ARTIGO

Investigações confirmam os círculos

Por Pedro de Campos | Edição 149 | 01 de Janeiro de 2009

Curiosos caminham sobre um dos agroglífos de Ipuaçu, nos dias seguintes à sua descoberta, perplexos com o fato
Créditos: ARQUIVO UFO

Investigações confirmam os círculos

Durante a década de 1970, começaram a aparecer na Inglaterra aquilo que ficaria conhecido no mundo como “círculos nas plantações”, os atuais agroglífos. Mas apenas na década seguinte as notícias ganharam destaque na imprensa. Em 1980, em sua edição de 15 de agosto, o The Wiltshire Times deu que dois dias antes, perto de Westbury, surgiram da noite para o dia enormes marcas circulares nos campos de aveia. O local onde os sinais apareceram ficava abaixo do White Horse Hill, uma antiga colina de gesso mineral com a forma de um cavalo. Foram localizados ali três círculos, com cerca de 20 m de diâmetro cada. As formas eram curiosas e ninguém tinha explicação para o fenômeno. Próximo ao local, a cidade de Warminster, que nos anos 70 fora palco predileto dos hippies e dos aficionados pelos UFOs, ainda se fazia famosa por sua música estridente e vigílias noturnas com fantásticos avistamentos.

Os sinais deixados na plantação eram impressionantes. E logo chegou ao local o doutor Terence Meaden, especialista em manifestações atmosféricas. Segundo seu ponto de vista, as marcas teriam sido feitas por redemoinhos de verão. Quando perguntado sobre onde já tinha visto aquilo, Meaden explicou: “É a primeira vez que estou vendo isso, mas a explicação para essas marcas são os ventos”. Causava espécie o fato de um especialista em meteorologia, conceituado como Meaden, jamais ter visto um efeito natural semelhante. Mais estranho ainda seria o fato de que, para fazer tais círculos, teria de se imaginar um redemoinho estacionário no local, por tempo considerável, deitando as plantas como uma enceradeira, sem danificá-las. Estranhava-se o vento não ter parado apenas num ponto: ele havia feito três círculos. Depois do primeiro, teria ido ao segundo local e feito um novo círculo, com as mesmas características. Em seguida, teria ido ao terceiro local, para repeti-lo de novo, na mesma condição estacionária dos dois anteriores. Nos três pontos da plantação, o sistema de enrolar as plantas teria de ser muito preciso.

Numa segunda hipótese, imaginou-se que, em vez de um mesmo redemoinho agindo em três locais diferentes, pudesse haver ali três deles, todos funcionando ao mesmo tempo. Mas esta hipótese parecia ainda menos provável. O próprio Meaden admitiu dificuldades para entender o fenômeno, mas não achou outra maneira de explicar o feito da natureza, ao mesmo tempo em que tinha certeza de não ser algo produzido pelo homem. Dez anos depois, em 1990, embora tivesse pesquisado exaustivamente sem conseguir provar sua teoria do Vórtice Plasmático – como seria chamada depois –, Meaden reafirmou: “Continuo certo de que os círculos serão explicados inteiramente dentro das fronteiras da ciência”. Ele continuava acreditando que as marcas se formavam primeiro acima do solo, depois desciam subitamente, fulminantes como raios, formando sinais intrigantes no chão. Mas a diferença, anos depois, era que as marcas simples tinham ficado sofisticadas. Agora, elas eram desenhos bem estruturados, sem chances de ser um evento natural.

Força desconhecida

Em Westbury, discutiu-se a ação dos redemoinhos. Em algumas ocasiões, dizia-se que ficavam estacionários num dado local, mas apenas por instantes. Um fazendeiro disse: “Eles são velozes, saltam de um lugar para outro, ficam irrequietos e deixam sinais irregulares, destruindo a plantação”. Mas, ora, os ventos não têm preocupação nenhuma em fazer desenhos. Curiosamente, advogando contra a teoria de Meaden, as plantas encontradas fora dos círculos permaneciam sempre intactas e estiradas. Numa postura toda original, se achavam vívidas e graciosas, e não davam sinais de terem sofrido com a ventania. Falava-se na Inglaterra que o que produzia os agroglífos eram “redemoinhos que agiam com a precisão de um cortador de bolachas”. De fato, embora os círculos não fossem perfeitos, havia neles uma novidade chocante: ninguém jamais tinha visto fenômeno igual. Pela teoria de Meaden, a natureza se tornara desenhista. A surpresa de um físico experiente, como ele, seria manifestada também pelos agricultores ingleses, que não conseguiam entender o feito.

Foi então que surgiu pela primeira vez, numa revista especializada, um artigo assinado por Patrick Delgado, co-autor do primeiro livro importante sobre os círculos nas plantações [Circular Evidence, Phanes Press, 1989], dizendo que várias testemunhas davam como certo que “uma força desconhecida, vinda do alto, seria a causa da formação dos círculos”. Quem teria disparado a tal força e o que ela significava ninguém sabia. Foi a primeira vez que houve ligação entre o Fenômeno UFO e os agroglífos. A princípio, a teoria não foi acreditada, mas o tempo se encarregou de mudar isso. Em razão da multiplicação do fenômeno e de suas características únicas, no correr dos anos a teoria de naves alienígenas se tornou a explicação plausível, pesquisada e defendida por muitos. Em agosto de 1980, em Westbury, quando o fenômeno passou a ser levado seriamente, ninguém poderia imaginar que as estranhas marcas iriam, mais tarde, se repetir no país inteiro, com manifestações que chegaram até os dias de hoje, cada vez com mais sofisticação.

O fenômeno se intensifica

O fenômeno estendeu-se impressionantemente. Nos anos seguintes, da noite para o dia, surgiram novos sinais. Além dos campos de aveia, emergiram também nos de trigo, cevada, arroz, milho, soja, batatas e várias espécies de gramíneas, formando desenhos diversos. Algo novo estava acontecendo nas plantações da Inglaterra e, agora, de toda a Europa, deixando os fazendeiros preocupados. Em pouco tempo, eles se queixaram de prejuízo. Não só pelos cereais no chão, mas pela curiosidade do povo, que pisava na plantação querendo ver tudo. Além disso, a quantidade de agroglífos aumentara. A polícia, embora acionada, não resolveu o problema, e então o governo inglês foi responsabilizado pelos fazendeiros, mas o agente causador não foi achado. O serviço especial britânico tomou a dianteira e foi a campo. Pesquisadores particulares também fizeram o mesmo, estudando os agroglífos em paralelo. Ambos concluíram que quem houvera feito os círculos não deixara marcas. Não havia sinais de pés, nem de pneus ou de trilhas na vegetação que pudessem denunciá-los. Os balonistas assumiram alguns estragos de amassamento da plantação, mas não podiam fazer desenhos bem definidos. Algo estava acontecendo, sem que a presença humana fosse notada e exigia solução.

A fraude de Doug e Dave

As investigações prosseguiram, mas a resposta oficial nunca veio. Neste meio tempo, algumas evidências de ação mecânica nas plantas foram achadas – a mão do homem estava presente em alguns círculos. Embora as marcas estivessem mais freqüentes, muitas não tinham as características iniciais e estavam diferentes. Foi então que veio à tona uma farsa sem precedentes. Após milhares de círculos, querendo desmoralizar tanto a teoria paranormal quanto a ufológica, os céticos, não encontrando a causa, se fizeram instrumentos do serviço de inteligência, talvez sem o saber. Usando de expediente desonesto, montaram uma farsa para abocanhar o prêmio de um milhão de libras esterlinas, oferecido pelo governo britânico a quem resolvesse o enigma.

Os sexagenários Doug Bower, então com 62 anos, e Dave Chorley, com 67 – chamados pela imprensa de D&D –, surgiram e assumiram publicamente a autoria de algumas formações na área de Alton Barnes. Os farsantes procuraram a imprensa para reclamar a autoria dos círculos, e os jornais e revistas de todo o mundo deram destaque à sua versão, achando que o caso estava resolvido. Mero engano, era só o começo. De início, a dupla procurou o editor do Daily Mirror, que se recusou a participar da farsa. Então, convidaram o Today, que se prontificou a fazer uma montagem funesta. A farsa foi engendrada no Wessex Hotel, em Winchester, em 03 de setembro de 1991, sendo publicada no dia 09 do mesmo mês. O Today convidou Pat Delgado, engenheiro já aposentado e perito em agroglífos, com mais de 10 anos de prática, para examinar uma formação que diziam ter surgido dias antes.

crédito: circular evidence
Pat Delgado [E] e Terence Meaden, pioneiros investigadores dos círculos ingleses, não encontraram explicação para o fenômeno nas plantações inglesas
Pat Delgado [E] e Terence Meaden, pioneiros investigadores dos círculos ingleses, não encontraram explicação para o fenômeno nas plantações inglesas

A capacidade de Delgado era indiscutível. Antes de tornar-se especialista em agroglífos, ele havia feito projetos de análise eletroquímica e desenhado moinhos de vento. Também trabalhou na Base de Mísseis Balísticos Britânica, na Austrália, e depois para a NASA, onde participara de projeto para colocar em órbita uma estação espacial. Em suma, era um engenheiro respeitado para examinar a situação. Em 1981, um ano após a famosa ocorrência nos campos de aveia de Westbury, Delgado atraíra a atenção da BBC e de vários jornais da Inglaterra, ao comentar a existência de estranhos círculos nos campos de Cheesfoot Heatt, em Hampshire, no sul do país. “Estou extasiado com a simetria e a beleza da formação”, disse ele aos jornais. E fez várias considerações sobre os círculos. Delgado não compactuava com os céticos, os quais davam tudo como fraude, sem apresentar qualquer prova. “Considero-os agroglífos de procedência não humana”.

Vítimas da fraude

Mais para frente, em 1991, antes da encenação D&D, algumas formações estavam apresentando um padrão suspeito, diferente dos anteriores. Eram figuras em forma de teia de aranha, de escorpiões e de outros insetos. Para distingui-las, foram chamadas de “insectogramas”. Em setembro daquele ano, tanto o meteorologista Meaden quanto o engenheiro Delgado se viram abalados, sem saber o que dizer diante da posição em que foram colocados. A boa-fé de ambos levou-os ao engano. Num dos círculos fraudados, D&D trançaram as plantas de um modo diferente dos até então encontrados por Meaden, e fizeram-no para complicar a teoria dos redemoinhos de vento. Como diretor do grupo Tornado and Storm Research Organization [Organização de Pesquisas de Tornados e Tempestades], sem saber que estava sendo vítima de fraude montada por pessoas inescrupulosas, ele explicou a formação com sendo natural: “Mesmo diferentes, os torvelinhos de vento podem agir de modo imprevisível, sem que saibamos como”. Mas em nenhum momento levantou a hipótese de fraude, pois não suspeitava da farsa. Sua posição não o comprometia, apenas deixava o enigma para ser resolvido no futuro, examinando outros agroglífos.

Pat Delgado não teve a mesma sorte. Como adepto da teoria não natural e não humana para os círculos, quando viu o insectograma feito pela dupla D&D, declarou aos mesmos jornalistas do Today, que tinham montado a farsa, que o círculo era genuíno. E seus seguidores completaram: “Não podemos dizer que seja uma fraude apenas porque não se ajustam ao nosso conceito de como deveriam ser os círculos”. Quando o Today apresentou a dupla D&D e contou como os círculos tinham sido feitos, Delgado se sentiu arrasado. O crédito de seu trabalho estava em xeque. Naquele momento, deu-se conta da armação. E, para complicar, dias antes alguns amigos, adeptos de movimentos holísticos que invocam a nova era, tinham conjurado um poltergeist num dos círculos fraudados. Talvez houvesse alguma verdade na prática, mas o feito só veio atrapalhar o entendimento público dos acontecimentos.

crédito: BLT RESEARCH
William Levengood, do BLT Research, provou que há mudanças significativas na estrutura das plantas afetadas
William Levengood, do BLT Research, provou que há mudanças significativas na estrutura das plantas afetadas

Dave e Doug, no entanto, não passariam incólumes. Dias mais tarde, colocados sob pressão na frente das câmeras, os dois velhinhos mostraram como teriam feito os círculos. Após os primeiros movimentos, em razão da escassa capacidade física para fazer centenas de círculos, ficaram totalmente exaustos. Estava claro que a dupla não poderia ser responsável pelo que vinha sendo registrado na Inglaterra e, hoje, no mundo todo. Por certo, tinham forjado algumas formações, mas não poderiam ser seus executores em todo país e nas demais nações da Europa. Então, sofreram as conseqüências de sua própria fraude, beberam do próprio remédio.

Farsa em detrimento da ciência

Ainda que provada a farsa de D&D e o procedimento antiético do Today, em prejuízo de Terence Meaden e de Pat Delgado, inúmeras pessoas continuaram achando que os círculos eram todos fraudados – e esta até hoje é apresentada pela imprensa, quando se trata do assunto. A atitude desonesta de certas pessoas, de parte da mídia e de organismos com ideologia contrária, agindo para sustentar convicções enganosas, abalou quem buscava a verdade, mas não tirou de campo os ufólogos. Anos mais tarde, em 1999, Doug diria ao jornal Daily Mail: “Certa força se apoderou de mim, era ela que executava os desenhos”. Então alguém retrucou: “Seria ela, o poltergeist conjurado na época?” Diante da declaração de Doug, o jornalista do Mail ficou desconcertado. Não poderia imaginar que o fraudador iria se contradizer, atribuindo culpa ao mesmo fator que descartara anos antes com sua farsa.

Na verdade, os falsos círculos nada tinham dos originais, nem tampouco a beleza e a sofisticação dos recentes agroglífos genuínos. Eram irregulares, sem as características geométricas dos verdadeiros. Suas dimensões eram pequenas, cheios de vestígios humanos, tanto no modo de execução quanto nas marcas deixadas nas plantas e no solo. As centenas de círculos dispostos no chão com arte, a complexidade das figuras, suas dimensões monumentais e a rapidez de sua execução, feitas quase sempre da noite para o dia, jamais poderiam ser obtidas por pessoas despreparadas, sem recursos técnicos e sem deixar vestígios. Os pesquisadores sérios consideram que os círculos tidos como verdadeiros parecem simplesmente inigualáveis, ainda mais quando se examina em laboratório as alterações nas plantas. Por certo, não seriam os fraudadores responsáveis por feitos tão magníficos e enigmáticos. Outras hipóteses deveriam ser levantadas, e foram.

Os círculos continuaram surgindo e os exames de laboratório, feitos por cientistas de reconhecido valor, mostraram algo enigmático. As plantas, torcidas em espiral, tinham seus caules “estourados” por efeito de calor, não por ação mecânica de tombá-las com tábua e corda, como queriam Doug e Dave. Algo semelhante a microondas parecia estar atuando na execução deste processo. Após o surgimento dos círculos, as plantas tinham marcas peculiares nas folhas, nos caules e nas sementes. Com o passar dos dias, assumiam um aspecto diferente e apresentavam, curiosamente, um crescimento maior que o normal. Algo parecia ter modificado sua constituição, e uma verificação científica precisava ser feita para confirmar isso.

crédito: ARQUIVO UFO
As características das dobras nas plantas dentro dos agroglífos são únicas
As características das dobras nas plantas dentro dos agroglífos são únicas

Para examiná-las, os peritos pegaram amostras de cereais de 250 plantações que tiveram agroglífos, colhidas em oito países. Curiosamente, em alguns locais da coleta, notou-se a existência de solo vitrificado, impermeável à água – uma temperatura elevada, capaz de liquefazer os cristais, parecia ter atuado no solo. Ele se apresentava desidratado e partido, mesmo após fortes chuvas, sem nenhuma possibilidade de produzir vegetação. Tal fato não seria normal para um solo que fora arado, fertilizado, plantado e aguado por meses a fio. As anomalias na terra foram constatadas em laboratório, não dando margem a qualquer hipótese de fraude, como a alegada pelos caçadores de prêmios do governo inglês. Algo muito incomum deixara sua marca no solo de vários países da Europa, como a Inglaterra, França, Itália, Rússia, Alemanha, Holanda, Bélgica, República Tcheca e outros. Além de surgirem em países de outros continentes, como a Austrália, Estados Unidos, Canadá, México e, agora – em análise preliminar –, até no Brasil.

As plantas no laboratório

A seriedade das pesquisas se reflete no trabalho de laboratório feito pelo doutor William C. Levengood. Num texto bem elaborado, ele conta que, após anos de observação, os círculos nas plantações continuaram tendo as mesmas características. Seus exames científicos iniciaram-se em 1989, mas somente em 1991 ele se aproximou de Pat Delgado para aplicar um método científico nas plantas. Na época, Levengood já era um cientista com ótimas credenciais, incluindo seis patentes e 15 ensaios para jornais científicos. Era um biofísico especializado na ação da energia bioeletroquímica em plantas e sementes. Em seu posto de trabalho, no Laboratório Biofísico Pinelandia, em Michigan, Estados Unidos, examinou várias amostras de caules afetados por radiação, usando técnica microscópica. Seus resultados se revelaram magníficos. Em 1994, publicou seu prestigioso estudo, Anatomical Anomalies In Crop Formation Plants [Anomalias Anatômicas em Plantas de Círculos nas Plantações], na prestigiada revista Physiologia Plantarum, dando conta de suas descobertas científicas.

No trabalho, Levengood tomou dois tipos de plantas para exame, uma de dentro do círculo, a qual chamou de “planta afetada”, e a outra de fora dele, mas do mesmo campo de cereais, a qual chamou de “padrão de controle” ou “planta não afetada”. Um dos traços que emergiu da comparação entre a planta afetada e a não afetada foi a expansão dos chamados “nós”, pontos grossos existentes no caule dos cereais. Na região destes nós, tinha ocorrido uma expansão nas paredes celulares da planta, ou seja, um alargamento do orifício de troca de substâncias [Veja nas fotos], ou seja, onde ocorre a troca de íons e eletrólitos na água transportada para dentro e para fora das células. Nas plantas afetadas, a característica deles era curiosa: havia um perfil pontiagudo, de forma trapezoidal, diferente do das plantas não afetadas. Estas, de modo particular, eram redondas e lisas, diferentes das anteriores.

O cientista fez também a análise das sementes, detendo-se em seus embriões, os quais tinham sido obtidos das cascas. Em 40% das plantas afetadas, se comparadas com o padrão de controle, Levengood encontrou nas sementes uma espécie de deformação. “A maior parte destas deformações pode ser explicada pela prematura desidratação das sementes”, disse. Em seu exame, ficou notório que uma fração considerável de sementes apresentava alterações que ele designou como genéticas”, mas que, na verdade, eram condições raras de poliembrionismo e crescimento de embriões sem a camada de endosperma. Para estudar melhor a condição alterada destas plantas, Levengood fez o cultivo de novas gerações. E obteve resultados extraordinários, muito diferentes dos das plantas não afetadas em germinação natural. O leitor interessado em detalhes poderá achá-los no estudo já citado de Levengood.

Dobradas por microondas

Em alguns dos nós das plantas afetadas, havia um corte ou uma abertura para soltura do ar – uma expulsão para fora, por assim dizer –, indicando que alguma pressão interna havia sido liberada do caule. É conhecido que, nas plantas, a área dos nós contém maior volume de água do que em outras áreas do caule. Levengood considerou que alguma espécie de calor provocara a evaporação da seiva, através do nódulo. De fato, pegando as plantas não afetadas e colocando-as no forno de microondas do laboratório, ele conseguiu dobrar os nós de modo semelhante ao achado nas plantas de dentro dos círculos. O resultado obtido na dobra dos nódulos, provocada por calor, acoplado com a alternação das sementes por desidratação, fez o cientista tentar uma hipótese de trabalho usando microondas. Aquecendo rapidamente as plantas, até esvaziar a água na região dos nós, os caules dobravam como o das plantas afetadas nos círculos. A energia empregada parecia agora descoberta – o microondas. Faltava descobrir a tecnologia empregada nos agroglífos e, quem sabe, seu autor.

Pelas pesquisas em artefatos militares, Levengood sabia que a radiação de microondas, numa faixa de baixo gigahertz, pode ser direcionada para longe e obter efeitos, desde que as condições atmosféricas o permitam. E como nunca fora achado um círculo inglês sendo feito durante uma pancada de chuva, por exemplo, a hipótese de sua formação por microondas, disparadas em tempo bom e vindas do alto, parecia lógica. Contudo, sabendo que a alteração da parte genética da semente não pode ser explicada apenas com a radiação de microondas, Levengood mostrou em sua publicação somente as observações práticas, sem aventar nenhuma conclusão sobre a causa da mudança genética nas plantas afetadas. Por certo, deveria existir um fator desconhecido, produzindo o fenômeno, mas qual seria?

Em seus estudos, Omar Fowler e outros pesquisadores também concluíram que a radiação de microondas está presente nos agroglífos. Estavam baseados em estudos de marcas de queimadura e enrugamento no caule das plantas afetadas. Dentro dos círculos, Fowler viu caules cortados com 50 cm de altura, e considerou que tivessem sido feitos com radiação de microondas em baixa freqüência de gigahertz, como indicavam as pesquisas militares. Outro pesquisador importante, Roy Dutton, também divulgou que a radiação de microondas, quando combinada com a de ondas gravitacionais, pode produzir os efeitos encontrados nos círculos. Embora Dutton não tenha desenvolvido um modelo juntando estas duas ondas, ele as colocou num programa de computador e simulou o corte dos caules com o mesmo padrão encontrado nas plantas afetadas. O resultado mostrou que os círculos são feitos por quem domina alta tecnologia, com associação das duas ondas.

Insetos e moscas mortas

Tendo em vista a constante sofisticação dos desenhos nas plantações, o governo britânico destinou recursos para desvendar o mistério através de empresas ligadas ao Ministério da Agricultura. As organizações que receberam os recursos para estudar os círculos foram a Center for Crop Circles Studies [Centro para Estudos dos Círculos em Plantações], da Inglaterra, a Fundação Lawrence Rockfeller, dos Estados Unidos – cujo grupo de trabalho era comandado por Colin Andrews, consultor da Revista UFO e nome de referência no assunto –, e a organização inglesa Adas. As análises mostraram que uma quantidade anormal de hidrogênio ficara depositada no solo onde foram encontrados os círculos, e que isso somente seria possível se fortes descargas elétricas fossem disparadas do alto. Assim, concluiu-se que a complexidade do fenômeno não permite elucidá-lo como sendo relacionado à atividade humana na lavoura comum, algo mais estaria por trás dele.

Corroborando a teoria das microondas, em 1998 foram encontradas moscas mortas em vários círculos. Elas estavam aderentes aos galhos das plantas afetadas, e tinham sido desidratadas como se tivessem sido cozidas. Os exames prosseguiram. No interior das cascas, havia pequenos insetos, também mortos, e de modo igual ao das moscas, ou seja, desidratados. Ficara comprovado, assim, que as moscas e os insetos tinham sido mortos por calor, sugestivamente de microondas, como mostraram os estudos de Levengood. Desta forma, o governo inglês passou a suspeitar de fraudes nos agroglífos. Tentando resolver o problema, colocou à vista dos agricultores vários helicópteros para vigiar os campos, inclusive durante a noite, no período de maior incidência deles. Mesmo com a vigilância, ao amanhecer as figuras surgiam do nada nos campos, desafiando a polícia. Em razão disso, a hipótese ufológica e a de formação paranormal foram as que se encaixaram melhor.

Através da ciência, sabe-se que os círculos genuínos são formados por uma energia capaz de alterar a estrutura molecular das plantas, sem danificá-las, de acelerar a sua taxa de crescimento e de modificar o seu padrão genético. A energia empregada na sua execução parece benigna, mas ainda é totalmente desconhecida. Em algumas formações, foram notadas ondas de baixa freqüência, com 5.7 Hz no espectro eletromagnético, que faziam um som “cacarejante” na formação. Seis meses após a colheita, o desenho impresso em plantações ainda permanecia gravado no chão, mostrando que a energia afetara o solo, não podendo ser obtido tal efeito numa lavoura normal. Em algumas formações, as bússolas giraram descontroladas, denotando forte anomalia magnética.

De modo enigmático, os agroglífos examinados não apresentavam sempre o mesmo padrão. Ou seja, se durante a execução do círculo aparecem luzes no céu, som cacarejante no ar e a bússola roda descontrolada, sendo também notado nas plantas um estouro no caule por ação do calor, numa outra formação estas características podem não aparecer. E o que mais intriga é que os círculos, sem os vestígios do insólito, possuem grande complexidade e beleza, não apresentam sinais de fraude e são típicos de formação genuína. Tais sinais são ainda mais desconcertantes, porque as plantas não apresentam qualquer anomalia. Mas os círculos estão ali, para quem quiser examiná-los. Exemplo típico são os desenhos surgidos em Chilbolton, tidos como a resposta à mensagem enviada ao espaço pelo Observatório de Arecibo, em Porto Rico.

UFO formando os círculos

Sabe-se também que alguns círculos são obras de fraudadores, mas outros, não. E são os tidos como verdadeiros que interessam ao estudo da decifração do mistérios, não os outros. Alguns agroglífos surgiram na presença de pessoas sérias e respeitáveis, que viram UFOs no local, fotografaram e filmaram o evento. Durante o processo, foram notados clarões de luz, incidências projetadas do alto e bolas luminosas sobre os campos. Após a revoada dos globos, os desenhos surgiram do nada. Por mais que os céticos rejeitem esta informação, não é sem motivo que os UFOs estejam vinculados aos círculos. O conceituado autor Ralph Noyes conta em seu prestigioso livro O Enigma dos Círculos [Mercuryo, 1992], uma série de casos incríveis envolvendo discos voadores sobre plantações.

Ele explica, por exemplo, que Robert Rickard viu nascer um círculo e relatou: “De repente, a grama começou a se curvar bem diante dos meus olhos, deitando-se numa espiral da direita para a esquerda”. A testemunha teve uma sensação inexplicável, vendo um círculo perfeito ser formado em menos de meio minuto. De modo enigmático, durante todo o tempo se ouviu um zumbido muito forte. “Minha atenção foi desviada para uma onda que se formava na parte superior do cereal, em linha reta”. O agente responsável por aquilo, embora invisível, comportava-se como um objeto sólido. Quando os observadores seguiram em frente e alcançaram o lugar onde os círculos tinham sido formados, foram arrebatados por um terrível redemoinho. “O cachorro ficou doido”, disse a testemunha. Todos ouviram um barulho de vento e, depois, uma espécie de trovão. Em seguida, tudo ficou em silêncio. Noyes continua explicando que este agente oculto, responsável pelos agroglífos, parece não ser o único, mas que há outros, e que eles apresentam características diferentes. O pesquisador George Wingfield disse que a senhora Mary Freeman, enquanto descia de carro pela Estrada Avebury, na noite de 14 para 15 de julho de 1988, vira uma luz muito intensa na área. Procurando melhor visão, notara no céu um grande objeto iluminado. “Um longo e estreito feixe de luz foi disparado pelo UFO em direção ao solo, acertando o campo plantado de Silbury Hill”, disse Mary. Curiosamente, na manhã seguinte, dois gigantescos conjuntos de círculos quíntuplos apareceram na plantação. Outro caso intrigante ocorreu em 1990, ano em que vários UFOs foram avistados fazendo marcas nas plantações. A primeira manifestação nos campos de Devon apareceu em Bickington, perto de Newton Abbott. “Um objeto misterioso, piscando intensas luzes coloridas, foi visto no mesmo lugar onde, na manhã seguinte, apareceria um enigmático círculo, com sete satélites ao seu redor”, contou Wingfield.

Tentando responder a esta pergunta, surgiu a Operação Corvo Branco, implementada em Cheesfoot Head e mantida ativa durante várias noites. Mas foi na última delas, nas primeiras horas de 18 de junho de 1989, que o insólito surpreendeu os seis pesquisadores. Além de Wingfield, estavam presentes também Pat Delgado, Colin Andrews, Busty Taylor e o casal Rita e Steve Good. Rita era uma mulher de muita sensibilidade, que estava no grupo na condição de médium e era a chave para o tipo de contato que se imaginava que fosse ocorrer. Pouco depois da meia-noite, o grupo sentou-se dentro de um círculo formado numa noite anterior. Além da grande roda deixada na plantação, visível a grande altura, dentro dela havia ainda sete anéis concêntricos, como caminhos de um labirinto. Eram anéis estreitos e enigmáticos, que podiam ser vistos à altura de 260 m, conforme fora notado por helicóptero. Era um círculo genuíno.

Dentro do agroglífo, o grupo deixou para Rita uma eventual comunicação telepática. Vinte minutos depois, um zumbido forte soou por perto. Na verdade, o barulho parecia se originar dentro do próprio círculo, ou até mesmo na cabeça de quem estava ali. “Olhamos uns para os outros, talvez até um pouco assustados, quando percebemos que todos ouvíamos a mesma coisa”, contou Wingfield. O zumbido parecia andar de um lado para outro, como um pêndulo, exercendo um efeito hipnótico. Não demorou muito e o som se concentrou a uns 50 m. Era um barulho intermitente, não muito alto, mas penetrante na cabeça como nenhum outro. Fazia lembrar o canto de um grilo ou de uma cigarra, mas em alta freqüência, e não era algo que um inseto ou animal pudesse fazer.

Agente oculto e UFO exótico

Rita tentou comunicar-se com o barulhento invisível, mas a única resposta positiva que teve foi quando exclamou: “Se você nos compreende, pare!” O zumbido parou de imediato, mas só por alguns segundos. Comentando o barulho, sem conseguir distinguirem a fonte, todos tiveram a sensação de que o agente animado era inteligente. “Mas em nenhum momento vimos qualquer coisa de caráter físico que pudesse estar emitindo o zumbido”, explicou Wingfield. O agente oculto e barulhento parecia ser o mesmo que fizera, dias antes, o grande agroglífo em que todos estavam. Então Wingfield perguntou: “Poderia nos fazer um círculo?” De modo intrigante, no dia seguinte o grupo encontrou um novo círculo, contendo um daqueles anéis estreitos dentro dele. O círculo surgiu a 500 m de onde o grupo escutara o barulho, quando ele desapareceu.

De modo intrigante, todos acharam a experiência muito rápida, mas quando olharam no relógio, já passavam das duas da manhã. Sem perceber, ficaram entretidos por mais de uma hora e meia. Quando refletiram sobre aquilo, custaram a acreditar que haviam passado por uma inexplicável sensação de “tempo perdido”, ou missing time. Mas a hipótese somente passou a ser viável com os relatos de três ufólogos, que chegaram atrasados ao local por estarem noutra vigília. O grupo ficou atônito quando Ron Jones disse que, ao se aproximar do círculo, atraído pelo intrigante zumbido que escutara da estrada, deparou-se com uma estranha visão: os seis companheiros estavam todos sentados, bem perto uns dos outros, e um objeto luminoso – que o grupo não vira – pairava sobre eles. O objeto estava claro como a Lua, que brilhava mais no alto do céu. Assustado com o exótico artefato, Jones ficou parado por instantes, sem fazer nada.

Então, o zumbido – que o grupo também escutara antes – atingiu seu ponto mais alto e penetrante, sem ser notado pelo grupo. “Pelo que me lembro, nenhum de nós, que estávamos dentro do círculo, percebeu a presença desta luz sobre as nossas cabeças”, contou Wingfield. Quando o clarão finalmente desapareceu, Jones entrou no agroglífo junto com os dois outros ufólogos e os fenômenos cessaram. Depois do episódio, alguns acharam que Rita Good tinha atraído o agente invisível com sua transmissão telepática. Outros, mais céticos, acharam que o avistamento de Jones teria sido um fenômeno ligado à aurora boreal. O certo é que a experiência fora muito marcante, e quem a vira, jamais esquecerá. Após o zumbido e o estranho clarão em forma de semicírculo, estava formada nos campos de trigo uma roda de vegetação baixa, trançada em espiral, com desenho de um anel dentro, mais alto, trançado de modo diferente, para quem quisesse ver e examinar. Um novo círculo acabara de ser formado, com a presença de um UFO pairando no local.

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Sobre o Autor

Pedro de Campos

Casado e pai de três filhos, Pedro de Campos nasceu em 1950, na capital paulista. Formado em mecânica e telecomunicações, trabalhou por 25 anos na Olivetti do Brasil. Como administrador de empresas, esteve no comando do planejamento industrial da empresa. Trabalhou dois anos na Itália chefiando a qualidade e transferindo para o Brasil tecnologia para transmissão de dados via satélite. Campos teve contato com o Espiritismo por intermédio de sua mãe, que cursou a Federação Espírita de São Paulo e fundou o Centro Espírita Ana Belhunas, em 1963. Começou a participar de sessões espíritas aos 13 anos, e no decorrer dos tempos desenvolveu mediunidade e recebeu treinamento, tornando-se um pensador espírita.

Psicografou o consagrado livro Colônia Capella: A Outra Face de Adão [2002], do autor espiritual Yehoshua ben Nun, e foi contratado pela Lúmen Editorial para lançar seus livros por essa editora. Participou de pesquisas e vigílias ufológicas e iniciou a coleção Uma Visão Espírita da Ufologia, inédita, com o livro Universo Profundo: Seres Inteligentes e Luzes no Céu [2003], do espírito Erasto. E foi continuá-la no livro UFO: Fenômeno de Contato [2005], sobre a pluralidade dos mundos habitados e seres ultraterrestres. Prosseguiu com Um Vermelho Encarnado no Céu [2006], em que mostrou os acontecimentos vividos por pessoas que tiveram contato com UFOs, inclusive ele próprio, com destaque ao estudo de ETs sólidos e à primeira sessão de “desabdução”.

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