Edição 189
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No Sudão, um feiticeiro local estabelece contato com extraterrestres e adquire estranhos poderes

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01 de Jun de 2012
Em praticamente todas as sanzalas africanas há feiticeiros, e muitos têm contatos com outras inteligências
Créditos: GIUSEPPE SALAMENE

Em março de 1976, esse autor viveu uma experiência ímpar no continente africano, onde residiu por décadas. Estava em um acampamento de caça no Sudão, trabalhando como guia de safári de uma empresa local, perto da fronteira com a República Centro-Africana, no limite do Southern National Park, quando o fato se sucedeu. Naquela região se falava muito de um tal No Shadow [Sem Sombra], como era conhecido, em inglês, um poderoso feiticeiro local. É normal em diversas partes da África que as tribos indígenas tenham seus feiticeiros — e mesmo uma pequena sanzala [Aldeia] pode ter um.

O feiticeiro é uma figura proeminente da sociedade local, atuando como curandeiro, conselheiro e até legislador, e é comum o próprio sóba, o chefe da sanzala, aconselhar-se com ele. Normalmente, os feiticeiros são homens com enorme poder, altamente respeitados e, na maioria dos casos, temidos. No Shadow era tudo isso, mas com uma particularidade a mais: ele podia se tornar invisível e desaparecer quando queria. Suas histórias circulam com frequência por muitos rincões da África, e várias acabaram chegando ao meu conhecimento — trazidas principalmente por pisteiros, seguidores de pistas de animais selvagens da mesma etnia de No Shadow.

O que se contava do feiticeiro era impressionante, parecendo folclore indígena, até que se conhece a figura pessoalmente. Homem idoso com 1,7 m de altura, mas com forma física invejável, No Shadow era simpático, conversador e, sobretudo, profundo conhecedor de ervas, plantas, raízes e até insetos que se podiam usar medicinalmente — pelo menos ele os usava com esse fim. Vestia calças cortadas acima dos joelhos e esfiapadas, e atada à sua cintura havia um pedaço de corda de fazer cinto, de onde pendiam quatro saquinhos redondos, dois de cada lado, feitos com pele de leão. Pendurado ao pescoço tinha um colar adornado com enormes dentes caninos de leão, várias sementes e uma pequena esfera de vidro fosco ao centro.

Esfera de vidro fosco

Na primeira conversa desse autor com No Shadow, perguntei se eram verdadeiras as histórias que corriam sobre ele ter o poder de desaparecer — e pedi, caso fossem, para fazer uma demonstração. Para total surpresa, o feiticeiro concordou de imediato e preparou-se para mostrar seus poderes. Assim, de um dos saquinhos que trazia pendurados à cintura, tirou uma esfera com cerca de 7 cm de diâmetro, que também parecia feita de vidro fosco e tinha um corte transversal em um dos polos.

Depois, do saquinho que trazia pendurado ao colar, tirou outra pequena esfera com cerca de 1 cm de diâmetro, aparentemente do mesmo material, mas com uma pequena proeminência em um dos lados. Em seguida, No Shadow introduziu a esfera menor na parte cortada da esfera maior, encaixando-a em um orifício nela existente. Finalmente, envolvendo o conjunto com as mãos, colocou o polegar sobre a esfera menor e a pressionou. Nesse exato momento teve início o acontecimento mais insólito que se possa imaginar. A sombra do feiticeiro produzida pelo Sol desapareceu. Simultaneamente, uma espécie de película transparente quase imperceptível apareceu diante dele, na altura de sua cabeça, e desceu até ao chão fazendo-o também desaparecer — foi como se a paisagem que se encontrava atrás de No Shadow ocupasse o seu lugar, uma espécie de holograma ao contrário.

Toda essa ação não demorou mais do que dois segundos, e outros tantos segundos depois No Shadow simplesmente reapareceu a cerca de 10 m à direita de onde se encontrava inicialmente, sorridente e orgulhoso da sua demonstração — que ele repetiu outras quatro vezes, permitindo que fosse observada detidamente. A partir de então, sempre que possível, procurava o feiticeiro para conversar, quando descobri que as esferas não eram de vidro, mas de “algo mais do que vidro”, segundo ele. Disse também que elas tinham sido oferecidas a ele por um “homem grande que aparecera na mata”, enquanto ele recolhia suas ervas medicinais.

Voz dentro da cabeça

No Shadow conta que um dia viu uma luz muito branca e forte descer do céu e parar a alguns metros do local onde estava. Quando pousou, a luz baixou sua intensidade e o feiticeiro pôde ver uma esfera com uns cinco metros de diâmetro, feita de um material que parecia vidro fosco. Uma abertura foi acionada e de dentro daquela bola saiu o tal homem grande, que tinha cerca de 2,5 m de altura — No Shadow, com 1,7 m, pouco passava da cintura do estranho. Segundo o nativo, era um homem de aparência normal, mas com porte atlético e pele muito branca, olhos azuis claros e um cabelo preto que lhe caía sobre os ombros. Vestia algo branco de uma peça só, colado ao corpo, e usava botas meio amareladas.

O estranho ser perguntou a No Shadow se todas as ervas que colhia eram medicinais e se um determinado cacto, que descreveu e ao qual deu o nome de ukul, podia ser encontrado naquela região — era um potente analgésico e inibidor do apetite. O feiticeiro respondeu que sim, mas que o vegetal só existia mais ao sul e que, além de ser muito raro, era muito perigoso colhê-lo, pois só germinava no território de caça dos leões. Ao lhe perguntar se o ser falava com ele em seu idioma, No Shadow respondeu que falava dentro de sua cabeça. “Quando eu ia responder o que me perguntava, ele já sabia o que eu ia dizer”. A entidade então pediu a No Shadow que colhesse três pés de ukul para ele — mas espécimes que ainda deveriam ter suas flores fechadas — e disse que lhe daria um dispositivo que o tornaria invisível, para que os leões daquela região não o vissem.

O feiticeiro aceitou e o ser entrou na nave, voltando em seguida com duas bolas de “algo mais do que vidro”, explicando-lhe como funcionavam. Disse que jamais deveria deixar alguém tocar nas esferas e que a menor precisava ficar ao Sol com frequência, pois se não deixaria de funcionar. Por três vezes No Shadow recolheu os cactos com as flores e os entregou ao ser. Quando esse autor o conheceu, o estranho já não lhe aparecia fazia um bom tempo. E mesmo após sucessivas visitas à sua aldeia, e por mais artimanhas que usasse para fazer com que permitisse tocar nas esferas ou dissesse como funcionavam, ele nunca cedeu.

No antigo continente, uma espantosa casuística

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Jun de 2012

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