Edição 164
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Caso Gáldar: O estranho episódio dos gigantes vermelhos

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01 de Apr de 2010
Fotos de um objeto voador não identificado saindo da água na noite do Caso Gáldar. As alegações céticas de que se trata de um míssil não vingaram
Créditos: Ufo Photo Archives

A noite de 22 de junho de 1976 foi espetacular para várias testemunhas de um evento no arquipélago das Ilhas Canárias, no Oceano Atlântico. Um documento liberado pelo Exército do Ar espanhol [Equivalente à Aeronáutica Brasileira], em outubro de 1993, com o número 760.622 e mais de 100 páginas, descreve os vários eventos anômalos sobre Gáldar, que se sucederam desde às 21h30. De diversos pontos das ilhas se pôde observar uma luz estranha seguida de muito brilho, sempre alternando sua intensidade. Aquilo surgiu primeiro ao sul de Fuerteventura e se deslocou para o norte de Gran Canária e Tenerife a uma velocidade de quase 3.000 km/h. O capitão da embarcação Corveta Atrevida, da Marinha, preparou um relatório secreto sobre o fato, que observou de sua posição, Punta Lantailla:

“Às 21h27 vimos uma luz amarelo-azulada intensa deslocando-se desde a costa até a nossa posição. Primeiramente pensamos que se tratasse de um avião com as luzes de aterrissagem acesas. Então, quando a luz alcançou certa altitude, ficou parada por dois minutos, girando suas projeções luminosas e impedindo-nos de ver o foco de origem. Logo apareceu um intenso halo de cor amarelo-azulada, que permaneceu na mesma posição por 40 minutos e depois desapareceu. Dois minutos depois, o halo se dividiu em duas partes, de uma das quais, a menor, surgiu uma ‘nuvem azul’ que depois desintegrou-se. Já a parte maior começou a subir rapidamente e em forma de espiral, mas de uma forma desalinhada, até desaparecer. Aquilo manteve sempre sua posição e iluminou parte da terra e do mar, o que nos faz supor que não foi um fenômeno distante, e sim próximo”.

Vários pesquisadores apontaram, posteriormente, que a aparição estaria associada a disparos secretos de mísseis norte-americanos do tipo Poseidon, a partir de submarinos atômicos que estariam situados perto das ilhas. Entretanto, de acordo com a ufóloga Asunción Sarais, alguns catálogos divulgados pelo astrofísico Jonathan MacDowell indicam que naquele dia realmente houve disparos de Poseidon, mas a mais de 6 mil quilômetros de distância, perto de Cabo Canaveral e fora do alcance das Canárias. Além disso, no relatório confidencial do então chefe do espaço aéreo das ilhas, o objeto não pôde ser detectado por radares e “não foi possível determinar sua origem ou natureza para que julguemos ser um fenômeno aéreo identificado ou anômalo”. Segundo Luís Javier Velasco, outro ufólogo da região, também se descartaram hipóteses como a queda de meteoritos ou de restos de satélites. “E é pouco provável que se tratem de mísseis balísticos, por serem tão pequenos e cuja missão é chegar ao alvo o mais rápido possível, procurando ser indetectáveis. De que adianta um submarino nuclear numa suposta missão secreta, se com apenas um míssil já se detecta sua presença em todo arquipélago?”, questionou Velasco.

Os gigantes vermelhos

Naquela mesma noite, três homens viajavam de táxi por uma sinuosa e escura estrada da Aldeia das Rosas, em Gáldar, quando tiveram uma experiência. No carro estavam o médico Francisco Julio Padrón, seu vizinho Dámaso Díaz Mendoza e o motorista Francisco Estévez García. Padrón, que agora vive em Madri, recentemente descreveu o que houve. Disse que o grupo ia pela estrada, na parte mais alta da montanha, quando todos viram uma esfera de mais ou menos 20 m de diâmetro flutuando a menos de um metro de altura. O curioso é que era transparente, porque conseguiam ver as estrelas por detrás do objeto. “Eu disse ao motorista para parar o carro e começamos a observar tudo o que acontecia no interior daquela coisa”.

Padrón descreveu que, de repente, começaram a sair duas colunas de dentro da esfera. Uma se enchia de um líquido ou gás vermelho, que parecia que fervia e atravessava todo o diâmetro do objeto. Depois saiu uma coluna menor, mas agora com um líquido amarelado, fraco, enchendo-a somente pela metade. Mas observou mais detalhes que estavam dentro da esfera transparente. “Percebi umas lâminas prateadas, longas e divididas em três partes, que pareciam mesas de comando. Tenho certeza de que eram três: duas situadas uma ao lado da outra e uma terceira ao centro. Vi também que entre as colunas haviam duas figuras humanas, de uns 2 m cada, com escafandros vermelhos. Não pude observar bem seus rostos, mas parecia que calçavam luvas”.

Depois de alguns instantes, quando se ausentaram e voltaram ao local, o objeto sofreu uma estranha metamorfose, crescendo como uma bolha de sabão até alcançar a altura de um edifício de mais ou menos 17 andares. Ao mesmo tempo em que crescia, a esfera transparente se elevava mais e mais, partindo rumo a Tenerife. A 6 km de distância, outro taxista presenciou o vôo de um objeto esférico muito luminoso.

Seres humanóides

Dois dias após o incidente, o médico Francisco Padrón recebeu uma visita incomum do tenente-coronel Antonio Munaíz Ferro Sastre, controlador do espaço aéreo da Ilhas Canárias, que lhe interrogou sobre o que tinha visto. O militar então o proibiu de falar sobre o assunto publicamente. Padrón teve que comparecer às instalações do Exército do Ar, em Las Palmas. Numa sala de espera, encontrou dois pilotos que também tiveram que depor sobre suas experiências.

Para o investigador e jornalista canário José Gregorio Gonzalez, o Caso Gáldar é um dos mais importantes da Ufologia Espanhola, pois pela primeira vez foram vistos humanóides como parte de um fenômeno múltiplo, e a uma distância pequena das testemunhas. As entrevistas realizadas com diversas pessoas que vivem na área de Rosas confirmam o avistamento, levando a desconsiderar por completo a hipótese de um míssil lançado por um submarino nuclear. É possível que, na mesma noite em que o médico viu os seres, outro UFO tenha aparecido há menos de 2 km de distância, em Piso Firme, numa plantação de cebolas de propriedade de José Gil Gonzalez. O objeto queimou parte do campo. “Era um objeto de três pernas se aproximando, que parecia ser um silo de cimento, destes que se armazenam sementes, uma coisa muito grande com uma luz alaranjada”, contou o agricultor.

Também entre 22h00 e 22h30, em um casamento em Boca Barranco se observou uma luz no céu deixando para trás um rastro azulado. A polícia da localidade avistou um objeto cruzando o firmamento e indo para Tenerife. Na mesma hora, jornalistas correspondentes do jornal El Dia em Granadilla e Tacoronte observavam um fenômeno sobre Las Palmas. Eram brilhos que pareciam com explosões vulcânicas. Os tripulantes do barco Villa de Agaete, procedente de Gran Canária, avistaram um fenômeno idêntico, acrescentando que parecia ser um objeto esférico. À medida que subia, seu diâmetro crescia, mas logo desapareceu.

Ainda em 22 de julho de 1976, o comandante Javier Vadolato voava entre Lanzarote e Tenerife, naquela região do globo, quando pôde observar abaixo de seu avião uma enorme esfera saindo do mar. Seu testemunho, entretanto ficou desconhecido do público por anos a fio. Alguns meses depois das aparições de 22 de junho de 1976, em 19 de novembro, o médico Francisco Padrón, juntamente com outras pessoas, observou outro UFO perto de um precipício. Foi um objeto luminoso que saiu do mar e que media entre 60 e 70 m. O fenômeno também foi observado por várias testemunhas. Em pleno ar, diversas tripulações de várias companhias aéreas e uma aeronave do Exército do Ar espanhol também avistaram objetos voadores não identificados. Em uma das aeronaves estava o comandante Carlos Dol do Espelho, que fez um relatório sobre o avistamento, descrevendo o UFO como uma esfera luminosa.

Discos voadores e aviões, uma questão recorrente ? e muito séria

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Apr de 2010

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