ARTIGO

Guerras atômicas na Antiguidade?

Por David Hatcher Childress | Edição 249 | 01 de Agosto de 2017


Créditos: RAFAEL AMORIM, EXCLUSIVO PARA A REVISTA UFO

Guerras atômicas na Antiguidade?

Algumas civilizações antigas, das quais hoje conhecemos apenas poucas ruínas, parecem ainda guardar segredos incômodos e difíceis de serem explicados à luz da atual linha temporal da história. Parece impossível conciliar aquilo que dizem as evidências com aquilo que ensinam os especialistas. Talvez o único caminho seja revisarmos nossa maneira de pensar a história, primando pela verdade dos fatos e não pelas conveniências políticas. Como veremos neste estudo, são muitos os indícios de que não seríamos a primeira civilização tecnológica e fortemente armada a habitar a Terra. Aqueles que vieram antes de nós parecem ter nos deixado suas ruínas como um aviso sobre um caminho que não devemos seguir. Mas quais seriam essas evidências e onde podemos encontrá-las?

O trecho a seguir foi publicado no jornal New York Herald Tribune de 16 de fevereiro de 1947 e foi reproduzido por Ivan T. Sanderson na edição de janeiro de 1970 da revista Pursuit: “Quando a primeira bomba atômica explodiu no Novo México, a areia do deserto transformou-se em vidro verde fundido. Este fato, de acordo com a revista Free World, deu uma pista aos arqueólogos. Eles estão escavando o antigo Vale do Eufrates e encontraram uma camada de cultura agrícola com 8 mil anos de idade, uma camada de cultura de pastoreio muito mais antiga e uma camada com vestígio dos homens das cavernas, ainda mais remota. Recentemente, atingiram uma nova camada, de vidro verde fundido”.

Solos e paredes vitrificados

É fato conhecido que detonações atômicas acionadas diretamente sobre ou acima de um deserto arenoso derretem a sílica da areia e transformam a superfície do solo em uma camada de vidro. Mas se antigas camadas de vidro do deserto podem ser encontradas em várias partes do mundo, isso pode significar que guerras atômicas foram travadas em um passado remoto ou, pelo menos, que testes atômicos ocorreram em eras obscuras da história?

Essa é uma teoria surpreendente e que não carece de provas, pois camadas antigas de vidro, no deserto, são um fato geológico. Os relâmpagos podem, às vezes, fundir a areia, mas o resultado geológico repete sempre o mesmo padrão, em forma de raiz. Essas estranhas curiosidades geológicas são chamadas de fulgurites e se apresentam como formas tubulares ramificadas, em vez de camadas planas de areia fundida — portanto, o raio é amplamente descartado pelos geólogos como causa para essas descobertas. Eles preferem aderir à teoria de um impacto de meteorito ou cometa como causa das formações, mas o problema é que, de modo geral, não existem vestígios de crateras de impacto associadas às camadas de vidro anômalas.

Brad Steiger e Ron Calais relatam em seu livro Mysteries of Time and Space [Mistérios do Tempo e do Espaço, Prentice Hall, 1974 que foi atribuído a um dos primeiros engenheiros a se graduar no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Albion W. Hart, um projeto de engenharia no interior da África. Enquanto ele e seus homens viajavam para uma região quase inacessível, tiveram que atravessar uma grande extensão de deserto. “Na época ele estava intrigado e era incapaz de explicar a grande extensão de vidro verde que cobria a areia até onde sua vista alcançava”, escreve Margarethe Casson em um artigo sobre a vida de Hart, publicado na revista Rochas e Minerais, em 1972. Vamos citá-la: “Mais tarde, durante a sua vida, ele passou pela área de White Sands após a primeira explosão atômica e reconheceu o mesmo tipo de fusão de sílica que havia visto 50 anos antes no deserto africano”.

Impactos de meteoritos

Grandes áreas de deserto, repletas de misteriosos glóbulos de vidro, conhecidos como tectitos, são ocasionalmente discutidas na literatura geológica. Essas bolhas de vidro temperado são, na maioria dos casos, provenientes de supostos impactos de meteoritos, mas a evidência mostra que, em muitos casos, não há cratera nas imediações. Outra explicação seria a de que os tectitos têm uma origem terrestre, o que inclui a possibilidade de uma guerra atômica ou travada com o uso de armas de alta tecnologia, capazes de derreter a areia. O debate foi resumido em um artigo intitulado O Problema dos Tectitos, de John O’Keefe, publicado em 1978 na edição de agosto da revista Scientific American. Vejamos um trecho:

crédito: NATGEO
As ruínas que restaram da civilização de Mohenjo-Daro, provavelmente causadas por uma das mais fortes explosões atômicas da Antiguidade
As ruínas que restaram da civilização de Mohenjo-Daro, provavelmente causadas por uma das mais fortes explosões atômicas da Antiguidade


“Se os tectitos são terrestres, isso significa que existe algum processo capaz de converter em um instante o solo e rochas comuns em vidro homogêneo, isento de água e sem bolhas, e o impelir a milhares de quilômetros acima da atmosfera. Se os tectitos vêm da Lua, parece lógico supor a existência de pelo menos um poderoso vulcão em algum lugar do satélite, que entrou em erupção tão recentemente como há 750 mil anos. Nenhuma das possibilidades é fácil de aceitar. No entanto, uma deve ser aceita e eu acredito que é possível escolher a mais razoável ao rejeitar a mais improvável. A chave para resolver a questão é insistir na hipótese fisicamente mais razoável e recusar firmemente se impressionar com meras coincidências numéricas, tais como a similaridade dos sedimentos terrestres com o material das formações. Acredito que a hipótese do vulcanismo lunar é a única fisicamente possível, e que temos que aceitá-la. Se ela leva a conclusões inesperadas, mas não impossíveis, esta é precisamente a sua utilidade”.

Vidro misterioso no Saara

Um dos mais estranhos mistérios do Antigo Egito é o das grandes camadas de vidro do deserto, que só foram descobertas em 1932. Em dezembro daquele ano, Patrick Clayton, inspetor do Departamento de Levantamento Geológico Egípcio, estava dirigindo entre as dunas de areia do Grande Mar, perto do Planalto de Saad, uma área praticamente desabitada do país, quando ouviu seus pneus triturando algo que não era areia. Clayton descobriu que se tratavam de grandes pedaços de vidro verde-amarelado, maravilhosamente claro.

Na verdade, não era apenas vidro comum, mas vidro ultrapuro, com surpreendentes 98% de sílica. Clayton não foi a primeira pessoa a encontrar aquela área de vidro, já que vários caçadores e nômades tinham, obviamente, encontrado também o agora famoso Deserto de Vidro Líbio, como foi apelidado. Os antigos usaram o vidro para fazer vários objetos, entre eles facas e ferramentas afiadas — até mesmo um escaravelho esculpido com o vidro proveniente do local foi encontrado no túmulo de Tutancâmon, indicando que o material era utilizado também na fabricação de joias.

Os relâmpagos podem, às vezes, fundir a areia, mas o resultado geológico repete sempre o mesmo padrão, em forma de raiz. Essas estranhas curiosidades geológicas são chamadas de fulgurites e se apresentam como formas tubulares ramificadas

Um artigo de Giles Wright na revista científica britânica New Scientist de 10 de julho de 1999, intitulado O Enigma das Areias, diz que o Deserto de Vidro Líbio é feito do mais puro vidro natural de sílica já encontrado — mais de mil toneladas dele estão espalhadas por centenas de quilômetros de um deserto desolado. Alguns dos pedaços chegam a pesar 26 kg, mas a maior parte encontra-se em pedaços menores, angulares, parecendo cacos deixados por uma gigantesca garrafa verde esmagada por forças colossais.

Entre 2010 e 2012, esforços conjuntos de pesquisadores britânicos de várias áreas finalmente parecem ter colocado um ponto final nos mistérios do vidro egípcio. O material fora datado por decaimento de urânio como tendo 30 milhões de anos, e muito embora não se tenha encontrado nas imagens de satélite marcas de uma cratera dessa época, os cientistas conseguiram provar que o que ocasionou a formação do vidro foi a descomunal explosão de um meteorito gigante alguns quilômetros acima do solo. A exploração gerou um deslocamento de calor da ordem de 1.800 °C, que vitrificou a areia e destruiu o que quer que houve no local.

Fortes vitrificados da Escócia

Um dos grandes mistérios da arqueologia clássica é também a existência de diversos fortes vitrificados na Escócia. Diz-se que há pelo menos 60 deles em todo o país. Entre os mais conhecidos estão Tap O’Noth, Dunnideer, Craig Phadraig, este perto de Inverness, Abernathy, próximo de Perth, Dun Lagaidh, Cromarty, Arka Unskel, Eilean e Bute Dunagoil, em Sound of Bute, ao largo da ilha de Arran. Outro conhecido forte vitrificado é o Monte Cauadale, em Argyll, no leste da Escócia.

Um dos melhores exemplos de forte vitrificado é Tap O’Noth, que fica perto da aldeia de Rhynie, no nordeste do país. Essa fortaleza maciça da pré-história encontra-se no cume de uma montanha de mesmo nome, a 560 m de altura e com uma paisagem impressionante da paisagem no Condado de Aberdeen. À primeira vista, parece que as paredes são feitas de um amontoado de pedras, mas, vendo-as de perto, nota-se que são feitas de rochas derretidas — o que antes eram pedras individuais são agora massas de cinzas pretas, fundidas por um calor que deve ter sido absolutamente devastador.

crédito: PAUL DAVAILL
O local denominado Eilean na Goar, um forte misteriosamente vitrificado às margens do Lago Ailort
O local denominado Eilean na Goar, um forte misteriosamente vitrificado às margens do Lago Ailort

Pesquisas sobre os fortes vitrificados são feitas desde 1880, quando Edward Hamilton escreveu um artigo Fortes Vitrificados na Costa Oeste da Escócia para o então Jornal de Arqueologia. No texto Hamilton descreve vários locais em detalhe, incluindo Arka Unskel: “No ponto onde o Lago Nuagh começa a estreitar, onde a margem oposta está a cerca de 1,5 a 2 km de distância, há um pequeno promontório ligado ao continente por uma estreita faixa de areia e grama, que esteve evidentemente submersa em algum momento com a elevação da maré. No cume plano deste promontório estão as ruínas de uma fortaleza vitrificada, para a qual o nome apropriado é Arka Unskel”.

Hamilton prossegue informando que as rochas nas quais este forte está localizado são gnaisse metamórficas, cobertas com grama e samambaias, e que ele se ergue em três lados de modo quase perpendicular até cerca de 110 m acima do nível do mar. Sua superfície lisa na parte superior é dividida por uma pequena depressão em duas partes. Na maior, cujos lados precipitam-se para o mar, situa-se a parte principal da fortaleza, que ocupa toda a superfície plana — trata-se de uma forma ligeiramente oval. A circunferência é de cerca de 70 m e as paredes vitrificadas podem ser rastreadas em todo o seu comprimento. “Nós escavamos sob a massa vitrificada e lá encontramos, o que foi extremamente interessante, indicações que jogaram alguma luz sobre o modo como o fogo foi aplicado com a

finalidade de vitrificar”, disse.

Fortes vitrificados

Ele descreve também que a parte interna da parede superior vitrificada não foi tocada pelo fogo por cerca 30 a 40 cm, exceto que algumas das pedras planas foram ligeiramente aglutinadas umas às outras, e que as pedras, todas feldspáticas, foram colocadas em camadas umas sobre as outras. “Ficou evidente, portanto, que uma fundação de pedregulhos brutos foi formada a partir da rocha original, e depois uma camada espessa e solta, principalmente de areia de pedras planas feldspáticas e de um tipo diferente daqueles encontrados nas imediações, foi colocada nessa fundação. Então, em seguida, tudo foi vitrificado pelo calor aplicado externamente. Esta fundação de pedras soltas é encontrada também no forte vitrificado de Dun Mac Snuichan, em Loch Etive”.

Hamilton também relata outro forte vitrificado muito maior, situado na ilha, bem na entrada do Lago Ailort. O local, denominado Eilean na Goar, é o mais oriental e é delimitado por todos os lados por rochas gnaisse precipitadas. Seria a morada e local de nidificação de numerosas aves marinhas. Sua superfície plana na parte superior está a 120 m acima do nível do mar e as ruínas da fortaleza vitrificada estão situadas sobre ela, de forma oblonga, com uma muralha contínua da parede vitrificada de 1,5 m de espessura, ligada no final a uma rocha vertical de gnaisse.

Uma primeira teoria era a de que esses fortes estavam situados sobre vulcões, ou no que restou deles, e que as pessoas usavam pedras derretidas ejetadas pelas erupções para construir seus assentamentos. É uma ideia interessante, mas com problemas

Hamilton, naturalmente, fez as perguntas óbvias a respeito dos tais fortes. Essas construções foram feitas como meio de defesa? A vitrificação foi o resultado de um projeto ou de um acidente? Como ela foi feita? Nesse processo, enormes blocos de pedras foram fundidos com outros menores para formar uma massa dura e vítrea — enfim, as explicações para a vitrificação são poucas e distantes entre si, e nenhuma delas é universalmente aceita.

Uma primeira teoria era a de que esses fortes estavam situados sobre antigos vulcões, ou no que restou deles, e que as pessoas usavam pedras derretidas ejetadas pelas erupções para construir seus assentamentos. Essa opinião foi substituída por outra, que dizia que os construtores das paredes haviam projetado a vitrificação dos fortes de maneira proposital, a fim de reforçar as paredes. É uma teoria interessante, mas que apresenta vários problemas. Para começar, não há nenhuma indicação de que tal processo realmente fortaleça os muros de uma fortaleza — ao contrário, parece enfraquecê-los. Em muitos casos, as paredes dos fortes parecem ter desmoronado por causa dos incêndios. Além disso, como as paredes de muitos deles são apenas parcialmente vitrificadas, esse não teria se revelado um método de construção efetivo.

Planejamento e construção

Alguns pesquisadores têm certeza de que os construtores dos fortes foram os causadores da vitrificação. O escritor Arthur C. Clarke afirmou que uma equipe de químicos do Museu de História Natural, de Londres, que estudaram muitos dos fortes, consideraram as altas temperaturas que precisam ser produzidas e o fato de que possivelmente cerca de 60 fortes vitrificados podiam ser vistos em uma área geográfica limitada da Escócia. “Por isso, não acredito que esse tipo de estrutura seja resultado de incêndios acidentais. Planejamento e construção cuidadosos foram necessários”.

No entanto, a arqueóloga escocesa Helen Nisbet acredita que a vitrificação não tenha sido feita de propósito pelos construtores dos fortes. Em uma análise completa dos tipos de rochas utilizadas, ela revela que a maioria deles foi construída com pedras facilmente disponíveis no local, e não escolhidas por sua propriedade de vitrificação. E esse processo é em si, mesmo que feito de forma proposital, um grande mistério. Uma equipe de químicos do seriado Mundo Misterioso [1980], do citado Clarke, sujeitou amostras de rochas de onze fortes a análises químicas rigorosas e afirmou que as temperaturas necessárias para produzir a vitrificação foram tão intensas, de cerca de 1.100 ºC, e que uma simples queima de paredes de madeira entrelaçada com a pedra não poderia ter alcançado.

crédito: THE HERALD
O escritor de ficção científica Arthur C. Clarke tentou explicar as vitrificações em monumentos na Europa e outros lugares, mas não conseguiu
O escritor de ficção científica Arthur C. Clarke tentou explicar as vitrificações em monumentos na Europa e outros lugares, mas não conseguiu

No entanto, experimentos realizados em 1930 pelo célebre arqueólogo V. Gordon Childe e seu colega Wallace Thorneycroft mostraram que os fortes poderiam ser incendiados e gerar calor suficiente para vitrificar a pedra. Em 1934, eles projetaram um muro de teste com 4 m de comprimento, 1,2 m de largura e 1,2 de altura, que foi construído para eles em Plean Colliery, em Stirlingshire. Mas, por causa de uma tempestade de neve, um vento forte assoprou a mistura ardente de madeira e pedra, de modo que somente no núcleo chegou a ocorrer alguma vitrificação da rocha.

Em junho de 1937, Childe e Thorneycroft repetiram o ensaio de vitrificação no antigo forte de Rahoy, em Argyllshire, usando pedras encontradas no local. Suas experiências, porém, não resolveram nenhuma das questões sobre as edificações vitrificadas e provaram apenas que era teoricamente possível empilhar uma quantidade suficiente de madeira e galhos sobre uma mistura de madeira e pedra para vitrificar a massa de pedra. Uma das críticas a Childe é que ele parece ter usado uma proporção maior de madeira do que de pedra, em comparação com as quantidades que, para muitos historiadores, compunham as antigas fortalezas.

O problema das teorias

Uma parte importante da teoria de Childe era a de que os invasores é que atacavam os fortes ateando fogo às paredes com pilhas de galhos e de madeira, e não os construtores. No entanto, é difícil entender por que as pessoas iriam repetidamente construir defesas que invasores pudessem destruir com fogo, quando grandes muralhas de pedra sólida teriam sobrevivido incólumes. Os críticos à teoria do assalto apontam que, para gerar calor suficiente por meio de fogo natural, as paredes teriam de ser construídas de modo especial para produzir a temperatura necessária — parece ilógico sugerir que os construtores iriam criar fortes especificamente para serem queimados ou que um esforço tão grande seria feito pelos invasores para criar o tipo de fogo necessário para a vitrificação das paredes, pelo menos com técnicas tradicionais.

Logo iremos chegar ao tema deste trabalho, que é sobre as guerras nucleares ancestrais. Antes, porém, temos que observar que um dos problemas de todas as muitas teorias a respeito destes fortes é que presumivelmente pertencem a um estado primitivo da cultura local, associado com a Escócia Antiga. É espantoso pensar como deve ter sido grande e bem coordenada a população ou o exército que construiu e habitou essas estruturas antigas. Janet e Colin Bord, em seu livro Mysterious Britain [Bretanha Misteriosa, Thornson, 1976], falam sobre o Castelo Maiden e nos dão uma ideia da vasta extensão dessa maravilha da engenharia pré-histórica.

Em tempos remotos havia uma substância que ficou conhecida nos escritos da época com o nome de 'fogo grego'. Era uma espécie de bomba de napalm antiga, que era lançada por catapulta e não podia ser jogada de volta. Altamente perigosa

Dizem os autores que “o castelo abrange uma área de 486.000 m2, com uma largura média de 457 m e comprimento de 914 m. A circunferência interna é de cerca de 17,7 km, e estima-se que seriam necessários 250 mil homens para defendê-lo”. É difícil, portanto, acreditar que essa construção se destinava a ser apenas um posto de defesa. As entradas múltiplas e labirínticas a leste e a oeste, em cada extremidade do recinto, têm sido um grande enigma para os arqueólogos. Originalmente, elas podem ter sido construídas como um caminho para a entrada de procissões na Era Neolítica. “Mais tarde, quando os guerreiros da Idade do Ferro passaram a usar o local como fortaleza, devem tê-las achado úteis como forma de confundir uma força de ataque tentando ganhar a entrada. O fato de que muitos desses ‘fortes’ têm duas entradas, uma ao norte, do lado leste, e outra ao sul, do lado oeste, sugere também algum tipo de cerimonial solar”, finalizam.

Com 250 mil homens defendendo um forte, estamos falando de um enorme exército e de uma sociedade muito organizada — certamente não se tratava de um bando de primitivos vestindo peles e portando lanças defendendo uma fortaleza contra grupos saqueadores de caçadores ou coletores. Portanto, as questões permanecem. Que exército enorme poderia ter ocupado esses fortes pelas entradas do mar ou do lago? E quão maciço deve ter sido o poder marítimo contra o qual essas pessoas em vão se defenderam?

Perdedores da guerra

Os fortes na costa oeste da Escócia são uma reminiscência dos misteriosos fortes nas Ilhas Aran, na costa oeste da Irlanda. Aqui temos realmente os tons da história da Atlântida, com uma poderosa frota naval atacando e conquistando seus vizinhos em uma guerra terrível. Foi teorizado que as terríveis batalhas da história da Atlântida ocorreram no País de Gales, Escócia, Irlanda e Inglaterra. No entanto, parece que os fortes vitrificados escoceses foram os perdedores da guerra, não os vitoriosos — e a derrota pode ser vista em toda a terra, como nos diques de guerra em Sussex, fortalezas vitrificadas da Escócia e no total colapso e desaparecimento da civilização.

Em tempos remotos havia uma substância que ficou conhecida nos escritos da época com o nome de “fogo grego”. Era uma espécie de bomba de napalm antiga, que era lançada por catapulta e não podia ser jogada de volta. Dizia-se, inclusive, que algumas formas de fogo grego podiam queimar sob a água e, portanto, ser usadas em batalhas navais. A composição real do fogo grego é desconhecida, mas deve ter contido químicos como fósforo, breu, enxofre ou outros produtos inflamáveis.

crédito: NTV
Uma mostra dos corpos encontrados carbonizados e em alguns casos até vitrificados em Mohenjo-Daro, já desgastados pelas intempéries
Uma mostra dos corpos encontrados carbonizados e em alguns casos até vitrificados em Mohenjo-Daro, já desgastados pelas intempéries

Poderia uma forma de fogo grego ter sido o responsável pela vitrificação? Enquanto os defensores da Teoria dos Antigos Astronautas acreditam que extraterrestres com armas nucleares teriam vitrificado as paredes, parece mais provável que seja o resultado de um apocalipse de natureza química, provocado pelo homem. Teria uma numerosa frota de naves alienígenas atacado os enormes fortes com máquinas, navios de guerra e fogo grego, incendiando-os em uma chama infernal? Perguntas em aberto...

Seja como for, a prova dos fortes vitrificados é indiscutível. Havia sim uma civilização extremamente bem-sucedida e organizada na Escócia, Inglaterra e no País de Gales em tempos pré-históricos, por volta de 1.000 a.C. ou mais, que construía estruturas gigantescas, incluindo fortes — era, aparentemente, uma civilização marítima que se preparara para uma guerra naval, assim como para outras formas de ataque.

Outras ruínas vitrificadas

Escombros de edificações vitrificadas também podem ser encontradas na França, Turquia e algumas áreas do Oriente Médio. Os fortes vitrificados na França foram discutidos no American Journal of Science em 1881, em um artigo de M. Daubrée intitulado Sobre as Substâncias Obtidas em Alguns Fortes Vitrificados na França. O autor menciona vários deles na Bretanha e norte da França, cujos blocos de granito foram vitrificados. Ele cita as “rochas graníticas parcialmente fundidas dos fortes de Château Veux e do Puy de Gaudy, também da região de Saint Brieuc, em Côtes-du-Nord”. Daubrée, compreensivelmente, não pôde encontrar facilmente uma explicação para o processo.

Da mesma forma, as ruínas de Hattusas, uma antiga cidade hitita na Turquia Central, são parcialmente vitrificadas — os hititas são considerados os inventores das bigas e os cavalos eram de grande importância para eles. Podemos ver em antigas estelas hititas a primeira descrição de um carro em uso. No entanto, parece improvável que as bigas tenham sido inventadas por eles e é muito provável que nessa época já estivessem em uso na China Antiga. Os hititas também foram ligados ao mundo da Índia Antiga. Escritos proto-indianos foram encontrados em Hattusas e os estudiosos admitem, agora, que a civilização da Índia, conforme dito em antigos textos, como o Ramayana, remonta há muitos milênios.

O historiador alemão Werner Keller, em seu livro The Bible as History [A Bíblia como História, Bantam, 1965], cita alguns dos mistérios sobre os hititas. Segundo Keller, eles são mencionados pela primeira vez em Gênesis 23, em conexão com o patriarca bíblico Abraão, que adquiriu dos hititas uma sepultura em Hebron para sua esposa Sarah. Conservador, clássico e erudito, Keller condensou os fatos, já que o período de tempo de Abraão foi em torno de 2.000 a 1.800 a.C., enquanto se diz, tradicionalmente, que os hititas apareceram no século XVI a.C.

A Bíblia como História

Ainda mais intrigante para Keller era a afirmação existente no Livro dos Números de que os hititas foram os fundadores de Jerusalém. Eis uma afirmação fascinante, pois isso significaria que os hititas ocuparam também Baalbek, que fica entre o seu reino e o de Jerusalém — note-se que o Templo de Jerusalém foi construído sobre uma base de enormes cantarias, tal como Baalbek. Os hititas definitivamente usavam construções megalíticas gigantescas, conhecidas como ciclópicos. Eram blocos poligonais enormes, de forma estranha e perfeitamente encaixados.

Os grandes muros e portões maciços de Hattusas são construções estranhamente similares às do alto dos Andes e às de outros sítios megalíticos em todo o mundo. A diferença é que em Hattusas partes da cidade estão vitrificadas e as paredes de pedra foram parcialmente derretidas. Se os hititas foram os construtores de Jerusalém, isso significaria que o antigo Império Hitita existiu por milhares de anos e que tinha fronteiras com o Egito — na verdade, a escrita hieroglífica hitita é inegavelmente similar aos hieróglifos egípcios, provavelmente mais similar do que qualquer outro idioma.

Não restam dúvidas de que nossos antepassados, com ou sem a ajuda de extraterrestres, tinham acesso a tecnologias que seriam impossíveis de conceberem nos tempos em que viveram. De onde vinha a informação para produzi-las?

Assim como o Egito remonta há milhares de anos antes de Cristo, e é fundamentalmente ligado à Atlântida, o mesmo ocorre com o antigo Império Hitita. Os hititas esculpiram maciças esfinges em granito em escala monumental, adoravam o deus Sol e usavam o símbolo de um disco alado para representá-lo, exatamente como os egípcios fizeram. Os hititas eram bem conhecidos no mundo antigo, pois eram os principais fabricantes de produtos em ferro e bronze. Eram, enfim, um povo de metalúrgicos e navegadores.

Alguns dos antigos zigurates do Irã e do Iraque também contêm material vitrificado, às vezes explicado pelos arqueólogos como tendo sido causado por fogo grego. Por exemplo, os restos vitrificados do zigurate em Borsipa, no Iraque, foram confundidos com a Torre de Babel. As ruínas são coroadas com uma massa de tijolos vitrificados — tijolos reais fundidos por calor intenso. Isso pode ser resultado das horríveis guerras antigas descritas no texto Ramayana e no Mahabharata, embora os primeiros arqueólogos tenham atribuído o efeito à ação dos raios.

“Fogo molhado”

Quando encaramos o grande épico indiano Mahabharata como um relato de fatos reais, nos deparamos com a descrição de batalhas fantásticas travadas com o uso de aeronaves, feixes de partículas, armas químicas e, presumivelmente, atômicas. Assim como as batalhas no século XX foram travadas com armas incrivelmente devastadoras, é muito possível que antigas batalhas tenham utilizado armas igualmente muito sofisticadas, principalmente nos últimos dias da Atlântida.

O misterioso fogo grego era uma “bola de fogo químico”, segundo descrições. Misturas incendiárias remontam a pelo menos ao século V a.C., quando Aineias, o Estrategista, escreveu um livro Em Defesa de Posições Fortificadas. Disse ele: “E o próprio fogo, que é poderoso e quase inextinguível, deve ser preparado como se segue. Breu, enxofre, estopa, incenso granulado e serragem de pinho em sacos, que se deve inflamar quando quiser colocar em chamas qualquer das obras do inimigo”.

O escritor e engenheiro aeronáutico L. Sprague de Camp menciona em seu livro The Ancient Engineers [Os Antigos Engenheiros, Doubleday, 1963] que em algum momento do passado verificou-se que o petróleo que escoa para fora do chão, no Iraque e em outros lugares, formava a base ideal para misturas incendiárias, pois poderia ser esguichado de seringas do mesmo tipo que então era utilizado para o combate de incêndios — outras substâncias foram adicionadas ao petróleo, como o enxofre, azeite, resina, betume, sal e cal.

Alguns desses aditivos podem ter ajudado — o enxofre, pelo menos, tinha um forte mau cheiro —, mas outros não, embora se pensasse que tivessem. O sal, por exemplo, pode ter sido acrescentado porque o sódio presente deu à chama uma cor laranja brilhante. Os antigos, supondo erroneamente que uma chama mais brilhante fosse necessariamente mais quente, acreditaram que o sal fizesse o fogo queimar de forma mais feroz. Essas misturas eram colocadas em tonéis de madeira fina e lançadas por catapultas posicionadas em navios, em máquinas de cerco e em outros engenhos de madeira.

Líquido incendiário

De acordo com de Camp, no ano 673 de nossa era o arquiteto Kallinikos fugiu dos invasores árabes de Heliópolis e Baalbek para Constantinopla. Ali ele revelou ao imperador Constantino IV a fórmula melhorada de um líquido incendiário — o produto não apenas podia ser esguichado no inimigo, como também podia ser usado com grande efeito no mar, pois, além de se inflamar quando tocava a água, permanecia queimando sobre as ondas.

O autor diz que as galeras bizantinas foram armadas com lança-chamas que consistiam de um tanque com a mistura de Kallinikos, uma bomba e um bocal. Com a ajuda desse composto, os bizantinos quebraram o cerco árabe de 674 a 676 e de 715 a 718, e também repeliram os ataques russos de 941 e 1043. O líquido incendiário causou imensa destruição — dos 800 navios árabes que atacaram Constantinopla no ano de 716, apenas alguns poucos voltaram para casa.

A fórmula para a versão molhada do fogo grego nunca foi descoberta. Diz de Camp: “Por meio de cuidadosa medida de segurança, os imperadores bizantinos conseguiram manter a fórmula da substância, chamada de ‘fogo molhado’ ou ‘fogo selvagem’, tão secreta que ela nunca se tornou do conhecimento geral. Quando perguntados sobre o assunto, eles suavemente respondiam que um anjo revelara a fórmula para o primeiro Constantino. Podemos, portanto, apenas supor a natureza da mistura. Segundo uma teoria contestada, o fogo molhado era petróleo com uma mistura de fósforo e cálcio, que pode ser feito de cal, ossos e urina. Talvez Kallinikos tenha se deparado com esta substância no curso de experiências alquímicas”.

Guerra climática e bolas de fogo

Explicando a arma de plasma, Collyns diz que ela “já foi desenvolvida em caráter experimental e com fins pacíficos. Cientistas ucranianos do Instituto de Geotécnica Mecânica fizeram perfurações experimentais de túneis em minas de minério de ferro, utilizando um plasmatron, ou seja, um jato de gás de plasma, que proporciona uma temperatura de 6.000 °C”. O plasma, neste caso, é um gás eletrificado. Gases eletrificados também são destaque no texto Vymaanika Shaastra, o antigo livro da Índia que trata dos vimanas — que misteriosamente também fala do uso de mercúrio metálico na forma líquida como combustível, que pode ser um plasma se eletrificado.

crédito: U. S. NAVY
Um dos locais de explosões atômicas experimentais nos Estados Unidos, onde a sílica do deserto se transformou em um vidro esverdeado
Um dos locais de explosões atômicas experimentais nos Estados Unidos, onde a sílica do deserto se transformou em um vidro esverdeado

Collyns prossegue descrevendo a tocha de fusão dizendo que ela poderia ser um método de guerra “usado por astronautas ou antigas civilizações avançadas da Terra. Talvez os espelhos solares da Antiguidade fossem realmente tochas de fusão. Ela é basicamente um desenvolvimento do jato de plasma”. Em 1970, uma teoria para desenvolver uma tocha de fusão foi apresentada na reunião científica aeroespacial de Nova York pelos doutores Bernard J. Eastlund e William C. Cough. A ideia básica era a de gerar um calor excepcional, de pelo menos 50 milhões de graus Celsius, que poderia ser contido e controlado.

“A substância mais mortal”

Diz ainda Collyns: “Ou seja, a energia liberada pode ser usada para muitas aplicações pacíficas, com zero de resíduos radioativos para evitar a contaminação do ambiente ou zero de produção de elementos radioativos que seriam altamente perigosos, como o plutônio, que é a substância mais mortal dentre as conhecidas pelo homem. A fusão termonuclear ocorre naturalmente em processos estelares, e artificialmente em explosões da bomba de hidrogênio feitas pelo homem”.

Poderia ser usada a fusão de um núcleo de deutério — um isótopo pesado do hidrogênio que pode ser facilmente extraído da água do mar — com um outro núcleo de deutério ou com trítio — outro isótopo de hidrogênio — ou ainda com hélio. A tocha de fusão poderia ser, na verdade, um jato de plasma ionizado que vaporiza tudo e qualquer coisa que toque, se utilizado para fins nocivos, enquanto que para aplicações pacíficas a utilização da tocha poderia ser a de recuperar elementos básicos de sucatas de metal. Cientistas da Universidade do Texas anunciaram em 1974 que tinham realmente desenvolvido a primeira tocha de fusão experimental, a qual forneceu uma saída de calor incrível, cinco vezes a temperatura mais quente já obtida anteriormente para um gás contido.

Aqui é interessante notar que o doutor Bernard Eastlund é o detentor da patente de outro dispositivo incomum, associado com o Programa de Investigação de Aurora Ativa de Alta Frequência, também conhecido como HAARP, com base em Gakona, no Alasca. O HAARP está alegadamente relacionado com a manipulação do clima, justamente uma das maneiras pelas quais Collyns acha que os antigos travaram guerras.

Novas ideias de guerra

Sobre buracos na camada de ozônio e manipulação do clima, o autor escreveu também que “os cientistas soviéticos discutiram e propuseram à Organização das Nações Unidas (ONU) uma proibição ao desenvolvimento de novas ideias de guerra, como a criação de buracos ou ‘janelas’ na camada de ozônio para bombardear áreas específicas da Terra, com um aumento da radiação ultravioleta natural. Isso poderia matar todas as formas de vida e transformar solo fértil em um deserto estéril”.

Em seu livro de 1976, nunca é pouco lembrar, o autor nos informa também que outras ideias discutidas na reunião foram o uso de “infrassom” para destruir navios por meio da criação de campos acústicos sobre o mar, lançando-se um enorme pedaço de rocha às águas, com um dispositivo atômico barato. “A onda resultante das marés poderia destruir a orla costeira de um país, e outras ondas poderiam ser criadas pela detonação de dispositivos nucleares nos polos congelados”, garantiu.

Enfim, inundações, furacões, terremotos e secas controladas, dirigidas para objetivos e cidades específicas, são outras possibilidades. Finalmente, embora não seja um novo método de guerra, armas incendiárias estão sendo desenvolvidas a ponto de que “bolas de fogo químico” serão produzidas e capazes de irradiar energia térmica semelhante à de uma bomba atômica.

Este texto continua na próxima edição.

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Sobre o Autor

David Hatcher Childress

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