ARTIGO

O Universo de Jornada nas Estrelas

Por Carlos Airton Albuquerque Silva | Edição 36 | 01 de Setembro de 2005


Créditos: Cortesia Surveillance Team

O Universo de Jornada nas Estrelas

No universo da Ficção Científica, um dos produtos do gênero com destaque no imaginário dos fãs é, sem dúvida, Jornada nas Estrelas. Sejam bem-vindos a bordo desta nossa viagem pelo Universo Star Trek, composto da série clássica Jornada nas Estrelas, em desenho, cujos personagens são os mesmos da anterior, que ficou conhecido como o seriado animado. Em seguida veio Jornada nas Estrelas – A Nova Geração [1987], em substituição à anterior, e depois foi produzida Deep Space Nine (DS9) [1993], ambientada em uma estação espacial. Numa outra fase veio a Voyager [1995], com o mesmo conceito de exploração do espaço a bordo de uma espaçonave, e finalmente Enterprise [2001], o último produto da franquia, em que os fatos ocorrem numa época anterior às séries originais no mesmo estilo.

Foram produzidos, até o momento, 10 filmes para cinema, baseados nos personagens da série clássica e nos da A Nova Geração, chegando ao todo, entre episódios das séries e filmes, ao total de 736 produções. No Brasil, desde 2004, com exceção da série animada, todas as outras vêm sendo exibidas simultaneamente, distribuídas nos canais de TVs por assinatura AXN e Universal Channel, e no canal aberto Rede 21. O Universo Star Trek trouxe para as telas muitas inovações tecnológicas. A praticidade dos comunicadores portáteis, por exemplo, é hoje em dia comprovada pelas facilidades obtidas com o uso dos telefones celulares. Uma inovação que ainda não existe são os sintetizadores que podem “plasmar” quase tudo que é desejado, suprindo principalmente as necessidades de alimentação das tripulações, além de ferramentas e demais utensílios. Mais um destaque são os holodecks, ambientes de simulação criados para o entretenimento e treinamento da tripulação, onde imagens holográficas são convertidas em matéria física, situação esta que permite total interação entre o tripulante e o conteúdo projetado no simulador. Ali, diversos ambientes e personagens são criados a partir de um programa de computador. Este termo também é utilizado para definir o nome de cada opção disponível no holodeck.

Mas o grande destaque destas produções, sem dúvida, é o sistema de teletransporte, que permite que seres orgânicos e objetos sejam transportados de um ponto a outro, desmaterializando-os e materializando-os respectivamente. Os pontos de origem e destino são determinados previamente através de coordenadas estabelecidas em concordância com os níveis de energia disponíveis para a operação do sistema. Ele também é responsável pelas condições espaciais externas e internas onde está instalado o sistema, variáveis que irão influenciar no raio de alcance do teletransporte.

Viagens no tempo — Por ocasião dessa operação, “um scanner molecular produz em tempo real uma cópia do que será transportado, que é convertido em um filamento de matéria e reconvertido por sua vez no ponto de destino”, segundo os próprios termos técnicos da Enciclopédia Star Trek, que os leitores podem consultar na internet, através do endereço http://pt.wikipedia.org/wiki/Star_Trek. É surpreendente saber que o que motivou a criação do teletransporte foi o fato de não haver verba para a criação e filmagem de cenas onde o desembarque se processava por meio de naves auxiliares. Sem falar das viagens no tempo, nas quais, diversas vezes, por motivos variados, as tripulações foram enviadas ao passado e futuro, quando ocorreram momentos decisivos para o episódio, e freqüentemente para toda a temporada. Voyager, por exemplo, se encerra com uma trama baseada em viagens no tempo.

Inegavelmente, uma nova física foi necessária para poder suportar e permitir as mais variadas situações vividas no Universo Star Trek. Afinal, como definiu o próprio gênio criador deste mundo, Gene Roddenberry, Jornada nas Estrelas engloba o conceito ação + aventura + Ficção Científica. Também podemos acrescentar o drama, comédia e romance, todos evidenciados em diversos episódios da série. Os seriados trazem também fortes críticas ao preconceito racial e discriminação, inclusive contra a mulher, desde o primeiro produto da franquia, pois em seu projeto original, um dos comandantes da espaçonave, onde toda a trama se desenrolaria, seria uma mulher. Mas a idéia de uma capitã foi rejeitada pelas esposas dos diretores da rede de TV que bancaria o projeto. Dessa forma, o autor foi obrigado a colocar um homem no posto de capitão, injustiça que foi corrigida anos depois em um novo trabalho, na série Voyager, que a nave homônima é brilhantemente comandada pela capitã Kathryn Janeway.

Desbravamento do universo — Mas a convivência harmônica e colaborativa entre indivíduos de raças diferentes, inclusive extraterrestres, foi uma constante nas produções de Jornada nas Estrelas. Aqui há uma crítica as muitas produções racistas e de Ficção Científica tidas até hoje como do período clássico, de 1940 a 1950, que de forma míope traziam os seres alienígenas como monstros grotescos e criaturas agressivas, cujo objetivo final era o de exterminar a raça humana e o planeta Terra. Evidentemente, muitos desses personagens foram inspirados na Guerra Fria, parodiando o perigo comunista.

crédito: Trekkers Unlimited
Os tripulantes principais da série original de Jornada nas Estrelas, que muitos fãs consideram a única verdadeira, em detrimento de A Nova Geração, vista pelos mais ortodoxos como artificial
Os tripulantes principais da série original de Jornada nas Estrelas, que muitos fãs consideram a única verdadeira, em detrimento de A Nova Geração, vista pelos mais ortodoxos como artificial

No Universo Star Trek, humanos e aliens quase sempre são companheiros desde a série original, e tripulantes de pele diferente da branca ocupando inclusive postos de comando, são comuns. Isso é especialmente verdadeiro em Deep Space Nine, cuja estação é comandada pelo valoroso capitão Benjamin Sisko. Além disso, o primeiro beijo inter-racial da TV norte-americana, ainda nos anos 60, foi mostrado em Jornada nas Estrelas, entre o capitão Kirk e a tenente Uhura. Uma negra como ela, ocupando o cargo de oficial de comunicações, foi sem dúvida uma revolução, em plena era de luta pelos direitos civis. Igualmente, a pouco mais de duas décadas depois do final da Segunda Guerra Mundial, tínhamos um japonês na ponte da Enterprise, Hikaru Sulu. E um russo, Pavel Chekov, em plena Guerra Fria. Para completar, o primeiro oficial era o Senhor Spock, um vulcano, em tempos em que alienígenas eram freqüentemente inimigos, usados como paródia do “perigo vermelho”.

Mas, infelizmente, ainda existem os que acusam a Ficção Científica em geral, e Jornada nas Estrelas em particular, de inverosímil. “Da profundidade de um pires”, como falam alguns, sem capacidade de pensar além de sua época e realidade cotidiana. Nada muito diferente do que sentimos no meio ufológico. A união pacífica entre várias raças extraterrestres foi possível no Universo Star Trek com a criação da Federação dos Planetas Unidos. É evidente que raças hostis foram encontradas no desbravamento do universo, mas de uma forma bem mais plausível da que antes era mostrada ao grande público. Está firmemente embutido no conceito de Jornada nas Estrelas o rompimento de barreiras medíocres que só têm atrasado a evolução da humanidade. As diversas encarnações desse magnífico campo da Ficção Científica nos mostram que o futuro pode e será muito diferente dos tempos atuais. Com certeza, podemos evoluir e ser verdadeiros cidadãos cósmicos, o que só depende de nós.

Tudo começou em 1964, quando o ex-policial e já roteirista Eugene Wesley Roddenberry saiu em busca de estúdios em Hollywood que quisessem produzir seu novo trabalho, uma série televisiva de Ficção Científica baseada nas aventuras de exploração espacial de uma tripulação e sua espaçonave, alguns séculos no futuro. Até aquele momento, Gene era mais conhecido por seus westerns. Após bater em várias portas, ele vendeu seu ambicioso projeto para os estúdios Desilu, que na época procuravam algo de novo que lhes permitisse reverter a situação desfavorável pela qual passavam. Faltava ainda a parceria responsável pelo financiamento e exibição da série, e esta lacuna foi preenchida pela rede de televisão norte-americana NBC, que procurava um programa capaz de melhor explorar a grande novidade do momento, a TV em cores, e Jornada nas Estrelas era perfeito.

Fascínio de Jornada nas Estrelas — Tudo acertado. Os programas piloto foram produzidos, o elenco já estava definido e o primeiro episódio foi ao ar em setembro 1966, com o título de The Cage [A Jaula]. Jornadas nas Estrelas era um sucesso, e um novo tipo de fã havia surgido, os trekkers. Eles costumavam se reunir em grupos, vestindo-se como os personagens da série e consumindo tudo o que fosse vendido com o tema Star Trek. Apesar dos elogios da crítica, a audiência não atingia as metas pretendidas pela NBC, e após três temporadas, no ano de 1969, com a exibição do capítulo Turnabout Intruder [O Intruso], a série foi encerrada, apesar dos inúmeros protestos dos fãs.

Entre os vários episódios que marcaram gerações de entusiastas, é quase injusto destacar apenas alguns, o Amanhã é Ontem da primeira temporada, sem dúvida, foi o mais importante. A Enterprise, atingida por um estranho fenômeno, aparece em pleno século XX e é detectada pelo aparato militar norte-americano. Um caça é enviado e seu piloto, John Christopher, observa a nave, qualificando-a como um UFO. A tripulação tenta recolhê-lo, mas o caça é destruído e o capitão Christopher teletransportado para a Enterprise. Um intenso debate acontece, pois Spock descobre que um descendente do piloto terá papel decisivo na história terrestre, e Chistopher precisa ser devolvido sem alterar o curso da mesma. Outro capítulo digno de destaque é Problemas aos Pingos, um dos mais engraçados de todo o Universo Star Trek, mas sem nunca perder de vista a crítica social que fez a fama de Jornada nas Estrelas. Os pingos são criaturas peludas e fofinhas, adoradas por todos, mas que se constituem num sério problema ecológico, como fica muito claro no episódio, que será ainda mais significativo para uma das séries derivadas, o que comentaremos adiante. E claro, deve-se lembrar que pingos e klingons são incompatíveis.

Em 1973, a NBC mais uma vez se rende ao fascínio que Jornada nas Estrelas exercia em novas gerações de fãs, devido às reprises e exibição em outros países, e lança um novo produto baseado na consagrada série. Desta vez, um seriado em desenho animado que contou com os mesmos personagens da série original, incluindo suas vozes (exceto Chekov). Majel Barret (esposa de Gene) e James Doohan (o engenheiro Scotty), faziam todas as dublagens dos personagens convidados. O desenho chegou a ser exibido no Brasil na década de 80. Esta empreitada obteve o mesmo reconhecimento da primeira. Porém, após 22 episódios em duas temporadas, no ano de 1974, a NBC novamente encerra a série com o episódio The Counter-Clock Incident [O Incidente Anti-horário]. Passados 20 anos do lançamento de Jornada nas Estrela, surge em 1987 uma nova série, com outra nave revivendo o glorioso nome Enterprise, uma tripulação completamente diferente e aventuras ambientadas em uma época posterior a original. Ela foi batizada como Jornada nas Estrelas, A Nova Geração.

crédito: Fotos Hollywood Nest
À esquerda, o temido vilão espacial Khan, de um dos episódios mais emocionantes de Jornada nas Estrelas. Ao centro, um representante dos violentos klingons, eternos arqui-inimigos dos terrestres e das demais raças alienígenas que se revezam na série. À esquerda, o genial criador de Jornada, Gene Roddenberry
À esquerda, o temido vilão espacial Khan, de um dos episódios mais emocionantes de Jornada nas Estrelas. Ao centro, um representante dos violentos klingons, eternos arqui-inimigos dos terrestres e das demais raças alienígenas que se revezam na série. À esquerda, o genial criador de Jornada, Gene Roddenberry

Descendentes de vulcanos — Muita coisa havia acontecido nessas duas décadas. A Desilu havia sido adquirida pela poderosa Paramount, que agora detinha os direitos sobre Jornada nas Estrelas. Gene Roddenberry também não estava mais só na empreitada, tendo agora a seu lado Rick Berman, que posteriormente assumiria o comando da franquia após sua morte, em outubro de 1991, devido a uma parada cardíaca. A Nova Geração, como ficou popularmente conhecida, começou enfrentando a resistência dos fãs que ansiavam pela volta dos ídolos antigos, e rejeitavam o capitão Jean-Luc Picard e sua trupe. Porém, devido à qualidade de seus roteiros, nas temporadas seguintes a série emplacou no gosto de todos, continuando a obter excelentes críticas da imprensa especializada e bons índices de audiência. Permaneceu no ar por sete temporadas ininterruptas, vindo a ser encerrada somente no ano de 1994, com o episódio All Good Things Part 2 [Tudo Que é Bom Parte 2].

Vale destacar alguns outros episódios. Em Who Watches the Watchers [Quem Vigia os Vigilantes], a Enterprise encontra um planeta ocupado por primitivos descendentes de colonizadores vulcanos. Um acidente expõe os tripulantes a alguns dos nativos, e um dilema importante envolve estes últimos – ceder as crendices ou seguir a trilha de sua lógica e racionalismo inatos? Um capítulo sobre fanatismo religioso versus o conhecimento, temas sempre atuais. Em Yesterday’s Enterprise [A Enterprise de Ontem], a Enterprise-D, a nave da Nova Geração, encontra-se, graças a uma falha temporal, com sua antecessora, a Enterprise-C. A Federação dos Planetas está em guerra com o Império Klingon, e perdendo. O tenente Worf, que é o primeiro klingon a servir na Frota Estelar, não aparece na ponte e a tenente Tasha Yar, morta na primeira temporada, está de volta. Foi um episódio inesquecível, que fala de heroísmo, honra e capacidade de sacrifício, baseado em uma história escrita por fãs norte-americanos.

A raça humana ainda conserva sua primitividade e jamais irá evoluir se não aceitar os desígnios do supremo criador
— Spock, o vulcano mais popular da galáxia, um dos principais integrantes de Jornada

Finalmente, em The Chase [A Caçada], a Enterprise encontra pistas no DNA de muitas espécies diferentes, que levam à descoberta de uma civilização primordial e antiqüíssima, já extinta, da qual descendem todas as raças, humanos, vulcanos, klingons etc. Um dos mais emocionantes e memoráveis episódios de todo o Universo Jornada nas Estrelas, pregando valores como tolerância e irmandade, de uma forma que apenas a Ficção Científica é capaz. Ao mesmo tempo, um episódio significativo também para a Ufologia, discutindo os mistérios sobre a origem da humanidade.

Aproveitando o sucesso de A Nova Geração, a Paramount lançou mais um seriado baseado no conceito do Universo Star Trek, o primeiro projeto com a participação apenas de Rick Berman. Esta nova série se diferenciava em muito das demais, pois não havia uma nave como palco principal, e sim uma estação espacial, repleta de alienígenas das mais diferentes raças. A estação Deep Space Nine era controlada por uma tripulação nova, desconhecida, cujo único rosto conhecido era o do engenheiro O’Brien, vindo de A Nova Geração. Assim, no ano de 1993, estréia a série com o episódio The Emissary [O Emissário], ambientada na mesma época de A Nova Geração, no século XXIV.

Personagens consagrados — Dois grandes destaques merecem ser mencionados. No episódio Little Green Men [Homenzinhos Verdes], o alienígena da raça Ferengi, Quark, que é o barman da estação, acompanha alguns conterrâneos numa viagem até a Terra, quando sofrem um acidente, indo parar em Roswell, em julho de 1947, protagonizando nada menos que o Caso Roswell. E em Trials and Tribble-Action [Julgamento e Ações Tribais], realizado em comemoração aos 30 anos de Jornada nas Estrelas, a tripulação a bordo da nave Defiant – incorporada para dar maior mobilidade ao seriado –, acidentalmente faz uma viagem no tempo, indo parar na época da série clássica. A trupe foi obrigada a frustrar um plano para matar o legendário capitão Kirk, exatamente em meio ao episódio Pingos aos Montes, já comentado. Utilizando-se da mesma técnica vista no filme Forrest Gump [1994], os atores de DS9 foram “colocados” em cena junto aos personagens da série clássica, em uma belíssima e divertida homenagem, em que até vemos Sisko conseguindo um autógrafo de Kirk. Imperdível.

É importante ressaltar ainda que a Defiant, em meio aos eventos dos episódios finais da série, foi destruída. Um veículo da mesma classe a substituiu, a nave estelar USS São Paulo “batizada em honra ao povo brasileiro”, conforme os dizeres na placa em sua ponte de comando. Porém, logo essa espaçonave era rebatizada como Defiant, em homenagem à anterior. De forma invariável, apesar de um começo difícil, Deep Space Nine foi também um grande sucesso de crítica, audiência e aclamação dos fãs, tendo durado sete temporadas. Seu último episódio foi What You Leave Behind Part 2 [O Que se Deixa Para Trás Parte 2], exibido em junho de 1999. Mas o fenômeno de Jornada nas Estrelas não parou! Para promover o seu novo canal nos Estados Unidos, o UPN, a Paramount lançou em 1995, mais uma série baseada no conceito original de Jornada nas Estrelas, intitulada Voyager. Voltando às origens, exibia episódios desenvolvidos em torno de uma espaçonave, comandada agora por uma mulher, como desejava Gene Roddenberry desde o início.

Novamente, tudo acontece na mesma época de A Nova Geração e Deep Space Nine, no século XXIV, mas de forma bem diversa das demais séries. A espaçonave Voyager viaja por um universo completamente desconhecido, perdido no inóspito Quadrante Delta, do outro lado da Galáxia, repleto de inimigos – principalmente os terríveis borgs, seres humanóides transformados em ciborgs, misto de humano e máquina. Tal processo se dava através do que chamavam assimilação, com a introdução no organismo de nano-sondas, sendo o indivíduo assimilado transformado em um “zangão borg”. Os borgs viviam em prol de uma coletividade altamente avançada tecnologicamente, que dará a Voyager uma nova tripulante a partir do último episódio da terceira temporada Scorpion Part 1 [Escorpião Parte 1]. Ela era chamada Sete de Nove – a sétima de um grupo de nove borgs –, uma humana que foi assimilada pelos borgs quando ainda era criança, que na Voyager sofreu um tratamento de reversão deste processo. Em torno dela muitos bons episódios serão desenvolvidos, inclusive os dois últimos End Game [Fim do Jogo], quando ocorre um confronto crucial nas imediações da Terra entre a Voyager e a coletividade borg. A série teve altos e baixos, somente ganhando força do meio para o final, e como as duas séries anteriores, teve sete temporadas, sendo exibida até maio de 2001.

crédito: Imagem dos arquivos de Renato Azevedo
A estação espacial de Deep Space Nine, comandada pelo valoroso capitão Benjamin Sisko, é uma nave de arrojadas linhas astronáuticas
A estação espacial de Deep Space Nine, comandada pelo valoroso capitão Benjamin Sisko, é uma nave de arrojadas linhas astronáuticas

Viagens da lendária Enterprise — Com o final de Voyager os fãs não poderiam ficar órfãos, e bebendo mais uma vez no poço do Universo Star Trek, Rick Berman lançou mais um seriado, Enterprise, ambientada um século antes da série clássica. Novamente, tudo era novo. Como destaque, a nave volta a ser chamada Enterprise, comandada pelo capitão Jonathan Archer, interpretado por Scott Bakula, famoso pelo seriado Contratempos [1989]. Assim, em setembro de 2001, a Paramount, através de sua rede de TV UPN, passou a exibir a nova série, que conta os eventos que antecedem em quase 90 anos as viagens da lendária Enterprise do capitão James Kirk. Foi no século XXII que foi desenvolvido o famoso sistema de propulsão de dobra, que permitiu ao homem da Terra adentrar em jornadas pelo espaço e defender o planeta de sua primeira ameaça alienígena, os xindis, tema base da eletrizante terceira temporada. Mas, apesar dos excelentes roteiros e episódios, bom elenco, produção e o interesse dos fãs, a Enterprise não obteve os índices de audiência necessários que garantiriam sua longevidade. Assim, a série foi prematuramente encerrada na sua quarta temporada, sendo o último episódio, Zero Hour [Hora Zero], exibido em maio de 2005. Foi até o presente momento a última produção desta jornada de grandes sucessos.

Jornada nas Estrelas, sem dúvida, apresenta uma visão otimista e irresistível do futuro da raça humana. Em suas diversas encarnações, esse universo inigualável, próximo de completar 40 anos de existência, em 2006, é um marco na Ficção Científica comparável a muito poucas produções. Ao contrário do que vemos nos tempos atuais, onde a maioria das obras especulativas apresenta-nos um futuro sombrio, o programa semana após semana apresentava a seus incontáveis fãs uma perspectiva animadora de que, apesar de tudo, de toda a guerra, ódio, desconfiança e preconceitos, a humanidade, apostando no conhecimento e no espírito desbravador, finalmente deixou para trás todos esses aspectos deploráveis, e criou um futuro brilhante e promissor, de ilimitadas possibilidades, bem dentro do idealismo vulcano do IDIC, infinita diversidade, infinita combinação.

O futuro é incerto e ainda existem muitas possibilidades a serem exploradas no Universo Star Trek, como por exemplo a continuidade de Enterprise por outra rede ou franquia, ou uma nova série baseada em desenho animado. Há ainda recorrentes boatos acerca de uma série ambientada na Academia da Frota Estelar, que é o braço armado da Federação, ou nos estaleiros em Júpiter. Fala-se atualmente em dar um tempo para esse extraordinário universo, a fim de que a franquia seja repensada. Talvez um dia a mesma retorne, afinal o espaço ainda é a Fronteira Final!

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Sobre o Autor

Carlos Airton Albuquerque Silva

É empresário na área de contabilidade, diretor de eventos do Centro de Pesquisas Ufológicas (CPU), coordenador do site ND UFO [www.ndufo.hpg.com.br] e consultor da Revista UFO.

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