Edição 270
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O Apocalipse bíblico é guia para a transição planetária

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23 de Jul de 2019
Em entrevista conduzida pela apresentadora Hebe Camargo, em 1985, Chico Xavier respondeu sobre a profecia de uma terceira guerra mundial
Créditos: ANDRÉ CARDOSO

Vivemos tempos decisivos para nosso planeta e para nossa civilização. Atravessamos limiares inéditos no curso da história e nunca as decisões foram tão importantes para definir que caminho nossa evolução vai seguir. E embora venhamos convivendo cada vez mais com os conhecidos profetas do apocalipse que adoram apregoar datas para o fim do mundo, a verdade é que estamos mesmo em fase de transição em nosso planeta. Mas não estamos tão à deriva como pensamos, pois temos um livro para nos orientar.

O estudo do livro bíblico do Apocalipse ou Livro das Revelações nada tem a ver com fanatismo religioso ou com a loucura de alguns profetas do caos que utilizam a ingenuidade das pessoas para lucrarem com ela. Porém, é certo que o estudo do livro traz o desafio de se identificar quais eventos — no tempo e no espaço — estão indicados em suas linhas, além de ser um texto caracterizado por burilado edifício conceitual e analítico, em torno das revelações mediúnicas de João.

Indagado sobre o fato de a Bíblia encerrar símbolos especiais para a educação moral do homem, o espírito de Emmanuel, psicografado pelo médium Cândido Xavier respondeu no livro O Consolador [FEB, 1941] que “todos os documentos religiosos da Bíblia se identificam entre si no todo, desde a primeira revelação, com Moisés, de modo a despertar no homem as verdadeiras noções do seu dever para com os semelhantes e para com Deus”.

Guia para o apocalipse

Em entrevista conduzida pela apresentadora Hebe Camargo, em 1985, Chico Xavier respondeu sobre a profecia de uma terceira guerra mundial que poderia ocorrer no planeta e fez as seguintes considerações: “Muitas vezes nós falamos em fim do mundo, mas a verdade é que se houver um fim do mundo, ele se debitará à ambição e ao ódio entre os homens, mas não a uma ordem divina”. No livro Jesus em Nós [Editora Geem, 1986] lemos que “os armamentos são cada vez mais especializados para veicular a morte de milhões de pessoas. Então, o homem não tem o que indagar sobre o fim do mundo, porque qualquer transformação mais trágica do mundo virá do homem e não da bondade de Deus”. E ainda assim, segundo dizia Chico Xavier, nós recebemos um “guia” há quase 2.000 anos sobre o que nos esperava no futuro.

Na linha da revelação positivada por intermédio da mediunidade de Chico Xavier, entendemos que o mais importante é se ter em conta que a Europa corresponde ao ícone mais destacado que se afigura para marcar o período da transição planetária. No livro Apocalipse Segundo o Espiritismo [Vinha da Luz, 2017], mostramos que o médium nos legou relevantes marcos temporais para o devido balizamento dos eventos do Apocalipse. O estudo dos trabalhos de Chico Xavier nos permitiu compreender que há uma cronologia no Apocalipse, mas não estritamente na sequência dos seus capítulos. Ou seja, há uma sequência, mas que não é exata ou linear. Ademais, a mediunidade de Chico Xavier enseja a constatação de que nos encontramos em fase avançada do apocalipse.

A Constelação do Cocheiro, onde está a estrela Capela, a mais brilhante. Os espiritualistas defendem que a humanidade veio de um planeta em sua órbita

FONTE: ESA

Constata-se no texto bíblico uma passagem que indica o limite do livre-arbítrio dos homens, quando do mau uso de sua liberdade: “E o sétimo anjo derramou a sua taça no ar e saiu grande voz do templo do céu, do trono, dizendo: Está feito”. A expressão “está feito” indica o atingimento de uma data limite, a concretização de uma fase concedida por Deus para a atuação dos homens, a partir da qual, se os caminhos não se endireitam, sopram os vendavais de grandes mudanças.

Emmanuel menciona o exemplo do Império Romano, que recebeu todos os recursos para a consecução de sua missão espiritual. Diante do desprezo de séculos de empenho espiritual para que Roma se adequasse aos desígnios maiores, “uma força invisível arrancou-lhe todos os diademas, tirou-lhe as energias e lhe reduziu as glórias a um punhado de cinzas”. O Apocalipse, portanto, é importante no que diz respeito à transição planetária, marco da mudança de fases entre o mundo de provas e expiações e o planeta de regeneração.

Apocalipse e transição

Em termos espíritas, compreende-se que estamos enfrentando uma fase de transição para ultrapassar a realidade de sermos um planeta caracterizado por provas e expiações, “para ser um mundo de regeneração, de reequilíbrio, de felicidade. Encontramo-nos em processo de evolução”, como nos disse Chico Xavier. Nas palavras de Emmanuel, “sabemos todos que a humanidade terrena atinge, atualmente, as cumeadas de um dos mais importantes ciclos evolutivos”.

O Apocalipse é um conjunto de profecias que trata dessa fase de transição moral que se verifica no planeta, e que aborda algumas visões antecipadas do mundo de regeneração que nos aguarda. Pelo ângulo do recorte temporal, viu-se que o livro diz respeito ao período entre a comunicação mediúnica com João, que teria acontecido, de acordo com Emmanuel, “alguns anos antes de terminar o primeiro século”, até o início da fase de regeneração.

Emmanuel nos explica que no final do primeiro século, as potestades espirituais fizeram uma análise da situação delicada do planeta nos anos que se seguiriam. Esse levantamento está em sintonia com os primeiros capítulos do Apocalipse e com o livro de Daniel. Desde o primeiro século, os espíritos puderam constatar a lamentável perspectiva de assimilação dos ensinos do Evangelho. Foram, assim, estabelecidos novos planos de progresso para a civilização a partir das comunidades situadas na Europa.

Os armamentos estão cada vez mais especializados para veicular a morte de milhões de pessoas. Então, o homem não tem o que indagar sobre o fim do mundo, porque qualquer transformação mais trágica dele virá do homem e não da bondade de Deus

É muito importante destacar que, de acordo com a explicação de Emmanuel, Roma já não apresentava relevância para auxiliar as forças espirituais superiores sobre o orbe — pelo contrário, afigurava-se como um problema. Essa informação indica que não se faz pertinente a correlação do Império Romano com a Grande Babilônia, cuja queda foi prenunciada.

Na linha do mesmo relato, o objetivo do Apocalipse é servir de advertência para a humanidade. O texto também aponta para o recorte temporal acima referido: o Apocalipse trata de eventos posteriores à existência de João. Emmanuel indica, ainda, elementos presentes por detrás da simbologia do Apocalipse: as guerras, as nações futuras, os tormentos futuros, o comercialismo, as lutas ideológicas da civilização ocidental e a Igreja transviada de Roma, simbolizada na besta vestida de púrpura e embriagada com o sangue dos santos. O Livro das Revelações pode ser resumido como a saga moral de uma coletividade após receber a visita encarnada de seu Cristo planetário. Portanto, o Apocalipse é o livro que trata do roteiro da humanidade na linha da lei de causa e efeito e à luz de uma específica responsabilidade: a frutificação do evangelho nos corações de cada indivíduo.

A saga dos arianos

A deturpação dos ensinamentos de Cristo no plano carnal e os desvios das nações tidas por civilizadas estão diretamente relacionados à saga dos arianos, explicada por Emmanuel no livro A Caminho da Luz [FEB, 1939]. Segundo ele, a civilização ocidental originou-se dos chamados povos arianos, que consistiam em espíritos provenientes de um dos planetas que orbitam a estrela Capela que foram degredados para a Terra em virtude de não terem acompanhado o passo evolutivo de seu planeta.

Diz Emmanuel que “a realidade é que, como os egípcios, os hindus eram um dos ramos da massa de proscritos de Capela, exilados no planeta. Deles descendem todos os povos arianos, que floresceram na Europa que hoje atinge um dos mais agudos períodos de transição na sua marcha evolutiva”. Na mesma obra, são apresentadas algumas características da personalidade ariana: “Os arianos, que procuravam as novas emoções de uma terra desconhecida, eram, na sua maioria, os espíritos revoltados com as condições do seu degredo. Pouco afeitos aos misteres religiosos que, pela força das circunstâncias, impunham uma disciplina de resignação e humildade, não cuidaram da conservação do seu tradicionalismo, na ânsia de conquistar um novo paraíso e serenarem, assim, as suas inquietações angustiosas”.

Vê-se, pois, que a cultura ariana é marcada pela volúpia das conquistas, das dominações, pela inquietante perseguição às posses transitórias, pelo predomínio da força e pela revolta — não é difícil constatar o mesmo perfil nos traços da cultura ocidental atual. As guerras de todos os tempos são indicativas da busca humana por glória, poder e dominação. A irresignação, marca da cultura ariana, consiste em um dos problemas centrais a ser solucionado, de sorte a permitir uma migração para a era de regeneração com a menor conturbação possível.

A religiosidade exacerbada desvirtuou os ensinamentos contidos no livro bíblico Apocalipse

FONTE: ECCLESIA

A importância disso é que os atuais representantes da raça ariana, segundo Emmanuel, vivenciam “um dos mais agudos períodos de transição na sua marcha evolutiva”. É de se questionar, pois, como os ocidentais ou “arianos modernos” reagirão aos desafios postos pela transição planetária. A solução para evitar o pior cenário, segundo Chico Xavier, seria a resignação, tocando no ponto central para a atualidade. Cuida-se da prova de fogo para a cultura ariana-ocidental, após praticamente 2.000 anos de Cristianismo no planeta. A almejada resignação significa atravessar o grave contexto de crise sem tentar solucioná-lo com conflitos armados. Pode se tratar de uma crise em vários âmbitos, incluindo o econômico e o social. Os acontecimentos modernos nos permitem conceber vários cenários.

Na ótica da transição planetária, é certo que passaremos, em maior ou menor grau, por uma fase de desafios. A história humana, por outro lado, avaliada à luz da lei de causa e efeito, não autoriza os melhores presságios. Como visto, por meio de Chico Xavier foi revelado que na transição entre a fase de planeta de provas e expiações para o estágio de planeta em regeneração, a cultura ariana-ocidental será submetida a um período agudo, um contexto de crise que poderá levar as nações proeminentes do globo a uma guerra de grandes proporções. Se estiver correta a leitura que fizemos dos textos transcritos, esse período de dificuldades representará a prova de fogo para os sucessores da raça ariana, uma vez que serão desafiados no seu ponto fraco: a irresignação perante as vicissitudes da vida terrestre e a atuação da lei de causa e efeito.

 Novamente o Apocalipse

O que o Apocalipse nos revela a respeito? Existe algum apontamento sobre a possibilidade de a cultura ariana sobrepujar esse desafio? Aqui é necessário que tenhamos sempre em mente que o Livro das Revelações foi escrito em uma época em que a tecnologia como a concebemos hoje não existia, portanto João fez o que pôde para descrever aquilo que lhe era mostrado.

Cabe considerar que a interpretação do conjunto dos capítulos 9, 10 e 11 do Apocalipse é especialmente desafiadora. Para compreensão do que tratam esses capítulos, é necessário avaliar o conjunto dos “três ais” que estão relacionados às três últimas trombetas. No caso do segundo deles, que diz respeito à inquisição, a relação com a segunda trombeta é indireta. Uma interpretação sistemática desses três capítulos permite considerar que se tratam de padecimentos — ou “ais” — relativos à grande prostituta, que é a besta apocalíptica. A pergunta inicial, para retirar a mensagem dos símbolos, está em Provérbios 23:29: “Para quem são os ais? Para quem os pesares? Para quem as pelejas? Para quem as queixas? Para quem as feridas sem causa? E para quem os olhos vermelhos?”

A partir dessa indagação, que nos leva a responder para quem são direcionados os três ais, e com o auxílio da mediunidade de Chico Xavier, foi possível obter algumas conclusões satisfatórias. Emmanuel, na obra A Caminho da Luz, elucida o envio de Francisco de Assis no contexto dos mais dolorosos desvios do institucionalismo romano. Esse parâmetro nos permitiu situar os capítulos 9, 10 e 11 do Apocalipse em paralelo com o capítulo da citada obra cujo título é Os Abusos do Poder Religioso.

Os arianos procuravam novas emoções em uma terra desconhecida. Eram espíritos revoltados com as condições do seu degredo e pouco afeitos aos assuntos religiosos, que, pela força das circunstâncias, impunham uma disciplina de resignação

Outro desafio à leitura do conjunto dos capítulos 9, 10 e 11 é o fato de apresentar dois assuntos entrecruzados — enquanto a mediunidade de João descreve a guerra e suas máquinas, de permeio são relatados os mais salientes desvios da Igreja romana. A apresentação paralela desses assuntos gera dúvidas, principalmente sobre a relação entre um e outro. Adiante serão transcritas preciosas lições da lavra mediúnica de Chico Xavier que ajudam a explicar essa relação.

Assim, o Apocalipse trata do primeiro ai, que seriam as cruzadas. Na sequência, trata das máquinas de guerra e seu poder destrutivo. E também trata do segundo ai, que seria a Inquisição. No Livro das Revelações tem-se nova descrição de máquinas de guerras, e também nele está descrito o terceiro ai para a Igreja romana, que seria o advento das novas luzes e do Espírito da Verdade. Assim, os ais são para a grande prostituta, embriagada do sangue dos santos, que é o próprio institucionalismo romano com pretensões de Cristianismo.

Na sequência, o importantíssimo capítulo 9 do Apocalipse aduz visões do apóstolo João que novamente permitem identificar máquinas de guerra. No trecho 17-19, a impressão que fica é a de descrição de tanques de guerra ou de lançadores de mísseis, o que se pode concluir a partir dos seguintes elementos: couraças de fogo, fogo, fumaça e enxofre (pólvora) expelidos pela boca, poder de destruição nas bocas e nas caudas, caudas semelhantes a serpentes, cujas cabeças (ogivas) danificam.

Os ídolos que não podem ver, ouvir e andar constituem as buscas materialistas da civilização atual, que bem perpetuam a cultura ariana. A manutenção desse estado, no orbe, pode nos conduzir para mais um confronto sob ameaça atômica. Não obstante os inúmeros avisos espirituais e apesar dos horrores das guerras mundiais já experimentados, a humanidade parece caminhar para outro encontro destrutivo. Se tal ocorrer, pode-se compreender o lamento grafado no Apocalipse sobre o fato de os homens não se arrependerem de seus erros clamorosos.

Guerra inevitável?

O capítulo 9 do Livro das Revelações, assim, destaca o problema das guerras no período de transição — e não foram poucas as advertências de Chico Xavier nesse sentido. Sobre o tema, constata-se ao menos seis registros colhidos diretamente do grande médium brasileiro. O primeiro é a sua entrevista ao programa Pinga Fogo, dada à extinta TV Tupi em 1971, tendo à frente o apresentador Saulo Ramos, quando previu a possibilidade de a humanidade envolver-se, dentro dos 50 anos subsequentes, em um conflito de grandes proporções.

O segundo é a entrevista concedida à apresentadora Hebe Camargo, em 1985, oportunidade em que foi mencionada expressamente a possibilidade de uma terceira guerra mundial. O terceiro é um vídeo de data desconhecida, talvez gravado por volta de 1986, em que Chico Xavier diz que “estamos certos de que o mundo caminha para grandes realizações caso uma grande guerra não venha nos perturbar”. O quarto é um trecho de documentário da Federação Espírita Brasileira (FEB), de 1987, o quinto ocorreu em uma participação no programa Terceira Visão, da TV Bandeirantes, de 1987, e o sexto é uma manifestação externada em palestra no Centro Espírita Perseverança, em São Paulo, realizada em dezembro de 1992, sobre possíveis migrações de irmãos de outras terras para o Brasil, que virão em busca de paz.

Faz-se necessário demonstrar que a mediunidade de Chico Xavier apresentou o tema guerra na condição de ponto capital para as trilhas futuras da humanidade na fase de regeneração. Emmanuel indica que não caminharemos para a fase posterior de nossa evolução sem extirparmos de vez do planeta o “monstro da guerra”: “Não podemos alhear-nos do preço que a Terra pagará pela promoção. Sem dúvida, os campos ideológicos da vida internacional entrarão em conflitos encarniçados pelo domínio. As nuvens de ódio que se avolumam na psicosfera do planeta rebentarão em tormentas arrasadoras sobre as comunidades terrestres”.

Armas de extermínio em massa, como mísseis termonucleares, estão descritos com perfeição no Apocalipse, mas, evidentemente, com linguagem da época

FONTE: IME

De maneira mais enfática, Chico Xavier, na já citada entrevista à Hebe Camargo, faz referência ao “saldo cármico” do planeta em virtude das guerras anteriores, reafirma o que disse ao público na TV Tupi, em 1971, sobre a necessidade de a humanidade pagar o preço da paz, pressuposto para uma regeneração sob melhores perspectivas: “Tudo indica que se não trabalharmos coletivamente com todos os meios ao nosso alcance para que isto seja evitado, de fato uma nova calamidade pode ocorrer sobre nós. Agora, vamos fazer a força possível para que isto não aconteça ou que aconteça pelo mínimo, se é que nós não podemos estar livres de débitos tão grandes”.

Para finalizarmos os comentários sobre esse capítulo do Apocalipse, deve-se elucidar a relação entre o fenômeno das guerras e os ais da Igreja romana. Cabe compreender o motivo que levou a essa costura entre assuntos que, em uma primeira avaliação, não se corresponderiam. A explicação é apresentada por Humberto de Campos. Disse ele: “O que se intensificou em toda parte da Terra, arruinando os setores da atividade humana, foi aquela crise espiritual a que Gandhi se refere em suas exortações. O Ocidente poderia salvar-se conservando o equilíbrio do mundo se o Cristianismo, em sua simplicidade e pureza, não fosse deturpado pelas igrejas mercenárias”. Em suma, o planeta teria se conduzido por outro rumo se o institucionalismo religioso não houvesse privado da humanidade os exemplos e puros ensinamentos de Jesus.

Os “ais” da transição

Em seu capítulo 16 o Apocalipse trata das tribulações finais — ou taças — da fase de transição. A sétima e última taça, mencionada no capítulo, opera ao mesmo tempo como fecho da fase de provas e expiações e abertura de um novo ciclo para a fase de regeneração. Aqui são arroladas as sete provações finais que se concretizariam ao longo da transição planetária, por meio da qual a humanidade retira-se do estágio de provas e expiações rumo a uma era de regeneração.

A chamada “ira de Deus” é a lei de causa e efeito em ação. A primeira taça diz respeito à manifestação das mazelas da doutrina dogmática romana. O significado do sinal da besta, que é o da Igreja romana, foi explicado quando dos comentários do Livro das Revelações. As segunda e terceira taças dizem respeito às revoluções e batalhas sangrentas ocorridas nos momentos finais da fase de provas e expiações.

No Apocalipse, o mar representa comunidades, povos, línguas e nações. A fonte das águas é o fundamento desses agrupamentos. É importante constatar que em 1990, durante a Guerra do Golfo, o espírito de Castro Alves, por intermédio de Chico Xavier, escreveu linhas de tom manifestamente apocalíptico, como se pode aferir pelos trechos a seguir: “No Golfo Pérsico é noite. Revejo a nuvem da guerra pairando, acima da Terra, a espalhar-se na amplidão”. Sabe-se que a Guerra do Golfo, aprovada pelo Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), por meio da Resolução 678, trouxe dor e destruição para a região cortada pelo Rio Eufrates. Também Emmanuel transmitiu pela mediunidade de Chico Xavier um texto com nítida inclinação apocalíptica: “A tempestade avizinha-se nos horizontes políticos e sociais do mundo inteiro. Todas as vozes falam de um perigo iminente e todos os corações sentem algo de estranho no ar que respiram. Fala-se no coletivismo, recolhendo-se cada qual no exclusivismo feroz, e fala-se de nacionalismo e de pátria, dentro do mesmo conceito de egoísmo e de isolamento”.

O Apocalipse é um conjunto de profecias que trata dessa fase de transição moral que se verifica no planeta, e que aborda algumas visões antecipadas do mundo de regeneração que nos aguarda. Ele tem todas as respostas que precisamos para encarar os tempos atuais

E continua: “Esses extremismos caracterizam um período de profunda decadência nos costumes sociais e políticos desta época de transições. Apesar, porém, de sua complexidade, esse fenômeno pode ser definido como a angústia generalizada do homem, nas vésperas de abandonar a sua crisálida de cidadão. Todos os acontecimentos que abalam o planeta, espalhando nos seus recantos mais remotos uma onda revolucionária e regeneradora, significam o trabalho intenso e difícil da laboriosa gestação do novo organismo de leis pelo qual se regerão, mais tarde, os institutos terrenos”.

Para não deixar dúvidas sobre o assunto do qual tratava, Emmanuel apresenta uma mensagem cujo título é Nas Convulsões do Século XX, mas que parece se ajustar à perfeição aos tempos que vivemos neste começo do século XXI, cujos trechos mais relevantes são transcritos: “Não bastaram as torrentes do infortúnio que as grandes guerras do século lançaram sobre os vales do mundo. Amontoam-se pesadas nuvens nos céus do Oriente e do Ocidente. Quem impedirá a tempestade de suor e lágrimas? Época de profundas aflições, dir-se-ia encontrarmos no século XX o fruto de sangue de 16 séculos de menosprezo à luz espiritual. Os aviltamentos do ódio campeiam em todos os climas. Arraiga-se a injustiça com a máscara da legalidade nas organizações dos países mais nobres. Há desvarios do poder em toda parte”.

E segue Emmanuel: “A desconfiança e a discórdia regem as relações internacionais. Racismo tirânico perturba povos avançados. Conflitos ideológicos tremendos aguçam o raciocínio a soldo da ciência perversa. O conceito de civilização flutua ao sabor dos grupos dominantes. Para alguns, repousa na economia ou na força. Para outros, no direito exclusivista ou na liberdade de praticar o mal. E, do que podemos presumir, não está próxima a equação do inquietante problema”.

Em comentários anteriores foram apresentados seis registros colhidos diretamente de Chico Xavier que atestam alertas do médium para um terceiro conflito mundial de grandes proporções. — em alguns desses registros, o conflito nuclear é abordado expressamente. Remete-se o leitor novamente às sérias previsões ali contidas. Também foi demonstrado que, a partir da Guerra do Golfo, Chico Xavier psicografou advertências com tom evidentemente apocalíptico.

Data limite

Na referida entrevista concedida à TV Tupi, Chico Xavier previu que o progresso se faria mais nítido, a denotar uma transição menos atribulada para o planeta, se não ingressássemos em uma guerra de extermínio nos 50 anos subsequentes à chegada do homem à Lua, em 20 de julho de 1969. A notória manifestação do médium é abordada no livro e no documentário Não Será em 2012: Chico Xavier Revela a Data Limite para o Mundo Velho [FEB, 2012] e no documentário Data Limite Segundo Chico Xavier [2014].

Com suporte nas leis gerais que regem a mediunidade de presciência deve-se ter em mente que todas as datas manifestadas por revelações são probabilidades que poderão se assentar no plano dos fatos com alguma variação, em razão do livre-arbítrio dos homens. Exatamente por isso ensinou Jesus: “Mas daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos do céu, mas unicamente meu Pai”.

Seres chamados de arianos e conhecidos na Ufologia como nórdicos foram os que migraram de Capela para a Terra na Antiguidade

FONTE: MEET THE ALIENS

É interessante notar, todavia, que a mediunidade de Chico Xavier permite a comparação das fases finais do período de provas e expiações com as horas de um relógio caminhando adentro na noite. As horas avançadas são empregadas como uma ilustração para indicar a aproximação dos períodos mais obscuros. Nas palavras do espírito de Anna Justina Ferreira Nery, tida como a primeira enfermeira do Brasil: “Grandes horas estes momentos do mundo inteiro. Marcam solenemente no relógio da eternidade os desvarios da Terra!”

Se é verdade afirmar que o planeta somente avançará para a fase de regeneração após a superação do paradigma bélico, por outro lado cabe refletir se a humanidade segue no roteiro da eliminação das armas. Como se sabe, os últimos anos têm demonstrado uma nova corrida armamentista entre as potências dominantes do globo. É verdade que um movimento de paz e de redução armamentista poderá eclodir a qualquer momento, e o sucesso de um empreendimento dessa natureza dependerá de atuação individual e coletiva. Todavia, não é menos verdade que na atual fase não há indícios de superação do cenário bélico.

Tudo o que foi dito até aqui é um resumo do texto O Legado de Chico Xavier e dos seus Benfeitores sobre a Transição Planetária, que poderá ser lido na íntegra em vários sites, como o Mundo Espírita [www.mundoespirita.com.br]. Estamos cada dia mais próximos da data limite que, como já dissemos, não é absoluta nem gravada em pedra. A transição planetária, entretanto, já começou e todos a estamos sentindo.

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