ARTIGO

O que pensar da mensagem de Ashtar à Terra?

Por Marcos Malvezzi Leal | Edição 78 | 01 de Junho de 2014

Estaria o planeta Terra na rota de seres extraterrestres benevolentes, que teriam entre seus representantes Ashtar Sheran? Como saber se são realmente do bem?
Créditos: John Messler

O que pensar da mensagem de Ashtar à Terra?

O teor das mensagens de Ashtar Sheran é basicamente o mesmo das de outras entidades supostamente extraterrestres que mantiveram ou vêm mantendo contato com indivíduos “escolhidos” de nosso planeta. O que garante a essa figura um lugar ímpar e duradouro na psique humana, mais particularmente na dos setores mais holísticos da Ufologia, é o seu indefectível carisma. Entre os contatados que teriam canalizado ou recebido durante contatos físicos tais mensagens, destaca-se o estigmatizado italiano Giorgio Bongiovanni, porta-voz involuntário dos supostos seres de luz na Terra.

Em seu livro A Nova Ciência Divina [Núcleo de Pesquisas Ufológicas, 2005], ele transcreve, entre outras, aquelas que lhes foram transmitidas por uma entidade chamada Nibiru. Bongiovanni, porém, não fornece uma descrição física do ser, diferentemente do que faz no caso de Miriam, a Virgem Maria, mãe de Jesus Cristo, ser que também alega ter contatado e a respeito do qual fornece detalhes vívidos de sua formosa aparência. A figura de Jesus, aliás, também está muita associada a Ashtar Sheran, pois, segundo alguns de seus contatados, ele teria se apresentado dizendo-se a serviço de Sananda, que nós conhecemos como Jesus Cristo.

Mensagem do comandante

De que maneira devemos interpretar as mensagens desse ser etéreo de traços nórdicos que às vezes se diz ser originário do planeta Methária, no sistema de Alfa Centauro, enquanto que em outras de Ganímedes, um dos satélites de Júpiter? Já em 1952, o norte-americano George Van Tassel, em seu livro Viajei em um Disco Voador, anunciou que um ser chamado Ashtar Sheran viria à Terra com o intuito de ajudar a humanidade. No Brasil, o jovem Paulo Fernandes foi por ele contatado pela primeira vez em 1969, o que o levou a fundar, em Salvador (BA), por orientação do próprio comandante, o Centro de Estudos Exobiológicos Ashtar Sheran (CEEAS), hoje sob a coordenação de Ana Santos, consultora da UFO, e Marco Vinicius Almeida.

crédito: Philippe Kling David
É concebível pensar que um extraterrestre teria tal controle de todo um planeta e de uma civilização? Os defensores de Ashtar Sheran acreditam que sim
É concebível pensar que um extraterrestre teria tal controle de todo um planeta e de uma civilização? Os defensores de Ashtar Sheran acreditam que sim

Na Mensagem Oficial do Comandante Ashtar ao Planeta Terra [Veja UFO Especial 33], alegadamente captada e registrada através de gravadores de vários contatados e de pessoas comuns no início dos anos 80, salta aos olhos um detalhe assombroso, que em muito poderia interessar a qualquer estudante de filosofia, ainda que este nada saiba de Ufologia ou assuntos correlatos. O trecho, em forma de pergunta, narrado pelo jornalista e radialista Alexandre Kadunc, é: “Que importa o sofrimento de um bom número de vocês terrestres durante esta fase final da transformação do mundo, já que todos os que permanecerem justos e firmes, em qualquer campo em que se encontrem, compreenderão depois que prestam serviço ao Mestre e às suas regiões conquistadoras unidas do espaço?” Será que Ashtar Sheran é partidário do utilitarismo?

No final do século XIX, predominava na Europa o pensamento tecnocrata, que procurava soluções puramente racionais, desprezando os aspectos humanos e sociais. Os expoentes desse sistema organizacional ou doutrina moral ficaram conhecidos como utilitaristas. Desenvolvida pelo inglês Jeremy Bentham (1748-1832) e aperfeiçoada por seu conterrâneo John Stuart Mill (1806-1873), o utilitarismo propõe o bem como base das ações humanas. O bem é aqui entendido como tudo aquilo que possa resultar na maior felicidade para o maior número de pessoas, ainda que em detrimento de um grupo menor. De acordo com essa filosofia, seria correto e justo sacrificar, por exemplo, um grupo de crianças se, com isso, uma cidade fosse salva.

Pelas supracitadas palavras de Ashtar, “o bem de muitos se superpõe ao de alguns, ou de apenas um”, o que também nos remete à antológica máxima pronunciada pelo superlógico vulcano Senhor Spock no filme Jornada nas Estrelas II — A Ira de Khan [1982]. Se de fato existe uma Grande Fraternidade Branca, cujos membros incluem Ashtar e outros supermestres ascensionados que zelam pela segurança dos planetas por eles visitados, uma atitude por nós considerada utilitarista não seria de todo incoerente com a posição dessa Fraternidade. A mensagem de que só “uns poucos escolhidos” sobreviverão à transição é, apesar de aparentemente fria e bem ao gosto dos utilitaristas, quase idêntica aos alertas messiânicos que encontramos no Novo Testamento. Fria e calculista, sim. Mas, ao que parece, o sacrifício da civilização terrestre seria perfeitamente justificável para que se poupasse todo um sistema estelar. E ascensão, pelo jeito, não é para todos. Deveria ser?

O lugar do ceticismo

Ninguém é obrigado a aceitar, sem questionar, as mensagens de Ashtar Sheran ou de qualquer outro contatado, tampouco a existência do próprio Ashtar e de seus iluminados colegas. Há, entretanto, diferença entre o ceticismo honesto e o de “carteirinha”, assim como entre questionar a mensagem e a própria existência do mensageiro. O argumento defendido por alguns, de que as mensagens recebidas pelos contatados são inocentes demais, e até banais, não procede e pode ser facilmente rebatido com a contrapergunta: por que não?

Afinal, se eles existem, nos sondam e são seres que almejam o bem-estar geral das civilizações, por que não nos alertariam contra nossos próprios erros? E certamente os escolhidos para serem os portadores de suas mensagens apocalípticas não seriam os políticos, potentados e demais autoridades estabelecidas, uma vez que são eles mesmos, conscientemente, os primeiros — embora não os únicos — a perpetrar as falácias humanas. Se cabe uma dose de ceticismo aqui, ela deve recair, antes, sobre o mensageiro em si. Que não interpretem minhas palavras como se estivesse taxando qualquer contatado ou “canal” de alienado, louco ou mentiroso. Não. O que enfatizo aqui é que, caso queiramos assumir uma posição cética, que ela não seja preconceituosa, como seria se julgássemos apenas o caráter das mensagens.

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Sobre o Autor

Marcos Malvezzi Leal

Marcos Malvezzi Leal é professor, tradutor e dedica-se à pesquisa ufológica há mais de 13 anos. É coordenador de traduções da Revista UFO e responsável pela seção Memórias da Ufologia, além de consultor do Núcleo de Pesquisas Ufológicas (NPU), de Curitiba (PR), e intérprete dos palestrantes de língua inglesa convidados pelo Núcleo a se apresentarem no Brasil. Malvezzi é autor do livro Seres – Fantástica Realidade [Editora 21, 2003] e já traduziu quase 200 obras de diversos assuntos, incluindo o livro de Roger Leir Implantes Alienígenas [Código LIV-011 da seção Shopping UFO], Perigo Alienígena no Brasil [Código LIV-014 da seção Shopping UFO], de Bob Pratt, e De Rerum Divinarum Scientia Nova [A Nova Ciência Divina, NPU, 2005], de Giorgio Bongiovanni. Atualmente, trabalha para as editoras Madras e Verus, e para o Instituto Integral da Consciência.

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