ARTIGO

Däniken revisitado à luz de novos fatos

Por André de Pierre | Edição 250 | 01 de Setembro de 2017


Créditos: RAFAEL AMORIM, EXCLUSIVO PARA A REVISTA UFO

Däniken revisitado à luz de novos fatos

Em 1968, Erich Anton Peter von Däniken abalou as estruturas da ciência e da religião com uma obra imortal que se tornaria um dos maiores sucessos da história da Ufologia, o livro Eram os Deuses Astronautas? Lançado originalmente com o título em alemão Erinnerungen an die Zukunft: Ungelöste rastela der Vergangenheit e em inglês Chariots of the Gods? Unsolved Mysteries of the Past, a obra influenciou gerações de entusiastas dos mistérios da humanidade e tratava da proposição de que extraterrestres visitaram a Terra na Antiguidade, influenciando nosso desenvolvimento cultural, tecnológico, religioso e até biológico.

Neste intercâmbio, os alienígenas foram tidos como deuses devido à tecnologia que empregavam, incompreensível ao autóctone. Däniken demostrou por meio de representações antigas que as divindades estavam trajadas com capacetes, roupas de astronautas e provavelmente eram exploradores espaciais — por isso a ideia apresentada no livro acabou sendo chamada de Teoria dos Antigos Astronautas, fervilhante até hoje. Em verdade, o autor não foi o precursor da teoria, pois ela havia sido tratada anteriormente por Charles H. Fort, Konstantin T. Eduardovich, Matest A. Mendelevich e pelo lendário Carl Sagan. Contudo, sem dúvida, Däniken foi o mais influente e famoso autor da tese, popularizando esta ideia que foi tema de inúmeros livros, documentários e da série televisiva Ancient Aliens, do canal History Channel, que até a data desta publicação tinha incríveis 8 temporadas e 104 episódios.

Contatos com alienígenas

O escritor nasceu em 14 de abril de 1935, na Suíça, e foi educado em um colégio católico. Na escola, Däniken teve a oportunidade de estudar os testamentos e livros apócrifos em seu idioma original, nos quais percebeu que alguns versículos eram diferentes daquilo ensinado pelos padres. Na época, o advento da corrida espacial impressionava toda a humanidade, da mesma forma que a Ufologia despontava e famosos cientistas, como Carl Sagan, Enrico Fermi e Francis Crick, tratavam da possibilidade da existência de vida extraterrestre e do contato da nossa civilização com alienígenas. Certamente, Däniken não estava alheio a todos estes acontecimentos, sendo, sem dúvida, um cenário propício para se intuir e criar uma obra de grande sucesso e importância.

Em 1964, o autor começou a expor suas ideias no jornal germânico Der Nordwesten. Segundo Däniken, naquela época, seu famoso livro estava pronto, mas nenhuma editora quis publicá-lo. Pela falta de interesse, ele decidiu divulgar a obra de forma criativa, enviando capítulos ao periódico — suas teorias fizeram sucesso e a editora norte-americana Putnam & Bantam Books viabilizou a publicação da primeira edição. Bestseller imediato nos Estados Unidos e Alemanha, logo depois o livro foi publicado em 38 países, incluindo o Brasil.

Eram os Deuses Astronautas? foi composto de doze capítulos que percorriam diversos temas, no qual Däniken fez o encaixe das peças de um imenso quebra-cabeça das ciências composto de cosmologia, astrofísica, arqueologia, antropologia, teologia, geologia e biologia, que, quando montado, sugeria a presença de alienígenas no planeta Terra em um passado remoto. Contudo, habilmente, em vez de entregar o tabuleiro completo, o autor concedeu uma série de duzentas perguntas à comunidade científica e religiosa.

Viagens intergalácticas

Inicialmente, o escritor disserta sobre a possibilidade de vida inteligente no cosmos e as viagens intergalácticas. Logo em seguida, Däniken começou a trabalhar naquilo que se tornou sua principal marca: a investigação de sítios megalíticos e arqueológicos, encontrando artefatos fora de seus devidos lugares e tempos. Odiado pelos críticos, Däniken sugeriu que a assombrosa antiga tecnologia de construção de monumentos era extraterrestre. Ele citou a Grande Pirâmide de Gizé, amada por egiptólogos e céticos — estes que nunca nos trouxeram uma versão conclusiva sobre sua construção. O suíço também critica o método de datação baseado no carbono 14, utilizado para determinar a idade dos achados arqueológicos.

Depois podemos ler em sua obra a análise de antigas escrituras sob a ótica do autor, que marcou sensivelmente a leitura que os teóricos dos antigos astronautas posteriores a Däniken tiveram e têm sobre o tema. Inclusive, o capítulo quarto dá o nome da versão do livro em português. As descrições de eventos bíblicos dadas pelo autor demonstravam que aquelas apresentações míticas e milagrosas da Bíblia eram, na verdade, narrativas de homens sem vocabulário tentando descrever a tecnologia dos extraterrestres que viam chegar à Terra e com eles conviver.

crédito: EGYPTIAN HERITAGE
A exuberância da Grande Pirâmide do Egito ainda não é maior do que a necessidade de explicar sua origem
A exuberância da Grande Pirâmide do Egito ainda não é maior do que a necessidade de explicar sua origem

Sem dúvida, uma das mais importantes contribuições de sua obra foi a famosa descrição de uma explosão nuclear e dos vimanas, as aeronaves da Antiga Índia, registradas no livro sagrado Mahabharata [Veja livro Vimanas: Veículos Voadores de Nossos Antepassados, código LIV-035 da coleção Biblioteca UFO. Confira na seção Shopping UFO desta edição e no Portal UFO: ufo.com.br]. Esses textos dificilmente teriam se popularizado e chegado ao mundo ocidental sem a existência do livro de Däniken. A seguir, um trecho curioso da página 76 de Eram os Deuses Astronautas?, em que se usam vocábulos, tais como temos na memória de histórias de testemunhas oculares da explosão da primeira bomba de hidrogênio no Atol de Bikini: “E Gurkha, a bordo de um possante vimana, arremessou um único projétil sobre a cidade tríplice (...) Fumaça branca incandescente, 10 mil vezes mais clara que o Sol, teria se elevado com brilho imenso e reduzido a cidade a cinzas”.

O autor também dedicou capítulos inteiros à Ilha de Páscoa e à América do Sul, e finalizou a obra filosofando sobre o futuro da humanidade e o cosmos. Considerando todo o contexto do livro e o leque de ciências nele abordadas, espanta-nos a simplicidade do texto e a capacidade de atingir os mais diversos públicos. Entretanto, esta clareza de pensamento pode ter confundido a cabeça de alguns acadêmicos e críticos, que muitas vezes classificaram a obra como simplória, com dados errados e, por isso, sem valor.

Argumento ad hominem

O chamado argumento ad hominem, do latim “argumento contra a pessoa”, é a falácia mais comum em um debate, consistindo em negar uma proposição atacando seu autor — uma tentativa de desacreditar o adversário por meio de ofensas e detalhes de sua vida sem relevância para o que está sendo debatido. A título de exemplificação, lembro-me de assistir o vídeo onde doutor Zahi Hawass, secretário-geral do Conselho Supremo de Antiguidades do Egito, recusando-se a debater com Robert Bauval, proponente da Teoria dos Antigos Astronautas e da correlação de Órion com as grandes pirâmides do Egito.

Naquele momento, Graham Hancock, igualmente um renomado teórico dos antigos astronautas, interviu no debate. “Este homem [Bauval] é um ladrão e eu não quero falar dele e não quero que seu nome seja mencionado”, disse Hawass. “No mundo acadêmico…”, disse Hancock sendo interrompido pelo egípcio, que rispidamente desferiu: “Ele [Bauval] não é acadêmico. Ele não é nada”. Nisso Hancock continuou sua fala: “No mundo acadêmico não fazemos argumentos ad hominem. Não discutimos sobre o homem, discutimos sobre o assunto”. “Bem, o assunto foi discutido e está encerrado”, finalizou Hawass.

Däniken sugeriu que a assombrosa antiga tecnologia de construção de monumentos era extraterrestre. Ele citou a Grande Pirâmide de Gizé, amada por egiptólogos e céticos, que nunca nos trouxeram uma versão conclusiva sobre sua construção

O diálogo acima é o exemplo do que Erich von Däniken enfrentou em grande parte de sua carreira. Entre os adjetivos dados ao autor para lhe desacreditar estão “mentiroso”, “enganador” e “falsificador”, como se toda a obra dele, que contém mais de 20 livros publicados e dezenas de documentários, fosse inteiramente baseada em mentiras, enganos e falsificações, o que está bem longe da realidade. Pode-se citar como exemplo que um dos argumentos utilizados pelos céticos é o de que Däniken fez empréstimos para financiar suas pesquisas em um banco suíço, viajou o mundo e não pagou. Também sabemos que o autor é acusado pelos críticos de ser um playboy. Contudo, além de fofoca, o que isso tem a ver com o conteúdo da obra? Absolutamente nada!

Ele também esteve envolvido em diversas outras polêmicas, como a da biblioteca subterrânea do Equador e, no entanto, o próprio autor admitiu o erro e continuou sua caminhada. Em verdade, a vontade dos críticos era o sepultamento da carreira de Däniken e o assassinato de sua reputação, mas felizmente não obtiveram sucesso nesse empreendimento. Decerto que o objetivo de quem busca a verdade dos fatos é analisar a obra e debater o conteúdo, não o autor. A prática do ad hominem é contumaz na imprensa, na política e na ciência, sendo que devemos prestar muita atenção nisso para não cair neste tipo de equívoco, obviamente se estivemos agindo de boa-fé.

A complexidade do cosmos

Erich von Däniken, como vimos anteriormente, apresentou muitos dados sobre o cosmos em sua obra-prima. O primeiro capítulo de Eram os Deuses Astronautas? se inicia com três perguntas: há inteligência extraterrestre? É possível vida sem oxigênio? Existiria vida em ambientes que seriam letais para o homem? Hoje em dia temos mais dados para responder as questões. Por exemplo, alguns estudos da Agência Espacial Norte-Americana (NASA) sugerem que o universo é plano, com uma margem de erro de apenas 0,4% — e um universo plano é um universo infinito. A nossa galáxia, a Via Láctea, tem um número estimado de 400 bilhões de estrelas. O universo provavelmente é infinito, mas se estima que é possível observar até 10 sextilhões de estrelas.

Uma reportagem publicada pela NASA apresenta o fato de que uma equipe do California Institute of Technology, que fica na cidade de Pasadena, garante que há pelo menos 100 bilhões de planetas na nossa galáxia, sendo que os mesmos cientistas classificaram esse cálculo como chocante. Outra matéria, publicada pelo portal de ciências do jornal O Estado de São Paulo, em 18 de março de 2015, relata: “Segundo um grupo de cientistas da Dinamarca e da Austrália, a Via Láctea pode ter vários bilhões de planetas situados na chamada zona habitável de suas estrelas, isto é, orbitando em torno delas a uma distância que permitiria a existência de água líquida em suas superfícies”.

Até a presente data, apenas uma dezena de planetas habitáveis foram descobertos pelos astrônomos, ou seja, falta catalogarem bilhões de planetas apenas em nossa galáxia. Contudo, os números assombrosos apresentados acima se referem aos planetas onde há a probabilidade da existência de água em estado líquido, porque os cientistas consideram essa qualidade essencial para a existência de vida.

Viver na “zona morta”

Em nosso mundo temos os organismos chamados de extremófilos, que têm interessado profundamente pesquisadores de astrobiologia ou exobiologia, o estudo da origem, evolução, distribuição e o futuro da vida no universo. Segundo definição descrita na Wikipédia, “extremófilos são organismos que conseguem sobreviver ou até necessitam fisicamente de condições geoquímicas extremas, prejudiciais à maioria das outras formas de vida na Terra. Os mais conhecidos são micróbios”.

Enfim, extremófilos podem viver em condições extremas, como camadas de gelo, ácido sulfúrico, sob temperaturas de 140 oC, em ambientes hipersalinos, em desertos, em ambientes radiativos ou a quilômetros de profundidade se alimentando de ferro, potássio ou enxofre e, finalmente, sem oxigênio. Segundo reportagem da BBC, cientistas da Marche Polytechnic University, de Ancona, Itália, descobriram os primeiros animais que podem sobreviver e se reproduzir sem oxigênio, nomeados Spinoloricus cinzia. É pertinente observar que são seres multicelulares vivendo no Mar Mediterrâneo em uma chamada “zona morta”.


Contudo, a capacidade de viver sem oxigênio não é característica única do Spinoloricus cinzia. No conjunto de organismos já conhecidos podemos citar os anaeróbios, ou seja, seres vivos que não necessitam de oxigênio para sobreviver. E mais: há os anaeróbios obrigatórios ou estritos, nome dado àqueles que são até mesmo prejudicados pela presença do oxigênio.

crédito: HISTORY CHANNEL
Giorgio Tsoukalos, astro da série
Giorgio Tsoukalos, astro da série

O doutor Mário Júlio Ávila-Campos, do Departamento de Microbiologia da Universidade de São Paulo (USP), definiu em documento o que é um anaeróbio: “É todo microrganismo que cresce em ambiente isento de oxigênio e que realiza suas funções metabólicas vitais utilizando compostos diferentes do O2, tais como sulfatos, carbonatos, nitratos”. No trabalho do doutor Ávila-Campos também há uma explicação curta, porém interessante, sobre a origem dos anaeróbios: “Evidências filogenéticas sugerem que os organismos anaeróbios estritos seriam as primeiras formas de vida que emergiram em nosso planeta”. E há uma afirmação ainda mais importante: “Na origem da Terra, seu ambiente atmosférico era totalmente livre de oxigênio”. Isso tudo indica claramente que não pode ser condição necessária para o surgimento de vida no universo a existência de oxigênio.

Mas, apesar de os organismos discutidos viverem em condições extremas — muitos sem oxigênio —, a necessidade da presença de água líquida ainda é um consenso na ciência para que exista vida em um planeta, e por quê? Porque é um meio eficiente para transferir substâncias a partir de uma célula para o ambiente e do ambiente para uma célula. Contudo o professor Steven A. Benner, do Departamento de Química da Universidade da Flórida, discorda dessa resposta. Segundo o mestre, existem apenas dois requisitos para a vida existir: faixa de temperatura adequada para a ligação química e uma fonte de energia, podendo ser a luz do Sol, por exemplo. Isso, sem dúvida, ampliaria para mais alguns bilhões os planetas ainda a serem descobertos com potencial a existência de vida.

Pouca informação

Todo o contexto biológico construído até aqui é, obviamente, baseado no que se conhece sobre a vida da Terra. No entanto, existe um fato bastante constrangedor: conhecemos apenas 1% da vida nos oceanos, segundo a cientista brasileira Lúcia Campos, sendo que as previsões mais otimistas falam de 5% — cerca de 80% da Terra são cobertos pelo mar e, a ciência parece ter pouca informação sobre a vida.

Mas todo o exposto ainda não responde ao questionamento sobre se há ou não inteligência extraterrestre. A respeito desta pergunta-chave de Erich von Däniken ainda pairam grandes dúvidas, exatamente como nos anos 60, quando sua obra foi escrita. Entretanto tivemos progressos nas principais teorias científicas que tratam do assunto, como na resposta ao Paradoxo de Fermi e a revisão de cientistas sobre a Equação de Drake. O Paradoxo de Fermi destacou a contradição entre a grande probabilidade de vida extraterrestre e a falta de evidências desta.

Pelo contexto do livro e o leque de ciências nele abordadas, espanta-nos a simplicidade do texto e a capacidade de atingir os mais diversos públicos. Entretanto, esta clareza de pensamento pode ter confundido a cabeça de alguns acadêmicos e críticos

Hoje em dia é possível reunir muitas respostas para essa contradição, e entre as mais famosas estão: (a) extraterrestres inteligentes estiveram na Terra antes do surgimento da nossa espécie; (b) a galáxia foi colonizada, mas moramos em uma área despovoada; (c) formas de vida inteligente saberiam do grande perigo de um contato com a humanidade; (d) existe apenas uma civilização superpredadora com inteligência superior, que eliminaria todas as outras; (e) estamos enganados sobre nossa própria realidade; (f) estamos ou estivemos em contato com os extraterrestres, como garantem ufólogos e teóricos dos antigos astronautas; e (g) civilizações superiores existem à nossa volta, mas somos muito primitivos para detectá-las.

Todas as hipóteses acima tiveram origem nos cérebros mais inteligentes da física, astrofísica e filosofia. Inclusive o famoso físico teórico Michio Kaku resumiu a última hipótese apresentada acima da seguinte forma: “Digamos que há um formigueiro no meio da floresta. Ao lado do formigueiro estão construindo uma grande rodovia de dez faixas. E a questão é: as formigas seriam capazes de entender o que é uma rodovia de dez faixas? Elas seriam capazes de entender a tecnologia e as intenções dos seres construindo a rodovia a seu lado?”

Assinatura de tecnologia alien

Algo totalmente moderno e que não existia em 1964, data da redação de Eram os Deuses Astronautas?, é o Instituto SETI, iniciais em inglês de Search for Extraterrestrial Intelligence, ou seja, o programa de busca por vida extraterrestre inteligente. Mas o que se faz por lá? Segundo seu site oficial, “o Instituto é uma organização privada e sem fins lucrativos dedicada à investigação científica, educação e sensibilização do público (...) Ele busca por inteligência extraterrestre, sendo uma ciência exploratória que procura evidências de vida no universo, por meio de alguma ‘assinatura’ de sua tecnologia”.


E continua o site: “A nossa atual compreensão da origem da vida na Terra sugere que, dado um ambiente adequado e tempo suficiente, a vida vai se desenvolver em outros planetas. Se a evolução vai dar origem a civilizações inteligentes e tecnológicas, ainda está aberto à especulação. No entanto, tal civilização pode ser detectada através das distâncias interestelares e pode realmente oferecer a nossa melhor oportunidade para a descoberta de vida extraterrestre em um futuro próximo”.

O Instituto SETI recebeu recentemente cem milhões de dólares de investimento para um projeto que envolve também Stephen Hawking. Isto, indubitavelmente, leva-nos à seguinte questão: tais investidores empregariam tanto tempo e dinheiro em algo que não existe? Então, estaria Erich von Däniken absurdamente equivocado, como dizem os críticos? O fato é que a cada dia estamos mais próximos de responder satisfatoriamente todas estas perguntas feitas pelo autor, que as formulou há nada menos do que 50 anos.

Antigas escrituras

Os teóricos anteriores a Däniken já haviam reparado que existia algo errado com as antigas escrituras. Para diversos povos antigos, mitos pareciam uma tentativa de se explicar algo que o vocabulário da época não atingia — e se era isso mesmo, como decifrar tais mitos? A Teoria dos Antigos Astronautas trouxe uma chave que aparentemente resolve todos estes problemas. O escritor suíço despertou em muitas pessoas pelo mundo uma centelha que fez surgir vários teóricos que trouxeram novas informações sobre os mitos e antigas inscrições. A partir da década de 70 do século passado, despontaram grandes autores que levariam a interpretação desses textos e tradições ancestrais a um novo patamar.

No capítulo quatro de Eram os Deuses Astronautas?, Däniken fala da Epopeia de Gilgamesh, conto mitológico escrito na Suméria que narra a história deste primitivo rei homônimo. Anos mais tarde, por coincidência ou não, surge o escritor Zecharia Sitchin com a teoria do décimo segundo planeta. Seu estudo revolucionou nosso modo de ver a Antiga Mesopotâmia e outros povos correlatos. Estudando as tábuas de argila grafadas em escrita cuneiforme, Sitchin fez afirmações totalmente novas baseadas nos escritos sumérios. Entre elas a de que existiria mais um planeta com vida inteligente em nosso Sistema Solar, que extraterrestres nomeados anunnaki chegaram aqui há 445 mil anos para explorar nossos recursos minerais e que estes alienígenas criaram o homem e nossa civilização. O termo anunnaki, a propósito, significaria “aqueles que do céu vieram à Terra”.

crédito: INSTITUTO SETI
Radiotelescópios do Instituto SETI não param um minuto de ouvir o universo em busca de sinais inteligentes. É porque há vida inteligente
Radiotelescópios do Instituto SETI não param um minuto de ouvir o universo em busca de sinais inteligentes. É porque há vida inteligente

Com estas afirmações, todas baseadas na mitologia suméria, Sitchin parece ter criado uma nova ramificação de teóricos mais à frente da influência de Däniken — ele também fez diversas analogias entre os anunnaki e a mitologia de diversos povos do mundo, inclusive os citados na Bíblia, dedicando uma obra inteira ao assunto chamado “Gênesis Revisitado”. Outro autor que nos trouxe informações valiosas sobre a presença alienígena na Terra é o erudito Robert Temple. Membro da Royal Astronomical Society e da Egypt Exploration Society desde 1970, Temple demonstrou uma novidade realmente explosiva. Para ele, a tribo Dogon, de Mali, África, tinha em suas tradições algo perturbador.

Sacerdotes deste povo descreveram as ancestrais lendas do povo Dogon para dois arqueólogos franceses na década de 30 do século passado. Uma delas narrava a existência de uma companheira invisível da estrela Sírius, a mais brilhante do céu. Pouco interessante à primeira vista, Temple foi mais a fundo e constatou que esta estrela realmente existia e era chamada de Sírius B. Segundo os sacerdotes, antigos membros da tribo haviam aprendido tal tradição com extraterrestres chamados Nommos, que viviam em um planeta que orbitava aquele sistema binário. Temple também ofereceu aos entusiastas alguns mitos chineses, mesopotâmicos, gregos e egípcios que comprovavam contatos extraterrestres no mundo antigo. Em outro artigo deste autor para a UFO, cito, por exemplo a tradição de Fu-xi e Nu-kua, primeiros monarcas da China que pareciam extraterrestres ou híbridos, informação que detive inicialmente pela obra de Temple.

Artefatos fora do lugar

Também é extremamente interessante o estudo de David H. Childress sobre os antigos vimanas, aeronaves que portavam bombas e outras armas, constantemente descritos nas tradições hindus. Notoriamente, Childress foi influenciado por Däniken e procurou a fundo saber mais sobre esses mitos que estavam nas linhas do livro Eram os Deuses Astronautas? Ao estudar a Bíblia, também observamos trechos curiosos, como Marcos e Transfiguração de Cristo, sobre a qual dediquei capítulos inteiros para meu livro Enigmas: A História Secreta da Humanidade [Editora Anunaki, 2016]. Fato é que os dois episódios canônicos têm alta conotação extraterrestre, como a visão do fim dos tempos descrita no Novo Testamento: “E então verão vir o Filho do homem nas nuvens (naves), com grande poder e glória. E ele enviará os seus anjos (mensageiros extraterrestres) e ajuntará os seus escolhidos, desde os quatro ventos (por todos os continentes da Terra), da extremidade da Terra até a extremidade do céu (abduzindo-os da terra para o céu)”. Parênteses do autor.

Isso nos remete à expressão oopart, iniciais em inglês de out of place artifacts. Trata-se de uma terminologia inventada para classificar artefatos de interesse arqueológico que se encontram fora de seu contexto histórico. Erich von Däniken citou diversos destes achados arqueológicos em seu livro, como o Mecanismo de Anthikytera e a Bateria de Bagdá, que continuam misteriosos mesmo hoje em dia. Da década de 70 do século passado para cá, o que há de novo a seu respeito? Nada!

O livro Forbidden Archeology: The Hidden History of the Human Race [Arqueologia Proibida: A História Secreta da Raça Humana, Bhaktivedanta Book Publishing], lançado em 1993 por Michael A. Cremo e Richard L. Thompson, ofereceu muitos dados valiosos que apoiam a Teoria dos Antigos Astronautas. Na obra os autores denunciam várias farsas da arqueologia, como também demonstram uma série de ooparts com até centenas de milhões de anos.

Artigos como as Esferas de Klerksdorp, com 2,8 bilhões de anos; a impressão de uma pegada de sapato no Estado norte-americano do Nevada, com 590 milhões de anos; o Martelo Kingoodie, com 300 milhões de anos; e o Encanamento Chinês, de 150 mil anos, são alguns destes ooparts que deixaram a comunidade científica desnorteada. Os críticos argumentam que as análises destes artefatos são contaminadas, feitas de forma equivocada, ou que eles são naturais, como no caso das Esferas de Klerksdorp. Elas foram encontradas em um extrato muito profundo do subsolo que teria se formado há bilhões de anos. Então, ao que parece, restou tão somente classificá-las como naturais.

Incompetência científica

Em relação aos outros achados arqueológicos, dizer que se tratam de equívocos apenas piora a situação da arqueologia como um todo, levando-nos a questionar: quantos outros erros foram cometidos antes que passaram batido pelos pesquisadores? Esse tipo de argumentação somente diminui a confiança das pessoas em relação as datações com carbono 14 e outros meios, demonstrando incompetência ou má-fé de alguns cientistas. Vejam um exemplo. Arqueólogos realizavam escavações em um sítio arqueológico perto de Tel Aviv, em Israel, quando descobriram os restos de uma lareira de 300 mil anos de idade. Segundo a antropogênese, o Homo sapiens surgiu há 200 mil anos e o que se sugere é que nesse local existia uma casa com uma espécie de cozinha primitiva onde se faziam refeições. Mais tarde tivemos o Homo erectus, mas este era nômade e não construía casas e lareiras. E então?

Na América do Sul tivemos admiráveis descobertas que eu não poderia deixar de citar nesta matéria. Primeiramente vêm os crânios alongados de Paracas, no Peru. É insofismável que a maioria destes crânios são artificiais, produzidos por um processo de deformação com finalidade estética. Contudo, existem alguns casos específicos que nenhum cientista conseguiu explicar de forma conclusiva. Por exemplo, crânios de crianças de dois anos com a dentição de um adulto, crânios com o tamanho do torso, cabeças com volume 25% maior do que a de um homem comum, ausência de sutura sagital, órbitas maiores que o normal, forame parietal, mandíbulas robustas e hipodontia por fatores genéticos etc — e há também múmias encontradas com fetos em seu ventre que têm crânios alongados, sugerindo que nasciam com estas características.

A vontade dos críticos era o sepultamento da carreira de Däniken e o assassinato de sua reputação, mas não obtiveram sucesso nesse empreendimento. Quem busca a verdade dos fatos deve analisar a obra e debater o conteúdo, não o autor

Não menos espetacular é o chamado Ata, ou Humanoide de Atacama, também no Peru. Trata-se de um ser que media no máximo quinze centímetros, tinha crânio alongado e viveu até os oito anos de idade. O esqueleto foi estudado por cientistas em Barcelona, na Inglaterra e, por fim, efetuou-se um exame de DNA em Stanford, nos Estados Unidos. O resultado foi no mínimo engraçado e inconclusivo, como afirmou Gary Nolan, chefe da equipe responsável pela pesquisa: “Posso dizer com absoluta certeza que não é um macaco. É um humano, mas mais próximo aos humanos do que aos chimpanzés. Viveu até seis e oito anos e obviamente, respirava, comia, metabolizava. A questão é saber o tamanho que ele tinha quando nasceu”.

Por último, e não menos incrível, está a Fuente Magna das Américas ou Plato del Chanco, um vaso encontrado na Bolívia com escrita cuneiforme de origem Suméria em seu interior — a comunidade científica simplesmente emudeceu diante das evidências e não se falou mais nisso. Bem conveniente.

Sítios megalíticos

Em Eram os Deuses Astronautas? constam descrições de incríveis sítios megalíticos que com certeza foram as evidências mais fortes nas quais Erich von Däniken baseou sua teoria. A citação de locais como Baalbeck, Tiwanaco, Ilha de Páscoa e Gizé na obra estimularam a imaginação de gerações, mas, nos dias de hoje, o que há de novidade em relação a isso? Igualmente, nada! Em Tiwanaco, na Bolívia, foi detectada a existência de uma pirâmide enterrada percebida com testes de radar de penetração no solo. Na Ilha de Páscoa, uma equipe de pesquisadores descobriu que os moais têm corpos abaixo das famosas cabeças e também inscrições. Em Gizé, surgiram dezenas de teorias mirabolantes tentando explicar a construção da Grande Pirâmide do Egito por faraós primitivos e um povo de agricultores.

Contudo, as principais novidades sobre estes mistérios vieram dos teóricos dos antigos astronautas, como Robert Bauval e Christopher Dunn. Bauval descobriu uma correlação entre Grande Pirâmide e a Constelação de Órion e Dunn elaborou uma teoria sagaz que assume que a maior construção de todos os tempos, era, na verdade, uma usina de energia. Sobre Baalbeck, no Líbano, há silêncio total dos cientistas quanto à construção de uma plataforma com três megálitos pesando até 1.400 toneladas, retirados de uma pedreira, arrastados até o local da construção, polidos e encaixados por um povo de caçadores-coletores de 7.000 anos que não conheciam o bronze [Veja detalhes no livro Cataclismo: A Tragédia que Apagou a História Humana, código LIV-041 da coleção Biblioteca UFO. Confira na seção Shopping UFO desta edição e no Portal UFO: ufo.com.br].

Na Turquia foram encontrados dois sítios megalíticos grandiosos: Norsun Tepe e Gobekli Tepe. Norsun Tepe era uma construção insólita dentro de uma montanha. A magnífica estrutura, engenhosamente elaborada, tinha nada menos do que 40 camadas de ocupação por várias gerações. Não há datação oficial do achado, mas os pesquisadores acreditam ser do Período Calcolítico — o sítio arqueológico foi destruído para a construção de uma hidrelétrica. Já Gobekli Tepe foi edificado com pilares em forma de T que variam entre 40 a 60 toneladas, sendo datado em incríveis 12 mil anos. Segundo a história comumente ensinada, esse povo não teria condições de realizar tal feito, pois estava em transição entre os períodos Paleolítico e o Neolítico. Como explicá-los?

Sistema de medição sofisticado

Há alguns anos, arqueólogos da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, anunciaram a descoberta de um calendário arqueoastronômico de 10 mil anos na Escócia, formado por doze poços deitados em um arco de 50 m de comprimento, que representavam um sistema de medição bastante sofisticado, dividindo o mês lunar em três semanas de dez dias. Já os pesquisadores Michael Tellinger e Johan Heine, descobriram na África do Sul ruínas de uma cidade antiga com nada menos que 1.500 km², podendo ter até 10.000 km². Segundo Tellinger, o sítio arqueológico data de 200 mil anos. “As milhares de minas antigas de ouro descobertas nos últimos 500 anos naquela região apontam para uma civilização desaparecida que viveu e explorou ouro nesta parte do mundo durante milhares de anos”, diz o pesquisador.

Pirâmides também começaram a brotar pelo mundo, tanto na América, quanto Europa e na Ásia. Na China, por exemplo, é possível ver pelo aplicativo Google Earth um conjunto de pirâmides com arquitetura similar a Teotihuacán, no México. Na Guatemala, novos sítios megalíticos foram localizados e classificados como maias. Na Europa, as polêmicas pirâmides da Bósnia não foram aceitas pela comunidade científica, mas existe um sítio arqueológico por lá, estudado pelo doutor Semir Osmanagich. Também foram localizadas grandes esferas, como as da Costa Rica, e na Espanha, o arqueólogo amador Manuel Abril diz ter descoberto uma pirâmide na região de Cuenca.

crédito: THE NEW YORK TIMES
O linguista, pesquisador e autor Zecharia Sitchin, que, com seu trabalho de tradução das tábuas sumérias deu origem à teoria dos anunnaki
O linguista, pesquisador e autor Zecharia Sitchin, que, com seu trabalho de tradução das tábuas sumérias deu origem à teoria dos anunnaki

Viajando até a Indonésia, temos a enorme pirâmide de Gunung Padang, localizada a cerca de 120 km de Jacarta. Segundo o pesquisador doutor Danny Hillman, a datação do sítio arqueológico pode ser de 9 a 20 mil anos. No Brasil tivemos o caso das pirâmides da Amazônia, noticiada pela revista Veja nos anos 70 — seu estudo foi estranhamente abandonado por causa de uma série de assassinatos após sua descoberta. Também não podemos deixar de citar que, em um canto remoto no oeste do Oceano Pacífico, quase 1.600 km ao norte de Nova Guiné e a mais de 3.000 km do Japão, encontra-se Nan Madol, uma série de cem ilhas artificiais e torres monumentais cobertas pela vegetação.

Em cinco milhões de colunas de pedra ergue-se a metrópole pré-histórica das Ilhas Carolinas. Esculpidas toscamente, foram em seguida encaixadas sem argamassa. A metrópole não é decorada com inscrições ou petróglifos, como também não há estátuas ali. Segundo David H. Childress, “a enorme estrutura foi construída com pedras empilhadas, da maneira como se constrói uma cabana de toras”. A cidade inteira era cercada por uma muralha de 4,88 m de altura e 551,99 m de comprimento, contudo, que, com o passar dos séculos de tempestades, sucumbiu. O maior bloco individual encontrado pesa cerca de 60 toneladas. Como explicá-lo?

Sim, os deuses eram astronautas

Desde o lançamento da obra-prima de Erich von Däniken, os críticos não conseguiram refutar a hipótese de que seres extraterrestres nos visitaram em um passado remoto, influenciando nossa cultura, religião e tecnologia. Ao contrário do que desejam os céticos, a Teoria dos Antigos Astronautas cresce a cada ano — inclusive, como pudemos observar em toda esta matéria, as evidências só aumentaram durante as últimas décadas. Por outro lado, este pensamento tem inspirado pesquisadores dentro e fora da academia, estimulando os teóricos a reescrever a nossa história, que sempre esteve extremamente obscura da forma que é comumente ensinada.

Atualmente, diante de tantos fatos, tornou-se insensato afirmar que em um universo infinito, em uma galáxia com 400 bilhões de estrelas e bilhões de planetas situados em suas zonas habitáveis, não exista vida extraterrestre inteligente e que não fomos visitados por aliens em algum momento da história. Mais extravagante ainda são as afirmações de que nossa espécie é a única inteligência no infinito e que toda engenhosidade humana seria rara em um universo onde o que impera é a repetição de modelos.

Por outro lado, é inegável que os nossos ancestrais transmitiram de forma oral e escrita o conhecimento de que deuses vieram do céu, criaram e civilizaram o mundo antigo — todas as antigas culturas e povos relataram isso. Também é possível observar construções tecnologicamente muito avançadas para a época, artefatos incomuns e representações artísticas destes seres. Portanto, diante da profusão de provas e argumentos, podemos afirmar: sim, os deuses eram astronautas.

Para continuar lendo este artigo, você deve se cadastrar no Portal UFO. O cadastramento é gratuito e dá acesso a todo o conteúdo do site.

Login

Compartilhe esse artigo:

Sobre o Autor

André de Pierre

Comentários