Edição 161
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O futuro da aviação militar é dos robôs

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01 de Jan de 2010
Unidades do A-29 Supertucano baseadas em Campo Grande
Créditos: FAB

Aeronaves sem piloto e remotamente controladas existem desde os primórdios da aviação. Seu uso intensificou-se durante a Guerra Fria, como no Vietnã, onde versões modificadas do Blackbird foram adaptadas para lançarem drones, veículos de reconhecimento não tripulados. O tempo e os custos na formação de pilotos militares são tão grandes que arriscar-se a perder um em missão tem sido um problema cada vez maior para muitas forças armadas. Mesmo no Brasil a identidade de pilotos de caça é confidencial. Os tripulantes dos aviões de ataque A-29 Supertucano, baseados em Campo Grande e em outras bases no centro e no norte do país, têm suas identidades mantidas em rigoroso sigilo pela FAB. Assim, são óbvias as vantagens de uma aeronave que dispense o piloto.

Para um ufólogo, é importante conhecer tipos e modelos de UAVs, pois o formato de muitos é por vezes tão diferente, desconcertante e radical, que seriam facilmente confundidos com UFOs. Tomemos por exemplo o CL-227 Sentinel, da Canadair. Ele tem um formato similar a de um amendoim em pé, com dois rotores contra-rotativos no meio, e voou pela primeira vez em 1977. Já outros modelos experimentais, os UCAV, o Boeing X-45 e o Northrop Grumman X-47 são ainda mais surpreendentes. Com formato triangular e quase sem detalhes na fuselagem, quando observados em determinados ângulos, são extremamente parecidos com o clássico formato de um disco voador. O X-45 estava sendo testado pela Força Aérea Norte-Americana (USAF), mas seu projeto foi paralisado. Já o X-47 era uma iniciativa da própria empresa e foi construído pela Scaled Composities, de Burt Rutan, o engenheiro que projetou o Voyager, avião que deu a volta ao mundo sem escalas em 1986.

Através das empresas Iai e Elbit, Israel tem utilizado UAVs desde meados dos anos 70. Na Inglaterra, a British Aeroespace (BAE) tem sido uma das empresas mais prolíficas, e vale destacar os modelos de pesquisa Corax, com fuselagem oval e longas asas, e o Taranis, outro UAV com formato predominantemente triangular. Com formas similares, a francesa Dassault tem o Neuron e o Slowfast, destinados a provarem a tecnologia para futuros UCAVs (C de combate). Espanha e Alemanha estão desenvolvendo o EADS Barracuda, que, mesmo mais convencional, assemelhando-se a um pequeno avião de caça sem cabine, ainda pode confundir.

Disco voador com asas de planador

Os Estados Unidos foram o país que desenvolveu o maior número de modelos. Um destaque vai para o RQ-3 Dark Star, da Lockheed Martin e Boeing, que voou pela primeira vez em 1996. Seu formato pode ser resumido como um disco voador com asas de planador. O projeto foi encerrado em 1999, mas algumas fontes sugeriram, em 2003, que teria prosseguido na forma de um “projeto negro”. Temos ainda o Sikorsky Cypher, com fuselagem em forma de toróide ou rosca e dois rotores contra-rotativos, que pode pairar e vigiar inclusive amplas áreas urbanas. O modelo não entrou em produção, mas foi construído o Cypher II para testes pelo Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA.

O General Atomics MQ-1 Predator é sem dúvida um dos mais bem sucedidos UAVs já construídos. Similar a um pequeno avião e propelido a hélice na cauda, o Predator não é tão radical em seu desenho. É utilizado primariamente para reconhecimento, como indicava sua designação anterior, RQ-1. Apenas depois que foram desenvolvidas as versões armadas é que o R de reconhecimento mudou para M, de multiuso. O modelo Predator participou de inúmeras missões, inclusive na Bósnia, Sérvia, Afeganistão, Iraque e outros locais de conflito.

O RQ-4 Global Hawk é outro modelo utilizado para reconhecimento pelos EUA e encomendado pela OTAN. Projetado para as mesmas funções do U-2, ele voou pela primeira vez em 2001, e desde então tem servido em todos os conflitos em que os norte-americanos se envolveram. Em março de 2001 um exemplar realizou um vôo de mais de 30 horas sobre a Base Aérea de Edwards, na Califórnia. Ainda estabeleceu o recorde de altitude de 19.928 m. Em abril do mesmo ano, outro Global Hawk voou de forma autônoma desde Edwards até a Base Aérea Edinburgh, na Austrália, percorrendo mais de 13.200 km em 22 horas.

Naturalmente, a Força Aérea Brasileira (FAB) não poderia ignorar as imensas possibilidades proporcionadas pelo uso de UAVs, e já se lança à pesquisa de modelos variados. Um deles, o BQM-1 BR, pode ser visto no Museu Asas de um Sonho, da empresa aérea TAM. Construído em 1982, projetado pelo Centro Técnico Aeroespacial (CTA), tinha o formato de um pequeno avião a jato. A pequena turbina de 30 kg de empuxo era igualmente nacional, modelo Tietê da CBJ. Com comprimento de apenas 3,89 m, era capaz de atingir 530 km/h em um vôo de 45 minutos.

O Brasil está envolvido atualmente no projeto do modelo sul-africano Bateleur, da Denel Aerospace Systems, outro UAV destinado a reconhecimento. Capaz de missões de até 14 horas, é propelido a hélice acionada por um pequeno motor a pistão. Além disso, está sendo desenvolvido o Projeto VANT, coordenado pelo Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), com participação do CTA, do Centro Tecnológico do Exército (CETx) e do Instituto de Pesquisa da Marinha (IPqM). A aeronave desenvolvida pelo CTA é o Acauã, com o objetivo de desenvolvimento de tecnologias sensíveis para veículos aéreos não tripulados.

Eles estão de volta, e ainda mais desafiadores

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Jan de 2010

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