Edição 21
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O homem que nunca visitou Ganímedes

Por
01 de Dec de 1997
Adeptos da Rama comunicam-se com os profetas das estrelas através de meditação e exercícios de respirarão, atingindo um nível energético de plenitude
Créditos: Más Allá

Um dos contatados mais conhecidos, que alega ter estado em Ganímedes (satélite de Júpiter), é Sixto Paz Wells, da Missão Rama. Em 1993, seu irmão, Carlos Paz - que vai ainda mais longe ao dizer que viaja para lá sempre que deseja -, no livro Semeadores de vida, mencionou um livro que influenciou decisivamente a formação da seita Rama.

Trata-se de Yo visité Ganímedes, escrito por um tal Yosip Ibrahim e publicado em 1972. A obra, que conta como o autor viajou ao satélite a bordo de um disco voador junto com um habitante daquele mundo, tornou-se um bestseller nos países latino-americanos e, durante um certo tempo, sua autoria chegou a ser atribuída a José Carlos Paz Garcia, pai de Sixto e Carlos e fundador do movimento que ambos passaram a propalar. Mas o verdadeiro autor do livro era José Rosciano Holder, amigo íntimo de José Carlos Paz, que, ao que parece, limitou-se apenas a assessorar alguns pontos do livro.

Holder acabou confessando mais tarde que, na realidade, não teria estado em Ganímedes em corpo físico, mas em corpo astral somente. Havia tratado sua aventura como se fosse uma viagem física visando dar mais credibilidade a narrativa. Outra versão é que parte dos textos basear-se-iam nas supostas experiências de um diplomata dominicano que ambos tinham conhecido em 1969. A aventura deste diplomata teria ocorrido anos antes, quando viajava por uma estrada, no interior do Peru, com sua esposa.

Num certo momento, uma intensa luz os envolveu. Seu carro parou de funcionar inexplicavelmente, e um gigantesco UFO permaneceu imóvel defronte a eles, ao mesmo tempo em que dois seres humanóides foram ao encontro do veiculo e pediram que os protagonistas se acalmassem, Em castelhano fluente, disseram que vinham de Ganímedes e que os levariam até a nave para fazer um exame médico.

Ibrahim explicou depois que uma raça muito avançada de humanóides habitou um planeta amarelo - situado na órbita hoje ocupada pelo cinturão de asteróides - que foi destruído por um cataclismo natural. Seus sobreviventes se refugiaram em Ganímedes e, mesmo ante às condições adversas de vida naquele satélite, foram capazes de adaptar-se às mesmas. Segundo o livro, em seus profundos vales existiram vastas zonas de vegetação e cidades de aspecto metálico. Os vulcões haviam sido aproveitados para gerar energia elétrica. Ibrahim falou também de uma nova raça criada a partir de uns poucos habitantes da Terra, escolhidos em função de suas qualidades espirituais.

PASTOR PROTESTANTE - Os filhos desses terrestres teriam desenvolvido um sexto sentido e, assim, composto uma classe de super-homens, que se preparavam em Ganímedes para trabalhar por um longo período de tempo na Terra, com a finalidade de reconstruí-la e torná-la novamente habitável depois de uma futura catástrofe nuclear. Durante os quinze dias que Ibrahim assegura haver permanecido em Ganímedes, os ETs mostraram-lhe um mundo sem maldade, "... uma espécie de colméia gigantesca onde todos trabalhavam felizes, com a alegria e o amor de verdadeiros irmãos. Um mundo de elevada sabedoria, ciência e técnica em que lograram eliminar, há muito tempo atrás, todas as enfermidades, e todos os elementos de discórdia e divisão..."

Entrementes, o que os seguidores da Rama querem mesmo é encontrar um apoio para as descrições realizadas por Sixto e Carlos, ainda que, oficialmente, não tenham fotografado estruturas que possam ser identificadas como artificiais. Devemos esclarecer, não obstante, que Sixto admite que os postulados da Missão Rama foram baseados em parte nos livros de Ibrahim uma mistura de ficção e realidade, recheada de doutrinas, entre as quais as de Lobsang Rampa.

Muito antes de Sixto e Carlos falarem dos belos habitantes de Ganímedes, outros contatados, influenciados pelos irmãos Duclout, já tinham alegado a manutenção de contatos com seres daquele mundo distante e frio. Um dos mais notórios é o brasileiro Dino Kraspedon (pseudônimo), que escreveu o livro Contato com os discos voa dores, publicado peia Editora São Paulo, em 1957, e relançado recentemente por Oswaldo Oliveira Pedrosa - hoje com mais de 90 anos e residente em Minas Gerais-, que reivindicou para si a autoria do livro. Kraspedon assegura que entre 1 952 e 1953 falou com o comandante de uma nave procedente de Ganímedes e lo (outro satélite jupteriano),

Conta ainda que o ente o visitou em sua casa, em São Paulo, disfarçado de pastor protestante, revelando como funcionavam os discos e instruindo-o em assuntos diversos. Este ser, semelhante a um humano, tinha quase 2 metros de altura e dizia que os habitantes de Ganímedes e de lo são de várias raças, de diversas estaturas e que levaram centenas de anos estudando os humanos, com sondas que colocaram em órbita da Terra.

Além dos integrantes da seita Rama e suas dissidências, na Espanha outros contatados também asseguram estar em conexão telepática com seres de Ganímedes. Ao menos é no que passou a crer um grupo de Fraga. Zaragoza, a partir do outono de 1986, quando conseguiu estabelecer contato depois de meses de tentativas infrutíferas. Em janeiro de 1987, o grupo reuniu se nos arredores de Fraga. Lá, um dos membros recebeu a ordem telepática de separar-se dos demais.

OCEANO SALGADO - O tal homem explicou que quando chegou ao lugar combinado viu um disco voador pousar e abrir a porta, de cujo interior saiu um humanóide muito alto e loiro, o qual lhe entregou uma pedra, que durante um ano ficou de posse do grupo. Os contatos telepáticos da equipe se prolongaram até 1988 Logo depois, no entanto, aquela misteriosa pedra negra e brilhante desapareceu inexplicavelmente de uma gaveta da casa de Antonio Selles, integrante do grupo. Em seu lugar, ficou apenas uma fotografia desfocada da rocha, muito similar a outras de origem extraterrestre.

Ganímedes é um dos mais apontados pontos de origem de ETs, segundo os relatos de muitos contatados As imagens enviadas pela sonda Galileo mostram um mundo muito semelhante à Terra. Conforme o geólogo da Nasa James Head, "... Ganímedes é muito similar morfologicamente ao sul da Califórnia". Mas também e certo que boa parte das afirmações dos contatados e contraditória com nossos atuais conhecimentos científicos sobre esse mundo. De qualquer forma, enquanto as sondas não enviarem dados mais concludentes, as especulações continuarão. As hipóteses que postulam a existência de um oceano salgado subterrâneo e um forte campo magnético no satélite seguirão ainda alimentando a imaginação de muitos.

Comunicações mediúnicas com extraterrestres

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Dec de 1997

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