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O Caso Paihuano: uma incrível queda de disco voador no Chile

Por Rodrigo Fuenzalida Herrera | Edição 266 | 15 de Março de 2019

Sim, discos voadores também caem, pois aparentemente sua tecnologia não é tão avançada quando se pode pressupor
Créditos: RAFAEL AMORIM

O Caso Paihuano: uma incrível queda de disco voador no Chile

Os casos de queda de UFOs, cujo representante máximo é o icônico Caso Roswell, de 1947, estão entre os mais intrigantes e ricos em termos de pesquisa ufológica por contarem com evidências físicas e testemunhas que normalmente chegam ao local das ocorrências antes das autoridades. E todos sabemos que a partir do momento em que as autoridades assumem o cenário, entra em cena a negação dos fatos e o silêncio. Ainda que a população continue afirmando que algo caiu naquele lugar...

O binômio governo-negação é um fenômeno mundial. À exceção do primeiro, e logo desmentido, comunicado oficial sobre a queda de um disco voador na Terra, feito justamente pela Base Aérea de Roswell, todos os acidentes com estas naves, em todas as partes do planeta, foram negados pelos canais oficiais — embora tenham sido largamente testemunhados pela população. Explicações como, por exemplo, balões meteorológicos, meteoritos e testes de protótipos fazem parte do rol de desculpas prontas a que os militares recorrem para enganar a opinião pública.

Um desses casos ocorreu no Chile, no povoado de Paihuano, localizado 558 km ao norte da capital Santiago, na tarde de outubro de 1998. Como veremos, os procedimentos são os mesmos em todos os lugares, com as autoridades agindo mais ou menos da mesma maneira, sempre em nome de uma alegada necessidade de segurança nacional. E, muitas vezes, a segurança nacional serve para ocultar manobras cuja publicidade não é interessante para aqueles no poder. Igualmente, o assim conhecido Caso Paihuano é mais um exemplo de que as naves alienígenas não são infalíveis.

O Caso Paihuano

A pequena Paihuano está localizada em uma área de grande beleza natural, cercada por muitas montanhas altas e íngremes, de pura rocha. Embora tenha menos de 5.000 habitantes, não são poucos os hotéis e estâncias na região, justamente por sua tranquilidade e atrativos naturais. No entanto, a tranquilidade de Paihuano foi quebrada por volta das 15h30 da quinta feira, 07 de outubro de 1998, por um corpo estranho que caiu em um morro chamado Las Mollacas, não muito distante da área urbana.

O acontecimento chamou a atenção de boa parte da população local e o assombro e a curiosidade levaram as pessoas à colina com a intenção de observar o misterioso objeto que esteve visível durante várias horas. Testemunhas que viram o fenômeno, como foi o caso da senhora Lina Mechea, dizem que em um primeiro momento observaram três objetos não identificados sobrevoando Paihuano — um deles caiu sobre Las Mollacas. O artefato parecia estar pegando fogo enquanto tombava e os outros teriam seguido o mesmo trajeto.

A colina Las Mollacas, nos arredores de Paihuano, no Chile, onde se registrou o acidente de um disco voador

Outra testemunha, esta de nome Raul Flores, um vizinho cuja casa fica no sopé da colina, deu uma interessante descrição do corpo danificado. Segundo Flores, “o objeto era muito parecido com um disco de metal e irradiava um brilho metálico intenso. Nunca, em minha vida, tinha visto algo tão estranho. É claro que eu não fui o único a testemunhar tal fato extraordinário. Muitas pessoas também testemunharam a mesma coisa”. Ele tinha razão: dezenas de testemunhas apresentaram-se subsequentemente para confirmar os fatos e acrescentar detalhes ao ocorrido.

Também tivemos a oportunidade de ouvir outra descrição detalhada do veículo danificado, que foi dada por um professor de Paihuano que conseguira observar o objeto por um longo tempo usando um teodolito. “A verdade é que duas estruturas com brilho metálico foram vistas, uma em cima da colina e outra a alguns metros abaixo. Essa última tinha forma triangular e se partiu em duas. Foi como um triângulo se partindo em dois”, explicou o professor. Meia hora depois do incidente, os militares isolaram a área e, juntamente com membros do Grupo de Operações Especiais da Polícia (GOEP), bloquearam o caminho para a área.
 
Um chamado misterioso

Enquanto isso, o assessor do prefeito do município, que estava preparado para fazer um pronunciamento de imediato para a imprensa, de repente mudou de ideia. Marcos Gallardo, que estava naquele momento como responsável pelas relações públicas de Paihuano, disse ter recebido um telefonema misterioso de uma pessoa com sotaque estrangeiro que se identificou como membro da Agência Espacial Norte-Americana (NASA), solicitando que não revelasse ao público o acontecido e que lhe enviassem um relatório completo sobre o caso.

O resultado disso foi que Gallardo não fez a conferência agendada e tão aguardada com a imprensa. Aliás, o prefeito de Paihuano à época, Lorenzo Torres, tomou uma posição bastante passiva em relação aos fatos — não foi ao local e nem falou com as testemunhas. As horas foram se passando e o objeto voador não identificado continuou visível para os moradores da região, assim permanecendo até a noite de quinta-feira. No amanhecer da sexta-feira, dia 09 de outubro, tudo havia desaparecido completamente da área.

Patrício Díaz, um dos pesquisadores locais, realizou cerca de 60 entrevistas com moradores da área, que também confirmaram a ocorrência de várias anomalias relacionadas ao incidente. Uma delas foi a interrupção da transmissão de rádio e televisão em várias cidades vizinhas a Paihuano, como Monte Pátria e Pisco Elqui. Segundo consta na investigação de Diaz e nas entrevistas realizadas por outro investigador de campo na região, Victor Vial, para o documentário Paihuano: O Roswell Chileno [1999], vários moradores ouviram movimentos de helicóptero na noite de 08 de outubro na colina Las Mollacas.

Explicações sobre o incidente

Algumas pessoas identificam os helicópteros como sendo do tipo Black Hawk, muito usado pelos Estados Unidos, e os relacionaram ao desaparecimento, dias depois, dos restos do misterioso objeto acidentado. Um dos testemunhos mais enigmáticos registrado por Diaz foi o de um motorista de táxi que afirma ter visto, em uma de suas viagens noturnas à área, três caminhões militares tipo Unimog circulando no local, um dos quais trazia uma rampa com uma lona que cobria parcialmente uma estrutura curva e fosforescente. Os caminhões seguiam por um trajeto paralelo a Las Mollacas e de forma sigilosa. A polícia já havia tentado, no primeiro momento, chegar ao topo do monte. Os homens relataram que foram feitas seis tentativas de subirem a cavalo, mas o esforço era tão grande que um dos animais morreu. O Exército Chileno, aparentemente, conseguiu recuperar o objeto não identificado.

O jornalista Rodrigo Ugarte, que naquela época trabalhava para o Canal 13, da Universidade Católica do Chile, estava gerenciando vários escritórios da região e foi um dos protagonistas de uma expedição para o monte Las Mollacas, três dias após o ocorrido, juntamente com policiais. Ugarte mostrou o que, de acordo com a polícia, teria produzido a confusão em torno do brilho que foi visto em Paihuano: uma pedra de cerca de 50 cm de diâmetro, pintada de branco — essa foi a explicação oficial que aparentemente havia convencido inclusive o experiente Ugarte.

Quedas de UFOs, cujo representante máximo é o Caso Roswell, de 1947, estão entre os casos mais intrigantes e ricos em termos de pesquisa por contarem com evidências físicas e testemunhas que chegam ao local das ocorrências antes das autoridades

É simplesmente ridículo pensar que o brilho da tal pedra se assemelhasse ao brilho metálico de um corpo de cerca de 15 m de diâmetro. Ficava a cada momento mais do que evidente que algo de grande volume havia sido removido da montanha. Outras explicações foram lançadas para tentar aplacar a “febre ufológica” em Paihuano. Uma delas foi dada pelo astrofotógrafo da Colina Tololo, Arturo Gomez. Em Tololo funcionam os observatórios astronômicos do consórcio de universidades particulares norte-americanas em colaboração com o Observatório Óptico Astronômico Nacional, mediante convênio entre a National Science Foundation, dos Estados Unidos, e a Universidade do Chile. Gomez disse que possivelmente seriam sondas meteorológicas — que têm formato de balão — lançados a partir de um dos observatórios em Tololo.

No entanto, essa afirmação foi rejeitada pelo secretário do Comité de Estúdios de Fenómenos Aéreos Anómalos (CEFAA), órgão oficial de pesquisas ufológicas do Chile, ligado à Diretoria Nacional de Aviação Civil. Gustavo Rodríguez disse ser necessário pedir permissão com 48 horas de antecedência à direção da Aeronáutica chilena para lançar um balão meteorológico, e que não houve pedido algum com essa finalidade por parte dos observatórios da Colina Tololo. Além disso, a hipótese do balão meteorológico não explicaria a forma do objeto, tampouco a combustão do mesmo.

Exercícios militares

Rodríguez também tentou apaziguar o assunto afirmando que o fenômeno seria, provavelmente, um meteorito — hipótese também levantada por astrônomos de Tololo, mas novamente a explicação não se encaixava com as características do objeto que fora visto por dois dias, e por todos os habitantes da cidade e arredores. Então, levantou-se outra proposição: a de que o UFO seria, na verdade, um veículo não tripulado das Forças Armadas Norte-Americanas que estivera fazendo exercícios militares conjuntos com os chilenos na costa do país.

Mas o que chamou a atenção foi que, mesmo depois de 11 dias da conclusão dos supostos exercícios militares conjuntos, na denominada Operação Unitas, alguns navios da Marinha dos Estados Unidos ainda permaneciam ancorados no Porto de Coquimbo, a cerca de 100 km a oeste do local do incidente. É provável que o silêncio do Governo Chileno sobre o ocorrido estivesse escondendo esse acontecimento pelas implicações em termos de segurança e, obviamente, pelas pressões que o governo dos Estados Unidos teria exercido.

O pesquisador Gustavo Rodríguez, do Centro de Estúdios de Fenómenos Aéreos Anómalos (CEFAA), de Santiago

“Nós não podemos saber ao certo o que foi que caiu em Paihuano, mas podemos dizer que não eram drones, nem balões meteorológicos, nem satélites ou meteoritos”, afirmou Patrício Díaz. E, alguns anos depois, em 2012, correu a notícia de que o evento se repetira, mas nada foi confirmado. Um morador local disse ter visto luzes sobre a montanha e logo em seguida foi sentido um tremor de terra, mas até onde se sabe, nada concreto foi apurado naquela área de intensa incidência ufológica.

Tremores de terra e outros tipos de eventos geológicos ou mesmo atmosféricos são comuns durante ocorrências ufológicas, especialmente quando os objetos voadores não identificados observados encontram-se muito próximos do solo, em voos de baixíssima altitude. Em casos extremos, mas também já amplamente registrados, é comum termos, além de abalos sísmicos, tempestade de raios e de areia — muitas vezes com uma apresentação dramática do céu. Por exemplo, no conhecido Caso Varginha, ocorrido naquela cidade mineira em 20 de janeiro de 1996, houve uma tremenda tempestade com raios, que acabou da mesma forma abrupta como começou. E o episódio é o de uma queda de disco voador, neste caso com a captura de seus tripulantes ainda vivos.

Norte-americanos em cena

Enfim, os exemplos são muitos ao redor do globo, como também são muitos os acontecimentos em que naves alienígenas se acidentam na Terra, quase sempre com imediato ocultamento dos fatos pelas autoridades. O citado Caso Varginha teve, neste aspecto, os mesmos componentes do Caso Paihuano, ou seja, a chegada de militares que acabam por impedir o acesso da população, dos pesquisadores e até mesmo da imprensa aos locais afetados.

E há ainda outro componente comum nestas ocorrências, que é a participação de agentes norte-americanos nos cenários de quedas. Parece que os serviços de inteligência dos Estados Unidos — leia-se espionagem — sabem absolutamente tudo que ocorre na área ufológica em qualquer lugar do mundo para se fazerem presentes e passarem à frente nos procedimentos.

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Rodrigo Fuenzalida Herrera

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