ARTIGO

O Caso da Escola Ariel: testemunhas voltam a falar 20 anos depois

Por Pedro de Campos | Edição 239 | 01 de Outubro de 2016

Uma das professoras da Escola Ariel aponta para o local onde o UFO aterrissou
Créditos: ARQUIVOS CYNTHIA HIND

Exemplo de atividade alienígena bem investigada e digna de crédito é a ocorrência conhecida como Caso da Escola Ariel, sobre o qual vamos fazer aqui uma atualização 20 anos depois do fato. O evento se deu na antiga Rodésia do Sul, atual Zimbábue, na África, um pequeno país sem saída para o mar, mas com bons pontos turísticos e vivendo em paz desde 1980, quando sua independência foi reconhecida pela Inglaterra, dando início a um governo majoritário de etnia popular nativa.

A Escola Ariel é uma instituição particular de nível primário localizada em Ruwa, à beira da Rodovia Tarisa, estrada que leva à fronteira do país com Moçambique, distante uns 20 km a leste de Harare, cidade mais populosa e capital do Zimbábue. Em 2015, a escola comemorou 25 anos de fundação. O evento ufológico se deu ali em 16 de setembro de 1994, quando a escola estava em seu quarto ano de fundação, com cerca de 250 alunos de várias etnias e idades que variavam de cinco a 12 anos. Era uma sexta-feira e as crianças brincavam no pátio de recreação, correndo e pulando em um campo gramado, quando avistaram cinco bolas prateadas no alto do terreno da escola.

Os garotos notaram que as esferas emitiram um flash de luz e sumiram no céu para depois reapareceram em outro ponto, o que se repetiu por três vezes. Na última, os objetos nitidamente começaram a descer, vindo em direção à escola — um deles aterrissou sob os olhares atentos das crianças. O terreno do pouso era acidentado, com árvores ao redor e arbustos espinhosos. No centro havia uma abertura denotando no solo uma coloração marrom-acinzentada. A estação chuvosa ainda não havia começado e a grama estava dormente. Ao lado, brotos de bambu repontavam fora do chão. Essa área do pouso, embora adjacente ao campo de recreio, não pertencia à escola, não estava cercada e não era permitido às crianças entrarem nela, dado o perigo de cobras, aranhas e outras espécies. Mas era um local tentador para o esconderijo nas brincadeiras.

Sob os olhares das crianças

Na beirada entre o terreno da escola e o ponto da aterrissagem havia apenas uma pista áspera de terra, usada por tratores e caminhões que faziam serviços nas áreas ao lado, e no ponto da incidência não era fácil caminhar, dada à vegetação. Uma linha de postes de eletricidade perfilava na beira da pista dura, de terra batida. E, de acordo com um dos meninos, o objeto que aterrissou seguiu ao longo dessa linha, antes de tocar o solo.

Naquela sexta-feira, durante o avistamento, os professores estavam em reunião, e por isso nenhum deles viu a ocorrência. Apenas a senhora Anne Kirkman, fisioterapeuta, também responsável por uma pequena barraca de lanches, estava cuidando da alimentação da garotada no recreio. Em dado momento, alguns menores correram até ela, aos gritos, falando apressadamente do que estavam vendo, mas diante de alegação tão incomum, em meio ao agito do recreio e vendendo apressadamente lanches e doces, ela tomou aquilo como uma brincadeira.

Entretanto, quando os alunos voltaram para casa e contaram o fato aos pais, estes ficaram apreensivos, porque as crianças estavam muito assustadas — eles telefonaram uns aos outros para saber da ocorrência e tiveram a confirmação daquilo que os próprios filhos haviam contado em casa. A preocupação passou a ser grande, porque dois dias antes, na quarta-feira, 14 de setembro, entre 20h50 e 21h05, milhares de zimbabuanos tinham presenciado uma chuva de meteoros. O fenômeno fora notado inclusive em Zâmbia e Botswana, países fronteiriços. Alguns diziam ter visto também um UFO. “Fosse o que fosse, era lindo, tinha luz brilhante de forma circular na frente e, por trás, uma cauda de luzes belíssimas, verde, laranja e amarela. Movia-se devagar por cima das casas e de repente mudou de direção bem silencioso”, disse uma testemunha. Era incomum para ser um fenômeno meteórico.

Começa a investigação

Os adultos, sabendo da ocorrência, comentaram o fato vivido na escola e aquilo ganhou notoriedade — muitos pais de alunos trabalhavam em empresas com filial no Zimbábue, geralmente de origem britânica, canadense ou norte-americana, e tinham contato com as matrizes. Assim, ainda no domingo, o caso rompeu as fronteiras e ganhou os noticiários internacionais. Na segunda-feira, logo cedo, os pais quiseram saber o que de fato havia ocorrido. Colin Mackie, diretor da Escola Ariel, os recebeu bem e prometeu investigar o evento. Foi então que, após ouvir sugestões, o diretor telefonou à experiente ufóloga Cynthia Hind, então moradora no Zimbábue e pessoa conhecida no movimento ufológico da Inglaterra e dos Estados Unidos, já falecida. Ela recomendou-lhe cautela e alguns procedimentos.

A informação do incidente já havia caído na redação dos jornais como uma bomba. Noticiários de todo o mundo dariam que mais de 60 crianças, por volta das 10h00 daquela sexta-feira, durante o recreio, tinham avistado discos voadores e feito contato com seres alienígenas por 15 minutos. No Zimbábue, era a primeira vez que se falava em contato de terceiro grau, evento definido na Ufologia como avistamento de um disco voador e contato com os seus ocupantes.

crédito: ARQUIVOS CYNTHIA HIND
o pátio onde as crianças brincavam quando houve a aterrissagem
o pátio onde as crianças brincavam quando houve a aterrissagem

De modo discreto, o diretor da instituição procurou saber quais os alunos que estavam no recreio da sexta-feira. Conversou amistosamente com eles e percebeu que os relatos eram parecidos — ao todo, apurou que 62 crianças diziam ter visto algo enigmático. Então, com sua longa experiência e acatando as sugestões de Cynthia, ele conversou com as professoras e pediu a elas para falarem com os jovens. Instruiu-os para que de modo contido trouxessem o caso à tona, e quando as crianças estivessem bem soltas e confiantes, estimulassem cada uma delas a fazer um desenho para mostrar o que viram. Houve então um exercício de desenho no qual se obteve 40 representações, umas bem sugestivas de contato ufológico, outras muito vagas, precisando de explicação pela falta de capacidade técnica das crianças para reproduzir as figuras.

A rede de notícias BBC, de Londres, informada por suas fontes, foi a primeira emissora a destacar uma equipe para registrar a ocorrência, chefiada pelo repórter Tim Leack, sediado na África do Sul. A pesquisadora Cynthia Hind, por sua vez, comunicada pelo diretor, foi a primeira a chegar à escola na terça-feira, 20 de setembro, minutos antes da equipe da BBC. Mackie procurou cooperar ao máximo com as investigações, embora jamais tivesse qualquer experiência com UFOs ou acreditasse a priori em tal chance, mas estava certo de que as crianças falavam a verdade. Para ele, elas tinham visto algo incomum e era preciso investigar, dado o fator extraordinário contido nos relatos.

crédito: ARQUIVO UFO
A representante da MUFON Cynthia Hind, ufóloga de destaque na África, procedeu à investigação dos fatos
A representante da MUFON Cynthia Hind, ufóloga de destaque na África, procedeu à investigação dos fatos

A prestigiosa ufóloga, com sua prática de anos e com apoio do diretor, dos professores, empregados e alunos da Escola Ariel, pôde fazer um relatório detalhado e publicá-lo depois na revista UFO Afrinews, em 1995. Tratava-se de um periódico especializado em Ufologia único na época no Continente Africano, com correspondentes na Namíbia, África do Sul e Zimbábue. O artigo recebeu o título de As Crianças da Escola Ariel. No Brasil, o episódio foi publicado na revista OVNI Documento, que existia no final dos anos 80.

Na terça-feira, ao chegar à escola, Cynthia pôde avaliar os desenhos. Então notou que em 22 deles as cenas eram bem definidas, enquanto nos demais apresentavam-se inconclusivas. As descrições, embora semelhantes no geral, no particular davam detalhes de naves e seres alienígenas segundo a observação e o impacto causado em cada criança, mas sem qualquer técnica, porque a perfeição requintada não é própria de jovens daquela idade — nos desenhos e relatos ficara óbvio que a ocorrência fôra de discos voadores, avistamentos de tripulantes fora da nave e contato visual direto com eles.

Várias etnias envolvidas

As crianças pertenciam a várias etnias: negras, brancas e asiáticas. No Zimbábue, em 1994, elas não tinham acesso aos meios de comunicação capazes talvez de influenciar sua imaginação a ponto de fazê-las relatar insistentemente uma hipotética ilusão comum a todas, sem nenhuma desmentir a outra. Ao contrário, cada qual disse o que tinha visto e deu alguns detalhes específicos, mas com emoção típica de quando a experiência é realmente vivida. Cynthia pôde entrevistar uma dúzia das mais velhas e saber detalhes da incidência, enquanto a BBC aproveitou para tomar as cenas de televisão.

Um dos alunos, Barry, disse ter visto três ou 4 objetos sobrevoando a escola com luzes vermelhas piscando. Depois, quase instantaneamente, disse que sumiram e reapareceram em outro lugar, por três vezes. Então desceram e um dos artefatos pousou perto das seringueiras. Os relatos de todos eram semelhantes, embora algumas crianças fossem mais observadoras que outras. A opinião consensual era de que o objeto principal, prateado, pousara na área indicada e a não mais de 100 m de onde elas estavam no campo de jogos, o que as fez correr para vê-lo de mais perto.

Curiosas, elas se aproximaram da nave. Um pequeno ser, com cerca de um metro de altura, apareceu no topo do objeto. Outro desceu, caminhou pelo terreno áspero em direção a elas, fazendo questão de ficar nítido, e depois simplesmente desapareceu — o mesmo ser ou outro muito parecido com ele surgiu na parte detrás do disco voador. Um dos tripulantes ficou mais tempo olhando fixamente para as crianças e depois entrou na nave. Em ato contínuo, o objeto decolou rapidamente, sumindo no céu. Segundo uma menina de 11 anos, os seres tinham roupa inteiriça e apertada, como de mergulho, na cor preta, que brilhava refletindo a luz do Sol. Tinham o pescoço magro e longo, os olhos enormes, pretos e esticados. Uma das entidades tinha o rosto pálido, cabelos pretos e longos até pouco abaixo dos ombros.

“Olhos muito grandes e oblíquos”


Uma das meninas mais velhas da turma descreveu um dos seres como de “nariz pequeno e uma boca pequena em linha reta”, acrescentando que “os olhos eram muito grandes e oblíquos”. Outra descreveu o tripulante como “fino e magro, com pescoço grande e olhos grandes e ovais”, salientando que não falara diretamente a ela, mas dera a entender por pensamento. Alguns alunos também disseram que os seres se fizeram compreender por contato telepático, tendo dito que nós estamos “poluindo e arrasando a Terra” e que, se não mudarmos de rumo, “as consequências serão terríveis”. Isso deixou as crianças inquietas, querendo saber o que estava acontecendo e o que fazer.

Uma menina, buscando ser acreditada, de imediato fez o que pôde para mostrar que não estava mentindo: “Juro por todos os meus cabelos e pela Bíblia que estou dizendo a verdade”. E foi possível ver a satisfação em seu rosto quando a ufóloga lhe disse, compreensiva, que acreditava nela. Na hora da ocorrência as crianças menores ficaram muito assustadas e gritaram socorro. Quando as mais velhas perguntaram por que estavam gritando, elas disseram: “Ele está vindo para nos comer”. Sem dúvida, havia influência de lendas ouvidas em casa, como a do “bicho-papão que come crianças”. Ainda assim, elas gritavam porque os seres não se pareciam com ninguém da Terra e lhes pareciam feios.

O diretor, interrogado sobre os gritos, disse que o alarido era comum no recreio e que ninguém se dera conta de que algo estava ocorrendo — os professores continuaram em reunião. A única pessoa disponível estava vendendo doces e lanches. As crianças a chamaram, mas, preocupada com a comida e o dinheiro, não dera atenção ao caso. Mais tarde, a senhora Kirkman diria que quando as crianças vieram correndo à cantina, falando sem parar sobre “um pequeno homem que corria com uma faixa em torno da cabeça e vestindo roupa de uma peça só”, ela não acreditou, pensando que fosse brincadeira.

Inspecionando o local de pouso

Ainda na terça-feira, 20 de setembro, Cynthia Hind saiu da escola para inspecionar o local de pouso com um repórter da BBC que levava equipamentos de televisão. Juntos estavam também seu filho e o jovem pesquisador Günter Hoffer, que levava um contador Geiger para achar radiação, um detector de metais para subsolo e um magnetômetro para campos magnéticos. Seu objetivo era ver se havia restado algum vestígio no solo. O jovem Hoffer, após exaustiva procura, não captou reação no contador Geiger nem em outros equipamentos, o que inviabilizou novos estudos para pesquisar achados.

A ufóloga e sua equipe andaram ao longo da linha dos postes de eletricidade e vasculharam detidamente o local da incidência, passaram por arbustos espinhosos, contornaram buracos de cobra, examinaram as folhagens, a terra, procuraram marcas de pouso e observaram tudo com cautela. O dia era habitual, claro e límpido, com temperatura de 33º C, e nada sugestivo de ter havido ali um pouso de nave espacial. Pelo raciocínio técnico-científico, os tocos de bambu, apresentando-se despontados no chão, e as seringueiras ao redor, ocupando espaço, teriam dificultado muito o pouso, mas o fato é que algumas crianças desenharam apêndices de apoio no chão, indicando o pouso da nave sobre pés de pouso.

Um pequeno ser, com cerca de um metro de altura, apareceu no topo do objeto. Outro desceu, caminhou pelo terreno fazendo questão de ficar nítido, e depois desapareceu — o mesmo ser ou outro parecido com ele surgiu na parte detrás do UFO

De modo intrigante, parecia que o local fora escolhido para o engenho se apoiar levemente no solo e ficar escondido por 15 minutos em meio às árvores, fazendo-se visível apenas àqueles que estavam no pátio da escola. Embora fosse um pouso incomum, os ufólogos consideraram que quem tem tecnologia para vir de tão longe, poderia tê-la também para se camuflar em um local tão difícil, visando contato seletivo, apenas com as crianças, as quais repassariam a experiência e o recado deixado.

O repórter Tim Leack, da BBC, impressionado com o que apurou no local, levou o Caso da Escola Ariel ao conhecimento do doutor John E. Mack, psiquiatra catedrático de Harvard, propondo a ele examinar o caso no Zimbábue — um especialista como Mack poderia dar contribuição valiosa ao entendimento. Mais tarde, Leack diria ao cineasta Randall Nickerson que o evento lhe deu uma nova maneira de entender a vida na Terra e no universo, e que o fato mudara sua perspectiva de vida. “Tive também a satisfação de dar ao mundo o conhecimento desse caso extraordinário”, afirmou ele.

O doutor Mack, pessoa muito conhecida, autor agraciado em 1977 com o prêmio Pulitzer de literatura por ter escrito a biografia de T. E. Lawrence, ou Lawrence da Arábia, no livro The Prince of Our Disorder [O Príncipe de Nossa Desordem, Little Brown, 1976], além de professor de psiquiatria na Universidade de Harvard, dedicava-se ao estudo de pessoas com história de abdução. Ele havia publicado, em maio de 1994, o livro Abduction: Human Encounters with Aliens [Abdução, Educare, 1997].

crédito: CORTESIA PEDRO DE CAMPOS

Intrigado com o incidente, Mack queria penetrar fundo e empaticamente no mundo experiencial das testemunhas, a fim de criar um clima de confiança para obter informes relevantes, examinar os detalhes e avaliar relatos e pessoas. Então arrumou tempo e foi ao Zimbábue. Chegou ali quase dois meses depois, em novembro, trazendo sua equipe. Passou dois dias na Escola Ariel, falou com o diretor Colin Mackie, com os professores e funcionários. E entrevistou os pais e as crianças. Então deu prioridade àquelas que se mostravam mais tocadas pela incidência, dedicando-se a trabalhar com 12 jovens, testemunhas oculares do caso.

Mack e sua colega Dominique Callimanopulos, especialista educada em Nova York e Paris, mas então vivendo em Cambridge, Massachusetts, foram capazes de chegar aos pais e professores e convencê-los de que, mesmo se não acreditassem nas crianças, seria contraproducente manifestar qualquer alusão sobre mentira ou descrença aos relatos — o psiquiatra os aconselhou a ouvir e ouvir, a fazer perguntas breves, sem qualquer sugestão, e a pensar muito sobre o que diziam. Interessado especialmente em psiquiatria infantil, Mack foi de grande ajuda nos interrogatórios para trazer à luz algumas memórias escondidas e aliviar as crianças. Após a reavaliação das entrevistas, o médico considerou que podia dar certas informações em público, para conhecimento geral de sua pesquisa.

De modo convincente


Pelos relatos das crianças, soube que o alienígena não lhes falara diretamente, assim como nós nos comunicamos pela voz. As crianças tinham fitado os olhos da criatura e diziam ter percebido com clareza que o ocupante do aparelho lhes falara por pensamento, em atitude apenas mental. Dissera que os humanos estavam destruindo a Terra com tanta poluição e que o resultado seria catastrófico. “Esses pensamentos vieram do homem, dos olhos do homem”, disse uma menina ao psiquiatra. Quem assiste ao vídeo das entrevistas, nota que o médico, com sua notável capacidade, fora hábil em colocar um grupo de crianças que passara por grave experiência em uma condição calma.

Um dos professores disse: “Quando as crianças foram entrevistadas por Mack, com sua habilidade profissional, ficou claro que estavam dizendo a verdade, tanto pela maneira da voz, como pelo tom empregado e pela linguagem corporal. Elas foram convincentes ao contar suas experiências com uma firmeza absoluta, falando na linguagem delas. Apenas uma do grupo usou um termo científico, quando se lembrou de o alienígena ter-lhe dito que não deveríamos ser tão tecnológicos nas coisas que fazemos”.

O doutor Mack analisou detidamente as entrevistas e concluiu que as crianças não tiveram nenhuma ilusão coletiva. Ao contrário, o que viram por 15 minutos fora algo real. “As crianças experimentaram intenso contato com tais seres e resta para nós um fato bastante preocupante, de que parece ser o que de fato dizem, e não dá ares de outra explicação psiquiátrica”, concluiu Mack. Certa feita, em um programa da BBC, quando o tema veio à tona, indagado se os abduzidos são levados de fato por seres extraterrestres, Mack respondeu: “Que são abduzidos de fato eu não posso afirmar, eu os levo a sério e não tenho ainda uma maneira de explicá-los”.

Harvard instaura sindicância


Na Universidade de Harvard John Mack teve colegas de todo tipo, aliados e adversários. Os professores de oposição às suas pesquisas foram contundentes e, após 40 anos de experiência psiquiátrica, o doutor Mack teve de submeter-se a uma sindicância interna para investigação de seu mais recente trabalho com pessoas que se diziam abduzidas por seres extraterrestres. Os céticos diante de tema tão controverso alegavam ter a intenção de apurar se as pesquisas do médico tinham sido realizadas com uma ótica apenas científica, com lógica e veracidade objetiva. Em razão de suas investigações em um campo ainda desacreditado pelo estágio da nossa ciência, o conservantismo submeteu-o a exame para avaliar sua relação médico-paciente e seus cuidados na questão alienígena.

Em 1994, Daniel Tosteson, reitor de Harvard, nomeou a comissão conjunta para fazer uma sindicância clínica com pessoas que relataram encontros alienígenas ao doutor Mack e investigar sua prática médica. Alguns pacientes, analisados literariamente em seu livro Abduction, que havia saído em maio do mesmo ano e tornara-se instrumento dos opositores, foram visitados na sindicância. Em uma matéria jornalística, Angela Hind escreveu: “É a primeira vez na história que um professor de Harvard é submetido a este tipo de investigação”. Mack descreveu o inquérito como kafkiano. Ele nunca fora colocado a par do status do inquérito, da natureza das acusações e dos motivos de frequentes alterações no processo. Por fim, submetidas a exame minucioso, provou-se que as acusações contra ele eram infundadas.

Nos 14 meses de investigação, a comunidade acadêmica, indignada com o processo, aumentou o número de manifestações, incluindo as do professor de direito de Harvard Alan Dershowitz, que questionou a validade de se investigar um professor que não era suspeito de violar a ética nem tivera conduta profissional inadequada: “Não se pode censurar na universidade qualquer pesquisa científica feita dentro da lei e da ética, nem impedir sua divulgação”. Harvard, em seguida, publicou uma declaração em que o reitor dizia reafirmar a liberdade acadêmica do doutor Mack para estudar qualquer assunto relacionado à psiquiatria e formular suas opiniões sem impedimento. “O doutor John Mack é membro proeminente da Universidade de Harvard”, disse.

Desacordos metodológicos?

Não obstante, para justificar a abertura da sindicância, o pesquisador fora censurado por chamados “desacordos metodológicos circunstanciais”. Mas recebera a ajuda jurídica de Roderick MacLeish e Daniel Sheehan, bem como o apoio financeiro de Laurance Rockefeller. Este, inclusive, vendo mérito nos estudos do professor, veio a financiar o Centro de Pesquisa de Mack por quatro anos consecutivos, liberando o valor de 250 mil dólares por ano. Tais fatos definiram o pioneirismo e o mérito da pesquisa acadêmica do psiquiatra. John Mack viria registrar o Caso da Escola Ariel em seu livro Passport to the Cosmos [Passaporte para o Cosmos, Crown Publishers, 1999]. Em 2004, em uma visita a Londres, desafortunadamente o professor foi atropelado por um motorista de ônibus alcoolizado e morreu no local. Quanto à Cynthia Hind, ela não poupou esforços para mostrar ao mundo o Caso da Escola Ariel, embora não tenha tido muito tempo para fazê-lo, apenas seis anos, pois também faleceu em seguida.

Intrigado com o incidente, John Mack queria penetrar fundo e empaticamente no mundo experiencial das testemunhas, a fim de criar um clima de confiança para obter informes relevantes, examinar os detalhes e avaliar relatos e pessoas

Sua história de vida é interessante. Ela servira na Segunda Guerra Mundial em uma força de mulheres para controle do espaço aéreo na Inglaterra. Casou-se com um piloto da Força Aérea Real Britânica (RAF) e teve dois filhos. Depois foi para o Zimbábue, em 1957, onde seu pai abriu uma fábrica de móveis. Em 1974, entrou para a Mutual UFO Network (MUFON) e, partir de 1981, dedicou-se integralmente à investigação dos UFOs e aos fenômenos paranormais no Continente Africano. Escreveu dois livros, dos quais um publicado no Brasil, UFOs: Contatos Africanos [Francisco Alves, 1982].

O que dizem as crianças hoje

Recentemente, visitando a África para um documentário, o cineasta norte-americano Randall Nickerson procurou saber os novos endereços dos alunos que tinham testemunhado o caso, hoje todos adultos e espalhados em vários países do globo. Então os rastreou e conseguiu achar alguns deles. “Suas histórias não mudaram em nada”, disse o cineasta. Entrevistando-os, soube que viram uma nave principal de cor metálica rodeada de quatro outras menores. Notaram que a pequena frota descera em uma abertura entre as árvores, além do pátio e fora dos limites da escola. Então, todos correram para ver o que era. Os meninos observaram uma pequena criatura caminhar em cima da nave, enquanto outra desceu para observá-los.

O tripulante estava todo de preto, com roupa muito apertada, tinha olhos grandes, inclinados na face e esticados — o contato visual era direto com a criatura. Houve algum tipo de comunicação sobre o estado do nosso mundo, sobre o que estamos fazendo ao planeta, a destruição que estamos provocando etc, mas nem todos captaram a mensagem. Alguns ficaram traumatizados, outros não. Os mais impactados foram os menores da frente, que ficaram em contato visual com a criatura. Eles voltaram gritando aos professores, que de início não acreditaram no que contavam. Mas, em seguida, quando voltaram para casa, os pais preocupados foram à escola saber da ocorrência. Aí tiveram início as investigações.

As crianças, agora adultas, foram achadas no Canadá, Estados Unidos, Inglaterra, Irlanda e também no Zimbábue. E cada qual recontou sua experiência da mesma maneira, reafirmando tudo o que vira, afastando hipóteses como brincadeiras, alucinação coletiva ou qualquer outra imputação cética. Vamos observar aqui apenas a sentença final que cada uma delas deu agora ao evento passado. A primeira testemunha disse: “Aquele rosto jamais sairá da minha mente”. A segunda: “Nós todos nos encontramos depois e então sempre nos abraçávamos e balançávamos a cabeça dizendo que foi a experiência mais incrível de nossas vidas”. A terceira: “Foi estranho, foi emocionante. Não se vê esse tipo de coisa todo dia. Foi uma única vez e uma grande experiência para a vida toda”.

“Gostaria de reviver a experiência”


As reações colhidas por Nickerson com as testemunhas, hoje adultas, foram cada vez mais interessantes. Eis o que disse a quarta consultada: “Sabemos que não basta apenas falar para o caso ser certificado como verdade, mas algo incomum de fato aconteceu ali. Se era disco voador ou quem sabe o quê, não podemos comprovar de uma maneira ou de outra, mas em definitivo não foi algo corriqueiro o que aconteceu naquele dia e deixou a escola toda em polvorosa”. A quinta: “Se há uma experiência na minha vida que eu gostaria de reviver seria essa em particular”. Algumas testemunhas, ainda moradoras no Zimbábue, agora moços e moças, reunidos na escola, apontaram na direção em que viram os objetos, em 1994, e um pai disse do filho, que estava ao lado: “Ele nunca parou de falar nisso, nunca quis parar de falar sobre o caso. Passado todo esse tempo, tem para si que de fato aconteceu”.

Uma professora confessou a Nickerson que acreditava na história das crianças e que estava convencida de que tinham testemunhado algo verdadeiramente extraordinário. “Eu não acredito por um só instante que se poderia conseguir que todas as crianças inventassem algo assim ou fosse apenas ilusão. Realmente não sei o que foi, mas conheço criança bem o suficiente e não acho que fosse uma invenção. Assim, estou certa de que algo extraordinário aconteceu naquele dia”, disse a educadora.

O Caso da Escola Ariel é tido como dos mais notáveis da Ufologia. Estudos efetuados conseguiram levantar grande variedade de detalhes e relatos testemunhais altamente confiáveis. Quando algo extraordinário vem por meio de uma criança, com sua pureza infantil e espontaneidade característica, sem influência do adulto que se acostumou ao mundo competitivo e costuma fazer da sinceridade um alvo apenas conveniente, o relato infantil se faz sincero e
agrega valor ao testemunho.

Interpretando o episódio

O caso em questão foi testemunhado por nada menos que 62 alunos durante o recreio das aulas, no pátio do colégio, no período da manhã de um dia de Sol com o céu aberto. Não havia chance de engano. Os aparelhos observados — uma nave principal de 10 m de diâmetro e outras quatro menores de 2 m cada —, não poderiam ser feitos pelo homem, ainda que secretos. Porque já se passaram duas décadas do ocorrido e ainda não há engenho aéreo que possa aterrissar silencioso e com precisão absoluta em uma área tão pequena e cheia de vegetação como aquela e, depois, levantar voo.

A nave maior teve de ser precisa para caber naquele pequeno local, ficar oculta e seus tripulantes contatarem apenas as crianças. Uma conclusão derivada foi que os quatro artefatos menores, supostamente de escolta, não poderiam ter sido desovados da nave maior avistada, porque não haveria dentro dela espaço disponível para seu alojamento. Portanto, os engenhos teriam sido emitidos por uma nave-mãe de grandes proporções, não observada por ninguém — não se descarta também que a frota tivesse por missão algo relativo à chuva de meteoros verificada dois dias antes na região.

Os ufólogos que estiveram no local notaram as evidências físicas do pouso. E, no fim da primeira semana, o chefe dos cinegrafistas da BBC concluiu que seria conveniente examinar também, para uma análise completa, os fatores de cunho psicológico. Então, ele mesmo contatou John Mack, que foi ao local estudar o caso. Os professores da Escola Ariel, por sua vez, estavam convencidos de que algo incomum fora visto. Sabiam que uma criança, isoladamente, quando fala mentira, esta não se sustenta por muito tempo, porque, quando juntas, se apertadas, uma acusa a outra de estar mentindo e a verdade logo vem à tona. Chamadas cada qual a falar do caso, todas disseram coisas semelhantes, e quando reunidas, uma corroborou a outra com detalhes da mesma ocorrência, ajudando na montagem completa da incidência.

Tipo de alienígena em contato

Conforme os estudos, concluiu-se que se o alegado contato de terceiro grau não podia oferecer prova concreta, tampouco podia ser refutado com argumentos de ordem psiquiátrica ou psicológica — o fato incomum havia sido presenciado por mais de meia centena de crianças, testemunhado com lucidez e voz alta por todas elas e desenhado no papel por 40 das mais hábeis. Os objetos, identificados como discos voadores, tinham dentro ocupantes inteligentes e tão físicos quanto nós, e quando observados fora da nave, parados, andando e correndo, eram de uma espécie diferente da espécie humana.

Resta-nos aqui tentar entender se o contato com as crianças seria mais sugestivo de seres extraterrestres (ETs) ou de entidades ultraterrestres (UTs). O primeiro tipo teria corpo denso como o nosso, enquanto o segundo teria corpo ultrafísico, seria uma criatura de outra dimensão do espaço-tempo. Vamos examinar melhor esta questão. Os ETs, propriamente dito, seriam astronautas de outras civilizações, seres com limitações relativas ao seu corpo, razão pela qual nos causa estranheza o fato de estarem sem equipamento de proteção, de respirarem a nossa atmosfera e no, contato pessoal, apresentarem os olhos descobertos.

crédito: HARVARD
John Mack, psiquiatra de Harvard que estudou o caso e interrogou as crianças [Acima] que avistaram a nave e os seres extraterrestres
John Mack, psiquiatra de Harvard que estudou o caso e interrogou as crianças [Acima] que avistaram a nave e os seres extraterrestres

É difícil ter como normal que a nossa atmosfera não lhes causasse impedimento à presença física desguarnecida nem que a nossa comunicação vocal não lhes fosse obstáculo ao entendimento. Porque os alienígenas se apresentaram sem vestimentas de astronautas, fizeram gestos comunicativos, movimentos de teor infantil e falaram mentalmente pelo olhar nos olhos, fazendo telepatia com crianças que jamais tinham experimentado esse tipo de interação mental.

A comunicação por pensamento entre os seres humanos já se mostrou viável em laboratório para os que possuem tal facilidade mental, dando mostras de ser uma faculdade humana em estado potencial. Sendo assim, embora difícil, a telepatia não seria impossível para seres densos, o que parece ser o caso dos ocupantes da nave. As crianças, inicialmente a 100 m de distância quando a nave pousou, correram para a cerca da escola e ficaram de frente aos aliens, à distância de não mais que duas dezenas de metros — em posição perfeita para vê-los bem e fazer comunicação por voz alta e direta.

Por certo, de modo alternativo, também há chance de que tais seres fossem androides, algum tipo de robô com enxerto orgânico ou até mesmo alguma projeção holográfica. Contudo, em todas estas hipóteses, causa estranheza o fato de olharem nos olhos e transmitirem pensamento improvisado, capacidade que seria própria dos seres vivos, não de máquinas. “O homem está poluindo e arrasando a Terra. Se não tomar outro rumo, as consequências serão terríveis”, disse o alienígena, por telepatia, a várias crianças. Tal fato enfraquece a hipótese de maquinaria, mas não a anula.

Transmitir e receber pensamentos

Quanto à hipótese de tais entidades terem corpos ultrafísicos (UTs), naturais de uma dimensão rarefeita, de modo contrário não apresentavam uma constituição refinada — não tinham a silhueta luminosa, a beleza dos seres angélicos nem denotavam saber e elevação moral tão superior que pudessem ser tomadas como tais. Embora os aliens fossem capazes de transmitir e receber pensamentos, capacidade tida como natural e ampliada em entidades ultrafísicas, ainda assim apenas esta aptidão não seria suficiente para dá-las como UTs. Porque alguns humanos são capazes de emitir e receptar impulsos mentais e estima-se que, quando a nossa espécie estiver mais aprimorada, um número cada vez maior de indivíduos será capaz de fazê-lo. É possível prever que este estágio mais avançado já tenha sido alcançado por outra civilização de corpo denso, ETs na acepção da palavra, em um degrau de progresso acima do nosso.

crédito: RAFAEL AMORIM
Seres extraterrestres com e sem capacetes e roupas adequadas ao nosso ambiente vêm sendo observados em todos os lugares da Terra
Seres extraterrestres com e sem capacetes e roupas adequadas ao nosso ambiente vêm sendo observados em todos os lugares da Terra

Então temos que seres do tipo cinza, os grays, como os testemunhados na Escola Ariel, poderiam ser ETs como os conhecemos e estudamos. Nas investigações especializadas não houve afastamento desta hipótese pelo psiquiatra John Mack nem pelos ufólogos que investigaram a incidência na Escola Ariel, tampouco houve embaraço capaz de invalidar a bom juízo os 62 testemunhos desse contato de terceiro grau. A concretude do evento permitiu classificá-lo como de origem extraterrestre, envolvendo astronautas de uma espécie diferente da nossa que chegaram à Terra, fizeram contato comunicando alerta sobre a natureza, mas misterioso pela informalidade.


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Sobre o Autor

Pedro de Campos

Casado e pai de três filhos, Pedro de Campos nasceu em 1950, na capital paulista. Formado em mecânica e telecomunicações, trabalhou por 25 anos na Olivetti do Brasil. Como administrador de empresas, esteve no comando do planejamento industrial da empresa. Trabalhou dois anos na Itália chefiando a qualidade e transferindo para o Brasil tecnologia para transmissão de dados via satélite. Campos teve contato com o Espiritismo por intermédio de sua mãe, que cursou a Federação Espírita de São Paulo e fundou o Centro Espírita Ana Belhunas, em 1963. Começou a participar de sessões espíritas aos 13 anos, e no decorrer dos tempos desenvolveu mediunidade e recebeu treinamento, tornando-se um pensador espírita.

Psicografou o consagrado livro Colônia Capella: A Outra Face de Adão [2002], do autor espiritual Yehoshua ben Nun, e foi contratado pela Lúmen Editorial para lançar seus livros por essa editora. Participou de pesquisas e vigílias ufológicas e iniciou a coleção Uma Visão Espírita da Ufologia, inédita, com o livro Universo Profundo: Seres Inteligentes e Luzes no Céu [2003], do espírito Erasto. E foi continuá-la no livro UFO: Fenômeno de Contato [2005], sobre a pluralidade dos mundos habitados e seres ultraterrestres. Prosseguiu com Um Vermelho Encarnado no Céu [2006], em que mostrou os acontecimentos vividos por pessoas que tiveram contato com UFOs, inclusive ele próprio, com destaque ao estudo de ETs sólidos e à primeira sessão de “desabdução”.

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