando o quarto cachorro entrou em disparada para dentro da mata fechada que cerca a propriedade. Cerca de 20 minutos depois, sem que ninguém tivesse escutado qualquer barulho ou latido do cão, o mesmo saiu da mata já agonizando e com o mesmo tipo de ferimento, vindo a óbito em seguida. Outro fato sem explicação para este caso é que um dos três primeiros animais agredidos tinha passado a noite preso pela coleira dentro do canil. No local foi encontrada apenas uma poça de sangue, e as paredes estavam completamente sujas. O animal foi achado morto em outro local, onde havia uma mancha amarelada na grama que não poderia ter sido causada apenas pelo sangue. Amostras da grama foram colhidas e estão sendo analisadas.

crédito: fotos geubs
Chalana Machado, proprietária do sítio onde os animais foram atacados, e Aguinaldo Pereira da Costa, vigilante que descobriu a marca na mata em 23 de outubro
Chalana Machado, proprietária do sítio onde os animais foram atacados, e Aguinaldo Pereira da Costa, vigilante que descobriu a marca na mata em 23 de outubro

Agentes da Polícia Florestal estiveram no local e descartaram que os animais foram violentados por pessoas, levantando a hipótese de ataque de onça. Mas as médicas veterinárias Bárbara Cristina Marques Stephano e Ilza Xavier de Camargo analisaram os animais mortos e rejeitaram esta possibilidade, já que os sinais não mostravam agressões feitas em busca de alimento. Fotos foram enviadas a outro médico veterinário, o doutor José H. Fontenelle, que atua no Orquidário de Santos. Fontenelle também negou a possibilidade de um animal de grande porte ter sido o responsável pelas mortes, reportando o caso ao Centro Nacional de Predadores (CENAP). Chalana contou ainda que espalhou sangue e carne com tranqüilizante no meio da mata, mas nenhum animal apareceu para comer. A Polícia Florestal vasculhou toda a área, mas não encontrou absolutamente nada. No dia 08 de setembro de 2008, outro cachorro foi atacado da mesma maneira. Os empregados da propriedade resolveram passar a noite fazendo vigília. Por volta das 05h00 perceberam uma inquietação dos outros cães e viram um suposto “animal” de pêlo ralo e escuro andando sob duas pernas no começo da mata, que depois teria dado um salto de cerca de cinco metros e sumido dentro da mata fechada. No Sítio Primavera da cidade de Ana Dias, ao lado de Peruíbe, também ocorreu algo estranho naquela mesma semana.

Animal de pêlo ralo

O proprietário Pedro Mariano dos Reis e sua esposa Cássia Pereira dos Santos relataram que várias bananeiras apareceram derrubadas, sendo que algumas tinham marcas de garras e dentes. Reis não sabe explicar que tipo de animal teria feito aquilo, mas comentou que ao lado de seu sítio passa um pequeno rio, em cuja margem foram encontradas estranhas pegadas de três dedos e calcanhar fino, em formato de um cone. Quem ou o que atacou os animais o fez de forma inteligente, deixando as mesmas marcas nos corpos e extraindo os testículos, demonstrando possuir força descomunal. Os policiais e veterinários concluíram que não existe uma explicação racional para o que aconteceu, principalmente pelo semblante assustado e sincero de seus proprietários e empregados, que continuam sem saber o que anda à solta pelas matas da Reserva Ecológica da Juréia-Itatins.

Já o mês de outubro também se tornou palco de relatos de avistamentos ufológicos de grande significado. No dia 11 de outubro, a gari Carmem Lúcia Martins relatou ter visto um UFO juntamente com seu filho Igor, de 10 anos, na cidade de Cubatão. Ela estava em um ponto de ônibus localizado no bairro Costa Muniz quando viu no céu um objeto luminoso que alternava paradas no ar com movimentos de sobrevôo, passando sobre a área por vários minutos até se deslocar em sentido ao morro do Pica-Pau. Naquele mesmo mês aconteceu exatamente o que estava faltando para confirmar a grande incidência ufológica na Baixada Santista. Na madrugada de 21 para 22 de outubro, uma equipe de reportagem do jornal A Tribuna voltava para Santos pela Rodovia dos Imigrantes, após a cobertura de um evento em São Paulo. Estavam no carro o repórter Ronaldo Abreu Vaio, o fotógrafo Luiz Fernando Menezes e o motorista Ronaldo Cardoso Oliveira, quando, por volta de 00h30, um pouco antes de chegarem ao ponto de pedágio, Menezes notou uma luz alaranjada se movendo no céu, ao lado direito do carro.

Dezenas de fotos do UFO

A princípio os profissionais de imprensa imaginaram que se tratasse apenas de um balão, quando repararam que o objeto começou a aumentar sua velocidade, o que os fez pararem o carro na altura do km 27 para verem melhor o fenômeno. Fora do veículo, o fotógrafo Menezes, equipado com uma câmera Cânon 40 D e uma lente 70 x 200, fez as primeiras fotos do objeto. Voltaram então ao carro e continuaram a viagem. Dentro do automóvel o fotógrafo aproximou a imagem no visor da máquina e pôde ver que não se tratava de um balão e sim de um objeto em forma de disco. Todos resolveram parar novamente o carro, agora na altura do km 29, e viram que o aparelho havia aumentando sua luminosidade e estava estático no céu. Nesse momento, Menezes tirou a segunda e maior bateria de fotos, chegando a um total de mais de 40. Em seguida o UFO passou a se deslocar e se distanciou.

As testemunhas retornaram ao carro e continuaram seu trajeto até perderem o objeto de vista, devido à claridade das luzes do posto de pedágio da Rodovia dos Imigrantes. Quando saíram daquela claridade, por volta do km 34, o objeto voador voltou a aparecer e uma nova seqüência de fotos foi tirada. No sentido contrário do carro, o UFO desapareceu à distância. Através da ampliação das fotos é possível se observar nitidamente um objeto de forma discóide com uma luminosidade alaranjada muito intensa que reflete nas nuvens ao seu redor. Por meio do processo de saturação da imagem, retirando-se a cor e a deixando-a em preto e branco, o objeto fica mais visível ainda. Isso torna as imagens de Menezes, na opinião deste ufólogo, algumas das mais nítidas evidências de um provável disco voador. “Foi a foto da minha vida”, afirmou o fotógrafo. “Agora ficou provado para mim que UFOs existem”. O repórter Vaio declarou ter sentido “algo diferente” com esta experiência, afirmando que o UFO chamava a atenção no céu pelo seu tamanho e brilho.

crédito: Luiz Fernando Menezes
Ampliação do objeto voador não identificado fotografado por uma equipe do jornal A Tribuna na Rodovia dos Imigrantes, na madrugada de 21 para 22 de outubro
Ampliação do objeto voador não identificado fotografado por uma equipe do jornal A Tribuna na Rodovia dos Imigrantes, na madrugada de 21 para 22 de outubro

Em alguns fóruns da internet foi levantada a hipótese de que as testemunhas teriam visto e registrado a reentrada de lixo espacial em nossa atmosfera. Mas essa explicação não se sustenta pelo fato delas terem observado o objeto por cerca de 20 minutos, durante o trajeto entre os quilômetros 27 e 34 da Rodovia dos Imigrantes. Ou seja, nenhum fragmento de lixo espacial ficaria visível por tanto tempo, já que essas reentradas ocorrem em questões de segundos e geralmente formam um rastro de luz no céu, muito parecido com de uma estrela cadente. As testemunhas deixaram bem claro que durante todo o avistamento o objeto tinha apenas a aparência de uma estrela mais brilhante, sem nenhum tipo de calda. Outro detalhe importante é a alteração da trajetória e velocidade do UFO, deixando evidente que ele se comportava de forma inteligente.

Mais evidências surgem

Coincidência ou não, em seguida ao avistamento na Rodovia dos Imigrantes, um novo caso de suposto pouso surgiu na região do litoral paulista, dessa vez próximo ao Morro do Xixová, na cidade de Praia Grande. A marca em formato de losango, com cerca de 40 m de comprimento por 20 m de largura, foi descoberta por acaso na manhã de 23 de outubro pelo vigilante Aguinaldo Pereira da Costa. A testemunha relatou que entrou no mato para pegar um pouco de bambu para fazer um varal, e a mata – vegetação da espécie taboa, a mesma envolvida na aterrissagem de agosto em Peruíbe – estava completamente amassada e tombada para o mesmo lado. Costa disse que a região é de difícil acesso e só é possível chegar até lá a pé, depois de uma caminhada por uma pequena trilha. “Desde criança venho a este local e nunca tinha visto uma coisa assim. O que me deixou mais impressionado é que aqui não entra nenhum tipo de veículo. O que amassou a vegetação foi alguma coisa que veio de cima”, afirmou o vigilante. Os membros do GEUBS sobrevoaram a região de helicóptero para uma melhor observação da marca, que tem mais que o dobro daquela encontrada em Peruíbe.

Os mistérios no litoral paulista continuaram acontecendo no mês de novembro, quando interessantes relatos de avistamentos de UFOs com registros fotográficos foram feitos na cidade de São Vicente. O primeiro ocorreu na madrugada do dia 05 de novembro, no bairro do Japuí. Quatro adolescentes que estavam nas imediações da ponte pênsil andando de bicicleta, um pouco depois da meia-noite, viram um misterioso objeto no céu que lembrava uma bola de fogo avermelhada. O balconista Lucas dos Santos Rocha chegou a fotografar o UFO com o seu aparelho celular. “O objeto ia na direção da Praia Grande. Nunca tinha visto nada parecido”, declarou. O auxiliar de escritório Fábio Oliveira dos Reis foi o primeiro a ver a bola de fogo no céu e também ficou bastante assustado. O comerciante Flávio de Souza Ramos, irmão do rapaz que fotografou o objeto voador não identificado foi categórico em afirmar que o que viram só podia ser o disco voador que muitos paulistanos vêm relatando nos últimos meses.

crédito: GEUBS
Estranhas perfurações circulares foram encontradas no pescoço dos cães
Estranhas perfurações circulares foram encontradas no pescoço dos cães

Outro caso envolvendo registro fotográfico foi feito no bairro Beira Mar, na cidade de São Vicente. A estudante Flávia Pouza de Mattos Calçado declarou ter visto, na madrugada de 08 de novembro, um misterioso objeto pairando no ar poucos metros acima de uma antena parabólica próxima a sua residência. De acordo com seu depoimento, tudo começou quando ela estava em seu quarto, por volta das 01h20, e viu uma luz muito forte que vinha da rua e entrava pela janela. Intrigada, Flávia foi até o quintal para entender o que estava acontecendo e pôde ver o objeto pairando acima da antena. Assustada, entrou no carro da família e fotografou o objeto com seu celular. Flávia declarou ainda que o UFO tinha um formato de cogumelo e emitia um pequeno zunido, além de possuir luzes amarelas em sua volta e outra mais clara na parte de baixo. “Quando fui fotografar, ele aumentou a luminosidade e depois começou a rodar, daí virou para um lado e sumiu”, afirmou. O avistamento durou cerca de três minutos.

Os avistamentos continuam

A imagem captada é de baixa resolução, mostrando dois pontos bastante luminosos na escuridão. Segundo Flávia, a mancha maior na fotografia seria o suposto UFO, que ela disse ser do tamanho de um fusca. A marca menor e abaixo seria a antena parabólica refletindo a luminosidade do objeto. A testemunha disse que tirou a foto pelo vidro traseiro do carro da família, que estava na garagem e possui película protetora, o que pode ter modificado a coloração original do misterioso objeto. Até o fechamento desta matéria, o GEUBS ainda continuava recebendo relatos de avistamentos na região, o que parece indicar que esta onda ufológica não está próxima de acabar.

Para continuar lendo este artigo, você deve se cadastrar no Portal UFO. O cadastramento é gratuito e dá acesso a todo o conteúdo do site.

Login

Compartilhe esse artigo:

Sobre o Autor

Wallacy Albino

Wallacy Albino nasceu na cidade de Santos (SP). Seu interesse por Ufologia começou com dois avistamentos no início da década de 80. Em 1985, fundou o Grupo de Estudos Ufológicos de Santos (GEUFOS), que manteve intensas pesquisas no litoral paulista e no Vale do Paraíba. Em 1994, foi diretor-geral do Grupo Ufológico do Guarujá (GUG), exercendo o cargo até 1999. Dois anos depois, participou das investigações do Caso Varginha, no sul de Minas Gerais, ocorrido em 1996 e considerado uma das principais ocorrências ufológicas do Brasil. Em 1997, realizou diversas pesquisas no Caribe, considerado um local de intensa atividade ufológica. Em seguida, foi o principal pesquisador dos casos relacionados com os ataques do Chupacabras no litoral paulista. Foi também o primeiro ufólogo brasileiro a pesquisar a intensa casuística no arquipélago de Fernando de Noronha (PE). Já em 1999, integrou o Instituto Nacional de Investigação de Fenômenos Aeroespaciais (INFA), exercendo o cargo de diretor de pesquisas. Wallacy faz parte do grupo de consultores da Revista UFO e é presidente do Grupo de Estudos Ufológicos da Baixada Santista (GEUBS), fundado em 2000, hoje uma das entidades do gênero mais atuantes no Brasil. Desde 1998, é o diretor regional da entidade norte-americana Mutual UFO Network (MUFON) em toda a extensão do litoral do Estado de São Paulo. Wallacy desenvolve um importante trabalho sobre o misterioso fenômeno dos círculos ingleses, tema escolhido para este livro e para as palestras que vem ministrando em diversos congressos brasileiros.

Comentários