ARTIGO

O Triângulo das Bermudas no centro do mistério

Por Roberto Pinotti | Edição 70 | 01 de Fevereiro de 2013


Créditos: RAFAEL AMORIM

O Triângulo das Bermudas no centro do mistério

Desde pelo menos 1945 a humanidade convive com um enigma aparentemente insolúvel, que ora se arrefece, ora se esquenta. Estamos falando do Triângulo das Bermudas, ponto ao sul de Miami, nos Estados Unidos, onde UFOs e OSNIs são abundantes — e não somente eles, mas também ocorrências de estranhos desaparecimentos de embarcações e aeronaves. O mistério, no entanto, não teve início naquele ano, logo após a Segunda Guerra Mundial. Ele é muito mais antigo e os casos de inexplicáveis desaparecimentos de todo tipo de navios e aviões já datam de décadas antes. Porém, 1945 ficou marcado na história como o ano em que a Aeronáutica norte-americana perdeu equipamentos importantes e passou à protagonista do enigma.

Às 14h00 de 05 de dezembro daquele ano, cinco aviões militares decolaram da Base Aeronaval de Fort Lauderdale, na Flórida, para um voo de rotina sobre o Triângulo das Bermudas, uma área marítima compreendida entre as Bermudas, Porto Rico e o arquipélago das Bahamas. Era uma esquadrilha de aviões Avengers da Marinha, com cinco instrutores e nove alunos. Regularmente munidos de botes infláveis, coletes salva-vidas, fogos sinalizadores, paraquedas e outros materiais de socorro, os bombardeiros estavam prontos para enfrentar qualquer acidente ou avaria que pudesse acontecer. Porém, cerca de uma hora depois da decolagem, a base passou a receber inexplicáveis pedidos de posição por parte dos comandantes dos Avengers — eles, por mais incrível que seja, demonstravam ter perdido a orientação.

Depois de um desconcertante diálogo entre a torre de controle de Fort Lauderdale e o líder da esquadrilha, os cinco aviões simplesmente desapareceram no ar sem deixar qualquer pista. “Chamando a torre. Circunstâncias críticas. Estamos fora da rota. Não vejo a terra. E já devíamos ter chegado”, diz por rádio o líder da esquadrilha. Ao receber dos controladores um pedido de informação de sua posição, ele responde de maneira ainda mais absurda: “Não sabemos. As bússolas estão enlouquecidas. Não vemos nada. Mesmo o oceano não tem a aparência que deveria ter”. Depois disso reina um silêncio aterrorizador, e toda a esquadrilha desapareceu no nada.


Levados para outro planeta

Ainda que aviões como os Avengers tenham sido construídos para ter condições de boiar por pelo menos alguns minutos, permitir que os pilotos consigam sair do cockpit e se salvar a bordo dos botes infláveis, fornecidos em caso de amerissagem forçada [Aterrissagem no mar], eles sumiram sem deixar um único traço — como se tivessem sido levados para outro planeta. A torre de controle ficou à espera, mas, depois de algumas horas, o rádio calou-se definitivamente e não se teve mais notícia da esquadrilha de cinco bombardeiros. De imediato, um hidroavião decolou em socorro, um Martin Mariner novo e especificamente equipado para operações de salvamento no mar.

A aeronave levava uma equipe de 13 especialistas nesse tipo de ação, com cinco oficiais no comando. Era mais lógico acreditar que, o que quer que possa ter acontecido, os cinco aviões de reconhecimento, mesmo tendo consumido todo o combustível que havia nos tanques, deviam estar necessariamente pousados na porção do oceano compreendida entre os três possíveis vértices do setor oceânico previsto como palco do seu voo. Pensava-se que, em última análise, não havia muito com o que se preocupar — os equipamentos de bordo e os instrumentos individuais disponíveis garantiam uma boa margem de sobrevivência para a tripulação durante vários dias, mesmo em pleno Oceano Atlântico e em péssimas condições de meteorologia.

crédito: ARQUIVO UFO
O ufólogo norte-americano Wendelle Stevens buscou persistentemente uma resposta para o mistério do Triângulo das Bermudas
O ufólogo norte-americano Wendelle Stevens buscou persistentemente uma resposta para o mistério do Triângulo das Bermudas

Contudo, uma hora depois da decolagem, o Martin Mariner também não deu mais notícias. Foi dado o alarme e, após um primeiro momento de total desorientação, quase imediatamente se organizou em tempo recorde vasta operação coordenada, naval e aérea, com o objetivo de busca aos seis aviões perdidos. Junto com o porta-aviões Solomons, colocaram-se em mar aberto várias dezenas de barcos de diversos tipos — várias unidades civis e militares que começaram a vasculhar minuciosamente a superfície do Atlântico. A operação se prolongou por muitas semanas e foi certamente uma das mais importantes e cuidadosas já coordenadas pela Marinha norte-americana. Todavia, tão incrível quanto possa parecer, não foi possível encontrar a menor pista dos seis aviões e dos 27 homens que estavam a bordo.

Uma explosão no céu

Sequer um bote salva-vidas, um paraquedas, destroços ou fragmentos foram encontrados — nenhum sinal, mesmo mínimo, dos seis aviões e de seus ocupantes jamais foi localizado. Apenas o Gaines Mills, um navio mercante também envolvido nas buscas durante a noite do desaparecimento dos seis aparelhos, havia acompanhado efetivamente uma luz no céu. Seria algum aparelho não muito bem identificado ou talvez uma explosão no céu observada a uma grande distância? Difícil dizer. Aliás, isso se verificou às 07h30, mais de três horas depois da recepção da última mensagem transmitida pelos Avengers — era, portanto, mais aleatório estabelecer concretamente algum nexo entre os dois eventos. E depois, na zona indicada pelo Gaines Mills, não foi encontrado nada em absoluto.

Considerando que nenhum outro avião pôde estar presente em tal setor, conclui-se que, com toda probabilidade, um meteoro tenha sido a origem do avistamento. Na época, os UFOs não eram minimamente contemplados entre as possíveis explicações, e o termo — sigla de unidentified flying objects — foi criado pela Força Aérea Norte-Americana (USAF) no segundo semestre de 1947. A imprensa dos Estados Unidos definiu o evento de 1945 como “o maior mistério em tempo de paz”. Segundo o jornalista Art Ford, que seguiu a questão desde o princípio, o chefe da esquadrilha dos Avengers, tenente Charles Taylor, teria pronunciado uma última frase: “Não me sigam... Eles parecem vir do espaço”. Mas a quem ou a que o tenente Taylor se referia? É possível que se trate apenas de uma lenda floreada sobre esse desconcertante mistério.

crédito: PEARL JAMES
É verdade que a região do Triângulo das Bermudas tem alta incidência de tormentas e tufões, mas eles não explicam os misteriosos desaparecimentos por completo
É verdade que a região do Triângulo das Bermudas tem alta incidência de tormentas e tufões, mas eles não explicam os misteriosos desaparecimentos por completo

Mas também é verdade que, além dos bancos de corais de Moselle Reef, várias testemunhas ocasionais — pescadores, marinheiros, aviadores — muitas vezes observaram estranhas luzes não identificadas em evoluções no céu noturno, assim como constataram o mau funcionamento ou até mesmo o repentino bloqueio dos instrumentos de bordo. Eis um componente típico de muitas sinalizações ufológicas, aliás, encontrado também no caso australiano de Frederick Valentich, ocorrido na Austrália, nos anos 70. De qualquer maneira, no final dos anos 40, esse pedaço do mar, que logo ganhou o nome de Triângulo da Morte das Bermudas, ainda faria falar tragicamente de si. Mas os inexplicáveis desaparecimentos continuam.

Luzes da costa

Era 29 de janeiro de 1948, 22h30. O grande quadrimotor britânico Star Tiger, em voo a 600 km das Bermudas, comunicou por rádio que estava regularmente na rota para Kingston, como previsto — a bordo do avião, 26 passageiros e a tripulação completa. Infelizmente, essa foi a última mensagem de rádio enviada pelo avião, que simplesmente desapareceu. No ponto em que deve ter ocorrido o naufrágio, assim como na extensão de oceano ao redor, não foi encontrado nenhum destroço, fragmento ou mancha de óleo. O Star Tiger parecia ter evaporado. Em 18 de dezembro de 1948, a mesma situação ocorreu a um DC-3 da Airborne Transport Incorporated, outro avião de passageiros em voo de San Juan de Porto Rico para Miami. Às 04h13, o comandante Robert Linquist mostrou ao copiloto Ernest Hill Júnior as luzes da costa da Flórida visíveis no horizonte — eles tinham praticamente chegado ao seu destino.


No ponto em que deveria ter ocorrido o naufrágio, assim como na extensão de oceano ao redor, não foi encontrado nenhum destroço, fragmento ou mancha de óleo — o Star Tiger parecia simplesmente ter evaporado no ar

A jovem aeromoça Mary Burks convidou os 32 passageiros a atarem os cintos de segurança na iminência da aterrissagem. O capitão Linquist começou a descida, colocando-se em contato por rádio com a torre de controle do aeroporto de Miami. “Estamos nos aproximando do campo”, comunicou. “Encontramo-nos a cerca de 80 km de vocês, na direção sul. Tudo segue muito bem. Estamos à espera de instruções para aterrissagem”. Mas nenhuma aterrissagem foi feita. O DC-3 desapareceu exatamente como os cinco Avengers, o Martin Mariner e o Star Tiger. E dele também não se soube mais nada. Mas o pesadelo estava apenas no início.

Sem contato posterior

O mesmo fato aconteceu na região a um gêmeo do Star Tiger, o Ariel. Às 07h45 de 17 de janeiro de 1949, o capitão J. C. Mac Phee levantou voo da pista de decolagem das Bermudas com combustível nos tanques de reserva para mais de 10 horas de voo — bem além do normal. Passados 40 minutos, comunicou pelo rádio que havia chegado à altura de cruzeiro, com vento e tempo favoráveis, e pretendia chegar a Kingston na hora exata. Depois, apenas silêncio. Também nessa ocasião, as mais meticulosas buscas não deram qualquer resultado. O Ariel havia desaparecido no nada, sem deixar vestígios. Começou assim a tomar forma a psicose do chamado Triângulo da Morte, ou Ponto sem Retorno, como a imprensa passou a definir dali em diante essa faixa do mar. E desde então, um bom número de pessoas a bordo de aviões ou navios desapareceu.

Mencionar neste texto todos os casos que ocorreram naquele ponto da Terra, desde 1945 até hoje, seria simplesmente impossível. Portanto, a título simplesmente explicativo, nos limitaremos a enumerar apenas alguns, entre os casos mais clamorosos. E vamos começar com um avião-tanque da Força Aérea Norte-Americana (USAF), um KB50 com tripulação de oito homens sob o comando do major Robert Tawney. O aparelho deixou a Base Aérea de Langley, na Virginia, direto para as ilhas de Açores em 08 de janeiro de 1962. Logo a base recebeu uma série de sinais fracos transmitidos pela aeronave — depois, silêncio e nenhuma comunicação posterior. Começaram-se operações maciças de socorro e, passadas mais de 1.700 horas de buscas totalmente em vão, durante as quais ninguém encontrou a menor pista do aparelho e da sua tripulação, as equipes tiveram que se resignar com a incrível perda do KB50.

Céu límpido e sereno

Em 02 de fevereiro de 1963, depois de pouco mais de um ano, o grande navio cargueiro Marine Sulphur Queen, com tripulação de 39 homens e carga de enxofre, deixou o porto de Beaumont, no Texas, com destino a Norfolk, na Virginia. A última mensagem de rádio proveniente do navio foi recebida em 03 de fevereiro. Depois, mais nada. As buscas no mar começaram no dia 06 e, transcorrida uma semana de esforços totalmente inúteis, foram abandonadas — o mesmo destino teve o barco pesqueiro oceânico norte-americano Snow Boy, que zarpou em 01 de julho de 1963 com 40 pessoas na tripulação, de Kingston para Northeast Cay, ilhota situada a 125 km a sudeste da ilha da Jamaica. Ele também pareceu ter evaporado. Depois de 10 dias, as buscas foram encerradas. E no mesmo ano, em 23 de agosto, o Triângulo das Bermudas engoliu dois enormes quadrimotores de abastecimento da USAF que decolaram em dupla da Base Aérea de Homestead, na Flórida, para missão de abastecimento de rotina no Oceano Atlântico.

Em torno do meio-dia, os pilotos dos dois colossais jatos comunicavam pelo rádio suas posições — um a 1.300 km a nordeste de Miami e outro a 500 km a oeste das Bermudas. Eram dois novíssimos KC-135, em contato constante entre si e com a base próxima. Seguiam em voo não em formação, mas à razoável distância um do outro. Porém, de repente, não responderam mais. Começaram imediatamente as buscas, utilizando-se formações inteiras de aviões de reconhecimento da USAF com apoio de muitas unidades de superfície da Marinha. No dia seguinte, a 430 km a sudoeste das Bermudas, foram encontrados dois pequenos fragmentos que flutuavam na superfície do oceano — estilhaços diminutos que muito provavelmente eram o pouco que restava dos dois KC-135 e dos 11 homens da tripulação.

crédito: US NAVY
Aviões torpedeiros TBM Avengers da Marinha norte-americana, idênticos aos que desapareceram no Triângulo das Bermudas em condições inexplicadas, em 1945
Aviões torpedeiros TBM Avengers da Marinha norte-americana, idênticos aos que desapareceram no Triângulo das Bermudas em condições inexplicadas, em 1945

Assim, concluiu-se que as duas aeronaves deviam ter entrado em colisão, desintegrando-se no ar — essa era naturalmente a explicação mais lógica, embora a menos provável, considerando a grande experiência dos pilotos. O acidente poderia ser visto como esclarecido se, pouco antes que fosse formalizada a ordem de suspensão das buscas, não tivesse sido localizado, a mais ou menos 260 km de distância da primeira descoberta, outros minúsculos fragmentos flutuando. Era, portanto, evidente que os dois enormes quadrimotores da USAF não haviam realmente entrado em colisão, mas sido vítimas de um inexplicável acidente que, de maneira curiosa, os havia destruído em pleno voo. E não se podia invocar alguma causa externa. Mas de qual natureza?

Na região, no momento do acidente, o céu estava límpido e sereno e com ótimas condições meteorológicas. Alguns pensaram que o setor oceânico correspondente ao Triângulo das Bermudas se encontrava no centro de fenômenos de anomalia magnética — o que pode ser imaginado pelo fato de que o contato pelo rádio com os desaparecidos, às vezes, fica enfraquecido até parar de tudo, como após interferências eletromagnéticas. E também pela constatação de que, aparentemente, a maioria deles perde toda a orientação, como se seus instrumentos não funcionassem mais. Mas a Marinha norte-americana não tem tal opinião. O capitão E. W. Humphrey, coordenador de segurança aérea, de fato, declarou que “não parece que exista alguma aberração atmosférica nessa região ou que tenha existido no passado. Operações com porta-aviões e voos de patrulhamento foram realizadas até hoje regularmente nesse setor sem nenhum acidente”.

Que misterioso e trágico destino, portanto, acabou reunindo os muitos desaparecidos no Triângulo das Bermudas? Que fim tiveram tantos meios aéreos e navais? A lista é longa. E compreende entre outros um Flying Box-car C-119 com 10 ocupantes, que sumiu em 05 de junho de 1965. Como também um Chase YC-122 com quatro homens, em 11 de janeiro de 1967, um avião de carga C-132 com tripulação, em 22 de setembro de 1968, o navio de carga Milton Latrides com todos os homens a bordo, em 1970 etc. Olhando retrospectivamente para o problema, o navio francês Rosalie foi encontrado em 1840 com as velas estendidas e com a carga intacta, mas sem tripulação. Em 1880, a fragata britânica Atalanta desapareceu com 290 passageiros.

Instrumentos enlouquecidos

Seja no final do século 18 ou começo do 19, seguiram-se vários casos análogos, como o do bergantim alemão Freya, encontrado sem tripulação em 1902, e a unidade de abastecimento da Marinha militar norte-americana USS Cyclops, desaparecida em 1918 com 109 ocupantes. Já vindo para os anos 80, um fenômeno inexplicável foi verificado com um avião da Aeronáutica israelense que se dirigia para a cidade do México com uma carga de socorros para vítimas de terremoto, durante o sobrevoo da faixa de mar em questão. A Rivista dell’Aviazione, de Israel, relatou o fato, precisando que o avião, um Boeing 707, pouco depois de ter deixado para trás o espaço aéreo cubano e penetrado no Triângulo, teve os instrumentos de navegação e de comunicação de bordo enlouquecidos repentinamente.

O coronel-piloto “P”, citado apenas assim pela publicação aeronáutica oficial hebraica, descreveu o que se segue: “Por cerca de meia hora, continuamos a voar sem poder nos valer dos instrumentos de navegação. Mas depois de termos saído do maldito Triângulo, eles voltaram repentina e misteriosamente a funcionar de modo normal, sem nenhuma intervenção de nossa parte. Só o rádio, que nos ligava ao nosso comando em Israel, voltou a funcionar dois dias depois. É possível explicar cada problema. Porém, o fato de que todos os aparelhos pararam de funcionar quando havíamos entrado nessa área e voltado a operar ao sairmos dela me parece absolutamente excepcional e bizarro”. Falou-se de fortes campos eletromagnéticos em condições de criar alguns distúrbios radioelétricos. Mas devido a quê?


Em vez de iniciar um estacionamento lateral, o avião parou na pista. As equipes de socorro logo perceberam, não acreditando no que viam, que a cabine de pilotagem estava vazia. Não tinha uma gota de combustível e os pilotos sumiram
Falar genericamente de uma zona de aberração magnética não esclarece muita coisa. Seja como for, desde 1945, o mistério continua sem explicação. Ao contrário, parece aumentar a cada vez que noticiam casos que, como os do Triângulo da Morte, parecem exceder limites. Afinal, não faltam episódios como este. E há ainda casos de aviões reencontrados sem pilotos. Relata o Il Giornale d’Italia de 30 de março de 1965: “Três oficiais da Aeronáutica norte-americana confirmaram a autenticidade de um acontecimento surpreendente em 1955, do qual foram testemunhas oculares. A natureza do caso e a posição dos informantes aconselharam a manter em sigilo os nomes das personagens e as localidades nas quais desenrolaram os fatos”. Como veremos, o evento em questão parece um pouco inconcebível. Quem quer que fosse identificado nessa história com nome e sobrenome teria, indubitavelmente, muito a perder.

Pousando silenciosamente

Continua o relato do Il Giornale d’Italia: “Em abril de 1955, um Lockheed Starfighter de dois lugares para treinamento de interceptação decolou de uma base aérea situada quase na fronteira com o Canadá. A aeronave tinha autonomia de três horas e levava a bordo um aluno piloto e o oficial instrutor. Depois de cerca de duas horas, o rádio da aeronave, em contato constante com a torre de controle da base, calou-se inexplicavelmente. Passadas as três horas de autonomia, o avião foi dado como perdido e iniciaram-se as buscas. Mas, seis horas mais tarde, isto é, três horas depois que o combustível deveria ter acabado, o jato apareceu de repente, silenciosamente das nuvens, e pousou na pista de aterrissagem”.

O pessoal de campo pensou que os pilotos, dos quais nenhuma base militar e nenhum aeroporto civil souberam dar notícias, tivessem sido obrigados a fazer um pouso forçado em terreno do qual puderam decolar depois — mas a aeronave, depois de taxiar rapidamente, ao invés de iniciar um estacionamento lateral, parou na pista. As equipes de socorro logo perceberam, não acreditando no que viam, que a cabine de pilotagem estava vazia. Nos tanques, não havia uma gota de combustível e no avião, nem sinal dos pilotos. Embora histórias parecidas nos deixem compreensivelmente incrédulos, limitar-se a defendê-las como simplesmente absurdas e liquidá-las com um sacudir de ombros não resolve o problema.

Aliás, esse episódio constituiu cenário de um filme de ficção científica lançado nos Estados Unidos naquele mesmo ano, mas, com certeza, realizado anteriormente, The Island Earth [1955], um filme mais do que digno, cujo início foi dirigido por J. Newmann e finalizado pelo diretor Jack Arnold. Nele, um jovem cientista protagonista é recrutado por grupo secreto de pesquisadores que logo se mostram homens originários de um planeta de outro sistema estelar, Metaluna — reunidos com as mais brilhantes mentes científicas da Terra, visam exclusivamente à aplicação bélica dos estudos realizados para outro mundo extrassolar. O enredo de The Island Earth mostra o mocinho e a mocinha da vez em aventurosa viagem fora do Sistema Solar, apesar de uma guerra espacial em curso, e seu retorno justamente para aquela ilha no cosmos chamada Terra.

Meras fantasias?

Uma importante sequência inicial do filme narra o acidente cuja vítima é o protagonista que, no comando de um jato militar, começa a cair enquanto o sistema elétrico do avião não responde mais. Ora, enquanto um corpo voador luminoso esverdeado é avistado da Terra, o avião é encoberto por uma espectral luz verde — e mesmo fora de controle, desce sem danos como se fosse gentilmente colocado com todo o cuidado na pista do aeroporto, como que teleguiado. Fantasias hollywoodianas?

O episódio envolvendo o F-104 Starfighter da Força Aérea Norte-Americana (USAF), lembrado acima, não é o único de que temos notícia. Em certa noite de 1974, algo parecido verificou-se na Itália com o piloto recolhido por indisposição, em estado de inconsciência — um blecaute eletrônico total havia atingido tanto o avião como o aeroporto militar de Cervia, no qual descia. O Serviço de Informação Operativo e Situacional (SIOS) da Aeronáutica italiana entrou em grande agitação e investigou, em sigilo e por dias, mas não explicou como um caça sem controle podia ter efetuado aterrissagem manual no escuro. Era como se algo o tivesse enganchado e depois o teleguiado na pista. Mas o quê? Talvez a mesma causa que permitiu a impossível descida do F-104 Starfighter da USAF sem pilotos, em abril de 1955.

‘Desapareceram completamente, como se tivessem ido parar em Marte’. Este foi o comentário de certo oficial da comissão de investigação da Marinha norte-americana a respeito do caso da esquadrilha, em 05 de dezembro de 1945


“Desapareceram completamente”, foi o comentário de certo oficial da comissão de investigação da Marinha norte-americana a respeito do caso da esquadrilha, em 05 de dezembro de 1945, “como se tivessem ido parar em Marte”. Naturalmente, tratava-se de piada pura e simples que não queria nem podia se referir a alguma coisa específica. Porém, também houve quem estabeleceu, 16 anos depois do desaparecimento dos Avengers e do Martin Mariner, um questionamento desconcertante. “Foram destruídos por discos voadores?”, perguntou-se, por exemplo, o jornalista Bill Wharton — é evidente que ele havia ligado esse e outros episódios a toda uma série de fatos que poucos haviam tido meio de constatar.

Uma enorme coisa voadora

A data deste acontecimento era 05 de dezembro de 1952. O capitão Harder, o tenente Coleman e os sargentos Bailey e Ferris, de volta de exercícios aéreos, se encontram sobre o Golfo do México a bordo do seu bombardeiro B-29. Às 05h24, o aparelho voava a mais de 300 km de Galveston, no Texas, e a menos de 160 km ao sul da costa do vizinho estado de Louisiana. De repente, o radar mostrou uma gigantesca presença — uma enorme “coisa voadora” identificada na tela como uma grande mancha com cerca de meia polegada. Logo após surgiu duas dezenas de manchas menores que alcançam aquela maior, fundindo-se. O objeto voador deve ter dimensões nunca vistas e faz pensar, realmente, em uma espécie de enorme plataforma aérea operando em altíssima cota. Mas quem poderia ter construído?

Evidentemente, a tripulação do B-29 não estava em condições de responder a esta questão. O fato de que operasse no Golfo do México indicava que aparentemente o intruso preferia passar sem ser observado, distante de olhares indiscretos. Vale à pena lembrar que um objeto desse tipo apareceu também em outras ocasiões. Uma segunda vez no arquipélago do Havaí, em 06 de agosto de 1953, e uma terceira no Atlântico setentrional. Dessa vez, próximo do Triângulo das Bermudas. Parece interessante se deter nesse último caso, que aconteceu em 30 de junho de 1954. Após ter decolado do Aeroporto de New York para Londres às 17h30, o Stratocruiser Centaurus, um novíssimo aparelho civil de luxo da companhia BOAC, encontrava-se a 45 minutos de Goose Bay, no Labrador, à altitude de aproximadamente 6.000 m. De repente, o comandante e o copiloto, o capitão James Howard e o tenente Lee Boyd, notaram algo enorme a distância.

Era de fato um corpo gigantesco que voava quase na mesma altura que eles, sobre o Oceano Atlântico. Durante 18 minutos, 11 pessoas da tripulação e 12 passageiros puderam observar distintamente, à distância de cerca de 10 km, uma enorme “plataforma aérea” que seguia na mesma velocidade de cruzeiro do Stratocruiser, por volta de 500 km/h. Diversos objetos voadores menores entravam e saíam do grande aparelho. Vista de lado, a plataforma assumia aspectos muito diferentes — às vezes parecia um triângulo e, em outras, a ponta de uma flecha. Essas descrições levaram a crer que o objeto tivesse forma em delta e casco achatado, com exceção das bordas — apenas duas delas terminavam em estruturas laterais cilíndricas, ou mais provavelmente cônicas, articuladas por um vértice comum ao longo dos dois lados do aparelho triangular.

Aviões espiões soviéticos?

Quando a aeronave aterrissou no aeroporto de Londres, logo depois, os operadores deram-se conta de ter corrido perigo, talvez até mortal, pois o que haviam visto era, provavelmente, o segredo do Triângulo da Morte. Quase um ano antes, em 23 de novembro de 1953, comandos dos Estados Unidos haviam tido a confirmação de que os objetos voadores não identificados — pouco importava se os considerassem aviões espiões soviéticos ou astronaves alienígenas — eram a origem de alguns fracassados retornos de aviões que permaneciam sem explicação. Naquela noite, de fato, o pessoal de serviço de uma estação de radar da defesa aérea de Michigan registrou em suas telas o típico blip de um corpo — nesse caso, um objeto voador desconhecido que estava sobrevoando Soo Loocks, as barragens do canal de Salt Sainte Marie, a grande altitude.

Em seguida foi dado o alarme e, em poucos minutos, um F-89 a jato decolou da Base Aérea de Kinross com dois veteranos a bordo guiados por terra: o tenente Felix Moncla e o copiloto e tenente R. Wilson, este encarregado do radar de bordo — na ocasião, também o blip do caça interceptador da USAF se fez ouvir e seu sinal apareceu nas telas do radar da estação de defesa aérea de Michigan. Como se houvesse percebido a presença do jato militar norte-americano, o UFO mudou a rota de repente, dirigindo-se para o Lago Superior. Alertado por terra, o caça seguidor fez o mesmo. Os operadores da base, que acompanhavam pelas telas do radar o desenrolar da perseguição, viram o F-89 diminuir progressivamente sua distância em relação ao UFO.

crédito: Dee Maccullen
Não apenas desaparecimentos, mas também naufrágios inexplicados são registrados aos montes na área do Triângulo das Bermudas
Não apenas desaparecimentos, mas também naufrágios inexplicados são registrados aos montes na área do Triângulo das Bermudas

Em dado momento, o operador da base achou oportuno comunicar aos pilotos que o objeto logo estaria visível também no radar de bordo. Mas interrompeu de repente, incrédulo: em sua tela, os dois blips, o do UFO e o do F-89, haviam se fundido. A única explicação era de que havia ocorrido uma colisão em voo entre seguido e seguidor. Logo depois, de fato, o caça militar não respondeu mais. Durante um minuto, adversamente, o sonoro blip permaneceu imóvel na tela do radar, mas logo se moveu, afastando-se em velocidade elevada. A provável colisão teria acontecido em um local distante da costa, cerca de 160 km de Salt Sainte Marie. Mas tinha sido uma colisão? Por toda a noite, os aviões de socorro e muitas embarcações patrulharam ao longo e ao largo do Lago Superior, sem nenhum resultado.

Uma tragédia esperada

De manhã, outros meios aéreos e navais norte-americanos e canadenses participaram das buscas — totalmente em vão. Do F-89 ou de seus pilotos, e muito menos da máquina voadora desconhecida, não se encontrou qualquer vestígio. Embora inicialmente reservada, a notícia vazou e chegou aos jornais. No dia seguinte ao acidente, o Chicago Tribune relatou o fato em sua primeira edição: Caça a Jato com Dois Pilotos a Bordo Desaparece no Lago Superior. Depois, por intervenção das autoridades, as edições seguintes não falaram mais nada — as águas do Lago Superior também haviam sido palco de uma tragédia análoga àquelas verificadas no Triângulo das Bermudas. Como já dissemos, desde o final da última guerra, no interior da zona atlântica delimitada pela Flórida, Ilhas das Bermudas e Porto Rico, desapareceram mais de 100 aviões e muitíssimas embarcações com mais de mil pessoas. Sem deixar qualquer vestígio.


Só recentemente, com investigações aprofundadas, compreendemos que estamos diante de um fenômeno concreto e inquietante. Hoje, mais do que nunca, as autoridades se limitam a desenvolver inconcludentes investigações oficiais

Relatar aqui exemplos posteriores de uma estatística já contada não nos parece necessário. Vamos nos limitar a constatar que as várias explicações convencionais sugeridas, embora sedutoras, nunca sustentaram o impacto dessa desconcertante realidade. Certo ou errado, o conhecimento de que nessa área — definida também como o Limbo dos Perdidos — algo misterioso e muito grave continua a se verificar regularmente e tem favorecido o surgimento de conclusões e lendas das mais fantásticas. Não concluída, aquela extremamente sugestiva, segundo a qual os misteriosos desaparecimentos teriam relação com supostas entidades extraterrestres e ao aparecimento de UFO, cujo objetivo seria o de retirar amostras da civilização atual para acompanhar a médio e longo prazo o complexo desenvolvimento tecnológico e mental do homem, é a mais fantástica.

Muito mais cômodo e seguro

Analisando ocorrências do passado, descobrimos que desaparecimentos análogos também foram verificados. As monumentais e pioneiras obras de Charles Fort, saudoso pesquisador solitário norte-americano, definido como O Apóstolo do Absurdo, desaparecido antes da Segunda Guerra Mundial, The Book of the Damned [Livro dos Danados] comprova isso sem meias palavras. Mas só recentemente, com o desenvolvimento dos meios de comunicação e informação, com investigações complementares aprofundadas, compreendeu-se que estamos diante de um fenômeno concreto e inquietante. Hoje, mais do que nunca, quando e se necessário, as autoridades se limitam a desenvolver superficiais e inconcludentes investigações oficiais, e a não se comprometer muito com declarações públicas.

É muito mais cômodo e seguro para todos acreditar na ideia de acidentes devido a aberrações magnéticas ou outros fenômenos naturais parecidos, talvez em fatal concomitância com outras circunstâncias fortuitas e infelizes. Convencer-se realmente disso é outra coisa. Os encarregados das buscas e das equipes de salvamento do 7º Grupamento da Guarda Costeira norte-americana tiveram, por exemplo, mais vezes a nítida sensação de que algo verdadeiramente estranho e incompreensível continua a acontecer de tempos em tempos entre o céu e o mar. E a nos ameaçar.


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Sobre o Autor

Roberto Pinotti

Roberto Pinotti nasceu em Veneza, em 1944. Graduou-se em ciências políticas e sociologia pela Universidade de Firenze e em administração de empresas pelo Instituto Superior de Economia e Gestão Empresarial de Lugano, Suíça. Também é jornalista científico, trabalhou como sociólogo e como técnico na área aeroespacial na Agência Espacial Italiana (ASI) e na Agência Espacial Européia (ESA). Pinotti é reconhecido como o maior pioneiro da Ufologia Italiana, a qual se dedica desde 1975. O autor é presidente do Centro Ufologico Nazionale (CUN) e diretor das revistas UFO Notiziario e Archeomisteri. Teve reconhecida participação nas atividades do SETI, o projeto de busca por inteligências extraterrestres. Pinotti coordena há mais de uma década importantes simpósios científicos na Itália e na República de San Marino, dentre eles a série Congresso Internacional sobre Objetos Voadores Não Identificados, ocorrida anualmente em San Marino, e o I Simpósio Internacional de Exobiologia, Ufologia e Exopolítica, realizado na Universidade da Calábria, em outubro de 2006, contando com a presença de mais de 40 conferencistas de vários países. O autor é um dos mais requisitados conferencistas internacionais na área e já viajou por todo o mundo participando de eventos, estando várias vezes no Brasil. É correspondente internacional e consultor da Revista UFO em seu país e escreveu mais de 20 textos explicativos e enciclopédicos, publicados na Espanha, Romênia, Alemanha e Estados Unidos. Roberto Pinotti escreveu diversos artigos para a UFO abordando temas como religião, casuística e folclore, nos quais fez análise da multiplicidade da manifestação alienígena no planeta desde os tempos bíblicos.

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