Edição 191
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Josef Stalin se interessava por UFOs na metade do século passado

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01 de Aug de 2012
O sanguinário ditador soviético sabia que UFOs existiam e queria sua tecnologia
Créditos: Perestroika

Entre os ufólogos russos, Valery Burdakov se destaca por ter feito profunda pesquisa para saber o que o ditador Josef Stalin pensava a respeito dos discos voadores. Apesar de ser de conhecimento público que dirigentes mundiais sempre tiveram grande interesse pelo tema, o pouco que se sabia a respeito de Stalin quanto ao assunto, antes da investigação de Burdakov, era de que ele teria se encontrado para tratar do tema com Sergei Korolyov, um dos heróis da corrida espacial soviética.

Burdakov é doutor em engenharia e escreveu o livro Rockets of the Future [Foguetes do Futuro, Databank, 1998] sobre a exploração espacial de seu país. Ele soube do interesse de Stalin pelos UFOs através de Pavel Vladimirovich Tsibin, cientista que lhe falou sobre os encontros que teve conjuntamente com Stalin e Korolyov — ele e Burdakov trabalharam juntos por 32 anos no Departamento de Planejamento russo. Desses contatos soube-se que Stalin alimentava interesse por fenômenos anômalos, não apenas ufológicos, desde antes de sua trajetória no poder.

Naquele tempo, os soviéticos viviam sob atmosfera de medo. Korolyov e Burdakov apresentavam palestras clandestinas sobre discos voadores, tema ainda considerado bizarro em uma época em que as pessoas contavam apenas aos astrônomos soviéticos experiências de avistamento de UFOs — mas, amigo de vários deles, Burdakov podia ler os relatos dos casos que eram enviados ao observatório.

Discos voadores na URSS

Em 1947, Korolyov foi convocado por Stalin para realizar um estudo sobre os UFOs. Ele recebeu uma pilha de jornais e livros estrangeiros e teve três dias para terminar o trabalho. Foi quando surgiram “boatos” de que um disco voador se acidentara em Roswell, Novo México. Nos papéis que recebeu, Korolyov viu muitas matérias publicadas sobre o tema no exterior, assim como testemunhos documentados. Havia também relatos de avistamentos na própria URSS. Ele perguntou aos seus superiores se poderia levar os documentos para casa, para estudá-los minuciosamente, e consultar especialistas. Stalin rejeitou o pedido e, em vez disso, forneceu a Korolyov um apartamento para ele desenvolver seu trabalho no Kremlin — em poucos dias ele foi novamente convocado pelo ditador para saber o que havia descoberto sobre o Fenômeno UFO.

O cientista teceu seus pontos de vista, declarando que os UFOs não eram armas de qualquer adversário potencial e que não pareciam representar uma ameaça ao país. “Porém, o fenômeno existe”, disse Korolyov ao ditador. Stalin informou que outros peritos consultados por ele tinham opiniões semelhantes — Korolyov acreditava que ele havia pedido a celebridades da ciência soviética que executassem análises semelhantes, como Kurchatov, Topchiyev e Keldish,.

Em outubro de 1996, Burdakov publicou suas memórias na revista Anomaliya, e nelas escreveu que alguns dos primeiros lançamentos de foguetes na União Soviética produziram interessantes fenômenos. Segundo ele, se o tempo estivesse nebuloso as pessoas observavam um brilho branco-esverdeado de um foguete lançado, mas não o próprio foguete. No país, os primeiros foram disparados do cosmódromo de Kapustin Yar — e nos Estados Unidos, como os soviéticos sabiam, foguetes de teste eram lançados do Novo México. Os locais de lançamento em ambas as nações estavam no centro das atenções de agências de inteligência.

Histórias falsas sobre UFOs

Se o lançamento de algum foguete falhasse, espetáculos incríveis eram vistos, mesmo a grande distância. Assim, foram criadas políticas para os serviços de inteligência protegerem os segredos de seus países, evitando que lançamentos mal sucedidos fossem conhecidos pelos opositores. Um desses métodos era a criação de boatos para despistar o inimigo, e entre eles estava a técnica de espalhar histórias falsas sobre UFOs. Mas, veladamente, entre membros do programa espacial de cada país havia pessoas que sabiam que UFOs efetivamente apareciam nos momentos dos lançamentos — sempre se suspeitou que outras inteligências cósmicas observavam nossas atividades espaciais embrionárias.

Burdakov sabia que o Fenômeno UFO estava sendo mantido secreto na URSS por ter ligação com testes de foguetes, e consultou vários peritos sobre aqueles fenômenos anormais, sem nunca ter revelado nada a ninguém. Korolyov também estava interessado em UFOs, com ou sem o consentimento de Stalin, com ou sem lançamentos de foguetes. O citado Tsibin revelou ao professor Burdakov que Korolyov lhe disse para estudar os relatos de UFOs que chegassem ao seu conhecimento.

Viagem à Lua nos anos 40?

Naquela época, Stalin também estava muito interessado em meteorologia. Certo dia, ele e seu assistente Victor Uspensky saíram para um passeio e durante o trajeto avistaram um UFO — eles notaram uma abertura circular nas nuvens sobre a igreja de Dmitrovskaya. A abertura não desaparecia nem quando o céu ficava novamente encoberto por nuvens, o que os fez tentar uma explicação para o fenômeno, sem sucesso. Uspensky afirmou que Stalin ficou muito impressionado com aquilo, a ponto de ir regularmente ao local observar o céu. Acredita-se que isso acentuou seu já conhecido interesse pela presença alienígena na Terra.

O ditador também teria criado um programa secreto para explorar a Lua e durante certa época houve estranhos rumores de que os soviéticos chegaram a implantar uma base no satélite. Um indício disso seria uma carta para a Academia Soviética para Estudo de Fenômenos Anômalos, escrita pelo irmão do homem que supostamente servira em missões militares na Lua, o conhecido piloto de testes soviético Srovoi Anokhin — ele teria revelado, em seu leito de morte, que por volta dos anos 40 pilotou um foguete até o satélite.

Na famosa Conferência de Potsdam, entre 17 de julho e 02 de agosto de 1945, Stalin incitou seus aliados a discutirem como dividiriam a Lua e exigiu que os soviéticos tivessem prioridade. Também estavam presentes na ocasião os Estados Unidos e a Grã-Bretanha, e o objetivo do evento era esclarecer e implementar acordos. Os mais importantes representantes presentes em Potsdam eram o presidente Harry Truman, o primeiro-ministro Winston Churchill e o próprio Stalin. Seis meses depois desse encontro, o governo soviético emitiu decretos regulando o desenvolvimento da tecnologia de foguetes na URSS e a formação de vários institutos de pesquisa dedicados ao assunto.

Pesquisas da vida de Stalin também revelaram que no fim dos anos 30 ele estaria engajado em um projeto secreto de exploração do espaço, baseado nas ideias do cientista Konstantin Tsiolkovskiy — nome sempre presente quando se trata de vida extraterrestre. Simultaneamente, uma área para atividades militares estava sendo construída a 20 km de Kiev. O local abrigava uma cidade militar, oito fábricas bélicas, instalações de armazenamento de armas, um aeroporto e algo mais — uma estranha instalação de lançamento. Em 1941, o lugar foi destruído pelos soviéticos antes que os nazistas pudessem descobri-lo. Alguns acreditaram que Stalin estava construindo um local idêntico na Sibéria, próximo aos campos de concentração do Arquipélago Gulag.

O novo governo da Ucrânia, que hoje controla a região, queria tornar públicos os arquivos soviéticos sobre o interesse de Stalin por “coisas exóticas”, mas não conseguiu. De qualquer forma, histórias estranhas como essas podem acrescentar mais curiosidades aos mitos e lendas sobre o ditador, um dos mais controversos governantes da URSS. É muito difícil crer que ele tenha enviado homens à Lua, mas é amplamente sabido que ele realmente tinha interesse nos UFOs — em particular pelo Caso Roswell. O que ele sabia sobre tudo isso permanece escondido em algum arquivo secreto nos corredores do poder do Kremlin.

Viagem dentro de uma nave alienígena

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Aug de 2012

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