ARTIGO

O dia em que a Ufologia mudou seu rumo

Por Roberto Affonso Beck | Edição 160 | 01 de Dezembro de 2009


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O dia em que a Ufologia mudou seu rumo

Por mais incrível que possa parecer àqueles que nunca consideraram a seriedade da Ufologia, documentos oficiais sobre ocorrências confirmando a presença alienígena na Terra, retidos há décadas, estão sendo liberados em grande quantidade por nossa Aeronáutica. Este é o resultado direto da intensa campanha UFOs: Liberdade de Informação Já, que vem sendo levada a efeito desde março de 2004 [Veja edição UFO 111] e recebeu uma segunda fase em dezembro de 2007, em decorrência da Lei 11.111/ 2005, que estabelece como direito civil o acesso a este tipo de documentação. Para tanto, a Comissão Brasileira de Ufólogos (CBU), composta por membros da Equipe UFO, vem realizando, de maneira insistente e sistemática, investidas junto ao Governo Federal, objetivando alcançar êxito nesta meta imprescindível – e estamos conseguindo.

Como integrante ativo da CBU, tendo dedicado mais de cinco décadas de minha vida à pesquisa ufológica e, agora, nos últimos anos, tendo vivido os principais resultados deste movimento, gostaria de destacar, sem nenhum tipo de ego exaltado, que um trabalho sem igual foi e continua realizado. E com orgulho equilibrado de mérito reconhecido, de maneira positiva, enalteço a qualidade dos ufólogos brasileiros envolvidos nesta atividade. Seja a jovem guarda da Ufologia Brasileira, ou a não tão nova, porém igualmente eficiente turma da meia-idade de ufólogos sérios, que hoje carregam esta bandeira, quase sempre não respeitada pela grande massa e ignorada pela ciência.

E como um dos mais antigos representantes da velha guarda da Ufologia Brasileira, gostaria de prestar as mais justas homenagens àqueles idôneos, obstinados, competentes e pioneiros pesquisadores da manifestação ufológica em nosso país, citando somente quatro dentre os muitos que já nos deixaram, tais como o general Alfredo Moacyr de Mendonça Uchôa, Húlvio Brant Aleixo, Ademar Eugênio de Mello e Arismaris Baraldi Dias. Juntamente com outros tantos, já avós, e que ainda permanecem entre nós, eles sofreram, como este autor, os deboches e as risadinhas de muita gente – que hoje esmaecem ante à documentação oficial liberada.

Recordo ainda, com certa tristeza, que quando iniciei as primeiras incursões nesta difícil, árdua e perigosa área de pesquisas, mas compensadora, em 1957, era chamado de louco e tinha meus trabalhos rejeitados ou vistos com desconfiança por amigos e parentes, situação que se estendeu até a década de 80, quando então algumas ocorrências ufológicas vieram marcar de maneira inquestionável a presença de estranhas aeroformas nos céu do Brasil e do mundo em geral, mudando a maneira como se encarava o tema.

Tais artefatos, reconhecidos como não terrestres por sua aerodinâmica e comportamento incompatível com o conhecimento científico atual da humanidade, recebia atenção crescente da mídia, de maneira cada vez mais equilibrada. Apenas para citar um exemplo, um dos casos mais importantes aconteceu na noite de 19 de maio de 1986, ficando conhecido como Noite Oficial dos UFOs no Brasil, já esmiuçado nesta edição. Hoje vemos com alegria que alguns documentos considerados importantes estão sendo liberados, ainda que aos poucos, e mesmo que ainda permaneça em arquivos sigilosos boa parte deles, tidos pelas autoridades como secretos e ultra-secretos – infelizmente, estes devem ficar ocultos por mais alguns anos, mesmo que vários já tenham seu prazo de resguardo vencido.

Marinha e Exército ainda inertes

Mas por que? Quais interesses subalternos estão por trás do ocultamento desta escancarada verdade – a presença de estranhos aparatos voadores controlados por seres inteligentes, cujas tecnologias não se coadunam com o desenvolvimento tecnológico terrestre? Por que tanto mistério em torno de um assunto que, desde há muito, já deveria ser do conhecimento de toda a população mundial? Que razões mantêm os governos mesmo das nações de Primeiro Mundo insensíveis e petrificadas diante do espanto e das reclamações de milhões de pessoas, que exigem que a verdade seja logo mostrada à humanidade, sem exceções? Quais justificativas os movem a tomar tal atitude?

Felizmente, apesar de todo acobertamento ufológico ainda existente, a presença alienígena em nosso planeta se torna cada vez mais evidente diante da profusão dos fatos e da casuística mundo afora, sempre em ascendência e desafiadora. Campanhas e movimentos como o nosso, em muitos países, mais ou menos bem sucedidos, fazem com que algumas destas obviedades venham à tona, como vem acontecendo neste ano no Brasil. Temos que celebrar tais conquistas, pois, afinal, são mais de 60 anos de luta para que isso acontecesse. E me ponho a meditar por quantas situações já passamos, por sermos pioneiros nesta área, considerados por alguns como “dinossauros da Ufologia” e que, por uma questão de sorte ou carma, ainda estamos aqui, de alguma forma dando nossa contribuição para que tal processo se desenvolva e todo este ocultamento oficial seja, enfim, encerrado. Que nossa civilização se liberte de tanta ignorância de cunho social, científico e religioso, abrindo suas mentes para possibilidades infinitas diante da grande realidade, que é ter a certeza que milhões, talvez bilhões de outros planetas em nosso universo inexplorado sejam habitados por seres iguais e até muito mais inteligentes que nossa espécie. É muita pretensão e ignorância nos imaginarmos sós neste espaço incomensurável, o que seria um grande desperdício divino.

Ações pretensiosamente científicas

Mas o que causa aos ufólogos experientes maior espanto não é apenas esta omissão sistemática e antiga, com a qual, de uma forma ou de outra, já nos acostumamos e que nos causa boas gargalhadas. Mas a desfaçatez com que determinadas autoridades tentam explicar as ocorrências mais significantes. Quando não escandalosas, de tão chamativas, inventam ou criam “explicações” pretensiosamente científicas, mal disfarçadas e desconexas, chegando às raias do absurdo, como se os pesquisadores – ufólogos ou não – não passassem de um bando de ignorantes e desinformados. Já é chegada a hora de se dar um basta neste tipo de equacionamento enganoso adotado por aqueles que deveriam mostrar a realidade dos fatos e não mascará-los.

Por fim, resta parabenizar a todos aqueles que não desistiram no meio do caminho e lamentar por alguns que, não vislumbrando suas pretensões de estrelismo e egos, tornaram-se “ex-ufólogos” ou céticos, destruidores de si mesmos. A Ufologia continuará a passos largos, cada vez com fatos mais sólidos e bem investigados, tanto nacional como internacionalmente. E um dia certamente haveremos de dar as boas-vindas aos nossos irmãos de outros sistemas estelares, quiçá até de outras dimensões, estabelecendo definitivamente com eles uma convivência cósmica que há de nos libertar de tanta ignorância e estupidez, praticada ao longo de séculos por esta humanidade.

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Sobre o Autor

Roberto Affonso Beck

Roberto Affonso Beck nasceu em Resende (RJ), em 14 de março de 1934. É formado em contabilidade, com especialização em auditoria interna e externa, e administrador de nível técnico. Estuda Ufologia desde setembro de 1957, tendo iniciado vigílias e pesquisas de campo a partir de 1968, quando já morava em Brasília (DF), acumulando mais de 1.200 delas. Beck é considerado um dos mais experientes pesquisadores nessa área. Palestrante notório, prefere narrar suas próprias experiências vivenciadas no campo, invés de se reportar a fatos ocorridos de conhecimento geral, condição que lhe obriga a estar sempre buscando novas experiências em pesquisas de campo e vigílias, para que possa enriquecer suas palestras e currículo ufológico. Ainda encontra forças para realizá-las com relativa facilidade. É presidente da Entidade Brasileira de Estudos Extraterrestres (EBE-ET), com sede em Brasília, que fundou e registrou em 1995, apesar do grupo já vir atuando desde 1968. É consultor da Revista UFO desde sua fundação, há 25 anos. Roberto Beck é alegre, expansivo e assíduo freqüentador das listas de discussões ufológicas na internet, quando não está pesquisando, onde, vez por outra, costuma contar trechos de suas aventuras ufológicas pelos mais diversos recantos ermos deste nosso país. Respeitado e muito querido, é considerado hoje um dos “dinossauros da Ufologia”, ainda vivo e ativo, batalhador incansável em busca da verdade que, segundo ele, “só não vê quem não quer”.

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