ARTIGO

Encontros com UFOs e contatos com seres extraterrestres na Caatinga

Por Daniel C. Carneiro | Edição 240 | 01 de Novembro de 2016

O local do avistamento do estranho ser, na área rural da pequena Boa Vista do Tupim, interior da Bahia
Créditos: ARQUIVO DANIEL CARNEIRO

Encontros com UFOs e contatos com seres extraterrestres na Caatinga

Não são raros os relatos de avistamentos e contatos vindos do Nordeste Brasileiro. Quem acompanha a casuística ufológica da região sabe que o Fenômeno UFO é apenas um entre os muitos mistérios que existem lá. Entretanto, a maioria das ocorrências não chega ao conhecimento do grande público, muitas vezes porque acontecem em locais isolados ou porque falta interesse por parte da imprensa em retratá-los. Os ufólogos, por outro lado, fazem tudo o que podem para resgatar casos esquecidos e conhecer novas ocorrências, como veremos neste artigo.

A cidade baiana de Boa Vista do Tupim, palco do primeiro incidente ufológico que será apresentado, situa-se a 230 km de Salvador, em uma altitude aproximada de 310 m, na região da Chapada Diamantina. Banhada pelos rios Tupim e Paraguaçu, sua principal atividade econômica consiste na agricultura e pecuária. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sua população estimada no ano de 2015 era de pouco mais de 18.000 habitantes distribuídos em uma área de 2.800 km². O nome da cidade é derivado justamente de uma geografia privilegiada, que proporciona vistas exuberantes. Além dos atributos naturais e da marcante cordialidade de seus habitantes, uma situação envolvendo o insólito avistamento de um enigmático humanoide em Mata do Óleo, área rural do município, na década de 90, motivou este autor a conduzir uma detalhada investigação do caso em janeiro de 2013.

Criatura humanoide robusta

Precisamente na manhã ensolarada de 16 de agosto de 1995, uma quarta-feira, por volta das 10h00, um grupo composto por oito crianças entre sete e 12 anos saiu munido de estilingues para perseguir os passarinhos da região quando, na parte superior de uma encosta, uma delas apontou para que as demais vissem o que ela pensou ser algum tipo de animal, próximo de onde estavam. As crianças observaram a uma distância de cerca de 100 m uma criatura humanoide robusta, de baixa estatura e aparentando ter 1,5 m de altura. O ser vestia um curioso traje esverdeado com capacete.

Diante daquela visão inusitada, alguns meninos mais destemidos se moveram cuidadosamente em direção à criatura, passando antes por uma cavidade seca provocada pela água em épocas de chuva. Os mais assustados, como Antônio e Jair, de sete anos, se afastaram do local, mas sem perder de vista a cena. José e Sandro, os mais velhos do grupo, se aproximaram do ser, que, em um primeiro momento, parecia não se incomodar com a presença de ninguém. Um deles, mais cauteloso, manteve-se um pouco mais distante da criatura, enquanto outro chegou a 10 m dela — ambos puderam observar com mais detalhes as características do ser.

Além do traje esverdeado e justo e do corpo forte, a criatura tinha alguns detalhes coloridos pelo corpo, principalmente na região do tórax, que os meninos associaram a botões. Vez por outra, e entidade levava a mão ao peito brilhante, dando a impressão de que manipulava algum dispositivo. Na cabeça o ser usava um capacete com viseira que não permitia distinguir os detalhes de sua face com clareza. O modo como se movia, bastante estranho aos observadores, se dava com o corpo balançando, flutuando a poucos centímetros do terreno íngreme, como que imantado em um campo de energia, por entre a vegetação. Um detalhe muito curioso é que um cão mestiço pertencente ao garoto Hernani, que acompanhava o grupo, simplesmente ignorou a presença do ser, fuçando o mato de forma natural, como se nada de estranho estivesse acontecendo.

Crianças assustadas e chorando

Naquele exato momento, o senhor Edílson de Souza Pinheiro, pai de três dos garotos, percebeu a movimentação das crianças e imaginou que havia algo de estranho na área. Pinheiro, com 43 anos à época, estava em casa, a 500 m do local, e saiu à porta com sua esposa, avistando toda a cena. Imediatamente, apesar de advertido pela mulher para que não chegasse perto daquilo, caminhou pelo declive para alcançar os meninos e observar melhor o que se passava.


Ao perceber as crianças mais novas assustadas e chorando, e os demais observando detidamente junto com ele a criatura por entre a mata, movido por um instinto natural de proteção, disse a elas que voltaria para buscar algum instrumento como um ferro e verificar mais de perto o que era aquilo. Logo após pronunciar essas palavras, coincidência ou não, o enigmático ser se afastou um pouco mais, juntou os braços ao corpo e elevou-se de forma bastante vagarosa no ar, verticalmente, como se puxado para cima por algo que não era visível, até desaparecer em meio à forte luz do Sol daquele dia.

crédito: ARQUIVO DANIEL CARNEIRO
As testemunhas Sandro e José Carlos, meninos na época, ainda têm lembranças intensas do encontro com o estranho ser
As testemunhas Sandro e José Carlos, meninos na época, ainda têm lembranças intensas do encontro com o estranho ser

Ouvido por este pesquisador, 17 anos após o ocorrido, o senhor Pinheiro ainda guardava na memória os detalhes daquele dia e prestou um depoimento contundente. “Aproximei-me e vi que parecia uma pessoa pequena, um anão. Era gordo com uma roupa verde, com capacete e brilhava como se estivesse em meio a uma ‘energia’. Tinha algumas coisas no peito, onde mexia. Ele não pisava no chão e ficava por cima do mato indo em uma e outra direção, balançando. Ficou ali por muito tempo sendo visto por nós, talvez uns 30 minutos ou mais. Se fosse hoje e alguém tivesse uma filmadora ou celular, poderíamos mostrar a todo mundo, mas naquele tempo não tinha nada disso por aqui”.

Pinheiro, homem simples do campo, na intenção maior de proteger seus filhos e os outros meninos, confessou que se arrependeu muito de ter dito que pegaria uma ferramenta para ir em direção à criatura. Sua esposa, inclusive, que a tudo assistiu de onde estava, o repreendeu mais tarde pela atitude, sobretudo em razão do comportamento pacífico e alheio do forasteiro. “Não nego que me arrependi de ter dito que pegaria um ferro e fiquei pensando nisso durante meses. Aquilo poderia ser uma coisa boa”, disse o homem.

“Poderia ter sido um anjo”

A testemunha associou o fato de ter dito às crianças que buscaria o instrumento a partida do ser. Acredita que, não obstante a relativa distância, o humanoide pode ter escutado e entendido suas palavras. Questionado sobre o que pensava do episódio, respondeu que “não tenho muito estudo, mas poderia ter sido um anjo que veio na Terra ver qualquer coisa. O povo na rua dizia que era um ET, mas isso só Deus sabe”. Na data do ocorrido, de acordo com a tradição católica, comemora-se o Dia de São Roque, o que por certo, representou um fator adicional a motivar a interpretação religiosa do incidente.

Assim como os demais, o então menino e agora homem feito José Oliveira dos Santos, a primeira testemunha a ser ouvida nessa investigação em Boa Vista do Tupim — e que mais próxima esteve da criatura —, declarou de forma espontânea não ter certeza da presença de um possível UFO no local dos fatos ou na recolhida do ser. A luz do Sol representou um fator de dificuldade para a verificação do exato momento do seu desaparecimento.

Após o ocorrido, Pinheiro foi à cidade e procurou a autoridade administrativa da época, o então prefeito Getúlio Sena Barros, que se interessou pelo caso e dirigiu-se ao local acompanhado do seu filho Aldo Sena, hoje professor, e do comerciante José Carlos Matos de Oliveira. Apuraram toda a história, atestando a sinceridade e honestidade das testemunhas. “Eles deram detalhes iguais do acontecido, ainda emocionados. A imagem vista por eles ficou por aqui por cima do mato e depois subiu exalando no céu”, contaram. A partir de então, o caso passou a ser do conhecimento de todos e Pinheiro passou a ser frequentemente instado a narrar o fato a diversas pessoas da pequena cidade, curiosas com o acontecimento. Os anos se passaram e aquela visita inesperada, ao menos que alguém tenha visto, jamais se repetiu no local.

A pesquisa realizada

Sabe-se que casos envolvendo relatos de extraterrestres verdes são raros na Ufologia. Dentro de um dos poucos estudos específicos de classificação da tipologia humanoide existentes, proposto pelo ufólogo Jader U. Pereira e publicado na França em 1970 sob o título Les Extraterrestres [Os Extraterrestres], e em 1991 pelo Centro Brasileiro de Pesquisas de Discos Voadores (CBPDV), a alegada criatura deste caso se enquadraria na variação 3 do tipo 2, que faz alusão a seres de pequena estatura com vestimenta colante e esverdeada, correspondendo a 1,3% do total de casos compilados por Pereira à época.

Um trabalho mais abrangente e atual de classificação, sugerido pelo ufólogo e coeditor da Revista UFO Thiago Luiz Ticchetti, na obra Guia da Tipologia Extraterrestre [Biblioteca UFO, 2014], traz um importante registro no qual uma criatura com algumas similaridades àquela vista pelas crianças foi relatada. O caso ocorreu à noite, em uma estrada de Zafra, na Espanha, em 14 de novembro de 1968, e teve como protagonista Manuel Trejo. Segundo a testemunha, a criatura que avistou a poucos metros de distância após seu veículo começar a falhar, vestia um traje justo composto por vários pontos coloridos, vermelhos, verdes e azuis com um capacete que não permitia distinguir as características do rosto — dias antes da ocorrência, conforme soube-se depois, outro condutor havia relatado um objeto voador discoide no mesmo lugar.

Aproximei-me e vi que parecia uma pessoa pequena. Era gordo com uma roupa verde com capacete e brilhava como se estivesse em meio a uma ‘energia’. Tinha algumas coisas no peito, onde mexia. Ele não pisava no chão e ficava por cima do mato

Ao dirigir-me a Boa Vista do Tupim para investigações, a família do ex-prefeito foi bastante solícita e cordial em me cientificar dos detalhes da ocorrência. Contei principalmente com a atenção e apoio valioso tanto de Aldo Sena, quanto de José Carlos Matos de Oliveira, na extensa reconstituição do evento junto às testemunhas diretas, na fazenda onde ocorreu o contato. Antes, porém, tivemos que vencer a distância entre o centro do município e o local do avistamento, rodando vários quilômetros por estradas sem asfalto, composta por trechos críticos, com aclives e declives acentuados. Algumas das crianças envolvidas, hoje adultos, mudaram-se para outras cidades e não puderam ser localizadas. Seis testemunhas diretas do episódio, de um total de dez, me forneceram seus relatos, incluindo Edílson de Sousa Pinheiro, hoje com 64 anos, e sua esposa, mãe de três dos garotos.

O caso em apreço, dadas as suas características, sem dúvidas consiste em um dos mais distintos conhecidos que integram a casuística ufológica da Bahia. Envolve pessoas simples do meio rural, sem qualquer razão para criar um enredo minucioso como o que se apresenta, sustentando a história no decorrer de todos esses anos. Este autor está certo da honestidade de suas narrativas. Nos dias em que esteve na área investigando o caso, nenhum fato ocorrido ou informação que pôde obter diminuiu essa convicção ou deixou margens a duvidar da sinceridade de seus relatos.

Outros casos na região

Distante cerca de 212 km de Boa Vista do Tupim e a aproximadamente 180 km da capital, o município de Riachão do Jacuípe, no Sertão Baiano, apresentou em sua área rural uma série de avistamentos recorrentes de UFOs e fenômenos luminosos dignos de menção neste trabalho. Entre os casos destaca-se, principalmente pela quantidade e qualidade das testemunhas, o que ocorreu cerca de um ano e meio após o encontro com o extraterrestre em Boa Vista do Tupim. Era 08 de janeiro de 1997, uma quarta-feira, e aproveitando o período de recesso o bancário Virgílio Pereira Filho, sua esposa Jeane Pereira e filhos adolescentes dirigiram-se juntos com parentes e amigos à Fazenda Volta do Rio, de sua propriedade, afastada 20 km do centro da cidade, onde passariam a noite. Algo aconteceu ali.

Por volta das 23h00, em uma noite estrelada, jogavam cartas na varanda da sede do imóvel quando foram surpreendidos por um UFO circular silencioso, de poucos metros de diâmetro e emitindo forte luz vermelha, que vinha dos fundos da fazenda, por entre a vegetação. As pessoas levantaram para ver o objeto, que se aproximou e postou-se no ar, a cerca de 100 m de onde estavam, deixando-as em um misto de espanto e encantamento. Virgílio Pereira, o Pereirinha, tentou observar com mais atenção as características daquilo, dando alguns passos à frente, mas foi acometido por forte dor de cabeça e não pôde ver aspectos adicionais. Beta Pereira, que também estava presente, conseguiu notar uma extensão luminosa na parte de baixo do UFO, similar a um cone, direcionada ao chão — as testemunhas chegaram a desligar o gerador de energia do local para conseguir ver melhor o artefato.

Depois de uns 10 minutos, o UFO se distanciou, virando e mudando para uma cor azul de notável beleza. Sobrevoou lentamente a fazenda à baixa altitude e desapareceu no mesmo giro de onde veio. Apesar de ter uma máquina fotográfica na casa, ninguém se lembrou de buscá-la para registrar aquele acontecimento. As testemunhas narraram também que, pouco antes do UFO sumir, um avião — supostamente militar — passou nas proximidades do local, voando à baixa altitude e ganhando altura em seguida, levantando a suspeita de que poderia ter alguma relação com o objeto avistado. Alguns meses após o ocorrido, quando este autor foi à fazenda apurar a ocorrência junto com outras pessoas da cidade, a família ainda se mostrava impressionada, relatando os fatos com bastante intensidade.

Uma luz azulada

Mais tarde, em 25 de setembro de 2003, o administrador da mesma fazenda, Admilson Oliveira, cumpria sua função habitual levantando cedo, por volta das 04h00, para tirar leite das vacas no curral, a poucos metros da casa anexa, onde reside. Em um dado momento, enquanto estava agachado realizando o trabalho, uma luz azulada subitamente rompeu no curral, tomando toda a área. Segundo seu relato, tinha a propriedade de preencher todo o local de maneira uniforme, sem que nenhum canto ou objeto escapasse, neutralizando até mesmo a forte luz da lâmpada usada no recinto.

O gado não mostrou alteração de comportamento e Oliveira permaneceu agachado no local observando, assustado, um objeto voador luminoso comprido que passava devagar e à baixa altura pelos lados do curral, indo em direção aos fundos da fazenda. Em um dado momento, o UFO abaixou mais e explodiu silenciosamente em vários pedaços pequenos, que logo sumiram. “Quando ele desapareceu, abaixou e foi uma explosão de luz em vários pedacinhos, parecendo fogos de artifício, mas sem nenhum som”, contou. O episódio durou mais ou menos cinco minutos e, tal como apareceu, cessou subitamente.

crédito: ARQUIVO DANIEL CARNEIRO
A forma como a entidade saiu da cena do avistamento, como se sugada para dentro de um objeto voador não identificado
A forma como a entidade saiu da cena do avistamento, como se sugada para dentro de um objeto voador não identificado

Naquele nicho geográfico, fenômenos ufológicos se tornaram frequentes por aquela época. Suas características e nuances guardam considerável similaridade com as registradas na obra A Parapsicologia e os Discos Voadores: O Caso Alexânia [Editora Grupo de Expansão Cultural, 1973], em que o engenheiro e ufólogo general Alfredo Moacyr de Mendonça Uchôa, pioneiro da Ufologia Brasileira falecido em 1996, narrou importantes eventos de contatos com discos
voadores e seres exógenos.

O que fica evidente após a breve exposição desses fatos é a imperativa necessidade de que casos do gênero despertem, efetivamente, o já tardio interesse da comunidade científica oficial. Isso levará ao estudo do Fenômeno UFO a necessária metodologia aprimorada e condizente com a natureza extraordinária e relevante desses acontecimentos. Já é mais do que tempo de a ciência compreender que há muito tempo não estamos mais sozinhos.

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Daniel C. Carneiro

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