ARTIGO

Hipercivilizações extraterrestres e sua presença secular na Romênia

Por Dan D. Farcas, Ph.D. | Edição 246 | 01 de Maio de 2017

menos três bilhões de anos para que as mutações randômicas aconteçam e para que as mudanças ambientais possam produzir a imensa variedade de vida, como a que vemos aqui na Terra. Em novembro de 2013, astrônomos estimaram
Créditos: DAN FARCAS

Hipercivilizações extraterrestres e sua presença secular na Romênia

O Fenômeno UFO é real. Os muitos avistamentos inexplicáveis e similares entre si e seu comportamento, evidentemente inteligente, indicam que não estamos lidando com algo natural. Esta é uma situação que, aparentemente, vem acompanhando a humanidade por toda a sua existência. UFOs deixam traços em lendas, histórias folclóricas, tradições xamânicas, em religiões e em muitos textos antigos. Podemos encontrar estas evidências em todos os lugares do mundo e, claro, também nos avistamentos, tradições e crenças de várias regiões da Romênia, como Transilvânia, Moldávia, Valáquia, Maramures, Banato etc.

Ninguém sabe com certeza absoluta qual é a origem do Fenômeno UFO. O que temos são apenas teorias e hipóteses. Neste texto, peço a permissão do leitor para apresentar uma das muitas possíveis explicações para ele. A ideia se baseia na hipótese extraterrestre, porém tenta ir além de sua descrição tradicional. Apenas na parte do universo acessível aos nossos instrumentos há, pelo menos, 150 bilhões de galáxias — e se falarmos da Via Láctea, a nossa galáxia, nos deparamos com o incrível número de 200 bilhões de estrelas. Mas temos razões para acreditar que o universo não seja um único, ou seja, pode haver muitos outros, talvez paralelos, talvez compostos por outros tipos de matéria, talvez parte de um multiverso.

Com o passar do tempo aumenta o número de especialistas que admite que os componentes básicos da vida estão viajando pelo espaço, “infectando” imediatamente todos os planetas onde encontrem condições adequadas. Mas, uma vez “infectado”, as condições favoráveis daquele planeta devem persistir por pelo menos três bilhões de anos para que as mutações randômicas aconteçam e para que as mudanças ambientais possam produzir a imensa variedade de vida, como a que vemos aqui na Terra. Em novembro de 2013, astrônomos estimaram que apenas em nossa galáxia pode haver cerca de 11 bilhões de planetas do tamanho do nosso orbitando zonas “habitáveis” de estrelas parecidas com o Sol e fornecendo as condições básicas para o surgimento de vida. E, em alguns casos, a vida complexa pode dar origem a civilizações tecnológicas, e isso significa seres inteligentes capazes de construir espaçonaves para viajar para outros planetas.

Civilizações tecnológicas

Mas quantas civilizações assim podem existir em nossa galáxia? Existem muitas estimativas sobre isso, começando com a fórmula do astrônomo Frank Drake, proposta em 1961. Já as minhas estimativas são de que podem ter havido várias civilizações tecnológicas na história da Via Láctea, mas que apenas algumas centenas delas sobreviveram às “doenças da infância” — aquele estágio em que nos encontramos hoje aqui na Terra — e ainda existem. Essas civilizações, entretanto, não surgiram simultaneamente. Há estrelas parecidas com nosso Sol que são bilhões de anos mais velhas, o que significa que a primeira civilização tecnológica pode ter surgido também há bilhões de anos. Se nós sobrevivermos, como seremos daqui a milhões de anos? É impossível imaginar, uma vez que não conseguimos prever sequer como seremos, se é que seremos, daqui a poucas centenas de anos.

Outra pergunta importante é como seres tão mais antigos do que nós se pareceriam? Talvez eles tenham se tornado imortais, talvez o tempo e o espaço não importem para eles, ou talvez tenham se mudado para uma realidade virtual que permeie aquilo que chamamos de realidade física. Mas a resposta correta, provavelmente, é muito mais complexa e desafia nossa concepção de lógica e nossa imaginação. Nós podemos, entretanto, afirmar que eles tenham se transformado em alguma coisa além de nossa compreensão, algo que nós chamamos de hipercivilização. Consequentemente, é bem possível que as civilizações do cosmos estejam afastadas umas das outras não apenas no espaço, mas também no tempo. Colocando o foco em nossa galáxia e naquelas centenas de civilizações sobreviventes que hipotetizamos, imaginamos que elas devam ter surgido entre um e vários milhões de anos atrás, e que nós seríamos os únicos em nosso estágio civilizatório atual.

Quando começamos a usar o rádio, há 100 anos, alguns acreditaram que ele permaneceria para sempre como o melhor meio possível para comunicação. Imaginem se os inventores realmente tivessem acreditado nisso. Nós jamais teríamos a internet

Se as hipercivilizações existem — e elas existem com 99,999% de certeza —, já exploraram nossa galáxia em detalhes há milhões de anos, e então devem saber, há muito tempo, de nossa existência. Seus representantes podem até estar aqui entre nós, mas podem ter uma aparência tão diferente de nossas expectativas que sequer conseguimos reconhecê-los. Como disse o escritor Arthur C. Clarke uma vez, “qualquer tecnologia suficientemente avançada é indistinguível da magia”. Assim, temos duas hipóteses extraterrestres. A primeira, que podemos chamar de hipótese extraterrestre primitiva, e a outra que chamamos de hipercivilizações.

A primeira tese assume que todas as civilizações cósmicas estejam mais ou menos no mesmo nível de evolução e desenvolvimento, próximo ao nosso. Mas essa visão primitiva é totalmente implausível. A ficção científica e as escolas, embora não apenas elas, colocaram padrões em nossas mentes que ignoram completamente as hipercivilizações. O que nos impede de ver ou perceber sua presença é, também, um conjunto de profundos e largamente disseminados preconceitos, como os que discutiremos a seguir.

Ideias preconcebidas

O primeiro ponto aqui diz respeito à preconcepção sobre igualdade de direitos. Uma diferença de milhões de anos, talvez até de centenas de milhões, é tão grande quanto a que existe entre nós e uma lagartixa ou uma formiga. Se seres avançadíssimos estão entre nós, eles podem nos examinar, monitorar nossa evolução e até, de alguma forma, nos contatar, mas nunca se colocariam no mesmo nível em que nós estamos.

Outro tópico diz respeito à conversação. Nós, às vezes, interagimos com uma lagartixa, mas isso dificilmente poderá ser considerada uma conversa. Em 1959, Giuseppe Cocconi e Philip Morrison declararam que, se a diferença evolutiva entre duas civilizações é de milhões de anos, a troca de ideias entre elas será zero. Mais um fator a considerar é o que o pesquisador J. Allen Hynek chamava de “provincialismo temporal”. Mas, o que é isso? Pense que, em comparação à Idade das Trevas, os últimos 300 anos finalmente nos trouxeram à luz da verdade e da ciência. Sob essa ótica podemos decidir quais fatos aceitar e quais julgar que jamais serão possíveis — mas isso também é uma limitação.

Quando começamos a usar o rádio, há algo em torno de 100 anos, alguns acreditaram que ele permaneceria para sempre como o melhor meio possível para comunicação. Imaginem se os cientistas e inventores realmente tivessem acreditado nisso. Nós jamais teríamos a internet. Isso é o provincialismo temporal, ou seja, acreditar que aquilo que alcançamos será para sempre o melhor e que nada poderá avançar além disso. Como um exemplo peculiar desse raciocínio, poderíamos citar o Projeto SETI, o programa de busca por vida extraterrestre inteligente, que até hoje trabalha com a hipótese de que civilizações cósmicas considerariam as ondas de rádio o melhor meio de comunicação — mesmo que elas levem milhares de anos para ir de um planeta a outro.

Podemos especular ainda mais, perguntando-nos se antes desse havia um mundo apenas espiritual ou que o mundo material talvez seja apenas algum tipo de grande realidade virtual na qual estamos inseridos, acreditando que tudo é real

A preconcepção seguinte diz respeito à ideia da invasão. Para muitas pessoas, algumas delas ligadas aos interesses do complexo militar-industrial mundial, poderia parecer normal se uma civilização chegasse à Terra e tentasse nos conquistar à força e até mesmo nos usar como alimento. Mas as hipercivilizações provavelmente já sabem há milhões de anos que nós estamos aqui e, portanto, se quisessem, poderiam ter nos invadido em qualquer época passada. Bem, de certa forma talvez já o tenham feito, há milhões de anos. Alguns dos chamados “artefatos fora de lugar” podem ser uma pista disso.

Por fim, temos a preconcepção da intervenção ou ajuda. Algumas pessoas esperam que os alienígenas nos ajudem a superar catástrofes ainda por vir. Mas, isso não tem coerência. Quando nós encontramos algum local do planeta que escapou da ocupação humana, fazemos de tudo para declará-lo como reserva ambiental, permitindo o mínimo de intervenção possível naquele espaço. Esse procedimento parece se fortalecer com o tempo. Uma hipercivilização que esteja observando a Terra e a humanidade deve agir da mesma maneira, evitando intervir em nossa evolução, mas colhendo amostras, fazendo alguns experimentos e mantendo contatos eventuais e limitados com alguns indivíduos sob seus próprios critérios. Portanto, se por um lado não veremos invasão e destruição, por outro também não veremos um contato oficial, conversas ou qualquer ajuda substancial por parte de uma civilização extremamente avançada.

O formigueiro

É possível que exista uma hierarquia de inteligências sem fim à nossa volta e que a diferença entre esses seres e os humanos seja a mesma que existe entre nós e as formigas. Alguns entomologistas que fazem estudos em formigueiros tentam perturbar o mínimo possível a vida dos insetos estudados. Eles, é claro, podem fazer experimentos, examinar e modificar algumas formigas e até mesmo removê-las para seus laboratórios, tentando criar novas raças de insetos. Tentam, é claro, aprender o máximo possível sobre a vida no formigueiro, mas não vão apresentar suas credenciais de pesquisadores para a rainha das formigas... Se os entomologistas tiverem a tecnologia necessária, poderão até criar formigas robóticas, enviá-las para dentro do formigueiro e observar de um lugar confortável, em uma tela, os dados transmitidos pelos pequenos robôs. E se nesse processo uma formiga robótica se perder no experimento, isso seria considerado uma pena, mas não uma tragédia. Uma hipercivilização poderia estar fazendo o mesmo conosco, mas, claro, utilizando uma tecnologia muito diferente.

Essa hipótese poderia explicar os contatos próximos com ETs, incluindo aí os experimentos de engenharia genética e hibridização — e não apenas atualmente, mas durante toda a história humana. Poderia inclusive explicar a passagem bíblica que diz que “naqueles dias seres divinos e as filhas dos homens mantiveram relações sexuais e deram à luz crianças. Esses eram os antigos heróis [Genesis, 6, 4]”. Porém, é óbvio que a comparação entre a humanidade e o formigueiro é um pouco forçada, já que a humanidade é, por si, uma hipercivilização em potencial. Talvez o surgimento de civilizações tecnológicas seja algo raro em nossa galáxia, ocorrendo, provavelmente, uma vez a cada milhões de anos. Então, é algo normal que sejamos interessantes para civilizações muito avançadas. Mas o que eles esperam de nós?

Observadores altamente desenvolvidos não nos darão tecnologia e é provável até que sejam proibidos de fazê-lo. Isso não apenas por causa da agressividade e xenofobia humanas, que transformariam qualquer nova tecnologia em armamentos, e nem apenas para evitar um choque cultural que poderia virtualmente destruir nossas estruturas religiosas, sociais, científicas, econômicas e políticas. Suponho que haja outras razões para eles não intervirem. Hipercivilizações podem esperar para ver o que nossas próprias ideias, pontos de vista e criações na arte, ciência, filosofia e ética produzem como resultado dos milhões de anos de nossa evolução — e tudo isso pode ser perdido se houver um contato prematuro.

Algumas histórias antigas, aparentemente absurdas, podem ser uma indicação de tal atitude, entre elas a punição por experimentar o fruto do conhecimento, o acorrentamento de Prometheus ou os anjos caídos, atirados em um lago de fogo porque estavam ensinando novas habilidades aos humanos. Há alguns sinais de que eventos ocorridos em nosso planeta ficam gravados em um tipo de memória virtual do planeta, que algumas pessoas parecem conseguir acessar, e isso poderia estar associado à ideia de “colheita”, quando os alienígenas nos levariam com eles para propósitos sinistros.

Isso também pode explicar a canalização, o falar em línguas desconhecidas ou xenoglossia, assim como pode nos fazer entender os chamados entrantes, a reencarnação, os fantasmas etc. Nessa realidade virtual o tempo é diferente. Nós podemos viajar aos eventos passados e assisti-los ao vivo sem interferir neles ou podemos ver cenários do futuro, algumas vezes apocalípticos, sem aceitar que eles fatalmente ocorrerão. Obviamente que esta presunção levanta ainda mais problemas. Qual é o suporte físico para essa super memória? Ele é algo natural ou foi instalado por alguém? Quem escreve os cenários futuros? Como os eventos são gravados? Sob que circunstâncias esses registros podem ser acessados?

UFOs na Romênia

Como ocorre em vários outros lugares, na Romênia há muitos fenômenos estranhos que poderiam ser explicados como sinais de uma discreta supervisão de uma inteligência cósmica altamente desenvolvida. Eles vão desde luzes e objetos inexplicados avistados no céu relatados por pilotos e outras pessoas treinadas até encontros com seres não terrestres, os tripulantes de tais naves. E pode-se incluir aqui, também, muitas histórias de figuras folclóricas e sagradas, porque surgem acompanhadas de UFOs clássicos e não podem ser separadas deles. Em meu livro UFOs In Romania [Flying Saucer Press, 2016] — a ser brevemente lançado no Brasil pela coleção Biblioteca UFO — descrevo e detalho os casos, mas aqui vou apenas citá-los.

Os registros em meu país vêm de séculos, sendo o primeiro conhecido o ocorrido em novembro de 1517, quando um grande sinal foi visto no céu. “Ele estava brilhando no firmamento ao norte e lembrava um rosto humano”. Em 15 de outubro de 1595, quando Miguel, o Bravo, então príncipe da Valáquia, sitiou a cidade Târgoviste, que estava temporariamente ocupada pelos turcos, surgiu sobre os acampamentos militares “um enorme cometa” que ali permaneceu por mais de uma hora — mas o tal cometa não foi visto em nenhum outro lugar.

Um afresco da cidade Sighisoara, do século XVI ou XVII, mostra um grande objeto em formato de disco flutuando sobre grandes edifícios. Alguns séculos mais tarde, em 1913, nove relatórios militares e 14 artigos de jornal falavam sobre um artefato voador com um enorme refletor de luz. Em 1939 ocorreu o primeiro encontro de terceiro grau de que se tem conhecimento no país, nas proximidades de Bucareste. Em 1968 houve uma grande onda ufológica, com 94 avistamentos. O mais importante ocorreu perto da localidade de Clausemburgo, na Floresta Hoia Bacia, onde Emil Barnea fez várias fotos de um UFO. Após 1968, naves foram vistas entrando e saindo do Lago Vidraru por diversas vezes.

Em setembro de 1978 ocorreu um encontro com um humanoide nas montanhas Fagaras. Em 1986 e 1988, um meteorologista observou um enorme UFO pelo radar. Em agosto de 1991 um avião se acidentou nas montanhas Retezat. Alguns dias antes, alpinistas haviam observado, no mesmo local da queda, uma estranha formação de luzes que lembrava um aeroporto. Em 1996, um policial e um guarda tiveram um encontro próximo com um UFO e três humanoides, na localidade de Certesti. Enfim, há dezenas de outros casos registrados e investigados, provando que a Romênia é um local de grande interesse dos UFOs e de seus misteriosos ocupantes.

Nos anos 2000, além de avistamentos e encontros, o país passou a ser palco de agroglifos, outro fenômeno muitas vezes ligado aos UFOs. Todos esses casos e muitos outros, incluindo aqueles com conexões folclóricas, espirituais e religiosas, estão detalhadamente cobertos e poderão ser estudados em meu livro. É claro que mesmo todos esses eventos não são uma prova de que hipercivilizações sejam a explicação para todos os aspectos do Fenômeno UFO — isso é apenas uma hipótese, mas uma que não pode ser facilmente descartada. Nós podemos especular ainda mais, perguntando-nos se antes desse havia um mundo apenas espiritual ou que o mundo material talvez seja apenas algum tipo de grande realidade virtual na qual estamos inseridos, acreditando que tudo é real.

O universo, ou melhor, o multiverso, pode ser mais velho e muito mais complexo do que aquilo que podemos observar com nossos instrumentos. O que há além dos limites de nosso universo? Há outras dimensões e realidades? Há uma realidade construída em um estado espiritual da matéria? Precisamos reconhecer nossos limites na resposta dessas questões, assim como aceitar o fato de que, nos limites da racionalidade, a mente humana não consegue distinguir entre a atividade de uma hipercivilização e aquilo que conhecemos como sagrado, santo ou divino. Mas precisamos abrir nossas mentes para especular além do convencional e assim, quem sabe, começar a desvendar esse grande mistério.

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Sobre o Autor

Dan D. Farcas, Ph.D.

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