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Conheça um pouco mais sobre como agia o chupa-chupa

Por Equipe UFO | Edição 73 | 01 de Agosto de 2013

Toda a vasta Região do Salgado, no nordeste paraense, ficou à mercê das luzes vampiras, que os moradores também chamavam de ?aparelhos? e que receberam o nome mais comum de chupa-chupa
Créditos: ARQUIVO UFO

Conheça um pouco mais sobre como agia o chupa-chupa

A doutora Wellaide Cecim Carvalho, em sua longa entrevista à UFO, esclareceu muitos pontos obscuros sobre a ação do chupa-chupa na Amazônia, principalmente como as vítimas reagiam ao serem atacadas. Ela, mais do que qualquer outra pessoa, tem estas informações, pois, como médica da unidade sanitária da ilha de Colares e tendo tido contato com inúmeras testemunhas e vítimas, sabia o que se passava em detalhe. “As vítimas nunca chegavam sós, estavam sempre amparadas ou carregadas por parentes, amigos, compadres, comadres ou vizinhos, porque não conseguiam andar. Essas pessoas, em geral, testemunharam o que havia acontecido às vítimas, mas saíam ilesas”, declarou.

Para a médica, uma coisa curiosa é que, quando os ataques ocorriam, os atacados nunca estavam sozinhos. Às vezes eram casais namorando ou pessoas que ainda insistiam em ir a festas, mesmo com o perigo do chupa-chupa — depois, com a repetição dos casos, acabaram todas as festividades e tudo parou. Quando questionada se tinha informações de casos em que mais de uma pessoa foi atingida simultaneamente, disse que isso acontecia com frequência. Com casais de namorados, por exemplo, os dois geralmente eram atacados juntos. E em grupos grandes, muitos eram picados pela luz vampira. “Mais para frente, as pessoas pararam de sair e nem mesmo os pescadores se atreviam a continuar suas atividades, pois vários deles foram atacados em pleno mar — nem durante o dia havia pesca após outubro de 1977”.

A médica conta que chegou uma época em que ninguém mais ousava sair de casa, pois, com o decorrer do tempo, as luzes começaram a ficar mais audaciosas, fazendo vítimas em plena luz do dia e nas ruas da Vila de Colares, no lado norte da ilha. Sua descrição do comportamento das vítimas é um capítulo à parte de sua valiosa entrevista à Revista UFO, e ei-la aqui em detalhes exclusivos aos nossos leitores.

Você atendeu apenas umas 80 pessoas atacadas. Mas quantas vítimas ao todo você estima que o chupa-chupa fez?
Creio que o número de pessoas atacadas foi muito grande, mas muitas não tinham acesso fácil à sede do município, vivendo na zona rural de Colares, e nunca procuraram ajuda médica. Por isso, não entram em estatísticas. Naquela época, eram necessárias várias horas de barco para atravessar o Túnel da Laura, região que separa o litoral da ilha. Muitas pessoas vinham carregadas em redes, outras tinham até medo de trazê-las e serem atacadas no caminho. Eu também tinha receio de ir vê-las em suas residências, e recebia constantemente a notícia de que mais e mais moradores estavam sendo atacados pela luz. Até mesmo os funcionários da unidade não queriam levar medicamentos às regiões mais afastadas, com medo.

Havia padrão de sexo ou idade das vítimas?
Bem, eram atacados mais homens do que mulheres, mais adultos jovens do que pessoas idosas. Poucos casos de crianças foram registrados, e nenhum com menores de 10 anos. Não atendi ninguém tão jovem ou idoso com idade avançada. Era como se houvesse um respeito por tais faixas etárias. A paciente mais idosa que atendi, e que inclusive foi a óbito, tinha 72 anos. Ela foi atacada dentro de sua cozinha, que não tinha janela, protegida do Sol ou chuva apenas por uma cortina de plástico. Isso aconteceu entre 17h00 e 18h00.

Vamos tratar desse caso logo adiante. Agora, por favor, descreva se havia algum padrão físico entre as vítimas?
É interessante destacar que todas as vítimas eram magras e nenhuma tinha sobrepeso ou era obeso. Além disso, todos eram pardos ou caboclos. Não atendi nenhuma pessoa branca ou loira, mesmo porque existia apenas uma meia dúzia delas na ilha toda, isso contando ainda com a técnica de laboratório da Unidade Sanitária de Colares e eu. A grande maioria das vítimas era composta por agricultores, pescadores e donas de casa, casados e que não usavam álcool. Sei disso porque fiz questão de perguntar a todos as circunstâncias de suas vidas, já que no início dos casos eu achava que eram alucinações e poderiam ser provocadas por bebida alcoólica. Estava enganada...

Houve alguma incidência de ataques dentro das mesmas famílias, ou seja, integrantes do mesmo grupo familiar eram agredidos?
Não. Aconteceram vários casos em que primeiro era atacado o marido e, depois de quatro a seis semanas, a esposa ou os filhos. Mas não simultânea ou imediatamente. Eu até achava que alguns fatos poderiam ser brigas de casal, mas não consegui provar um único caso. Enfim, eu usava todos os argumentos à mão para justificar minha incredulidade. Aplicava todas as teorias possíveis, menos que fosse “coisa de outro mundo” ou extraordinária.

Era possível identificar quando o chupa-chupa estava perto da cidade, através de sons?

Todos sabíamos quando eles estavam a caminho, pois faziam um zumbido parecido com o de besouros. Quando as pessoas escutavam esse som, iam logo procurar um local para se esconder. Ainda bem que os objetos não eram silenciosos, pois se fossem teriam atacado muito mais pessoas. Esses artefatos, sempre de formato cilíndrico, chegaram a um extremo de audácia ao passar a emitir seus raios de luz através das frestas das casas de madeira e palha da ilha, que geralmente não tinham forramento. As luzes de fato penetravam pelas frestas com extrema habilidade e pontaria. Para se proteger, as pessoas cobriam esses espaços com papéis, jornais ou revistas, tampavam até mesmo o buraco da fechadura, o que
resolveu um pouco a situação.

Os raios de luz eram emitidos dos objetos voadores sempre linearmente ou faziam curvas para atingir as pessoas?
Mantinham-se linearmente, nunca faziam curvas. Às vezes, eram emanados de forma oblíqua, mas sempre retos e nunca na horizontal. Percebi isso porque, para ter uma melhor comunicação com os pacientes, eu desenhava em um papel o que eles me descreviam, pedindo que verificassem se estava representando corretamente os casos. Os moradores relatavam que as luzes geralmente entravam pelas janelas e portas — quem não as tinha corria logo para providenciar tudo novo —, até mesmo pelas telhas, que eram colocadas uma sobre as outras para reforçar a proteção.

Você acredita que as pessoas atacadas foram escolhidas por alguma razão específica, talvez por ter ou não alguma determinada doença? Ou os ataques se deram ao acaso? Qual era o padrão das vítimas?
Tirando as características da faixa etária e da estrutura física das vítimas, não notei nenhuma predileção por parte deles. Bem, eram atacados mais homens do que mulheres, mais adultos jovens do que pessoas idosas. Poucos casos de crianças foram registrados, e nenhum com menores de 10 anos. Não atendi ninguém tão jovem ou idoso com idade avançada. Todas as vítimas eram magras e nenhuma tinha sobrepeso ou era obeso. Além disso, todos eram pardos ou caboclos. Não atendi nenhuma pessoa branca ou loira, mesmo porque existia apenas uma meia dúzia delas na ilha toda. A grande maioria das vítimas era composta por agricultores, pescadores e donas de casa, casados e que não usavam álcool. Mesmo as duas pessoas que foram a óbito [A doutora Wellaide admitiu que pode haver mais casos de morte, que não são de seu conhecimento] nada de especial tinham em comum, exceto problemas cardíacos. Ou seja, não morreram em função da agressão que sofreram, mas sim porque não resistiram às suas consequências.

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