ARTIGO

O espantoso caso da Batalha de Los Angeles

Por Umberto Visani | Edição 247 | 01 de June de 2017


Créditos: WAR THUNDER

No universo da casuística ufológica existem eventos que, pela quantidade de provas que reúnem, têm um peso específico muito maior do que os outros, seja pelos testemunhos cruzados, fotografias ou filmes. Esses são os acontecimentos que devem ser objeto de uma análise mais detalhada por parte da comunidade ufológica, principalmente quando são levantadas dúvidas sobre a natureza e realidade do Fenômeno UFO.

Não são poucas as ocasiões em que a Ufologia é atacada e criticada, sob a acusação de não ter provas que a sustentem, e nem são poucas as pessoas que negam a existência do fenômeno. A verdade, porém, é outra. As provas existem, mas muitas vezes são esquecidas ou deixadas de lado em nome da tentativa de se vender casos e personagens que causam mais sensação e rendem mais audiência em um primeiro momento. O que acontece é que eventos sensacionalistas muitas vezes se mostram inconsistentes e, ao desbancá-los, acaba se generalizando o erro — joga-se lama sobre a pesquisa séria e se colocam todos os casos no mesmo balaio. Isso, claro, facilita muito o trabalho dos céticos.

E aqui vale lembrar que mesmo eventos que são apresentados como bombásticos em um primeiro momento, e que são desbancados em um segundo, podem guardar elementos fáticos sólidos, mas que ainda não foram levantados. A pesquisa ufológica requer tempo para análise de evidências e busca por testemunhas. A pressa é inimiga do bom trabalho e é ela a responsável por afundar bons casos e bons pesquisadores.

Invasão dos Estados Unidos?

Um exemplo emblemático de um caso com provas sólidas ocorreu no estado norte-americano da Califórnia, perto da cidade de Los Angeles, entre 24 e 25 de fevereiro de 1942. Os fatos que aconteceram naquela ocasião são mais paradigmáticos do que tem sido mostrado, já que esse é um episódio cuja credibilidade vai além de qualquer dúvida razoável — se fosse levado a um tribunal, seria atestado como verdadeiro.

O evento começou em uma fria noite de fevereiro, poucos meses após o ataque ao porto norte-americano de Pearl Harbour, no Havaí. Portanto, quando as sirenes soaram na área de Santa Mônica naquela noite, o pensamento que penetrou na mente de todos era o de que o Japão havia tentado invadir o país e que aeronaves inimigas estavam sendo alvo de uma ofensiva antiaérea em solo norte-americano.

crédito: WAR THUNDER
Os norte-americanos temeram que o caso da Batalha de Los Angeles fosse uma repetição do ataque japonês a Pearl Harbour
Os norte-americanos temeram que o caso da Batalha de Los Angeles fosse uma repetição do ataque japonês a Pearl Harbour

A fim de tornar os edifícios em terra menos visíveis, um apagão geral foi ordenado, enquanto os radares mostravam inúmeros objetos sobre Los Angeles, todos claramente vistos pelo pessoal das forças armadas e por milhares de cidadãos aterrorizados. A sensação era, realmente, a de que se encontravam em meio a uma invasão. Às 03h16, a 37º Artilharia da Brigada Costeira começou a lançar projéteis de quase 6 kg apontando-os para objetos brilhantes que se destacavam no céu, buscando iluminá-los melhor.

Dentro de alguns minutos, todo o sul da Califórnia estava iluminado por luzes inexplicáveis. Uma delas, em particular, era de tamanho significativo e foi alvo de uma enorme carga de artilharia. Não houve sucesso no ataque, uma vez que as aeronaves invasoras não pareciam sofrer qualquer dano com os projéteis lançados contra elas. Para melhor entendermos a natureza desses acontecimentos, é fundamental examinarmos as provas fornecidas por aqueles
que testemunharam o caso.

“Luzes paradas no céu”

É extremamente interessante o que foi dito por uma reservista que vivia a curta distância de Santa Mônica, ao norte de Los Angeles. Segundo ela, seu supervisor lhe telefonou no meio da madrugada para lhe perguntar se ela estava testemunhando o que estava acontecendo nos céus. A jovem, que estava dormindo, correu para a janela e viu uma coisa que estava além de sua imaginação. “Era algo gigantesco, enorme. E estava praticamente em cima de minha casa. Eu nunca tinha visto nada assim em toda a minha vida. Pareciam luzes paradas no céu, com movimentos raros e curtos. Eram de cor laranja pálido. Foram enviados aviões para interceptá-los e eu vi centenas de tiros sendo disparados contra os objetos, mas parecia que eles não o atingiam ou afetavam”, declarou a reservista.

Também é bastante preciso o depoimento de outra testemunha, então com 24 anos, que pôde assistir aos eventos na região de Crenshaw, junto com outros membros da sua família. “As sirenes de ataque aéreo nos acordaram às 02h00. Na sequência, veio um período de silêncio que foi subitamente interrompido pela artilharia antiaérea. No sentido norte para oeste, o céu foi iluminado por tiros e projéteis traçantes. Lembro-me claramente dos vários faróis que estavam no chão, tentando iluminar vários objetos que se movimentavam em baixa velocidade, aparentemente em formação. Eles não pareciam se preocupar com os disparos. Não consegui comparar os objetos com nada conhecido e o que mais me surpreendeu nos dias seguintes foi que, mesmo com todo o poder de fogo usado contra aquelas aeronaves, nada conseguiu derrubá-las ao chão”, disse a testemunha.

Existem centenas de depoimentos como esses e todos descrevem a presença de objetos brilhantes no espaço aéreo de Los Angeles e arredores, contra os quais os ataques e os aviões enviados, por mais que tentassem, nada conseguiram fazer. Com o passar das horas, as luzes anômalas foram diminuindo e, por fim, desapareceram. Às 07h21 de 25 de fevereiro, a ordem de apagão geral foi revogada — nenhuma aeronave fora encontrada abatida no chão, como se os milhares de tiros disparados tivessem se perdido no ar.

Imprensa, versão oficial e hipóteses

A situação interna dos Estados Unidos naquele momento, deve-se ressaltar, era muito tensa, porque se temia um ataque japonês iminente. Dois dias antes, na verdade, um submarino da Marinha Imperial Japonesa aparecera perto de Santa Bárbara e tomara uma refinaria com o uso de armas de fogo. No entanto, era evidente que os acontecimentos da madrugada não haviam sido provocados por japoneses ou alemães. Além disso, não podemos esquecer que não houve realmente um ataque, uma vez que o único prejuízo foi causado por “fogo amigo” devido à queda dos projéteis no chão. As luzes misteriosas não tiveram nenhuma atitude abertamente hostil.

O que passou para a história com o sugestivo nome de Batalha de Los Angeles foi um evento em massa, visto por milhares de pessoas em uma área altamente urbanizada. Sob esse ponto de vista, é algo bastante raro dentro da Ufologia que conhecemos

Os jornais estamparam manchetes em letras garrafais dizendo que o alarme era real, embora a primeira reação da Marinha, expressa pelo secretário Frank Knox, tenha sido declarar que tudo se tratara de um alarme falso, surgido a partir do clima tenso que afligia a população. O Exército, mostrando uma linha de pensamento diferente, declarou que fora um caso de identificação errônea de aeronaves comerciais, com o intuito de iniciar uma guerra psicológica e criar pânico.

É compreensível, portanto, a polêmica mostrada pelos jornais, pois se realmente se tratara de um alarme falso, e os militares sabiam disso, como é que milhares de tiros foram disparados? Isso era algo extremamente preocupante, uma vez que a ação havia sido realizada justamente por aqueles que deveriam defender a nação. Em outras palavras, como confiar em forças militares que atiram em algo que sabem que é um blefe?

Mecanismo de acobertamento


Outro fato que salta aos olhos em relação aos acontecimentos de 24 e 25 de fevereiro de 1942 é a definição de um mecanismo típico de acobertamento, promovendo tentativas de manter a população calma, negando-se os fatos. Nessa linha de pensamento — que é muito importante do ponto de vista histórico — isso aconteceu logo em seguida, com a participação de grande parte da imprensa. No jornal Long Beach Independent era possível perceber que havia uma estranha reticência em relação aos acontecimentos, como se estivesse em andamento uma espécie de censura com o intuito de bloquear qualquer tentativa de discussão do assunto. Essa situação chegou a tal ponto que o deputado californiano Lelland Ford pediu uma investigação ao Congresso para que pudesse clarear os acontecimentos, uma vez que nenhuma das explicações dadas até então fora satisfatória.

Na época, em busca de uma justificativa, falou-se de histeria coletiva e identificação incorreta de balões, explicações costumeiramente usadas para justificar qualquer evento anormal. Também se falou de aeronaves japonesas e outras coisas, mas todas as hipóteses se chocavam com os milhares de testemunhos que descreviam objetos brilhantes, capazes de se mover por conta própria e não simplesmente movidos pelo vento, como seria o caso dos balões. Além disso, foram disparados vários tiros contra os tais objetos e nenhum deles foi abatido. Consequentemente, estamos diante de algo totalmente anormal, o que descarta qualquer explicação convencional.

Recentemente, uma ajuda significativa para investigação deste fato foi fornecida pelo analista fotográfico Steven Lacey e pelo pesquisador Bruce Maccabee. A chamada Batalha de Los Angeles foi imortalizada em uma fotografia com certeza lembrada por todos os leitores, que mostra o céu noturno iluminado por tiros e projéteis traçantes, com vários focos luminosos convergindo para um objeto central, de forma não muito bem definida.

Explicações simplistas de sempre

Lacey, usando filtros gráficos, conseguiu melhorar a qualidade da imagem, chegando a mostrar mais claramente a natureza do objeto em questão — tratava-se de uma aeronave discoide circundada por um halo claro, talvez produzido pelas explosões dos tiros lançados pelos soldados contra algum escudo de proteção da aeronave. A natureza do objeto, portanto, é totalmente não identificada. Não se tratava de um avião japonês ou americano, não poderia ser um balão meteorológico e nem o produto de uma histeria coletiva. Era, portanto, literalmente um objeto voador não identificado.

O que passou para a história com o sugestivo nome de Batalha de Los Angeles foi um evento em massa, visto por milhares de pessoas em uma área altamente urbanizada. Sob esse ponto de vista, é algo bastante raro dentro da Ufologia, cuja casuística contém muitos avistamentos em escala decididamente menor e nos quais as testemunhas muito raramente ultrapassam uma centena de pessoas. E, justamente por isso, é um caso impressionante, pois as explicações simplistas de sempre, além de não serem suficientes, se desmancham diante da obviedade do que foi visto. Por isso, não há que se falar em erro de identificação em relação a esse caso.

crédito: SCENES INCORPORATED
Hollywood aproveitou o fato e criou um filme dramático em que Los Angeles é atacada por aliens, mas, claro, eles perdem a guerra
Hollywood aproveitou o fato e criou um filme dramático em que Los Angeles é atacada por aliens, mas, claro, eles perdem a guerra

A finalidade do que aconteceu, entretanto, é enigmática, conferindo uma aura de incerteza sobre o que realmente se passou sobre Los Angeles. Podemos pensar em uma tentativa bem-sucedida de demonstrar que o espaço aéreo poderia ser facilmente violado por outras inteligências, cuja origem não é deste mundo? Sim, mas aí entraríamos no campo da especulação pura. O que este autor gostaria de observar é como se torna absolutamente incorreto estabelecer o debate em torno da questão de se crer ou não em UFOs diante de casos como esse.

Na verdade, em casos assim, não estamos diante de crenças, mas lidando com evidências tangíveis, concretas e visíveis para todos aqueles que querem abordar a questão com mente aberta. Por outro lado, sabemos que são muitos os que, independentemente da qualidade e quantidade de evidências, preferem se esconder atrás de paradigmas mentais autocriados ou que lhes foram disfarçadamente impostos, em uma tentativa — até agora bem-sucedida — de não revelar às massas informações sobre uma realidade que se torna cada vez mais evidente e que deve ser investigada com muita seriedade, dada a sua capacidade explosiva, a realidade dos UFOs.

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Umberto Visani

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