ARTIGO

Entenda a hipnose regressiva

Por Marco Aurélio de Seixas | Edição 221 | 01 de Março de 2015

A hipnose se processa quando o indivíduo é levado a um estado especial de relaxamento, sob comando hipnótico
Créditos: PSYCHOLOGICAL SOCIETY

Entenda a hipnose regressiva

O médico austríaco Sigmund Freud (1856-1939) é considerado o pai da psicanálise. Mas, afinal, o que é ela? Resumidamente, é a teoria que pretende explicar o funcionamento da mente humana, para depois se transformar em um método de tratamento de diversos transtornos mentais. São dois os fundamentos da teoria psicanalítica, segundo Freud. Primeiro, os processos psíquicos seriam em sua imensa maioria inconscientes e a consciência não é nada mais do que uma fração de nossa vida psíquica total. E, segundo, os processos psíquicos inconscientes seriam dominados por nossas tendências sexuais, a que ele chamou de libido.
A influência que Freud exerceu em várias correntes da ciência, da arte e da filosofia foi enorme. Mas não se deve deixar de dizer que muitos filósofos, psicólogos e psiquiatras fazem sérias objeções ao modo como o pai da psicanálise apresenta seus conceitos, como realidades absolutas e não como hipóteses ou instrumentos de explicação que poderiam ser ultrapassados pela evolução científica. Outra troca fonte de experimentação está na hipnose, notadamente a regressiva.

Estado de inconsciência

O termo hipnose foi criado por Mames Braid (1784-1860). Na sua generalidade, é um conjunto de técnicas psicológicas e fisiológicas destinadas a modificar gradualmente o estado de atenção de uma pessoa, com finalidade terapêutica ou comportamental. Embora derivada do grego hypnos, que significa sono, ela é diferente dele e não significa, em absoluto, o ingresso em estado de inconsciência. Freud aplicou a hipnose profunda no começo de sua carreira. Esta é uma técnica milenar. Os antigos egípcios já utilizavam empiricamente encantamentos, amuletos, imposição de mãos, sem se darem conta da imaginação e sugestão envolvidas nesses procedimentos.


Jean Martin Charcot (1825-1893) notabilizou-se pelas curas hipnóticas da histeria, o que levou ao início do estudo científico da hipnose. Ela teve recrudescimento durante as Guerras Mundiais como forma de tratamento das neuroses traumáticas de guerra. Atualmente, existem várias sociedades em todo o mundo que atuam na prática da hipnose, bem como profissionais médicos trabalhando em universidades. Algumas instituições internacionais já se posicionaram sobre a hipnose médica, reconhecendo-a como auxiliar terapêutico útil na medicina. A Organização Mundial de Saúde, em 1974, afirmou que: “A hipnose moderna é hoje o maior avanço da psiquiatria. Atua no campo terapêutico, enquanto os estudos da bioquímica o são no estudo das etiologias”.

Método terapêutico

A Associação de Hipnose do Estado de São Paulo, desde a sua fundação, promove cursos, palestras e reuniões para o desenvolvimento da hipnose como método terapêutico. Sua congênere carioca, a Associação de Hipnose Médica do Rio de Janeiro, assim como a Associação Brasileira de Hipnose, instituiu o Curso de Habilitação em Hipnose Teórica e Prática, voltado para médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas e estudantes destas áreas. De acordo com o parecer do Conselho Federal de Medicina, de 18 de agosto de 1999, “a hipnose é uma forma de diagnose e terapia que deve ser executada tão somente por profissionais devidamente qualificados. Como terapia, deve ser executada por médicos, odontólogos e psicólogos em suas estritas áreas de atuação. Portanto, sendo reservada a estes profissionais, e até por encerrar complicações e conter contraindicações, sua utilização por pessoas leigas configura-se curandeirismo, ilícito jurídico definido no Código Penal, em seu artigo 282”.

Extrema cautela

As possibilidades da percepção humana vão muito além do atual estágio do conhecimento, de modo que esta técnica deve ser dimensionada e interpretada com extrema cautela, para que não se caia em “achismos”, imponderações científicas ou mesmo em propensões de fundo sectário-religioso.
Quando um hipnotizador induz um transe hipnótico, estabelece uma relação muito estreita com o hipnotizado, de confiança e colaboração. O paciente em transe percebe claramente o que ocorre à sua volta e pode relatá-lo. A crença de que se pode morrer em transe ou não mais acordar é meramente folclórica e não corresponde à realidade. A hipnose é, em última análise, um estado não ordinário de consciência, que pode ser utilizado em benefício do ser humano e capaz de suscitar respostas impressionantes. Porém, ainda há um longo caminho até a sua completa aceitação.

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Sobre o Autor

Marco Aurélio de Seixas

É médico cardiologista em São Paulo e há 25 anos estuda a influência extraterrestre no desenvolvimento das religiões. É finalista do IV Concurso de Ufologia da Revista UFO, da qual é colaborador.

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